quinta-feira, 5 de julho de 2012

037 - “Porque eu tenho um quarto só para mim aqui na casa do Ruben”


Mariana

Ando completamente estafada entre ter que dar atenção ao Martim que está cada vez mais endiabrado e cuidar do Nuninho sem nunca esquecer o Ruben não dei pelas semanas passarem mas o certo é que já estamos no início de Novembro, este mês serviu para o meu irmão aprontar bastante, desde que lhe contei do namoro que o menino até pesadelos durante a noite diz que tem, no entanto não passa de invenção da cabeça dele, talvez por achar que assim evita que vá sair com o Ruben, até aqui tem-se safado porque o meu amor andou com os horários mais reduzidos mas não tenciono deixar esta situação arrastar muito mais.
- Oi amor - o Ruben entrou na sala alegre e bem-disposto acompanhado do Nuno.
- Oi lindo - beijamo-nos demoradamente o que levou o nosso amigo a forçar a tosse - que foi? - perguntei assim que desgrudei os meus lábios dos do Ruben.
- Nada mas resolvi dar numa de Martim - teríamos gargalhado se tivéssemos achado piada mas dado os últimos acontecimentos não conseguimos sorrir quanto mais gargalhar.
- Tinhas mesmo que nos relembrar disso?
- Ó Mariana, vocês não acham piada mas para quem está de fora é lindo de se ver.
- É especialmente quando o Martim entra na sala a correr e se atira para cima de mim quando estou sentado ao lado da irmã sem ter cuidado nenhum e muitas vezes aleija-me - o Ruben ripostou.
- Ó puto se fosse a ti fazia seguro de vida - o Nuno gozou - já agora pensa numa forma de preservar a continuação da espécie é que isto do Martim andar a aleijar-te nas partes baixas não sei não - falou já a sair da sala.
- Amor não lhe ligues - falei assim que ficamos sozinhos.
- Mariana, o problema não é o que o Nuno diz mas sim o que o teu irmão anda a fazer - suspirei.
- Nunca pensei que fosse assim tão complicado - aninhei-me nos braços dele - não consigo entendê-lo, o Martim quando está só contigo comporta-se lindamente, adora que o leves aos treinos, prefere que sejas tu a ajudá-lo nos trabalhos da escola, estuda e fala imenso contigo mas quando nos vê próximos parece um diabinho em forma de gente.
- Amor, o miúdo tem ciúmes.
- Tudo bem mas já é abuso.
- O que é que queres fazer?
- Hoje quando o fui deixar na escola falei com a psicóloga, pedi-lhe conselhos para lidar com o meu irmão porque isto já está a passar todos os limites, ele já não é um bebé como tal tem que se comportar.
- Linda, o Martim habituou-se a ter-te só para ele - interrompi-o.
- Pára de o desculpar e de lhe fazer as vontades todas - olhou-me - tens que aprender a contrariá-lo.
- Isso só serve para se revoltar ainda mais.
- Ruben, sei que queres o melhor para o meu irmão por isso não interfiras na educação que lhe dou, amor compreendo que para ti não é fácil negar-lhe os pedidos mas não podemos continuar por este caminho porque não muda nada. Hoje tomei uma decisão e vou metê-la em prática - olhou-me - amanhã vou passar o dia inteiro com ele, vamos passear e fazer algo só nosso como sempre fizemos mas à noite vou ver o teu jogo - sorriu - o Martim vai comigo mas se a Patrícia concordar regressa com ela para termos um tempinho só nosso, não quero saber de birras, vai ser contrariado e vai acabar por perceber que não adianta ficar de trombas.
- Tens a certeza que é o melhor a fazer?
- Tenho, amanhã passa o dia comigo e depois regressa com a Patrícia mas no Domingo se concordares queria fazer um programa a três, para que o Martim perceba que também é incluído nos nossos planos, entendes?
- Sim - beijou-me - mas esclarece-me uma coisa.
