quinta-feira, 25 de julho de 2013

074 - "Amor… o Paulo começou a fazer perguntas sobre o teu passado"

Ruben
Nestas últimas três semanas tenho vivido no paraíso tal é a felicidade que sinto sempre que olho ou toco na barriga da Mariana, é cada vez a mais difícil controlar-me diante de terceiros, já que sinto uma necessidade tremenda de estar sempre agarrado ao meu amor.
Hoje acordei e ao lembrar-me que é dia 19 fez com que tivesse a primeira conversa com o meu Tink Wink, mesmo tendo a plena noção que não ouve e muito menos percebe, afinal ainda é só um feijãozinho a germinar, desabafei certo de que ninguém ouvira mas percebi que afinal a Mariana estava acordada, ainda nos animamos, a verdade é que desde que está grávida o meu amor anda mais sensível e basta uma mãozinha mais marota da minha parte para ouvi-la a suspirar, mas não pudemos satisfazer os desejos um do outro, o Martim pediu autorização para entrar no quarto e depois de levantar-me para lhe abrir a porta, uma vez que estava fechada à chave, o meu pequenino entrou e sem perder tempo desejou-me um feliz dia dos pais.
Os minutos seguintes foram vividos a quatro, sim que o Tink Wink já faz parte da nossa vida mas subitamente a Mariana teve mais um enjoo matinal e teve de correr para a casa de banho, tentei disfarçar levando o menino para tomar o pequeno-almoço, mas o Martim percebeu que algo se tinha passado e tentou mesmo perceber o quê, acabei por conseguir enrola-lo mais uma vez e quando a Mariana se juntou a nós o menino fez-lhe um pedido.
- Mana eu já tenho saudades da Kika e quero ir ver ela, posso?
- A mana já te explicou que a Kika está a recuperar e que por isso não pode receber visitas.
- Oh mas eu tenho saudades dela.
- Pois mas... – a Mariana estava a tentar evitar ao máximo voltar a ver a irmã, já tinha percebido isso há uns dias numa conversa que tive com ela, o meu amor deu a entender que não quer voltar a cruzar-se com o Paulo, no fundo sei que isto tudo a magoou bastante, a Mariana fez-se de forte e aguentou até ao fim porque a vida da Kika dependia disso.
- Amor – olhou-me e bastou uma troca de olhares para entender o que estava a pensar
- Ok... o Ruben vai ligar ao Paulo e se der para a Kika receber visitas, ele leva-te.
- E tu não vais?
- Não.
- Oh mas a Kika gosta de ti – aquelas simples palavras atingiram a Mariana de uma forma imensa e por isso voltei a desviar o assunto.
O Martim não insistiu mais e fui levá-lo à escola, não sem antes certificar-me que o meu amor ficava bem. O dia foi passado no Seixal e no final fui buscar o meu príncipe à escola, fui imediatamente brindado com uma prenda que tinham feito para entregar aos pais e que me deixou de sorriso no rosto.
- Onde vamos?! – o Martim questionou assim que percebeu que não íamos para casa.
- Ver uma certa menina…
- Vamos ver a Kika?
- Sim mas tem de ser uma visita rápida que tens os trabalhos da escola para fazer e logo vamos jantar a casa da minha mãe.
O Martim ficou contente e assim que chegamos ao IPO foi o primeiro a sair do carro.

