quarta-feira, 3 de julho de 2013

070 - "...tu assim és chata e embirrenta e eu não gosto de ti assim!"

Ruben
Esta espera em saber se a Mariana está ou não grávida tem-me deixado ansioso e por isso mesmo assim que percebi que já tinha comprado o teste insisti para que o fizesse, o meu amor recusou num primeiro momento mas hoje ao acordar não teve como fugir, no entanto percebi que só o fez porque lhe pedi.
Não levei a mal o fato de não querer esperar junto de mim pelo resultado mas a verdade é que aquele tempo de espera estava a dar-me cabo dos nervos e vê-la a fingir que não estava minimamente ansiosa pelo resultado também não ajudou.
Finalmente pude ver o resultado e ao perceber que afinal a Mariana é que tinha razão, que ainda não é este mês que conseguimos, fiquei sem saber como lhe dar a novidade, no entanto também não foi preciso, dado que pela minha cara o meu amor descortinou o resultado.
- Diz-me para quê que fiz essa merda... só perdi tempo! – olhei-a atónico, a Mariana não é de dizer palavrões.
- Amor – tentei aproximar-me mas fui afastado assim que tentei abraça-la – Mariana não fiques assim...
- Assim como? A sentir-me mais uma vez uma inútil? Nem para te dar um filho sirvo!
- Mariana não digas isso! – tentei novamente aproximar-me mas a Mariana recusava qualquer tipo de contato comigo
- Ruben – baixou o olhar, algo que serviu para perceber que viria disparate – sei o quanto queres ser pai por isso se quiseres ir procurar alguém que te dê o que queres vou perceber
- É que nem vou ligar ao que acabaste de falar! Mariana não é o caso, porque sei que o nosso momento vai chegar, que não tens qualquer problema mas mesmo que tivesse espero bem que não te esqueças dos votos que fizemos – olhei-a bem nos seus olhos – “PROMETO SER-TE FIEL, AMAR-TE E RESPEITAR-TE, NA ALEGRIA E NA TRISTEZA, NA SAÚDE E NA DOENÇA, TODOS OS DIAS DA NOSSA VIDA” espero que nunca te esqueças porque se o falaste da boca para fora, eu não, senti cada palavra que dizia no mais ínfimo do meu ser! Porra sei que não é fácil todos os meses descobrires que ainda não foi desta mas se pensas que é só a ti que dói, estás enganada! Achas que sinto prazer em ver-te nesse estado, achas que gosto de saber que também falhei algures?! Sim, Mariana para engravidares é preciso DOIS, encascaste nessa cabeça que o fato de não engravidares significa que tens algum problema e vives aterrorizada com isso mas será que nunca te passou pela cabeça, um minuto que seja, que a existir um problema, esse pode estar em mim? Pára de reagir assim... amor se ficas mais descansada vamos ao médico, eles servem para essas cenas... fazemos exames e assim percebemos se é só azar ou se realmente há motivo para não engravidares!
A Mariana não respondeu, olhou-me por uns segundos para virar-me as costas logo de seguida e sair do quarto, a sua atitude revoltou-me e sem pensar no que estava a fazer dei um pontapé no puft que temos no quarto, algo que o Martim viu pois tinha acabado de entrar no quarto.
- Pai! – ouvir o chamamento aflitivo do meu piolho fez-me sentir pequenino – estás zangado com a Mana?
- Não...
- Então porquê que tu tás chateado e a mana saiu daqui a chorar – suspirei e depois de o fazer sentar-se ao meu colo
- Não fiques preocupado, nós não estamos zangados – o menino olhava-me nada convencido
- Então porquê que a mana tá a chorar? – respirei profundamente
- Martim, a mana está triste porque – hesitei por momentos tive dúvidas se o melhor seria contar-lhe a verdade mas acabei por fazê-lo ao vê-lo realmente preocupado – nós queremos muito sermos pais de um bebé – o menino sorriu – mas ainda não conseguimos e a Mariana ficou triste.
- Oh ela é totó – foi impossível não sorrir perante a forma despreocupada com que o Martim falou – mas eu vou dar miminhos a ela e depois fica logo contente – o Martim saiu do meu colo e foi a correr ter com a irmã, acabei por segui-lo e quando cheguei à cozinha encontrei o menino já agarrado à irmã – mana não fiques triste – o meu amor olhou-o – o Ruben já explicou que tás assim porque querem dar-me um mano mas ainda não conseguiram mas eu posso esperar – ainda tentei segurar as lágrimas mas não consegui – eu sei que pedi muito e que quero ter um mano mas também não quero ver a mana triste e chateada com o Ruben porque ainda não pode ser já...
