terça-feira, 17 de julho de 2012

040 “- A gente vem viver cá para a tua casa?”

Ruben

Acordar com a Mariana nos meus braços foi algo muito bom, principalmente depois da noite que tivemos, tentei mimá-la um pouco mas o seu lado de irmã responsável não deixou, afinal o Martim tinha jogo e só por isso é que acabei por concordar em sair da cama. Fui acordar o menino e uns minutos depois quando já estava a vestir-se a Mariana apareceu, trocou algumas palavras com o miúdo mas saiu deixando-nos aos dois sozinhos.
- Ruben, posso fazer uma pergunta?
- Diz - respondi quando o estava a ajudar a atar os ténis.
- A gente vem viver cá para a tua casa? - olhei-o.
- Queres?
- Não sei - encolheu os ombros - mas acho que sim - sorri com a cara que fez.
- Martim, a ideia de vos ter aos dois sempre pertinho de mim agrada-me mas ainda é muito cedo para pensarmos nisso - olhou-me.
- Porquê?
- Porque o nosso namoro ainda é muito recente - interrompeu-me.
- Mas tu gostas dela ou tás a mentir? - perguntou quando já estávamos no meu quarto uma vez que fui vestir-me.
- Amo a tua irmã mas ainda assim queremos ir com calma, até porque queremos continuar a manter o namoro em segredo e se vocês se mudarem para cá vai ser complicado, entendes?
- A mana não quer que saibam que namora contigo por causa das tuas fãs né? - gargalhei ao ouvi-lo.
- É mais ou menos isso mas Martim lá porque não estamos a pensar viver juntos não é impedimento para vires cá dormir as vezes todas que quiseres - o miúdo sorriu - gostaste do quarto?
- Sim - falou animado - é grande e só meu - sorri ao ouvi-lo.
- Mas na casa do Nuno também tens um quarto só teu.
- É diferente.
- Como assim?
- Lá é a casa do Nuno aqui é a tua.
- O que queres dizer com isso?
- Então se és o namorado da mana esta casa também é um bocadinho dela por isso é minha também - sorri com a dedução do puto.
- Tens saudades de ter um espaço só teu, um cantinho como tinhas em Lisboa na vossa casa, é isso?
- Sim.
- Tens saudades de viveres em Lisboa?
- Só tenho saudades dos nossos amigos mas aqui a mana tá mais feliz e também fiz novos amigos.
- Martim - olhou-me - quando tiveres muitas saudades dos teus amigos de Lisboa diz que se puder levo-te lá, pode ser?
- Fixe - falou novamente animado.
- Mas agora vamos que tens de comer para irmos embora.
O puto não respondeu, simplesmente saiu do quarto a correr e quando cheguei à cozinha já estava sentado ao lado da Marina, passei por trás dela e dei-lhe um beijo na sua nuca o que fez o menino sorrir. Comemos em paz e sossego o que fez com que a vontade de ter isto todos os dias só aumentasse mas não ousei abrir a boca para dizer tal coisa.