- Diz.
- Se o Martim regressa com a Patrícia isso quer dizer que te tenho a noite toda - falou ao dar-me beijinhos no pescoço - que finalmente posso voltar a dormir agarradinho a ti e acordar com os teus beijos.
- Se a Patrícia ficar com o Martim é essa a ideia - sorriu.
- Gosto disso - gargalhei - mas amor agora vou buscar o teu irmão para o levar ao treino - informou-me ao olhar o relógio.
- Vou contigo, só tenho de ir ver se o Nuninho também vem ou se fica com o pai.
Hoje estava mesmo a apetecer passar mais tempo com o Ruben e por isso mesmo colei-me a ele para ir ao treino do meu irmão, o Nuninho ficou com o pai o que até deu jeito assim podia estar mais atenta ao meu piolho. Antes de sairmos passei pelo seu quarto onde coloquei uma muda de roupa para que tomasse banho na casa do Ruben depois do treino e pela cozinha para levar o seu lanche, é que às sextas-feiras não dá tempo do puto vir a casa comer e daí vai direto da escola ao estádio.
- Mana és tu que vais comigo hoje? - perguntou visivelmente desanimado quando o fui esperar à porta da escola.
- Vou mas o Ruben está à nossa espera no carro.
- Fixe - fiquei a olhá-lo - ó mana desculpa mas eu gosto mais de ir aos treinos com o Ruben - sorri ao ouvi-lo.
- A tua sorte é que arranjei um namorado com paciência para te aturar apesar de andares a ser mauzinho.
- Ó mana não vais começar com essa conversa, né?
- Hoje escapas mas amanhã vamos conversar muito a sério ficas já avisado.
Não ligou nenhuma ao que falei até porque ao chegarmos ao carro meteu-se imediatamente a falar com o Ruben, fui o caminho todo como mera espectadora da conversa daqueles dois e por muito que pedisse ao Martim para lanchar ele estava mais interessado em saber se o Ruben tinha sido ou não convocado para o jogo.
- Sim, fui convocado - respondeu-lhe - mas agora faz o que a mana está a pedir e come.
- Tá bem - ficamos ambos surpreendidos normalmente reclama primeiro e aceita depois uma ordem dada pelo Ruben.
Chegamos ao estádio e depois de deixarmos o Martim entregue aos responsáveis pelos putos fui com o Ruben até ao café, não sei antes avisar o meu irmão que ia lanchar mas que regressávamos a tempo de ver o seu treino.
Estava a lanchar descansada com o Ruben na minha frente quando fomos abordados por alguém que não conhecia de lado nenhum mas que o meu amor deveria conhecer uma vez que cumprimentou a rapariga.
- É preciso vir a Braga em trabalho para meter os olhos em cima do menino - a rapariga falou depois deles se terem cumprimentado o que fez com que a olhasse de lado algo que o Ruben viu e talvez por isso sorriu.
- Sabes que a minha vida é cada vez mais em Braga - ela sorriu - mas deixa apresentar a Mariana - olhou-me - é a Rita uma amiga e jornalista do jornal A Bola - a rapariga cumprimentou-me.
- É ela a responsável por andares a adorar Braga? - ele sorriu - Sim porque segundo o que consta lá por Lisboa tens andado entretido - olhei para o Ruben.
- Rita, não sei que rumores são esses que ouviste mas não ando a divertir-me com a Mariana, nós namoramos mas não é para ser divulgado - ela sorriu.
- Sabes bem que não divulgo mas fico contente por ter tido o privilégio de ter a confirmação - ele sorriu - e vê se apareces lá por Lisboa que a malta já anda toda a dizer que não metes os pés lá à bué.
- Tenho de tratar disso talvez na minha próxima folga passe por Lisboa mas agora temos que ir.
- Na boa - despediram-se algo que acabei por fazer apesar de não ter ido com a cara da rapariga não ia ser mal-educada.
- O que é que tens? - perguntou-me quando já estávamos sentados a ver o treino do Martim.
