segunda-feira, 9 de julho de 2012

038 - Desculpa mas não dá para adiar mais


Mariana

Não sei o teor da conversa que o Ruben teve com o meu irmão mas que aparentemente tinha resultado lá isso tinha, o Martim estava mais calminho e no momento de despedir-me do Ruben até foi para casa sem lhe pedir. Ainda tentei perguntar ao meu amor mas o Ruben adiou a conversa para o dia seguinte, concordei até porque já estava a ficar tarde e depois de mais alguns mimos trocados entrei finalmente em casa. 
- Martim, vamos dormir? - perguntei ao entrar na sala e encontrá-lo sentado ao lado de Nuno e da Patrícia.
- Sim - levantou-se e seguiu à minha frente sem refilar o que ultimamente não acontecia.
- Amor está tudo bem?
- Sim.
- Gostaste de falar com o Ruben?
- Sim.
- Posso saber o que falaram?
- Não.
- Martim, estás chateado com a mana?
- Não.
- Então porquê que só respondes sim ou não às perguntas que faço?
- Ó mana tou cansado quero dormir amanhã o Ruben explica porque eu pedi para ele fazer isso - respondeu ao deitar-se na cama.
Não voltei a insistir, aconcheguei-lhe os lençóis e depois de lhe dar um beijinho saí do quarto, passei pela sala para despedir-me do Nuno e da Patrícia mas fui imediatamente deitar-me, afinal o dia amanhã vai ser cansativo uma vez que vou passa-lo todo com o Martim.