***

Estávamos a ver o jogo do Martim e apesar de afastados dos restantes pais deu para perceber que havia um ou outro mais curioso e por isso nos observavam, ainda assim ninguém nos incomodou.
O jogo já estava quase a terminar quando vi o Miguel a aproximar-se, deixei-me estar no meu canto apesar de o ver a cumprimentar a Mariana cheio de sorrisinhos.
- Então agora também vens aos jogos do Martim? - perguntou-me após o ter cumprimentado.
- Não vês que sim - respondi calmamente.
- Estás a querer dar numa de pai, é? - olhei-o.
- Não, estou a dar numa de amigo e namorado da irmã dele, que por acaso foi convidado pelo próprio Martim para assistir ao jogo e como até estou de folga aproveitei para passar não só a manhã como o dia inteiro com o Martim e com a minha namorada em paz e sossego.
- Estás a insinuar que estou aqui a mais? - perguntou ao sentar-se ao lado da Mariana que se mantinha alheia à conversa e atenta ao seu irmão.
- Não, estou num local público logo não posso impedir quem quer que seja de se sentar perto de mim, muito menos um colega de profissão com quem não tenho qualquer tipo de problema desde que se mantenha afastado da minha namorada.
- Isso é algum recado - sorriu ironicamente - é que se é lamento mas não tenciono afastar-me de ninguém a menos que seja essa pessoa a pedir - a forma como o disse irritou-me mas não respondi decidi ignorar e concentrar-me no jogo do miúdo, até porque a Mariana fez questão de se abraçar a mim, algo que surpreendeu-me devido ao local onde nos encontrávamos.
- Ruben - o puto mal acabou o jogo correu na nossa direção e sentou-se ao meu colo - viste o golo que marquei? - sorrimos perante a animação dele.
- Sim.
- Gostaste - a Mariana olhou-nos enternecida - eu esqueci de dedicar - gargalhamos - mas foi para ti mana - abraçou-a e deu-lhe um beijinho demorado - e para ti também porque ajudaste a convencer a mana a deixar-me jogar - falou já sentado ao meu colo novamente - gosto muito de ti - abraçou-me o que deixou-me com um enorme sorriso no rosto e não pude evitar de olhar para o Miguel que observava toda a cena calado e com o Ricardo junto de si.
- Ó piolho também gosto muito de ti mas o que dizes de irmos embora?
- Tá bom mas onde vamos?
- Agora vamos até casa para tomares um banho e depois é surpresa - olhou-me - despede-te dos teus amigos para irmos embora.
- Já venho - respondeu quando já ia a correr na direção dos amigos que ainda se encontravam junto ao campo.
- Posso saber que surpresa é essa que o menino tem preparada? - sorri ao ouvir a Mariana - Que por acaso não fui informada?
- Se é surpresa é normal que não saibas - sorriu - mas vamos almoçar com o Nuno e a Patrícia para depois irmos dar um passeio os três.
- Hum, agrada-me a ideia - olhou-me de forma cúmplice.
- Vamos - o Martim perguntou ao chegar junto de nós.
- Sim - a Mariana respondeu-lhe e depois de nos despedirmos do Miguel e do filho caminhamos até ao meu carro.
Conduzi até à casa do Nuno e assim que entramos o Martim foi a correr ter com os nossos amigos que se encontravam na sala, o miúdo estava radiante por ter marcado o primeiro golo em jogos e por isso não perdeu tempo a contar a novidade, por ele tinha continuado à conversa mas a Mariana levou-o para tomar banho.
- Puto conta lá como correu a primeira noite em família - o Nuno meteu-se comigo assim que ficámos só os três.
- Deixa lá as piadas de lado.
- Ui que o puto trocou-te as voltas, foi? - a Patrícia sorriu.
- Será que ainda não entendeste que não vou estar a falar disso? Se a Mariana ou o Martim quiserem é lá com eles mas de mim não vão ouvir um ai que seja.
- Bem estás mesmo com vontade que seja para valer - o Nuno continuou com as piadas dele.
- Nuno, amo a Mariana e sim quero mesmo que seja para valer.
- Agora a sério como é que o miúdo reagiu? - desta foi a Patrícia que perguntou.
- Bem, aliás muito melhor do que esperava, portou-se lindamente.
Continuamos a falar e só interrompemos a conversa quando o Martim entrou na sala acompanhado pela Mariana, o meu amor sentou-se ao meu lado, isto depois de ir pegar no Nuninho que estava ao colo da Patrícia, enquanto o Martim se sentou ao meu colo e começou a contar as novidades, em menos de nada já os nossos amigos sabiam que tinha adorado o quarto bem como a noite e o acordar, a Mariana estava tranquila e não se incomodou nem um pouco em pedir mimos, estávamos abraçados e a olharmo-nos quando o Martim que continuava ao meu colo pediu que dessemos um beijinho, algo que a Mariana fez sem perder tempo, foi dela a iniciativa de unirmos as nossas bocas, o puto delirou o que provocou a gargalhada nos nossos amigos.