- Nada.
- Amor - olhei-o - ficaste estranha depois de conheceres a Rita.
- Tinhas mesmo que sorrir tanto?
- Ficaste com ciúmes da Rita?
- Fiquei - sorriu e sem que esperasse abraçou-me - olha aí as pessoas - reclamei.
- Quero lá saber das pessoas - olhei-o - não estou a fazer nada de mal além disso és minha namorada.
- Ruben - interrompeu-me.
- Ela é namorada de um amigo e ex-colega de equipa por isso podes tirar esses macaquinhos da cabeça nunca se passou nada entre nós, aliás conhecia através do namorado.
- Que conversa foi aquela dos rumores?
- Não sei mas se quiseres posso perguntar-lhe.
- Prefiro nem saber - sorriu.
- Amo-te - sussurrou-me ao ouvido.
Não respondi, fiquei simplesmente a ver o meu piolho no treino algo que o Ruben também fez para no final irmos diretos à casa do meu amor, hoje o jantar seria lá e por isso o Ruben foi-lhe dar banho enquanto preparei o comer.
- Mana - olhei para a porta e vi os meus amores a entrarem - a gente vem viver com o Ruben? - perguntou quando o Ruben já estava a dar-me um beijo.
- Não, porquê?
- Porque eu tenho um quarto só para mim aqui na casa do Ruben - olhei para o Ruben à espera de uma explicação.
- Puto não sabias estar calado.
- Não era para dizer? - o Ruben sorriu.
- Era mas só quando tivesse concluído - olhou-me - amor, estou a remodelar um dos quartos para o Martim ter o seu espaço quando vier cá a casa mas supostamente era para ser surpresa - o Martim riu - mas aqui a pestinha abriu a porta sem que desse por isso - o Ruben fez-lhe algumas cócegas e só parou quando o meu irmão implorou.
- Porquê que não sabia disso?
- Queria que fosse surpresa para os dois.
- Agora fiquei curiosa para ver esse quarto é que vindo de ti - olhou-me.
- Vindo de mim o quê? - aproximou-se.
- Deve estar uma coisa linda - brinquei mas como resposta tive um beijo que de inocente teve muito pouco e ao contrário do que esperava o Martim não interrompeu, o que fez com que olhasse mas já não o encontrei.
- Amor o meu irmão - o Ruben olhou e como seria de esperar também não o viu.
- Deve ter ido para a sala ou coisa do género - tentou beijar-me outra vez mas não deixei pois estava preocupada com o puto - anda, vamos procurá-lo - acabou por dizer ou não fosse conhecer-me e saber que não estava descansada sem saber onde é que ele se tinha enfiado.
Fomos diretos à sala mas não o encontramos, chamei-o e não respondeu o que estava a deixar-me preocupada mas assim que o Ruben abriu a porta do quarto que tinha remodelado para o meu irmão encontrámo-lo sossegadinho a olhar para cada recanto do quarto, respirei fundo ao ver o que tinha diante dos olhos, o Ruben ao perceber que estava sem palavras abraçou-me.
- Amor, anda deixa-o estar a curtir o quarto - murmurou - se o menino quis vir para aqui sozinho é melhor não o incomodarmos - olhei-o.
- Sim, vamos - fechamos a porta e fomos até ao quarto do Ruben - amor porquê que não contaste que estavas a preparar isto? 
- Já disse, queria que fosse surpresa, ainda não está tudo falta os brinquedos - sorriu - mas ainda bem que o Martim gostou.
- Ruben, qual é a tua ideia?
- Quero que o Martim se sinta bem cá em casa e que perceba que não o estou a excluir muito pelo contrário. Amor, esta casa é grande demais para mim - olhei-o - sabes bem porquê que a comprei.
- Querias uma casa para acolher a tua família.
- Queria e continuo a querer - sentou-se na cama ao meu lado - amor gostava que viessem viver os dois comigo - olhei-o - quando o Martim se sentir confortável com o nosso namoro mas até esse dia chegar pretendo que o menino tenha o seu espaço aqui em casa nem que seja só para vir cá durante o dia mas é importante que perceba que não o esqueço, entendes?
