Ruben
Estava a namorar com a Mariana quando ouvimos a campainha,
ela ofereceu-se para lá ir algo que permiti pois nunca imaginei que fosse a
Inês, já não a via a algum tempo e daí o meu espanto.
- O que é que estás
aqui a fazer? - perguntei antes de a cumprimentar.
- Resolvi visitar os
meus amigos - sorriu - mas parece
que ficaste deveras surpreendido.
- Só não esperava
ver-te por cá.
- Dá para ver -
gargalhou - mas se não for assim ninguém
te vê.
- O que é que estás a
querer dizer?
- Não há quem te veja
por Lisboa - sorriu - é que nem nas
folgas lá metes os pés.
- Deixa de ser
exagerada.
- Estou a mentir
queres ver?
- Ok, já não meto os
pés em Lisboa há dois meses mas não é por isso que fico sem notícias vossas
- respondi serenamente.
- Mas não é a mesma
coisa, agora até estás solteiro e bom rapaz - olhei em volta e não
encontrei a Mariana - tens mais é que
aproveitar a vida.
- Quem te disse que
não aproveito?
- Desculpa lá, vais
ter que concordar comigo aqui nesta cidade não se aprende nada, além disso não
acredito que não sentes falta da noite Lisboeta.
- Se queres que seja
sincero não - a Inês olhou-me - além
disso Braga tem um encanto próprio e aqui tenho parte do que preciso para ser
feliz.
- Ó rapaz jogar não é
tudo, também tens que te divertires.
- Quem te disse a ti
que não ando a divertir-me?
- A noite Lisboeta
não tem nada a ver com este quase fim de mundo mas se é isto que queres não
questiono até porque o Nuno também defende a cidade a pés juntos, deve ter
mesmo algo de especial que ainda não descobri.
- Pois, talvez seja mesmo isso - voltei a sorrir - queres alguma coisa?
- Aceito um café.
- Senta-te que vou
buscar.
Saí da sala e fui até à cozinha para regressar uns minutos
depois com o café para a Inês, ficamos à conversa mas acabei por despachá-la ao
afirmar que tinha coisas para fazer. Despedimo-nos com a promessa que
marcaríamos um café para metermos a conversa em dia.
Assim que consegui despachar a Inês, sem parecer muito
inconveniente, fui procurar a Mariana, algo dizia que devia estar aborrecida
afinal de certa forma ignorei-a. Fui direto ao quarto do Martim mas só encontrei
o menino a dormir por isso fui até ao nosso e assim que entrei vi o meu amor
deitada na cama a ler um livro mas assim que entrei a Mariana fechou-o.
- Amor qual é mesmo a
tua história com a Inês? - perguntou de rajada.
- Somos só amigos e
nunca passou disso.
- Tens a certeza?
- sorri para depois unir as nossas bocas num beijo demorado e cheio de
sentimento.
- Tenho, nunca vi a
Inês de outra forma apesar de saber que pelo lado dela a coisa chegou a ser
ligeiramente diferente mas para ser sincero acho que não passou de uma fase em
que andou confusa - beijei-a - amor
há coisa de um ano, ela tal como eu andava a passar uma fase má no
relacionamento e acabou por se aproximar mais de mim no entanto sempre a vi
como uma amiga e não como um escape para aliviar a tensão pelo facto de andar
constantemente a discutir com a Soraia.
- Mas ela tentou?
- sorri.
- Sim mas só o fez
uma vez porque esclareci imediatamente que nunca se iria passar nada entre nós,
estávamos os dois mais em baixo mas isso não era motivo para fazermos algo que
mais tarde nos iriamos arrepender.
- Nunca pensaste em
trair a Soraia? - olhei-a durante uns segundos.
- Essa pergunta não é
fácil de ser respondida.
- Porquê? A resposta
é simples - olhou-me - basta dizeres
um sim ou um não.
- Nunca a trai de uma
forma física mas se considerares que desejar outra pessoa mesmo que só
pensamento é uma forma de trair então sim, traí-a vezes sem conta desde que vim para Braga e a coisa agravou
severamente quando a minha mãe levou-me a admitir que era em ti que pensava
quase vinte quatro horas por dia - suspirou - Mariana - olhou-me - até os
vossos nomes troquei.