***

 - Onde vamos? - o Martim perguntou assim que entramos novamente no meu carro, isto depois de um almoço animado partilhado com os nossos amigos.
- Passear - respondi calmamente.
- Mas passear onde?
- Surpresa - a Mariana sorriu.
- Ó diz lá.
- Lá - brinquei com ele.
- Tás a gozar comigo - fez beicinho
- Não precisas ficar chateado e se queres mesmo saber vamos ao Parque da Ponte.
- Não sei onde fica.
- É da forma que vais conhecer um sítio novo.
O miúdo não falou mais o que permitiu que desse um pouco de atenção à Mariana que estava a olhar-me com um sorriso lindo no rosto e sem que estivesse à espera colocou a sua mão na minha perna fazendo questão de percorrer lentamente a distância que separa o meu joelho do início da perna, estava atento a ver até onde iria mas a Mariana comportou-se devidamente e deixou-se ficar só com a mão na minha perna sem provocar o minino que fosse.
Estacionei o carro e mal o fiz o Martim saiu imediatamente do mesmo ainda assim ficou à nossa espera, o que permitiu que pudesse matar algumas saudades da Mariana, beijei-a sem pudor e só quando aniquilamos um pouco do desejo que nos percorria as veias é que saímos do carro.
- Mana vamos - o miúdo deu-lhe a mão mal a Mariana saiu do carro.
- Espera pelo Ruben - pediu e só aí é que o menino parou de puxá-la, aproximei-me deles com a intenção de caminhar ao lado do meu amor mas o puto trocou-me as voltas ao querer dar-me a mão também, acabei por lhe fazer a vontade e caminhamos pelo parque com o Martim no meio de nós.
O Martim estava a adorar o passeio, ele adora andar a correr e estar em contato com a natureza por isso não foi difícil satisfazê-lo, já estávamos fartos de andar quando nos sentamos na relva ou melhor a Mariana sentou-se no meio das minhas pernas já o puto continuava a brincar sozinho.
- O que tens? - perguntei ao vê-la distante.
- Nada - sorriu - estava só a pensar em como é bom sentir-me amada - beijou-me.
- Sabes o que é que o Martim perguntou quando saíste do seu quarto hoje de manhã? - sorri ao relembrar a nossa conversa.
- Não, mas vais contar - por esta altura já estávamos deitados na relva com a Mariana com a cabeça no meu peito.
- Amor - olhou-me - o teu irmão perguntou-me se agora que namoramos se veem viver comigo.
- O que é que respondeste?
- A verdade, que queremos ir com calma mas que pode dormir lá as vezes que quiser desde que seja conciliado com o teu trabalho - sorriu - sabes que ele ainda disse que como somos namorados que a minha casa é um bocadinho tua logo dele também.
- Anda muito saído da casca - beijou-me - tenho que ter uma conversa com aquele menino.
- Amor, o puto não disse nada que não seja verdade se formos a ver a casa até foi escolhida por ti - olhou-me - tem tudo para ser vossa também - suspirou.
- Já falamos sobre isso.
- E continuo a dizer o mesmo mas isso não impede que pense num futuro convosco ao meu lado.
- Ruben - sentou-se a olhar-me - por falar em futuro - sentei-me também - já sabes alguma coisa do teu?
- Estás a falar de ficar em Braga?
- Sim, afinal só estás cá por empréstimo, podes ter que regressar a qualquer altura, certo?
- A regressar só no início da época que já passou ou então em Janeiro mas não estou a ver isso a ser possível.
- Mas se houver essa hipótese?
- Se houver essa hipótese terá que ser discutida por nós os dois - olhei-a - não faz sentido ser de outra forma.
- Ruben mas é a tua vida, a tua profissão e aquilo que adoras fazer.
- Tens razão, é a minha vida - olhei-a - que só faz sentido se conseguir continuar ao vosso lado.
- Não é por ires para Lisboa que temos que nos afastar.
- Mariana isso está fora de questão, apesar de ser situações e sentimentos diferentes já passei por meses de ausência por isso é algo que não quero repetir, por muito que se fale que a distância reforça um sentimento verdadeiro e destrói um falso, não acredito nisso porque simplesmente não vou ser capaz de estar longe de vocês os dois.
- Mas é do teu futuro que estamos a falar.
- Não, é do nosso - olhei-a - Mariana qualquer decisão que tenha que tomar será sempre a dois.
- Ruben promete que nunca dirás um não só porque poderás ter receio de perder-me - olhou-me - independentemente de tudo e desde que estejamos juntos nada nos vai separar, amor ao contrário de ti que não podes moldar-te à minha vida e à do Martim, nós os dois podemos moldarmo-nos à tua, é lógico que não será algo repentino mas com calma conseguimos.
- Estás a dizer que se tiver que regressar a Lisboa veem comigo?
- Se tiver que ser - falou conformada.
- Amor, pode ser que isso não venha a acontecer por isso não vamos pensar muito no assunto, até porque acredito mesmo que vou cumprir o empréstimo até ao fim.
- Mas são só mais uns meses, depois terás que regressar ou então sairás do Benfica para outro clube qualquer.
- Pode ser que esse clube seja o Braga ou então outro longe de Lisboa e dos teus fantasmas.
- Isso não interessa, promete só que não vais dar uma resposta sem falarmos primeiro.
- Amor, venho a dizer isso desde o início - beijei-a - amo-te e só faz sentido se partilharmos tudo um com o outro principalmente estas decisões que afetam os dois.