- Sim - sorriu - obrigada - olhou-me intrigado - por este gesto, é importante não só para o Martim como para mim - beijou-me.
Estávamos simplesmente deitados à conversa quando o Martim entrou no quarto e saltou para o meio de nós agarrando-se a mim.
- Então piolho gostaste do quarto?
- Sim ó mana hoje posso dormir cá? - o Ruben gargalhou.
- Amor, segundo o que o Ruben falou o quarto ainda não está concluído.
- Mas já tem cama e eu quero dormir cá.
- Lindo, combinamos outro dia, pode ser? Hoje nem tens roupa a mana só trouxe essa para tomares banho.
- Mas quando o Ruben te for levar mandas roupa - olhámos os dois para o meu irmão.
- Estás a sugerir que vá embora mas que ficas com o Ruben, é isso?
- É - falou todo animado - mana eu quero ficar só com o Ruben deixas não deixas - pedinchou agora virado para o Ruben
- Martim ficas muito chateado se combinarmos isso para outro dia?
- Porquê? Não gostas de mim é por isso que não queres ficar só comigo - amuou.
- Lindo não é nada disso mas amanhã vou sair cedo de casa e depois hoje se ficares comigo não vai dar para ficarmos à conversa nem a brincar que amanhã tenho jogo, entendes?
- Mas eu quero experimentar a cama.
- Dormes cá de domingo para segunda pode ser?
- Porquê que não pode ser já amanhã? - o Ruben olhou-me.
- Martim se queres passar uma noite sozinho com o Ruben é no domingo e não há discussão possível.
- Porquê?
- Porque sim e acabou a conversa.
- Tá bem - olhou-nos à vez - o que é que estavam a fazer aqui sozinhos? - olhei-o.
- A falar e a namorar - respondi serenamente - porquê?
- Porque eu não quero - o Ruben olhou-me.
- Martim quando é que entendes que não vai ser por falares que não aceitas o namoro da mana com o Ruben que vou fazer-te a vontade?
- Mas devias és minha mana.
- Anda cá - sentei-me na cama com o miúdo entre as minhas pernas - lindo no dia que explicares à mana o motivo pelo qual não queres que namore com o Ruben aí penso no assunto caso contrário é bom que te habitues à presença do Ruben na nossa vida.
- Nunca namorares-te porquê que tens de namorar agora?
- Porque foi agora que a mana descobriu o que é gostar de alguém e não conseguir ficar longe dessa pessoa - o Ruben olhava-nos.
- Mas tu gostas de mim, eu não chego para seres feliz?
- Ó meu piolho sou muito feliz por ser tua mana e cuidar de ti mas isso não chega - olhou-me chateado - amor a mana precisa de vocês os dois para ser completamente feliz, entendes?
- Não.
- Martim - olhou-me - diz à mana qual é o verdadeiro motivo pelo qual não aceitas o namoro, sim porque não é por não gostares do Ruben.
- Ó mana - olhou-me - eu gosto muito do Ruben - sorrimos - mas eu tenho medo - calou-se e escondeu a cara no meu peito.
- Amor, tens medo do quê? Diz à mana - pedi calmamente mas o miúdo não falou.
- Martim - o Ruben chamou-o - olha para mim - pediu e após insistir algumas vezes o meu piolho lá olhou - anda comigo - olhei sem perceber o motivo pelo qual o Ruben estava de alguma forma a colocar um ponto final na conversa quando ainda não estava terminada - vens? - o meu irmão não respondeu limitou-se a sair do meu colo e dar ao mão ao Ruben - amor já regressamos.
- Ruben estava a conversar com ele.
- Amor, continuam depois - beijou-me - linda deixa-me tentar falar a sós com ele - sussurrou-me ao ouvido.
Acabei por concordar e vê-los a saírem do quarto ainda fiquei uns minutos deitada na cama mas acabei por ir até à cozinha terminar o jantar.