- Como assim? -
sorriu.
- Mariana, a Soraia
acabou tudo comigo porque naquele dia além de ter-me negado num primeiro
momento a fazer amor com ela, ainda consegui fazer pior, quando finalmente nos
envolvemos não senti nada, algo que ela percebeu e quando começou a questionar
o motivo em vez de a chamar de Soraia, foi o teu nome que saiu, era em ti que
estava a pensar, nunca a traí mas também não fui propriamente honesto com ela.
A Mariana não fez mais nenhuma pergunta e por isso fiquei
simplesmente a observá-la uma vez que a tinha nos meus braços. As horas
passaram e fui ajudá-la com o jantar para no fim ir dá-lo ao Martim, o meu amor
esperou por mim para comermos e depois fiz questão de seu eu a colocar a loiça
na máquina. Assim que acabei fui para a sala, vimos um filme sempre com o
Martim do nosso lado e umas horas depois levei o menino ao colo para a cama uma
vez que adormeceu no sofá, deitamo-lo e fomos até ao nosso quarto.
Não resisti a olhar para a Mariana enquanto despia-se para
vestir o pijama, algo que reparou pois sorriu de forma envergonhada, o meu amor
continua a sentir-se incomodada sempre que fixo o olhar no seu corpo mas não é
isso que faz com que não olhe. A Mariana deitou-se na cama e quando fiz o mesmo
foi dela a iniciativa de aproximar-se de mim, estávamos simplesmente a trocar
alguns beijos mas acabei por entusiasmar-me, fui avançando aos poucos e
acabamos por nos amarmos pela segunda vez.
- Amor - olhou-me
- porquê que andaste a evitar isto?
- tive que perguntar afinal precisava de entender o que ia na sua cabeça.
- Evitar o quê?
- Não te faça de
desentendida - sentou-se na cama encarando-me - Mariana, estou a falar de teres evitado fazeres amor comigo -
sorriu - o que foi?
- Ruben, não evitei
nada, se o tivesse feito não nos tínhamos acabado de amar.
- Então porquê que
sempre que começávamos a entrar por caminhos mais perigosos fugias?
- Ruben - baixou
o olhar - para ti pode ser normal fazeres
amor no sofá ou quando sabes que não temos muito tempo mas para mim isso ainda
faz-me confusão - sorri ao ouvi-la.
- Amor - fi-la
olhar para mim - o teu problema era o
local ou o facto de podermos ser interrompidos?
- Não tem piada -
tentou sair da cama mas agarrei-a - para
ti tudo é normal mas para mim não e muito menos quando sei que o meu irmão nos
pode apanhar.
- Deixa o menino de
fora - olhou-me - ou já te esqueceste
que dormia no quarto dele quando nos amamos na primeira vez, tal como dorme
hoje.
- Mas aqui sei que
não entra o mesmo não posso dizer quando estamos na sala - sorri - não sei onde está a piada.
- Daqui a uns meses
falamos - olhou-me chocada o que fez com que gargalhasse - Mariana é normal que não te sintas tão à
vontade nestas primeiras vezes mas isso vai mudar e o que agora parece um
absurdo vai deixar de o ser.
- Mas quem é que
julgas que sou? - perguntou ofendida.
- A minha mulher
- falei serenamente mas apanhei-a completamente de surpresa - amor estás agora a descobrir um conjunto de
coisas novas e até admito que faça confusão pensares em certos detalhes mas
também sei que daqui a um tempo falarás deles sem qualquer vergonha ou
constrangimento.
- Não sei -
voltou a deitar-se e por isso abracei-a puxando-a mais para mim.
- Sei eu -
beijei-a demoradamente - dá tempo ao
tempo.
A Mariana não respondeu e por isso acabamos por adormecer
agarrados. Acordei com o meu amor a tentar sair da cama e por isso acendi a
luz.
