quinta-feira, 18 de julho de 2013

073 - "Que foi? Tink Wink? Onde foste buscar essa?"

Ruben
Foi visível o quanto a presença do Paulo ao lado da Mariana a estava a incomodar, até porque o meu amor na primeira oportunidade que teve afastou-se e veio procurar o conforto dos meus braços.
- Queres ir lá fora? – perguntei ao seu ouvido, a Mariana simplesmente negou com a cabeça
Ficamos a ver a Kika a desembrulhar o presente e assim que viu tratar-se de jogos pediu que a Mariana brincasse com ela e com o Martim, o meu amor aproximou-se e voltou a “perder-se” em brincadeiras com aqueles dois. Estava a observá-los quando a Filipa chegou, cumprimentei-a e ficamos à conversa, contaram-me as novidades, como se não soubesse já quando o transplante seria feito, custou-me fingir que não sabia de nada mas não podia denunciar a Mariana.
O meu amor esteve bastante tempo concentrada unicamente na Kika mas teve que se ausentar por uns minutos do quarto e quando regressou voltou a procurar o conforto junto de mim, uma vez que o Paulo estava próximo da filha. Estava abraçado ao meu amor quando o seu pai se aproximou, ainda pensei que a Mariana se afastasse mas deixou-se ficar, talvez porque estava a observar a cumplicidade do Martim e da Kika, estavam a brincar e a falar.
Acabamos por nos despedir da menina, uma vez que tínhamos combinado almoçar com a Letícia e por isso não deu para ficar mais tempo.
***
O dia 24 de Dezembro foi muito preenchido, começou com uma visita à Kika, passou por uma ida à instituição onde a Mariana cresceu e terminou num jantar em família em casa do Mauro. A noite foi agradável e sem surpresas, desta vez o Martim comportou-se divinamente e não nos envergonhou.
Do Natal à passagem d’ano foi um pulo, já tinha regressado aos treinos e a Mariana ao trabalho, ainda assim aproveitamos estes dias para namorar bastante, uma vez que o Martim foi passar uns dias com a madrinha, quem lucrou com isso fomos nós que aproveitamos para fazer vários programas diferentes e que quando o menino está connosco não dá tanto jeito, como ir ao teatro, já que para o Martim teatro é sinónimo de seca.
A noite da passagem d’ano foi a três, inicialmente tínhamos combinado passar com os meus colegas mas a Mariana acordou extremamente indisposta e durante o dia não melhorou, ainda tentei convencê-la a ir às urgências mas recusou.
***
Dias passaram e a Mariana está cada vez mais ansiosa, o dia de submeter-se à recolha das células para doar à irmã aproxima-se e isso está a arruinar com os nervos dela, tanto que anda frequentemente indisposta e mal-humorada, quem já reclamou foi o Martim, o menino não sabe de nada e por isso não entende a irmã, ainda assim está a ter muita paciência para aturar as implicâncias do meu amor.
- Vamos?
- Tens a certeza que não há problema em vires comigo?
- Mariana, já te disse que tenho autorização para faltar ao treino, além disso nunca te deixaria sozinha num momento deste!
A Mariana não respondeu, seguimos para o IPO onde já esperavam o meu amor, tentei entrar com ela mas não foi possível, tive que esperar cerca de cinco horas para a voltar a ver, foi nesse intervalo de tempo e quando fui comer que cruzei-me com a Filipa, falei com a mãe da Kika mas nunca disse o porquê de estar no IPO, aliás não alonguei muito a conversa por isso mesmo, despedi-me dela e segui caminho.

