Mariana
Não sei o teor da conversa que o Ruben teve com o meu irmão
mas que aparentemente tinha resultado lá isso tinha, o Martim estava mais
calminho e no momento de despedir-me do Ruben até foi para casa sem lhe pedir.
Ainda tentei perguntar ao meu amor mas o Ruben adiou a conversa para o dia
seguinte, concordei até porque já estava a ficar tarde e depois de mais alguns
mimos trocados entrei finalmente em casa.
- Martim, vamos
dormir? - perguntei ao entrar na sala e encontrá-lo sentado ao lado de Nuno
e da Patrícia.
- Sim -
levantou-se e seguiu à minha frente sem refilar o que ultimamente não
acontecia.
- Amor está tudo bem?
- Sim.
- Gostaste de falar
com o Ruben?
- Sim.
- Posso saber o que
falaram?
- Não.
- Martim, estás
chateado com a mana?
- Não.
- Então porquê que só
respondes sim ou não às perguntas que faço?
- Ó mana tou cansado
quero dormir amanhã o Ruben explica porque eu pedi para ele fazer isso -
respondeu ao deitar-se na cama.
Não voltei a insistir, aconcheguei-lhe os lençóis e depois
de lhe dar um beijinho saí do quarto, passei pela sala para despedir-me do Nuno
e da Patrícia mas fui imediatamente deitar-me, afinal o dia amanhã vai ser
cansativo uma vez que vou passa-lo todo com o Martim.
***
Acordei de uma forma que não esperava de todo mas que soube
bem lá isso soube, o Ruben decidiu surpreender-me e veio acordar-me com muitos
beijos e mimos.
- Amor posso saber o
motivo de ser acordada assim?
- Apeteceu-me e como
acordei cedo resolvi vir ter contigo antes de seguir com o Nuno para o estádio
- sorriu - amor ficas com o meu carro e
depois leva-lo quando fores ao jogo, pode ser?
- Poder, pode mas
porquê que não levo o meu e vens comigo?
- Tanto faz -
beijou-me - se preferires levar o teu,
leva - voltou a beijar-me e hoje não sei porquê mas os seus beijos estavam
a tirar-me do sério tanto que acabei por voltar-me na cama deixando-o debaixo
de mim - o que foi? - perguntou
quando afastei as nossas bocas e sentei-me em cima das suas pernas a olhá-lo.
- Quero saber qual
foi o teor da conversa que tiveste com o meu irmão - sorriu.
- Amor resumindo
porque agora não tenho muito tempo, o teu irmão estava com medo que deixássemos
de gostar dele quando tivermos o nosso primeiro filho, mas expliquei-lhe que
isso está fora de questão que por muitos bebés que podemos vir a ter nenhum
deles irá substituir o espaço do Martim nos nossos corações, que o vamos amar
sempre - estava sem reação, o Ruben falava a olhar-me nos olhos e com uma
calma tremenda que deixou-me a levitar completamente - que só faz sentido pensar numa vida em comum contigo se ele concordar
porque nunca será uma vida a dois mas sim a três, que terá sempre o lugar dele
tanto na minha casa como na minha vida, o menino estava com medo que
conseguisse convencer-te a abandoná-lo, amor o problema nunca foste tu mas sim
eu, o Martim no fundo não acreditava que o quero como um filho mas depois da
conversa que tivemos pediu-me para ser o seu pai a fingir tal como tu és a mãe
que nunca teve - o Ruben limpou-me as lágrimas que já molhavam o meu rosto
- amor deixa-me assumir esse papel na
vida do teu irmão, não é só ele que quer um pai a fingir, também quero ter uma
palavra a dizer na sua educação mesmo que seja praticamente insignificante
porque serás sempre a responsável por ele, deixa-me amá-lo como se fosse
realmente nosso filho, porque na verdade não deixa de ser, quem cuida dele és
tu logo se namoramos e se pretendo um dia ser algo mais do que teu namorado
quero poder participar de forma mais ativa na vida dele.
- Ruben mas já
participas de forma ativa na vida dele - suspirei - és o único homem que deixei que se aproximasse do Martim agora não
peças para ocupar o lugar de pai na vida dele porque isso não posso deixar,
sempre fiz questão de não ocupar o de mãe logo não vou permitir que ocupes o de
pai. Amor, não é nada contra ti mas o Martim tem que crescer com noção da
realidade.