O meu olhar cruzou com o da Mariana e em menos de nada já a tinha nos meus braços, o meu amor quebrou completamente e chorou agarrada a mim, vê-la naquele desespero fez com que tomasse a decisão de marcar uma consulta para fazermos exames, vê-la naquele estado de nervos é que estava fora de questão.
***
Aproveitei não ter treino de manhã para pesquisar sobre o tema “infertilidade” na internet, li vários relatos de casais que como nós tiveram dificuldades em engravidar e outros em que foi diagnosticado algum tipo de problema que os impediam de ter filhos. Dos testemunhos que li, alguns tiveram solução e com tratamento conseguiram engravidar mas também li testemunhos de pessoas que infelizmente não conseguiram vencer a luta e que em alguns casos seguiram a via da adoção, dei comigo a pensar que em último caso poderá ser uma solução mas para já recuso-me a pensar nisso, até porque não vou permitir que a Mariana desista sem irmos à “luta”. O primeiro passo é procurarmos ajuda de um especialista e por isso mesmo também pesquisei sobre esse assunto, encontrei alguns contatos mas preferi discutir o assunto com o meu amor antes de marcar alguma consulta. Algo que fiz, durante o almoço, uma vez que fui até à casa do Nuno para ver como estava e fazer-lhe um pouco de companhia.
- Não vou! – a Mariana recusou a ideia de procurarmos um especialista
- Não vais porquê? Mariana não temos nada a perder!
- Não vou expor-te ao ridículo...
- Ridículo?! Chamas querer ser pai ridículo? Fónix nem parece teu... desde quando é que  foges aos problemas? – olhou-me
- Desde que me apaixonei por ti, porque desde esse dia que tenho medo de perder-te, de desiludir-te, tenho medo que descubras que afinal não sou mulher para ti... – a Mariana estava a falar disparate atrás de disparate ainda assim deixei-a continuar, talvez no final se sentisse mais aliviada
- Já terminaste?! – falei assim que se calou – Mariana amo-te com todos os teus defeitos e qualidades, não é porque ainda não conseguimos engravidar que vou deixar de te amar e muito menos se descobrirmos que existe motivo para ainda não teres engravidado.
- Isso é o que falas agora!
- Chega! – exaltei-me, afinal paciência tem limite e ela estava a testar a minha desde que acordou – Até podia admitir esse medo que tens de que te pudesse abandonar por não engravidares se não tivéssemos já o Martim, caramba amo o puto com a mesma intensidade que amaria se fosse sangue do meu sangue, já te dei provas mais do suficientes que para mim é um FILHO, por isso se não pudermos ter filhos biológicos podemos sempre adotar, o que não posso nem vou tolerar é que te afundes sem primeiro irmos à luta! Achas que está a ser fácil para mim?! Lamento informar mas não está! Não sei o que iremos descobrir mas recuso a baixar os braços.
A Mariana nada disse, deixei-a refletir no que falei e quando fui despedir-me dela para ir até ao treino, ouvi o que queria ou pelo menos já era algo.
- Vou marcar consulta na ginecologista que me seguia antes de ir para Braga.
- Já é um começo! Mas marca isso para um dia que possa acompanhar-te – olhou-me desagradada – e não é um pedido, é uma ordem, sim que já percebi que estás a ser mais criança que o Martim por isso enquanto não mudares o comportamento será desta forma que lidarei contigo!
- Mas quem pensas que és? Não és ninguém para falares nesse tom! – ignorei a última parte do que falou e respondi-lhe
- Sou só a pessoa que amas! – reduzi o espaço que nos separava, encostando-a à parede – e aquele que por muito que tentes não vai desistir de ti, recuso-me a desistir de NÓS e quanto mais rápido perceberes isso melhor porque vais entender que se estou a ser “duro” contigo é porque te amo!
Não lhe dei tempo para respondei, uni os nossos lábios num beijo que ao início foi só um encosto mas que uns segundos depois ganhou uma intensidade que reconheci como sendo a nossa, a Mariana descontraiu e quando separei as nossas bocas pedi-lhe novamente que marcasse a consulta num horário que pudesse ir, algo que o meu amor acabou por aceitar.
Ainda fiquei uns minutos com ela mas tive mesmo que despedir-me ou ainda chegaria atrasado ao treino, este correu melhor do que esperava, já que tinha a cabeça a mil com tudo o que se anda a passar.


