segunda-feira, 23 de março de 2015

095 - "oh mor não faças isso… não me deixes sem saber o porquê que estás a chorar"

Mariana

As primeiras horas em casa foram tranquilas, mas assim que o Martim chegou do colégio, complicou ligeiramente, isto porque o menino só queria ficar junto da Inês.

Felizmente consegui que percebesse que a menina enquanto dorme não precisa ser vigiada constantemente mas também fiquei com a sensação que tinha arranjado outro problema, porque o Martim afirmou que quando tiver acordada que já não posso pedir que se afaste…

Estava no quarto a descansar quando o meu amor entrou

- O Martim?

- Consegui finalmente convencê-lo a fazer os trabalhos… está tão irrequieto…

- É normal… é tudo novidade para ele, além disso acho que não percebeu muito bem o porquê que pedi que saísse do quarto

- Daqui a uns dias já não estranha…

- Espero bem que não

- Precisas de alguma coisa?

- Não… se precisar chamo!

- Então vou ter com o nosso filho…

O Ruben falou tão naturalmente que não deve ter percebido sequer que se referiu ao Martim como nosso filho e sinceramente preferi não dar grande relevância ao assunto. O meu amor beijou-me e depois de uns segundos a olhar a nossa princesa, saiu do quarto.

Voltei a fechar os olhos mas não consegui dormir, algo não me saía da cabeça…

***

A Inês acordou e começou a rabujar e por isso tentei levantar-me da cama, no entanto não fui o suficientemente rápida e por isso antes que o conseguisse fazer, já tinha o Ruben e o Martim no quarto, porque se o meu amor veio ajudar-me, o piolho veio exigir o seu tempo com a Inês, uma vez que já estava acordada

- Martim afasta-te um pouco - pedi, uma vez que o meu irmão estava quase em cima de mim, que tentava dar o peito

- Mas tu falaste que quando a bebé tiver acordada que posso tar com ela!

Não tive hipótese de falar, porque o Ruben antecipou-se

- E podes… mas primeiro a Inês precisa de comer porque senão depois chora e não queres que chore, pois não?

- Não… - o Martim olhou-nos e depois afastou-se, sentando-se ao colo do Ruben, que mais uma vez o mimou

Continuei a dar a mama à nossa filha, sob o olhar atento dos dois e quando terminei, o Ruben fez a Inês arrotar e quando já se preparava para mudar a fralda

- Eu posso ajudar? - a voz do meu piolho fez-se ouvir, o que fez com que sorrisse, ainda mais quando

- Podes… - o Ruben alinhou e - traz aí uma fralda e as toalhitas

Assim que o ouvi, olhei sem entender o motivo de tal pedido, uma vez que o Ruben tinha tudo o que precisava perto dele, mas assim que o vi pegar na nossa filha e deitá-la na nossa cama, percebi

- Agora com cuidado abre o fatinho da Inês

O Martim com todo o cuidado fez o que o Ruben pediu e depois de abrir as molas do fato, ainda tirou com todo o cuidado do mundo as perninhas da nossa filha de dentro da roupa

- E agora? - sorri com a pergunta do Martim

- Agora tens de puxar por aqui - o meu amor apontou para os adesivos da fralda

- Assim? - o meu irmão puxou

- Sim…

Fiquei simplesmente a observá-los, remetida ao silêncio, mas completamente babada, os meus dois homens a cuidar da minha princesa, de forma tão cúmplice e protetora é tudo o que sempre mais desejei, e agora que presenciei isso só contribuiu para que tenha ainda mais orgulho na família que construí do lado do único homem que lutou por mim, que não desistiu, que me ama…

- Mãe… oh mãe… - acordei para a realidade quando o Martim se abraçou a mim - já viste eu consegui eu mudei a fralda à mana

Olhei para o piolho e depois para o Ruben

- Muito bem… e já que sabem os dois mudarem fraldas, já posso ir para a ramboia que suja a Inês não fica

