Ruben
A semana passou a correr entre os meus treinos, os do Martim
e o tentar dar atenção ao miúdo quando só me apetecia raptar a sua irmã não dei
pelos dias passarem. Hoje acordei extremamente bem-disposto afinal amanhã já
irei ter a Mariana só para mim, uma vez que o Martim pediu para não ir connosco
porque queria jogar, algo que nem eu nem a irmã contrariamos.
Passei o dia inteiro sem conseguir falar com o meu amor, já
estava a ficar preocupado quando recebi uma chamada sua e no mesmo momento que
a atendi percebi que alguma coisa se passava, a voz dela estava estranha e por
isso não perdi tempo a perguntar o motivo.
- Passa-se alguma
coisa?
- Porquê?
- A tua voz está
estranha - suspirou.
- É o Martim - interrompi-a.
- O que se passa? O
menino está bem? - o Nuno que estava comigo no quarto olhou imediatamente.
- O Martim está com varicela.
- Isso dá muito
comichão - gargalhou ligeiramente.
- Já tiveste?
- Quando era puto mas
porquê?
- Amor, liguei-te para perguntar se já tinhas tido, uma vez que preciso
de um sítio para ficar nos próximos dias com o Martim porque não o vou levar
para a casa do Nuno com a Patrícia grávida ainda por cima quando nunca teve
varicela.
- Se o teu problema
era esse podes ficar tranquila que gramei com a varicela em pequeno, já não há
crise mas e tu apanhaste?
- Ya, eu e mais não sei quantas crianças na instituição, as que ainda
não tinham apanhado foram quase todas corridas, foi uma festa ficamos todos
doentes sem irmos à escola, enfim foi uma animação pegada - gargalhei - mas que não teve piada
nenhuma.
- Mas como é que o
Martim está?
- Está triste, o menino ficou assim quando percebeu que não podia ir à
escola o que sinceramente achei estranho.
- Porquê?
- Amor, o Martim ultimamente só vê o futebol se não formos nós a
insistir com ele nem os trabalhos da escola faz e agora ficou triste porque não
pode ir às aulas - gargalhei
ou não fosse saber o motivo pelo qual o puto ficou triste - estás a achar piada?
- Mariana o menino
não quer as aulas quer é a brincadeira.
- Disso sei eu mas agora mudando de assunto posso levá-lo para a tua
casa?
- Isso nem se
pergunta, tens a chave para alguma coisa além disso já te disse que a casa só
não é nossa porque não queres - o Nuno olhou-me e sorriu.
- Isso é outro assunto.
- Pois desconversa
- ripostei.
- Amor, vou ter que desligar o médico do Martim quer falar comigo.
- Tudo bem mas se
precisares de alguma coisa liga - ouvi-a a sorrir.
- Lindo já ajudaste ao deixares que invadíssemos a tua casa agora
descansa que trato do resto - suspirou - amo-te.
- Também te amo -
o Nuno voltou a sorrir - depois dá
notícias.
- Ok, beijos.
- Para ti também e dá
muitos ao Martim por ti e por mim - voltou a sorrir e depois de mais
algumas palavras acabamos por desligar.
- É mesmo oficial,
estás mesmo apanhadinho - olhei para o Nuno - mas o que é que o puto tem?
- Está com varicela e
a Mariana não o quer levar para a vossa casa por causa da Patrícia.
- Pois, ela nunca
teve varicela.
- Ya a Mariana
disse-me - deitei-me na cama a olhar para o teto.
- Ficaste mesmo
preocupado com o Martim - olhei-o e encontrei-o a sorrir.
- Varicela não é nada
de outro mundo mas também a tive e sei bem a comichão que dá, já para não dizer
que estes dias para o Martim vão ser complicados.
- Ui, o puto ficar
sem ir aos treinos é o mesmo que dizer que vai andar de burro.
- O problema não será
bem este mas sim outro.
- Como assim?
Sorri mas não respondi, afinal é assunto do Martim e o miúdo
só falou com a promessa que não contaria a ninguém.