Ruben

Este mês foi complicado, o Martim anda instável tão depressa está a brincar ou a falar comigo como logo depois está a ser desagradável e já chegou a aleijar-me ao tentar afastar-me da sua irmã. Mas o pior foi mesmo as duas primeiras semanas após termos revelado que namoramos, nessas o miúdo mal falava comigo a não ser para pedir que o levasse aos treinos, apesar de tudo sempre preferiu que fosse eu a levá-lo em vez da irmã, o que nenhum dos dois entende mas a verdade é que graças a essa teimosia do puto tenho conseguido aproximar-me cada vez mais.
O Martim tem falado imenso comigo sobre a escola, os amigos, o futebol e até sobre uma menina que ou muito me engano ou é a primeira paixão dele, no entanto a pedido do miúdo não comentei nada com a Mariana, até porque não é nada de grave e não levará muito tempo a passar.
Mas se este mês serviu para testar os meus limites da paciência também serviu para ter a certeza que os quero na minha vida, amo a Mariana e estou disposto a todo para que o Martim aceite o nosso namoro, resolvi por isso remodelar um dos quartos para o miúdo, talvez se o menino perceber que tem o seu espaço na minha casa tal como na minha vida consiga finalmente entender que não o queremos excluir mas sim amá-lo. A ideia era só mostrar o seu cantinho quando tivesse concluído mas o Martim acabou por descobrir o quarto o que originou algumas dúvidas na sua cabeça, uma das quais se ele e a irmã vinham morar comigo, o Martim perguntou isso mesmo à Mariana e acabamos por falar um pouco sobre a vinda deles para a minha casa, ainda que de forma suave pedi-lhe que pensasse no assunto ao dizer que quero tê-los do meu lado.
Estávamos a falar disso e a namorar quando o menino entrou no quarto para logo depois fazer questão de nos separar, ficamos os três à conversa e foi quando a Mariana pediu para o Martim explicar o verdadeiro motivo pelo qual não aceita o nosso namoro que ao ouvi-lo a dizer que tem medo mas sem nunca dizer o motivo decidi falar com ele, mas desta vez a sós, talvez se tivéssemos uma espécie de conversa de homens se abrisse comigo.
- Martim anda cá - estávamos no seu quarto e sentados na sua cama - agora que a mana não está aqui podes dizer-me o porquê que tens medo?
- Não - respondeu baixinho.
- Porquê?
- Porque vocês vão dizer que não tenho razão mas eu sei que tenho.
- Estás a falar do quê? - não respondeu e tentou levantar-se talvez para sair do quarto mas agarrei-o pelo braço sem nunca o magoar - Martim não vás embora, lindo gostava de ter uma conversa de homem para homem contigo - olhou-me - já és crescido por isso podemos falar, certo?
- Sim - sentou-se do meu lado - mas não vais entender - falou tristonho.
- Martim se não falares é que nunca vou entender.
- Mas eu sei que vais dizer que não tenho razão só para não ficar triste.
- Tens medo do quê? Que a tua mana deixe de gostar de ti porque gosta de mim? - encolheu os ombros - Martim isso nunca vai acontecer, sabes que o amor que sente por nós é diferente - olhou-me - por ti é amor de mana que é para a vida toda e por mim é um amor diferente que não tem garantia que seja para sempre, o amor entre um homem e uma mulher nem sempre é eterno, olha o meu caso e o da Soraia, gostamos muito um do outro mas acabou - estava atento ao que dizia - mas o amor que a tua mana tem por ti nunca vai acabar, esse é para sempre, ela até pode chatear-se contigo e normalmente tem razão - sorriu - mas quando reconheces que a Mariana tem razão fica logo tudo bem, não é?
