Mariana
Depois que o Ruben saiu para ir buscar o meu irmão fui ter
com a Patrícia precisava de alguém para falar e por isso procurei-a por ser uma
amiga.
- Posso? -
perguntei ao bater na porta do seu quarto.
- Sim, entra -
encontrei-a deitada na cama.
- Não estás melhor?
- perguntei visivelmente preocupada.
- Não te preocupes
que isto passa - sorriu - mas diz lá
o que precisas.
- O Ruben quer que
conte o quanto antes ao Martim que namoramos - sorriu - mas não sei se o miúdo vai reagir bem.
- Mariana, o teu
irmão por muito que esperes vai estranhar sempre, ele até aqui tinha a certeza
que eras só dele e a partir do momento que lhe revelarem que namoram o Martim
irá ter a consciência que vai ter que te dividir com outro homem, vai estranhar
ao início mas depois vai adorar, ele gosta imenso do Ruben por isso não terás
problemas - olhou-me - faz a vontade
ao rapaz e conta ao teu irmão a verdade, independentemente da forma que ele
reagir o Ruben irá estar do teu lado.
- Obrigada, era isso
que precisava ouvir - sorriu.
- Não falei nada de
especial.
- Pois mas estava a
precisar ouvi-lo de outra pessoa sem ser o Ruben, agora só preciso arranjar uma
forma de contar ao Martim.
- Porquê que não
planeias um fim-de-semana a três - olhei-a - tipo vão para qualquer lado passar uns dias para que o Martim tenha a
perceção que não é por namorarem que o vão abandonar, que tencionam inclui-lo
nos vossos passeios e que vão continuar a amá-lo, sim porque uma coisa não
podes negar o Ruben ama o teu irmão como se fosse filho dele, o rapaz faz
qualquer coisa só para o ver bem.
- Vou pensar nisso
mais uma vez obrigada.
Ainda tive uns minutos à conversa com a Patrícia mas acabei
por sair, para preparar o lanche do meu irmão e ela resolveu regressar para
junto do Nuno por já se encontrar melhor.
Preparei o comer do meu irmão e quando já estava pronto fui
ver se já tinha chegado, foi quando ouvi o que não esperava, o Martim a tentar
angariar um pai mas a conversa acabou por azedar e se não fosse o Ruben a
colocar um ponto final naquilo acho que terminava mesmo comigo a meter o Martim
de castigo.
O Ruben foi impecável com o meu irmão ao acompanhá-lo à
cozinha e depois ao quarto para mudar de roupa, o meu amor estava demasiado
sereno ao contrário de mim que estava uma pilha de nervos talvez por isso
conseguiu passar a viagem toda da casa do Nuno ao estádio na brincadeira com o
puto.
Chegamos ao estádio AXA e o Ruben mostrou-nos o caminho para
chegarmos ao local onde seria a concentração das crianças, também foi ele que
tratou de tudo e que foi entregar o meu irmão aos responsáveis pelos miúdos,
fiquei simplesmente a observar a cumplicidade deles o que de certa forma ajudou
na decisão de lhe contar tudo. Estava perdida nesses pensamentos quando ouvi a
voz do Miguel atrás de mim.
- Parece que nos
vamos ver com mais frequência - virei-me e encarei-o.
- O que é que queres
dizer com isso?
- Nada de especial
- sorriu.
- Desculpa a
frontalidade mas entre nós os dois não existe nada e nem vai existir -
olhou-me - espero que esteja ciente
disso.
- Posso saber o
motivo de quereres manter esta distância - aproximou-se ainda mais - será que é porque tens medo de não
resistires - sorriu - ou será porque
não te sou indiferente?
- Miguel não mistures
as coisas, não sinto rigorosamente nada por ti, és só o pai de um amigo do meu
irmão com quem não tenho problema nenhum de passar horas na conversa desde que
só como conhecidos ou amigos mas a partir do momento que existe uma hipótese do
teu lado de não ser só amizade prefiro afastar-me, não quero arranjar problemas
para o meu lado e muito menos para o teu.
- O que queres dizer
com isso?