A Mariana não respondeu, voltou a deitar-se mas agora com a sua cabeça apoiada nas minhas pernas, estava a fazer-lhe uns carinhos quando reparei que o Martim estava a dar numa de macaco, foi impossível não gargalhar o que despertou a curiosidade da Mariana que ao ser informada se levantou imediatamente, lógico que não achou piada à situação e menos ainda por ter gargalhado mas confesso que bateu uma saudade de fazer o mesmo que o puto, afinal qual é a criança que em pequena não adora subir às árvores.
Depois de um momento mais “sério” com a Mariana a repreender o Martim acabamos por regressar ao carro, o puto avisou que já estava com fome e só aí e que percebemos que as horas passaram sem que dessemos conta. A pedido do miúdo e depois de muito insistir com a irmã fomos até ao Mcdonald’s, estávamos já a comer quando um miúdo se aproximou da mesa e muito envergonhado pediu um autógrafo, prometi que lhe dava no fim de comer e só por isso é que o miúdo regressou para juntos dos pais que também se encontravam a comer.
Lanchamos sem mais interrupções e quando acabamos o Martim ainda pediu um gelado à irmã, que acabou por ceder e por isso fui com ele comprar, estávamos na fila para ser atendidos quando uma rapariga se meteu comigo, não liguei nenhuma já o Martim parece que não gostou nem um pouco e fez questão de o demonstrar ao virar-se para a rapariga e dizer-lhe com as letras todas que estava a chatear, confesso que a vontade de gargalhar foi imensa principalmente porque vi a rapariga, já adulta, a virar-se e a desaparecer da nossa frente.
- Ruben - olhei-o - elas são sempre assim chatas - sorri.
- Ás vezes - respondi serenamente.
- Não gostei dela.
- Porquê?
- Porque só faltou agarrar em ti - sorri ao ouvi-lo.
- Lindo, sabes que isso às vezes acontece mas não te preocupes que só gosto da tua mana - tentei tranquiliza-lo - são vocês os dois que trago no meu coração por isso as outras bem podem tentar falar comigo mas não vai mudar nada, percebes?
- Sim mas não gosto na mesma - sorri mas não respondi porque a nossa vez de ser atendidos chegou, o Martim escolheu o gelado e depois de o pagar regressamos para a mesa, avisei que ia só dar o tal autógrafo ao menino e que já regressava.
Uns minutos depois já estava novamente na companhia do Martim que fez questão de se sentar ao meu colo, algo que permiti e por isso deixei-o contente, não me livrei no entanto de ouvir a Mariana, é que enquanto estive ausente o irmão contou-lhe o episódio com a rapariga, o que fez com que o meu amor à primeira oportunidade mandasse a piada, lógico que foi na brincadeira ainda assim o Martim adorou ouvi-la a avisar-me para ter juízo.

