sábado, 28 de julho de 2012

042 - “Tenho medo… nunca tive nada que fosse para a vida”


Ruben

Estava a namorar com a Mariana quando ouvimos a campainha, ela ofereceu-se para lá ir algo que permiti pois nunca imaginei que fosse a Inês, já não a via a algum tempo e daí o meu espanto.
- O que é que estás aqui a fazer? - perguntei antes de a cumprimentar.
- Resolvi visitar os meus amigos - sorriu - mas parece que ficaste deveras surpreendido.
- Só não esperava ver-te por cá.
- Dá para ver - gargalhou - mas se não for assim ninguém te vê.
- O que é que estás a querer dizer?
- Não há quem te veja por Lisboa - sorriu - é que nem nas folgas lá metes os pés.
- Deixa de ser exagerada.
- Estou a mentir queres ver?
- Ok, já não meto os pés em Lisboa há dois meses mas não é por isso que fico sem notícias vossas - respondi serenamente.
- Mas não é a mesma coisa, agora até estás solteiro e bom rapaz - olhei em volta e não encontrei a Mariana - tens mais é que aproveitar a vida.
- Quem te disse que não aproveito?
- Desculpa lá, vais ter que concordar comigo aqui nesta cidade não se aprende nada, além disso não acredito que não sentes falta da noite Lisboeta.
- Se queres que seja sincero não - a Inês olhou-me - além disso Braga tem um encanto próprio e aqui tenho parte do que preciso para ser feliz.
- Ó rapaz jogar não é tudo, também tens que te divertires.
- Quem te disse a ti que não ando a divertir-me?
- A noite Lisboeta não tem nada a ver com este quase fim de mundo mas se é isto que queres não questiono até porque o Nuno também defende a cidade a pés juntos, deve ter mesmo algo de especial que ainda não descobri.
- Pois, talvez seja mesmo isso - voltei a sorrir - queres alguma coisa?
- Aceito um café.
- Senta-te que vou buscar.
Saí da sala e fui até à cozinha para regressar uns minutos depois com o café para a Inês, ficamos à conversa mas acabei por despachá-la ao afirmar que tinha coisas para fazer. Despedimo-nos com a promessa que marcaríamos um café para metermos a conversa em dia.
Assim que consegui despachar a Inês, sem parecer muito inconveniente, fui procurar a Mariana, algo dizia que devia estar aborrecida afinal de certa forma ignorei-a. Fui direto ao quarto do Martim mas só encontrei o menino a dormir por isso fui até ao nosso e assim que entrei vi o meu amor deitada na cama a ler um livro mas assim que entrei a Mariana fechou-o.
- Amor qual é mesmo a tua história com a Inês? - perguntou de rajada.
- Somos só amigos e nunca passou disso.
- Tens a certeza? - sorri para depois unir as nossas bocas num beijo demorado e cheio de sentimento.
- Tenho, nunca vi a Inês de outra forma apesar de saber que pelo lado dela a coisa chegou a ser ligeiramente diferente mas para ser sincero acho que não passou de uma fase em que andou confusa - beijei-a - amor há coisa de um ano, ela tal como eu andava a passar uma fase má no relacionamento e acabou por se aproximar mais de mim no entanto sempre a vi como uma amiga e não como um escape para aliviar a tensão pelo facto de andar constantemente a discutir com a Soraia.
- Mas ela tentou? - sorri.
- Sim mas só o fez uma vez porque esclareci imediatamente que nunca se iria passar nada entre nós, estávamos os dois mais em baixo mas isso não era motivo para fazermos algo que mais tarde nos iriamos arrepender.
- Nunca pensaste em trair a Soraia? - olhei-a durante uns segundos.
- Essa pergunta não é fácil de ser respondida.
- Porquê? A resposta é simples - olhou-me - basta dizeres um sim ou um não.
- Nunca a trai de uma forma física mas se considerares que desejar outra pessoa mesmo que só pensamento é uma forma de trair então sim, traí-a vezes sem conta desde que vim para Braga e a coisa agravou severamente quando a minha mãe levou-me a admitir que era em ti que pensava quase vinte quatro horas por dia - suspirou - Mariana - olhou-me - até os vossos nomes troquei.
