Mariana
Ser encurralada pelo meu irmão só fez
com que percebesse que afinal todos me abandonaram, estou sozinha e por isso
mesmo agarrei no saco onde tinha a minha roupa e saí sem olhar para trás mas
quando já tinha a mão na porta
-
Mariana fica - o
Ruben levou a mão à porta, impedindo que a abrisse - por favor fica, não nos abandones! Pensa no teu irmão, em nós e no
nosso bebé - levou as mãos à minha barriga, o que causou um arrepio - não desistas de nós por alguém que não
merece e olha para mim enquanto falo
Fiz a vontade e olhei, o Ruben chorava
mas isso não me demoveu, tanto que quando se calou
-
Espero ver-te na próxima consulta afinal és o pai do filho que carrego!
-
Mariana…
-
Esquece que existo que vou fazer o mesmo e agora tchau!
O Ruben não impediu e por isso
consegui finalmente sair daquela casa…
Ruben
Assim que a porta se fechou, senti o
meu mundo a desabar, deixei o corpo escorregar contra a parede e sentei-me no
chão, segundos foi o tempo necessário para ter nos meus braços o Martim, o
menino manteve-se firme e do meu lado
-
Não fiques assim a mana vai voltar eu sei que vai
-
Martim não tenho a mesma certeza -
fui sincero - e prometo que nada vai
mudar, que continuarei a ser o teu pai mas se a Mariana não mudar de ideias… -
interrompeu
-
Ela é que fica a perder porque eu vou ficar contigo e quando o bebé nascer vem
viver com a gente porque a mana tá parva e maluca!
Ainda tentei demovê-lo mas o miúdo
estava convicto demais, ao contrário de mim, que estava um farrapo.
Acabei por levantar-me do chão e
regressar à sala, sempre com o piolho agarrado à minha cintura
-
Desculpa Ruben -
olhei-a
-
Só quero ficar sozinho
- olhei para o Martim - nós precisamos
um do outro, é só isso que vos peço!
Não insistiram, despediram-se e
saíram. Caí no sofá com o menino sempre por perto e só quando a fome apertou é
que fomos até à cozinha, comemos sopa e fomos para a cama, afinal nenhum dos
dois estava com cabeça para mais…
***
Há uma semana que a Mariana saiu de
casa e que a única coisa que sei é que alugou um quarto numa residencial, foi a
única coisa que disse na mensagem que mandou, depois de várias tentativas
minhas para que atendesse o telemóvel.
Hoje acordei com esperança que algo
mude, afinal temos consulta e não fui o único a acordar mais animado
-
Pai - entrou no meu
quarto e deitou-se ao meu lado - deixas
eu ir contigo?
-
Ficas muito chateado se não fores?
-
Porquê que não posso ir?
-
Porque não sei como é que a Mariana está e como reagirá…
-
Mas eu tenho saudades da mana e eu e tu juntos vamos conseguir convencer a mana
a voltar
-
E se não conseguirmos? -
o menino olhou
-
A gente vai conseguir!!
Acabei por concordar e prometi que o
ia buscar ao colégio, por isso mesmo quando o fui deixar tive que avisar a diretora.
As horas passaram e voltei ao colégio,
o Martim estava mesmo animado e com a certeza que a irmã regressa hoje para
casa.
A viagem até ao hospital foi tranquila
e quando entramos vimo-la sentada, aproximamo-nos e
-
O que é que ele está aqui a fazer?
-
Boa tarde para ti também
- respondi
-
Fiz uma pergunta!
-
Não ralhes com o Ruben porque fui eu que pedi para vir
-
E ele faz-te as vontades todas
O menino teria respondido mas chamaram
a Mariana e por isso entramos, não era a primeira vez que o menino assistia às
consultas e por isso ficou sossegadinho ao meu colo até ao momento que a
Mariana foi fazer a ecografia, o Martim estava à minha frente e assim que a
médica colocou o gel na barriga da irmã, o puto fez das dele e agarrou na minha
mão e na da irmã e uniu-as, o meu amor não recusou, o que deixou-me radiante,
ainda mais porque assim que vimos o nosso bebé, a Mariana apertou-me a mão,
olhei-a e vi que as lágrimas caiam sem controlo, não resisti em levar os dedos
da outra mão ao seu rosto e limpar as lágrimas, o meu amor não teve qualquer
reação e isso voltou a entristecer.
A consulta correu bem e assim que
saímos
-
Vamos lanchar? - o
menino não perdeu tempo
-
Não tenho fome - a
Mariana manifestou-se de imediato
-
Mas o bebé tem que eu sei
- falou todo senhor de si, o que fez com que esboçasse um ligeiro sorriso
-
O bebé come em casa!