- Dorme -
beijou-me - vou só ver o meu irmão e
dar-lhe o medicamento - informou-me e só por isso é que a deixei ir, no
entanto fiquei à sua espera e assim que se deitou voltei a puxá-la para mim. A
Mariana uniu os nossos lábios deixando a sua língua se encontrar com a minha e
sem que desse muito bem por isso voltamos a amarmo-nos para depois
adormecermos.
***
Dois dias passaram e o Martim estava cada vez mais tristonho
por isso dei a ideia de convidarmos os amigos dele que já tivessem tido varicela.
A Mariana acabou por concordar comigo e convidou dois rapazes da turma do
Martim com quem o menino costuma brincar.
A tarde foi de brincadeira, entretive-me com os miúdos
enquanto a Mariana foi trabalhar, uma vez que a empregada da Patrícia precisava
da tarde de folga. Mas apesar do Martim ter ficado contente continuava triste,
sabia bem o que tinha ao contrário da Mariana que andava cada vez mais
preocupada com o irmão por isso assim que os amigos dele se foram embora
aproveitei que estávamos sozinhos para tentar convencer o Martim a falar com o
meu amor, lógico que o menino não foi na conversa e voltou a pedir que não
contasse nada.
Estava na sala quando a Mariana chegou e a primeira pergunta
foi como é que estava o menino, contei-lhe como foi a tarde de brincadeira mas
deixei-a de sobreaviso para que não esperasse muita alegria por parte do irmão
pois este continuava triste.
- Mas afinal o que é
que ele tem - olhou-me - Ruben sei
que sabes por isso desembucha.
- Mariana, o menino
está bem, esta tristeza passa-lhe.
- O Martim sempre foi
uma criança alegre - sorri ao ouvi-la - onde é que está a piada.
- Amor, estás a criar
um problema onde não existe, acredita que não é nada de preocupante.
- Ainda estou para
saber o motivo pelo qual o Martim contou-te a ti e a mim não.
- Talvez porque sou
homem - olhou-me - Mariana o teu
irmão está a viver a sua primeira paixão e está com medo que a menina se esqueça dele porque não o pode ver
- sorriu.
- Estás a gozar?
- Não, é a mais pura
das verdade mas não fales disso com o Martim se o menino sonha que te contei
vai ficar chateado, amor ele só falou comigo porque prometi que não dizia mas
não consigo continuar a ver-te preocupada sem motivos.
- O meu irmão
apaixonado?
- Ya.
- Não me faltava mais
nada - gargalhei - pára de rir.
- Amor, desculpa mas
tem piada, linda tens consciência que a paixão do puto não passa de uma
brincadeira de crianças.
- O problema não é esse
- olhei-a tenho consciência que isto não
é motivo para ficar alarmada mas esta paixão deixa-o triste - sorrimos os
dois - ó vida agora sofre de amores,
isto está bonito ó se está.
- Faz parte do
crescimento dele.
- Ruben o menino só
tem sete anos.
- Então mas já ama
perdidamente - sorrimos - amor é a
comédia ouvir o Martim a falar da Helena.
- Porquê?
Teria respondido mas vi o Martim a entrar na sala, o menino
sentou-se no colo da Mariana e ficou a receber mimos enquanto fui adiantar o
nosso jantar. Comemos os três e no fim a Mariana foi dar banho ao menino.
Estava já na sala quando os vi a entrarem, o meu amor
sentou-se do meu lado enquanto o menino preferiu o meu colo.
- Mana, quando eu
ficar bom temos que voltar para a casa do Nuno? - a pergunta do menino apanhou-nos
de surpresa e por isso interrompemos imediatamente a troca de mimos em que nos
encontrávamos.
- Martim, nós só
viemos para aqui porque estás doente mas assim que ficares bom regressamos.
- Mas eu não quero ir
- sorri ao perceber que tinha um aliado de peso mesmo sem pedir.
- Martim porquê que
estás a dizer isso? - a Mariana olhou-me talvez a tentar perceber se tinha
sido eu a “encomendar” tal conversa.