- Sim.
- Então isso só acontece porque o vosso amor é para sempre.
- Mesmo depois dela vir viver contigo?
- Martim quando esse dia chegar não é só a Mariana que vem viver comigo - olhou-me - no dia que eu e a tua mana decidirmos viver juntos é porque queremos construir uma vida em comum mas só fará sentido se aceitares isso, Martim nunca passou pela minha cabeça começar uma vida com a Mariana sem estares presente, lindo a Mariana nunca será capaz de trocar-te por mim, nem quero isso, Martim gosto muito de ti não tenhas medo porque nem a tua mana nem eu te vamos deixar sozinho ou porquê que achas que preparei este quarto? Se fiz isto foi porque quero que tenhas o teu cantinho na minha casa bem como na minha vida, entendes?
- Sim - falou nada convicto.
- Então porquê que esse sim foi tão desanimado?
- Porque eu sei que só vão gostar de mim por um tempo.
- O que queres dizer com isso?
- Que se a mana tiver um bebé vais deixar de gostar de mim - sorri ao ouvi-lo - depois vai ser tudo para o bebé.
- Ó lindo - já estávamos os dois deitados na cama e por isso mesmo abracei-o ao vê-lo com as lágrimas nos olhos - é disso que tens medo?
- Sim - falou já com as lágrimas a molharem o seu rosto.
- Amor - olhou - isso não vai acontecer por muitos filhos que possa vir a ter com a tua mana nenhum deles vai substituir-te nos nossos corações, Martim a Mariana ama-te e nunca vai deixar de gostar de ti por ter um bebé dela, quanto a mim já aprendi a amar-te é verdade que não sou teu pai tal como a Mariana não é tua mãe mas já gosto de ti como se fosse. Martim não há vez nenhuma que pense no futuro e não te inclua nele, aliás essa foi uma das razões que levaram a Mariana a permitir que entrasse na vossa vida, foi por sempre ter demonstrado tanto por palavras como por gestos que quero que faças parte da nossa vida que consegui conquistar a tua mana, ela nunca iria namorar comigo se tivesse duvidas do meu amor por ti, percebes?
- Gostas mesmo de mim? - sorri.
- Gosto muito de ti.
- E da mana?
- Amo-vos aos dois - dei-lhe um beijinho na testa.
- Queres casar com a mana? - olhei-o.
- Quero mas isso será uma decisão que terá de ser minha e da mana.
- Mas eu não quero que deixes a mana como deixaste a Soraia.
- Martim, não casei com a Soraia porque descobri a tempo que já não gostava dela mas sim da tua mana, aconteceu.
- Mas se aconteceu uma vez pode acontecer mais.
- Duvido - olhou-me - Martim apaixonei-me pela tua irmã porque o meu namoro com a Soraia já andava muito mal, nós discutíamos muito, por exemplo ela nunca compreendeu o motivo de ter vindo para Braga e isso deixou-me muito triste, quando cheguei cá encontrei-vos aos dois e a tua mana conquistou o meu coração de forma natural ar dar imenso de si sem pedir nada em troca, a Mariana sempre se preocupou comigo, sempre tentou perceber o meu lado, apoiou-me e cuidou de mim quando não tinha obrigação nenhuma, deu-me a sua amizade sem ter nenhum interesse escondido, foi por isso tudo que acabei por apaixonar-me por ela, a tua mana é o oposto da Soraia mas é quem eu quero do meu lado para sempre, com a Mariana sei que por muitas voltas que a vida dê nunca vai abandonar-me ou desiludir, porque a tua mana é verdadeira, se diz que gosta é porque gosta mesmo e não porque está interessada no que tenho ou na pessoa que sou, percebes?
- Tás a querer dizer que a Soraia tava contigo por seres jogador e ter dinheiro - sorri perante a capacidade de resumo do Martim.