- Mariana, acreditas
mesmo no que falas? Amor nem o Martim acredita nisso, linda para o puto és a
mãe dele, o menino admitiu ontem que só não te chama mãe porque não deixas, que
para ele és mãe e não irmã, por isso é que tinha medo que deixasses de gostar
dele se tivéssemos um filho nosso.
- Ruben é lógico que
para mim o Martim é meu filho e não irmão, por muito que ao início tenha
tentado mentalizar-me que sou só a irmã dele não consegui, o que é normal, tal
como é ele dizer que sou sua mãe mas percebe que não posso permitir que diga
isso, é para o bem dele.
- Mariana, entendo o
que queres dizer mas o puto por muito que tentes explicar não entende, estás a
falar de sentimentos que muitas vezes são inexplicáveis, podes impedi-lo de te
chamar mãe mas não podes nem consegues proibi-lo de te amar como se fosses a
sua mãe, no coração dele é isso que o menino sente e por muito que digas o
contrário não vais mudar isso ou porquê que achas que quando foi o dia do pai o
menino ressentiu-se e quando foi o da mãe não notaste diferença nenhuma no seu
comportamento - olhei-o - talvez
porque mãe o Martim sabe que tem, és tu, agora a figura paterna era algo que
nunca teve mas que pode vir a ter basta que deixes.
- Ruben, tens noção
que se deixar que assumas tal papel é para sempre, que depois do Martim usar-te
para colmatar a ausência de um pai não será mais o mesmo, irá cobrar e fazer as
exigências que os filhos fazem aos pais, terás uma responsabilidade para a vida
mas principalmente que o meu irmão não é algo descartável que quando enjoares
deitas fora, é só uma criança que apesar da tenra idade já sofreu imenso.
- No dia que
acreditares que te amo verdadeiramente sem vacilares um segundo que seja irás
perceber que tenho a perfeita noção do que estou a pedir, que apesar de não
saber o que é criar uma criança sei que com amor tudo se consegue, não estou a
dizer que é um desafio fácil, tenho consciência que vou errar algumas vezes e
acertar outras mas para isso estou a contar contigo, caramba quero fazer parte
da vossa vida, será que posso?
- Amor, isso é o que
mais quero mas por enquanto os fantasmas do meu passado não deixam que tenha
certezas de nada.
- Mariana não coloco
em causa o que sofreste mas enquanto não deixares o passado onde pertence nunca
conseguirás ser verdadeiramente feliz. Sei que é complicado acreditares a cem
por cento em mim devido ao teu histórico mas dá-me essa oportunidade,
entrega-te a mim e deixa-me amar-te, provar-te que neste mundo não existe só
pessoas mesquinhas, que podes amar e ser amada sem receio de voltares a ser
abandonada.
- O que é que estás a
tentar dizer? - olhou-me sem entender - Com esse “entrega-te a mim e deixa-me amar-te” - repeti as palavras
que estavam a latejar na minha cabeça.
- Que quero amar-te
sem ter medo de acordar um dia e não ter-te do meu lado. Mariana não és só tu
que tens dúvidas, também tenho especialmente quando estou a pedir quase a
implorar que deixes que faça parte da vossa vida a tempo inteiro e a ver-te
constantemente a recuar.
- Estás a sugerir que
vá viver contigo?
- Não, estou a pedir
que deixes esse medo de lado, que percebas de uma vez que sei aquilo que digo e
que quero. Mariana, quero simplesmente namorar e aproveitar ao máximo todos os
momentos da tua vida e da do Martim, para daqui a um tempo e não interessa se
será um mês, um ano ou ainda mais possa partilhar a minha vida com vocês aí sim
como um casal seja como teu namorado ou como teu marido, quero poder viver
convosco e ter a nossa família mas não tenho pressa, só quero que deixes de ter
medo, percebes?
- Sim - beijei-o
e acabei deitada com a cabeça no seu peito, ele estava a fazer um cafuné quando
decidi levantar-me, estava na hora de acordar a minha pestinha para irmos
passear já que este fim-de-semana estou de folga decidi dividi-lo entre os meus
dois amores - amor - chamei-o quando
estava a escolher a roupa para vestir - é
seguro trocar de roupa à tua frente ou será que vou estar a provocá-lo? -
meti-me com ele levando-o a sorrir e quando esperava uma resposta senti um dos
seus braços a envolver a minha cintura e com o a mão que ficou disponível
desviou o meu cabelo, beijando-me o pescoço, o Ruben não foi nem um pouco
contido na forma como abordou-me e em menos de nada estava já virada para ele e
com a sua língua a explorar a minha boca, o meu amor conduziu-nos até à cama
onde acabei deitada por baixo dele, ainda assim as carícias não foram
interrompidas e só quando senti as suas mãos em contacto direto com a minha
barriga é que o Ruben se afastou, fiquei a olhá-lo e quando preparava-me para
perguntar o motivo, o meu amor falou.