- Porque eu gosto de
morar aqui e quero tar contigo e com o Ruben- não estava a entender o
porquê dele estar a insistir tanto.
- Martim foi o Ruben
que pediu para falares isso? - o menino olhou-me a sorrir.
- Também queres morar
comigo e com a mana? - perguntou visivelmente animado e com uma
espontaneidade tremenda.
- Quero - olhei
para a Mariana - mas para isso é preciso
que a tua mana aceite - agora sim estava a usar o trunfo Martim a meu
favor.
- Ó mana deixa lá
- pedinchou agarrado ao seu pescoço - eu
agora sei o que é ter um pai e uma mãe - olhei emocionado para o menino - e não quero ficar sem isso, o Ruben gosta
da gente e nós gostamos dele e quando as pessoas gostam umas das outras moram
juntas, né?
- Sim mas só depois
de se conhecerem bem.
- Mas mana nós já
conhecemos bem o Ruben - sorri ao ouvi-lo.
- Martim mas esta
decisão não se pode tomar assim do nada.
- Não é do nada, tu
namoras com o Ruben por isso não tem mal e eu quero tar sempre com o Ruben e
isso só dá se ficarmos cá.
- Martim, explica à
mana o motivo de quereres tanto ficar cá?
- Mana eu não sei
explicar - o menino encolheu os ombros - eu só sei que tou a gostar muito destes dias, agora sei o que é ter um
pai - a Mariana suspirou - e uma
mãe. Mana promete que ficamos a viver aqui.
- Martim, não posso
prometer isto - olhou-nos à vez - a
única coisa que posso prometer é que vou pensar no assunto.
- Fixe - sorri
perante a felicidade do menino talvez por saber que a Mariana dificilmente irá
negar tal pedido ao irmão.
Mariana
Os dias passaram e com o Martim a melhorar chegou o momento
de ter uma conversa séria com o Ruben, esperei que chegasse do treino e
aproveitei que o meu irmão estava entretido a brincar para falar com o meu amor
e assim que entrou em casa “raptei-o” levando-o comigo para o nosso quarto.
- O que se passa?
- Precisamos de
falar.
- Não posso ir
primeiro dar um beijinho ao Martim?
- Não - sentei-me
na cama.
- Estás a assustar-me
- sentou-se do meu lado - é grave?
- É tendo em conta
que temos de tomar uma decisão que pode alterar por completo as nossas vidas
- o Ruben olhava-me atento - amor -
suspirei - andei estes dias todos a
pensar se devo ou não ceder ao vosso pedido - sorriu ou não fosse saber do
que falava - mas não consigo chegar a
conclusão nenhuma por muito que queira ficar aqui contigo há algo que faz-me
vacilar.
- Esse algo é o facto
de não casarmos?
- Não tem nada a ver
com isso - olhou-me - é verdade que
gostava de casar mas não é nenhuma “sangria desatada” até porque continuo a
dizer que ainda é muito cedo para dar tal passo.
- Então o que é?
- Ruben, sei que isto
vai magoar-te mas tenho de ser sincera - olhou-me - apesar das provas que dás-me todos os dias contínuo com uma dúvida parva
- suspirei - acreditas mesmo que nós
podemos construir um amor sólido e verdadeiro daqueles para a vida?
- Acredito, Mariana
amo-te como nunca amei ninguém, não tens essa noção porque não conheceste-me
antes mas pergunta a quem quiseres quantas foram aquelas que deixei que se
aproximassem de mim tão rapidamente e vais perceber que foste a única, tal como
fui o primeiro rapaz que entrou na tua vida de forma completa também foste a
primeira e única que deixou-me sem chão, Mariana conseguiste em meses o que
outras nunca conseguiram em anos, contigo percebi o que é amar sem desconfiar
até pelo contrário em ti confio de uma forma inexplicável, acredites ou não és
a única a quem entreguei verdadeiramente o meu coração, aquela por quem daria a
vida se fosse necessário.
- Ruben, tens noção que
se aceitar viver contigo será uma decisão definitiva que não é algo para hoje
estarmos juntos e daqui a uns meses regressares para Lisboa ou outro sítio
qualquer e deixares-me para trás.