- Mais ou menos, Martim acredito que a Soraia tenha gostado de mim tal como gostei dela mas o nosso amor não foi forte o suficiente para resistir às pressões, talvez porque nenhum dos dois sabemos o quanto a vida pode ser má para nós, a culpa não foi só da Soraia, foi minha também, porque nenhum dos dois teve maturidade suficiente para pararmos e tentarmos mudar o que estava mal, deixamos arrastar a situação e ultimamente já estava com a Soraia por uma questão de hábito, já não era amor e só por isso é que acabei por apaixonar-me pela tua mana, mas foi algo natural, tão natural que quando percebi já a amava.
- E quando é que a mana começou a gostar de ti? - sorri com a pergunta.
- Para ser sincero não sei - olhou-me - mas dos dois fui o primeiro a reconhecer que a tua mana mexia comigo, ao início pensei que fosse algo passageiro por estar triste mas com o passar dos dias principalmente daqueles que tivemos afastados quando fui de férias e depois quando vocês se chatearam comigo por não ter aparecido na tua festa percebi que já era muito complicado viver sem vocês os dois do meu lado.
- Foi por isso que fomos passear a Paris?
- Foi, a tua mana disse-me que só perdoava-me se tu me desculpasses e como recusavas-te a falar comigo tive de arranjar forma de conseguir que percebesses o quanto gosto de ti.
- Ruben - sentou-se na cama a olhar-me - posso pedir uma coisa?
- Diz se puder dar-te isso dou.
- Podes ser o meu pai a fingir?
- Ó lindo por muito que queira não posso fingir isso mas posso e quero amar-te como se fosse. Martim tenta ver-me como vês a tua mana, nós gostamos de ti da mesma forma, entendes?
- Mas eu vejo a mana como uma mãe, eu sei que ela não gosta que diga que ela é a minha mãe mas é o que eu sinto e também quero saber o que é ter um pai e tu falas que gostas mesmo de mim por isso não tem mal eu prometo que fica um segredo só nosso - ouvi-lo a dizer tal coisa tocou-me de uma forma inexplicável.
- Martim se a tua mana concordar com isso não me importo mas vais ter que falar com ela e explicares isso.
- Porquê? Ela não vai deixar eu sei.
- Lindo, não podemos mentir nem esconder nada à mana, não é correto e sabes disso.
- Ó mas eu não vou conseguir explicar à mana para ela entender.
- Queres que fale com ela?
- Sim - falou já mais animado - mas não contes aquela parte dos bebés.
- Porquê?
- Porque eu não quero que ela fique triste comigo.
- Tudo bem, depois do jantar falo com a tua mana e explico o que tivemos a conversar mas antes preciso que respondas a uma pergunta, pode ser?
- Sim.
- Ainda continuas com medo que deixemos de gostar de ti? - olhou-me durante uns segundos.
- Não sei, eu sempre tive a mana só para mim e é estranho agora ela ter que dar miminhos aos dois - sorri ao ouvi-lo.
- Ó lindo mas os miminhos da mana chegam para os dois e além disso agora recebes miminhos a dobrar, tens os dela e os meus, já pensaste nisso?
- Não mas é capaz de ser fixe - deitou-se novamente mas desta vez com a cabeça no meu peito - Ruben - olhou-me - gosto muito de ti - sorriu envergonhado e talvez por isso voltou a deitar a cabeça no meu peito.
- Ó meu piolho também gosto muito de ti por isso não precisas ter vergonha de dizeres isso.
O Martim já não respondeu, ainda ficamos uns minutos deitados mas a Mariana acabou por vir até ao quarto chamar-nos para jantar e ao encontrar o irmão tão calminho sorriu de uma forma única.

