segunda-feira, 9 de março de 2015

090 - "Fogo… tanta Marianês em tão pouco corpo…"

Mariana 

Depois do Ruben ter dado a volta ao Martim, regressei e escolhi a roupa para vestir, foi quando o fazia que reparei que o meu irmão estava aos segredinhos com o Ruben, não sei o que falou, só sei que o meu amor sorriu

- Posso saber o que se passa aí? 

- Conversa de homens! - o meu irmão ripostou de imediato 

- Ok… fiquem então aí a conversar que vou comer! 

Não demorou muito para que os dois entrassem na cozinha, comemos e depois o meu amor despediu-se de nós. 

***  

Passei o dia todo só com o Martim e aproveitei para organizar algumas coisas, nomeadamente arranjar espaço no meu quarto para a roupa do bebé. Foi quando o fazia que 

- O que tás a fazer? 

- A arrumar isto… para colocar aqui a roupa do bebé - olhou 

- Mana é menino ou menina? - olhei - Eu sei que o pai e a mana já sabem e eu também quero saber! 

- Como é que sabes que nós sabemos? 

- Porque os papás sabem sempre antes do bebé nascer - encolheu os ombros o que fez com que sorrisse 

- Tens razão - sentei-me do seu lado - nós sabemos mas porque a mana pediu na última consulta 

- Podes dizer se é menino ou menina? 

- Oh mor… a mana dizer pode mas vais ter de esperar 

- Porquê? 

- Martim, apesar de já sabermos o sexo do bebé, combinamos de não dizer a ninguém - interrompeu 

- Mas eu não sou ninguém! Eu sou o mano do bebé - levou as suas mãozinhas à minha barriga, o que contribuiu para verter mais algumas lágrimas - e eu prometo que não conto a ninguém, eu juro 

- Oh piolho não precisas jurar e se queres saber, a mana conta mas tens de esperar mais um pouco, porque quero que o Ruben esteja presente quando te contar, percebes? - olhou-me por uns segundos e depois 

- Acho que sim… a mana não quer dizer já porque é uma coisa de família e por isso temos de tar todos juntos, ? 

- É…  

- Porquê que tás a chorar? 

- Porque estou contente, estás um homenzinho - abracei-o e enchi-o de beijos mas 

Bahh oh mana beijos não - afastou-se - já sou crescido! - gargalhei 

- Então Sr. Crescido ajuda aqui a grávida a terminar de arrumar isto! 

O meu piolho ficou todo inchado por estar a ajudar e quando já arrumava a roupa do bebé, percebi que o Martim olhava atento 

- O que foi? 

- Tu vais gostar sempre de mim não vais? - a pergunta do Martim partiu-me o coração 

- Oh amor vou gostar sempre muito de ti 

- Posso pedir uma coisa? 

- Diz! 

- Mas prometes que não te zangas comigo? 

- Prometo! 

- E prometes que não ficas triste comigo? 

- Sim… prometo 

- E prometes que deixas eu falar até ao fim e depois decides? 

- Martim fala de uma vez! 

- Eu sei que não gostas do Paulo - respirei fundo assim que percebi o rumo da conversa mas deixei-o continuar - e também sei que não gostas de falar com ele mas eu gosto muito da Kika e eu quero brincar com ela e ela quer brincar contigo e tar com a mana, por isso podes ligar ao Paulo e pedir a ele para a Kika vir cá brincar com a gente? 

Por segundos, ainda pensei recusar, mas caí na patetice de olhar o meu irmão nos olhos e assim que o fiz 

- Ok… a mana vai pedir ao Ruben para ligar ao Paulo 

- Mas eu quero brincar hoje e o pai já foi embora 

- Oh mor mas a mana não tem o número do pai da Kika, por isso tem que ser o Ruben 

- Não é preciso… eu já volto! 

O Martim saiu do quarto e quando regressou trazia um papel na mão 

- Toma mana - agarrei e vi que era um número de telemóvel 

- É de quem? 

- É da Kika, o papá dela deu um telemóvel a ela, liga para ela e pede para falar com o Paulo 

Respirei fundo e em segundos contatei o óbvio, a vida é simples os adultos é que a complicam, se olharmos para a vida através dos olhos das crianças tudo é tão simples… 

Agarrei no telemóvel e marquei o número, sentei-me na cama e meti a chamar, atenderam e ouvi de imediato a voz da miúda 

Tou? 