- Como vês não
preciso de ver-te nua para te desejar, basta deixar vir ao de cima a vontade
que tenho de ser teu - beijou-me demoradamente.
- Andas a desesperar
não andas? - perguntei meio sem jeito levando-o a sorrir.
- Amor, não estou a
desesperar mas que já sinto falta isso já - beijou-me novamente.
- Desculpa - interrompeu-me.
- Mariana não estou a
cobrar nada e muito menos a pedir que faças amor comigo - olhei-o - esse momento irá chegar naturalmente não
quero que fiques a pensar nisso e muito menos que te entregues a mim sem teres
a certeza que o queres fazer, é verdade que já não estou com ninguém desde que
acabei com a Soraia mas como vês ainda não morri nem vou morrer por falta de
sexo ou de amor como lhe queiras chamar.
Não abri mais a boca e por isso acabei por trocar o pijama
pela roupa que já tinha escolhido, sempre sob o olhar atento do Ruben que não
disfarçou nem um pouco mas ao contrário do que esperava não fique incomodada e
no fim fui acordar o Martim, o Ruben avisou-me que esperava na sala para lhe
dar um beijinho mas que depois tinha que seguir com o Nuno para o estádio, por
isso fui acordar o puto sem mais demoras.
- Martim, despacha-te
que o Ruben está na sala e quer dar-te um beijinho antes de sair com o Nuno
- avisei-o quando o meu irmão ainda mal tinha aberto os olhos mas assim que
ouviu a informação que lhe dei saiu da cama e do quarto a correr, fui atrás
dele e quando entrei na sala já o puto estava ao colo do Ruben a dar-lhe um
abraço apertado, fiquei enternecida a olhar para eles que nem reparei nos
nossos amigos.
- Ó Mariana precisas
que vá buscar uma fralda para te limpar a baba - o Nuno meteu-se comigo mas
nem respondi - shii como isso anda nem
responde - continuou mas ignorei-o completamente.
Ruben
Estava na sala à conversa com o Nuno e com a Patrícia quando
o Martim entrou a correr ainda de pijama e descalço sentando-se ao meu colo.
- A mana avisou que
vieste dar-me um beijinho antes de ires para o jogo - sorrimos - já falaste com ela? - sorri ao
ouvi-lo.
- Já.
- E ela?
- Ficou de pensar no
assunto.
- Fixe -
abraçou-me com uma força descomunal e quando reparei tinha a Mariana a olhar-me
enternecida e o Nuno a mandar piadas que o meu amor ignorou completamente ao
sentar-se ao nosso lado.
Fiquei ainda uns minutos com eles mas tive que despedir-me
primeiro do Martim e depois da Mariana, que ao contrário do que esperava fez
questão de prolongar ao máximo o momento, foi dela a iniciativa de unir as nossas
línguas mesmo com o miúdo sentado ao meu colo, lógico que não passou
despercebido ao puto que gargalhou imediatamente e no final ainda pediu que
repetíssemos, ficamos os dois a olhar para o puto o que fez o Nuno e a Patrícia
sorrirem. Acabei por sair com o Nuno sem fazer a vontade ao puto ainda assim
ele continuava a rir ao colo da irmã.
- É impressão minha
ou o miúdo finalmente aceitou o vosso namoro? - o Nuno perguntou-me quando
já íamos a caminho do estádio.
- Aceitou, ontem
estive a falar com ele, o Martim conseguiu explicar o porquê que reagia mal
sempre que a Mariana se aproximava de mim e depois de uma longa conversa o
menino percebeu que não precisa de ter medo que não o vamos abandonar.
- Ainda bem que o
Martim já entendeu que não lhe queres roubar a irmã.
- O medo dele não era
esse.
- Não?
- Népia, ele estava
com medo que pudéssemos deixar de gostar dele se por acaso fossemos pais.
- Estás a brincar?
