segunda-feira, 23 de julho de 2012

041 - “Podias começar a gerir a nossa casa”


Ruben

A semana passou a correr entre os meus treinos, os do Martim e o tentar dar atenção ao miúdo quando só me apetecia raptar a sua irmã não dei pelos dias passarem. Hoje acordei extremamente bem-disposto afinal amanhã já irei ter a Mariana só para mim, uma vez que o Martim pediu para não ir connosco porque queria jogar, algo que nem eu nem a irmã contrariamos.
Passei o dia inteiro sem conseguir falar com o meu amor, já estava a ficar preocupado quando recebi uma chamada sua e no mesmo momento que a atendi percebi que alguma coisa se passava, a voz dela estava estranha e por isso não perdi tempo a perguntar o motivo.
- Passa-se alguma coisa?
- Porquê?
- A tua voz está estranha - suspirou.
- É o Martim - interrompi-a.
- O que se passa? O menino está bem? - o Nuno que estava comigo no quarto olhou imediatamente.
- O Martim está com varicela.
- Isso dá muito comichão - gargalhou ligeiramente.
- Já tiveste?
- Quando era puto mas porquê?
- Amor, liguei-te para perguntar se já tinhas tido, uma vez que preciso de um sítio para ficar nos próximos dias com o Martim porque não o vou levar para a casa do Nuno com a Patrícia grávida ainda por cima quando nunca teve varicela.
- Se o teu problema era esse podes ficar tranquila que gramei com a varicela em pequeno, já não há crise mas e tu apanhaste?
- Ya, eu e mais não sei quantas crianças na instituição, as que ainda não tinham apanhado foram quase todas corridas, foi uma festa ficamos todos doentes sem irmos à escola, enfim foi uma animação pegada - gargalhei - mas que não teve piada nenhuma.
- Mas como é que o Martim está?
- Está triste, o menino ficou assim quando percebeu que não podia ir à escola o que sinceramente achei estranho.
- Porquê?
- Amor, o Martim ultimamente só vê o futebol se não formos nós a insistir com ele nem os trabalhos da escola faz e agora ficou triste porque não pode ir às aulas - gargalhei ou não fosse saber o motivo pelo qual o puto ficou triste - estás a achar piada?
- Mariana o menino não quer as aulas quer é a brincadeira.
- Disso sei eu mas agora mudando de assunto posso levá-lo para a tua casa?
- Isso nem se pergunta, tens a chave para alguma coisa além disso já te disse que a casa só não é nossa porque não queres - o Nuno olhou-me e sorriu.
- Isso é outro assunto.
- Pois desconversa - ripostei.
- Amor, vou ter que desligar o médico do Martim quer falar comigo.
- Tudo bem mas se precisares de alguma coisa liga - ouvi-a a sorrir.
- Lindo já ajudaste ao deixares que invadíssemos a tua casa agora descansa que trato do resto - suspirou - amo-te.
- Também te amo - o Nuno voltou a sorrir - depois dá notícias.
- Ok, beijos.
- Para ti também e dá muitos ao Martim por ti e por mim - voltou a sorrir e depois de mais algumas palavras acabamos por desligar.
- É mesmo oficial, estás mesmo apanhadinho - olhei para o Nuno - mas o que é que o puto tem?
- Está com varicela e a Mariana não o quer levar para a vossa casa por causa da Patrícia.
- Pois, ela nunca teve varicela.
- Ya a Mariana disse-me - deitei-me na cama a olhar para o teto.
- Ficaste mesmo preocupado com o Martim - olhei-o e encontrei-o a sorrir.
- Varicela não é nada de outro mundo mas também a tive e sei bem a comichão que dá, já para não dizer que estes dias para o Martim vão ser complicados.
- Ui, o puto ficar sem ir aos treinos é o mesmo que dizer que vai andar de burro.
- O problema não será bem este mas sim outro.
- Como assim?
Sorri mas não respondi, afinal é assunto do Martim e o miúdo só falou com a promessa que não contaria a ninguém.
Passei as horas seguintes a olhar constantemente para o relógio, parecia que o raios dos ponteiros nunca mais se mexiam, quem aproveitou para gozar comigo foi o Nuno mas sinceramente nem liguei. Ainda falei com o meu amor antes do jogo, eles já estavam em casa e à minha espera.