-
Qual casa? Eu sei que não tens casa e o bebé precisa de uma casa por isso tens
de vir com a gente
-
Foi para isso que o trouxeste?
- virou-se para mim - Achas que não
chega já?
-
O Martim veio porque pediu, porque tinha saudades tuas e se diz o que diz é
porque é o que sente!
-
Tens saudades minhas?
-
Sim vem com a gente para casa!
-
Esquece, Martim não vou regressar, se queres podes vir comigo mas - interrompeu
-
Eu fico com o pai! -
falou determinado e foi mais longe quando - pai já podemos ir embora que quero ir brincar contigo
***
-
Mãe tem a certeza que o Martim pode ficar consigo?
-
Ruben vai descansado que o menino fica bem comigo!
-
Mas qualquer coisa ligue logo!
-
Ruben vais para a Madeira, achas mesmo que adianta ligar se alguma coisa
acontecer? Filho, concentra-te no teu trabalho que é o melhor que tens a fazer,
por ti, pelo Martim e pela Mariana. Deixa que tomo conta do meu neto!
Não estava nem um pouco agradado com
esta situação mas com o jogo contra o Marítimo não restou outra solução que
pedir à minha mãe para ficar com o Martim, uma vez que o menino se recusou em
ficar com a irmã, que continua ausente das nossas vidas, já há um mês. Temos
falado diariamente mas as conversas resumem-se ao bebé e ao Martim, a Mariana
recusa abordar outro assunto e sempre que tento desliga o telefone.
***
O fim-de-semana passou e com o meu
regresso à capital, o meu piolho voltou a ficar comigo, estava a ver televisão
quando o menino se sentou ao meu colo com cara de quem aprontou alguma
-
O que é que fizeste?
- riu
-
Nada…
-
E agora a verdade! Conheço-te por isso sei que fizeste alguma! - voltou a rir
-
Eu fiz mesmo!!! -
falou todo contente
-
O que é que fizeste?
Mariana
Já se passou um mês, desde que saí da
casa do Ruben, já tive com o meu irmão e falo com o Ruben todos os dias, sei
que o miúdo está bem, aliás nunca teve tão bem, pelo menos com o Ruben tem tudo
o que precisa e nunca lhe faltará nada, já o mesmo não acontece quando está
comigo, não tenho as mesmas condições que o Ruben.
Hoje acordei triste, os dias estão a
tornar-se cada vez mais deprimentes e fisicamente dolorosos, talvez por estar a
um mês de ser mãe ou então porque o bebé mexe-se muito e magoa-me, só sei que
quero que esta fase passe rapidamente, preciso do meu bebé, de sentir que tenho
algo só meu. Preciso de voltar a sentir que tenho importância na vida de alguém
e talvez aí encontre o rumo certo para a minha vida.
Estava a ver os anúncios no jornal, na
tentativa de encontrar um apartamento em que a renda esteja de acordo com o que
posso pagar quando ouvi o telemóvel, atendi ao ver quem era e assim que o Ruben
informou que o Martim estava doente não pensei duas vezes e fui até ao
apartamento.
-
Podias ter usado as tuas chaves
- falou ao abrir a porta
-
Já não vivo aqui! Esta já não é a minha casa! - atirei
-
O teu irmão está no quarto
- olhei-o - acordou a dizer que lhe dói
muito a barriga, tentei levá-lo ao médico mas o menino pediu que te chamasse
-
O que é que lhe deste como jantar?
-
Hey acalma-te lá! Não tenho culpa, o jantar ontem foi peixe cozido com legumes,
além disso o menino ontem estava bem, quando o deitei estava excelente!
Não respondi, fui até ao quarto do
Martim, que estava deitado na cama
-
Mana vieste!
-
O Ruben ligou a dizer que te dói a barriga
-
Pois dói! - algo na
forma como falava intrigou-me, aproximei-me e levei a mão à sua testa
-
Febre não parece que tenhas mas vou buscar o termómetro.
Saí do quarto e deixei-o na companhia
do Ruben, no entanto quando regressei
-
O Martim?