Paulo
Felizmente a Kika está a recuperar bem e já só pensamos no dia em que a minha filha terá alta, a Filipa já anda numa roda-viva a preparar o seu quarto para recebê-la, dado que a cada dia que passa, esse dia se aproxima mais.
Estava no quarto a falar com a minha menina quando o telemóvel toca, atendi e depois de umas palavras trocadas com o Ruben, fiquei a saber que o Martim queria ver a Kika, disse-lhe para aparecer quando quisessem uma vez que o meu anjinho já pode receber visitas.
- Pai o Martim vem hoje? – a Kika desde que lhe disse que o Martim a viria visitar tem perguntado frequentemente se o menino viria hoje
- Não sei, filha já te disse que o Ruben não confirmou se vinham hoje.
- Oh… mas eu tenho saudades dele.
- Gostas mesmo do Martim, não é?
- Sim… ele é um fixe – sorri ao ouvi-la – e o único dos meus amigos que veio cá.
Continuei à conversa com a minha menina mas esta foi interrompida no momento que a porta do quarto se abriu e que o Martim entrou, o menino correu até à cama da Kika e depois de lhe dar dois beijinhos, cumprimentou-me com um “olá”, sorri ao ver a alegria no rosto deles.
- Boa tarde – cumprimentei o Ruben – tudo bem?
- Sim e convosco?
- Felizmente muito melhor do que há uns meses – respirei de alívio – graças a Deus que conseguiram encontrar um dador – o Ruben desviou o olhar por momentos, algo que deixou-me intrigado – e com a Mariana, está tudo bem?
- Sim… - o Ruben foi curto na resposta
- A Kika também tem perguntado pela Mariana
- Ah… pois… mas ela está a trabalhar – desculpou-se
- Tiveste muita sorte – olhou-me – em encontrar alguém como a Mariana… do pouco que privei com ela deu para perceber que tem um excelente “fundo”, apesar de comigo ser por vezes fria…
O Ruben desviou o olhar, conhecendo-o como conheço, foi suficiente para perceber que ficou incomodado com o que falei mas não tive tempo de tentar perceber o motivo porque a pergunta da Kika ao Martim fez com que olhasse.
- Não tens pai?
- O meu pai é o Ruben! – falou convicto
- Mas o Ruben é o teu pai a fingir eu sei que ele não é teu pai verdadeiro como o meu é a mim
- É sim! O Ruben é o único pai que tenho e o único que gosta de mim.
- E a tua mãe onde anda?
- Não sei… eu sempre vivi com a minha mana…
- E ela não sabe dos vossos pais?
- Ela não gosta de falar da nossa mãe e o pai dela não é o mesmo que o meu… ela nunca fala disso mas eu sei que o pai dela não quis saber dela…
Estava estarrecido com aquela conversa, aquilo fez-me, por momentos, regressar ao passado.
- Porquê?
- Não sei…
- E nunca perguntaste?
- Já mas ela não fala e eu não quero ver a mana triste por isso não pergunto.
Aquela conversa estava a deixar-me inquieto, talvez porque por momentos recordei parte do meu passado e depois inevitavelmente voltei ao presente, comecei a ligar as pontas soltas, a Mariana detesta-me, nunca quis saber de mim, sempre fez questão de manter uma enorme distância, distância essa que quebrou no momento que a Kika adoeceu, manteve-se sempre próximo até a minha pequenina receber o transplante, a Filipa encontrou o Ruben no IPO no dia da suposta recolha das células que mais tarde salvaram a minha Kika, já para não falar na ligação que estabeleceu com a minha filha numa tarde, a Kika desde essa tarde que recebeu a primeira visita do Martim que pergunta sempre pela Mariana e agora que a Kika está francamente melhor não a veio visitar mais…
- Paulo… Paulo – o Ruben abanou-me – você está bem?
- Ah… sim
- Está pálido! – olhei-o
- Ruben, conheces a história de vida da Mariana até os vossos caminhos se cruzarem? – perguntei de rajada, o que surpreendeu o Ruben
- O que é que isso importa?
- Não te faz confusão não conheceres a família da tua mulher? – tentei obter informações sem ser muito direto
- O Martim é a única família que a Mariana tem!
- O menino acabou de admitir que tem mãe e pai que por sinal não é o mesmo que o da irmã…
- Onde quer chegar?
- Fiquei curioso, só isso… no vosso casamento não vi a sua família e agora com a conversa do menino…
- Paulo, com toda a consideração que tenho por si, a vida familiar da Mariana não lhe diz respeito e não percebo o súbito interesse…
- Porque sempre pensei que a Mariana e o Martim tinham em comum a mãe e o pai – o Ruben olhou-me – e que o menino estava a ser criado por vocês porque por algum motivo teriam perdido os pais mas afinal…
- Afinal percebeu que em comum só têm a mãe, então e depois? Desculpe lá mas continuo a dizer que não lhe diz respeito!
- Curiosidade, só isso.
O Ruben não respondeu, aliás uns minutos depois pediu ao Martim para se despedir da Kika que tinha de ir embora, o menino obedeceu na hora e depois de se despedirem de mim e da minha filha saíram.
Não nego que passei o resto da tarde a pensar em tudo o que tinha ouvido e receoso que as peças soltas que por momentos juntei fizessem realmente sentido…