- Não, na cabeça do
Martim se conseguisse evitar uma maior aproximação minha e da irmã, não haveria
risco de aparecer um bebé para concorrer com ele, no fundo o puto tinha medo
que depois da irmã ser mãe escolhesse o filho e se esquecesse dele.
- Bem andamos nós a
pensar que o miúdo tinha ciúmes teus e afinal estava a sofrer por antecipação
- sorri - ou será que a ideia dele não é
assim descabida?
- Estás a falar do
quê?
- De vir aí um
rebento para breve.
- Não está nos meus
planos e nos da Mariana muito menos mas porquê que perguntas?
- Nunca escondeste
que queres ser pai e quanto mais melhor.
- E?
- Então que deve ser
mais fácil convencer a Mariana a engravidar do que a Soraia, pelo menos a
Mariana já sabe o que é ser mãe, só lhe tens que espicaçar o lado biológico em
si porque o emocional já está bem presente.
- Se queres sobrinhos
pede ao Tiago que te dê, deixa-me a mim e à Mariana de fora dessas ideias.
- Vais dizer que não
gostavas de ter uma coisinha fofa que fosse só tua e da Mariana.
- Quero ser pai e a
Mariana tem consciência disso mas ainda é muito cedo para pensarmos em filhos,
quero primeiro fortalecer a relação e só depois virá os filhos, não tenciono
apressar nada, além disso o Martim neste momento precisa de estabilidade e não
de ter que lidar com a vinda do sobrinho - sorriu - falei algum disparate, foi?
- Não, mas parecias
um pai a falar do filho, aliás desde que contaram ao Martim que namoram que
mais pareces o pai dele.
- Adoro o miúdo e se
posso fazer alguma coisa para vê-lo feliz, faço.
- Concordo contigo
mas não te esqueças que o puto não é teu filho - falou ao sair do carro uma
vez que já estávamos no estádio.
- É como se fosse,
Nuno amo a Mariana e tenho certezas que quero passar o resto dos meus dias do
lado dela, por isso o Martim não será mais que um filho para mim.
- O que é que a
Mariana diz a isso tudo?
- A Mariana tem medo
que o Martim se apegue demasiado a mim e que no fim sofra, ela ainda tem
algumas dúvidas quanto ao que sinto por eles, o que é normal perante o passado
de abandono que tem, mas não vou desistir, amo-a e sei que com o tempo vai
ficar segura disso mesmo - o Nuno parou de andar - o que foi? - perguntei ao vê-lo a olhar-me.
- Foi que nunca vi
nem ouvi essa certeza em vez nenhuma que falamos do teu casamento com a Soraia
nem no dia seguinte ao do pedido vi-te com a certeza absoluta que seria para a
vida e agora com a Mariana quando ainda mal se conhecem como casal tens uma
certeza inabalável, é estranho ver como mudaste tanto no espaço de nove meses.
- A Mariana fez-me
ver a vida de outra forma, aprendi a dar importância a coisas tão pequenas como
um sorriso sincero ou um abraço sem segundas intenções ou mesmo a aprender a
ouvir um não e ficar calado.
- Ui que isso está
mesmo grave - gargalhou - estás
completamente apanhado pela Mariana.
- Não duvides e o
estranho é que se pedisses para explicar como aconteceu não sei o que
responder.
- Sabes - olhei-o
- o que aconteceu foi que a Mariana
mostrou-te o lado mais puro do amor, aquele que ainda não tinhas descoberto em
nenhuma outra relação, a Mariana fica feliz só de receber um beijo ou abraço
teu, não precisa que o vosso namoro seja falado pelo país inteiro, não liga nem
quer saber quantos zeros tens na conta bancária, para ela chega-lhe e sobra o
teu lado de comum mortal, que ama e quer ser amado, que ri mas também chora. Já
para não falar que deu-te alguma luta, aprendeste a dar-lhe valor primeiro como
amiga e só depois como namorada, só o facto de teres noção que ainda não a
conquistaste totalmente faz com que procures sempre o melhor que há em ti, daí
estares a redescobrir um novo Ruben dentro de ti.
- Talvez seja mesmo
isso - sorriu - mas agora vamos
acabar aqui com a conversa ou o mister ainda nos mete na bancada como castigo.
O Nuno gargalhou mas não respondeu, entramos finalmente no
balneário onde encontramos os nossos colegas, equipamo-nos para um ligeiro
treino e passamos o resto do dia na companhia do pessoal.
