Ruben
Uma coisa é certa, hoje a tarde estava
a ser surpreendente, primeiro com a reação do Martim ao descobrir que a Kika e
a Mariana são irmãs, de seguida a demonstração de maturidade do menino quando
afirmou não estar chateado com a irmã mas que quer a verdade e que não se
esconda mais nada dele, seguiu-se a revelação de que não quer mais viver com a
mãe, isto sim surpreendeu-nos imenso, é um facto que desde que revelei os
motivos pelos quais a Mariana se afastou da mãe dele, que o menino não voltou a
tocar no assunta mas estava longe de imaginar a decisão que tomou e se a mim
surpreendeu à Mariana nem se fala, mas o pior ou talvez o melhor estava por
chegar, o Paulo revelou finalmente o que se passou na realidade e se for
verdade, foi tão vitima quanto a Mariana, ainda estava a assimilar o que tinha
ouvido quando o meu amor se levantou e saiu da sala sem dizer uma única palavra.
O nosso piolho foi atrás, não o
contrariei apesar de saber que a Mariana preferia estar sozinha mas a certeza
que agora mais do que nunca precisa dos mimos do irmão, fez com que o deixasse
ir, no entanto não foi sozinho, a Kika seguiu-o e de repente estava diante do
meu empresário e senti que era um total desconhecido, estava perdido em
pensamentos quando
-
Será que a Mariana algum dia conseguirá perdoar? – olhei-o
-
Não sei… mas acredito que sim, por muito magoada que esteja e se o que contou
for verdade, acredito que a Mariana acabará por ceder mas não espere que seja
para breve.
-
Juro que não sabia… para mim a Cristina tinha abortado
-
Confesso que custa acreditar nessa história – fui sincero, afinal parecia tudo muito conveniente
-
Mas é verdade!
-
Se é porquê que nunca contou? Sei que a Mariana sempre evitou esta conversa mas
caramba você é pai, como é que deixou que continuasse a acreditar na mentira
que a mãe dela contou? Pior, você teve a certeza que foi a Mariana que salvou a
vida da Kika e continuou sem sequer tentar que ela o ouvisse
-
Querias o quê? No dia que descobri a verdade também fiquei a saber que serei
avô daqui a uns meses, que a minha filha está tão magoada que não que ver-me
quanto mais ouvir e sim tentei revelar a parte da história que desconhece mas
desisti, desisti porque percebi que a minha insistência só estava a prejudicar
a Mariana, acho que não preciso dizer que agora mais do que nunca a minha filha
precisa de paz, a tua mulher está grávida e a única coisa que quis foi evitar que
se enervasse
-
Mas podia pelo menos ter falado comigo!
-
Tal como também podias ter procurado o Paulo – a Filipa manifestou-se pela primeira vez – Ruben não é correto meteres as culpas todas
em cima do Paulo, também não o procuraste, acreditaste nas palavras da Mariana,
o que é compreensível e não estou a condenar, até porque a rapariga não te
mentiu, simplesmente contou a verdade que conhece, mas isso não significa que
seja, o Paulo sofreu no passado e voltou a sofrer quando a Mariana revelou ser sua
filha, não tens o direito de o criticar, quando não sabes o que passou
-
O Paulo pode estar a sofrer mas a mim quem me interessa é a Mariana!
-
Estás a ser injusto!