- Que tenho namorado
e estou muito feliz com ele por isso a única coisa que te resta é afastares-te.
- É o Ruben, não é? É
por isso que falaste que não queres problemas para o teu lado e muito menos
para o meu, não foi?
- Quem é ou deixa de
ser o meu namorado não interessa.
- Mariana, não sou
cego, sei que o Ruben se rói todo quando nos encontra à conversa e vocês agora
têm andado mais próximos, ele até já vai buscar o teu irmão à escola e pelo que
vejo também veio ver o primeiro treino do Martim - olhei para trás e vi que
o Ruben se aproximava.
- O Ruben é amigo do
Martim por isso não há mal nenhum em ir busca-lo à escola ou em vir connosco ao
treino - o Ruben estava a olhar apesar de manter uma certa distância - mas se queres saber sim é com o Ruben que
namoro por isso respeita-nos aos dois principalmente a ele porque trabalham
juntos.
- Não te preocupes
que não vou criar confusões só espero que o Ruben tenha consciência da pessoa
que tem do seu lado.
- Fica descansado que
o Ruben tem melhor consciência disso do que qualquer outro homem que ande ao de
cima da terra.
- Ok, vou ter com o
meu filho e felicidades aos dois.
Teria agradecido se as felicidades não tivessem sido ditas
em tom irónico, resolvi ignorar isso e aproximei-me do Ruben.
- O que é que ele
queria? - perguntou-me imediatamente ainda assim estava sereno.
- Viu-me e veio
meter-se comigo, aproveitei e esclareci as coisas com ele.
- Isso quer dizer o
quê?
- Que te devo um
pedido de desculpas porque afinal tens razão - olhou-me - mas não precisas ficar preocupado porque já
esclareci as cenas com ele e expliquei que não terá hipóteses nenhumas comigo
uma vez que namoro contigo - olhou-me surpreendido.
- Contaste-lhe que
namoramos?
- Confirmei porque
ele já desconfiava.
- Amor, anda sentar-te
- puxou-me pela mão e sentamo-nos mais isolados dos restantes pais - preciso falar contigo - ele estava
estranho.
- O que se passa?
- Amor, quero que
contes ainda hoje ao teu irmão que namoramos - olhei-o - Mariana o miúdo está preocupado porque tens
andado estranha, já por diversas vezes perguntou ou deu a entender que gosto de
ti para andarmos aos beijinhos - sorri ao ouvi-lo - hoje pergunta-me se gosto dele como se fosse meu filho, além disso
pediu-me para lhe contar o que se anda a passar, amor não consigo continuar a
fingir, ele tem direito em saber.
- Não estava a pensar
dizer-lhe hoje mas sim no fim-de-semana.
- Porquê que vamos
adiar mais?
- Porque tive a falar
com a Patrícia sobre isso e ela deu a ideia de planearmos um fim-de-semana a
três para o Martim perceber que não será por namorar que o vou excluir dos
programas.
- Amor, podemos
planear o fim-de-semana na mesma mas contamos hoje.
- Logo vemos isso,
Ruben não sei como é que vou chegar junto do Martim e dizer-lhe que namoro
contigo - sorriu - que foi?
- Linda o Martim é
teu irmão mas mais parece teu pai estás com medo da reação dele.
- Não gozes.
- Amor não estou a
gozar mas só lhe tens que dizer a verdade.
- Já entendi mas
agora não quero falar mais sobre isso deixa-me curtir o primeiro treino do meu
piolho.
O Ruben não insistiu mais e ficamos a ver o Martim a tentar
fazer o que lhe pediam, no final o miúdo correu para os meus braços.
- Ó Ruben gostaste?
- perguntou assim que se sentou no meu colo.
- Gostei piolho e tu?
- Foi tão fixe -
sorrimos e teríamos ficado na conversa com o Martim mas fomos interrompidos por
algumas crianças que ao verem o Ruben Amorim ao lado do colega se aproximaram.
Fiquei a observar o Ruben no meio da criançada e quando ele
se viu livre dos miúdos foi a vez dos pais se meterem com ele, o meu amor
cumprimentou quem se aproximou mas acabou por se esquivar e por isso
conseguimos regressar a casa.