Mariana
Descobri que ainda não foi desta que consegui engravidar mexeu demasiado com a minha capacidade de raciocínio, tanto que numa questão de horas, dei comigo a pensar disparates atrás de disparates, acho que só não deu asneira porque o Ruben segurou o “leme do barco” com bravura, a verdade é que senti-me a pior pessoa por não lhe conseguir dar um filho.
O meu amor acabou por conseguir convencer-me a marcar uma consulta na minha ginecologista e ainda a permitir que me acompanhe.
O resto do dia foi penoso para mim, só queria chegar a casa, deitar-me e acordar daqui a muitos e bons anos, sem problemas, dúvidas ou medos. O momento de regressar ao meu lar chegou e nunca antes agradeci tanto como hoje, estava mesmo a precisar de sentir o apoio do Ruben e do meu irmão. Assim que abri a porta do apartamento dei de caras com o meu irmão a fazer-me uma espera, achei estranho ainda mais quando o menino gritou para avisar o Ruben que tinha chegado, ainda tentei perceber o que se passava mas a única resposta que obtive foi
- Tens de esperar aqui!
Se pudesse tinha mandado o meu irmão para um sítio feio, estava sem paciência para aqueles joguinhos e só não me passei da cabeça porque o Ruben entretanto chegou.
- Já posso saber o porquê que não pude entrar? – o Ruben sorriu-me
- Oh mana não ralhes com o Ruben que a culpa é minha – olhei para o Martim – a ideia foi minha... o Ruben só ajudou a preparar porque não sabia fazer sozinho – o meu amor sorria ao olhar para o Martim
- Porque será que isto cheira-me a esturro?!
A única resposta que obtive foi o Ruben ter-me vendado os olhos, ainda reclamei mas de pouco adiantou, acabei por ser conduzida pelo meu piolho que me deu a mão e puxou-me, fui sempre atrás dele e só quando paramos é que pude retirar a venda, quando o fiz foi impossível não sorrir, tinha a banheira cheia de água e sais, à minha espera.
- Mana o Ruben é que fez mas a ideia foi minha para tu ficares assim molinha como eu fico quando deixas eu tomar banho assim com muita espuma – mais uma vez as lágrimas vieram-me aos olhos – mana eu quero que descanses porque tu assim és chata e embirrenta e eu não gosto de ti assim! – o ar de senhor do meu irmão fez-me rir pela primeira vez desde que acordei
Acabei por acatar as ordens do meu piolho e aproveitei mesmo o miminho que os meus dois amores prepararam, não sei o tempo que estive de “molho” só sei que quando saí sentia-me mais leve ou como disse o meu irmão molinha. Quando saí da casa de banho para vestir algo confortável percebi que os planos daqueles dois não ficava por um banho demorado, tinha em cima da cama um vestido novo acompanhado por um bilhete escrito pelo meu irmão.
Mana é para ti... veste!
Voltei a seguir a ordem dada pelo meu pirralho e depois de vestir o que me foi oferecido fui até à sala onde encontrei novo bilhete, novamente escrito pelo meu pequenino
Andas muito chata! E eu só gosto de ver a mana a rir. Vem ter ao carro!
Gargalhei sozinha, só mesmo dois maluquinhos é que se iriam dar a tanto trabalho, acabei por seguir novamente as indicações, agora com um sorriso nos lábios, estava curiosa para saber onde iria.
Cheguei à garagem e ao aproximar-me do carro do Ruben vi que esperava por mim, também tinha mudado de roupa, encontrava-se agora com um estilo mais formal ainda assim prático, percebi que escolheu a indumentária de acordo com o meu vestido, mais uma vez sorri e quando aproximei-me dele dei pela falta do meu irmão mas antes que pudesse perguntar pelo Martim o Ruben deu-me novo bilhete
Mana eu quero um mano como tu sabes mas quero mais que tu e o Ruben estejam contentes. Vou dormir na casa da avó e tu trata bem o pai...
Li e reli o bilhete, estava sem palavras perante o que o Martim preparou, se bem que aquilo tudo tinha dedo do Ruben, o menino não teria tanta imaginação e foi isso mesmo que falei
- Podes não acreditar mas a ideia foi toda do menino... simplesmente alinhei e ajudei-o a preparar o que idealizou naquela cabeça – o meu amor colocou as suas mãos na minha cintura puxando-me para ele – mas o que achas de deixarmos a conversa para depois – o Ruben foi aproximando os seus lábios dos meus – afinal temos uma noite para aproveitar...
Não o deixei continuar, cortei-lhe as palavras no momento que uni as nossas bocas, foi minha a iniciativa de juntar as nossas línguas, mas foi dele a de prolongarmos ao máximo aquele beijo.
- Vamos? – o Ruben perguntou com um sorriso no rosto
- Porquê que estou com receio do que me espera?
O meu amor simplesmente gargalhou para abrir logo depois a porta do pendura, que nem autentico cavalheiro, confesso que aquele cuidado todo estava a deixar-me maravilhada e bastante curiosa.
***
As semanas passaram e depois da noite planeada pelo meu piolho com mão do Ruben, sim que até posso acreditar que a parte do banho de espuma, dos bilhetinhos e do Martim ficar a dormir na casa da Anabela tenha sido ideia do meu irmão, mas o local onde jantamos mas principalmente para onde o Ruben nos levou a seguir não foi de todo escolha do meu pequenino, afinal o Martim ainda é demasiado inocente para escolher um motel como destino. Confesso que ao início tudo aquilo deixou-me desconfortável, nunca antes tinha frequentado um sítio daqueles mas agora que já se passou umas semanas é impossível não desejar lá voltar, afinal foi uma noite bem aproveitada, que serviu para muita coisa mas a principal de todas foi conseguir serenar ao perceber que o Ruben ama-me mais a cada dia que passa.
***
Acordei ansiosa, nervosa, receosa, resumindo estava numa pilha de nervos. Estava mais uma vez a pensar no que poderá resultar a consulta que terei hoje com a minha ginecologista, aquela que o Ruben obrigou a marcar, quando a Patrícia se senta ao meu lado, voltou a tentar perceber o motivo pelo qual tenho andado com constantes mudanças de humor no entanto mais uma vez não consegui desabafar, a verdade é que só com o Ruben é que tenho conseguido falar sobre o tema. As horas pareciam que nunca mais passavam e quando vi o meu amor diante de mim simplesmente corri para os seus braços.
- Hey tem calma – envolveu-me nos seus braços
- Não consigo – respirei profundamente – tenho medo...
- Shiu... amor independentemente de tudo o que se poderá passar – o Ruben fez-me olhar para ele – vou continuar a amar-te, espero que não tenhas dúvidas em relação a isso!
- Ruben... essa fase já passou – o meu amor sorriu – já percebi que por muito que me queira ver livre de ti não vou consegui – acabei por brincar um pouco com a situação, a verdade é que estas semanas serviram para entender que o amor que o Ruben sente por mim não tem fim – mas isso não invalida que tenha receio do que se irá passar daqui para a frente.
- E se deixássemos a conversa para depois... vamos! – o Ruben deu-me a mão e foi assim que nos fomos despedir do Nuno e da Patrícia para seguirmos de imediato até ao hospital.