- O que mais quero é
construir uma família contigo e com o Martim por isso se cederes podes ter
certeza que será para a vida.
- Tenho medo -
voltei a suspirar - nunca tive nada que
fosse para a vida.
- Estás enganada
- olhei-o - tens o Martim e tanto quanto
sei nunca vacilaste vez nenhuma, o amor pode ser diferente mas se acreditaste
no amor de irmãos acredita também naquele que nos une, não estou a pedir o
mundo, estou simplesmente a pedir que acredites naquilo que sentes.
- Tudo bem -
olhou-me expectante - aceito viver
contigo - sorriu para logo depois beijar-me intensamente - mas com uma condição - falei assim que
consegui.
- Diz.
- Ruben, já cedi em
muita coisa até mais do que imaginava ser possível por isso a partir deste
momento quero ir com calma, não vamos apressar mais nada, pode ser?
- Estás a falar em
casarmos?
- E não só.
- Em filhos, é isso
não é? Estás com medo que queira aumentar a família rapidamente?
- Não é medo mas sim
estou a falar de filhos.
- Posso saber porquê?
- Ruben - hesitei
talvez por saber que iria parecer egoísmo meu - antes de ser mãe quero cumprir com um sonho antigo - olhou-me
atento - gostava de licenciar-me e de
preferência antes de ter filhos, sei o trabalho que dá educar e criar uma
criança, nunca na vida irei trazer um filho ao mundo se não puder dedicar-me a
ele por isso ou faço uma coisa ou outra e sinceramente quero mais a primeira, é
um sonho antigo e pelo qual lutei até ser obrigada a abandoná-lo para salvar o
meu irmão.
- Amor acho bem que
lutes por esse sonho, é um direito que tens além disso sempre te incentivei a
recomeçares os estudos mesmo antes de namorarmos e isso não vai mudar só porque
iremos viver juntos, muito pelo contrário será mais um motivo de orgulho que
irás dar-me.
- Isso quer dizer que
irás respeitar o meu egoísmo em não querer filhos para um futuro próximo mesmo
sabendo que os queres ter?
- Mariana, é verdade
que quero ser pai e nunca escondi isso mas não tem que ser já, aliás nós temos
o Martim que apesar de não ser filho amamo-lo como se fosse, não é biológico
mas o amor que sinto é igual, já me deste um filho e darás mais assim que
concretizares o teu objetivo.
- Obrigada -
abracei-o e acabamos deitados.
- Amor - olhei-o
- quando é que contamos ao Martim?
- Daqui a uns dias,
primeiro quero falar com o Nuno e a Patrícia.
- Tudo bem - beijou-me
- outra coisa - sorriu - já te perguntei várias vezes mas nunca
falaste - uni os nossos lábios.
- Quero licenciar-me
em psicologia para trabalhar com crianças que se encontrem na mesma situação
pela qual eu e o Martim passamos.
- Só podia -
sorriu - mas sinceramente acho que
devias começar a pensar já nisso para o próximo ano.
- Não será o ano
melhor para regressar aos estudos.
- Porquê?
- Talvez porque não
sei onde irei estar - olhou-me - por
acaso sabes onde é que vais estar para conseguir orientar-me?
- Não - suspirou
- desculpa - calei-o ao unir as
nossas bocas.
- Não quero ouvir
pedidos de desculpas se é para sermos um casal será em todos os momentos -
sorriu - o que foi?
- Tirando o facto de
ter uma mulher perfeita não se passa nada.
- Ruben, não sou
perfeita também tenho defeitos.
Teríamos continuado a falar mas o Martim entrou no nosso
quarto e acabou deitado no meu de nós, os minutos seguintes foram a três bem
como os dias que se seguiram, o Ruben andava numa felicidade extrema e confesso
que a cada dia que passava ficava mais serena da decisão que tomei.