- Amor, vamos tomar
banho para depois ires fazer os trabalhos da escola.
- Mana, não tenho
trabalhos - olhei-o desconfiada - a
sério.
- Tudo bem mas mesmo
assim tens de ir para o banho.
- Posso ir sozinho?
- olhei-o surpreendida até aqui nunca pediu para tomar banho sozinho muito pelo
contrário queria sempre que fosse com ele.
- Não queres ajuda?
- Não já sou crescido
- sorrimos ao ouvi-lo - quero tomar
banho sozinho.
- Tomas banho sozinho
noutro dia, hoje andaste a correr muito por isso prefiro ajudar-te, pode ser?
- Ó mana -
refilou - já sou crescido para ficar nu
á tua frente - fiquei sem reação ao ouvir tal coisa já o Ruben, o Nuno e a
Patrícia gargalharam fortemente - não é
para rir - resmungou todo ofendido.
- Desculpa Martim
tens razão já és crescido para que a tua irmã continue a ver-te nu - tive
vontade de apertar o pescoço ao Nuno - concordo
que não deves deixá-la entrar na casa de banho mas sabes que a mana tem razão
hoje devias ter um adulto a ajudar-te porque vens cansado e transpirado do
treino e assim tinhas ajuda - o meu irmão olhou primeiro para mim e depois
à vez entre o Nuno e o Ruben.
- Anda - agarrou
na mão do Ruben - és tu que vens comigo
- os nossos amigos sorriram.
- Não sei se a tua
mana deixa - o Ruben picou-me.
- Não é ela que tem
de deixar sou eu.
- Vão lá os dois mas
juízo não quero a casa de banho alagada ouviram?
- Sim - falaram
ao mesmo tempo o que provocou a gargalhada no Martim.
- Ainda tens
problemas em contares a verdade - olhei para a Patrícia - o teu irmão há muito que já escolheu o
Ruben para teu namorado - o Nuno sorriu.
Não respondi, sai da sala porque tinha de ir escolher a
roupa para o meu irmão vestir, entrei no quarto e enquanto escolhia a roupa
percebi que o tema de conversa daqueles dois era futebol, deliciei-me
completamente com a conversa, o meu irmão estava a pedir conselhos ao Ruben que
os dava como se estivesse a falar com um filho, estava deitada na cama do puto
quando eles dois saíram da casa de banho com o meu irmão enrolado numa toalha.
- Mana o que tás a
fazer no meu quarto?
- Vim escolher a
roupa para vestires, está aí nessa cadeira - informei-o.
- Tá bom, vou vestir
- agarrou na roupa e regressou para a casa de banho.
- Sabes o que se
passa com ele? - perguntei ao Ruben quando ele se sentou na cama.
- Nada, porquê?
- Está estranho, não
deixa que o veja nu - o Ruben gargalhou.
- Sabes que os rapazes
chegam a uma altura e julgam-se muito crescidos.
- Ya mas isso é lá
mais para os catorze ou quinze, não aos sete anos.
- Enganas-te, os
putos hoje em dia são todos muito precoces.
- É só falta dizeres
que amanhã aparece aí com a namorada para a apresentar-me - ele sorriu.
- Deixa de ser
exagerada - deitou-se ao meu lado - o
puto amanhã já vai querer que o ajudes - sorriu-me.
- Gostei de ouvir-te
a falar com ele - confessei.
- Diz lá que não
tenho jeitinho, vá diz - desafiou-me conforme aproximava as nossas caras.
- Mana -
afastamo-nos imediatamente e ao olhar percebi que estava a chamar-me da casa de
banho, levantei-me e fui ver o que se passava.
- Posso - bati na
porta antes de entrar.
- Sim, ó mana não
consigo atar os ténis - sorri ao ouvi-lo
- Ó meu piolho anda
ali para o quarto que a mana já explica como se faz.
O Martim fez o que pedi e sentou-se na cama, onde a tarefa
de lhe tentar ensinar como se ata os atacadores se revelou complicada, por
muito que tentasse o puto não atinava com aquilo.