Ruben
Arrependi-me amargamente de levar o Martim a ver a Kika, afinal a visita despontou a curiosidade do Paulo e por momentos fiquei com a sensação que já desconfia de algo, tentei desviar qualquer suspeita mas sinceramente não sei se consegui.
O resto da tarde foi passada em casa, ajudei o Martim nos trabalhos e no fim a tomar banho.
Estava sentado no sofá a ver um pouco de televisão quando a Mariana entra, vinha com uma carinha de cansada e não demorou muito a aninhar-se nos meus braços.
- Temos mesmo que ir jantar a casa da tua mãe?
- Ohh... se nos convidou é porque tem gosto na nossa presença mas se estás cansada posso ligar a avisar que não vamos...
- Não é o cansaço... é mesmo esta sensação de enjoo que não me largou o dia inteiro e está a dar cabo de mim... mas vou tomar um banho pode ser que passe – suspirou
- Queres companhia?! – perguntei quando já estava a sair da sala
- Ainda estás aí sentado a fazer o quê?? – sorri ao vê-la a trincar o lábio
- Julgava que estavas enjoada... – falei junto do seu ouvido numa de a provocar
- Sabes... quem enjoa é o estomago... o resto do corpo está apto – gargalhei fortemente com o que ouvi
Os minutos seguintes foram serenos ainda assim proveitosos, deixamo-nos ficar só pelos mimos inocentes e no fim de estarmos despachados fui chamar o Martim que estava no seu quarto. Seguimos para a casa da minha mãe onde já se encontrava o Mauro, a Madalena e o Rafael.
O jantar foi animado mas percebi que a Mariana continuava enjoada, mal comeu, aliás pareceu mais galinha a penicar do que outra coisa. Estávamos na sala a conviver uns com os outros quando o Martim do nada falou algo que deixou-nos, a mim e à Mariana, desconfortáveis.
- Oh pai porquê que agora andas sempre agarrado à minha mana e com as mãos na barriga dela? – senti o olhar da minha família e uns segundos bastaram para reagir
- O meu pirralhinho – larguei a Mariana, uma vez que estávamos abraçados e puxei o menino para o meu ao colo – tás com ciúmes, é? – enchi-o de beijinhos, o que lhe provocou algumas gargalhadas – sabes que gosto muito de ti e nada irá mudar isso – saiu-me instintivamente e só percebi o que falei quando ouvi a pergunta que fez
- Tás a querer contar alguma coisa? – a perspicácia do menino fez com que os adultos sorrissem, olhei para a Mariana e encontrei-a enternecida a olhar-nos – tu e a mana andam estranhos.
- Agora somos estranhos?! – a Mariana meteu-se
- Sim mana! O pai agora tá sempre agarrado a ti – fez cara de enjoado – sempre aos beijinhos – sorrimos
- O Ruben sempre deu beijinhos à mana...
- Mas agora são beijinhos diferentes!
- Diferentes?!
- Sim mana... não sei explicar mas são diferentes! - olhei de forma cúmplice para a Mariana e isso bastou para perceber que tinha ficado dividida entre o contar ou não da gravidez – oh lá tão os dois a olharem com cara de totós um para o outro! – com a saída do Martim, o Mauro gargalhou e aproveitou para meter lenha na fogueira
- Tenho que concordar com o miúdo... vocês estão ainda mais melosos que o habitual... Martim estou contigo... já enjoa!
- Eish fala noutra coisa sem ser enjoos – a Mariana murmurou mas foi impossível não gargalhar ao ouvi-la
- O que é que falaste? – o meu irmão perguntou imediatamente com um ar de desdém tremendo
- Nada Mauro... nada...
- Tá tudo maluco... – o Martim reclamou porque não estava a perceber nada – a mana anda estranha, o pai agora tá sempre agarrado à mana e agora tá tudo a rir e eu não sei porquê...
Nunca pensei que pudesse agradecer o fato do Rafael começar a fazer birra de sono mas o certo é que por causa disso a conversa terminou, a Madalena desviou as atenções para o filho, enquanto que a Mariana saiu da sala. O Martim estava a brincar sozinho, o que originou a oportunidade que o Mauro estava à espera para se aproximar.
- Não tens nada para contar aqui ao mano?!
- Não…
- Ai não?! Então e aquela conversa toda do Martim vem assim do nada?
- É só uma criança…
- Agora é aquela parte que falas que como é criança não sabe o que diz – sorriu – a sério puto tenta outra desculpa que esta não cola, até porque não sou cego e deu para ver que andam aí todos melosos...
Não respondi, aproveitei a entrada da Mariana na sala para levantar-me e deixá-lo sozinho, até porque o momento das despedidas chegou, o Martim tinha que se deitar cedo devido às aulas e já passava da hora dele.