Hoje acordei disposta a falar com os nossos amigos até
porque o Martim já podia finalmente sair de casa e por isso levei-o a ver o
Nuninho. Estava na sala à conversa com a Patrícia quando o Ruben e o Nuno
chegaram, aproveitei que estávamos só os quatro uma vez que o Martim brincava
com o Nuninho no seu quarto e a Inês tinha saído da sala para contar a novidade
aos nossos amigos.
Eles reagiram bem tal como esperávamos mas acabamos por nos
calar assim que a Inês entrou na sala e pela primeira vez a presença dela não
me incomodou algo que o Ruben deve ter percebido porque sorriu. Estava na
conversa com o Nuno quando o Martim entrou e sentou-se ao colo do Ruben, algo
que não passou despercebido à Inês que resolveu mandar a piada ao afirmar que o
Ruben agora anda a dar numa de pai de um filho que não é dele, não gostei do
que ouvi mas não cheguei a responder porque o Ruben fê-lo por mim.
- Inês, estou mesmo a
dar numa de pai, o Martim pode não ser meu filho biológico mas amo-o como se
fosse.
- Cada vez
convenço-me mais que a agitação de Lisboa anda a fazer-te falta.
- Posso saber porquê?
- Onde é que está
aquele Ruben que gosta de sair e se divertir com os amigos, aquele que afirmou
que não seria por vir para Braga que deixaria de conviver com o pessoal, aquele
que prometeu visitar-nos sempre que pudesse.
- Inês, podes parar
por aí, sou o mesmo Ruben.
- Não, não és mas
também não vou estar a discutir isso contigo, já és grandinho o suficiente para
fazeres as tuas próprias escolhas e viver com elas.
O Ruben não respondeu até porque a Inês deixou-nos sozinhos
no entanto as suas palavras não saiam de forma alguma do meu pensamento, ainda
assim tentei ignorar esse facto e aproveitar o resto da tarde de domingo ao
lado do Ruben, do Martim e dos nossos amigos.
Depois do jantar o meu irmão ficou com sono e por isso
foi-se deitar no quarto onde sempre dormiu mas foi o Ruben que o acompanhou,
uma vez que fui deitar o Nuninho que também estava a fazer birra. Acabei por
juntar-me aos meus dois amores mas quando entrei no quarto do Martim já ele
dormia.
- Amor anda -
agarrei-o pela mão e fomos até ao meu quarto.
- O que é que estás a
fazer? - perguntou-me quando viu-me a abrir o roupeiro, onde ainda tinha a
maioria da minha roupa e a retirar um vestido de lá.
- Quero ir dar uma
volta - olhou-me - ou não queres?
- Amor por mim vamos
mas e o Martim?
- O Martim está a
dormir, duvido que acorde e se acordar a Patrícia olha por ele.
- Estou a ver que
pensaste em tudo - sorriu.
- Ainda tens duvidas
que namoras com alguém que pensa em tudo - o Ruben gargalhou - agora deixa-me mudar de roupa - pedi
afinal estava grudado em mim.
- Posso saber onde a
menina quer ir?
- Para qualquer lado
desde que longe daqui - falei enquanto mudava de roupa e sob o olhar atento
do Ruben.
- Amor, isso por
acaso não está relacionado com o que a Inês falou, pois não? - olhei-o - É que se está aviso já que não tem fundamento
nenhum - aproximou-se de mim - até
porque Braga não é Lisboa nem tem tanto sítio para onde se possa ir.
- Não estou
preocupada com o que a Inês diz ou deixa de dizer mas a verdade é que raramente
saímos.
- Tanto quanto sei
foste tu que quiseste isso.
- Eu sei -
beijei-o - e se queres saber não mudei
de opinião, continuo a querer ser o mais discreta possível mas isso não
invalida que voltemos a sair como sempre o fizemos - o Ruben sorriu para
logo de seguida beijar-me demoradamente.
- Ok, vamos então.
Assim que fiquei despachada saímos do quarto, passamos pela
sala para nos despedirmos deles e certificar-me que a Patrícia não se importava
de ficar a tomar conta do meu irmão. Quem se tentou colar foi mesmo a Inês mas
o Ruben deu-lhe para trás ao afirmar que já tínhamos coisas combinadas, o que
sinceramente deu-me vontade de rir mas como é lógico não o fiz.