- Não percebes nada
disso - ouvi o Ruben - sai daí que
quem lhe vai ensinar sou eu - olhei-o.
- Sempre quero ver
isso.
- Então, vê e
aprende.
Estava sentada ao lado do meu irmão e atenta ao que o Ruben
lhe dizia para no fim de algumas tentativas ver o puto a conseguir atar os
atacadores, lógico que o Ruben olhou-me e gabou-se.
- Então ah e tal quem
conseguiu ensinar o puto, fui eu.
- Só conseguiste isso
porque és tão ou mais trapalhão a atar os atacadores que ele.
- O que interessa é
que o Martim já sabe.
- Ok, amanhã
conversamos - gargalhamos ao vermos que o puto estava atento à nossa
picardia.
- Mana tenho fome
- sorri.
- A Joana já está a
fazer o jantar mas vai à cozinha e pede-lhe uma maça, pode ser?
- Tá bem
O miúdo saiu a correr e quando o Ruben já se preparava para
sair do quarto puxei-o pelo braço.
- Onde pensas que
vais? - falei já abraçada a ele - quero
mimos - sorriu - que não pode ser
tudo para o Martim - não consegui continuar a falar porque o Ruben
beijou-me e em menos de nada já estávamos deitados na cama do miúdo - amor pára que estamos na cama do puto -
falei a custo já que o Ruben teimava em continuar a beijar-me.
- Falamos com ele a
seguir ao jantar? - perguntou-me.
- Sim - suspirei
- e seja o que deus quiser.
- Amor vai correr bem
- sorriu - o Martim já anda mais calmo,
hoje até está numa de pedir-me tudo e mais alguma coisa.
- Vamos ver se
continua assim depois de saber que namoramos.
- Não penses mais
nisso quando lhe contarmos logo vemos como vai reagir.
- Ok, então vamos até
à sala que nem perguntei à Patrícia se estava melhor.
O Ruben concordou comigo e quando chegamos à sala já o
Martim estava sentado do lado dos nossos amigos a ver televisão. Perguntei à
Patrícia se estava melhor e ficamos à conversa até sermos chamados para jantar.
***
Estávamos todos na sala depois de jantarmos quando os
rapazes decidiram ir jogar uma partida de PES, lógico que o Martim se colou ao
Ruben enquanto fiquei simplesmente à conversa com a Patrícia mas foi quando os
meus amores se meteram a jogar contra o Nuno que deliciei-me completamente ao
vê-los tão bem e foi nesse instante que tive a certeza que o momento de revelar
ao Martim toda a verdade tinha chegado, no entanto deixei-os terminar o jogo.
- Amor anda cá -
estava a chamar o Martim mas olharam os dois o que fez a Patrícia gargalhar ao
ter percebido.
- Ó mana, eu sei que
queres que vá dormir mas deixa-me jogar só mais um - pedinchou levando-me a
rir.
- Lindo depois do que
a mana tem para dizer podes jogar mais um jogo, isto se quiseres - o Ruben
percebeu imediatamente qual seria o assunto e por isso mesmo desligou a
playstation - Martim vem cá que a mana
precisa falar contigo.
- Eu fiz alguma coisa
mal feita? - perguntou ainda quando estava ao colo do Ruben uma vez que
tinham estado a jogar com o mesmo comando contra o Nuno.
- Não piolho, a mana
é que precisa contar-te uma coisa - os nossos amigos estavam expectantes
tal como o Ruben.
- Diz - falou ao
sentar-se no meu colo.
- Amor, sabes que a
mana nunca escondeu nada de ti e que sempre falamos de tudo - abanou a
cabeça em sinal afirmativo - por isso
preciso de fazer-te uma pergunta.
- O que se passa?
- Martim porquê que
perguntaste ao Ruben se ele gosta de ti como um pai gosta de um filho?
- Porque eu não tenho
pai e não sei o que é que sentimos pelos pais mas queria saber mesmo que seja a
fingir - o Ruben sorriu.
- Lindo mas o Ruben
nunca vai poder ser teu pai tal como a mana não é tua mãe.