Mariana
Depois do Ruben sair fui despachar o meu irmão para irmos
passear, hoje decidi que iríamos conhecer uma nova cidade, o meu irmão tem que
abri os seus horizontes e por isso fomos passear até Guimarães, o Martim estava
a adorar uma vez que tem uma paixão por história que não é comum na sua idade,
fartou-se de fazer perguntas que tentei sempre responder e às que não sabia
procurei informar-me para depois lhe explicar. Foi quando estávamos a lanchar
que o meu irmão ao ver um casal acompanhado pelo filho perguntou-me algo que
não esperava.
- Mana porquê que não
deixas o Ruben ser meu pai?
- Amor não é uma
questão de deixar mas sim que entendas que na verdade ele nunca pode ser teu
pai.
- Mas tu também não
és minha mãe e para mim é como se fosses - olhou-me - mana eu sei que o Ruben já contou a nossa conversa - sorri ao
ouvi-lo - e ele disse que ias pensar no
meu pedido mas eu quero muito saber como é ter um pai.
- Porquê esta fixação
em quereres um pai?
- Porque eu tou a
gostar de ter um homem com quem falar e o Ruben explica-me as coisas que quero
saber, ele faz o mesmo que os pais dos meus amigos e eu quero também ter um
pai.
- Martim podes
continuar a falar com o Ruben sem o chamares de pai - ele interrompeu-me.
- Mas eu não quero
chamar o Ruben de pai como não chamo a ti de mãe.
- Então o que queres?
- Quero que ele
prometa que vai sempre fingir que é meu pai mas para isso é preciso que deixes,
ele não aceita isso se não concordares.
- Amor anda cá -
sentou-se ao meu colo - sabes que a mana
e o Ruben somos só namorados - voltou a interromper-me.
- E o que é que tem
de mal?
- Tem que hoje
estamos juntos mas amanhã por qualquer motivo podemos nos chatear e a mana tem
medo que depois sofras com isso, entendes?
- Ó mana isso não é
desculpa - olhei-o surpreendida - porque
os pais do Ricardo eram casados e eles também se chatearam e a mãe dele saiu de
casa sem querer saber do meu amigo.
- Martim não mistures
as histórias, porque a mãe do Ricardo quer saber dele, o teu amigo é que ainda
não entendeu isso.
- Mana mas isso não
interessa - olhou-me - eu quero um
pai e o Ruben não se importa deixa lá.
- Juro que não
entendo, amor ainda ontem embirravas sempre que a mana se aproximava de Ruben,
passaste o último mês e meio a fazer birras, agora queres à força que deixe o
Ruben tratar-te como um filho.
- Eu não gostava de
ver-te ao colo e aos beijinhos ao Ruben porque tinha medo que deixasses de
gostar de mim mas o Ruben ontem explicou que isso nunca vai acontecer mesmo que
tenham bebés a mana e ele vão sempre gostar de mim por isso já podes dar muitos
beijinhos ao Ruben que não há problema.
- Amor, a mana nunca
irá abandonar - deu-me um beijinho e um abraço.
- Então deixas que o
Ruben seja o meu pai a fingir? - suspirei.
- Se prometeres que
fica um segredo só dos três, que nunca vais dizer aos teus amigos que o Ruben é
o teu pai a fingir, deixo.
- Obrigado mana -
voltou a abraçar-me - eu prometo que não
digo que o Ruben é meu pai a fingir como também não digo que és minha mãe -
sorri - mas posso dizer que ele é teu
namorado?
- Não.
- Porquê? Assim vou
tar a mentir aos meus amigos sabes que eles perguntam sempre porquê que é o
Ruben a levar-me aos treinos, eu digo que é por ser meu amigo mas ele á mais
que um amigo.
- Amor, sabes que o
Ruben é conhecido por isso é que os teus amigos perguntam o motivo de ser ele a
levar-te aos treinos.
- Eu sei, ele para os
meus amigos é o jogador do braga - voltei a sorrir - mas para mim é um amigo e o teu namorado.
- Pois, mas por ele
ser conhecido é que queremos manter o namoro em segredo, porque quando se
souber vai começar a ser falado e depois é muito chato, entendes?
- Sim, não queres
aparecer nas revistas como a Soraia aparecia, né?
- Sim, é isso tudo.