- Injusto Filipa? Injusto foi testemunhar a dor
da Mariana quando revelou o seu passado ou quando descobriu que o meu
empresário é o seu pai ou ainda quando testemunhei o que foram os seus dias até
saber que era compatível com a Kika, tal como foi partilhar os dias seguintes
até ao dia do transplante, vocês não a conhecem, não sabem o peso que carrega
nos ombros, o sentimento de vazio que esconde por trás do sorriso, a magoa que
disfarça com um abraço, mas eu sei… e sei porque tive que lutar contra isso, só
depois de aprender a lidar com esse seu lado é que a tive verdadeiramente, a
Mariana não se mostra a todos, não se dá a conhecer porque tem um grave
problema de confiança, de amor-próprio, a sua filha é como um caracol que
quando sente o perigo se esconde na casca –
suspirei – motivo pelo qual tenho noção que os próximos dias vão ser
insuportáveis, só peço que respeite isso, não tente forçar nada, quando a
Mariana quiser falar ficará a saber, mas por favor, levem a Kika embora
Conforme falei também saí da sala com a intensão
de chamar a Kika, a menina estava sentada na cama a olhar para a irmã que
estava deitada e abraçada ao Martim
- Kika - olhou - os
teus pais querem ir embora - a menina olhou-me e vi tristeza no seu olhar,
ainda assim levantou-se e quando pensava que vinha ter comigo, fui surpreendido
ao vê-la a aproximar-se da Mariana, deu-lhe um beijinho e depois disse adeus ao
Martim, que retribuiu
A miúda saiu e segui atrás
- Kika não fiques triste - a miúda olhou - a Mariana gosta muito de ti…
pode não parecer mas gosta, está só triste
- Mas eu não tenho culpa
- Pois não mas a Mariana precisa de tempo para
aceitar o que o vosso pai falou
- Tá bem…
Mariana
Ouvir o Paulo só serviu para
revoltar-me ainda mais, mas ao contrário do que é habitual, não consegui
expressar por palavras o que senti, aquele homem que tinha diante de mim só
sabe fazer uma coisa, mentir, sim mentir porque ao contrário dele que tem
memória de periquito, eu recordo-me perfeitamente do que falou uns dias depois
de descobrir que sou aquela que desprezou
-
Procurei a tua mãe durante meses, fui a casa dos teus avós, dos teus tios mas
ninguém sabia dela… depois de uns meses de procura acabei por encontra-la, a
tua mãe disse-me que te tinha entregue para adopção assim que nasceste, juro
que tentei procurar-te mas não tinha pista nenhuma…
***
-
Mariana na altura fiz tudo o que podia… ia todos os dias a casa dos teus avós à
procura de notícias mas a resposta era sempre a mesma que não sabiam nada dela…
depois acabei por sair de Portugal à procura de trabalho, só regressei anos
mais tarde e quando tentei saber notícias descobri que os teus avós tinham
falecido… carreguei estes anos todos a culpa de te ter perdido…
***
-
Não tens o direito de privar o meu neto de conhecer o avô…
-
Sério?! Sério que você disse isso? - sorriu cinicamente - Não
deixa de ter piada… não posso privar o meu filho de conhecer um traste mas você
deixou que uma criança inocente tenha passado fome, tenha sido saco de pancada,
tenha sido humilhada por outras crianças, tenha percebido cedo demais que era
filha do acaso… você não é ninguém para dizer o que posso ou não fazer!
Como quer que acredite nele se de cada
vez que abre a boca mente mais e mais, pelo menos podia ter a decência de uma
vez na vida falar a verdade, se fosse sincero quem sabe um dia não o perdoaria,
agora assim só quero distância.
Acabei por refugiar-me do quarto na
companhia do meu piolho, da minha tábua de salvação, porque se ainda aguento o
que aguento é pelo Martim, é ele que mantém-me no rumo certo. Sei que a Kika veio
atrás, não sou cega e vejo-a a olhar-me mas simplesmente não consigo reagir,
não consigo sentir por ela o mesmo que sinto pelo Martim e muito menos consigo
tolerar a sua presença na minha vida, não agora, não quando estou a sentir
raiva, a menina não tem culpa mas neste momento não estou a conseguir lidar com
a avalanche de sentimentos que vai dentro de mim…
***
Estava envolta em recordações tristes,
foi impossível não recordar o que foi a minha infância, quando o Ruben entrou
no quarto, avisou a Kika que os pais iam embora mas mais uma vez não consegui
reagir, nem mesmo quando a miúda deu-me um beijinho antes de sair.
Fiquei deitada, com o Martim a dar-me
mimos, as festinhas e os beijinhos que recebia ou mesmo os abracinhos soube-me
pela vida, o meu irmão nem sequer imagina o bem que está a fazer.
Estava mergulhada na mágoa de um
passado que é o meu mas do qual preciso livrar-me o quanto antes, quando o meu
amor regressou ao quarto, aproximou-se do Martim e disse-lhe alguma coisa ao
ouvido, só sei que o meu piolho deu-me mais um beijinho e depois saiu, o Ruben
deitou-se do meu lado, abraçando-me de seguida, simples gesto só fez com que
libertasse a dor que sentia através do choro, chorei incessantemente, tanto que
fui vencida pelo cansaço e adormeci…
***
Acordei e já não o tinha do meu lado,
o seu lugar estava agora ocupado pela Letícia
-
Oh amiga - abraçou-me
-
O que fiz de mal para merecer isto?