Passei as horas seguintes a olhar constantemente para o
relógio, parecia que o raios dos ponteiros nunca mais se mexiam, quem
aproveitou para gozar comigo foi o Nuno mas sinceramente nem liguei. Ainda
falei com o meu amor antes do jogo, eles já estavam em casa e à minha espera.
O jogo acabou por correr bem, ganhamos mas isso era o que
menos importava, só queria chegar a Braga o quanto antes e por isso fui dos
primeiros a ficar despachado algo que foi motivo para gozo por parte de alguns
colegas, ignorei e fui para o autocarro sempre acompanhado pelo Nuno.
- Tem calma que o
puto não foge.
- Isso é fácil de
dizer mas se fosse o Nuninho queria ver - sorriu - não sei onde está a piada.
- Estás mesmo a levar
a sério o papel de pai - voltou a sorrir - até já sofres como um.
- Não gozes que não
tem piada. Eles já se despachavam - o Nuno sorriu.
- Hey respira já
falta pouco para poderes ires consular o Martim ou será mais a Mariana.
Não respondi, decidi mesmo ignorá-lo antes que me chateasse
a sério. Esperei e desesperei até que o último colega entrou no autocarro,
seguimos viagem até ao estádio AXA que por sorte foi rápida ou não fosse o jogo
ter sido em Guimarães, mal cheguei a Braga saí o mais rápido que consegui do
autocarro entrando logo depois no meu carro e conduzi direto a casa.
Assim que entrei em casa fui imediatamente ao quarto do
Martim, ele estava deitado mas assim que viu-me sentou-se na cama.
- Então campeão como
é que isso está?
- Mal - estava
chateado - já viste agora não posso ir á
escola nem ir treinar.
- É só durante uns
dias, passa depressa vais ver - falei já sentado do seu lado.
- Mas assim não posso
ver os meus amigos - sorri - não é
para rir porque não tem piada.
- Lindo, quando
reparares já estás novamente na escola.
- A mana disse que
também tiveste isto - sorri ao ouvi-lo.
- Quando tinha mais
ou menos a tua idade também apanhei varicela e depois passei ao meu irmão.
- Pois o médico disse
que se fosse á escola que podia passar aos outros meninos por isso tenho de
ficar em casa.
- Vais ver que estes
dias passam depressa - dei-lhe um beijinho na testa e quando o estava a
fazer vi a Mariana a entrar no quarto com um pequeno lanche para o menino.
- Não dei por teres
chegado - falou assim que se aproximou da cama.
- Vim direto ao
quarto do Martim - ele sorriu - queria
vê-lo.
- Tanto quanto sei
quem namora contigo sou eu - sorri e aproveitei o facto de ter largado o
tabuleiro com o lanche do irmão em cima da mesa-de-cabeceira para a puxar para
mim, ficamos de frente um para o outro.
- Ó Martim já viste a
tua mana com ciúmes teus - falei num tom de gozo - aqui quem está doente é o menino e não tu - piquei-a e quando ia
para unir os nossos lábios a Mariana desviou a cara - então?
- Então que aqui o
doente tem que comer e já que estás assim tão preocupado com o Martim trata tu
dele, tens aí a comida e o medicamento para lhe dares no fim - falou ao
mesmo tempo que se desprendeu dos meus braços - lindo agora que arranjaste um enfermeiro a mana vai à casa do Nuno
buscar algumas coisas que vamos precisar, pode ser?
- Sim - a Mariana
deu-lhe um beijinho - mas mana ficaste
chateada com o Ruben? Ele tava só a brincar contigo - sorrimos ao vê-lo
realmente preocupado.
- Amor, a mana não
está chateada - olhou-me - mas agora
vou buscar as nossas coisas, já regresso - deu-me um beijo no rosto - juízo - ela já se ia a afastar quando a
puxei novamente para mim - o que foi?
- Onde pensas que
vais - olhou-me.
- Já disse, à casa do
Nuno porquê?
- Primeiro quero o
meu beijo - voltei a tentar beijá-la mas mais uma vez fugiu com a cara.
- Agora queres
beijos? Então vais ter que esperar que regresse porque se tivesses assim com
tantas saudades minhas tinhas ido à minha procura quando chegaste.