- Como assim? - sorriu.
- Mariana, a Soraia acabou tudo comigo porque naquele dia além de ter-me negado num primeiro momento a fazer amor com ela, ainda consegui fazer pior, quando finalmente nos envolvemos não senti nada, algo que ela percebeu e quando começou a questionar o motivo em vez de a chamar de Soraia, foi o teu nome que saiu, era em ti que estava a pensar, nunca a traí mas também não fui propriamente honesto com ela.
A Mariana não fez mais nenhuma pergunta e por isso fiquei simplesmente a observá-la uma vez que a tinha nos meus braços. As horas passaram e fui ajudá-la com o jantar para no fim ir dá-lo ao Martim, o meu amor esperou por mim para comermos e depois fiz questão de seu eu a colocar a loiça na máquina. Assim que acabei fui para a sala, vimos um filme sempre com o Martim do nosso lado e umas horas depois levei o menino ao colo para a cama uma vez que adormeceu no sofá, deitamo-lo e fomos até ao nosso quarto.
Não resisti a olhar para a Mariana enquanto despia-se para vestir o pijama, algo que reparou pois sorriu de forma envergonhada, o meu amor continua a sentir-se incomodada sempre que fixo o olhar no seu corpo mas não é isso que faz com que não olhe. A Mariana deitou-se na cama e quando fiz o mesmo foi dela a iniciativa de aproximar-se de mim, estávamos simplesmente a trocar alguns beijos mas acabei por entusiasmar-me, fui avançando aos poucos e acabamos por nos amarmos pela segunda vez.
- Amor - olhou-me - porquê que andaste a evitar isto? - tive que perguntar afinal precisava de entender o que ia na sua cabeça.
- Evitar o quê?
- Não te faça de desentendida - sentou-se na cama encarando-me - Mariana, estou a falar de teres evitado fazeres amor comigo - sorriu - o que foi?
- Ruben, não evitei nada, se o tivesse feito não nos tínhamos acabado de amar.
- Então porquê que sempre que começávamos a entrar por caminhos mais perigosos fugias?
- Ruben - baixou o olhar - para ti pode ser normal fazeres amor no sofá ou quando sabes que não temos muito tempo mas para mim isso ainda faz-me confusão - sorri ao ouvi-la.
- Amor - fi-la olhar para mim - o teu problema era o local ou o facto de podermos ser interrompidos?
- Não tem piada - tentou sair da cama mas agarrei-a - para ti tudo é normal mas para mim não e muito menos quando sei que o meu irmão nos pode apanhar.
- Deixa o menino de fora - olhou-me - ou já te esqueceste que dormia no quarto dele quando nos amamos na primeira vez, tal como dorme hoje.
- Mas aqui sei que não entra o mesmo não posso dizer quando estamos na sala - sorri - não sei onde está a piada.
- Daqui a uns meses falamos - olhou-me chocada o que fez com que gargalhasse - Mariana é normal que não te sintas tão à vontade nestas primeiras vezes mas isso vai mudar e o que agora parece um absurdo vai deixar de o ser.
- Mas quem é que julgas que sou? - perguntou ofendida.
- A minha mulher - falei serenamente mas apanhei-a completamente de surpresa - amor estás agora a descobrir um conjunto de coisas novas e até admito que faça confusão pensares em certos detalhes mas também sei que daqui a um tempo falarás deles sem qualquer vergonha ou constrangimento.
- Não sei - voltou a deitar-se e por isso abracei-a puxando-a mais para mim.
- Sei eu - beijei-a demoradamente - dá tempo ao tempo.
A Mariana não respondeu e por isso acabamos por adormecer agarrados. Acordei com o meu amor a tentar sair da cama e por isso acendi a luz.
- Dorme - beijou-me - vou só ver o meu irmão e dar-lhe o medicamento - informou-me e só por isso é que a deixei ir, no entanto fiquei à sua espera e assim que se deitou voltei a puxá-la para mim. A Mariana uniu os nossos lábios deixando a sua língua se encontrar com a minha e sem que desse muito bem por isso voltamos a amarmo-nos para depois adormecermos.