O jogo acabou por correr bem, ganhamos mas isso era o que menos importava, só queria chegar a Braga o quanto antes e por isso fui dos primeiros a ficar despachado algo que foi motivo para gozo por parte de alguns colegas, ignorei e fui para o autocarro sempre acompanhado pelo Nuno.
- Tem calma que o puto não foge.
- Isso é fácil de dizer mas se fosse o Nuninho queria ver - sorriu - não sei onde está a piada.
- Estás mesmo a levar a sério o papel de pai - voltou a sorrir - até já sofres como um.
- Não gozes que não tem piada. Eles já se despachavam - o Nuno sorriu.
- Hey respira já falta pouco para poderes ires consular o Martim ou será mais a Mariana.
Não respondi, decidi mesmo ignorá-lo antes que me chateasse a sério. Esperei e desesperei até que o último colega entrou no autocarro, seguimos viagem até ao estádio AXA que por sorte foi rápida ou não fosse o jogo ter sido em Guimarães, mal cheguei a Braga saí o mais rápido que consegui do autocarro entrando logo depois no meu carro e conduzi direto a casa.
Assim que entrei em casa fui imediatamente ao quarto do Martim, ele estava deitado mas assim que viu-me sentou-se na cama.
- Então campeão como é que isso está?
- Mal - estava chateado - já viste agora não posso ir á escola nem ir treinar.
- É só durante uns dias, passa depressa vais ver - falei já sentado do seu lado.
- Mas assim não posso ver os meus amigos - sorri - não é para rir porque não tem piada.
- Lindo, quando reparares já estás novamente na escola.
- A mana disse que também tiveste isto - sorri ao ouvi-lo.
- Quando tinha mais ou menos a tua idade também apanhei varicela e depois passei ao meu irmão.
- Pois o médico disse que se fosse á escola que podia passar aos outros meninos por isso tenho de ficar em casa.
- Vais ver que estes dias passam depressa - dei-lhe um beijinho na testa e quando o estava a fazer vi a Mariana a entrar no quarto com um pequeno lanche para o menino.
- Não dei por teres chegado - falou assim que se aproximou da cama.
- Vim direto ao quarto do Martim - ele sorriu - queria vê-lo.
- Tanto quanto sei quem namora contigo sou eu - sorri e aproveitei o facto de ter largado o tabuleiro com o lanche do irmão em cima da mesa-de-cabeceira para a puxar para mim, ficamos de frente um para o outro.
- Ó Martim já viste a tua mana com ciúmes teus - falei num tom de gozo - aqui quem está doente é o menino e não tu - piquei-a e quando ia para unir os nossos lábios a Mariana desviou a cara - então?
- Então que aqui o doente tem que comer e já que estás assim tão preocupado com o Martim trata tu dele, tens aí a comida e o medicamento para lhe dares no fim - falou ao mesmo tempo que se desprendeu dos meus braços - lindo agora que arranjaste um enfermeiro a mana vai à casa do Nuno buscar algumas coisas que vamos precisar, pode ser?
- Sim - a Mariana deu-lhe um beijinho - mas mana ficaste chateada com o Ruben? Ele tava só a brincar contigo - sorrimos ao vê-lo realmente preocupado.
- Amor, a mana não está chateada - olhou-me - mas agora vou buscar as nossas coisas, já regresso - deu-me um beijo no rosto - juízo - ela já se ia a afastar quando a puxei novamente para mim - o que foi?
- Onde pensas que vais - olhou-me.
- Já disse, à casa do Nuno porquê?
- Primeiro quero o meu beijo - voltei a tentar beijá-la mas mais uma vez fugiu com a cara.
- Agora queres beijos? Então vais ter que esperar que regresse porque se tivesses assim com tantas saudades minhas tinhas ido à minha procura quando chegaste.
Não respondi e por isso mesmo saiu do quarto toda senhora de si, o que deu-me vontade para rir, algo que fiz e por isso tive que explicar ao Martim, uma vez que o menino não tinha entendido. Passei os minutos seguintes com o piolho, dei-lhe o comer e no fim a medicação para depois ficarmos os dois à conversa que só foi interrompida quando recebi a mensagem da Mariana a pedir que a fosse ajudar a tirar as malas do carro, avisei o Martim que ia ajudar a irmã e que já regressava para perto dele.

