Ruben
Nestas últimas três
semanas tenho vivido no paraíso tal é a felicidade que sinto sempre que olho ou
toco na barriga da Mariana, é cada vez a mais difícil controlar-me diante de
terceiros, já que sinto uma necessidade tremenda de estar sempre agarrado ao
meu amor.
Hoje acordei e ao
lembrar-me que é dia 19 fez com que tivesse a primeira conversa com o meu Tink
Wink, mesmo tendo a plena noção que não ouve e muito menos percebe, afinal
ainda é só um feijãozinho a germinar, desabafei certo de que ninguém ouvira mas
percebi que afinal a Mariana estava acordada, ainda nos animamos, a verdade é
que desde que está grávida o meu amor anda mais sensível e basta uma mãozinha
mais marota da minha parte para ouvi-la a suspirar, mas não pudemos satisfazer
os desejos um do outro, o Martim pediu autorização para entrar no quarto e
depois de levantar-me para lhe abrir a porta, uma vez que estava fechada à
chave, o meu pequenino entrou e sem perder tempo desejou-me um feliz dia dos
pais.
Os minutos seguintes
foram vividos a quatro, sim que o Tink Wink já faz parte da nossa vida mas
subitamente a Mariana teve mais um enjoo matinal e teve de correr para a casa
de banho, tentei disfarçar levando o menino para tomar o pequeno-almoço, mas o
Martim percebeu que algo se tinha passado e tentou mesmo perceber o quê, acabei
por conseguir enrola-lo mais uma vez e quando a Mariana se juntou a nós o
menino fez-lhe um pedido.
-
Mana eu já tenho saudades da Kika e quero ir ver ela, posso?
-
A mana já te explicou que a Kika está a recuperar e que por isso não pode
receber visitas.
-
Oh mas eu tenho saudades dela.
-
Pois mas... – a
Mariana estava a tentar evitar ao máximo voltar a ver a irmã, já tinha
percebido isso há uns dias numa conversa que tive com ela, o meu amor deu a
entender que não quer voltar a cruzar-se com o Paulo, no fundo sei que isto
tudo a magoou bastante, a Mariana fez-se de forte e aguentou até ao fim porque
a vida da Kika dependia disso.
-
Amor – olhou-me e
bastou uma troca de olhares para entender o que estava a pensar
-
Ok... o Ruben vai ligar ao Paulo e se der para a Kika receber visitas, ele
leva-te.
-
E tu não vais?
-
Não.
-
Oh mas a Kika gosta de ti
– aquelas simples palavras atingiram a Mariana de uma forma imensa e por isso
voltei a desviar o assunto.
O Martim não insistiu
mais e fui levá-lo à escola, não sem antes certificar-me que o meu amor ficava
bem. O dia foi passado no Seixal e no final fui buscar o meu príncipe à escola,
fui imediatamente brindado com uma prenda que tinham feito para entregar aos
pais e que me deixou de sorriso no rosto.
-
Onde vamos?! – o
Martim questionou assim que percebeu que não íamos para casa.
-
Ver uma certa menina…
-
Vamos ver a Kika?
-
Sim mas tem de ser uma visita rápida que tens os trabalhos da escola para fazer
e logo vamos jantar a casa da minha mãe.
O Martim ficou contente
e assim que chegamos ao IPO foi o primeiro a sair do carro.
Paulo
Felizmente a Kika está a
recuperar bem e já só pensamos no dia em que a minha filha terá alta, a Filipa
já anda numa roda-viva a preparar o seu quarto para recebê-la, dado que a cada
dia que passa, esse dia se aproxima mais.
Estava no quarto a falar
com a minha menina quando o telemóvel toca, atendi e depois de umas palavras
trocadas com o Ruben, fiquei a saber que o Martim queria ver a Kika, disse-lhe
para aparecer quando quisessem uma vez que o meu anjinho já pode receber
visitas.
-
Pai o Martim vem hoje?