- Não mãe tu não podes ir passear porque nós não temos maminhas para dar leitinho à mana - sorri e

- Hum… isso quer dizer que se pudesse deixar as minhas maminhas já não te importavas que fosse

- Não porque eu sei que voltavas sempre - a segurança com que falou tocou-me de uma forma inexplicável, ainda mais quando o Martim pegou na mãozinha da Inês e - porque és diferentes das outras mamãs, tu és a nossa mamã e eu sei que gostas muito da gente por isso sei que mesmo que vás passear sozinha que voltas sempre para a gente porque a gente junto com o pai somos a tua família e tu precisas da gente como a gente precisa de ti

- Estás tão crescido… e isso deixa-me tão orgulhosa de ti, meu piolho…

- Não sou piolho, sou crescido - encheu o peito para dizer que é crescido o que nos fez gargalhar, a mim e ao Ruben - podem parar de gozar comigo?

- Oh mor - o Ruben abraçou-o - não estamos a gozar contigo, se gargalhamos foi porque tens muita razão no que falas, estás muito crescido mas tens de nos dar um desconto, nós habituamo-nos a chamar-te piolho e apesar de não gostares, serás sempre o nosso piolho

- Pois mas agora a bebé é a mana - voltamos a sorrir

- Tens razão e por falar em bebé está na hora da Inês dormir

- Tá bem… mas tem de ser a mamã ou o papá a meter a mana na caminha dela porque eu isso ainda não consigo fazer… sou crescido mas não assim tanto

- Tens razão - dei-lhe um beijinho e depois peguei na Inês que continuava sossegadinha e deitada na nossa cama, dei alguns mimos e depois deitei-a no seu berço

Quando voltei-me na direção dos meus dois homens, percebi que já estava sozinha, algo que não levei a mal e que não impediu que os fosse procurar

Cheguei à sala e encontrei-os a jogar PES, não resmunguei, sorri e fui até à cozinha, afinal tenho uma família para alimentar. Estava entretida a cortar os legumes para a sopa quando

- Não sabes mesmo estar quieta! - olhei para a porta e sorri

- Está tudo bem convosco?

- Sim… mas não devias estar deitada ou quanto muito sentada?

- Provavelmente… mas tenho uma família para alimentar!

- Pois… mas como a tua família não se resume só aos dois miúdos que tens na sala e à bebé que tens no berço - sorri ao ouvir a Madalena - as restantes mulheres da família servem para ajudar por isso vai mas é descansar que nós tratamos do jantar

- Hum… agradeço mas não é preciso - olharam - estou bem… a sério…

- Mariana ainda estás a recuperar de uma cesariana

- Que correu bem! Anabela, agradeço a vossa ajuda e sempre que precisar não hesitarei mas estou bem… e tenho de começar a fazer a minha vida normalmente

- Sim mas pelo menos nesta primeira semana deves descansar

- Não vão desistir, pois não?

- Não! - falaram ao mesmo tempo e de forma determinada

- Ok… façam lá o jantar

Acabei por aceitar a ajuda e fui até à sala, cumprimentei o Mauro e inevitavelmente sorri ao ver o Martim a brincar com o Rafael.

Sentei-me no sofá e fiz um esforço para participar na conversa que o Ruben mantinha com o Mauro mas a determinada altura desisti, porque outro assunto ocupava o meu pensamento e por muito que não quisesse dar importância, não consegui.

Estava a observar o Martim quando ouvimos a Inês pelo intercomunicador

- Eu vou lá! - o meu irmão que brincava com o Rafael, assim que ouviu a Inês avisou logo que ia lá, o que nos fez sorrir

Fiquei na sala na companhia do Mauro e do Ruben, deixamos o Martim ir ver a menina, uma vez que a Inês não chorou, simplesmente acordou e fez uns barulhinhos comuns aos recém-nascidos

- O miúdo é um amor - olhei para o Mauro e sorri, não respondi porque o Martim regressou e

- A mana é uma seca - refilou ao sentar-se no colo do Ruben - já adormeceu outra vez - sorrimos