***

Dois dias passaram e o Martim estava cada vez mais tristonho por isso dei a ideia de convidarmos os amigos dele que já tivessem tido varicela. A Mariana acabou por concordar comigo e convidou dois rapazes da turma do Martim com quem o menino costuma brincar.
A tarde foi de brincadeira, entretive-me com os miúdos enquanto a Mariana foi trabalhar, uma vez que a empregada da Patrícia precisava da tarde de folga. Mas apesar do Martim ter ficado contente continuava triste, sabia bem o que tinha ao contrário da Mariana que andava cada vez mais preocupada com o irmão por isso assim que os amigos dele se foram embora aproveitei que estávamos sozinhos para tentar convencer o Martim a falar com o meu amor, lógico que o menino não foi na conversa e voltou a pedir que não contasse nada.
Estava na sala quando a Mariana chegou e a primeira pergunta foi como é que estava o menino, contei-lhe como foi a tarde de brincadeira mas deixei-a de sobreaviso para que não esperasse muita alegria por parte do irmão pois este continuava triste.
- Mas afinal o que é que ele tem - olhou-me - Ruben sei que sabes por isso desembucha.
- Mariana, o menino está bem, esta tristeza passa-lhe.
- O Martim sempre foi uma criança alegre - sorri ao ouvi-la - onde é que está a piada.
- Amor, estás a criar um problema onde não existe, acredita que não é nada de preocupante.
- Ainda estou para saber o motivo pelo qual o Martim contou-te a ti e a mim não.
- Talvez porque sou homem - olhou-me - Mariana o teu irmão está a viver a sua primeira paixão e está com medo que a menina se esqueça dele porque não o pode ver - sorriu.
- Estás a gozar?
- Não, é a mais pura das verdade mas não fales disso com o Martim se o menino sonha que te contei vai ficar chateado, amor ele só falou comigo porque prometi que não dizia mas não consigo continuar a ver-te preocupada sem motivos.
- O meu irmão apaixonado?
- Ya.
- Não me faltava mais nada - gargalhei - pára de rir.
- Amor, desculpa mas tem piada, linda tens consciência que a paixão do puto não passa de uma brincadeira de crianças.
- O problema não é esse - olhei-a tenho consciência que isto não é motivo para ficar alarmada mas esta paixão deixa-o triste - sorrimos os dois - ó vida agora sofre de amores, isto está bonito ó se está.
- Faz parte do crescimento dele.
- Ruben o menino só tem sete anos.
- Então mas já ama perdidamente - sorrimos - amor é a comédia ouvir o Martim a falar da Helena.
- Porquê?
Teria respondido mas vi o Martim a entrar na sala, o menino sentou-se no colo da Mariana e ficou a receber mimos enquanto fui adiantar o nosso jantar. Comemos os três e no fim a Mariana foi dar banho ao menino.
Estava já na sala quando os vi a entrarem, o meu amor sentou-se do meu lado enquanto o menino preferiu o meu colo.
- Mana, quando eu ficar bom temos que voltar para a casa do Nuno? - a pergunta do menino apanhou-nos de surpresa e por isso interrompemos imediatamente a troca de mimos em que nos encontrávamos.
- Martim, nós só viemos para aqui porque estás doente mas assim que ficares bom regressamos.
- Mas eu não quero ir - sorri ao perceber que tinha um aliado de peso mesmo sem pedir.
- Martim porquê que estás a dizer isso? - a Mariana olhou-me talvez a tentar perceber se tinha sido eu a “encomendar” tal conversa.
- Porque eu gosto de morar aqui e quero tar contigo e com o Ruben- não estava a entender o porquê dele estar a insistir tanto.
- Martim foi o Ruben que pediu para falares isso? - o menino olhou-me a sorrir.
- Também queres morar comigo e com a mana? - perguntou visivelmente animado e com uma espontaneidade tremenda.
- Quero - olhei para a Mariana - mas para isso é preciso que a tua mana aceite - agora sim estava a usar o trunfo Martim a meu favor.
- Ó mana deixa lá - pedinchou agarrado ao seu pescoço - eu agora sei o que é ter um pai e uma mãe - olhei emocionado para o menino - e não quero ficar sem isso, o Ruben gosta da gente e nós gostamos dele e quando as pessoas gostam umas das outras moram juntas, né?
- Sim mas só depois de se conhecerem bem.
- Mas mana nós já conhecemos bem o Ruben - sorri ao ouvi-lo.
- Martim mas esta decisão não se pode tomar assim do nada.
- Não é do nada, tu namoras com o Ruben por isso não tem mal e eu quero tar sempre com o Ruben e isso só dá se ficarmos cá.
- Martim, explica à mana o motivo de quereres tanto ficar cá?
- Mana eu não sei explicar - o menino encolheu os ombros - eu só sei que tou a gostar muito destes dias, agora sei o que é ter um pai - a Mariana suspirou - e uma mãe. Mana promete que ficamos a viver aqui.
- Martim, não posso prometer isto - olhou-nos à vez - a única coisa que posso prometer é que vou pensar no assunto.
- Fixe - sorri perante a felicidade do menino talvez por saber que a Mariana dificilmente irá negar tal pedido ao irmão.