Não respondi e por isso mesmo saiu do quarto toda senhora de
si, o que deu-me vontade para rir, algo que fiz e por isso tive que explicar ao
Martim, uma vez que o menino não tinha entendido. Passei os minutos seguintes
com o piolho, dei-lhe o comer e no fim a medicação para depois ficarmos os dois
à conversa que só foi interrompida quando recebi a mensagem da Mariana a pedir
que a fosse ajudar a tirar as malas do carro, avisei o Martim que ia ajudar a
irmã e que já regressava para perto dele.
Mariana
Passei o dia inteiro com o meu irmão, o Martim estava
chateado porque tinha de faltar à escola algo que deixou-me com a “pulga atrás
da orelha” uma vez que o Martim até á um tempo ainda fazia birra por ter que ir
para a escola, no entanto resolvi não puxar muito o assunto pois percebi que o
menino não queria falar disso.
Vi o jogo do braga com o Martim do meu lado mas no final
obriguei-o a ir para a cama, o menino estava a ficar novamente com febre e
tinha que descansar, deixei-o no quarto e fui preparar algo para comer. Quando
regressei ao quarto deliciei-me com a imagem que tinha diante de mim, o Ruben
já tinha chegado e estava com o meu irmão, vê-los aos dois assim tão unidos
deixa-me sempre com uma sensação de paz enorme no entanto tive que implicar com
o Ruben quando percebi que tinha sido trocada pelo Martim, lógico que foi na
brincadeira algo que o meu amor percebeu já o Martim ficou a pensar que estava
mesmo chateada, acabei por sair do quarto e deixar que o Ruben “descalçasse a
bota” afinal se quer ser pai então é bom que se vá habituando.
Fui até à casa do Nuno e assim que entrei encontrei o meu
amigo na sala, tive a confirmação do que já desconfiava, o Ruben tinha ficado
mesmo preocupado com o meu irmão. Estive uns minutos à conversa com o Nuno onde
fiquei a saber com detalhes o “estado” em que tinha deixado o Ruben depois de
lhe dar a notícia da doença do Martim, acabei por dar algumas gargalhadas
afinal não esperava que o Ruben fosse ficar tão aflito.
Estava no meu quarto a colocar algumas roupas na mala quando
a Patrícia pediu autorização para entrar.
- É desta que fico
sem ti - olhei-a sem entender - cá
para mim essas malas só têm um “v” de vai.
- O que queres dizer
com isso?
- Mariana, achas
mesmo que vocês voltam para cá?
- Lógico que sim,
aliás só fui para a casa do Ruben porque estás grávida e não convém teres contato
com a varicela, mas daqui a umas semanas regressamos.
- Isto é se o Ruben
não puder fazer nada - sorriu.
- Onde é que queres
chegar com esta conversa?
- Duvido muito que
consigas regressar para cá - sorriu - Mariana
o que quero dizer é que aproveites estes dias para pensares - olhei-a - não estou a correr contigo cá de casa muito
pelo contrário mas ambas sabemos que o Ruben está “mortinho” para viver
convosco, não tenhas medo em dar um rumo definitivo à vossa vida,
principalmente à tua e à do Martim, dá essa oportunidade aos três.
- O problema não é
dar uma oportunidade mas sim saber se estou preparada para uma vida a três,
Patrícia viver com o Ruben é muito mais do que mudar de casa, é partilhar o
dia-a-dia com ele e sinceramente tenho receio em precipitar-me, a verdade é que
nunca partilhei o meu espaço com ninguém.
- Deixa de ser tonta,
mete esses receios todos a um canto e aproveita estes dias para pensares e
quanto a nós - voltei a olhá-la - não
é por deixares de viver cá em casa que irás deixar de cuidar do Nuninho, sim
porque consigo abdicar da presença da amiga se for para ir viver com o namorado
mas da ama do meu filho nem penses - sorri - a sério só quero que entendas que por nós não haverá problema nenhum.
- Obrigada.
- Agora outra coisa
- olhei-a - eu e o Nuno vamos aproveitar
a interrupção do campeonato pelo natal para irmos passear por isso terás uns
dias de descanso uma vez que o Nuninho vai connosco - sorriu - aproveita e faz o mesmo, desafia o Ruben a
ir contigo passar uns dias longe de tudo e de todos.