***

- Ruben, entras? - sorri ao ouvi-la a perguntar se entrava.
- Isso nem se pergunta, lógico que entro - tentei beijá-la mas a Mariana fugiu com a cara - então?
- Então nada - sorriu - anda - puxou-me pela mão e entramos em casa do Nuno, onde encontramos o Martim a brincar com o Nuninho uma vez que não perdeu tempo e assim que estacionei o carro entrou imediatamente em casa deixando-nos sozinhos.

Mariana

Desde ontem que ando a sentir-me nas nuvens o que está assustar-me afinal nunca fui habituada a tanto mimo e muito menos a ter esta atenção toda por parte de uma única pessoa que por sinal faz o meu coração palpitar de uma forma brutal.
O dia foi excelente mas assim que entrei em casa senti uma necessidade de isolar-me no meu mundo por uns minutos e só por isso fui direta ao quarto deixando o Ruben na sala. Estava deitada a pensar em tudo o que se passou nestas últimas quarenta oito horas quando bateram na porta, por pensar que seria o Ruben dei imediatamente permissão para entrarem mas ao contrário do que esperava foi a Patrícia que entrou.
 - Posso? - perguntou antes de se sentar.
- Sim - sorri.
- Como é que estás?
- Bem não seria suposto? - sorriu.
- Só quis certificar-me que está tudo bem, é que vieste para o quarto e deixaste o Ruben sozinho.
- Ah isso - suspirei - estava a precisar dos meus cinco minutos.
- Queres falar? - olhei - Se quiseres só estou de ouvidos.
- Patrícia - hesitei o que fez com que falasse.
- O que é que se passa? Já quando vieram almoçar notei que alguma coisa te estava a incomodar, podes falar.
- Não é incomodo - olhou-me - é mesmo medo que amanhã acorde e que tudo o que se passou principalmente nestas últimas vinte quatro horas vire simplesmente um sonho.
- Foi assim tão bom que custa acreditar que viveste mesmo estas vinte e quatro horas?
- Foi - levantei-me da cama e fui até à varanda seguida pela Patrícia - perfeito - suspirei - o Ruben foi único - sorriu - Patrícia, ele foi o primeiro rapaz que não se aproximou só de mim mas também do Martim, nunca tive nada disto e sinceramente tenho medo de perdê-lo.
- É normal que sintas esse medo, afinal estás a amar e depois veres o Ruben a fazer tudo para que o Martim não estranhe mas principalmente não se sinta colocado de parte só faz com que queiras ainda mais que resulte, como falaste nunca antes nenhum namorado deu-te o apoio que o Ruben está a dar logo é perfeitamente normal que tenhas receio mas o rapaz ama-te, aliás já o conheço a alguns anos e posso dizer-te que nunca o vi com aquele brilho que tem no olhar quando apareces à frente dele.
- Não tenho dúvidas que o Ruben ama-me - a Patrícia sorriu - mas a verdade é que somos de mundos diferentes - interrompeu-me.
- Mariana, esquece isso, tens um passado como o Ruben tem o dele mas os vossos caminhos cruzaram-se e só isso interessa, deixa de uma vez o passado onde pertence e vive o presente, tens um irmão para criar e se o Martim puder ter do seu lado não só a irmã mas também o namorado dela, deixa-o ter, sabes perfeitamente que o Martim adotou o Ruben como pai muito antes de vocês admitirem um ao outro o amor que sentiam, o teu irmão tem esta ligação forte ao Ruben, dá-lhes a oportunidade de reforçarem ainda mais os laços que já os unem, entrega-te a esta relação mas principalmente ao Ruben.
- Já me entreguei - suspirei levando-a a sorrir - e talvez por isso é que estou com medo de o perder.
- Agora não entendi.
- Patrícia - olhei-a por segundos mas acabei por desviar o olhar - o Ruben tem-me de uma forma que nenhum outro teve.
- Como assim? - olhei-a mas não respondi - Mariana tu és ou eras - sorri e não a deixei continuar.
- Era até ontem.
- Ah agora já percebo o teu receio - olhei-a - experimentaste e agora que sabes que é bom não queres ficar sem isso - sorriu.
- Não é nada disso.
- Então?
- O Ruben veio para Braga por empréstimo que termina daqui a uns meses - interrompeu-me.
- Mariana, estás a sofrer por antecipação e sem razão nenhuma, o Ruben independentemente da decisão que tiver de tomar de certeza que vai ser sempre a pensar nos três.
- Por isso mesmo - olhou-me - não quero que deixe de seguir a sua vida por causa de mim e do Martim.