- Tá bom eu não conto
mas tu deixas que o Ruben finja ser meu pai.
- Já te disse que
deixo mas não é para abusares, tens que respeitá-lo como respeitas a mana e se
ele dizer não é para aceitares sem reclamares, entendeste?
- Sim mas agora vamos
passear mais - sorri e acabei por fazer-lhe a vontade durante a hora
seguinte mas com o aproximar da hora de jogo tivemos que regressar a Braga e
como já estávamos atrasados fomos diretos ao estádio.
- Boa noite -
cumprimentei a Patrícia e mais algumas mulheres e namoradas de colegas do
Ruben.
- Bem isso é que foi passear
- sorriu.
- Apanhamos trânsito
mas chegamos a tempo.
- Ou não.
- O que queres dizer
com isso?
- Eles tiveram aqui e
como é lógico o Ruben esperava ver-te cá.
- A sério - disse
desanimada levando-a a sorrir novamente.
- Fica tranquila que
avisei-o que só estavas atrasada.
- Obrigada.
- Como correu o
passeio?
- Bem mas já te
conto, vou tentar ligar-lhe - sorriu mas não respondeu uma vez que não lhe
dei tempo.
Fui até ao corredor que dá acesso aos camarotes para lhe ligar
mas não consegui pois já estava desligado, ainda assim mandei-lhe mensagem a
desejar boa sorte. Regressei para o meu lugar e enquanto o jogo não iniciou
contei à Patrícia o que foi o meu dia para no final pedir se ficava com o
Martim durante a noite.
- Ui que um certo
menino vai ter sorte - meteu-se comigo.
- Não comeces.
- A tua sorte é
estarmos no sítio que estamos caso contrário irias explicar muito bem o motivo
de tal pedido mas fica descansada que fico com o Martim.
- Obrigada.
- Já agora o puto sabe?
- Não, vou-lhe dizer
no final do jogo.
- Só espero que não
dê confusão.
- Pode ser que não,
depois da conversa que ontem o Ruben teve com o Martim acho que o meu irmão
acalmou de vez.
- Espero bem que sim,
afinal já merecem um pouco de sossego.
Teríamos continuado a “dar à língua” mas o jogo começou e
por isso concentramos a atenção no relvado ou melhor nos nossos “mais que
tudo”. Os noventa minutos seguintes foram mais do mesmo, uma data de palhaços a
correrem atrás de uma bola mas confesso que ao fim dezasseis meses a conviver
com a profissão do Ruben e do Nuno já acho uma certa piada à coisa,
especialmente quando se matam a correr e depois na altura de rematarem falham o
alvo, é impossível não rir perante o ar de desalento deles.
O Jogo terminou com a vitória da equipa da casa, o que
deixou o meu irmão entusiasmado, ultimamente vibra mais com o Braga do que com
o Porto, talvez por jogar nas escolinhas do Braga porque por influência do
Ruben, ele vibrava mesmo era com o Benfica e ponto final.
***
- Martim -
chamei-o quando o Nuno já estava ao lado da Patrícia pronto para se ir embora.
- Diz.
- A mana queria
pedir-te um favor.
- O que é?
- Ficas chateado se
fores para casa com a Patrícia e o Nuno?
- Porquê?
- A mana queria ir
sair com o Ruben.
- Fixe, também vou
- os nossos amigos gargalharam.
- Ó lindo, a mana
queria ficar sozinha com o Ruben.
- Mana, ficas quando
eu for dormir - fiquei a olhar para o puto já o Nuno voltou a gargalhar.
- Ó Martim faz lá
esse favor à mana e vai com a Patrícia.
- Ó mana mas eu deixo
dares beijinhos ao Ruben já não me importo deixa lá eu ir com vocês.
- Ok, mas é para
jantares e ires imediatamente para a cama que amanhã tens jogo.
- Sim - sorriu
como quem está a pensar “deve ser isso deve”.
- Bem o puto fica
comigo, obrigada na mesma mas fica para a próxima - a Patrícia sorriu - agora só espero não ficar a assar à espera
daquele.
- Shii se fosse a ti
ia lá despachá-lo, o Ruben está feito Amélia.
- Não brinques com
isso que hoje não tenho paciência para ficar eternamente à espera dele -
sorriu.