- interroguei - Nunca quis nada dele a
não ser distância, nem quando precisei de dinheiro para cuidar do Martim fui
incomodá-lo e tu sabes o quanto aquela altura foi complicada, precisar de
dinheiro para levar o meu piolho ao médico e não ter, recorrer à ajuda de
terceiros… - voltei a chorar, recordar que quase perdi o meu irmão é talvez
a única coisa que ultrapassar a dor e revolta de ter sido abandonada
-
Shiuuu… amiga pára! Mariana ambas sabemos que foi uma altura muito difícil mas
ultrapassaste-a como sempre ultrapassaste todos os obstáculos que apareceram na
tua vida, o Martim está bem e não tens necessidade nenhuma de estar a recordar
essa fase, amiga pensa em ti e no bebé, não sei como o farás mas tens de
serenar, estás demasiado nervosa e isso não te faz bem, o Ruben está
preocupadíssimo, pela primeira vez não sabe o que pode saber para apoiar-te e sinceramente
também não sei, nunca te vi assim tão apática, amiga não és de ficar sem
reagir, és aquela que luta sempre, a primeira da fileira de combate e agora
estares assim aqui deitada, simplesmente a chorar, deixa-nos preocupados,
Mariana reage, por favor, reage nem que seja para o mandares desaparecer mas
reage!
Não reagi, sei que a Letícia tem
razão, mas por muito que queira dar o grito do Ipiranga, não consigo, estou sem
forças para isso…
Ruben
Faz hoje duas semanas que não sei o
que é ter mulher, a Mariana só está presente em corpo, desde que revelou que o
Paulo é seu pai que se fechou numa redoma de vidro, nem o Martim consegue
arrancar-lhe um misero sorriso, a Mariana basicamente come, dorme e despacha o
irmão para a escola, porque nem para o ajudar nos trabalhos tem paciência.
O menino é que está a surpreender-me,
está a demonstrar uma maturidade que desconhecia, depois de uma fase mais
rebelde em que quase se revoltou contra nós porque não o deixávamos ver a mãe,
agora está o oposto, muito ponderado e mimoso principalmente com a irmã. Já por
diversas vezes perguntou se não podemos fazer nada para a mana ficar novamente
contente.
-
Ruben!
Parei de andar e olhei para trás, vi o
Nuno a apressar o passo
-
Por aqui?
-
Qual é a admiração?
-
Desde que vossa excelência começou a trabalhar directamente com o Boss de todos
nós que nunca meteu os pés no Seixal
- meti-me com ele no gozo - o menino
agora é muito importante e por isso não se junta com o povo! - gargalhei ao
ver a cara que fez
-
Se não te conhecesse como conheço diria que estás muito bem-disposto mas comigo
não adianta disfarçares
- suspirei - Puto, almoçamos juntos?
-
Desculpa mas não dá… preciso ir a casa
- interrompeu
-
Não precisas nada! Mano, a Patrícia uniu-se à Letícia e raptaram a tua mulher!
-
Como?
-
Basicamente arrastaram-na de casa, não sei qual o plano, só sei que se uniram
para terapia de choque e resolvi passar por aqui para almoçarmos, também
precisas de te distrair, além disso há alguém que está preocupado contigo…
-
O Martim??
-
Também… mas o menino está preocupado desde o início
-
Estás a falar de quem?
-
Vamos almoçar que já te conto!
Não ofereci resistência e aceitei a
proposta, seguimos para o restaurante e depois de efectuarmos os nossos pedidos
-
Ruben não preciso de relembrar que o clube tem profissionais… - assim que percebi o rumo da
conversa, senti necessidade de terminar de imediato com o assunto, tanto que
interrompi o Nuno e
-
Não preciso de psicólogo nenhum, a única coisa que preciso é que a Mariana
reaja, Nuno estou bem… ando mais reservado e preocupado mas nada tem a ver com
a minha profissão e sabes muito bem disso, tanto quanto sei ainda não falhei,
estou a cumprir com as minhas obrigações enquanto jogador - interrompeu
-
Disseste tudo -
olhei-o - quanto falaste “ainda não
falhei”
-
Mas afinal o que queres? Nuno, acredita em mim, estou bem, preocupado mas bem,
simplesmente não ando com disposição para mandar piadas e entrar em
brincadeiras mas isso não significa que não esteja empenhado a cem porcento no
que respeita ao clube, mas se a direcção e equipa técnica fica mais satisfeita
se for sentar o cu no gabinete dos psicólogos tudo bem eu vou, não há é
necessidade de mandarem recado por ti
-
Ninguém mandou recado, até porque esta conversa estou a tê-la contigo como
amigo.
-
Então se é como amigo, podes parar, a sério Nuno não preciso de estar
constantemente a falar do mesmo, não é por falar que a Mariana reagirá.
-
Não concordo! Ruben, há duas semanas que andas a lidar com tudo sozinho,
viraste praticamente pai e mãe do miúdo, que até do irmão a Mariana parece que
se esqueceu, como fosso amigo estou preocupado, esta atitude não é da Mariana e
quanto a ti não sei se aguentarás muito mais, conheço-te!