- Nem penses -
olhou-me - nesta altura do ano não me
separo do Martim nem que pagassem rios de dinheiro - sorriu.
- Então leva-o
convosco.
- Prefiro passar
esses dias em Lisboa, o Martim está com saudades dos amigos e querendo ou não o
pessoal da instituição é a nossa família, além disso o Ruben deve querer
aproveitar para estar com a sua família, não faz muito sentido irmos de férias
nesta altura.
- Realmente o Ruben
não poderia arranjar melhor - sorriu - se
ele é ligado à família, tu não lhe ficas nada atrás.
Continuamos a falar mas tivemos que interromper quando
fechei a mala com a roupa do meu piolho, o Nuno ajudou-me a colocar tudo no
carro que apesar de ser só para uns dias ainda levei algumas malas, afinal além
da roupa tive de levar os brinquedos preferidos do Martim ou então já sabia que
amanhã estava de regresso pois o menino pode estar rodeado dos melhores
brinquedos mas se não tiver os dele não há quem o cale.
Despedi-me dos meus amigos bem como do Nuninho e conduzi de
regresso à casa do Ruben que durante os próximos dias será a minha também.
Assim que cheguei mandei-lhe mensagem a pedir ajuda e uns minutos bastaram para
o ter diante de mim.
- Olha lá que brincadeira
foi aquela - olhei-o - tinhas mesmo
que fingir que ficaste aborrecida comigo?
- Porquê? -
perguntei ao passar ao seu lado.
- Porquê? Ainda tens
o descaramento de perguntar?
- Não fingi nada, só
te dei o mesmo tratamento que me deste, afinal foste tu que chegaste e nem
sequer chamaste por mim, é porque não devias ter assim tantas saudades minhas
- tive que controlar a vontade que tinha de rir, o Ruben ao contrário do que
esperava acreditou que pudesse estar mesmo aborrecida.
- Amor desculpa mas
quando cheguei só quis ver o menino para ter a certeza que estava bem, nunca
pensei que ficasses ressentida - aproximou-se e colocou uma das suas mãos
na minha cara e a outra no fundo das costas - amo-te mas confesso que estava preocupado com o Martim - sorri
perante a sinceridade das suas palavras - desculpa.
- Não tenho nada para
desculpar - olhei-o nos olhos - só a
agradecer - beijei-o demoradamente - Ruben,
não estou nem nunca estive aborrecida contigo - suspirei - muito pelo contrário estou completamente
“sem chão” perante a tua sincera preocupação, demonstraste mais uma vez a
pessoa fantástica que és mas principalmente que estás mesmo disposto a seres o
pai do meu irmão.
- Então porquê que
reagiste daquela forma - sorri.
- Porque se fosse
fazer aquilo que me apetecia e continua a apetecer garanto que o meu irmão
ficaria chocado - enquanto falava um sorriso malandro surgiu no rosto do
Ruben - queres mesmo continuar a jogar
conversa fora - aproveitei a proximidade dos nossos corpos para lhe
sussurrar ao ouvido - é que estou mais
numa de ir até ao interior da casa e ficar assim juntinha a ti - beijei-o e
uns segundos bastaram para sentir as mãos do Ruben a irem até ao interior da
minha camisola.
O Ruben ajudou-me a levar as malas e enquanto foi colocar a
minha no quarto dele, levei a do Martim para o seu quarto. Estava a arrumar a
roupa do meu irmão quando o Ruben entrou no quarto e ao passar por mim deu-me
um beijo rápido o que fez o Martim sorrir, talvez porque pensava que estava
aborrecida com o Ruben.
- Lindo precisas de
alguma coisa? - perguntei antes de sair uma vez que o meu irmão basicamente
expulsou-me do seu quarto.
- Não, o Ruben lê a
história até eu adormecer né? - o meu amor sorriu-lhe.
- Sim, mas é mesmo
para ires dormir - alertou-o.
- Tá bem.