- É normal, os bebés nas primeiras semanas comem e dormem

- Eu sei mas eu gosto de ver a mana acordada e de ficar a olhar para ela mas ela tá sempre de olhos fechados

***

Jantamos e depois a nossa família foi embora, aproveitei e fui descansar para o quarto. Estava de olhos fechados quando pressenti a presença de alguém no quarto e pelos barulho dos passos, só podia ser o meu irmão.
Não abri de imediato os olhos e por isso pude ouvir o que o meu piolho falou

- Já viste mana a nossa mamã é muito dorminhoca mas sabes ela gosta muito de ti e de mim, na verdade nós não somos manos eu sou teu tio porque eu sou mano da tua mamã mas para mim a Mariana sempre foi a minha mama e eu gostava muito que fosse verdade porque o meu coração diz que eu sou teu mano, o Ruben é o nosso papá e a nossa mamã é quem sempre cuidou da gente, tu ainda és muito bebé e por isso não percebes mas um dia eu conto o porquê que a minha mana é na verdade a minha mamã, mas o que quero mesmo dizer é que tu tens muita sorte porque tens um papá e uma mamã que gostam muito de ti desde quando tavas na barriga da mamã eu não tive isso, a minha mamã e papá de verdade foram maus para mim e por isso é que o meu maior sonho é que o teu papá possa adoptar-me porque assim eu seria mesmo teu mano e tinha a certeza que já ninguém roubava eu da nossa Família - o menino calou-se por uns segundos mas depois continuou - sabes eu fui muito mau para a nossa mama eu agora sei disso mas naquela altura não sabia que perguntar e querer ver a minha mamã de verdade ia deixar a Mariana muito triste mas agora eu percebo e agora tenho medo que a minha mamã volte e leve eu daqui…

Quanto mais ouvia, mais o meu coração apertava, mas fui incapaz de abrir os olhos, não por cobardia mas sim porque o meu irmão estava, quem sabe, a desabafar pela primeira vez, deixei-o falar

- e agora que já disse tudo o que que queria vou embora que eu disse ao nosso papá que vinha só dar um beijinho de boa noite à nossa mamã e a ti mana - abri ligeiramente o olho direito e vi o meu piolho a dar um beijinho na Inês, o que fez com que sorrisse mas voltei a fechar o olho e depois senti os lábios do Martim contra a minha bochecha direita, para de imediato ouvir os seus passos a sair do quarto…

Ruben

Estava na sala com o Martim quando reparei nas horas, já passava da hora de se deitar e por isso mandei-o para a cama, mas o menino quis despedir-se da Mariana e da Inês, deixei-o ir até ao nosso quarto na condição de não se demorar, o que acabou por acontecer, ainda assim não fui chamá-lo. Estava no quarto à procura de um pijama para ele, quando o Martim ao entrar correu para mim e abraçou-me com alguma força

- Então filho que é isso?

- Nada… quis dar um abraço ao pai - sorri

- Obrigado - dei-lhe um beijinho - gosto muito de ti!

- Eu sei! - voltei a sorrir - Mas agora eu tenho de ir dormir e o pai tem de ir ter com a mana que tá acordada e a mama tá a dormir

O Martim desde que a Inês nasceu que passou a referir-se à Mariana como mamã, sei que sempre foi esse o sentimento que o uniu à irmã mas até aqui foi conseguindo disfarçar, mas agora é frequente deixar escapar por entre os seus lábios a única verdade que conhece, a Mariana é a mãe que nunca teve.

Ajudei-o a vestir o pijama e depois de se deitar, dei-lhe um beijinho e desejei boa-noite, saindo depois do seu quarto.