Mariana

Os dias passaram e com o Martim a melhorar chegou o momento de ter uma conversa séria com o Ruben, esperei que chegasse do treino e aproveitei que o meu irmão estava entretido a brincar para falar com o meu amor e assim que entrou em casa “raptei-o” levando-o comigo para o nosso quarto.
- O que se passa?
- Precisamos de falar.
- Não posso ir primeiro dar um beijinho ao Martim?
- Não - sentei-me na cama.
- Estás a assustar-me - sentou-se do meu lado - é grave?
- É tendo em conta que temos de tomar uma decisão que pode alterar por completo as nossas vidas - o Ruben olhava-me atento - amor - suspirei - andei estes dias todos a pensar se devo ou não ceder ao vosso pedido - sorriu ou não fosse saber do que falava - mas não consigo chegar a conclusão nenhuma por muito que queira ficar aqui contigo há algo que faz-me vacilar.
- Esse algo é o facto de não casarmos?
- Não tem nada a ver com isso - olhou-me - é verdade que gostava de casar mas não é nenhuma “sangria desatada” até porque continuo a dizer que ainda é muito cedo para dar tal passo.
- Então o que é?
- Ruben, sei que isto vai magoar-te mas tenho de ser sincera - olhou-me - apesar das provas que dás-me todos os dias contínuo com uma dúvida parva - suspirei - acreditas mesmo que nós podemos construir um amor sólido e verdadeiro daqueles para a vida?
- Acredito, Mariana amo-te como nunca amei ninguém, não tens essa noção porque não conheceste-me antes mas pergunta a quem quiseres quantas foram aquelas que deixei que se aproximassem de mim tão rapidamente e vais perceber que foste a única, tal como fui o primeiro rapaz que entrou na tua vida de forma completa também foste a primeira e única que deixou-me sem chão, Mariana conseguiste em meses o que outras nunca conseguiram em anos, contigo percebi o que é amar sem desconfiar até pelo contrário em ti confio de uma forma inexplicável, acredites ou não és a única a quem entreguei verdadeiramente o meu coração, aquela por quem daria a vida se fosse necessário.
- Ruben, tens noção que se aceitar viver contigo será uma decisão definitiva que não é algo para hoje estarmos juntos e daqui a uns meses regressares para Lisboa ou outro sítio qualquer e deixares-me para trás.
- O que mais quero é construir uma família contigo e com o Martim por isso se cederes podes ter certeza que será para a vida.
- Tenho medo - voltei a suspirar - nunca tive nada que fosse para a vida.
- Estás enganada - olhei-o - tens o Martim e tanto quanto sei nunca vacilaste vez nenhuma, o amor pode ser diferente mas se acreditaste no amor de irmãos acredita também naquele que nos une, não estou a pedir o mundo, estou simplesmente a pedir que acredites naquilo que sentes.
- Tudo bem - olhou-me expectante - aceito viver contigo - sorriu para logo depois beijar-me intensamente - mas com uma condição - falei assim que consegui.
- Diz.
- Ruben, já cedi em muita coisa até mais do que imaginava ser possível por isso a partir deste momento quero ir com calma, não vamos apressar mais nada, pode ser?
- Estás a falar em casarmos?
- E não só.
- Em filhos, é isso não é? Estás com medo que queira aumentar a família rapidamente?
- Não é medo mas sim estou a falar de filhos.
- Posso saber porquê?
- Ruben - hesitei talvez por saber que iria parecer egoísmo meu - antes de ser mãe quero cumprir com um sonho antigo - olhou-me atento - gostava de licenciar-me e de preferência antes de ter filhos, sei o trabalho que dá educar e criar uma criança, nunca na vida irei trazer um filho ao mundo se não puder dedicar-me a ele por isso ou faço uma coisa ou outra e sinceramente quero mais a primeira, é um sonho antigo e pelo qual lutei até ser obrigada a abandoná-lo para salvar o meu irmão.
- Amor acho bem que lutes por esse sonho, é um direito que tens além disso sempre te incentivei a recomeçares os estudos mesmo antes de namorarmos e isso não vai mudar só porque iremos viver juntos, muito pelo contrário será mais um motivo de orgulho que irás dar-me.