Mariana
Por momentos ainda pensei em contar a novidade da gravidez mas acabei por não o fazer, no entanto tive a certeza que os adultos desconfiaram, até porque sabem que estávamos com dificuldades em conseguir.
- Amor… - olhei para o Ruben – hoje levei o Martim a ver a Kika.
- Ok… - não dei grande importância ao que falou e fui tratar da minha higiene pessoal antes de deitar-me.
- A menina perguntou por ti – o Ruben voltou à carga assim que deitei-me do seu lado.
- Quando puder vou visitá-la – falei numa tentativa dele se calar, algo que fez durante um bocado mas senti que estava inquieto com alguma coisa – o que se passa? – acendi a luz para o olhar
- Mariana – o Ruben hesitou – amor… o Paulo começou a fazer perguntas sobre o teu passado
- Desculpa?!
- Não lhe disse nada mas acho que está desconfiado de alguma coisa…
- É que não me faltava mais nada! – resmunguei – Mas ele que não venha que não tem! – por incrível que pareça estava serena, aquilo não me afetou minimamente.
- O que é que estás a querer dizer com isso?
- Que não estou para aturar melodramas… aquele nunca fez parte da minha vida e não começar agora!
O Ruben tentou perceber até onde a revelação dele tinha causado estragos por isso tranquilizei-o ao afirmar que não ia perder tempo a pensar nas dúvidas existenciais do outro e por isso o assunto morreu ali mesmo.
***
Entre os enjoos e os preparativos para a festa de aniversário do meu irmão, o tempo passou, hoje acordei extremamente enjoada mas animada, afinal dentro de horas estarei rodeada de crianças, como mais gosto.
Estava no quarto a vestir-me e à conversa com o Ruben, quando o meu amor voltou a puxar-me para si, reclamei porque queria vestir a camisola mas ele estava mais numa de ficar feito parvo a olhar para a minha barriga.
- Amor… deixa-me vestir! Temos que ir… não vais deixar a tua mãe ter o trabalho todo! – alertei-o, afinal a festa será na casa da Anabela por ser mais espaçosa
- Ohhh ainda temos tempo – o Ruben voltou a colar os seus lábios no meu ventre – estás tão linda – suspirou o que fez com que gargalhasse
- És tão parvinho! – resmunguei e finalmente consegui afastar-me dele para vestir a camisola, mas antes de o conseguir fazer, o Martim entrou no quarto de rompante, culpa nossa que tínhamos a porta completamente escancarada.
- Desculpa mana! – o menino ao ver-me sem camisola pediu imediatamente desculpas, o que fez-me sorrir para logo despois gargalhar ou não fosse ouvir – shii mana tu tás mais gorda!
- Olha que bem… agora estou gorda!
- Tás – confirmou a rir
- Oh mor não ligues – o Ruben meteu-se na conversa – que está cada dia mais linda…
- Estou tramada convosco… um diz que estou gorda o outro diz que estou linda, em que ficamos?!
- Oh mana eu é que tou a dizer a verdade, o Ruben é totó! – a convicção do puto fez-nos rir
A conversa continuou mas agora entre o Ruben e o Martim, sim que retirei-me estrategicamente antes que o menino se lembrasse de perguntar o motivo por estar mais gorda. 
A manhã foi passada na casa da Anabela a ultimar os últimos preparativos para a festa de aniversário do Martim, mas hoje estava particularmente complicado estar na cozinha, a mistura dos cheiros complicava com o meu estado de completo enjoo, por isso saí de fininho e fui até á sala.
- Como estão as coisas lá dentro? – o Ruben perguntou ao passar por mim com balões cheios de ar para colocar na sala
- Acho que a tua mãe e a Madalena dão conta do recado…
- Continuas enjoada? – perguntou agora num sussurro e já comigo sentada ao seu colo.
- Ya… e estar na cozinha não ajuda em nada…
- Oh Tink Wink – o Ruben levou a mão à minha barriga – alivia lá a mamã para a festa do mano – sorri feita parva perante a forma como o Ruben falava – correr bem… - o Ruben uniu as nossas bocas assim que terminou de falar, estava a saber-me bem os mimos do meu amor que deixamo-nos ficar no marmelanço até que
- Quando é que nasce mesmo o Tink Wink? – a voz do Mauro atrás de nós fez-me saltar do colo do Ruben – Sim que como tio tenho o direito de saber de quantas semanas está a mamã – olhei para o Ruben que me pedia desculpas pelo olhar, afinal por culpa dele tínhamos sido apanhados e agora já não havia muito a fazer para continuar a ocultar.
- A mamã está de praticamente 11 semanas! – respondi serenamente enquanto o Ruben continuava com a mão na minha barriga e a sorrir feito parvo
- Foi assim tão complicado? – olhei para o Mauro sem entender o que queria saber com aquela pergunta – Calma cunhadinha que não quero saber se foi assim tão difícil o meu mano fazer o trabalho de forma competente – gargalhou – o que estava a tentar saber é porquê que levaram tanto tempo a dar a novidade!
- Não tens muita razão de queixas… afinal és o primeiro a quem contamos ou que confirmamos!
- O Martim ainda não sabe?
- Não…
- Oh porquê? O puto quer tanto um mano…
- Nós decidimos esperar…
- Ah… já entendi! Vocês, mulheres, e aquela cena da barreira das 12 semanas – falou virado para mim – Já a Madalena veio com a mesma conversa e como vez correu tudo bem!
A conversa terminou até porque o Martim entrou na sala, ajudei o meu amor a colocar os balões e só voltei a aproximar-me de comida na hora do almoço mas estava tão enjoada que não consegui ficar mais que uns minutos sentada, tive mesmo que sair quase a correr da mesa.