- Olá Kika, é a Mariana 

Manaaaa - engoli em seco assim que a ouvi 

- Estás boa? 

- Sim e tu? 

- Está tudo bem… 

- E o Bebé? 

- Também está bem… Kika, estou a ligar porque o Martim pediu, quer brincar contigo 

- Fixe eu também quero brincar com ele e contigo - voltei a engolir em seco 

- Estás com a tua mãe? 

- Não… ela saiu mas tá aqui o papá 

- Podes então passar o telemóvel ao Paulo? - assim que falei, senti o meu irmão a agarrar-me a mão e a apertá-la, o que foi suficiente para as lágrimas caírem, como é possível uma criança ter tanta maturidade ao ponto de perceber que para mim não é fácil fazer o que pediu 

Ouvi a Kika a chamar o Paulo e segundos depois ouvi a sua voz 

- Estou?! 

- Bom dia Paulo 

- Mariana?? És tu? 

- Sim… será que a Kika pode vir brincar com o Martim? - fui direta ao assunto 

- Pode… queres que a vá levar? 

- Se puder… agradeço 

- A que horas? 

O Martim que ouvia a conversa ou não fosse estar com o ouvido colado ao meu, manifestou-se de imediato 

- Já!!!!!  

Sorri ao ouvi-o e depois combinei com o Paulo, para desligar de imediato o telemóvel, afinal já tinha feito a vontade ao Martim e dispenso falar com tal pessoa. 

- Obrigado mana - sem que esperasse deu-me um beijo e um abraço 

Acabei por deitar-me na cama e só saí quando ouvi a campainha, fui com o Martim até à porta e esperei que a porta do elevador abrisse 

Kika!!!! - o Martim passou por entre o espaço livre existente entre mim e a porta e abraçou de imediato a Kika 

- Olá… - a menina aproximou-se de mim assim que o meu irmão a largou 

- Oi… - baixei-me para lhe dar um beijinho e assim que o fiz - Au… 

- O que foi mana? - o Martim veio logo ter comigo 

- Não foi nada… é só o bebé que se está a mexer 

Lógico que assim que falei, também senti as mãos do meu irmão na barriga, afinal adora sentir o bebé, algo que conseguiu e por isso sorriu. Reparei que a Kika olhava e conscientemente ou inconscientemente agarrei na sua mão e coloquei na minha barriga mas o bebé parou 

- Porquê que eu não sinto? - perguntou entristecida 

Kika não fiques triste porque o meu pai também não sente o bebé - encolheu os ombros - ele só se mexe para mim - falou todo senhor de si, o que fez com que gargalhasse 

- Assim não tem piada! - a miúda resmungou 

- Tem sim! Mas pronto… como é para ti eu peço ao bebé para ele se mexer - voltei a sorrir, só mesmo o meu piolho - tens de mexer que a Kika quer ver como é… - sussurrava para a minha barriga, o que fez com que continuasse a sorrir, estava simplesmente a observar os dois piolhos quando voltei a sentir o bebé e 

- Eu senti!!!! - a Kika falou visivelmente contente 

- Sentiste porque eu deixei - o Martim não se ficou e por isso gargalhei, para logo depois respirar fundo ou não fosse sentir um novo pontapé mas agora mais forte, ainda estava a recompor-me quando 

- Deixas o pai sentir o bebé? - a pergunta da Kika apanhou-me desprevenida e por isso não reagi de imediato, só o fiz quando ouvi 

- Filha deixa estar… o pai tem de ir embora - respirei de alivio, só a ideia de ter as suas patas em cima de mim deixou-me desconfortável - Mariana quando quiseres que a venha buscar liga - deu-me um cartão, agarrei e percebi que era o seu número de telemóvel - que a venho buscar para não estares a conduzir… 
Simplesmente acenei com a cabeça e pedi ao Martim e à Kika que entrassem, fechei a porta e segui atrás dos dois até à sala 

- Mana nós vamos brincar para o meu quarto! 