***

Acordei de uma forma que não esperava de todo mas que soube bem lá isso soube, o Ruben decidiu surpreender-me e veio acordar-me com muitos beijos e mimos.
- Amor posso saber o motivo de ser acordada assim?
- Apeteceu-me e como acordei cedo resolvi vir ter contigo antes de seguir com o Nuno para o estádio - sorriu - amor ficas com o meu carro e depois leva-lo quando fores ao jogo, pode ser?
- Poder, pode mas porquê que não levo o meu e vens comigo?
- Tanto faz - beijou-me - se preferires levar o teu, leva - voltou a beijar-me e hoje não sei porquê mas os seus beijos estavam a tirar-me do sério tanto que acabei por voltar-me na cama deixando-o debaixo de mim - o que foi? - perguntou quando afastei as nossas bocas e sentei-me em cima das suas pernas a olhá-lo.
- Quero saber qual foi o teor da conversa que tiveste com o meu irmão - sorriu.
- Amor resumindo porque agora não tenho muito tempo, o teu irmão estava com medo que deixássemos de gostar dele quando tivermos o nosso primeiro filho, mas expliquei-lhe que isso está fora de questão que por muitos bebés que podemos vir a ter nenhum deles irá substituir o espaço do Martim nos nossos corações, que o vamos amar sempre - estava sem reação, o Ruben falava a olhar-me nos olhos e com uma calma tremenda que deixou-me a levitar completamente - que só faz sentido pensar numa vida em comum contigo se ele concordar porque nunca será uma vida a dois mas sim a três, que terá sempre o lugar dele tanto na minha casa como na minha vida, o menino estava com medo que conseguisse convencer-te a abandoná-lo, amor o problema nunca foste tu mas sim eu, o Martim no fundo não acreditava que o quero como um filho mas depois da conversa que tivemos pediu-me para ser o seu pai a fingir tal como tu és a mãe que nunca teve - o Ruben limpou-me as lágrimas que já molhavam o meu rosto - amor deixa-me assumir esse papel na vida do teu irmão, não é só ele que quer um pai a fingir, também quero ter uma palavra a dizer na sua educação mesmo que seja praticamente insignificante porque serás sempre a responsável por ele, deixa-me amá-lo como se fosse realmente nosso filho, porque na verdade não deixa de ser, quem cuida dele és tu logo se namoramos e se pretendo um dia ser algo mais do que teu namorado quero poder participar de forma mais ativa na vida dele.
- Ruben mas já participas de forma ativa na vida dele - suspirei - és o único homem que deixei que se aproximasse do Martim agora não peças para ocupar o lugar de pai na vida dele porque isso não posso deixar, sempre fiz questão de não ocupar o de mãe logo não vou permitir que ocupes o de pai. Amor, não é nada contra ti mas o Martim tem que crescer com noção da realidade.
- Mariana, acreditas mesmo no que falas? Amor nem o Martim acredita nisso, linda para o puto és a mãe dele, o menino admitiu ontem que só não te chama mãe porque não deixas, que para ele és mãe e não irmã, por isso é que tinha medo que deixasses de gostar dele se tivéssemos um filho nosso.
- Ruben é lógico que para mim o Martim é meu filho e não irmão, por muito que ao início tenha tentado mentalizar-me que sou só a irmã dele não consegui, o que é normal, tal como é ele dizer que sou sua mãe mas percebe que não posso permitir que diga isso, é para o bem dele.
- Mariana, entendo o que queres dizer mas o puto por muito que tentes explicar não entende, estás a falar de sentimentos que muitas vezes são inexplicáveis, podes impedi-lo de te chamar mãe mas não podes nem consegues proibi-lo de te amar como se fosses a sua mãe, no coração dele é isso que o menino sente e por muito que digas o contrário não vais mudar isso ou porquê que achas que quando foi o dia do pai o menino ressentiu-se e quando foi o da mãe não notaste diferença nenhuma no seu comportamento - olhei-o - talvez porque mãe o Martim sabe que tem, és tu, agora a figura paterna era algo que nunca teve mas que pode vir a ter basta que deixes.
- Ruben, tens noção que se deixar que assumas tal papel é para sempre, que depois do Martim usar-te para colmatar a ausência de um pai não será mais o mesmo, irá cobrar e fazer as exigências que os filhos fazem aos pais, terás uma responsabilidade para a vida mas principalmente que o meu irmão não é algo descartável que quando enjoares deitas fora, é só uma criança que apesar da tenra idade já sofreu imenso.
- No dia que acreditares que te amo verdadeiramente sem vacilares um segundo que seja irás perceber que tenho a perfeita noção do que estou a pedir, que apesar de não saber o que é criar uma criança sei que com amor tudo se consegue, não estou a dizer que é um desafio fácil, tenho consciência que vou errar algumas vezes e acertar outras mas para isso estou a contar contigo, caramba quero fazer parte da vossa vida, será que posso?