Acabei por sair e deixá-los a sós. Fui até ao quarto do
Ruben onde entretive-me a arranjar um espaço no seu roupeiro para colocar a
minha roupa, era isso que estava a fazer quando o vi a entrar. O Ruben fechou a
porta e ficou a olhar-me, continuei na minha até que senti os seus braços em
volta da minha cintura.
- O menino já
adormeceu - falou ao meu ouvido direito para logo depois sentir os seus
lábios no meu pescoço - que dizes de um
duche a dois - beijou-me.
- Um duche é uma
ótima ideia - sorriu - mas um de
cada vez - o seu sorriso desapareceu - que
foi?
- Nada mas preferia
que fosse a dois.
- Olha lá mas não te
lavaste depois do jogo?
- Lógico que sim.
- Então não vejo
motivo nenhum para quereres ir novamente para debaixo de água - deitei-lhe
a língua de fora que nem criança para fugir dos seus braços no instante
seguinte.
Acabei por seguir o seu conselho e aproveitei ao máximo o
duche, não sei se levei muito tempo ou não, só sei que quando saí da casa de
banho não o encontrei no quarto. Vesti-me e fui à sua procura, o Ruben estava
na sala a ver o resumo de um jogo qualquer e só percebi que era o Benfica
quando ouvi um comentário ao jogo. O meu amor estava tão atento que não reparou
na minha presença, só quando sentei-me do seu lado é que despertou para a
realidade.
- Porquê que saíste
do Benfica? - olhou-me.
- Sabes o motivo.
- Sei que querias
jogar mais mas tenho a sensação que há algo que não contaste - suspirou - não queres falar sobre isso?
- Mariana, foi uma
decisão complicada para mim, por um lado tinha vontade de jogar mais e sabia
que podia fazê-lo por outro o amor ao clube, é por isso que não gosto de falar
do assunto.
- Qual é que foi o
motivo pelo qual não jogavas?
- O Benfica tem um
plantel forte e depois por ser polivalente - sorriu talvez pela cara que
fiz - não sabes o que isso quer dizer
pois não?
- Sei o que a palavra
significa - sorriu - e adaptando
isso ao futebol deve significar que jogas em várias posições, é isso?
- É - abraçou-me
- aos poucos ficas pró no assunto -
sorriu - mas como estava a contar por conseguir
jogar em várias posições acabei por ficar no banco, passei a ser “pau para toda
a obra” e isso prejudicou-me na medida que não evolui tanto como alguns colegas
meus, já para não falar que foi raro as vezes que joguei na minha posição e
isso deixa-me triste para ser sincero nem consigo explicar.
- Mas agora tens
jogado e é isso que interessa ou estás a pensar em regressar?
- Não - olhou-me
- por mim fico em Braga mas isso não
depende só da minha vontade.
- Mas se tiveres de
regressar?
- O que queres saber
em concreto?
- Quero saber como é
que te vais sentir - sorriu.
- Para ser sincero
nem sei mas também não quero pensar muito nisso, se tiver que acontecer estarei
cá para lidar com a situação mas até lá prefiro viver um dia de cada vez e
aproveitar todas as oportunidades para estar contigo - puxou-me para o seu
colo, beijando-me imediatamente e o que começou por ser um beijo inocente
depressa o deixou de ser, deixei-me levar e uns minutos depois já estava
deitada por baixo dele - o que foi?
- perguntou talvez por ter percebido que não estava a corresponder como
pretendia - não queres?
- Não é isso -
beijei-o - estamos na sala - falei
com uma ponta de vergonha à mistura e talvez por isso sorriu.
- Qual é o mal? -
beijou-me o pescoço.
- Pára - coloquei
as mãos no seu peito e empurrei-o.
- Desculpa -
bufei o que fez com que olhasse para mim.
- Ruben não tens que
pedir desculpas mas não nos podemos esquecer que o Martim pode acordar e
apanhar-nos nestes propósitos.
- Então vamos para o
quarto - o Ruben levantou-se imediatamente e acabei por segui-lo sempre com
ele a tentar levar a “água ao seu moinho” no entanto não estava virada para
esse lado e assim que cheguei à cama fiz questão de lhe dizer que queria
dormir, o Ruben ainda olhou para ter a certeza que não estava a gozar. Acabamos
por adormecer cada um virado para o seu lado e quando acordei já não o tinha na
cama.