Mariana

Passei o dia inteiro com o meu irmão, o Martim estava chateado porque tinha de faltar à escola algo que deixou-me com a “pulga atrás da orelha” uma vez que o Martim até á um tempo ainda fazia birra por ter que ir para a escola, no entanto resolvi não puxar muito o assunto pois percebi que o menino não queria falar disso.
Vi o jogo do braga com o Martim do meu lado mas no final obriguei-o a ir para a cama, o menino estava a ficar novamente com febre e tinha que descansar, deixei-o no quarto e fui preparar algo para comer. Quando regressei ao quarto deliciei-me com a imagem que tinha diante de mim, o Ruben já tinha chegado e estava com o meu irmão, vê-los aos dois assim tão unidos deixa-me sempre com uma sensação de paz enorme no entanto tive que implicar com o Ruben quando percebi que tinha sido trocada pelo Martim, lógico que foi na brincadeira algo que o meu amor percebeu já o Martim ficou a pensar que estava mesmo chateada, acabei por sair do quarto e deixar que o Ruben “descalçasse a bota” afinal se quer ser pai então é bom que se vá habituando.
Fui até à casa do Nuno e assim que entrei encontrei o meu amigo na sala, tive a confirmação do que já desconfiava, o Ruben tinha ficado mesmo preocupado com o meu irmão. Estive uns minutos à conversa com o Nuno onde fiquei a saber com detalhes o “estado” em que tinha deixado o Ruben depois de lhe dar a notícia da doença do Martim, acabei por dar algumas gargalhadas afinal não esperava que o Ruben fosse ficar tão aflito.
Estava no meu quarto a colocar algumas roupas na mala quando a Patrícia pediu autorização para entrar.
- É desta que fico sem ti - olhei-a sem entender - cá para mim essas malas só têm um “v” de vai.
- O que queres dizer com isso?
- Mariana, achas mesmo que vocês voltam para cá?
- Lógico que sim, aliás só fui para a casa do Ruben porque estás grávida e não convém teres contato com a varicela, mas daqui a umas semanas regressamos.
- Isto é se o Ruben não puder fazer nada - sorriu.
- Onde é que queres chegar com esta conversa?
- Duvido muito que consigas regressar para cá - sorriu - Mariana o que quero dizer é que aproveites estes dias para pensares - olhei-a - não estou a correr contigo cá de casa muito pelo contrário mas ambas sabemos que o Ruben está “mortinho” para viver convosco, não tenhas medo em dar um rumo definitivo à vossa vida, principalmente à tua e à do Martim, dá essa oportunidade aos três.
- O problema não é dar uma oportunidade mas sim saber se estou preparada para uma vida a três, Patrícia viver com o Ruben é muito mais do que mudar de casa, é partilhar o dia-a-dia com ele e sinceramente tenho receio em precipitar-me, a verdade é que nunca partilhei o meu espaço com ninguém.
- Deixa de ser tonta, mete esses receios todos a um canto e aproveita estes dias para pensares e quanto a nós - voltei a olhá-la - não é por deixares de viver cá em casa que irás deixar de cuidar do Nuninho, sim porque consigo abdicar da presença da amiga se for para ir viver com o namorado mas da ama do meu filho nem penses - sorri - a sério só quero que entendas que por nós não haverá problema nenhum.
- Obrigada.
- Agora outra coisa - olhei-a - eu e o Nuno vamos aproveitar a interrupção do campeonato pelo natal para irmos passear por isso terás uns dias de descanso uma vez que o Nuninho vai connosco - sorriu - aproveita e faz o mesmo, desafia o Ruben a ir contigo passar uns dias longe de tudo e de todos.
- Nem penses - olhou-me - nesta altura do ano não me separo do Martim nem que pagassem rios de dinheiro - sorriu.
- Então leva-o convosco.