Passei pela cozinha para beber água e quando entrei no meu quarto, senti um aperto enorme no coração

- Mor o que se passa? - perguntei de imediato, a Mariana chorava silenciosamente com a Inês nos seus braços

- A menina…

- O que tem a nossa filha - perguntei quando já estava ao lado delas

- Está a mamar… - falou serenamente, a calma na sua voz contradizia em tudo com as lágrimas que continuavam a molhar o seu rosto

- Porquê que estás a chorar? - perguntei já mais calmo e depois de certificar-me com os meus próprios olhos que a Inês se encontrava bem

- Não é nada… - desviou o olhar para a nossa filha

- Mor… oh mor não faças isso… não me deixes sem saber o porquê que estás a chorar

- São coisas minhas…

Não insisti, respeitei o momento de mãe e filha, deixei que a Inês mamasse e fui trocar de roupa. Quando regressei ao quarto, a Mariana já estava de pé com a nossa menina no colo, deitei-me e fiquei a olhá-las, o meu amor assim que a nossa filha arrotou, deitou-a no berço e ficou a observá-la.

O facto de não ter revelado o que a fez chorar, deixou-me inquieto mas quando se deitou e pediu que a abraçasse consegui serenar um pouco, a Mariana adormeceu pouco tempo depois…

***

Estava ainda acordado quando vi a porta a abrir

- O que é que estás aqui a fazer? - perguntei quase num sussurro para não acordar a Mariana

- Vim ver a mana - sorri

- Não devias estar a dormir? Amanhã tens aulas

- Eu sei mas tou sem sono e quis ver a mana não queria acordar o pai queria mesmo só ver a mana porque eu gosto muito de tar perto dela

- Já estava acordado mas isso não invalida que o menino Martim tenha de voltar para a cama!

- Pai deixa eu ficar aqui - olhei - só hoje eu fico no chão mas deixa eu ficar - o pedido do Martim tocou-me e por isso

- Só hoje - sorriu animado, desviei o lençol e - deita-te aqui

Deixei-o deitar-se entre mim e a Mariana, assim que se deitou, o menino abraçou-se a mim, dei-lhe alguns mimos e uns minutos depois já dormia serenamente.

***

Acordei com a Inês a chorar, abri os olhos e percebi porquê, a Mariana estava a trocar a fralda

- O que é que o Martim faz aqui?

- Mor não fiques chateada - olhou

- Não estou chateada… mas isto não se pode tornar num hábito

- Eu sei… foi só hoje

A Mariana não disse mais nada, acalmou a nossa pequenina e deitou-a no berço.

Acabei por sair da cama e ao aproximar-me da Mariana, que continuava de pé junto do berço, abracei-a, o meu amor não negou, muito pelo contrário, correspondeu ao abraço e deixamo-nos ficar assim durante uns minutos, só nos separamos quando

- Vou até à cozinha… tenho fome!

- Vou contigo

- Não… fica aqui com a Inês… já volto

Achei estranho o seu pedido, afinal a Mariana já deixou a menina sozinha apesar de estar acordada, mas respeitei a sua vontade e dei-lhe espaço.

***

Acordei e foi impossível não sorrir, o nosso pivete já estava acordado e junto do berço da Inês, olhava-a atento

- Bom dia filho

- Bom dia pai - saltou para cima da cama e deu-me um beijinho

- Tanta energia logo de manhã…

- Shiuuu pai! A mana acabou de adormecer - voltei a sorrir - e agora eu tenho de ir vestir a roupa para ir para o colégio… o pai vai levar eu?

- Vou! Vai vestir-te que vou fazer o mesmo!

Saí da cama e fui despachar-me, passei pelo quarto do Martim e perguntei se queria ajuda, mas o meu piolho disse que não. Fui, então, até à cozinha onde encontrei a Mariana a preparar o nosso pequeno-almoço

- Bom dia - dei-lhe um beijo - não tinhas necessidade de vir preparar o pequeno-almoço - olhou - mor quero que descanses

- Não te preocupes - limpou as mãos e aproximou-se de mim, colocando os seus braços em volta do meu pescoço - sei o que estou a fazer… desde que não faça esforços posso muito bem preparar o vosso pequeno-almoço

- Oh… mas também posso fazer isso

- Pois podes… e já o fizeste muitas vezes e farás muito mais vezes mas agora senta-te e come que tens treino depois!