Ruben
A vida dá muitas voltas e por vezes em questão de horas, foi isso que comprovei no dia que a Mariana fez aquele maldito teste, o resultado abalou-a de tal forma que colocou em causa o nosso casamento, felizmente consegui fazê-la entender que não a irei abandonar, independentemente dos problemas que teremos que enfrentar enquanto casal.
Mas se consegui fazê-la entender isso, em parte posso agradecer ao nosso piolho, a verdade é que a ideia do Martim em dar um miminho à irmã ajudou-me a ter vontade de preparar um programa diferente para nós os dois, foi de tal forma que a Mariana ao inicio estava capaz de matar-me quando percebeu que estávamos num motel, confesso que deu-me gozo vê-la tão acanhada, acho que nem na nossa primeira vez, que por acaso até tinha sido precisamente há um ano, a vi assim sem saber o que fazer, ainda assim o meu amor acabou por se libertar e tivemos uma noite inesquecível, onde exploramos caminhos nunca antes trilhados, a verdade é que até a essa noite, o meu amor nunca antes tinha permitido certo tipo de liberdades, mas pelos visto gostou porque além de ter retribuído nessa mesma noite, já voltou a fazê-lo noutras noites que se seguiram, se soubesse tinha planeado algo do género há mais tempo.
Nestas semanas que passaram tentei estar o máximo de tempo presente, pelo menos sei que quando estava com a Mariana que o meu amor não se colocava a pensar em disparates, por isso mesmo os tempos “Mortos” entre o treino da manhã e o da tarde eram muitas vezes passados na casa do Nuno, o que fez com que o nosso amigo por diversas vezes tenha tentado tirar nabos da púcara, afinal também ele percebeu que não andávamos os dois lá muito bem, ainda assim nunca comentei porque a Mariana pediu-me para não o fazer.
Hoje não consegui concentrar-me no treino, tinha a cabeça a mil à hora, só desejava que as horas passassem para ir ter com o meu amor, hoje finalmente temos a consulta e talvez por ter andado a pesquisar na net o assunto de infertilidade tanto feminina como masculina estou com algum receio, ainda assim tentei disfarçar perante a Mariana, já lhe chegava os nervos dela.
Chegamos ao hospital e enquanto não nos chamaram vi a Mariana a andar de um lado para o outro na sala de espera que nem barata tonta, aquilo estava a arruinar-me por dentro, o meu amor estava a sofrer e não podia fazer muita coisa para a aliviar.
Assim que nos chamaram, entramos de imediato, a Mariana cumprimentou a médica e depois apresentou-nos, a Dra. Fátima começou por ouvir a Mariana e prosseguiu a consulta com perguntas que nos foi fazendo, por diversos momentos senti-me desconfortável, afinal estava a falar da minha intimidade com alguém que não conhecia de lado nenhum, mas para o bem da Mariana faço qualquer coisa e por isso respondi sempre.
A Dra. Fátima explicou-nos que nem sempre a dificuldade em engravidar está relacionada com algum problema, ainda assim e por insistência nossa partimos de imediato para a fase dos exames, a médica ainda sugeriu que numa primeira fase fosse só a Mariana a fazer exames de rotina, pelo que entendi, exames que todas as mulheres devem fazer regularmente, mas acabei por perguntar se o problema não podia estar em mim, acho que a minha frontalidade surpreendeu a médica que acabou por admitir que nem todos os homens que se sentam naquela cadeira admitem de forma tão frontal que a existir um problema, que este possa ser deles.
A consulta continuou e saímos de lá com alguns exames para fazermos, não sem antes a médica fazer uma ecografia à Mariana, disse-nos que na eco não detetou nada de anormal e que o melhor que temos a fazer é descontrair, algo que é mais fácil dizer do que fazer.