Ruben
A manhã foi agitada, com os últimos preparativos para o aniversário do Martim mas para a Mariana estava a ser especialmente difícil, hoje acordou tremendamente enjoada e foi numa pausa que fizemos os dois que tentei inteirar-me do seu estado, o Mauro presenciou o momento e não deixou escapar, o meu amor acabou por confirmar as suas suspeitas.
A hora de almoço chegou e com ela chegou também o momento que ficou tudo a olhar-me, já que a Mariana simplesmente não aguentou e teve que se retirar rapidamente, ainda estava a pensar se iria atrás dela ou se ficaria quando o Martim falou.
- Pai o que tem a mana? – o Mauro olhou-me e sorriu
- Nada… come que a mana já regressa.
- Ela tá cada dia mais estranha – falou preocupado e ao levantar-se da cadeira
- Onde vais?
- Ver da mana! – falou com tanta convicção que não o consegui impedir e por isso o menino foi procurar a irmã, no entanto pedi desculpas aos presentes e fui atrás do menino.

Mauro
Comprometi-me a ajudar nos preparativos da festinha do Martim, uma vez que a Mariana não teve muito tempo para o fazer e foi quando regressei à sala para ajudar o meu irmão na tarefa de pendurar os balões que tínhamos enchido que presenciei um momento super ternurento entre a Mariana e o Ruben, confirmei as minhas suspeitas ao ver o meu irmão babadíssimo a falar para a barriga da Mariana, estavam os dois com um ar de felicidade tremendo ou não fosse desejarem muito terem o seu primeiro filho, ainda fiquei a observá-los mas acabei por implicar.
A Mariana confirmou a gravidez e ainda trocamos mais algumas palavras, no entanto afastei-me, aqueles dois estão tão mas tão lamechas que até enjoa.
Tínhamos acabado de iniciar a refeição quando a Mariana se retirou com tal urgência que deixou o irmão preocupado, o menino disse mesmo que a irmã está cada dia mais estranha, o Ruben ainda tentou segurá-lo mas ao ver o menino sair para procurar a irmã foi atrás.
- Onde vais? – a minha mãe falou assim que levantei o rabo da cadeira.
- Oh mãe, esta não perco por nada! – elas olharam-me
- Mas o que se passa convosco?
- Ai… se quer saber venha!
Elas não falaram mais simplesmente seguiram-me, fomos até ao jardim onde os encontramos aos três, a Mariana estava sentada no banco baloiço, com o Martim sentado ao colo do Ruben.
- Mauro! Estás a ouvir – a minha mãe agarrou-me o braço numa tentativa de impedir-me de aproximar
- Oh mãe!
- Deixa o teu irmão…
Não lhe respondi e aproximei-me mesmo deles, aquele momento não perderia por nada, elas acabaram por também se aproximarem, a Mariana assim que deu pela nossa presença sorriu de forma cúmplice para o meu irmão.
- Estou à espera – o Martim reclamou – eu sei que tão a esconder alguma coisa… não sou parvo! – tive que controlar-me para não gargalhar.