– a Kika desde que lhe disse que o Martim a viria visitar tem perguntado
frequentemente se o menino viria hoje
-
Não sei, filha já te disse que o Ruben não confirmou se vinham hoje.
-
Oh… mas eu tenho saudades dele.
-
Gostas mesmo do Martim, não é?
-
Sim… ele é um fixe
– sorri ao ouvi-la – e o único dos meus
amigos que veio cá.
Continuei à conversa com
a minha menina mas esta foi interrompida no momento que a porta do quarto se
abriu e que o Martim entrou, o menino correu até à cama da Kika e depois de lhe
dar dois beijinhos, cumprimentou-me com um “olá”, sorri ao ver a alegria no
rosto deles.
-
Boa tarde –
cumprimentei o Ruben – tudo bem?
-
Sim e convosco?
-
Felizmente muito melhor do que há uns meses – respirei de alívio – graças a Deus que conseguiram encontrar um dador – o Ruben desviou
o olhar por momentos, algo que deixou-me intrigado – e com a Mariana, está tudo bem?
-
Sim… - o Ruben foi
curto na resposta
-
A Kika também tem perguntado pela Mariana
-
Ah… pois… mas ela está a trabalhar
– desculpou-se
-
Tiveste muita sorte
– olhou-me – em encontrar alguém como a
Mariana… do pouco que privei com ela deu para perceber que tem um excelente
“fundo”, apesar de comigo ser por vezes fria…
O Ruben desviou o olhar,
conhecendo-o como conheço, foi suficiente para perceber que ficou incomodado
com o que falei mas não tive tempo de tentar perceber o motivo porque a
pergunta da Kika ao Martim fez com que olhasse.
-
Não tens pai?
-
O meu pai é o Ruben!
– falou convicto
-
Mas o Ruben é o teu pai a fingir eu sei que ele não é teu pai verdadeiro como o
meu é a mim
-
É sim! O Ruben é o único pai que tenho e o único que gosta de mim.
-
E a tua mãe onde anda?
-
Não sei… eu sempre vivi com a minha mana…
-
E ela não sabe dos vossos pais?
-
Ela não gosta de falar da nossa mãe e o pai dela não é o mesmo que o meu… ela
nunca fala disso mas eu sei que o pai dela não quis saber dela…
Estava estarrecido com
aquela conversa, aquilo fez-me, por momentos, regressar ao passado.
-
Porquê?
-
Não sei…
-
E nunca perguntaste?
-
Já mas ela não fala e eu não quero ver a mana triste por isso não pergunto.
Aquela conversa estava a
deixar-me inquieto, talvez porque por momentos recordei parte do meu passado e
depois inevitavelmente voltei ao presente, comecei a ligar as pontas soltas, a
Mariana detesta-me, nunca quis saber de mim, sempre fez questão de manter uma
enorme distância, distância essa que quebrou no momento que a Kika adoeceu,
manteve-se sempre próximo até a minha pequenina receber o transplante, a Filipa
encontrou o Ruben no IPO no dia da suposta recolha das células que mais tarde
salvaram a minha Kika, já para não falar na ligação que estabeleceu com a minha
filha numa tarde, a Kika desde essa tarde que recebeu a primeira visita do
Martim que pergunta sempre pela Mariana e agora que a Kika está francamente
melhor não a veio visitar mais…
-
Paulo… Paulo – o
Ruben abanou-me – você está bem?
-
Ah… sim
-
Está pálido! –
olhei-o
-
Ruben, conheces a história de vida da Mariana até os vossos caminhos se
cruzarem? –
perguntei de rajada, o que surpreendeu o Ruben
-
O que é que isso importa?
-
Não te faz confusão não conheceres a família da tua mulher? – tentei obter informações sem ser
muito direto
-
O Martim é a única família que a Mariana tem!
-
O menino acabou de admitir que tem mãe e pai que por sinal não é o mesmo que o
da irmã…
-
Onde quer chegar?