Mariana
A postura do Ruben durante a consulta deixou-me orgulhosa, o meu amor estava mesmo a apoiar-me completamente nesta luta que é tentar engravidar. Saí do hospital com uma sensação esquisita, se por um lado estava ansiosa para fazer os exames e descobrir o resultado por outro sentia-me mais tranquila, talvez por isso nos dias seguintes o meu humor melhorou um pouco.
Hoje aproveitamos que o Ruben estava de folga para fazermos os tais exames. Mas se para mim foram exames de rotina, nada que não tivesse já habituada a fazer, para o Ruben foi tudo novidade, talvez por isso tenha tentado convencer-me a marcarmos os exames em dias distintos, percebi que o que queria era evitar que o acompanhasse, mas não fui na conversa, se o Ruben ainda não tinha vacilado em momento algum e apoiou-me sempre, agora era a minha vez de o fazer, afinal informei-me no que consistia o exame que o Ruben iria fazer e percebi que aquilo para a “masculinidade” de um homem deve ser tramado. O meu amor estava ansioso e num momento de loucura meu acabei por dizer algo que deixou o Ruben a olhar-me, afinal perguntei se queria ajuda para... bem para se “exercitar” dado que o exame era nada mais nada menos que um espermograma.
- Oh Mariana... sinceramente! Isto já é embaraçoso o suficiente para que ainda te metas com piadas!
- Desculpa... mas também não seria a primeira vez que o fazia – aquilo saiu-me, acho que os nervos estavam a deixar-me desbocada
- O embaraçoso não é ter a tua ajuda mas sim saber o fim para o qual vou... – o Ruben calou-se
- Amor... ainda estás a tempo de desistir – o Ruben olhou-me – se preferires podemos esperar os resultados dos meus exames e logo se vê...
- A situação pode ser embaraçosa mas não é por isso que vou desistir! – a convicção dele deixou-me orgulhosa
Os minutos seguintes foram desesperantes, afinal o Ruben já não se encontrava do meu lado e saber o motivo não ajudava em nada, o meu amor regressou um tempo depois.
- Vamos!
O Ruben não esperou que respondesse, simplesmente continuou a caminhar em direção à porta, algo que incomodou-me mas preferi não dizer nada, afinal para ele não deve ter sido fácil.