- Prefiro passar esses dias em Lisboa, o Martim está com saudades dos amigos e querendo ou não o pessoal da instituição é a nossa família, além disso o Ruben deve querer aproveitar para estar com a sua família, não faz muito sentido irmos de férias nesta altura.
- Realmente o Ruben não poderia arranjar melhor - sorriu - se ele é ligado à família, tu não lhe ficas nada atrás.
Continuamos a falar mas tivemos que interromper quando fechei a mala com a roupa do meu piolho, o Nuno ajudou-me a colocar tudo no carro que apesar de ser só para uns dias ainda levei algumas malas, afinal além da roupa tive de levar os brinquedos preferidos do Martim ou então já sabia que amanhã estava de regresso pois o menino pode estar rodeado dos melhores brinquedos mas se não tiver os dele não há quem o cale.
Despedi-me dos meus amigos bem como do Nuninho e conduzi de regresso à casa do Ruben que durante os próximos dias será a minha também. Assim que cheguei mandei-lhe mensagem a pedir ajuda e uns minutos bastaram para o ter diante de mim.
- Olha lá que brincadeira foi aquela - olhei-o - tinhas mesmo que fingir que ficaste aborrecida comigo?
- Porquê? - perguntei ao passar ao seu lado.
- Porquê? Ainda tens o descaramento de perguntar?
- Não fingi nada, só te dei o mesmo tratamento que me deste, afinal foste tu que chegaste e nem sequer chamaste por mim, é porque não devias ter assim tantas saudades minhas - tive que controlar a vontade que tinha de rir, o Ruben ao contrário do que esperava acreditou que pudesse estar mesmo aborrecida.
- Amor desculpa mas quando cheguei só quis ver o menino para ter a certeza que estava bem, nunca pensei que ficasses ressentida - aproximou-se e colocou uma das suas mãos na minha cara e a outra no fundo das costas - amo-te mas confesso que estava preocupado com o Martim - sorri perante a sinceridade das suas palavras - desculpa.
- Não tenho nada para desculpar - olhei-o nos olhos - só a agradecer - beijei-o demoradamente - Ruben, não estou nem nunca estive aborrecida contigo - suspirei - muito pelo contrário estou completamente “sem chão” perante a tua sincera preocupação, demonstraste mais uma vez a pessoa fantástica que és mas principalmente que estás mesmo disposto a seres o pai do meu irmão.
- Então porquê que reagiste daquela forma - sorri.
- Porque se fosse fazer aquilo que me apetecia e continua a apetecer garanto que o meu irmão ficaria chocado - enquanto falava um sorriso malandro surgiu no rosto do Ruben - queres mesmo continuar a jogar conversa fora - aproveitei a proximidade dos nossos corpos para lhe sussurrar ao ouvido - é que estou mais numa de ir até ao interior da casa e ficar assim juntinha a ti - beijei-o e uns segundos bastaram para sentir as mãos do Ruben a irem até ao interior da minha camisola.
O Ruben ajudou-me a levar as malas e enquanto foi colocar a minha no quarto dele, levei a do Martim para o seu quarto. Estava a arrumar a roupa do meu irmão quando o Ruben entrou no quarto e ao passar por mim deu-me um beijo rápido o que fez o Martim sorrir, talvez porque pensava que estava aborrecida com o Ruben.
- Lindo precisas de alguma coisa? - perguntei antes de sair uma vez que o meu irmão basicamente expulsou-me do seu quarto.
- Não, o Ruben lê a história até eu adormecer né? - o meu amor sorriu-lhe.
- Sim, mas é mesmo para ires dormir - alertou-o.
- Tá bem.
Acabei por sair e deixá-los a sós. Fui até ao quarto do Ruben onde entretive-me a arranjar um espaço no seu roupeiro para colocar a minha roupa, era isso que estava a fazer quando o vi a entrar. O Ruben fechou a porta e ficou a olhar-me, continuei na minha até que senti os seus braços em volta da minha cintura.