- Isso quer dizer que irás respeitar o meu egoísmo em não querer filhos para um futuro próximo mesmo sabendo que os queres ter?
- Mariana, é verdade que quero ser pai e nunca escondi isso mas não tem que ser já, aliás nós temos o Martim que apesar de não ser filho amamo-lo como se fosse, não é biológico mas o amor que sinto é igual, já me deste um filho e darás mais assim que concretizares o teu objetivo.
- Obrigada - abracei-o e acabamos deitados.
- Amor - olhei-o - quando é que contamos ao Martim?
- Daqui a uns dias, primeiro quero falar com o Nuno e a Patrícia.
- Tudo bem - beijou-me - outra coisa - sorriu - já te perguntei várias vezes mas nunca falaste - uni os nossos lábios.
- Quero licenciar-me em psicologia para trabalhar com crianças que se encontrem na mesma situação pela qual eu e o Martim passamos.
- Só podia - sorriu - mas sinceramente acho que devias começar a pensar já nisso para o próximo ano.
- Não será o ano melhor para regressar aos estudos.
- Porquê?
- Talvez porque não sei onde irei estar - olhou-me - por acaso sabes onde é que vais estar para conseguir orientar-me?
- Não - suspirou - desculpa - calei-o ao unir as nossas bocas.
- Não quero ouvir pedidos de desculpas se é para sermos um casal será em todos os momentos - sorriu - o que foi?
- Tirando o facto de ter uma mulher perfeita não se passa nada.
- Ruben, não sou perfeita também tenho defeitos.
Teríamos continuado a falar mas o Martim entrou no nosso quarto e acabou deitado no meu de nós, os minutos seguintes foram a três bem como os dias que se seguiram, o Ruben andava numa felicidade extrema e confesso que a cada dia que passava ficava mais serena da decisão que tomei.
Hoje acordei disposta a falar com os nossos amigos até porque o Martim já podia finalmente sair de casa e por isso levei-o a ver o Nuninho. Estava na sala à conversa com a Patrícia quando o Ruben e o Nuno chegaram, aproveitei que estávamos só os quatro uma vez que o Martim brincava com o Nuninho no seu quarto e a Inês tinha saído da sala para contar a novidade aos nossos amigos.
Eles reagiram bem tal como esperávamos mas acabamos por nos calar assim que a Inês entrou na sala e pela primeira vez a presença dela não me incomodou algo que o Ruben deve ter percebido porque sorriu. Estava na conversa com o Nuno quando o Martim entrou e sentou-se ao colo do Ruben, algo que não passou despercebido à Inês que resolveu mandar a piada ao afirmar que o Ruben agora anda a dar numa de pai de um filho que não é dele, não gostei do que ouvi mas não cheguei a responder porque o Ruben fê-lo por mim.
- Inês, estou mesmo a dar numa de pai, o Martim pode não ser meu filho biológico mas amo-o como se fosse.
- Cada vez convenço-me mais que a agitação de Lisboa anda a fazer-te falta.
- Posso saber porquê?
- Onde é que está aquele Ruben que gosta de sair e se divertir com os amigos, aquele que afirmou que não seria por vir para Braga que deixaria de conviver com o pessoal, aquele que prometeu visitar-nos sempre que pudesse.
- Inês, podes parar por aí, sou o mesmo Ruben.
- Não, não és mas também não vou estar a discutir isso contigo, já és grandinho o suficiente para fazeres as tuas próprias escolhas e viver com elas.
O Ruben não respondeu até porque a Inês deixou-nos sozinhos no entanto as suas palavras não saiam de forma alguma do meu pensamento, ainda assim tentei ignorar esse facto e aproveitar o resto da tarde de domingo ao lado do Ruben, do Martim e dos nossos amigos.
Depois do jantar o meu irmão ficou com sono e por isso foi-se deitar no quarto onde sempre dormiu mas foi o Ruben que o acompanhou, uma vez que fui deitar o Nuninho que também estava a fazer birra. Acabei por juntar-me aos meus dois amores mas quando entrei no quarto do Martim já ele dormia.
- Amor anda - agarrei-o pela mão e fomos até ao meu quarto.