- Mariana, se fosse a
ti ia lá chamá-lo, a entrada do balneário é a última porta do lado direito
daquele corredor - falou ao apontar - podes
ir descansada que não está lá mais ninguém ou então não sais daqui hoje -
olhei-o meio que a desconfiar - podes ir
à vontade que ele está sozinho, o pessoal já bazou todo e nós ficamos com o
Martim.
- Estás a ouvir bem
aquilo que estás a dizer?
- Qual é o mal? Nu já
não o apanhas - sorriu - que quando
saí já estava minimamente apresentável.
- Porquê que não
acredito no que estás a dizer?
- Não iria enganar-te
mas se quiseres ficar aqui sozinha à espera da Amélia é lá contigo.
Olhei para a Patrícia e depois para o meu irmão, acabei por
decidir ir chamá-lo pois a ideia de ficar sozinha na garagem à espera de sua
excelência não estava a agradar de todo, segui as indicações do Nuno e depressa
cheguei à porta do balneário que se encontrava fechada, bati e uns segundos
depois o Ruben abriu-a.
- Amor? O que é que
estás aqui a fazer?
- Vim chamar-te
porque segundo o Nuno estavas atrasado e vendo bem que ainda só tens as calças
vestidas nunca mais daqui saías - sorriu.
- Entra.
- Qual entra qual
carapuça, despacha-te que espero por ti no carro - falei já a virar as
costas mas o Ruben agarrou-me por um braço e puxou-me para o interior do
balneário, fechando imediatamente a porta -
Ruben o que é que estás a fazer? - perguntei mas o Ruben não respondeu
investiu sobre mim o que estava a deixar-me desconfortável e talvez por isso
fui recuando até embater na parede, fiquei encurralada e sem escapatória
possível, o Ruben estava com as mãos apoiadas na parede uma de cada lado do meu
corpo e a olhar-me bem nos meus olhos.
- Desculpa mas não dá
para adiar mais - tremi ao ouvi-lo e ainda mais quando o Ruben beijou-me,
senti as suas mãos na minha cintura mas não consegui reagir e muito menos
fazê-lo parar.
Como irá acabar esta ida da Mariana ao balneário?
Olá :)
ResponderEliminarEntão e o resto do capitulo?! :P
Quero o próximo para ver se o que segue é o que eu tenho em mente xD
Mais, Mais e muito rápido! ;)
Continua
Beijinhos
Rita
http://lifegoesonr.blogspot.pt/
O resto com urgência por favor!!!!
ResponderEliminarAhhh essa historia do "pai a fingir" é uma ideia mesmo fofa! O miúdo não brinca!
Agora publica lá o resto que deixares uma pessoa assim a meio não tem piada nenhuma!!
Bjokinhas
Mariaa
Uiiii qe isto vai aqecer! Ainda são mas é apanhados por alguém no balneário xD
ResponderEliminarGostei muitooo e agora é qe o Ruben vai-se sentir como um pai :)
Beijinhoo
Aiiiii isto nao se faz! Eu quero mesmo saber como isto acaba! Posta rapidinho por favor porque estou muito curiosa! Para além disso, já sentia falta de ler um capitulo teu!
ResponderEliminarQuanto a esta história do pai a fingir eu acho muito ternurento, este Martim encanta qualquer um!
Ah tambem nao posso negar que desato a rir quando leio a Mariana a descrever um jogo de futebol! Demais!!! Ahahahahah
Quero o proximo!!!
Beijo
Ana
Sempre ouvi dizer que quem desdenha quer comprar, e é verdade, a prova disso é a Mariana que para quem não gostava de futebol e andava sempre a picar-se com o Rubén agora até já vai ver os jogos e tá completamente apaixonada por ele.
ResponderEliminarFinalmente o Martim tem um "pai", mesmo sendo a fingir, o puto sempre levou a dele avante.
Apesar de tu dizeres que o capitulo não tá nada de especial, ficas já a saber que eu adorei, e este final deixa-nos com vontade de ler mais, por isso menina Caty, bandeia-te.
Beijocas
Fernanda
magnifico...
ResponderEliminarquero mais... tou super curiosa para ver o proximo...
continua...
Olá : )
ResponderEliminarCaty não termines o capítulo assim! Deixas-me desesperada de tanta curiosidade :p
Aguardo o próximo ;)
Beijinhos
Ritááá xD
Céus!!! Isto lá é altura de acabar o capitulo???
ResponderEliminarQuero mais!!!
Brutal!!! Mais rapidamente.
Beijinhos linda.