- Eu sei mas os meus
amigos têm um pai e uma mãe também queria ter nem que fosse só a fingir, mana
para mim és a minha mãe e gosto muito de ti mas gostava de ter um pai a fingir
para falar de assuntos de meninos - sorri ao ouvi-lo - eu sei que não tenho pai e que o Ruben nunca vai ser meu pai mas eu
gosto de falar com ele, ele brinca comigo e gostava de ter alguém para ir
comigo ao futebol mas que percebesse do que falo e ele percebe ao contrário de
ti - os nossos amigos olhavam-nos emocionados com as palavras do meu irmão.
- Amor, então explica
uma coisa à mana - olhou-me - se
gostas tanto do Ruben porquê que andaste a implicar com ele e a dizeres que a
culpa era dele por andar a brincar menos contigo?
- Porque tive medo de
perder a mana - abraçou-me com bastante força - eu sei que um dia vais encontrar um rapaz e vais gostar dele mas eu não
quero que esse rapaz seja o Ruben - gelei ao ouvir tais palavras e não foi
difícil perceber que o Ruben ficou igual ou pior do que eu.
- Porquê?
- Porque depois vocês
zangam-se e eu fico sem um amigo - respirei de alívio ao ouvir o motivo
dado pelo Martim - eu gosto muito do
Ruben e sei que fui mau para ele mas vocês agora tão sempre juntos e brincam
menos comigo, eu não gosto disso.
- Amor, a mana já
explicou que isso são ideias da tua cabecinha, que não é verdade e que gostamos
muito de ti.
- Eu sei mas eu só
tenho a ti, mana eu tenho medo de ficar sozinho e ir viver com os outros
meninos como tu foste - não consegui segurar as lágrimas ao ouvir da boca
do meu irmão o seu maior medo e não foi preciso mais que uns segundos para
sentir o Ruben abraçar-me, ele levantou-se do sofá em que estava e veio
sentar-se do meu lado, já o Martim limpou-me as lágrimas com os seus dedinhos -
não chores eu não quero ver-te a chorar
- sentir o apoio do Ruben contribuiu para que acalmasse e depois de respirar
fundo consegui finalmente falar.
- Martim a mana nunca
mas mesmo nunca vai deixar-te sozinho e muito menos deixar que vás viver com os
outros meninos.
- Mesmo que arranjes
namorado e que ele não goste de mim?
- Amor, a mana nunca
irá deixar-te por causa de um namorado mas porquê que estás com esse medo?
- Porque a mãe do
Ricardo foi embora com o namorado e ele ficou só com o pai mas eu não quero
ficar sozinho - olhei para o Ruben.
- Não precisas de ter
medo a mana não vai deixar-te e muito menos por um namorado, podes ter a
certeza disso.
- Como é que posso
ter certezas?
- Amor, nunca
conheceste namorado nenhum da mana, pois não?
- Não, tu nunca
namoraste - sorri.
- Isso não é verdade,
a mana namorava antes de nasceres - ele olhou-me atento - mas teve que escolher entre ficar a cuidar
de ti ou o namorado e como vês a escolha que fiz foi por ti, logo não é agora
sete anos depois que vou deixar-te por causa de um rapaz, Martim és e serás
sempre a prioridade da mana, percebes?
- Mesmo que gostes
muito desse rapaz e ele não gostar de mim?
- Sim, mesmo que
gostasse muito de um rapaz e que ele não gostasse de ti nunca o escolheria a
ele.
- Tá bom - voltou
a dar-me um abraço - mas mana, não quero
que namores - olhei-o.
- Martim, isso não
depende de ti, amor gosto muito de ti e nunca vou deixar-te a pedido de outra
pessoa mas também não posso nem vou permitir que impeças-me de namorar, lindo
também tenho direito a tentar ser feliz a única coisa que a mana pode permitir
é que dês a tua opinião a respeito desse rapaz mas terás sempre que aceitá-lo.
- Mesmo que não goste
dele e ele de mim?
- Amor, a mana nunca
irá namorar alguém que não goste de ti.
- Mas eu posso não
gostar dele.
- Martim não queres
ver a mana feliz?
- Sim e tu desde que
tamos em Braga tens andado sempre feliz.