***

Jantamos com alguma brincadeira à mistura e no final fui brincar um pouco com o Martim enquanto a Mariana limpou a cozinha mas assim que o meu amor entrou na sala desligamos a Playstation e ficámos os três à conversa, agora com o Martim mais calmo apesar de continuar a querer ficar entre nós.
- Amor, vais levar-nos?
- Sim, se é isso que queres.
- Ruben não inventes - olhou-me - amanhã prometo que compenso - sorriu - mas agora vamos embora que o Martim daqui pouco adormece aqui.
Concordei com ela e por isso fui levá-los, despedi-me do Martim e por incrível que pareça o puto resolveu entrar em casa deixando-nos sozinhos.
- Amor, o que é que tiveste a falar com ele que ao que tudo indica resultou? - sorri ao ouvi-la.
- Falamos disso amanhã até porque o puto pediu-me para conversar contigo sobre o que contou-me.
A Mariana concordou em esperar mais umas horas e nos minutos seguintes ficamos a namorar mas acabei por vê-la a entrar em casa e só depois é que segui para a minha.

Será que o Martim compreendeu mesmo que não tem o seu lugar ameaçado?


11 comentários:

  1. Olá!
    Acho que desta vez o Martim percebeu tudo, mas agora estou ansiosa para saber como vão correr os próximos dias!
    Adorei
    Beijinhos

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  2. Bem hoje só tenho uma coisa a dizer "obrigada!!!"
    Tudo o que precisava agora era mesmo um cap dos teus e este está divino. Adorei tudo, menos a tal da Rita, e o quarto... bem já sabes que gosto.

    Bhokinhas
    Mariaa

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  3. Olá Caty :D
    O capítulo está fantástico! Espero bem que seja desta vez que o puto entenda que não vai perder a irmã :p
    Espero pelo próximo ; )
    Beijinhos
    Ritááá xD

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  4. Olá!
    Tchii este Martim é muito à frente! E o Ruben acompanha-o xD Isto vai dar um papá... Ai se vai!
    Ahahahahah
    Quero o proximo, o proximo e um quarto como o do Martim xD

    Beijo
    Ana Laranjeira

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  5. Olá :)
    Primeiro fiquei muito contente por ler um cap teu :P
    Segundo e já o disse em outros capítulos: ADOREI!
    Quero o próximo e rápido se possivel ;)
    beijinhos
    Rita
    lifegoesonr.blogspot.pt

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  6. Custou mas foi, acho que desta vez o Martim percebeu que não tem o lugar ameaçado.
    Adorei o capitulo, e o quarto do puto ficou um espectáculo, o Rubinho sabe mesmo como conquistar o puto, mas tinha mesmo que ser assim tão verde?, mas mesmo assim adorei, fico à espera do próximo, por isso já sabes, bandeia-te.

    Beijocas

    Fernanda

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  7. Acho qe o Martim percebeu desta vez, mas vamos lá ver...
    O capitulo está lindoo! :D A ideia do quarto para o menino foi muito boa! E tou para ver como vai ser o próximo capitulo.
    Beijinhoo

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  8. o raio do moço nao dá descanso, espero que tenha percebido desta vez que nao tem o seu lugar ameaçado, mas cabeça de miudo é assim mesmo! :)

    agora quero ler o proximo urgenteee, quero de ler qualquer coisinha pa ver se a coisa anima pos meus lados que a inspiraçao fugiu! lol

    fico à espera, sim?

    beijinhos

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  9. Olá!
    Adorei este capitulo!
    O quarto do Martim é simplesmente LINDO e a ideia do quarto também foi muito boa!
    Quero mais, continua
    Beijinhos
    Didi Martins

    Dá uma olhadela na minha fic :D
    http://adistancianaoimpedequeeuteame.blogspot.pt/

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  10. olá, estou a gostar muito da tua fic :)
    continua...
    bjs

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  11. Olá, olá:
    Voltei à net ;) e claro vim logo a correr ler os capítulos :D
    Grande capitulo ;) adoro, adoro :D
    Vou já ler o proximo.
    Beijinhos

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