- O menino já adormeceu - falou ao meu ouvido direito para logo depois sentir os seus lábios no meu pescoço - que dizes de um duche a dois - beijou-me.
- Um duche é uma ótima ideia - sorriu - mas um de cada vez - o seu sorriso desapareceu - que foi?
- Nada mas preferia que fosse a dois.
- Olha lá mas não te lavaste depois do jogo?
- Lógico que sim.
- Então não vejo motivo nenhum para quereres ir novamente para debaixo de água - deitei-lhe a língua de fora que nem criança para fugir dos seus braços no instante seguinte.
Acabei por seguir o seu conselho e aproveitei ao máximo o duche, não sei se levei muito tempo ou não, só sei que quando saí da casa de banho não o encontrei no quarto. Vesti-me e fui à sua procura, o Ruben estava na sala a ver o resumo de um jogo qualquer e só percebi que era o Benfica quando ouvi um comentário ao jogo. O meu amor estava tão atento que não reparou na minha presença, só quando sentei-me do seu lado é que despertou para a realidade.
- Porquê que saíste do Benfica? - olhou-me.
- Sabes o motivo.
- Sei que querias jogar mais mas tenho a sensação que há algo que não contaste - suspirou - não queres falar sobre isso?
- Mariana, foi uma decisão complicada para mim, por um lado tinha vontade de jogar mais e sabia que podia fazê-lo por outro o amor ao clube, é por isso que não gosto de falar do assunto.
- Qual é que foi o motivo pelo qual não jogavas?
- O Benfica tem um plantel forte e depois por ser polivalente - sorriu talvez pela cara que fiz - não sabes o que isso quer dizer pois não?
- Sei o que a palavra significa - sorriu - e adaptando isso ao futebol deve significar que jogas em várias posições, é isso?
- É - abraçou-me - aos poucos ficas pró no assunto - sorriu - mas como estava a contar por conseguir jogar em várias posições acabei por ficar no banco, passei a ser “pau para toda a obra” e isso prejudicou-me na medida que não evolui tanto como alguns colegas meus, já para não falar que foi raro as vezes que joguei na minha posição e isso deixa-me triste para ser sincero nem consigo explicar.
- Mas agora tens jogado e é isso que interessa ou estás a pensar em regressar?
- Não - olhou-me - por mim fico em Braga mas isso não depende só da minha vontade.
- Mas se tiveres de regressar?
- O que queres saber em concreto?
- Quero saber como é que te vais sentir - sorriu.
- Para ser sincero nem sei mas também não quero pensar muito nisso, se tiver que acontecer estarei cá para lidar com a situação mas até lá prefiro viver um dia de cada vez e aproveitar todas as oportunidades para estar contigo - puxou-me para o seu colo, beijando-me imediatamente e o que começou por ser um beijo inocente depressa o deixou de ser, deixei-me levar e uns minutos depois já estava deitada por baixo dele - o que foi? - perguntou talvez por ter percebido que não estava a corresponder como pretendia - não queres?
- Não é isso - beijei-o - estamos na sala - falei com uma ponta de vergonha à mistura e talvez por isso sorriu.
- Qual é o mal? - beijou-me o pescoço.
- Pára - coloquei as mãos no seu peito e empurrei-o.
- Desculpa - bufei o que fez com que olhasse para mim.
- Ruben não tens que pedir desculpas mas não nos podemos esquecer que o Martim pode acordar e apanhar-nos nestes propósitos.
- Então vamos para o quarto - o Ruben levantou-se imediatamente e acabei por segui-lo sempre com ele a tentar levar a “água ao seu moinho” no entanto não estava virada para esse lado e assim que cheguei à cama fiz questão de lhe dizer que queria dormir, o Ruben ainda olhou para ter a certeza que não estava a gozar. Acabamos por adormecer cada um virado para o seu lado e quando acordei já não o tinha na cama.