- Ok… 

Foram os dois a falar e a rirem, algo que deixou-me feliz. Estava na sala quando o meu telemóvel tocou, atendi e estive uns minutos à conversa com a Patrícia, queria que fosse almoçar com eles mas desculpei-me com o cansaço e ocultei a presença da Kika, fi-lo conscientemente porque tenho a certeza que assim que desligasse a chamada que a Patrícia ou o Nuno ligariam ao Ruben… 

*** 

- Mana temos fome! 

- Vão lavar as mãos que o almoço está quase pronto! 
Foram e quando regressaram sentaram-se à mesa. Coloquei o almoço na mesa e assim que o fiz 

- Fixe!!! - olhei para a Kika - É o meu comer preferido - explicou-se e 

É o da minha mana também! - a pronta resposta do Martim deixou-me sem jeito, ainda mais quando a Kika falou 

- É giro a gente gostar da mesma coisa… será ser tua mana que eu gosto disto? 

Nah… eu também sou mano dela e não gosto nada disto - sorri ao ouvi-lo - só como agora porque a mana diz que o bebé gosta 

Preferi não me meter na conversa, mas isso não impediu que continuassem e só quando os servi é que se calaram, isto porque começaram a comer. 

Já estava a terminar quando 

- E dizes tu que não gostas… só falta lamberes o prato - gargalhei com o comentário da Kika 

- Eu só comi tudo porque tava com muita fome! 

A miúda respondeu e acabei por ter que intervir ou ainda se chateavam os dois. 

- Parem lá com isso… sejam amigos! E agora vou buscar a sobremesa 

- Eu vou buscar as colheres! - o Martim prontificou-se em ajudar, sorri e deixei 

Comemos a sobremesa e depois pedi que fossem brincar para o quarto, no entanto 

- Eu ajudo a mana - olhei para a miúda, é estranho ser chamada de mana por uma voz feminina - porque em casa eu ajudo a mamã 

Não neguei e os minutos seguintes foram o terror, vi-me com duas pestes de volta de mim a querer ajudar mas só desajudaram porque no fim sobrou para mim limpar os cacos do prato que caiu ao chão. 

***  

Estava na sala a ver televisão quando os vi a entrar, sentaram-se um de cada lado e  

- Mana - olhei para o Martim - a Kika quer ver o que compraste para o bebé  

Olhei para a menina e vi que estava envergonhada, sorri e 

- Vamos lá ver as coisas do bebé 

A Kika sorriu e fomos até ao meu quarto, assim que entramos reparei que a menina olhava atenta ao seu redor, abri a gaveta onde tenho a roupa do bebé e mostrei 

- É só isto? 

- É… Kika os bebés quando são pequeninos não precisam de muita roupa porque crescem rápido, entendes? 

- Sim… e brinquedos? 

- Brinquedos também não… nas primeiras semanas os bebés ainda não brincam 

- Ah… e quando o bebé já brincar depois deixas eu vir brincar com ele? 

- Deixo… e agora vou preparar o nosso lanche! 

Esquivei-me a mais perguntas e fomos até à cozinha, comeram e no fim regressamos à sala, onde ficamos a brincar os três, o Martim fui buscar um puzzle e nós entretivemo-nos. 

***  

- Posso pedir uma coisa? - olhei para a miúda 

- Diz… 

- Deixas eu dormir cá hoje? 

- Como? 

- Eu quero dormir cá… porque eu tou a gostar muito de tar assim aqui contigo e com o Martim 

- Kika podes vir sempre que quiseres mas a tua casa não é aqui… 

- Eu sei… mas - a menina baixou o olhar eu gostava de ficar mais tempo e se ligares ao pai eu sei que ele deixa eu dormir cá… é só hoje 

- Sim mana deixa!!! Assim eu posso brincar mais!!! 

Cedi… e para isso bastou olhar para os dois, não sei qual deles o mais contente 

- Não prometo nada… vou ligar ao teu pai e logo vemos! 

Saí da sala e fui até ao quarto, marquei o número e liguei, ao segundo toque ouvi a sua voz e como só isso já me enoja, não perdi tempo em pedir que a Kika ficasse comigo, expliquei que foi pedido da miúda e que se não concordasse que compreendia, falei a uma velocidade estonteante, que não sei se entendeu tudo, só sei que assim que me calei 

- A Kika pode ficar aí mas se permitires passarei por aí para deixar uma muda de roupa e a sua escova de dentes. 