- O que queres dizer
com isso?
- Que não precisas de
namorado para ser feliz.
- Amor, isso não é
verdade - olhou-me desconfiado - Martim,
desde que viemos para Braga a nossa vida mudou bastante, encontramos novos
amigos e a mana encontrou alguém de quem gosta muito - desviei o olhar para
o Ruben e encontrei-o a olhar-nos - a
mana e esse rapaz namoramos - não consegui continuar a falar porque o
Martim interrompeu-me.
- Quem é? -
perguntou já visivelmente chateado e por segundos vacilei mas ao sentir o Ruben
a apertar-me a mão ganhei coragem.
- Amor o meu namorado
é o Ruben - o Martim não reagiu o que já estava a deixar-me preocupada - Martim não falas nada? - olhou para o
Ruben e depois para mim voltando a olhar para o Ruben que lhe sorriu e só aí é
que o meu piolho reagiu.
- O que é que tu
queres com a minha mana? - perguntou num tom agressivo.
- Martim, gosto
imenso da tua irmã como gosto de ti, nós namoramos e queria que aceitasses.
- Não.
- Porquê? - agora
a conversa estava a ser entre “homens” comigo atenta.
- Porque vais fazer o
mesmo que fizeste á Soraia quando encontrares outra deixas a minha mana.
- Martim, anda cá
- o Ruben puxou-o para o seu colo - lindo
não posso prometer que vá ficar para sempre com a tua mana porque nem eu nem
ela temos essa certeza, só sabemos que gostamos muito um do outro, gostamos
tanto que namoramos mas queremos que partilhes a alegria que sentimos connosco,
entendes?
- Não.
- Então pergunta o
que queres saber para ver se consigo explicar-te.
- Tu já falhaste uma
vez, eu pedi-te para ires á minha festa e tu não apareceste como é que sei que
não voltas a fazer o mesmo ou como sei que não deixas a minha mana?
- Ainda recordas o
que te disse no dia que pedi desculpas?
- Que tavas triste-
sorri ao ver que o puto ainda se lembrava.
- Pois estava, o que
não sabes é que estava triste porque já gostava muito da tua mana mas ainda não
lhe tinha dito, nesse dia vi a Mariana a falar com um amigo e fiquei com
ciúmes, estava mesmo muito triste e por isso é que não consegui aparecer na tua
festa, desculpa mas nesse dia não deu para continuar a fingir que a Mariana era
só uma amiga quando dentro do meu coração já era muito mais.
- Isso quer dizer que
agora sempre que pedir que vás comigo já não fazes o mesmo?
- Martim vai haver
alturas que possivelmente não poderei estar do teu lado por causa dos jogos,
treinos ou estágios mas tentarei sempre estar presente.
- Quando é que
começaste a gostar da mana? - sorrimos com a pergunta.
- Para ser sincero
nem sei - o meu irmão olhou-o confuso - lindo desde que comecei a falar com a tua mana que ela com o passar dos
dias se tornou numa amiga especial mas só quando o meu namoro com a Soraia
acabou é que percebi que o que sentia pela Mariana não era só gostar de amigo
mas sim gostar de dar beijinhos - o meu irmão levou a mão à boca em sinal
de espanto o que fez com que gargalhasse acompanhada pelo Ruben.
- Tás a dizer que
andas aos beijinhos com a mana?
- Ando - olhou-me
- porquê não posso?
- Podes - sorriu.
- Isso quer dizer que
não ficas chateado?
- Não mas tens de dar
um beijinho à mana para eu ver - o Ruben gargalhou.
- Martim -
olhou-me e antes que continuasse a falar ele interrompeu-me.
- Ó mana não tem mal
vocês são namorados - disse a rir.
- Sabes muito -
dei-lhe um beijinho repenicado na sua bochecha - mas agora tens de ir para a cama, vá toca a andar que a mana vai
contigo.
- Tá bom - ele
saiu do colo do Ruben mas antes deu-lhe um abraço apertado o que deixou-me
enternecida.
- Dorme bem, piolho
- o Ruben falou para logo de seguida desviar o olhar para mim - ainda voltas? - perguntou-me com o
Martim no meio de nós.