Ruben
Acordei cedo e como não tinha sono levantei-me, a nega da
Mariana deixou-me a pensar a noite toda, afinal desde aquela noite em que se
entregou a mim ainda não consegui aproximar-me dela, a Mariana tem fugido
sempre que tento algo mais o que está a deixar-me cada vez mais desconfiado que
possa ter-se arrependido. Estava a pensar nisso quando vi o Martim a entrar na
sala.
- Ruben tenho fome
- sorri ao ouvi-lo.
- O que queres comer?
- Pode ser leite com
cereais?
- Pode, anda comigo
até à cozinha - deu-me a mão e fomos comer.
- O que é que tens?
- Nada, porquê?
- Estás triste -
olhei-o surpreendido - eu sei que tas só
não sei o porquê.
- Martim, não estou
triste mas sim preocupado com um assunto.
- É com a mana?
- Não - menti
para não o deixar preocupado.
- Então porquê que
ela não tá aqui com a gente - sorri-lhe.
- Lindo, a mana ainda
está a dormir.
- Mas tu já tas
acordado.
- Acordei sem sono
por isso levantei-me para deixar a Mariana descansar mas isso não é sinal de
que esteja chateado com ela.
- Tás a dizer a
verdade?
- Sim, estou. Martim
não te preocupes que nós não estamos chateados - dei-lhe um beijinho na
nuca ao passar por trás dele - e agora
come porque tens os medicamentos para tomar.
A verdade é que não estávamos chateados mas a dúvida
mantinha-se na minha cabeça, comi e no fim dei a medicação ao menino, acabei
por acompanhá-lo ao quarto onde fiquei até voltar a adormecer. Como a Mariana
continuava a dormir resolvi ir correr, talvez assim conseguisse meter as ideias
em ordem, tinha que falar com ela só não sabia como abordar o tema. Deixei-lhe
um bilhete a avisá-la que tinha dado o medicamento ao menino e saí de casa.
A hora seguinte serviu para gastar alguma energia e quando
regressei a casa já a Mariana estava acordada mas ainda se encontrava na cama.
- Isso é que é
vontade - falou ao ver-me a entrar no quarto - o que é que te deu para ires correr tão cedo?
- Nada, acordei sem
sono e depois de deixar o Martim a dormir resolvi ir correr.
- Por algum motivo em
especial?
- Não, apeteceu-me.
- Ruben, só vais
correr quando algo te está a incomodar caso contrário esperas pelos treinos
para gastares as energias - olhei-a - não
queres mesmo falar?
- Vou tomar banho.
Esquivei-me como consegui e quando regressei ao quarto a
Mariana já não se encontrava na cama, vesti-me e fui procurá-la.
- Ruben, podes ficar
com o Martim enquanto vou ao supermercado? - perguntou-me assim que entrei
na cozinha, ela estava a fazer a lista das compras.
- Posso - dei-lhe
um beijo - mas não queres ajuda?
- Alguém tem de ficar
com o menino.
- Tudo bem -
sentei-me ao seu lado - estás aborrecida
comigo?
- Não mas já percebi
que alguma coisa anda a incomodar-te - suspirei.
- Amor não leves a
mal mas prefiro não falar disso agora - olhou-me.
- Ruben, quando
quiseres falar vou estar aqui para ouvir - beijou-me - não posso nem vou obrigar-te a falar porque detesto que façam isso
comigo, só quero que saibas que se precisares de alguma coisa estou aqui à tua
disposição.
- Eu sei e obrigado
por respeitares o meu espaço - sorriu - o que foi?
- Nada só achei piada
agradeceres tal coisa quando o teu espaço é um direito que tens.
- Pois mas nem todas
as pessoas pensam assim e a pior coisa é sentirmos que nos estão a sufocar.