Ruben
O momento em que entrei para fazer o exame foi constrangedor e o tempo que demorei não ajudou em nada, tanto que quando consegui fazê-lo, a primeira cena que me passou pelo pensamento foi desaparecer dali o quanto antes, acabei mesmo por ser bruto com a Mariana quando lhe disse para irmos embora.
***
Os últimos dias não têm sido fáceis, a ansiedade da espera dos resultados dos exames está a arruinar com a minha concentração nos treinos e já fui chamado à atenção por parte do mister, pedi desculpas e prometi que não se voltaria a repetir, algo que não consegui cumprir, tenho plena noção disso, ainda assim não disseram mais nada.
Estava a fazer remates à baliza de forma a descarregar o stress antes do início do treino da tarde quando e sem esperar o mister apareceu.
- Ruben – olhei-o – não sei o que se passa nem preciso de saber mas já te vi assim... e ambos sabemos que o desfecho não foi bom – baixei o olhar, sabia ao que se estava a referir.
- Só preciso de descarregar – acabei por admitir que não ando bem e sem dar por isso estava a desabafar com quem menos imaginava ser possível – estes dias não têm sido fáceis ou melhor os últimos meses foram desgastantes, foi o regresso a Lisboa, o voltar ao clube, o ter que lidar com as mais diversas reações dos adeptos, o ter a plena consciência que obriguei a Mariana a voltar para o lugar de onde teve que fugir, saber do risco que corremos em Lisboa, saber que o Martim preferia continuar em Braga e agora esta espera dos resultados dos exames...
- Exames?! – o mister perguntou-me surpreendido – Mas tens algum doente na família?
- Não...
- Ruben não preciso de dizer-te mas tens psicólogos no clube...
- Não preciso deles para nada... a prova é o passado – respondi com alguma magoa, também no passado obrigaram-me a acompanhamento porque acharam que não estava a lidar bem com o fato de não jogar, mas o problema nunca foi o não jogar mas tudo o resto que se andava a passar...
- Concentra-te no presente – olhei-o – até porque no passado não tinhas nem Mariana nem Martim – o mister colocou o dedo da ferida – e não precisas de falar para que tenha percebido que o problema deve estar relacionado com eles – olhei-o surpreendido – Ruben treino-te todos os dias e já nos conhecemos há anos suficientes para saber que não estás bem. Se cheguei ao problema é porque sei que só ficaste connosco depois do teu regresso porque no presente tens do teu lado duas pessoas que te dão estabilidade e motivo para ergueres a cabeça e lutares, logo se nestes últimos dias tens andado mais à deriva é porque algo se passa na tua casa...
Não respondi, simplesmente continuei a pontapear as bolas que apareciam à minha frente e depois usei o treino para descarregar os nervos, quando este terminou despachei-me rapidamente porque tinha de buscar o meu pequenino. Cheguei à escola do Martim e quando o fui buscar, o menino vinha triste.
- O que tens? – perguntei assim que entrou no carro.
- A Kika tem faltado à escola e hoje a professora disse-nos que tá doente mas não percebi o que era.
- Mas a professora não disse o nome dessa doença?
- Disse mas eu já não me lembro mas eu não quero que a Kika fique doente, eu gosto muito dela, eu brinco sempre muito com ela – foi visível que a notícia o deixou abatido.
Tentei anima-lo mas não consegui, durante o tempo que tivemos a fazer os trabalhos de casa, o meu pequenino teve sempre desconcentrado, não o chamei à atenção porque percebi que o motivo estava relacionado com o que contou.
O Martim acabou por pedir para ficar no seu quarto, respeitei e fui até à sala, estava a pensar no que o menino contou e por vê-lo tão afectado com a novidade resolvi ligar para o Paulo, afinal a Kika é a filha do meu empresário. Estive uns minutos à conversa com o Paulo, tentei transmitir-lhe força mas tive a plena noção que o que falei também outras pessoas já o devem ter dito. Quando desliguei o telefone percebi que a Mariana já tinha chegado e não perdeu tempo em se atirar literalmente para o meu colo, vinha bem-disposta. Ficamos um tempo a namorar mas acabei por abordar o assunto da doença da Kika, percebi que o assunto mexeu com a Mariana, tanto que o meu amor acabou por se afastar, acho que estava a precisar de alguns minutos para assimilar o que falei.