-
Fiquei curioso, só isso… no vosso casamento não vi a sua família e agora com a
conversa do menino…
-
Paulo, com toda a consideração que tenho por si, a vida familiar da Mariana não
lhe diz respeito e não percebo o súbito interesse…
-
Porque sempre pensei que a Mariana e o Martim tinham em comum a mãe e o pai – o Ruben olhou-me – e que o menino estava a ser criado por
vocês porque por algum motivo teriam perdido os pais mas afinal…
-
Afinal percebeu que em comum só têm a mãe, então e depois? Desculpe lá mas
continuo a dizer que não lhe diz respeito!
-
Curiosidade, só isso.
O Ruben não respondeu,
aliás uns minutos depois pediu ao Martim para se despedir da Kika que tinha de
ir embora, o menino obedeceu na hora e depois de se despedirem de mim e da
minha filha saíram.
Não nego que passei o
resto da tarde a pensar em tudo o que tinha ouvido e receoso que as peças
soltas que por momentos juntei fizessem realmente sentido…
Ruben
Arrependi-me amargamente
de levar o Martim a ver a Kika, afinal a visita despontou a curiosidade do
Paulo e por momentos fiquei com a sensação que já desconfia de algo, tentei
desviar qualquer suspeita mas sinceramente não sei se consegui.
O resto da tarde foi passada
em casa, ajudei o Martim nos trabalhos e no fim a tomar banho.
Estava sentado no sofá a
ver um pouco de televisão quando a Mariana entra, vinha com uma carinha de
cansada e não demorou muito a aninhar-se nos meus braços.
-
Temos mesmo que ir jantar a casa da tua mãe?
-
Ohh... se nos convidou é porque tem gosto na nossa presença mas se estás
cansada posso ligar a avisar que não vamos...
-
Não é o cansaço... é mesmo esta sensação de enjoo que não me largou o dia
inteiro e está a dar cabo de mim... mas vou tomar um banho pode ser que passe – suspirou
-
Queres companhia?!
– perguntei quando já estava a sair da sala
-
Ainda estás aí sentado a fazer o quê?? – sorri ao vê-la a trincar o lábio
-
Julgava que estavas enjoada...
– falei junto do seu ouvido numa de a provocar
-
Sabes... quem enjoa é o estomago... o resto do corpo está apto – gargalhei fortemente com o que
ouvi
Os minutos seguintes
foram serenos ainda assim proveitosos, deixamo-nos ficar só pelos mimos
inocentes e no fim de estarmos despachados fui chamar o Martim que estava no
seu quarto. Seguimos para a casa da minha mãe onde já se encontrava o Mauro, a
Madalena e o Rafael.
O jantar foi animado mas
percebi que a Mariana continuava enjoada, mal comeu, aliás pareceu mais galinha
a penicar do que outra coisa. Estávamos na sala a conviver uns com os outros
quando o Martim do nada falou algo que deixou-nos, a mim e à Mariana,
desconfortáveis.
-
Oh pai porquê que agora andas sempre agarrado à minha mana e com as mãos na
barriga dela? –
senti o olhar da minha família e uns segundos bastaram para reagir
-
O meu pirralhinho –
larguei a Mariana, uma vez que estávamos abraçados e puxei o menino para o meu
ao colo – tás com ciúmes, é? –
enchi-o de beijinhos, o que lhe provocou algumas gargalhadas – sabes que gosto muito de ti e nada irá
mudar isso – saiu-me instintivamente e só percebi o que falei quando ouvi a
pergunta que fez
-
Tás a querer contar alguma coisa?
– a perspicácia do menino fez com que os adultos sorrissem, olhei para a
Mariana e encontrei-a enternecida a olhar-nos – tu e a mana andam estranhos.
-
Agora somos estranhos?!
– a Mariana meteu-se
-
Sim mana! O pai agora tá sempre agarrado a ti – fez cara de enjoado – sempre aos beijinhos – sorrimos
-
O Ruben sempre deu beijinhos à mana...
-
Mas agora são beijinhos diferentes!
-
Diferentes?!