- O que é que estás a fazer? - perguntou-me quando viu-me a abrir o roupeiro, onde ainda tinha a maioria da minha roupa e a retirar um vestido de lá.
- Quero ir dar uma volta - olhou-me - ou não queres?
- Amor por mim vamos mas e o Martim?
- O Martim está a dormir, duvido que acorde e se acordar a Patrícia olha por ele.
- Estou a ver que pensaste em tudo - sorriu.
- Ainda tens duvidas que namoras com alguém que pensa em tudo - o Ruben gargalhou - agora deixa-me mudar de roupa - pedi afinal estava grudado em mim.
- Posso saber onde a menina quer ir?
- Para qualquer lado desde que longe daqui - falei enquanto mudava de roupa e sob o olhar atento do Ruben.
- Amor, isso por acaso não está relacionado com o que a Inês falou, pois não? - olhei-o - É que se está aviso já que não tem fundamento nenhum - aproximou-se de mim - até porque Braga não é Lisboa nem tem tanto sítio para onde se possa ir.
- Não estou preocupada com o que a Inês diz ou deixa de dizer mas a verdade é que raramente saímos.
- Tanto quanto sei foste tu que quiseste isso.
- Eu sei - beijei-o - e se queres saber não mudei de opinião, continuo a querer ser o mais discreta possível mas isso não invalida que voltemos a sair como sempre o fizemos - o Ruben sorriu para logo de seguida beijar-me demoradamente.
- Ok, vamos então.
Assim que fiquei despachada saímos do quarto, passamos pela sala para nos despedirmos deles e certificar-me que a Patrícia não se importava de ficar a tomar conta do meu irmão. Quem se tentou colar foi mesmo a Inês mas o Ruben deu-lhe para trás ao afirmar que já tínhamos coisas combinadas, o que sinceramente deu-me vontade de rir mas como é lógico não o fiz.
Fomos beber café pelo centro da cidade mas dada a noite de inverno que se fazia sentir terminamos por ir até à casa do Ruben, onde passamos as horas seguintes a namorar sem ninguém para nos interromper.
- Amor, é verdade o Natal está a aproximar-se - elevei a minha cara que até ao momento estava no seu peito para o olhar - por isso quero comprar um presente ao Martim só não sei o quê, queria que fosse algo especial - sorri.
- Para o Martim basta que esteja connosco.
- Pois isso - olhei-o - amor onde é que estás a pensar passar a noite de consoada?
- Em Lisboa.
- Isso quer dizer que pudemos passar a noite juntos?
- Vais estar com a tua família - interrompeu-me.
- Por isso mesmo quero passar contigo e com o Martim, amor gostava de puder partilhar a noite convosco e com a minha família.
- Ruben, vais passar a noite na casa da tua mãe por isso não faz muito sentido irmos contigo.
- Se o problema é o convite não ser feito pela minha mãe podes ficar tranquila porque vais recebê-lo - olhei-o - a minha mãe pediu-me o teu número para ligar-te - sorriu - aceitas?
- Adianta dizer que não?
- A decisão é sempre tua mas por mim está decidido.
- Ok, então conta comigo e com o Martim mas agora tenho que ir.
- Não vais buscar o menino, a esta hora está a dormir.
- Ruben, não quero que acorde sem estar lá por casa mas se não queres ficar sozinho podes sempre vir comigo, dormes lá e amanhã segues com o Nuno para o treino - sorriu.
- Amor, a Inês já anda desconfiada se passo a noite lá - beijei-o sem lhe dar hipótese de continuar.
- Não quero saber da Inês para nada, além disso namoramos.
- Gosto de ouvir-te a falar assim - beijei-o.
- Vá, vamos que quero ir ver o Martim - sorriu - o que foi?
- És mesmo mãe galinha - olhei-o mas não respondi até porque o Ruben uniu os nossos lábios, ainda trocamos alguns mimos mas acabamos por ir até à casa dos nossos amigos.
Fui até ao quarto do meu piolho que continuava a dormir, por isso não perdi tempo e juntei-me ao Ruben que já estava no meu quarto, entrei e a visão que tive deixou-me com um sorriso no rosto, o meu amor não perdeu tempo e ajudou-me a ver-me livre da minha roupa, acabamos por nos amar e só depois adormecemos nos braços um do outro.