- Volto, vou deitar
aqui a pestinha e já regresso.
- Ó mana dá lá um
beijinho ao Ruben.
O Ruben estava a achar uma piada tremenda ao pedido do
Martim, já o puto continuava à espera e só por isso fiz-lhe a vontade, dei um
beijo rápido ao Ruben.
- Mana isso não vale -
o Ruben gargalhou acompanhado pelos nossos amigos.
- É concordo com o
puto - agarrou-me pela cintura - que
raio de beijo foi esse - ele sorria de forma traçada à espera que
respondesse mas acabei por unir de novo os nossos lábios, agora num beijo mais
demorado ainda assim minimamente decente, apesar do Ruben ter procurado algo
mais.
- Vá meu menino,
caminha - falei para o Martim - toca
a andar à minha frente - o meu irmão não refilou e fez o que pediu saindo
da sala.
- Voltas mesmo?
- Volto, vou só
deitá-lo - beijei-o.
Deixei o Ruben na sala para ir até ao quarto e quando lá
cheguei o Martim já estava a vestir o pijama e depois de se deitar
aconcheguei-lhe os lençóis sentando-me na cama.
- Mana, tu dormes com
o Ruben? - olhei-o surpreendida pela pergunta tão direta.
- Não.
- Porquê? A madrinha
dorme com o Rui - sorri.
- Mas a madrinha e o
Rui já namoram há muito tempo e a mana e o Ruben é recente.
- Ah tá bom.
- Olha, queres que
conte uma história?
- Não, podes ir ter
com o Ruben - sorriu.
Acabei mesmo por fazer o que falou e regressei à sala.
Ruben
Depois da pergunta do Martim se gostava dele como de um
filho acabei por conseguir convencer a Mariana a contar-lhe mas as horas foram
passando e sinceramente já não esperava que ela fosse contar-lhe até ao momento
que a ouvi chamá-lo e que começou a falar.
A Mariana houve um momento que quebrou completamente e por
isso fui sentar-me do seu lado e abracei-a naquele momento não quis saber o que
o puto podia pensar ou não só quis demonstrar-lhe de alguma forma que estava
ali para a apoiar. A conversa desenrolou-se e por instantes pensei mesmo que o
Martim não fosse aceitar mas por incrível que pareça o miúdo deixou-se
convencer rapidamente e no final até pediu à irmã para darmos um beijinho e não
satisfeito com o beijo rápido que demos pediu outro, o meu amor fez-lhe a
vontade e só depois é que o Martim foi dormir.
Fiquei na sala com os nossos amigos enquanto a Mariana foi
deitar o puto, o que permitiu à Patrícia se meter comigo.
- Então qual é a
sensação de teres acabado de ganhar um cunhado que será mais filho?
- Patrícia não gozes.
- Não estou a gozar
até pelo contrário estou preocupada.
- Como assim?
- Ruben, tens noção
que a partir de hoje terás dois olhos sempre postos em ti, que o miúdo vai
acabar por ver-te como uma referência.
- Não te preocupes
que estou mais do que preparado para isso, amo a Marina e o Martim faz parte
dela como tal é parte integrante na nossa relação.
- Puto se há um ano
atrás dissessem que virias para Braga e que a tua vida iria mudar completamente
não acreditava.
- Nem tu nem eu mas
ainda bem que vim - falei a sorrir feito parvo - encontrei um amor verdadeiro e a oportunidade de jogar.
Eles teriam continuado a falar mas a entrada da Mariana na
sala fez com que os nossos amigos se calassem, o meu amor sentou-se ao meu colo
beijando-me sem qualquer problema.
- Ele disse alguma
coisa? - perguntei por estar curioso.
- Perguntou se durmo
contigo - gargalhei.
- O puto não perde
tempo - o Nuno manifestou-se.
- Ainda não sabem o
que ele respondeu quando lhe disse que não.
- Então?
- Deu a entender que
se a madrinha dorme com o Rui, nós também podemos dormir - respondeu-me
serenamente.
- Não deixa de ter
razão - beijei-a.