-
Sim mana... não sei explicar mas são diferentes! - olhei de forma cúmplice para a
Mariana e isso bastou para perceber que tinha ficado dividida entre o contar ou
não da gravidez – oh lá tão os dois a
olharem com cara de totós um para o outro! – com a saída do Martim, o Mauro
gargalhou e aproveitou para meter lenha na fogueira
-
Tenho que concordar com o miúdo... vocês estão ainda mais melosos que o
habitual... Martim estou contigo... já enjoa!
-
Eish fala noutra coisa sem ser enjoos
– a Mariana murmurou mas foi impossível não gargalhar ao ouvi-la
-
O que é que falaste?
– o meu irmão perguntou imediatamente com um ar de desdém tremendo
-
Nada Mauro... nada...
-
Tá tudo maluco... –
o Martim reclamou porque não estava a perceber nada – a mana anda estranha, o pai agora tá sempre agarrado à mana e agora tá
tudo a rir e eu não sei porquê...
Nunca pensei que pudesse
agradecer o fato do Rafael começar a fazer birra de sono mas o certo é que por
causa disso a conversa terminou, a Madalena desviou as atenções para o filho,
enquanto que a Mariana saiu da sala. O Martim estava a brincar sozinho, o que
originou a oportunidade que o Mauro estava à espera para se aproximar.
-
Não tens nada para contar aqui ao mano?!
-
Não…
-
Ai não?! Então e aquela conversa toda do Martim vem assim do nada?
-
É só uma criança…
-
Agora é aquela parte que falas que como é criança não sabe o que diz – sorriu – a sério puto tenta outra desculpa que esta não cola, até porque não sou
cego e deu para ver que andam aí todos melosos...
Não respondi, aproveitei
a entrada da Mariana na sala para levantar-me e deixá-lo sozinho, até porque o
momento das despedidas chegou, o Martim tinha que se deitar cedo devido às
aulas e já passava da hora dele.
Mariana
Por momentos ainda
pensei em contar a novidade da gravidez mas acabei por não o fazer, no entanto
tive a certeza que os adultos desconfiaram, até porque sabem que estávamos com
dificuldades em conseguir.
-
Amor… - olhei para
o Ruben – hoje levei o Martim a ver a
Kika.
-
Ok… - não dei
grande importância ao que falou e fui tratar da minha higiene pessoal antes de
deitar-me.
-
A menina perguntou por ti
– o Ruben voltou à carga assim que deitei-me do seu lado.
-
Quando puder vou visitá-la
– falei numa tentativa dele se calar, algo que fez durante um bocado mas senti
que estava inquieto com alguma coisa – o
que se passa? – acendi a luz para o olhar
-
Mariana – o Ruben
hesitou – amor… o Paulo começou a fazer
perguntas sobre o teu passado
-
Desculpa?!
-
Não lhe disse nada mas acho que está desconfiado de alguma coisa…
-
É que não me faltava mais nada!
– resmunguei – Mas ele que não venha que
não tem! – por incrível que pareça estava serena, aquilo não me afetou
minimamente.
-
O que é que estás a querer dizer com isso?
-
Que não estou para aturar melodramas… aquele nunca fez parte da minha vida e
não começar agora!
O Ruben tentou perceber
até onde a revelação dele tinha causado estragos por isso tranquilizei-o ao
afirmar que não ia perder tempo a pensar nas dúvidas existenciais do outro e
por isso o assunto morreu ali mesmo.
***
Entre os enjoos e os
preparativos para a festa de aniversário do meu irmão, o tempo passou, hoje
acordei extremamente enjoada mas animada, afinal dentro de horas estarei
rodeada de crianças, como mais gosto.
Estava no quarto a
vestir-me e à conversa com o Ruben, quando o meu amor voltou a puxar-me para
si, reclamei porque queria vestir a camisola mas ele estava mais numa de ficar
feito parvo a olhar para a minha barriga.