- Amor, isso é o que mais quero mas por enquanto os fantasmas do meu passado não deixam que tenha certezas de nada.
- Mariana não coloco em causa o que sofreste mas enquanto não deixares o passado onde pertence nunca conseguirás ser verdadeiramente feliz. Sei que é complicado acreditares a cem por cento em mim devido ao teu histórico mas dá-me essa oportunidade, entrega-te a mim e deixa-me amar-te, provar-te que neste mundo não existe só pessoas mesquinhas, que podes amar e ser amada sem receio de voltares a ser abandonada.
- O que é que estás a tentar dizer? - olhou-me sem entender - Com esse “entrega-te a mim e deixa-me amar-te” - repeti as palavras que estavam a latejar na minha cabeça.
- Que quero amar-te sem ter medo de acordar um dia e não ter-te do meu lado. Mariana não és só tu que tens dúvidas, também tenho especialmente quando estou a pedir quase a implorar que deixes que faça parte da vossa vida a tempo inteiro e a ver-te constantemente a recuar.
- Estás a sugerir que vá viver contigo?
- Não, estou a pedir que deixes esse medo de lado, que percebas de uma vez que sei aquilo que digo e que quero. Mariana, quero simplesmente namorar e aproveitar ao máximo todos os momentos da tua vida e da do Martim, para daqui a um tempo e não interessa se será um mês, um ano ou ainda mais possa partilhar a minha vida com vocês aí sim como um casal seja como teu namorado ou como teu marido, quero poder viver convosco e ter a nossa família mas não tenho pressa, só quero que deixes de ter medo, percebes?
- Sim - beijei-o e acabei deitada com a cabeça no seu peito, ele estava a fazer um cafuné quando decidi levantar-me, estava na hora de acordar a minha pestinha para irmos passear já que este fim-de-semana estou de folga decidi dividi-lo entre os meus dois amores - amor - chamei-o quando estava a escolher a roupa para vestir - é seguro trocar de roupa à tua frente ou será que vou estar a provocá-lo? - meti-me com ele levando-o a sorrir e quando esperava uma resposta senti um dos seus braços a envolver a minha cintura e com o a mão que ficou disponível desviou o meu cabelo, beijando-me o pescoço, o Ruben não foi nem um pouco contido na forma como abordou-me e em menos de nada estava já virada para ele e com a sua língua a explorar a minha boca, o meu amor conduziu-nos até à cama onde acabei deitada por baixo dele, ainda assim as carícias não foram interrompidas e só quando senti as suas mãos em contacto direto com a minha barriga é que o Ruben se afastou, fiquei a olhá-lo e quando preparava-me para perguntar o motivo, o meu amor falou.
- Como vês não preciso de ver-te nua para te desejar, basta deixar vir ao de cima a vontade que tenho de ser teu - beijou-me demoradamente.
- Andas a desesperar não andas? - perguntei meio sem jeito levando-o a sorrir.
- Amor, não estou a desesperar mas que já sinto falta isso já - beijou-me novamente.
- Desculpa ­- interrompeu-me.
- Mariana não estou a cobrar nada e muito menos a pedir que faças amor comigo - olhei-o - esse momento irá chegar naturalmente não quero que fiques a pensar nisso e muito menos que te entregues a mim sem teres a certeza que o queres fazer, é verdade que já não estou com ninguém desde que acabei com a Soraia mas como vês ainda não morri nem vou morrer por falta de sexo ou de amor como lhe queiras chamar.
Não abri mais a boca e por isso acabei por trocar o pijama pela roupa que já tinha escolhido, sempre sob o olhar atento do Ruben que não disfarçou nem um pouco mas ao contrário do que esperava não fique incomodada e no fim fui acordar o Martim, o Ruben avisou-me que esperava na sala para lhe dar um beijinho mas que depois tinha que seguir com o Nuno para o estádio, por isso fui acordar o puto sem mais demoras.
- Martim, despacha-te que o Ruben está na sala e quer dar-te um beijinho antes de sair com o Nuno - avisei-o quando o meu irmão ainda mal tinha aberto os olhos mas assim que ouviu a informação que lhe dei saiu da cama e do quarto a correr, fui atrás dele e quando entrei na sala já o puto estava ao colo do Ruben a dar-lhe um abraço apertado, fiquei enternecida a olhar para eles que nem reparei nos nossos amigos.
- Ó Mariana precisas que vá buscar uma fralda para te limpar a baba - o Nuno meteu-se comigo mas nem respondi - shii como isso anda nem responde - continuou mas ignorei-o completamente.