-
Foi à casa de banho
Respondeu serenamente e aproximou-se,
voltei a sentir as suas mãos na minha barriga e assim que as senti, também
percebi que o nosso bebé se tinha mexido e não fui a única, porque o sorriso do
Ruben denunciou-o. Estava perdida a olhá-lo, a contempla-lo enquanto dava
miminhos ao nosso bebé quando ouvi a porta a fechar
-
Ruben… - olhou e sem
abrir a boca foi até à porta, tentou abrir mas
-
Está fechada
-
Só podes estar a gozar comigo! -
aproximei-me e comprovei o que tinha dito - isto foi tudo armação? Usaste o meu irmão para…
-
Cala-te Mariana! Não te admito! Posso tolerar muita coisa agora que afirmes que
usei o menino para ficar fechado no seu quarto contigo não admito! Até porque
se pensares um pouco percebes que daqui a nada tenho treino!
Não respondi, preferi antes gastar
energia a pedir ao Martim que abrisse a porta e como resposta tive um papel por
baixo da porta, olhei para o Ruben e bastou isso para entender que não ia
juntar o papel, afinal já não o consigo fazer.
-
Toma!
Agarrei no papel e li
Mana
não ralhes com o Ruben porque ele não sabe de nada fui eu que pensei no plano
para juntar a mana e o pai eu gosto muito dos dois e não quero escolher quero
viver com os dois.
Pensa
no bebé ele precisa de um pai e de uma mãe e tu e o Ruben tão a ser mais
criança que eu
Tu
gostas dele e o Ruben anda tão triste ele cuida de mim como um pai e eu quero
preciso dos dois tu e ele são os meus papás
Ruben
não fiques zangado mas eu não tou doente eu só disse que tava para a mana vir
porque tu tens de dizer a ela para ficar a mana tá a ser parva mas eu sei que
se pedires e se deres miminhos à mana ela muda de ideias
Falei
com a vó Bela e ela vai deixar eu na escola e quando a mana deixar de ser
maluca liga para a vó que ela vem abrir a porta e eu também avisei que não
podes ir ao treino
Beijinhos
do vosso filho Martim
-
Não acredito nisto…
O Ruben aproveitou para se aproximar
demasiado, colou mesmo o seu peito às minhas costas com a desculpa de ler o
bilhete, tê-lo assim tão perto fragilizou-me, ainda mais quando levou novamente
as mãos à minha barriga e voltei a sentir o nosso bebé, fechei os olhos e só os
voltei a abrir quando
-
Sabes que o puto tem razão em tudo o que escreveu, não sabes? - o Ruben falava-me ao ouvido
-
Chega - tentei
afastar-me mas o Ruben veio atrás - não
compliques!
-
Não complico? Quem está a complicar és tu! Mariana admite que erraste quando
saíste cá de casa, o teu lugar é ao nosso lado, o Martim tem toda a razão
quando afirma que somos uma família
- voltou a aproximar-se mas agora estava de frente para mim - mor sinto-me perdido, preciso de ti, juro
que tentei respeitar o teu espaço mas não dá mais, chegar a casa e não te ter
está a tornar-se insuportável, mais ainda quando olho para o teu irmão, o
menino não admite mas está triste, o puto quer estar contigo mas não o admite
porque sabe que se o fizer que o vou levar
-
E eu só estou à espera que esse dia chegue!
-
Então espera sentada! Mariana por muito que o Martim sinta a tua falta e queira
estar contigo nunca o vai admitir, o menino meteu na cabeça que se o tiveres
contigo que nunca mais voltas para mim, o que não deixa de ser verdade, caramba
será que ainda não entendeste que no meio disto tudo, foi o único adulto mas
isso não é sinónimo que esteja a aceitar e compreender a tua decisão de nos
teres abandonado
-
Eu é que abandonei? Então e tu? Não fizeste nada para evitar - berrei por estar farta de o ouvir
-
Querias que fizesse o quê? Que te contrariasse? Mariana simplesmente respeitei
o que achei ser a tua vontade porque estás grávida, conheces-me muito mal se
julgas que desisti de nós, porra depois de tudo o que vivemos acreditaste mesmo
que desisti? - baixei
o olhar - Responde!
-
Querias que acreditasse no quê? Deixaste que saísse e nunca pediste que regressasse
-
Não pedi nem pedirei, mas isso não significa que não estou à tua espera! Só
deixei que partisse porque naquele momento achei que era o melhor…
-
Mas não era -
murmurei e em segundos tinha-o abraçado a mim, o que fez com que quebrasse, o
desespero tomou conta de mim e chorei, chorei como um bebé, o Ruben nada disse,
simplesmente puxou-me contra o seu peito e conduziu-nos até à cama do Martim,
acabei deitada e agarrada a ele, não sei o tempo que ali estivemos, só sei que
quando voltei a mim, tinha a mão do Ruben por baixo da minha camisola, em
contacto directo com a minha barriga, sentir aquele calor, aleado aos pontapés
do nosso bebé fez com que sorrisse, acabei por suspirar, o que fez com que o
Ruben olhasse - tenho que comer por isso
liga para a tua mãe e diz o que precisares para que venha abrir a porcaria da
porta!