-
Amor… deixa-me vestir! Temos que ir… não vais deixar a tua mãe ter o trabalho
todo! – alertei-o,
afinal a festa será na casa da Anabela por ser mais espaçosa
-
Ohhh ainda temos tempo
– o Ruben voltou a colar os seus lábios no meu ventre – estás tão linda – suspirou o que fez com que gargalhasse
-
És tão parvinho! –
resmunguei e finalmente consegui afastar-me dele para vestir a camisola, mas
antes de o conseguir fazer, o Martim entrou no quarto de rompante, culpa nossa
que tínhamos a porta completamente escancarada.
-
Desculpa mana! – o
menino ao ver-me sem camisola pediu imediatamente desculpas, o que fez-me
sorrir para logo despois gargalhar ou não fosse ouvir – shii mana tu tás mais gorda!
-
Olha que bem… agora estou gorda!
-
Tás – confirmou a
rir
-
Oh mor não ligues –
o Ruben meteu-se na conversa – que está
cada dia mais linda…
-
Estou tramada convosco… um diz que estou gorda o outro diz que estou linda, em
que ficamos?!
-
Oh mana eu é que tou a dizer a verdade, o Ruben é totó! – a convicção do puto fez-nos rir
A conversa continuou mas
agora entre o Ruben e o Martim, sim que retirei-me estrategicamente antes que o
menino se lembrasse de perguntar o motivo por estar mais gorda.
A manhã foi passada na
casa da Anabela a ultimar os últimos preparativos para a festa de aniversário
do Martim, mas hoje estava particularmente complicado estar na cozinha, a
mistura dos cheiros complicava com o meu estado de completo enjoo, por isso saí
de fininho e fui até á sala.
-
Como estão as coisas lá dentro?
– o Ruben perguntou ao passar por mim com balões cheios de ar para colocar na
sala
-
Acho que a tua mãe e a Madalena dão conta do recado…
-
Continuas enjoada?
– perguntou agora num sussurro e já comigo sentada ao seu colo.
-
Ya… e estar na cozinha não ajuda em nada…
-
Oh Tink Wink – o Ruben
levou a mão à minha barriga – alivia lá
a mamã para a festa do mano – sorri feita parva perante a forma como o
Ruben falava – correr bem… - o Ruben
uniu as nossas bocas assim que terminou de falar, estava a saber-me bem os mimos
do meu amor que deixamo-nos ficar no marmelanço até que
-
Quando é que nasce mesmo o Tink Wink? –
a voz do Mauro atrás de nós fez-me saltar do colo do Ruben – Sim que como tio tenho o direito de saber
de quantas semanas está a mamã – olhei para o Ruben que me pedia desculpas
pelo olhar, afinal por culpa dele tínhamos sido apanhados e agora já não havia
muito a fazer para continuar a ocultar.
-
A mamã está de praticamente 11 semanas! – respondi serenamente enquanto o Ruben continuava com
a mão na minha barriga e a sorrir feito parvo
-
Foi assim tão complicado?
– olhei para o Mauro sem entender o que queria saber com aquela pergunta – Calma cunhadinha que não quero saber se foi
assim tão difícil o meu mano fazer o trabalho de forma competente –
gargalhou – o que estava a tentar saber
é porquê que levaram tanto tempo a dar a novidade!
-
Não tens muita razão de queixas… afinal és o primeiro a quem contamos ou que
confirmamos!
-
O Martim ainda não sabe?
-
Não…
-
Oh porquê? O puto quer tanto um mano…
-
Nós decidimos esperar…
-
Ah… já entendi! Vocês, mulheres, e aquela cena da barreira das 12 semanas – falou virado para mim – Já a Madalena veio com a mesma conversa e
como vez correu tudo bem!
A conversa terminou até
porque o Martim entrou na sala, ajudei o meu amor a colocar os balões e só
voltei a aproximar-me de comida na hora do almoço mas estava tão enjoada que
não consegui ficar mais que uns minutos sentada, tive mesmo que sair quase a
correr da mesa.
Ruben
A manhã foi agitada, com
os últimos preparativos para o aniversário do Martim mas para a Mariana estava
a ser especialmente difícil, hoje acordou tremendamente enjoada e foi numa
pausa que fizemos os dois que tentei inteirar-me do seu estado, o Mauro
presenciou o momento e não deixou escapar, o meu amor acabou por confirmar as
suas suspeitas.