Ruben

Estava na sala à conversa com o Nuno e com a Patrícia quando o Martim entrou a correr ainda de pijama e descalço sentando-se ao meu colo.
- A mana avisou que vieste dar-me um beijinho antes de ires para o jogo - sorrimos - já falaste com ela? - sorri ao ouvi-lo.
- Já.
- E ela?
- Ficou de pensar no assunto.
- Fixe - abraçou-me com uma força descomunal e quando reparei tinha a Mariana a olhar-me enternecida e o Nuno a mandar piadas que o meu amor ignorou completamente ao sentar-se ao nosso lado.
Fiquei ainda uns minutos com eles mas tive que despedir-me primeiro do Martim e depois da Mariana, que ao contrário do que esperava fez questão de prolongar ao máximo o momento, foi dela a iniciativa de unir as nossas línguas mesmo com o miúdo sentado ao meu colo, lógico que não passou despercebido ao puto que gargalhou imediatamente e no final ainda pediu que repetíssemos, ficamos os dois a olhar para o puto o que fez o Nuno e a Patrícia sorrirem. Acabei por sair com o Nuno sem fazer a vontade ao puto ainda assim ele continuava a rir ao colo da irmã.
- É impressão minha ou o miúdo finalmente aceitou o vosso namoro? - o Nuno perguntou-me quando já íamos a caminho do estádio.
- Aceitou, ontem estive a falar com ele, o Martim conseguiu explicar o porquê que reagia mal sempre que a Mariana se aproximava de mim e depois de uma longa conversa o menino percebeu que não precisa de ter medo que não o vamos abandonar.
- Ainda bem que o Martim já entendeu que não lhe queres roubar a irmã.
- O medo dele não era esse.
- Não?
- Népia, ele estava com medo que pudéssemos deixar de gostar dele se por acaso fossemos pais.
- Estás a brincar?
- Não, na cabeça do Martim se conseguisse evitar uma maior aproximação minha e da irmã, não haveria risco de aparecer um bebé para concorrer com ele, no fundo o puto tinha medo que depois da irmã ser mãe escolhesse o filho e se esquecesse dele.
- Bem andamos nós a pensar que o miúdo tinha ciúmes teus e afinal estava a sofrer por antecipação - sorri - ou será que a ideia dele não é assim descabida?
- Estás a falar do quê?
- De vir aí um rebento para breve.
- Não está nos meus planos e nos da Mariana muito menos mas porquê que perguntas?
- Nunca escondeste que queres ser pai e quanto mais melhor.
- E?
- Então que deve ser mais fácil convencer a Mariana a engravidar do que a Soraia, pelo menos a Mariana já sabe o que é ser mãe, só lhe tens que espicaçar o lado biológico em si porque o emocional já está bem presente.
- Se queres sobrinhos pede ao Tiago que te dê, deixa-me a mim e à Mariana de fora dessas ideias.
- Vais dizer que não gostavas de ter uma coisinha fofa que fosse só tua e da Mariana.
- Quero ser pai e a Mariana tem consciência disso mas ainda é muito cedo para pensarmos em filhos, quero primeiro fortalecer a relação e só depois virá os filhos, não tenciono apressar nada, além disso o Martim neste momento precisa de estabilidade e não de ter que lidar com a vinda do sobrinho - sorriu - falei algum disparate, foi?
- Não, mas parecias um pai a falar do filho, aliás desde que contaram ao Martim que namoram que mais pareces o pai dele.
- Adoro o miúdo e se posso fazer alguma coisa para vê-lo feliz, faço.
- Concordo contigo mas não te esqueças que o puto não é teu filho - falou ao sair do carro uma vez que já estávamos no estádio.
- É como se fosse, Nuno amo a Mariana e tenho certezas que quero passar o resto dos meus dias do lado dela, por isso o Martim não será mais que um filho para mim.
- O que é que a Mariana diz a isso tudo?
- A Mariana tem medo que o Martim se apegue demasiado a mim e que no fim sofra, ela ainda tem algumas dúvidas quanto ao que sinto por eles, o que é normal perante o passado de abandono que tem, mas não vou desistir, amo-a e sei que com o tempo vai ficar segura disso mesmo - o Nuno parou de andar - o que foi? - perguntei ao vê-lo a olhar-me.
- Foi que nunca vi nem ouvi essa certeza em vez nenhuma que falamos do teu casamento com a Soraia nem no dia seguinte ao do pedido vi-te com a certeza absoluta que seria para a vida e agora com a Mariana quando ainda mal se conhecem como casal tens uma certeza inabalável, é estranho ver como mudaste tanto no espaço de nove meses.
- A Mariana fez-me ver a vida de outra forma, aprendi a dar importância a coisas tão pequenas como um sorriso sincero ou um abraço sem segundas intenções ou mesmo a aprender a ouvir um não e ficar calado.
- Ui que isso está mesmo grave - gargalhou - estás completamente apanhado pela Mariana.
- Não duvides e o estranho é que se pedisses para explicar como aconteceu não sei o que responder.
- Sabes - olhei-o - o que aconteceu foi que a Mariana mostrou-te o lado mais puro do amor, aquele que ainda não tinhas descoberto em nenhuma outra relação, a Mariana fica feliz só de receber um beijo ou abraço teu, não precisa que o vosso namoro seja falado pelo país inteiro, não liga nem quer saber quantos zeros tens na conta bancária, para ela chega-lhe e sobra o teu lado de comum mortal, que ama e quer ser amado, que ri mas também chora. Já para não falar que deu-te alguma luta, aprendeste a dar-lhe valor primeiro como amiga e só depois como namorada, só o facto de teres noção que ainda não a conquistaste totalmente faz com que procures sempre o melhor que há em ti, daí estares a redescobrir um novo Ruben dentro de ti.
- Talvez seja mesmo isso - sorriu - mas agora vamos acabar aqui com a conversa ou o mister ainda nos mete na bancada como castigo.
O Nuno gargalhou mas não respondeu, entramos finalmente no balneário onde encontramos os nossos colegas, equipamo-nos para um ligeiro treino e passamos o resto do dia na companhia do pessoal.