- Essa é outra… não gosto que fiques sozinha

- Ruben, tens de treinar e muita sorte tiveste de terem autorizado que faltasses estes dias - beijou-me - quanto a ficar sozinha, vai descansado porque ontem pedi à tua mãe para vir fazer de baby-sitter porque calculei que fosses fazer este dramazinho - sorriu

***

Estava a despedir-me do meu filho, à porta do colégio quando

- A mana e a Inês estão boas? - sorri ao ouvir a Kika

- Sim… está tudo bem!

- Quando é que posso ir ver elas?

- Kika… - interrompi o Paulo

- Paulo deixe… é normal que queira visitar a irmã e a sobrinha

- Sim mas esta fase é sempre complicada

- Até pode ser mas não invalida que a Mariana não possa receber a visita da irmã - olhei para a miúda - logo quando chegar a casa depois do treino digo à Mariana que tive contigo e que tens saudades dela, depois combinamos um dia e vais vê-las mas agora têm que entrar que as aulas estão quase a começar.

O Martim despediu-se de mim e entrou, já a Kika deu-me um beijinho e outro ao Paulo, só depois seguiu o Martim

- Só não quero que a Mariana se sinta na obrigação de… - voltei a interromper

- Paulo, a Mariana já deixou bem claro até onde está disposta a ir, desde que não force isso não haverá problema, deixe-as conviverem, construírem uma relação sólida, se conhecerem, é bom para as duas, a Kika porque terá com quem falar e quem sabe se com a persistência própria da idade, a Kika não convence a irmã a deixar que conheça a sua neta

- É disso que tenho receio…

- Como assim?

- Ruben, a Kika quando quer muito uma coisa não desiste e tenho receio que a Mariana por sentir pressão se afaste da irmã, tenho noção que a minha filha não me quer próximo dela e da vossa família

- Paulo, só quem não conhece a Mariana é que pode pensar que poderá acusar a pressão, se a minha mulher deixar que conheça a sua neta, que lhe pegue ao colo, nunca será por sentir a pressão de uma miúda mas sim porque quer mas acima de tudo porque o seu coração o está a pedir, a Mariana não é o bloco de gelo que muitos julgam, é o oposto, a sua filha rege-se pelo que o seu coração diz, por isso é que lutou pelo Martim desde que soube que a mãe deles estava grávida, que deixou de viver a sua adolescência, que saiu de Lisboa para Braga, que lutou tanto contra o que nos une, que salvou a vida da Kika sem hesitar, que apesar de se magoar se manteve do lado da irmã, que caiu mas levantou-se e mais uma vez se aproximou da Kika, a Mariana não é má pessoa e muito menos o odeia, a Mariana simplesmente tem o coração ferido pelas circunstâncias da vida, talvez um dia consiga sarar as feridas…

***

Do treino segui para casa, entrei e vi a minha mãe na sala

- Olá mãe

- Como correu o treino?

- Bem… e por aqui?

- A Inês é muito sossegadinha e a Mariana está a descansar

- Vou vê-las

Fui até ao quarto e sorri, o meu amor tinha a Inês deitada na nossa cama e olhava-a

- Já chegaste

- Sim… - beijei-a - e o que é que a princesa faz na cama dos papás?

- A princesa está sem sono e a mãe dela com uma preguiça enorme - sorri - por isso a filha veio para a cama dos papás para receber muitos mimos… né filha… amor da mãe - voltei a sorrir, é tão bom testemunhar momentos destes - o treino correu bem?

- Sim…

- Então o que se passa?

- Vi a Kika… a miúda quer visitar-vos

- Daqui a uns dias… apesar de sentir-me bem ainda não tenho energias para tanto

- Ok…

Acabei por deitar-me na cama ao lado das minhas duas mulheres, estava a observá-las quando reparei que a minha mãe estava na porta do quarto

- Precisa de alguma coisa? - assim que falei a Mariana virou o pescoço e olhou

- Vim avisar que vou embora

***

Almocei com a Mariana e depois fiquei pela sala enquanto a Mariana se foi deitar, só fui ao quarto quando ouvi a nossa filha, o meu amor já se estava a preparar para dar o peito, momento que assisti completamente babado e quando a menina adormeceu, fomos até à sala.