Ruben

Acordei cedo e como não tinha sono levantei-me, a nega da Mariana deixou-me a pensar a noite toda, afinal desde aquela noite em que se entregou a mim ainda não consegui aproximar-me dela, a Mariana tem fugido sempre que tento algo mais o que está a deixar-me cada vez mais desconfiado que possa ter-se arrependido. Estava a pensar nisso quando vi o Martim a entrar na sala.
- Ruben tenho fome - sorri ao ouvi-lo.
- O que queres comer?
- Pode ser leite com cereais?
- Pode, anda comigo até à cozinha - deu-me a mão e fomos comer.
- O que é que tens?
- Nada, porquê?
- Estás triste - olhei-o surpreendido - eu sei que tas só não sei o porquê.
- Martim, não estou triste mas sim preocupado com um assunto.
- É com a mana?
- Não - menti para não o deixar preocupado.
- Então porquê que ela não tá aqui com a gente - sorri-lhe.
- Lindo, a mana ainda está a dormir.
- Mas tu já tas acordado.
- Acordei sem sono por isso levantei-me para deixar a Mariana descansar mas isso não é sinal de que esteja chateado com ela.
- Tás a dizer a verdade?
- Sim, estou. Martim não te preocupes que nós não estamos chateados - dei-lhe um beijinho na nuca ao passar por trás dele - e agora come porque tens os medicamentos para tomar.
A verdade é que não estávamos chateados mas a dúvida mantinha-se na minha cabeça, comi e no fim dei a medicação ao menino, acabei por acompanhá-lo ao quarto onde fiquei até voltar a adormecer. Como a Mariana continuava a dormir resolvi ir correr, talvez assim conseguisse meter as ideias em ordem, tinha que falar com ela só não sabia como abordar o tema. Deixei-lhe um bilhete a avisá-la que tinha dado o medicamento ao menino e saí de casa.
A hora seguinte serviu para gastar alguma energia e quando regressei a casa já a Mariana estava acordada mas ainda se encontrava na cama.
- Isso é que é vontade - falou ao ver-me a entrar no quarto - o que é que te deu para ires correr tão cedo?
- Nada, acordei sem sono e depois de deixar o Martim a dormir resolvi ir correr.
- Por algum motivo em especial?
- Não, apeteceu-me.
- Ruben, só vais correr quando algo te está a incomodar caso contrário esperas pelos treinos para gastares as energias - olhei-a - não queres mesmo falar?
- Vou tomar banho.
Esquivei-me como consegui e quando regressei ao quarto a Mariana já não se encontrava na cama, vesti-me e fui procurá-la.
- Ruben, podes ficar com o Martim enquanto vou ao supermercado? - perguntou-me assim que entrei na cozinha, ela estava a fazer a lista das compras.
- Posso - dei-lhe um beijo - mas não queres ajuda?
- Alguém tem de ficar com o menino.
- Tudo bem - sentei-me ao seu lado - estás aborrecida comigo?
- Não mas já percebi que alguma coisa anda a incomodar-te - suspirei.
- Amor não leves a mal mas prefiro não falar disso agora - olhou-me.
- Ruben, quando quiseres falar vou estar aqui para ouvir - beijou-me - não posso nem vou obrigar-te a falar porque detesto que façam isso comigo, só quero que saibas que se precisares de alguma coisa estou aqui à tua disposição.
- Eu sei e obrigado por respeitares o meu espaço - sorriu - o que foi?
- Nada só achei piada agradeceres tal coisa quando o teu espaço é um direito que tens.
- Pois mas nem todas as pessoas pensam assim e a pior coisa é sentirmos que nos estão a sufocar.
- Ruben para uma relação resultar temos que respeitar o espaço de cada um, pelo menos é assim que penso. Tens direito ao teu espaço e ao teu tempo nem todos lidamos com as mesmas situações de formas iguais, o que para mim pode passar-me ao lado para ti pode causar mossas, é normal que tenhamos alturas em que precisamos de tempo para digerirmos determinado assunto logo só posso respeitar isso, sei que quando te sentires preparado que falas, é só uma questão de tempo até saber o que te anda a preocupar.
Não lhe respondi por palavras mas sim por atos, beijei-a calmamente e em menos de nada já a tinha sentada ao meu colo, a iniciativa foi da Mariana o que acabou por serenar-me um pouco. Ficamos a namorar nos minutos seguintes mas o meu amor acabou por sair para ir ao supermercado e quando regressou já estava na brincadeira com o Martim.  