Mariana

Depois do Ruben sair fui despachar o meu irmão para irmos passear, hoje decidi que iríamos conhecer uma nova cidade, o meu irmão tem que abri os seus horizontes e por isso fomos passear até Guimarães, o Martim estava a adorar uma vez que tem uma paixão por história que não é comum na sua idade, fartou-se de fazer perguntas que tentei sempre responder e às que não sabia procurei informar-me para depois lhe explicar. Foi quando estávamos a lanchar que o meu irmão ao ver um casal acompanhado pelo filho perguntou-me algo que não esperava.
- Mana porquê que não deixas o Ruben ser meu pai?
- Amor não é uma questão de deixar mas sim que entendas que na verdade ele nunca pode ser teu pai.
- Mas tu também não és minha mãe e para mim é como se fosses - olhou-me - mana eu sei que o Ruben já contou a nossa conversa - sorri ao ouvi-lo - e ele disse que ias pensar no meu pedido mas eu quero muito saber como é ter um pai.
- Porquê esta fixação em quereres um pai?
- Porque eu tou a gostar de ter um homem com quem falar e o Ruben explica-me as coisas que quero saber, ele faz o mesmo que os pais dos meus amigos e eu quero também ter um pai.
- Martim podes continuar a falar com o Ruben sem o chamares de pai - ele interrompeu-me.
- Mas eu não quero chamar o Ruben de pai como não chamo a ti de mãe.
- Então o que queres?
- Quero que ele prometa que vai sempre fingir que é meu pai mas para isso é preciso que deixes, ele não aceita isso se não concordares.
- Amor anda cá - sentou-se ao meu colo - sabes que a mana e o Ruben somos só namorados - voltou a interromper-me.
- E o que é que tem de mal?
- Tem que hoje estamos juntos mas amanhã por qualquer motivo podemos nos chatear e a mana tem medo que depois sofras com isso, entendes?
- Ó mana isso não é desculpa - olhei-o surpreendida - porque os pais do Ricardo eram casados e eles também se chatearam e a mãe dele saiu de casa sem querer saber do meu amigo.
- Martim não mistures as histórias, porque a mãe do Ricardo quer saber dele, o teu amigo é que ainda não entendeu isso.
- Mana mas isso não interessa - olhou-me - eu quero um pai e o Ruben não se importa deixa lá.
- Juro que não entendo, amor ainda ontem embirravas sempre que a mana se aproximava de Ruben, passaste o último mês e meio a fazer birras, agora queres à força que deixe o Ruben tratar-te como um filho.
- Eu não gostava de ver-te ao colo e aos beijinhos ao Ruben porque tinha medo que deixasses de gostar de mim mas o Ruben ontem explicou que isso nunca vai acontecer mesmo que tenham bebés a mana e ele vão sempre gostar de mim por isso já podes dar muitos beijinhos ao Ruben que não há problema.
- Amor, a mana nunca irá abandonar - deu-me um beijinho e um abraço.
- Então deixas que o Ruben seja o meu pai a fingir? - suspirei.
- Se prometeres que fica um segredo só dos três, que nunca vais dizer aos teus amigos que o Ruben é o teu pai a fingir, deixo.
- Obrigado mana - voltou a abraçar-me - eu prometo que não digo que o Ruben é meu pai a fingir como também não digo que és minha mãe - sorri - mas posso dizer que ele é teu namorado?
- Não.