- Martim – a Mariana chamou-o – nós temos mesmo algo para te contar... – o Ruben sorria feito parvo
- O quê? – o menino estava curioso e a Mariana numa de tentar encontrar a melhor forma de lhe dar a boa nova mas acabou por ser o Ruben a tomar a palavra e de forma muito direta disse-lhe
- Vais ter um mano ou mana...
- Juras pai??? – a alegria estampada no rosto do Martim foi enorme – A mana já tem um bebé dentro da barriga dela? – foi impossível conter a gargalhada – oh mana deixa eu ver.
- Queres ver o quê?
- A tua barriga! – atirou com uma convicção enorme
- Oh amor a barriga ainda não se nota... – o Ruben esclareceu mas deve-se ter arrependido no mesmo momento
- Mas eu quero ver... se tu podes eu também posso – falou todo senhor de si
A Mariana sorriu mas fez-lhe a vontade, levantou ligeiramente a camisola e assim que o fez o menino teve um gesto enorme de carinho que arrepiou-nos a todos ao dar beijinhos repenicados na barriga da irmã e várias festinhas, o menino ficou alguns minutos a contemplar a barriga ainda inexistente da Mariana e quando se cansou.
- Obrigado pai – agarrou-se ao pescoço do meu irmão – eu sei que vais gostar sempre de mim mesmo depois do mano nascer – o menino é único.
- Estás a agradecer porquê?
- Porque eu sei que foste tu que convenceste a mana a dar um mano a mim e porque gostas de mim
- É impossível não gostar de ti – deu-lhe vários beijinhos e quando o momento de pai e filho terminou, olhou para a Mariana que estava a sorrir, foi o meu irmão que a beijou mas foi dela a iniciativa de prolongar o beijo, que só foi interrompido quando o Martim colocou os seus os bracinhos em volta dos pescoços deles.
- Foi a melhor prenda que podiam dar hoje – as simples palavras do menino enterneceram-nos novamente.
Deixamo-nos ficar só a observá-los, o quadro que tínhamos diante de nós era o de uma família feliz.
- Bem parece que alguém está de parabéns... – a Madalena foi o primeira a manifestar-se depois de assistirmos a tudo remetidos ao silêncio, seguiu-se a nossa mãe e nos momentos seguintes partilhamos com eles a alegria que estavam a sentir. 
Mariana
Não tinha planeado contar ao Martim da gravidez desta forma mas não deu para adiar mais, o menino delirou com a notícia e afirmou mesmo que era a melhor prenda que podíamos dar-lhe, os momentos seguintes foram para as felicitações e alguns mimos que o meu irmão decidiu dar-me.
Depois deles terem almoçado, sim que não o consegui fazer, concluímos as tarefas que ainda faltavam a tempo e horas. Estava na sofá aninhada ao colo do Ruben com o menino do nosso lado quando a Anabela avisou que os convidados estavam a chegar, o Martim foi a correr até à porta para receber os amiguinhos, algo que tanto eu como o Ruben também fizemos.