Mariana

O Ruben anda estranho mas resolvi respeitar o seu espaço mas avisei-o que se precisasse de alguma coisa que podia contar comigo. Acabei por deixá-lo com o Martim e fui ao supermercado, quando regressei encontrei-os aos dois na sala e na brincadeira. O meu amor assim que deu pela minha presença veio ajudar-me com os sacos e fez questão de ajudar também na altura de arrumar as compras nos devidos locais.
- Como é que sabias que precisava disto? - perguntou com o frasco de champô nas mãos.
- Talvez porque vi que o que tens está praticamente a acabar e que não tinhas mais nenhum - sorriu.
- Sempre atenta.
- Ruben não te esqueças que estou habituada a gerir uma casa - abraçou-me.
- Podias começar a gerir a nossa casa - olhei-o.
- Não vais começar com essa conversa.
- Achas a ideia assim tão descabida?
- Amor não é isso, só acho que temos muito tempo para vivermos juntos.
- Fazemos um acordo - olhei-o - não toco mais no assunto mas falamos dele assim que o Martim ficar bom e antes de regressares para a casa do Nuno.
- Tudo bem mas aviso que não vais conseguir convencer-me.
- A ver vamos - beijou-me demoradamente - amo-te.
- Sabes muito - sorriu.
Continuamos a arrumar as compras e no fim avisei-o que iria até ao quarto mudar de roupa para algo mais confortável. Estava a escolher a roupa que iria vestir quando o Ruben entrou no quarto sem pré-aviso, ainda tentei reclamar mas não tive sequer tempo para tentar formular uma frase quanto mais para a dizer, o meu amor simplesmente puxou-me para ele unindo as nossas bocas num longo e demorado beijo, as saudades aliadas à vontade de ser dele novamente falaram mais alto e foi minha a iniciativa de procurar algo mais, estava a tentar ver-me livre da sua camisola quando bateram à porta, suspirei e após agarrar na minha roupa para ir vestir-me pedi ao Ruben para ver o que o Martim queria.
Regressei ao quarto e encontrei o Ruben deitado na cama a mexer no seu telemóvel.
- O que é que ele queria?
- Perguntar se podia ir jogar PES.
- Deixaste-o?
- Sim, está na sala mas porquê não devia ter deixado?
- Desde que não passe o dia a jogar - sorriu - e agora conta lá o que tens - perguntei ao vê-lo pensativo - estás aí a olhar para o telemóvel.
- Estive a falar com o meu irmão e ao que parece o meu afilhado está cada vez mais reguila - levantou-se da cama - o puto está na fase de interromper sempre que eles estão mais animados - beijou-me o pescoço e levou as mãos até ao interior da minha camisola.
- Amor, pára- pedi mas o Ruben fez “ouvidos de mercador” e continuou numa de provocar-me, acabei por afastar-me dele um pouco à bruta.
- O que é que se passa?
- Nada, tenho o almoço para fazer - respondi serenamente.
- Ainda falta - voltou a puxar-me para ele - amor estavas a ir tão bem antes de sermos incomodados pelo Martim - falou enquanto os seus lábios e língua andavam a passear pelo meu pescoço.
- Ruben depois - olhou-me - agora quero mesmo ir preparar o nosso almoço - dei-lhe um beijo rápido nos seus lábios e sai do quarto sem mais demoras antes que tentasse alguma coisa pois tinha consciência que se continuasse numa de provocar-me iria acabar por ceder.
- Tudo bem mas depois vais compensar-me - “rosnou” ao passar por mim o que fez com que gargalhasse - achas piada, é? - sem que tivesse à espera o Ruben voltou-se para trás e começou numa de fazer cócegas, só parou quando fomos novamente interrompidos pelo Martim que veio chamá-lo para jogarem juntos.