- Porquê? Assim vou tar a mentir aos meus amigos sabes que eles perguntam sempre porquê que é o Ruben a levar-me aos treinos, eu digo que é por ser meu amigo mas ele á mais que um amigo.
- Amor, sabes que o Ruben é conhecido por isso é que os teus amigos perguntam o motivo de ser ele a levar-te aos treinos.
- Eu sei, ele para os meus amigos é o jogador do braga - voltei a sorrir - mas para mim é um amigo e o teu namorado.
- Pois, mas por ele ser conhecido é que queremos manter o namoro em segredo, porque quando se souber vai começar a ser falado e depois é muito chato, entendes?
- Sim, não queres aparecer nas revistas como a Soraia aparecia, né?
- Sim, é isso tudo.
- Tá bom eu não conto mas tu deixas que o Ruben finja ser meu pai.
- Já te disse que deixo mas não é para abusares, tens que respeitá-lo como respeitas a mana e se ele dizer não é para aceitares sem reclamares, entendeste?
- Sim mas agora vamos passear mais - sorri e acabei por fazer-lhe a vontade durante a hora seguinte mas com o aproximar da hora de jogo tivemos que regressar a Braga e como já estávamos atrasados fomos diretos ao estádio.
- Boa noite - cumprimentei a Patrícia e mais algumas mulheres e namoradas de colegas do Ruben.
- Bem isso é que foi passear - sorriu.
- Apanhamos trânsito mas chegamos a tempo.
- Ou não.
- O que queres dizer com isso?
- Eles tiveram aqui e como é lógico o Ruben esperava ver-te cá.
- A sério - disse desanimada levando-a a sorrir novamente.
- Fica tranquila que avisei-o que só estavas atrasada.
- Obrigada.
- Como correu o passeio?
- Bem mas já te conto, vou tentar ligar-lhe - sorriu mas não respondeu uma vez que não lhe dei tempo.
Fui até ao corredor que dá acesso aos camarotes para lhe ligar mas não consegui pois já estava desligado, ainda assim mandei-lhe mensagem a desejar boa sorte. Regressei para o meu lugar e enquanto o jogo não iniciou contei à Patrícia o que foi o meu dia para no final pedir se ficava com o Martim durante a noite.
- Ui que um certo menino vai ter sorte - meteu-se comigo.
- Não comeces.
- A tua sorte é estarmos no sítio que estamos caso contrário irias explicar muito bem o motivo de tal pedido mas fica descansada que fico com o Martim.
- Obrigada.
- Já agora o puto sabe?
- Não, vou-lhe dizer no final do jogo.
- Só espero que não dê confusão.
- Pode ser que não, depois da conversa que ontem o Ruben teve com o Martim acho que o meu irmão acalmou de vez.
- Espero bem que sim, afinal já merecem um pouco de sossego.
Teríamos continuado a “dar à língua” mas o jogo começou e por isso concentramos a atenção no relvado ou melhor nos nossos “mais que tudo”. Os noventa minutos seguintes foram mais do mesmo, uma data de palhaços a correrem atrás de uma bola mas confesso que ao fim dezasseis meses a conviver com a profissão do Ruben e do Nuno já acho uma certa piada à coisa, especialmente quando se matam a correr e depois na altura de rematarem falham o alvo, é impossível não rir perante o ar de desalento deles.
O Jogo terminou com a vitória da equipa da casa, o que deixou o meu irmão entusiasmado, ultimamente vibra mais com o Braga do que com o Porto, talvez por jogar nas escolinhas do Braga porque por influência do Ruben, ele vibrava mesmo era com o Benfica e ponto final.