- Tudo bem… 

Desliguei a chamada e regressei à sala, lógico que deliraram quando confirmei que a Kika fica connosco e os minutos seguintes fui mimada pelos dois, acabei sentado entre eles e a rir bastante, ou não fosse estarem ao despique para ver quem sentia mais o bebé. 

***  

Já estava a preparar o jantar quando ouvi a campainha, fui abrir e por se tratar do Paulo, chamei a Kika para dar um beijinho ao pai. 

Afastei-me um pouco para dar alguma privacidade e só voltei a aproximar-me quando o Paulo disse que se ia embora, acompanhei-o até à porta e antes de a abrir 

- Obrigado pelo que estás a fazer - olhei-o por cima do ombro  

- Boa noite… - falei ao abrir a porta 

- Boa noite… e obrigado 

Não respondi, algo que bastou para que entendesse que queria-o dali para fora, assim que saiu, fechei a porta mesmo antes de ter entrado para o elevador. 

***  

- Está na hora de irem dormir 

- Oh mana só mais um bocadinho 

- Nem mais um nem menos um… caminha! 

- Tá bem… - o Martim conformou-se, já a Kika 

- Onde é que eu vou dormir? - olhei 

- No quarto do Martim 

- E eu? 

- Tu dormes comigo! 

- Oh mana mas eu já sou crescido para dormir na tua cama e depois a Kika é menina por isso ela pode dormir contigo e eu durmo na minha cama!   

- Escolham qual dos dois dorme comigo que por mim está tudo bem… 

Lá se decidiram e a Kika ficou na minha cama, deitei-os aos dois e regressei para a sala, ainda não tinha falado com o Ruben. 

Estive alguns minutos à conversa com o meu amor mas ocultei a parte de ter a Kika comigo, sei que isso o deixaria a pensar e quero que esteja concentrado no jogo. 

Fiquei pela sala a ver televisão e quando fui deitar-me percebi que a Kika estava agitada, aproximei-me da cama e acabei por acordá-la e assim que o fiz, a menina agarrou-se a mim a chorar 

- Já passou… - falei meigamente - foi só um sonho mau… - afagava os seus cabelos - queres contar? 

- Não… - murmurou 

- Tudo bem… mas se quiseres falar podes fazê-lo… sei que não é fácil e também não gosto de falar dos meus sonhos maus mas falar deles ajuda a esquecê-los - a menina olhou 

- A mama saiu de casa - atirou de rajada - e o papá diz que foi a trabalho mas eu sei que não foi, ela deixou a gente 

- E já falaste com o teu pai sobre isso? 

- Não… eu não quero que ele veja eu triste porque ele já anda muito triste 

- Oh meu anjo - deitei-me e aconcheguei-a nos meus braços - és ainda muito pequenina para guardares tudo para ti… - passava os meus dedos pelo seu rosto muito levemente - e mesmo que o teu papá esteja triste tens de falar com ele 

- Mas eu não quero… 

Não insisti, afinal a Kika já estava nervosa o suficiente, preferi antes dar mimos e quando adormeceu foi impossível esquecer as suas palavras, a mulher do Paulo deixou-o e quanto mais pensava mais culpa sentia… 

***  

Acordei com os dois a chamarem, queriam comer e depois brincar no parque, apesar da vontade ser pouca, cedi e fui com eles ao parque. 
Brincaram bastante e se não fosse a fome a apertar, duvido que os conseguisse levar embora. 

- Mana vamos a casa da avó Bela? - perguntou, talvez por reconhecer o caminho 

- Sim… convidou-nos para almoçar 

- Fixe!!!! 

Chegamos a casa da Anabela e assim que abriu a porta, percebi que ficou surpreendida 

- Desculpe… devia tê-la avisado mas passou-me completamente… 

- Não faz mal… entrem 

O Martim entrou de imediato, afinal não tem vergonha nenhuma mas a Kika ficou agarrada a mim e quando o piolho percebeu 

- Anda!!! - voltou atrás e puxou-a pela mão mas a menina olhou-me 

- Vai com o Martim - sorri e assim que a vi seguir o meu irmão - não faça perguntas… - a Anabela sorriu 

- Ainda bem que temos mais coração… - olhei por cima do ombro quando já caminhava para a sala - que cabeça - sorriu 
Preferi não comentar e ao entrar na sala, encontrei o Mauro e a Madalena 

- Boa tarde - cumprimentei-os e assim que me sentei, a Kika veio para o meu lado, sentou-se e agarrou-me no braço - Tanta vergonha - falei para a miúda ao mesmo tempo que apertei o seu nariz, o que fez com que sorrisse - já cumprimentaste o Mauro e a Madalena? - acenou com a cabeça - o gato comeu-te a língua, foi? 