-
Mas afinal o que queres? Que exploda contigo? Nuno entende de uma vez que não
me custa cuidar do miúdo, faço-o de coração. E sim estou preocupado com a
Mariana e ninguém tem a real noção do quanto estou mas por favor parem de
pressionar, dêem tempo é a única coisa que ajudará a Mariana, sempre foi assim,
tem o seu ritmo próprio e quanto mais a contrariam pior, mais se isola, por
isso agradeço o esforço que estão a fazer mas só estão a desajudar, deixem-me
lidar com os nossos problemas da nossa forma!
-
Desculpa… só quisemos ajudar.
Mariana
Só quero paz e sossego mas parece que
ninguém respeita isso, hoje estava deitada na cama, depois do Ruben sair para o
treino e levar o Martim para o colégio, quando ouvi a campainha, ainda tentei
ignorar na escassa esperança que desistissem mas não tive essa sorte
-
Bom dia amiga!!! - a
Letícia entrou acompanhada pela Patrícia
-
Ainda de pijama? -
desta foi a Patrícia
Não respondi, preferi antes ignorar e
voltei para a cama
-
Mas o que julgas que estás a fazer? Nem penses! Amiga sai da cama, muda de
roupa e vai comer porque vamos sair!
Olhei mas não respondi, aliás virei-me
para o lado oposto
-
Mariana tens de reagir… -
ignorei a Patrícia - onde está aquela
rapariga que enfrenta os problemas de frente, que nunca se dá por vencida,
amiga não és assim, reage por favor…
Não sei quanto tempo estiveram a
falar, acabei por sair da cama, vestir uma roupa confortável, pegar na minha
mala e sair de casa, sem abrir a boca uma única vez, se sair de casa era
sinónimo de pararem de chatearem-me, então resolvi fazer a vontade, no entanto
continuei muda, até porque de nada adiantava falar, ninguém entende o que
sinto, porque nem eu entendo.
Fiz a vontade às duas e segui-as para
onde foram mas sinceramente nem sei por onde andei, só desejava regressar a
casa o quanto antes e quando finalmente consegui voltar ao conforto do meu lar,
tentei ir directa para a cama mas
-
Amor… - o Ruben
sorriu ao ver-me e colocou-se à minha frente, impedindo que seguisse caminho e
já se preparava para abraçar-me quando instintivamente o empurrei, não medi a
força e o coitado bateu contra a parede mas não satisfeita
-
Vai para o raio que te parta, desaparece! Quero estar sozinha e nem isso
respeitas, alinhas na estupidez delas -
o Ruben olhava-me atento, o que só irritou mais - a culpa é toda tua, sempre soube que envolver-me com jogadores de
futebol não era boa ideia mas feita parva envolvi-me quando devia ter fugido…
-
Mariana!!! - a
Letícia tentou impedir-me de continuar mas
-
Sai da minha vida! Desaparece! És igual a ele! Nenhum dos dois respeitou-me e… - teria continuado a descarregar na
minha amiga mas
-
CHEGA!! - o Ruben
elevou a voz o que fez com que parasse - Mariana
queres ficar sozinha, fica! Senão estás satisfeita por te teres envolvido com
um jogador de futebol vai embora, juro que não vou impedir mas vai ciente que
não pactuei com esta merda, não fui eu que te abandonei, não fui eu que te
menti e nem sequer sabia que elas vinham aqui hoje e também não admito que
digas que não respeitei o teu espaço, quando nestas duas semanas não fiz outra
coisa que foi respeitar a tua vontade por isso se queres ir vai mas vai de uma
vez!
Não respondi, virei costas e segui
caminho. Fui ao quarto, agarrei numa mala e meti alguma roupa para estes
primeiros dias, o resto vinha buscar depois.
-
O que é que estás a fazer?
- a Letícia falou assim que entrou no quarto
-
Aqui não fico nem mais um dia!
-
Mas estás parva! Mariana pára!
- agarrou-me nas mãos
-
Larga-me! Não preciso de ti, aliás não preciso de ninguém!
Ainda tentou convencer-me do contrário
mas deixei-a a falar sozinha, fechei a mala e saí do quarto, fui direta ao do
meu irmão e só quando entrei é que caí em mim, o meu piolho já tinha regressado
do colégio, parei uns minutos mas só serviu para ter a certeza da decisão já
tomada.
Coloquei algumas roupas dele na mala e
o seu brinquedo preferido, arrumei o seu material escolar e fui procura-lo
-
Se estás à procura do teu irmão, está na cozinha a comer!