Como irá correr a festa?

4 comentários:

  1. Oh ainda bem que está a correr tudo bem agora :) gosto muito de os ver assim felizes
    Estou ansiosa pelo próximo :)

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  2. Olá!
    Tardei mas cheguei! Por atalhos mas cheguei!
    Bem ainda bem que li isto tudo de uma vez porque isto esteve cheio de impasses! Principalmente a dificuldade da Mariana em engravidar! Quando ela fez o teste negativo, eu pensei realmente que era um falso negativo, mas com aquela ecografia que fez nos exames tirou-me essa esperança! Mas pronto finalmente veio o Tink Wink!
    A situaçao da Kika foi realmente triste, mas felizmente 'acabou' em bem! mas acho que isto é uma porta aberta para o passado da Mariana e nao sei se vai resultar la muito bem.
    Uma coisa que adorei, foi quando o Martim recebeu a noticia que iria ter um irmao. Foi a primeira vez que esta historia me emocionou de uma maneira tao...especial. Foi realmente lindo ver a gratidao dele, a forma como falou com o ruben! *o*
    Venha daí o proximo ;)

    Beso
    Ana Santos

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  3. Então o Mauro não sabe que é feio ouvir as conversas dos outros? Saiu-me cá um cusco.
    Adorei, foi um capitulo calminho mas acho que vem por aí uma tormenta, o Paulo já está desconfiado, se ele chega à conclusão que as pontas soltas que ele juntou até têem razão de ser, aí é que o mundo da Mariana vem abaixo. Em relação ao Martim, já merecia saber da novidade, e como ele disse e muito bem, de parvo não tem nada, e que andava desconfiado andava, a mana e o Rúben andavam estranhos demais, foi mesmo a melhor prenda que ele podia ter recebido, gostava que ele tivesse uma festa de sonho, mas acho que não vai ser assim.
    Continua

    Beijocas

    Fernanda

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  4. Fabuloso...

    Quero mais...

    Tou super curiosa para ver o próximo... Continua...

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