***

Acordei primeiro que o Ruben mas fiquei a observá-lo por uns minutos até que o vi mexer-se não resisti por muito mais tempo e aproximei-me ainda mais dele iniciando uma sessão de pequenos beijos repinicados pelo seu rosto que culminou com uma união perfeita das nossas bocas.
- Bom dia amor - falou assim que separamos os lábios - Vai ser tão bom poder acordar todos os dias contigo do meu lado - sorri - ainda parece um sonho - suspirou.
- Talvez seja mesmo um sonho - beijei-o - mas um sonho tornado realidade - sorriu.
- Amo-te.
- A quantas é que não deves já ter dito isso - espicacei-o.
- Não foram assim tantas e sabes bem disso mas a verdade é que menti a todas - olhei-o - pois só contigo é que descobrir o que é amar na plenitude - voltou-se na cama deixando-me por baixo dele - Mariana, hoje sei que o que vivi e senti no passado foi paixão e não amor, porque amor é o que sinto por ti sem a sombra de dúvidas - olhava-o atenta - a verdade é que nunca senti algo assim tão forte por ninguém.
Não respondi limitei-me a unir as nossas bocas e o que era um beijo inocente depressa deixou de o ser e ainda mais depressa vi-me livre da camisola do seu pijama, estávamos dispostos a amarmo-nos mas fomos interrompidos por quem não esperava, a Patrícia entrou sem pedir e apanhou-nos numa troca de mimos ainda minimamente decente.
- Desculpem - quando reparou apressou-se a pedir perdão e a fechar novamente a porta, inevitavelmente gargalhei perante a situação algo que fez o Ruben olhar-me surpreso.
- Que foi?
- Nada mas pensei que fosses ficar envergonhada e afinal achaste piada - beijei-o.
- Teve a sua certa piada - beijou-me novamente - a Patrícia ficou mesmo atrapalhada.
- Quem a mandou abrir a porta sem pedir autorização.
- Ruben, provavelmente pensou que o quarto tivesse vazio - sorrimos - afinal não avisamos que vínhamos cá dormir - sorri - por isso o melhor é levantarmo-nos até porque tens treino e o Martim hoje já vai à escola.
O Ruben concordou comigo e por isso vestimo-nos, fui acordar o meu piolho e depois de vesti-lo fomos comer. O Martim assim que viu o Ruben apressou-se a dar-lhe um beijinho ternurento o que fez os nossos amigos sorrirem e a Inês olhar intrigada. O Ruben e o Nuno saíram para o treino enquanto fui levar o meu piolho à escola.