- Estás a arranjar um problema onde não existe, Mariana já largas-te tudo para o bem do teu irmão se tiveres que fazer isso novamente mas pelo bem dos três irás conseguir sem qualquer problema.
- Mas há uma diferença, quando saí de Lisboa vim para um sítio onde sabia que iria ter emprego e alguma estabilidade para educar o Martim.
- Estabilidade para educares o teu irmão terás sempre, aliás com o Ruben do teu lado ainda tens mais, quanto ao emprego compreendo o que queres dizer, afinal também faço questão de ter o meu para não depender financeiramente do Nuno mas sinceramente acho que devias aproveitar a oportunidade para te dedicares a ti, rapariga o Ruben já por diversas vezes afirmou que devias regressar à faculdade e de certeza que se demonstrares vontade será o primeiro a apoiar-te, quanto ao dinheiro e apesar de não estar na cabeça do Ruben não é difícil adivinhar que não será problema, por muito orgulhosa que sejas deixa-o ajudar-te, hoje é ele a dar amanhã poderás ser tu, é isso que um casal faz.
- Ele não tem obrigação de o fazer nem eu me sinto bem com isso.
- Tudo bem, também não precisas pensar nisso agora, vive um dia de cada vez e quando chegar o momento de decidirem fazem-no em conjunto.
- O Ruben disse-me o mesmo esta tarde quando abordei este assunto - sorriu - diz que qualquer decisão que tomar será a dois, que vou ter uma palavra a dizer e é disso que tenho medo.
- Como assim?
- Tenho receio de ser demasiado egoísta.
- Mariana se há coisa que não és, é egoísta, estás a antecipar um problema quando nem sequer vai existir ou achas mesmo que se o Ruben chegar junto de ti e disser que tem a oportunidade de regressar ao Benfica ou ir para outro clube com melhores condições que não vais atrás dele no mesmo instante. Acabas-te de admitir que o Ruben foi o teu primeiro e desculpa lá se aos vinte sete anos resolveste ceder não foi porque sentiste pressionada, foi porque tinhas certezas que querias isso, certeza essa originada pelo amor que sentes e que tens consciência que é completamente correspondido, a juntar a isso já percebeste que tens um homem do teu lado disposto a assumir uma responsabilidade que não é dele, a amar o teu irmão como se fosse vosso filho, por isso deixa-te de coisas e vai até à sala que tens lá a pessoa que te pode retirar essas dúvidas todas - respirei profundamente - ou será que estás arrependida de alguma coisa que possas ter feito?
- Não - respondi prontamente e foi impossível não sorrir ligeiramente - disso não me arrependo - a Patrícia sorriu.
- Então vai ter com ele que a esta hora já deve estar a desesperar um beijo teu - sorri - e vê se tiras essas ideias da cabeça.
Não respondi, limitei-me a seguir o seu conselho regressando à sala e mal entrei um sorriso delineou os meus lábios ou não fosse o Ruben estar à conversa com o Martim num momento de completa cumplicidade que só foi interrompida quando deram pela minha presença, aproximei-me dos rapazes e ao sentar-me do lado do Ruben, este uniu os nossos lábios num beijo calmo mas que transmitiu-me a tranquilidade que precisava, deixei-me ficar abraçada ao Ruben e só nos separamos quando fomos jantar.
Comemos com muita conversa à mistura e no final o Nuno e a Patrícia surpreenderam-nos com uma revelação ou melhor surpreenderam o Ruben porque no que toca a mim já andava desconfiada, uma vez que os enjoos da Patrícia eram cada vez mais frequentes, lógico que ficamos felizes por eles, ainda para mais sabendo nós que a Patrícia queria e muito voltar a engravidar.
O resto do serão foi passado com os nossos amigos, isto depois de ter ido deitar as crianças, estávamos na mera cavaqueira quando lembrei-me de avisar ou melhor de pedir o fim-de-semana de folga, lógico que não tive qualquer problema até porque o Nuno já estava a par da surpresa que o Ruben tinha feito. Eles acabaram por se irem deitar e quando o Ruben já se preparava para ir embora impediu-o ao reclamar por mimos, o meu amor cedeu e voltou a sentar-se no sofá, ficámos a namorar e uns minutos depois já os mimos tinham deixado de ser inocentes para passar a algo mais provocatório, foi de tal ordem que o Ruben passou a noite no meu quarto e bem juntinho a mim.