Fomos beber café pelo centro da cidade mas dada a noite de
inverno que se fazia sentir terminamos por ir até à casa do Ruben, onde
passamos as horas seguintes a namorar sem ninguém para nos interromper.
- Amor, é verdade o
Natal está a aproximar-se - elevei a minha cara que até ao momento estava
no seu peito para o olhar - por isso
quero comprar um presente ao Martim só não sei o quê, queria que fosse algo
especial - sorri.
- Para o Martim basta
que esteja connosco.
- Pois isso -
olhei-o - amor onde é que estás a pensar
passar a noite de consoada?
- Em Lisboa.
- Isso quer dizer que
pudemos passar a noite juntos?
- Vais estar com a
tua família - interrompeu-me.
- Por isso mesmo
quero passar contigo e com o Martim, amor
gostava de puder partilhar a noite convosco e com a minha família.
- Ruben, vais passar
a noite na casa da tua mãe por isso não faz muito sentido irmos contigo.
- Se o problema é o
convite não ser feito pela minha mãe podes ficar tranquila porque vais
recebê-lo - olhei-o - a minha mãe
pediu-me o teu número para ligar-te - sorriu - aceitas?
- Adianta dizer que
não?
- A decisão é sempre
tua mas por mim está decidido.
- Ok, então conta
comigo e com o Martim mas agora tenho que ir.
- Não vais buscar o
menino, a esta hora está a dormir.
- Ruben, não quero
que acorde sem estar lá por casa mas se não queres ficar sozinho podes sempre
vir comigo, dormes lá e amanhã segues com o Nuno para o treino - sorriu.
- Amor, a Inês já
anda desconfiada se passo a noite lá - beijei-o sem lhe dar hipótese de
continuar.
- Não quero saber da
Inês para nada, além disso namoramos.
- Gosto de ouvir-te a
falar assim - beijei-o.
- Vá, vamos que quero
ir ver o Martim - sorriu - o que
foi?
- És mesmo mãe
galinha - olhei-o mas não respondi até porque o Ruben uniu os nossos
lábios, ainda trocamos alguns mimos mas acabamos por ir até à casa dos nossos
amigos.
Fui até ao quarto do meu piolho que continuava a dormir, por
isso não perdi tempo e juntei-me ao Ruben que já estava no meu quarto, entrei e
a visão que tive deixou-me com um sorriso no rosto, o meu amor não perdeu tempo
e ajudou-me a ver-me livre da minha roupa, acabamos por nos amar e só depois
adormecemos nos braços um do outro.
***
Acordei primeiro que o Ruben mas fiquei a observá-lo por uns
minutos até que o vi mexer-se não resisti por muito mais tempo e aproximei-me
ainda mais dele iniciando uma sessão de pequenos beijos repinicados pelo seu
rosto que culminou com uma união perfeita das nossas bocas.
- Bom dia amor -
falou assim que separamos os lábios - Vai
ser tão bom poder acordar todos os dias contigo do meu lado - sorri - ainda parece um sonho - suspirou.
- Talvez seja mesmo
um sonho - beijei-o - mas um sonho
tornado realidade - sorriu.
- Amo-te.
- A quantas é que não
deves já ter dito isso - espicacei-o.
- Não foram assim
tantas e sabes bem disso mas a verdade é que menti a todas - olhei-o - pois só contigo é que descobrir o que é
amar na plenitude - voltou-se na cama deixando-me por baixo dele - Mariana, hoje sei que o que vivi e senti no
passado foi paixão e não amor, porque amor é o que sinto por ti sem a sombra de
dúvidas - olhava-o atenta - a
verdade é que nunca senti algo assim
tão forte por ninguém.
Não respondi limitei-me a unir as nossas bocas e o que era
um beijo inocente depressa deixou de o ser e ainda mais depressa vi-me livre da
camisola do seu pijama, estávamos dispostos a amarmo-nos mas fomos
interrompidos por quem não esperava, a Patrícia entrou sem pedir e apanhou-nos
numa troca de mimos ainda minimamente decente.