***

Já tínhamos almoçado os três e o Martim já estava a dormir no seu quarto quando ouvimos a campainha, levantei-me e fui ver quem seria.
- Boa tarde - não conhecia a rapariga de lado nenhum - sou amiga do Ruben, ele está?
- Sim, entre - fui educada - Ruben tens aqui uma amiga - falei assim que entrei na sala acompanhada da rapariga.
- Inês - notei surpresa no tom da sua voz.

Quem será esta Inês? Irá trazer problemas ao casal?

Primeiro quero pedir-vos desculpa pela demora em publicar :S
Espero que o capítulo corresponda às expectativas! Tentarei ainda durante a semana dar-vos mais um capítulo mas não prometo.
Beijinhos :D

8 comentários:

  1. Adorei!
    Bolas agora deixaste-me curiosa! (Para variar! lol)
    Quem será esta Inês??? Quero o próximo rápido.
    Beijinhos!

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  2. Uii, será qe vem daí mesmo problemas?! Quero ver isso...
    Está lindo, gostei muitoo! E o Ruben ainda vai dar em maluco de não ter "festa" :p
    Beijinho

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  3. Olá :)
    Primeiro está os teus capítulos estão sempre óptimos e só espero que venhas mais!
    Agora acabar com a chegada de esta Inês é algo que não gosto nada Caty Maria xD
    Quero mais e aproveita as férias ;D
    Beijinhos
    Rita
    http://lifegoesonr.blogspot.pt/

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  4. Tadinho do Martim varicela ninguém merece!
    e esta amiga... ui sempre ouvi dizer que as Inês são todas iguais... terríveis :p
    Por isso antevejo tempestade no paraíso.
    Só não peço que publiques rapidinho porque prefiro que te divirtas muitoooo e depois voltes com as baterias recarregadas e um montão de inspiração!!!
    Bjokinhas
    Mariaa

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  5. Epá juro que não percebo! Se ele avança, ela não quer. Se ela avança, são interrompidos... Isto nao se faz a ninguem! A Mariana diz que o Ruben está estranho, mas não está muito melhor. Estes meninos andam com as hormonas trocadas! :O
    E acho que esta Ines vai estragar tudo -.-' Ai dela!

    Beijo
    Ana

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  6. Ainda pensei não te desculpar pela demora do capitulo, mas como ele tá tão bom, tás perdoada.
    Varicela? Coitado do puto, como diz a Maria "ninguém merece", não é mesmo nada agradável, e logo agora que a criança tava tão entusiasmada com a escola e com os "amigos", é preciso ter azar.
    Adorei, mas desgraçado do Ruru já tá a ver a vidinha a andar para trás, com as negas da Mariana, e agora o que estava mesmo a fazer falta era aparecer a amiga Inês. Confesso que já tava achar falta desta "famosa" amiga, só espero que me surpreenda pela positiva, porque já tou de pé atrás com ela, mas não devo ter sorte, nem eu nem a Mariana.
    Descansa muito, para voltares com as energias renovadas e não te esqueças que estás a dever-me umas informações...

    Beijocas

    Fernanda

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  7. Oh my god!!! O que será que vem por aí??? O que faz a Inês em casa do Ruben sem avisar???
    Espero que não sejam problemas... e este impasse... até já estou com pena do Ruru :D
    Adoro, adoro... Quero mais!!!
    Beijinhos minha linda.

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  8. HAHA Eu rir, quando ele quis, ela não quis & quando ela tomou a iniciativa... foram interrompidos pelo pimpolho lool Coitadinhos haha :P
    Mas agora fiquei curiosa, quem é essa Inês? Espero mesmo que não traga problemas u.u
    Beijos! :*

    Gabii.

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