***

Os dias passaram e o fim-de-semana aproximava-se a uma velocidade estonteante, já tinha tudo preparado para no sábado seguirmos até ao Gerês quando o meu piolho acordou na sexta com febre, lógico que já não o mandei para a escola. As horas passaram e como a febre não diminuiu resolvi levá-lo ao hospital, passei lá a tarde e após algumas horas de espera veio o diagnóstico, lógico que o fim-de-semana ficou imediatamente sem efeito por muito que quisesse estar dois dias a com o Ruben não iria nunca deixar o meu piolho sozinho além disso iria precisar de mim durante os próximos dias.

O que terá o Martim? Será grave? Como irá reagir o Ruben quando souber da notícia?


11 comentários:

  1. Olá : )
    Adorei o capítulo ; )
    Estou curiosa para ler o próximo!
    Espero que o Martim nao tenha nada de grave!
    Beijinhos
    Ritááá xD

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  2. Olá!
    Adorei o capítulo como sempre!
    Já andava ansiosa para o ler... :)
    Beijinhos

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  3. Vamos lá ver se realmente o Ruben tiver de mudar de clube, se será feita a melhor decisão para os dois... Agora, o fim de semana foi-se mas de certeza qe virão mais e o qe é qe terá o Martim? :\
    Beijinho

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  4. Olá :)
    Apesar de me sentir privilegiada :P quero o próximo e muito muito rápido se possível xD
    Beijinhos
    Rita

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  5. Adorei... e quero mais!!!!
    Muito mais que isto hoje só me pareceu meio capitulo!

    bjokinhas
    Maria

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  6. Ai tantas duvidas da Mariana...
    Hum...nada que o Ruben nao cure xD
    AGora isto do Martim é que é pior...
    Fico à espera do proximo!

    Beijo
    Ana

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  7. eu só espero que nao seja nada de grave que o puto tenha, logo agora que iam passar uns dias ao geres!! tá muitoo bom, quero muito o proximo!

    aguardo noticias tuas! ;)

    beijinhos

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  8. Como já vem sendo hábito, ADOREI, mas concordo com a Maria, isto parece ser só meio capitulo, onde está o resto menina Caty? E agora ainda por cima ficamos aqui a pensar o que é que o puto tem, e assim se foi um fim de semana no Gerês.
    Fico à espera do próximo!

    Beijocas

    Fernanda

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  9. fantastico...

    tou super curiosa para ver o proximo... quero mais...

    continua...

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  10. Muito bom, mesmo muito bom ;)
    Gosto tanto de ver o casalinho bem, aquele Miguel é que até a mim me estava a irritar.
    E agora quero saber o que se passa com o Martim, quero mais!!!!
    Adoro!!!
    Beijinhos.

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  11. Cada dia mais perfeito. Mas agora estou é preocupada com o piolhinho. Será que é algo grave? Espero que não. Continua *-*

    Gabii :)

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