- Não… 

- Por momentos pensei - sorri ao vê-la mesmo envergonhada - podes ir brincar com o Martim e o Rafael 

- Deixas? 

- Vai lá ter com eles 

Assim que falei, a Kika aproximou-se deles, estava a observá-los aos três a brincar quando  

- Que novidade é esta? - olhei para o Mauro e por isso vi a cotovelada que a Madalena deu 

- Qual é o mal de deixar o meu irmão trazer uma amiga? - fiz-me de desentendida 

- Mal nenhum… - o Mauro sorriu 

O almoço foi animado e a tarde foi pelo mesmo caminho, estava no jardim a olhar pelos miúdos quando 

- Vocês vêm ao jogo? 

- Se houver uma alminha carinhosa que dê boleia a uma grávida preguiçosa e a duas pestes… sim vamos! - o Mauro gargalhou 

- Então vamos que a minha mãe quer ir comprar qualquer coisa… não percebi bem… 

Chamei os miúdos e quando informei que íamos ao jogo o Martim delirou, já a Kika mostrou o seu desagrado 

- Não gosto de futebol! É só uma cambada de parvos a correr atrás de uma bola 

Gargalhei fortemente, o que despertou a curiosidade aos adultos 

- Como te compreendo!!! - respondi, o que fez a miúda rir 

- Que animação… - o Mauro falou assim que nos aproximamos deles 

- Animação nada… partilha de gostos sim!!! - a Kika respondeu, o que fez com que risse novamente 

- Para quem chegou aqui cheia de vergonha… tá muito respondona! 

A Kika olhou-o e antes que falasse alguma que não devesse  

- Vamos embora! 

Seguimos para os carros e quando cheguei junto do meu, pedi que passássemos pela minha casa para deixar o carro, uma vez que não queria conduzir até Lisboa, algo que respeitaram e por isso segui no carro da Anabela, depois de deixar o meu. 

Chegamos ao estádio e o Martim não perdeu tempo a sair do carro. Entramos no camarote e mais uma vez a Kika envergonhou-se, a miúda não se afastou de mim, o que deixou algumas pessoas curiosas, mas ninguém comentou. 

O jogo foi renhido e o Benfica teve a perder até aos últimos minutos mas no período de descontos conseguiu empatar, o que deixou o meu irmão todo contente 

- Este já se converteu completamente! - olhei para trás e vi a Patrícia a sorrir 

- Pudera… enquanto a criança mor não deu a volta à cabeça da criança júnior não descansou! 

- Não é a…  - atalhei caminho e 

- Sim Nuno é a minha irmã! 

Tanto o Nuno como a Patrícia ficaram surpreendidos, talvez pela forma descontraída com que falei mas a verdade é que a Kika é minha irmã e não tem culpa nenhuma que a pessoa que nos une seja um sacana do pior. 

Continuei à conversa com o pessoal e só quando o Ruben entrou é que afastei-me, uma vez que fui ter com o meu amor, que não se privou em dar o beijinho na minha barriga, foi quando o estava a fazer que 

- Pai foi tão fixe!!! - o Martim falava alegremente 

- O que é que foi fixe? 

- O Lima ter marcado - o Ruben sorriu - os portistas já tavam todos contentes e agora tão calados!!! - se ao inicio sorriu, agora gargalhou 

- Oh puto só tu… - agarrou-o e apertou-o contra ao seu corpo 

- Já podemos ir embora? - o Ruben olhou e ao ver a Kika abraçada a mim, esbugalhou os olhos, o que fez com que sorrisse - Não percebo como é que gostam disto… que seca… não tem piada nenhuma… parecem palhaços a correr atrás de uma bola… - o meu amor voltou a rir mas não foi o único 

- Puto… isto não te faz lembrar nada? - o Nuno que se aproximou espicaçou 

- Faz… oh se faz… - o meu amor abraçou-me e depois - o que é que perdi? - perguntou-me ao ouvido 

- Muita coisa… - dei um beijinho - mas depois falamos 

- Mas já podemos ir ou não! Tenho fome! - o Ruben gargalhou novamente - onde é que está a piada? Tinhas mesmo de demorar tanto tempo? 