- Ruben para uma
relação resultar temos que respeitar o espaço de cada um, pelo menos é assim
que penso. Tens direito ao teu espaço e ao teu tempo nem todos lidamos com as
mesmas situações de formas iguais, o que para mim pode passar-me ao lado para
ti pode causar mossas, é normal que tenhamos alturas em que precisamos de tempo
para digerirmos determinado assunto logo só posso respeitar isso, sei que
quando te sentires preparado que falas, é só uma questão de tempo até saber o
que te anda a preocupar.
Não lhe respondi por palavras mas sim por atos, beijei-a
calmamente e em menos de nada já a tinha sentada ao meu colo, a iniciativa foi
da Mariana o que acabou por serenar-me um pouco. Ficamos a namorar nos minutos
seguintes mas o meu amor acabou por sair para ir ao supermercado e quando
regressou já estava na brincadeira com o Martim.
Mariana
O Ruben anda estranho mas resolvi respeitar o seu espaço mas
avisei-o que se precisasse de alguma coisa que podia contar comigo. Acabei por
deixá-lo com o Martim e fui ao supermercado, quando regressei encontrei-os aos
dois na sala e na brincadeira. O meu amor assim que deu pela minha presença
veio ajudar-me com os sacos e fez questão de ajudar também na altura de arrumar
as compras nos devidos locais.
- Como é que sabias
que precisava disto? - perguntou com o frasco de champô nas mãos.
- Talvez porque vi
que o que tens está praticamente a acabar e que não tinhas mais nenhum -
sorriu.
- Sempre atenta.
- Ruben não te
esqueças que estou habituada a gerir uma casa - abraçou-me.
- Podias começar a
gerir a nossa casa - olhei-o.
- Não vais começar
com essa conversa.
- Achas a ideia assim
tão descabida?
- Amor não é isso, só
acho que temos muito tempo para vivermos juntos.
- Fazemos um acordo
- olhei-o - não toco mais no assunto mas
falamos dele assim que o Martim ficar bom e antes de regressares para a casa do
Nuno.
- Tudo bem mas aviso
que não vais conseguir convencer-me.
- A ver vamos -
beijou-me demoradamente - amo-te.
- Sabes muito -
sorriu.
Continuamos a arrumar as compras e no fim avisei-o que iria
até ao quarto mudar de roupa para algo mais confortável. Estava a escolher a
roupa que iria vestir quando o Ruben entrou no quarto sem pré-aviso, ainda
tentei reclamar mas não tive sequer tempo para tentar formular uma frase quanto
mais para a dizer, o meu amor simplesmente puxou-me para ele unindo as nossas
bocas num longo e demorado beijo, as saudades aliadas à vontade de ser dele
novamente falaram mais alto e foi minha a iniciativa de procurar algo mais,
estava a tentar ver-me livre da sua camisola quando bateram à porta, suspirei e
após agarrar na minha roupa para ir vestir-me pedi ao Ruben para ver o que o
Martim queria.
Regressei ao quarto e encontrei o Ruben deitado na cama a
mexer no seu telemóvel.
- O que é que ele
queria?
- Perguntar se podia
ir jogar PES.
- Deixaste-o?
- Sim, está na sala
mas porquê não devia ter deixado?
- Desde que não passe
o dia a jogar - sorriu - e agora
conta lá o que tens - perguntei ao vê-lo pensativo - estás aí a olhar para o telemóvel.
- Estive a falar com
o meu irmão e ao que parece o meu afilhado está cada vez mais reguila -
levantou-se da cama - o puto está na
fase de interromper sempre que eles estão mais animados - beijou-me o
pescoço e levou as mãos até ao interior da minha camisola.
- Amor, pára-
pedi mas o Ruben fez “ouvidos de mercador” e continuou numa de provocar-me,
acabei por afastar-me dele um pouco à bruta.
- O que é que se
passa?
- Nada, tenho o
almoço para fazer - respondi serenamente.
- Ainda falta -
voltou a puxar-me para ele - amor
estavas a ir tão bem antes de sermos incomodados pelo Martim - falou
enquanto os seus lábios e língua andavam a passear pelo meu pescoço.
- Ruben depois -
olhou-me - agora quero mesmo ir preparar
o nosso almoço - dei-lhe um beijo rápido nos seus lábios e sai do quarto
sem mais demoras antes que tentasse alguma coisa pois tinha consciência que se
continuasse numa de provocar-me iria acabar por ceder.