Como será os próximos tempos? Que surpresas irá ter o casal?

Desculpem a demora mas estive uns dias de férias por isso foi impossível deixar-vos um novo capítulo. Espero que estejam a gostar do rumo da história e se puderem comentem para saber quais as vossas expectativas.
Beijinhos :D

8 comentários:

  1. Olá!
    Já tinha saudades desta família :)
    Agora esta Ines e que ja podia ir pastar. Nao simpatizo muito com ela. Espero que nao venha estragar o casalinho.
    Espero pelo proximo!

    Beijo
    Ana

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  2. Olá :D
    Gostei muito!
    Quero o próximo ;)
    Beijinhos
    Ritááá xD

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  3. Já tinha saudades de vir cá! E só te posso dizer que adorei, adorei e adorei!
    Ainda bem que a Mariana cedeu ao pedido, é na casa do Ruben que eles estão bem, assim beeem juntinhos :P
    Mas vá, agora quero muito saber o que se segue e fico ansiosa à espera do próximo!

    Beijinhos minha linda :)

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  4. Ui ui, esta Inês, vai fazer estragos?
    Gostei muito :D e boa pergunta, qe surpresas irão ter eles? Quero saber...
    Beijinhoo

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  5. Olá :)
    Fico tão contente quando vejo que postaste xD é por escreveres de uma forma que nos vicia :p
    Quanto ao capitulo( vou tentar ser original e não usar sempre os mesmos adjectivos)estava fenomenal!
    Mas acabo sempre a pedir o próximo rápido e este não é excepção!
    Quanto ao casalinho desde que estejas juntos,sem "terceiros" e com o pequeninho que torna isto tudo uma grande família tudo muito bem;D
    Fico à espera do próximo.
    Beijinhos
    Rita
    http://lifegoesonr.blogspot.pt/

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  6. Adoro, adoro, estou mortinha p ver o casal a viver juntinhos ;)
    Não estou a perceber a cena da Inês ainda não saber q são namorados... então o q ela acha???
    Quero mais!!!!
    Beijinhos

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  7. Adorei, e agora que a Mariana concordou em viver com o Ruben, agora sim são uma verdadeira família. O problema do Martim está desvendado, o puto tá apaixonado, coitadinho tão novinho e já foi apanhado nas teias do amor, é de pequenino é que se começa, vamos ver se ele não apanha nenhum desgosto.
    Não acredito que a Inês seja assim tão tapadinha que ainda não tenha percebido que o Ruben e a Mariana namoram. As sonsas são as piores, e ela tá dar uma de sonsinha, e não me tá a agradar nadinha.
    Adoro tudinho, por isso é que quero mais.
    Espero que as férias tenham sido boas, ao menos para descansares um bocadinho.

    Beijocas

    Fernanda

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  8. Surpresas só se forem boas! haha E que essa Inês não procure se meter onde não é chamada u_u
    Quero mais, tá perfeito! <3

    Gabii *-*

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