- Ora a minha vida… oh minha menina - fez-lhe cócegas - já me chega a Mariana a resmungar que levo muito tempo 

- Ela não resmunga… ela só diz a verdade! - gargalhei acompanhada pelo pessoal 

- Fogo… tanta Marianês em tão pouco corpo… - olhei-o de imediato e percebi que saiu de forma automática mas que se arrependeu de imediato e só por isso 

- Agora ofendeste! Sim que de Marianês só tem uma milésima… ainda tem muito que aprender! 

- Credo… não lhe queiras tanto mal… 

- Mal? Meu caro só quero bem… pode ser que ainda vá a tempo de evitar que caia na cantiga de um jogadorzeco qualquer… - fingi indiferença 

- Lamento desapontar-te mas acho que já não vais a tempo… - o Ruben sorriu de traçado e depois fez sinal com a cabeça - acho que já encontrou o jogadorzeco… - olhei para trás e vi o meu irmão e a Kika sentados lado a lado e de mãos dadas a olharem-nos 

- Martim Miguel e Frederica?! - as crianças meteram-se não sei em quanto junto de mim 

- Que foi mana? O que é que nós fizemos? Eu tava quieto só à espera que a mana deixasse de chatear a cabeça ao pai para depois irmos embora - acabei a rir, tal como o resto do pessoal e por isso - hoje tá tudo maluco 

- A quem é que estás a chamar de maluco? - o Ruben largou-me e pegou no Martim, lógico que os minutos seguintes foram de muitas gargalhadas, por parte de todos ou não fosse aqueles dois estarem na brincadeira 

Estava a rir e divertida a observá-los, agora a três, sim que a Kika juntou-se ao Martim e ao Ruben quando 

- Boa noite… 

Assim que o Paulo falou, a minha família olhou de imediato para mim, afinal sabem que não o tolero, mas naquele momento não foi isso que me passou pela cabeça e sim o que a Kika falou 

- Pode vir comigo? - olhou - Sim, você! Preciso falar consigo! 

Atirei antes de virar costas, saí do camarote… 

O que quererá a Mariana? A conversa correrá bem?  

3 comentários:

  1. Olá

    Ameii , o Martin está mesmo um homenzinho , só me consegue fazer rir ao ler o que ele diz ou faz xD A Mariana ganhou finalmente coragem de dar uma oportunidade á Kika, é tão bom isso *_* E agora é esperar que a Mariana consiga ajudar a Kika, a menina não tem que guardar tudo para ela .
    A conversa vai correr super bem ... E bem , quero o Próximo !


    Beijinhos


    Catarina

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  2. Ola : )
    Gostei muito do capitulo, confesso que estou a gostar da aproximação da Mariana e da kika, a menina não tem culpa do pai que tem. O Martim a cada dia mostra-se mais homenzinho apesar de ainda me surpreender ao deixar o Ruben sem palavras como no capitulo anterior!
    Aguardo o próximo, estou bastante curiosa para ver o que esta história ainda nos vai trazer!
    Beijinhos
    Ritááá xD

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  3. Olá!

    A Mariana tem razão quando diz que ver o mundo pelo olhar de uma criança torna tudo mais fácil, mas acima de tudo mais inocente.
    Adorei, e adorei o jeitinho como o Martim dá a volta à mana e a convence a deixar a que a Kika vá brincar com ele, e melhor ainda quando a Mariana pensava que se safava de ligar ao Paulo uma vez que quem tinha o numero era o Ruben, e esse não tava, e o Martim se sai com o numero da miúda e então aí a Marina não teve mesmo hipótese e teve que falar com ele. O que me surpreendeu foi a revelação da Kika de que a mãe tinha saído de casa, se assim fôr, é mais uma coincidência na vida das duas, não é só gostarem do mesmo prato ou ambas detestarem futebol, por isso tou curiosa com a conversa entre Mariana e Paulo.
    Beijocas

    Fernanda

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