A hora de almoço chegou
e com ela chegou também o momento que ficou tudo a olhar-me, já que a Mariana
simplesmente não aguentou e teve que se retirar rapidamente, ainda estava a
pensar se iria atrás dela ou se ficaria quando o Martim falou.
-
Pai o que tem a mana?
– o Mauro olhou-me e sorriu
-
Nada… come que a mana já regressa.
-
Ela tá cada dia mais estranha
– falou preocupado e ao levantar-se da cadeira
-
Onde vais?
-
Ver da mana! –
falou com tanta convicção que não o consegui impedir e por isso o menino foi
procurar a irmã, no entanto pedi desculpas aos presentes e fui atrás do menino.
Mauro
Comprometi-me a ajudar
nos preparativos da festinha do Martim, uma vez que a Mariana não teve muito
tempo para o fazer e foi quando regressei à sala para ajudar o meu irmão na
tarefa de pendurar os balões que tínhamos enchido que presenciei um momento super
ternurento entre a Mariana e o Ruben, confirmei as minhas suspeitas ao ver o
meu irmão babadíssimo a falar para a barriga da Mariana, estavam os dois com um
ar de felicidade tremendo ou não fosse desejarem muito terem o seu primeiro
filho, ainda fiquei a observá-los mas acabei por implicar.
A Mariana confirmou a
gravidez e ainda trocamos mais algumas palavras, no entanto afastei-me, aqueles
dois estão tão mas tão lamechas que até enjoa.
Tínhamos acabado de
iniciar a refeição quando a Mariana se retirou com tal urgência que deixou o
irmão preocupado, o menino disse mesmo que a irmã está cada dia mais estranha,
o Ruben ainda tentou segurá-lo mas ao ver o menino sair para procurar a irmã
foi atrás.
-
Onde vais? – a
minha mãe falou assim que levantei o rabo da cadeira.
-
Oh mãe, esta não perco por nada! –
elas olharam-me
-
Mas o que se passa convosco?
-
Ai… se quer saber venha!
Elas não falaram mais
simplesmente seguiram-me, fomos até ao jardim onde os encontramos aos três, a
Mariana estava sentada no banco baloiço, com o Martim sentado ao colo do Ruben.
-
Mauro! Estás a ouvir
– a minha mãe agarrou-me o braço numa tentativa de impedir-me de aproximar
-
Oh mãe!
-
Deixa o teu irmão…
Não lhe respondi e
aproximei-me mesmo deles, aquele momento não perderia por nada, elas acabaram
por também se aproximarem, a Mariana assim que deu pela nossa presença sorriu
de forma cúmplice para o meu irmão.
-
Estou à espera – o
Martim reclamou – eu sei que tão a
esconder alguma coisa… não sou parvo! – tive que controlar-me para não
gargalhar.
-
Martim – a Mariana
chamou-o – nós temos mesmo algo para te
contar... – o Ruben sorria feito parvo
-
O quê? – o menino
estava curioso e a Mariana numa de tentar encontrar a melhor forma de lhe dar a
boa nova mas acabou por ser o Ruben a tomar a palavra e de forma muito direta
disse-lhe
-
Vais ter um mano ou mana...
-
Juras pai??? – a
alegria estampada no rosto do Martim foi enorme – A mana já tem um bebé dentro da barriga dela? – foi impossível
conter a gargalhada – oh mana deixa eu
ver.
-
Queres ver o quê?
-
A tua barriga! –
atirou com uma convicção enorme
-
Oh amor a barriga ainda não se nota...
– o Ruben esclareceu mas deve-se ter arrependido no mesmo momento
-
Mas eu quero ver... se tu podes eu também posso – falou todo senhor de si
A Mariana sorriu mas
fez-lhe a vontade, levantou ligeiramente a camisola e assim que o fez o menino
teve um gesto enorme de carinho que arrepiou-nos a todos ao dar beijinhos
repenicados na barriga da irmã e várias festinhas, o menino ficou alguns
minutos a contemplar a barriga ainda inexistente da Mariana e quando se cansou.