- O que tu queres sei
eu mas hoje vais dormir à tua casa - o Nuno gargalhou talvez porque estava
a fazer beicinho que nem criança pequena.
- Já dormi outras
vezes contigo porquê que hoje não posso ficar cá? - sussurrei ao ouvido.
- Porque não quero
que o Martim amanhã acorde e dê de caras contigo, amor há qualquer coisa na
reação do meu irmão que deixou-me intrigada.
- Como assim?
- Ruben para quem não
queria que namorasse muito menos contigo o Martim aceitou bem, tenho receio que
depois de uma noite de sono, ele faça alguma se te apanhar a dormir comigo.
- Acho que estás a
exagerar mas tudo bem - beijei-a - não
discuto esse assunto contigo afinal quem o conhece como ninguém és tu - ela
sorriu.
Ficamos à conversa com os nossos amigos durante um bocado
mas eles acabaram por se despedir pois queriam ir dormir, o que aproveitamos
para namorar durante algum tempo, no entanto acabei por ir até à minha casa com
a promessa que no dia seguinte almoçávamos juntos.
O Martim já sabe e aparentemente reagiu bem mas será que achará piada a
ter que dividir a mana com o Ruben?
Ahhh adorei e sim confesso que em alguns momentos chorei... vá-se lá saber porquê ou melhor até se sabe... é a minha costela de Mariana a dar sinal... isso e o meu estado que me deixa mais sensível que o normal.
ResponderEliminarAgora preciso do próximo com urgência!
Bjokinhas
Mariaa
FAntastico adorei.bjs
ResponderEliminarLINDO! :D
ResponderEliminarEu também fiquei um pouco com o pé atrás depois da reacção do Martim, boa demais não será?! hmm... os próximos capitulos é qe o irão dizer e espero por eles!
Beijinhoos
Adorei a conversa .. :)
ResponderEliminarMas cheira-me que isto não fica por aqui .. :s
Cá estarei a espera do proximo ..
Beijinho linda
Amei! Gostei da maneira como eles lhe contaram e agora no final também fiquei um pouco desconfiada... lol
ResponderEliminarSerá que ele vai reagir mesmo bem a este namoro? Espero bem que sim. Adoro vê-los juntos!
Beijinhos
Olá :)
ResponderEliminarQuanto ao Martim só esperou que não seja coisa boa demais e depois isto ainda vire para o torto :P
O que tenho que tenho um pressentimento que ele ainda vai fazer das suas xD
Quero mais ;)
Beijinhos
Rita
ainda bem que o miudo aceitou o namoro, mas quem sabe se depois ao acordar fique virado das ideias, espero bem que nao!
ResponderEliminarvou-te dizer que quero mais, mas isso já se tornou um habito porque fico sempre com vontade de ler mais, por isso fico à esperinha do proximo!!!
adorei o capitulo, toca lá a escrever mais! :)
beijinhos
adoreeeeeeeeeei
ResponderEliminarAqui está!!! Finalmente!!! E afinal o "nosso" Martim até se portou bem!
ResponderEliminarAgora veremos se é sol de pouca dura...
Espero pelo próximo!!!
Beijo
Ana
Quando a esmola é muita o pobre desconfia, acho que o Martim aceitou bem demais. O acordar vai mostrar-nos se estamos enganadas ou não.
ResponderEliminarGostei da maneira como a Mariana lhe contou, e a lata do puto? quer dizer já é grande para tomar banho sozinho e depois precisa de ajuda para atar os atacadores, o que eu me ri.
Bem o sr Miguel não é nada convencido, acabou por ouvir o que não queria.
Adorei, tá fantástico como sempre, agora quero mesmo saber se o Martim aceitou mesmo ou se foi só fita.
Beijocas
Fernanda
Olá Catarina:
ResponderEliminarando um bocado atrapalhada e sem tempo mas não deixo de ler os teus capítulos ;)
Ainda bem que venho às 2h da manha ler um grande capitulo estava mesmo à espera de uma de uma boa reacção do Martim :D agora é rezar para que não haja alguma surpresa....
Adoro!!!
Quero mais.
Beijinhos linda