- Tudo bem mas depois
vais compensar-me - “rosnou” ao passar por mim o que fez com que
gargalhasse - achas piada, é? - sem
que tivesse à espera o Ruben voltou-se para trás e começou numa de fazer
cócegas, só parou quando fomos novamente interrompidos pelo Martim que veio
chamá-lo para jogarem juntos.
***
Já tínhamos almoçado os três e o Martim já estava a dormir
no seu quarto quando ouvimos a campainha, levantei-me e fui ver quem seria.
- Boa tarde - não
conhecia a rapariga de lado nenhum - sou
amiga do Ruben, ele está?
- Sim, entre -
fui educada - Ruben tens aqui uma amiga
- falei assim que entrei na sala acompanhada da rapariga.
- Inês - notei
surpresa no tom da sua voz.
Quem será esta Inês? Irá trazer problemas ao casal?
Primeiro quero pedir-vos desculpa pela demora em publicar :S
Espero que o capítulo corresponda às expectativas! Tentarei ainda durante a semana dar-vos mais um capítulo mas não prometo.
Beijinhos :D
Adorei!
ResponderEliminarBolas agora deixaste-me curiosa! (Para variar! lol)
Quem será esta Inês??? Quero o próximo rápido.
Beijinhos!
Uii, será qe vem daí mesmo problemas?! Quero ver isso...
ResponderEliminarEstá lindo, gostei muitoo! E o Ruben ainda vai dar em maluco de não ter "festa" :p
Beijinho
Olá :)
ResponderEliminarPrimeiro está os teus capítulos estão sempre óptimos e só espero que venhas mais!
Agora acabar com a chegada de esta Inês é algo que não gosto nada Caty Maria xD
Quero mais e aproveita as férias ;D
Beijinhos
Rita
http://lifegoesonr.blogspot.pt/
Tadinho do Martim varicela ninguém merece!
ResponderEliminare esta amiga... ui sempre ouvi dizer que as Inês são todas iguais... terríveis :p
Por isso antevejo tempestade no paraíso.
Só não peço que publiques rapidinho porque prefiro que te divirtas muitoooo e depois voltes com as baterias recarregadas e um montão de inspiração!!!
Bjokinhas
Mariaa
Epá juro que não percebo! Se ele avança, ela não quer. Se ela avança, são interrompidos... Isto nao se faz a ninguem! A Mariana diz que o Ruben está estranho, mas não está muito melhor. Estes meninos andam com as hormonas trocadas! :O
ResponderEliminarE acho que esta Ines vai estragar tudo -.-' Ai dela!
Beijo
Ana
Ainda pensei não te desculpar pela demora do capitulo, mas como ele tá tão bom, tás perdoada.
ResponderEliminarVaricela? Coitado do puto, como diz a Maria "ninguém merece", não é mesmo nada agradável, e logo agora que a criança tava tão entusiasmada com a escola e com os "amigos", é preciso ter azar.
Adorei, mas desgraçado do Ruru já tá a ver a vidinha a andar para trás, com as negas da Mariana, e agora o que estava mesmo a fazer falta era aparecer a amiga Inês. Confesso que já tava achar falta desta "famosa" amiga, só espero que me surpreenda pela positiva, porque já tou de pé atrás com ela, mas não devo ter sorte, nem eu nem a Mariana.
Descansa muito, para voltares com as energias renovadas e não te esqueças que estás a dever-me umas informações...
Beijocas
Fernanda
Oh my god!!! O que será que vem por aí??? O que faz a Inês em casa do Ruben sem avisar???
ResponderEliminarEspero que não sejam problemas... e este impasse... até já estou com pena do Ruru :D
Adoro, adoro... Quero mais!!!
Beijinhos minha linda.
HAHA Eu rir, quando ele quis, ela não quis & quando ela tomou a iniciativa... foram interrompidos pelo pimpolho lool Coitadinhos haha :P
ResponderEliminarMas agora fiquei curiosa, quem é essa Inês? Espero mesmo que não traga problemas u.u
Beijos! :*
Gabii.