O Ruben não questionou, agarrou no
telemóvel e ligou para a mãe, mas ao contrário do que pedi, foi sincero, alegou
que tinha de comer e apelou ao bom senso da mãe, algo que resultou porque
minutos depois a porta abriu, sinal que estava no apartamento à espera do
telefonema, não a consegui olhar, saí directa para a casa de banho e depois
para a cozinha. Agarrei numa peça de fruta e fui à sala, peguei na mala e
quando a coloquei ao ombro com a intenção de sair
-
Mariana espera - o
Ruben agarrou-me no braço - fica… se for
para alguém sair então que seja eu - olhei-o - estás grávida, o nosso bebé está quase a nascer, não vos quero a viver
numa residencial, além disso esta é a casa do teu irmão, não faz sentido saíres…
Ruben
Apesar da iniciativa do Martim e da
Mariana ter vacilado em determinado momento, acabou por sair de casa, mesmo
depois de pedir que ficasse e de dizer que se fosse para sair que saía eu
-
Filho tem calma
-
Mãe agora não!
Saí de casa, precisava de tempo para aceitar
o fim do meu casamento, a postura da Mariana não deixou dúvidas, depois da
nossa conversa, sair daquela forma não restou grandes dúvidas…
Almocei uma sandes e um sumo, não
tinha fome para mais e quando chegou a hora fui buscar o meu piolho ao colégio,
sem saber como dar a notícia, mas com a certeza que a tenho de dar.
-
Pai!!! - o menino
assim que me viu correu - A mana onde
tá? - suspirei
-
Desculpa Martim… -
falava sem o conseguir olhar - desculpa
por ter falhado e por ter-te desapontado
-
A mana não aceitou voltar a viver com a gente?
-
Não…
-
Mas eu fiz tudo bem eu fechei bem a porta para ela não fugir
-
Oh meu amor, não fiques triste, a culpa nunca foi tua.
-
Mas eu quero continuar a viver com o pai - falou determinado
-
Martim vamos para casa e falamos lá, pode ser?
-
Tás a querer dizer que vais deixar eu
- fez beicinho
-
Não isso não! Nunca te vou deixar mas temos que falar
O menino não se mostrou muito
convencido mas não resistiu, deu-me a mão e seguimos para o carro.
Que conversa é esta que o Ruben quer
ter? Como reagirá o Martim? E a Mariana até quando durará esta teimosia?
Mauuuuu!!!!
ResponderEliminarE um par de estalos na cara da Mariana a ver se acorda não?!
Detestei este final porque fiquei no suspense e preciso de saber o resto!!!
Vá lá! Publica o proximo!!!!
Bjokinhas da Prima
Oh , a Mariana tem de voltar para casa , ai ai ...
ResponderEliminarPRÓXIMO :)
Beijinhos
Catarina
Olá!
ResponderEliminarEu concordo plenamente com a prima Maria, o que a Mariana tá a merecer é um valente par de estalos para ver se deixa de ser casmurra, egoísta, orgulhosa. Nem depois do Ruben lhe pedir para ficar ela muda de ideias? Mas afinal ela quer o quê? eu acho que aí é que está o problema ela não sabe o que quer, ela só sabe é dar uma de vítima que todos a abandonam e tal, quando é ela que sai de casa, ela que acorde para a vida e seja a pessoa ponderada e adulta que sempre foi, porque uma coisa é certa o Ruben tem razão quando diz que o Martim foi o mais adulto dos três, e nem assim ela muda de ideia, porra que é mais teimosa do que eu.
Agora este final não teve graça nenhuma, porque já não tenho mais capítulos em atraso, logo vou ter que aguardar o próximo, e porque me cheira que o Ruben vai fazer asneira, ele que nem pense em ir deixar o Martim com a irmã, assim é que o puto fica mesmo triste, até porque já lhe disse que quer ficar com ele, em relação à Mariana espero que abra bem a pestana e veja bem o mal que tem feito a ela ao bebé ao Ruben e ao irmão e tudo porque é mais teimosa que uma burra.
Adorei mas agora fiquei curiosíssima com o próximo capitulo. Espero que a tua veia inspiradora continue, e que inspire a Mariana a reconsiderar a asneira que fez.
Beijocas
Fernanda