-
Obrigado pai –
agarrou-se ao pescoço do meu irmão – eu
sei que vais gostar sempre de mim mesmo depois do mano nascer – o menino é
único.
-
Estás a agradecer porquê?
-
Porque eu sei que foste tu que convenceste a mana a dar um mano a mim e porque
gostas de mim
-
É impossível não gostar de ti
– deu-lhe vários beijinhos e quando o momento de pai e filho terminou, olhou
para a Mariana que estava a sorrir, foi o meu irmão que a beijou mas foi dela a
iniciativa de prolongar o beijo, que só foi interrompido quando o Martim
colocou os seus os bracinhos em volta dos pescoços deles.
-
Foi a melhor prenda que podiam dar hoje – as simples palavras do menino enterneceram-nos
novamente.
Deixamo-nos ficar só a
observá-los, o quadro que tínhamos diante de nós era o de uma família feliz.
-
Bem parece que alguém está de parabéns... – a Madalena foi o primeira a manifestar-se depois de
assistirmos a tudo remetidos ao silêncio, seguiu-se a nossa mãe e nos momentos
seguintes partilhamos com eles a alegria que estavam a sentir.
Mariana
Não tinha planeado
contar ao Martim da gravidez desta forma mas não deu para adiar mais, o menino
delirou com a notícia e afirmou mesmo que era a melhor prenda que podíamos
dar-lhe, os momentos seguintes foram para as felicitações e alguns mimos que o
meu irmão decidiu dar-me.
Depois deles terem
almoçado, sim que não o consegui fazer, concluímos as tarefas que ainda
faltavam a tempo e horas. Estava na sofá aninhada ao colo do Ruben com o menino
do nosso lado quando a Anabela avisou que os convidados estavam a chegar, o
Martim foi a correr até à porta para receber os amiguinhos, algo que tanto eu
como o Ruben também fizemos.
Como irá correr a festa?
Oh ainda bem que está a correr tudo bem agora :) gosto muito de os ver assim felizes
ResponderEliminarEstou ansiosa pelo próximo :)
Olá!
ResponderEliminarTardei mas cheguei! Por atalhos mas cheguei!
Bem ainda bem que li isto tudo de uma vez porque isto esteve cheio de impasses! Principalmente a dificuldade da Mariana em engravidar! Quando ela fez o teste negativo, eu pensei realmente que era um falso negativo, mas com aquela ecografia que fez nos exames tirou-me essa esperança! Mas pronto finalmente veio o Tink Wink!
A situaçao da Kika foi realmente triste, mas felizmente 'acabou' em bem! mas acho que isto é uma porta aberta para o passado da Mariana e nao sei se vai resultar la muito bem.
Uma coisa que adorei, foi quando o Martim recebeu a noticia que iria ter um irmao. Foi a primeira vez que esta historia me emocionou de uma maneira tao...especial. Foi realmente lindo ver a gratidao dele, a forma como falou com o ruben! *o*
Venha daí o proximo ;)
Beso
Ana Santos
Então o Mauro não sabe que é feio ouvir as conversas dos outros? Saiu-me cá um cusco.
ResponderEliminarAdorei, foi um capitulo calminho mas acho que vem por aí uma tormenta, o Paulo já está desconfiado, se ele chega à conclusão que as pontas soltas que ele juntou até têem razão de ser, aí é que o mundo da Mariana vem abaixo. Em relação ao Martim, já merecia saber da novidade, e como ele disse e muito bem, de parvo não tem nada, e que andava desconfiado andava, a mana e o Rúben andavam estranhos demais, foi mesmo a melhor prenda que ele podia ter recebido, gostava que ele tivesse uma festa de sonho, mas acho que não vai ser assim.
Continua
Beijocas
Fernanda
Fabuloso...
ResponderEliminarQuero mais...
Tou super curiosa para ver o próximo... Continua...