***

- Martim - chamei-o quando o Nuno já estava ao lado da Patrícia pronto para se ir embora.
- Diz.
- A mana queria pedir-te um favor.
- O que é?
- Ficas chateado se fores para casa com a Patrícia e o Nuno?
- Porquê?
- A mana queria ir sair com o Ruben.
- Fixe, também vou - os nossos amigos gargalharam.
- Ó lindo, a mana queria ficar sozinha com o Ruben.
- Mana, ficas quando eu for dormir - fiquei a olhar para o puto já o Nuno voltou a gargalhar.
- Ó Martim faz lá esse favor à mana e vai com a Patrícia.
- Ó mana mas eu deixo dares beijinhos ao Ruben já não me importo deixa lá eu ir com vocês.
- Ok, mas é para jantares e ires imediatamente para a cama que amanhã tens jogo.
- Sim - sorriu como quem está a pensar “deve ser isso deve”.
- Bem o puto fica comigo, obrigada na mesma mas fica para a próxima - a Patrícia sorriu - agora só espero não ficar a assar à espera daquele.
- Shii se fosse a ti ia lá despachá-lo, o Ruben está feito Amélia.
- Não brinques com isso que hoje não tenho paciência para ficar eternamente à espera dele - sorriu.
- Mariana, se fosse a ti ia lá chamá-lo, a entrada do balneário é a última porta do lado direito daquele corredor - falou ao apontar - podes ir descansada que não está lá mais ninguém ou então não sais daqui hoje - olhei-o meio que a desconfiar - podes ir à vontade que ele está sozinho, o pessoal já bazou todo e nós ficamos com o Martim.
- Estás a ouvir bem aquilo que estás a dizer?
- Qual é o mal? Nu já não o apanhas - sorriu - que quando saí já estava minimamente apresentável.
- Porquê que não acredito no que estás a dizer?
- Não iria enganar-te mas se quiseres ficar aqui sozinha à espera da Amélia é lá contigo.
Olhei para a Patrícia e depois para o meu irmão, acabei por decidir ir chamá-lo pois a ideia de ficar sozinha na garagem à espera de sua excelência não estava a agradar de todo, segui as indicações do Nuno e depressa cheguei à porta do balneário que se encontrava fechada, bati e uns segundos depois o Ruben abriu-a.
- Amor? O que é que estás aqui a fazer?
- Vim chamar-te porque segundo o Nuno estavas atrasado e vendo bem que ainda só tens as calças vestidas nunca mais daqui saías - sorriu.
- Entra.
- Qual entra qual carapuça, despacha-te que espero por ti no carro - falei já a virar as costas mas o Ruben agarrou-me por um braço e puxou-me para o interior do balneário, fechando imediatamente a porta - Ruben o que é que estás a fazer? - perguntei mas o Ruben não respondeu investiu sobre mim o que estava a deixar-me desconfortável e talvez por isso fui recuando até embater na parede, fiquei encurralada e sem escapatória possível, o Ruben estava com as mãos apoiadas na parede uma de cada lado do meu corpo e a olhar-me bem nos meus olhos.
- Desculpa mas não dá para adiar mais - tremi ao ouvi-lo e ainda mais quando o Ruben beijou-me, senti as suas mãos na minha cintura mas não consegui reagir e muito menos fazê-lo parar.

Como irá acabar esta ida da Mariana ao balneário?

8 comentários:

  1. Olá :)
    Então e o resto do capitulo?! :P
    Quero o próximo para ver se o que segue é o que eu tenho em mente xD
    Mais, Mais e muito rápido! ;)
    Continua
    Beijinhos
    Rita
    http://lifegoesonr.blogspot.pt/

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  2. O resto com urgência por favor!!!!

    Ahhh essa historia do "pai a fingir" é uma ideia mesmo fofa! O miúdo não brinca!

    Agora publica lá o resto que deixares uma pessoa assim a meio não tem piada nenhuma!!

    Bjokinhas
    Mariaa

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  3. Uiiii qe isto vai aqecer! Ainda são mas é apanhados por alguém no balneário xD
    Gostei muitooo e agora é qe o Ruben vai-se sentir como um pai :)
    Beijinhoo

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  4. Aiiiii isto nao se faz! Eu quero mesmo saber como isto acaba! Posta rapidinho por favor porque estou muito curiosa! Para além disso, já sentia falta de ler um capitulo teu!
    Quanto a esta história do pai a fingir eu acho muito ternurento, este Martim encanta qualquer um!
    Ah tambem nao posso negar que desato a rir quando leio a Mariana a descrever um jogo de futebol! Demais!!! Ahahahahah
    Quero o proximo!!!


    Beijo
    Ana

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  5. Sempre ouvi dizer que quem desdenha quer comprar, e é verdade, a prova disso é a Mariana que para quem não gostava de futebol e andava sempre a picar-se com o Rubén agora até já vai ver os jogos e tá completamente apaixonada por ele.
    Finalmente o Martim tem um "pai", mesmo sendo a fingir, o puto sempre levou a dele avante.
    Apesar de tu dizeres que o capitulo não tá nada de especial, ficas já a saber que eu adorei, e este final deixa-nos com vontade de ler mais, por isso menina Caty, bandeia-te.

    Beijocas

    Fernanda

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  6. magnifico...

    quero mais... tou super curiosa para ver o proximo...

    continua...

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  7. Olá : )
    Caty não termines o capítulo assim! Deixas-me desesperada de tanta curiosidade :p
    Aguardo o próximo ;)
    Beijinhos
    Ritááá xD

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  8. Céus!!! Isto lá é altura de acabar o capitulo???
    Quero mais!!!
    Brutal!!! Mais rapidamente.
    Beijinhos linda.

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