O que terá a Kika, para ter deixado o Ruben tão preocupado e a Mariana estranha?

7 comentários:

  1. Adoro! Adoro! Adoro!!
    Imaginar essa consulta e esses exames foi qualquer coisa de surrealista :p
    Mas quero mais preciso de mais!!
    Bjokinhas

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  2. oh fiquei um bocadinho triste pela Mariana ainda não ter engravidado :( e estou muito muito ansiosa por saber o resultado dos exames espero que o próximo capitulo venha rápido...

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  3. ohhhhh mas afinal ainda nao há amorim junior a caminho?! vou fazer birraaaa!!! LOOOOL
    realmente eles precisam de um bebe visto que ultimamente andam assim um bocado chatos, em especial a Mariana mas o ruben lá consegue dar a volta! :P
    e a kika...hum, eu acho que ja estou a imaginar o cenario todo, qual a possivel doença e o que isso irá trazer no futuro! ahaahha (eu a fazer filmes! loool)

    espero o proximo, sim?????????

    beijinhos!!

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  4. Ainda não foi desta que a Mariana engravidou, o que como é normal a levou ao desespero e a dizer tanta barbaridade, mas ela tem ao seu lado um Homem, sim que este Amorim é um Homem com H grande e sabe comportar-se como tal, não é como um certo Amorim de uma fic que eu também adoro, e muito, que anda a ter um comportamento vergonhoso.
    Adoro o Martim, tão querido a preparar a surpresa à mana para ela não ficar triste, este puto é um mimo.
    Só se imaginar o constrangimento do Ruben a fazer os exames e da Mariana a perguntar-lhe se ele quer ajuda, é caso para dar umas boas gargalhadas, agora os resultados...ai,ai, o que é que irá sair dali?
    Esta amizade do Martim com a Kika já todas sabemos que incomoda a Mariana, mas agora fiquei curiosa com a doença da miúda, conseguiste deixar-me curiosa, por isso dá lá corda aos dedinhos se faz favor e venha de lá o próximo, ok?

    Beijocas

    Continua

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  5. Oh, achei que era desta que dava positivo... :( e o fato disso não ter acontecido quase desencadeou outros ''problemas''. Os nervos estavam mesmo à flor da pele. Mas, ainda bem que nada aconteceu, até porque, como não canso de dizer, o Ruben é tão... maravilhoso hahaha ;$ Ah, e o que dizer do Martim? É um autêntico príncipe!! Curiosa pra saber da Kika agora. Adoro, adoro, adoro! *-*
    Beijinhos.

    Gabi

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  6. Olá.
    Bem, ao inicio assustei-me um bocadinho com a negação da Mariana.
    E sim, continuo a ser fã do Martim \o
    Esta doença final da Kika é que me deixou curiosa.

    Beijinhos

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  7. Oi!
    Adorei! O Martim é um fofo!
    Estou curiosa para saber os resultados dos exames.
    Quanto à Kika... se for o que estou a pensar entõ vou chorar muito...
    Beijinhos

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