A frieza com que o Ruben falou
magoou-me mas ignorei, afinal já estou habituada a levar patadas de todos. Fui chamar
o Martim, entrei na cozinha e o meu tesouro comia tranquilamente o seu lanche
na companhia da madrinha.
-
Martim pega na sandes e no leite e vamos embora!
O menino não questionou, fez o que
pedi e veio atrás de mim, no entanto quando peguei na mala que tinha deixado no
chão da sala
-
Mana que mala é essa?
-
Não te preocupes que depois a mana vem buscar o resto!
-
Qual resto? - olhou
primeiramente para mim e depois para o Ruben que já se tinha levantado do sofá,
estando agora demasiado perto de nós, tanto que nem tive tempo para pensar na
melhor forma de falar com o meu irmão
-
Martim - o menino
olhou - tens de ir com a mana mas… -
o inesperado aconteceu quando
-
Não! Eu fico contigo
- agarrou-se ao Ruben - gosto muito da
mana mas eu quero ficar contigo - as palavras do meu irmão foram como facas
- ela quer ficar sozinha mas eu não
quero e eu sei que se for com a mana vou ficar sozinho, ela não cuida mais de
mim porque tá a ser parva
-
Martim… - o Ruben
tentou falar mas
-
Não pai eu já sou crescido e já sei o que quero, quero ficar contigo porque sei
que a mana não tá bem, ela tá triste e acha que ninguém gosta dela mas eu sei
que se ficar ela também fica ela não é capaz de fazer o mesmo que os nossos
pais fizeram por isso eu quero ficar porque tu és o meu papá e porque és o papá
do bebé da mana e sei que gostas muito dela por isso é que tás a deixar a gente
ir embora achas que é o que a mana precisa mas eu não acho - o menino olhou pela primeira vez
para mim - pai a mana precisa que
expliques a ela que não pode ir embora que nós somos uma família e que a
família não se deixa, ela não tá a pensar bem e precisa que a gente a ajude a
perceber que o mau não és tu, o mau é o pai dela, a nossa mãe e todos os que
nunca quiseram saber da gente mas tu sempre quiseste saber de mim e da mama e
eu não quero ter que escolher mas se a mana obrigar eu a escolher eu fico com o
pai porque depois a mana vai perceber que errou e volta para a gente…
E agora conseguirá a Mariana abandonar
o irmão? A rapariga não está bem… será que alguém a ajudará a perceber qual a
melhor decisão? Será o Martim essa pessoa?
Olá
ResponderEliminarEspero que a Mariana não saia de casa, ela não vai ser capaz de abandonar o irmão...
Mais *_*
Beijinhos
Catarina
A Protecção civil já lançou o alerta vermelho de inundação aqui para a zona porque eu ando sensível e este Martim esmagam-me!!!
ResponderEliminarAllez Martim Allez!!!
Continua Prima!!!
Bjokinhas
Mariaa
Ola : )
ResponderEliminarBem não estava nada à espera de uma atitude assim da Mariana, mas uma história de vida dificil pode mudar qualquer pessoa no que diz respeito às atitudes!
Espero bem que o Martim consigo faze-la "despertar" e que volte tudo ao normal!
Aguardo o proximo ; )
Beijinhos
Ritááá xD
Fantástico...
ResponderEliminarQuero mais... Tou super curiosa para ver o próximo...
Continua...
Oi!
ResponderEliminarA Mariana passou-se só pode, e tenho que dizer que este papel de vítima lhe assenta muito mal, logo ela que sempre enfrentou os problemas, agora tá a dar uma de cobarde, eu sei que no meio de uma discussão se dizem coisas com intenção de magoar, e até percebo a atitude do Ruben, ele só queria que ela reagisse, mas ao contrário do que ele pensou ela levou as palavras bem a sério, o que até me surpreendeu, pensei que ela ia derramar um mar de lágrimas e afinal faz as malas para dar à sola, agora o que eu não esperava mesmo era a atitude do Martim, esse sim surpreendeu-me e pela positiva. As palavras do puto são fortes, e é como ele diz "nós somos uma família e que a família não se deixa", e ele deixou bem claro que se ela o fizer não é diferente do pai dela e da mãe dele, vai fazer exactamente o que ela tanto critica. Grande Martim, só espero que as palavras dele tenham surtido algum efeito.
Tu bem disseste que tinhas dado uma volta à história, mas não estava à espera disto.
Adorei, mas só me resta ler o último capitulo que tenho em atraso para ver no que isto vai dar.
Beijocas
Fernanda