Partilhamos as duas horas seguintes e só saí porque fui buscar o Martim, o menino assim que me viu

- A mana portou-se bem?

- Sim… comeu e dormiu

- Eu tive muitas saudades dela

- Ela também teve tuas!

- Como sabes? A mana ainda não fala!

- Pois não… mas se nós sentimos a tua falta a menina também sente e agora vamos que as nossas mulheres estão à nossa espera - o menino gargalhou

Chegamos a casa e o piolho foi de imediato ver a irmã, que é o mesmo que dizer que foi ver a Inês, dado que a Mariana continuava na sala

- Isto realmente… nem a um olá tive direito

- Deixa… quando cheguei à porta do colégio fui brincado com um “ a mana portou-se bem” - sorriu - o Martim está encantado com a Inês

- E não é o único… não me canso de olhar para ela

- É tão linda a nossa menina…

***

Ajudei o Martim com os trabalhos da escola e depois brinquei um pouco com o menino mas assim que ouviu o choro da Inês

- Agora vou brincar com a mana!

Saiu a correr, o que fez com que risse sozinho, fui atrás e quando entrei no quarto, já o Martim fazia festinhas na Inês, enquanto a Mariana trocava a fralda.

O meu amor deu de mamar à nossa filha e depois de ter arrotado, deitou-a na nossa cama para que o Martim pudesse brincar com a Inês

- Amor vou aproveitar para tomar banho… olha por eles!

- Não é preciso eu cuido da mana sozinho!

- Sim piolho… a mana sabe que cuidas muito bem da Inês mas mesmo assim o Ruben fica convosco

***

Desafiei o Martim para jogar comigo mas fui posto de parte, o piolho disse que queria ficar a ver a Inês dormir, acabei por sair do quarto e fui procurar a Mariana

- Queres ajuda?

- Sim… pode ser…

Ajudei o meu amor com o jantar e achei-a distante, tanto que

- O que se passa? Mor fala… já percebi que alguma coisa te atormenta - olhou e

- Tens razão… mas falamos quando o Martim for dormir

- É alguma coisa com o menino?

- Sim… em certa forma sim

Não insisti, respeitei o seu pedido e só voltei a tocar no assunto quando já estávamos deitados e o Martim a dormir, a Mariana partilhou comigo o que se passa e fui surpreendido…


O que terá revelado a Mariana?

3 comentários:

  1. Olá
    Adoreiiiiiiiii *_* O Martin é tão querido com a pequena Inês...
    Agora quero o próximo ... Quero saber o que a Mariana quis falar com o Ruben.



    Beijinhos


    Catarina

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  2. Ola:)
    Adorei, está tudo encantado com a princesa :p
    Aguardo o proximo!
    beijinhos
    Ritááá xD

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  3. Olá!

    Mais uma vez o Martim mostrou que é demasiado adulto para a idade que tem, pensando que a Mariana não o estava a ouvir desabafou o que lhe ia na alma à pequena Inês, que melhor confidente do que uma recém-nascida, o que ele não esperava era que a irmã ouvisse tudo. Acho que sei o que a Mariana vai revelar ao Ruben, mas como não tenho que esperar pelo próximo capitulo, porque é ele que está à minha espera, depressa vou saber o que é.
    Adoro a relação do Martim com a Inês, o cuidado que ele tem com ela, a proteção que ele lhe dedica, é mesmo um amor. E está mais do que visto que esta criança tem ali 2 guarda costas, o pai e a tio/irmão, e ainda só tem dias de vida, já estou a imaginar quando ela tiver 15 anos ou mais, vai ser bonito vai.
    Beijocas

    Fernanda

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