- Desculpem -
quando reparou apressou-se a pedir perdão e a fechar novamente a porta,
inevitavelmente gargalhei perante a situação algo que fez o Ruben olhar-me
surpreso.
- Que foi?
- Nada mas pensei que
fosses ficar envergonhada e afinal achaste piada - beijei-o.
- Teve a sua certa
piada - beijou-me novamente - a
Patrícia ficou mesmo atrapalhada.
- Quem a mandou abrir
a porta sem pedir autorização.
- Ruben,
provavelmente pensou que o quarto tivesse vazio - sorrimos - afinal não avisamos que vínhamos cá dormir
- sorri - por isso o melhor é
levantarmo-nos até porque tens treino e o Martim hoje já vai à escola.
O Ruben concordou comigo e por isso vestimo-nos, fui acordar
o meu piolho e depois de vesti-lo fomos comer. O Martim assim que viu o Ruben
apressou-se a dar-lhe um beijinho ternurento o que fez os nossos amigos
sorrirem e a Inês olhar intrigada. O Ruben e o Nuno saíram para o treino
enquanto fui levar o meu piolho à escola.
Como será os próximos tempos? Que surpresas irá ter o casal?
Desculpem a demora mas estive uns dias de férias por isso foi impossível deixar-vos um novo capítulo. Espero que estejam a gostar do rumo da história e se puderem comentem para saber quais as vossas expectativas.
Beijinhos :D
Olá!
ResponderEliminarJá tinha saudades desta família :)
Agora esta Ines e que ja podia ir pastar. Nao simpatizo muito com ela. Espero que nao venha estragar o casalinho.
Espero pelo proximo!
Beijo
Ana
Olá :D
ResponderEliminarGostei muito!
Quero o próximo ;)
Beijinhos
Ritááá xD
Já tinha saudades de vir cá! E só te posso dizer que adorei, adorei e adorei!
ResponderEliminarAinda bem que a Mariana cedeu ao pedido, é na casa do Ruben que eles estão bem, assim beeem juntinhos :P
Mas vá, agora quero muito saber o que se segue e fico ansiosa à espera do próximo!
Beijinhos minha linda :)
Ui ui, esta Inês, vai fazer estragos?
ResponderEliminarGostei muito :D e boa pergunta, qe surpresas irão ter eles? Quero saber...
Beijinhoo
Olá :)
ResponderEliminarFico tão contente quando vejo que postaste xD é por escreveres de uma forma que nos vicia :p
Quanto ao capitulo( vou tentar ser original e não usar sempre os mesmos adjectivos)estava fenomenal!
Mas acabo sempre a pedir o próximo rápido e este não é excepção!
Quanto ao casalinho desde que estejas juntos,sem "terceiros" e com o pequeninho que torna isto tudo uma grande família tudo muito bem;D
Fico à espera do próximo.
Beijinhos
Rita
http://lifegoesonr.blogspot.pt/
Adoro, adoro, estou mortinha p ver o casal a viver juntinhos ;)
ResponderEliminarNão estou a perceber a cena da Inês ainda não saber q são namorados... então o q ela acha???
Quero mais!!!!
Beijinhos
Adorei, e agora que a Mariana concordou em viver com o Ruben, agora sim são uma verdadeira família. O problema do Martim está desvendado, o puto tá apaixonado, coitadinho tão novinho e já foi apanhado nas teias do amor, é de pequenino é que se começa, vamos ver se ele não apanha nenhum desgosto.
ResponderEliminarNão acredito que a Inês seja assim tão tapadinha que ainda não tenha percebido que o Ruben e a Mariana namoram. As sonsas são as piores, e ela tá dar uma de sonsinha, e não me tá a agradar nadinha.
Adoro tudinho, por isso é que quero mais.
Espero que as férias tenham sido boas, ao menos para descansares um bocadinho.
Beijocas
Fernanda
Surpresas só se forem boas! haha E que essa Inês não procure se meter onde não é chamada u_u
ResponderEliminarQuero mais, tá perfeito! <3
Gabii *-*