Mariana
Os últimos dias não foram fáceis, tive que fazer diversos exames para garantir que estava tudo bem e ainda levei algumas injeções para estimular a produção das células que circulam no sangue e que vão ser recolhidas para que a Kika possa superar a doença, essas injeções fizeram com que sentisse algum desconforto, aliado aos nervos que sinto, tenho noção que andei impossível de aturar, já para não falar que sinto constantemente o estomago “embrulhado”.
Acordei com o Ruben e sem a presença do Martim em casa, o menino ficou com a Anabela, uma vez que não queria que se apercebesse do que se estava a passar. A mãe do Ruben é a única pessoa que sabe o verdadeiro motivo, quer dizer ela e o treinador do meu amor, porque o Ruben teve que lhe contar o motivo para ter a devida autorização para faltar ao treino.
Cheguei ao IPO e rapidamente estava rodeada de enfermeiras e do médico da Kika, voltei a ouvir todo o procedimento e no fim submeti à recolha das células, fui picada em ambos os braços, o esquerdo para a recolha do sangue que passava por uma máquina, onde se dava a separação das células necessárias, e o direito onde era devolvido o meu sangue ao meu corpo. O processo durou horas, cinco ao certo, estive sempre acompanhada por pessoal qualificado mas confesso que assim que terminou só quis correr para os braços do Ruben, precisava dele, mas tive que ter calma, afinal o processo a que fui submetida deixa-nos algumas mazelas nada que não se suporte.
Ainda fiquei um tempo deitada mas agora já o tinha do meu lado, o Ruben pode finalmente entrar. Acabei por almoçar ali mesmo e só saí depois da equipa médica certificar-se que estava bem, deram-me algumas recomendações para os dias seguintes e finalmente fui para casa. Sentia-me cansada e por isso fui para o quarto.
***
Duas semanas passaram, já tinha recuperado completamente e andava animada, não sei porquê mas tudo deixava-me feliz, até ouvir a chuva deixava-me de sorriso no rosto, sim sei que não é algo muito normal, até porque o Martim já por diversas vezes chamou-me de maluca, mas nem isso fez com que ralhasse com o menino.
- Boa tarde – o Ruben agarrou-me pela cintura
- Oi... – virei-me para o Ruben e “pendurei-me” literalmente ao seu pescoço, beijando-o e prolongado ao máximo aquele momento, apesar de andar contente estou também carente, sinto imenso a falta do Ruben sempre que está longe, nomeadamente nos treinos e jogos – finalmente chegaste!
- Ui... quem te ouvir falar ainda pensa que não me vês há dias...
- Oh não gozes! – voltei a unir as nossas bocas e o momento só foi interrompido pelo choro da Carolina – Oh tu aí... – falei ao aproximar-me da minha afilhada que até então estava a dormir na cama improvisada que fiz na sala – não sabias levar mais uns minutinhos para acordares, não?! – peguei-lhe ao colo e ao olhar para o Ruben encontrei-o a sorrir – e em vez de ficares aí especado a olhar se te viesses sentar aqui do nosso lado não era bem melhor! – reclamei e não tive que esperar muito para o ter junto de mim.
 - Estou a ver que continuas bem-disposta! – sorri ao ouvi-lo e teria respondido se o Nuno não tivesse entrado na sala
- Puto não sei o que lhe andas a fazer mas que a Mariana parece outra lá isso parece!
- Oh tu aí – o Nuno olhou-me – sei que estás na tua casa mas nunca ouviste dizer que entre marido e mulher não se mete a colher!
- Uiii que anda sensível!! – desta foi a Patrícia que falou, também ela tinha acabado de chegar do trabalho.
- Olha que fixe... já chegaste, foi? – A Patrícia sorriu – isso quer dizer que o meu dia de trabalho acabou... – levantei-me e deixei a Carolina ao colo do pai – por isso FUI!!! – agarrei o Ruben pela mão e saí sem dizer mais nada.
- Amor... qual é mesmo a pressa? Nem nos despedimos deles!
- Cala-te! – o Ruben olhou-me – E agora vamos que ainda tenho que tratar de me meter jeitosa para um certo menino – respirei profundamente e trinquei mesmo o lábio ao olhá-lo de cima a baixo
- É preciso ter descaramento – o Ruben alinhou na brincadeira – quer dizer vais meter-te jeitosa para outro e ainda o admites à minha frente!!
- Sabes andas assim fraquinho... fraquinho... que não estás a dar conta do recado – atirei sem medir muito bem as palavras e deixando o Ruben a olhar-me – por isso tenho de recorrer a outros meios para ver se arrebitas!
- Mas... tu... quer dizer eu... – vê-lo atrapalhado fez-me gargalhar nunca pensei que o que falei sem pensar o fosse melindrar tanto
- Shiii onde isso já vai! Amor – coloquei a minha mão na sua perna – estava só a gozar... dás conta do recado e muitooooooooooo bemmmmmmmm  - voltei a gargalhar e aproveitei que estávamos parados num sinal vermelho para o beijar
- Amor – o Ruben até “cresceu” no banco quando tentei abri os botões das suas calças – pára! Tou a conduzir... e essas mãos hoje estão elétricas! - gargalhei ao ver o seu desespero quando não estava a fazer nada de mal...
- Então conduz para o Spa que tenho de lá ir!
- É que só podes estar a gozar comigo! – olhei-o – Começas com... – o Ruben olhou para baixo o que fez com que gargalhasse novamente ao perceber que tinha despertado o “animal” que tem – e agora vais para o Spa?! E eu que me lixe!
- Prometo que depois compenso!!
- Ai não duvides!!!
O resto da viagem continuou animada mas quando chegamos ao nosso destino o Ruben já estava no seu estado normal. Entramos e enquanto o Ruben ficou à conversa com o irmão, fui tratar do que me tinha levado lá, ou seja, depilação.

Ruben
Desde que o processo de doar as células à Kika terminou que o meu amor anda mais “leve” tanto que está numa fase que tudo serve para brincar, o que sinceramente tem dado em muitos momentos prazerosos, tanto a dois como a três, sim que nem o Martim escapa às maluqueiras da irmã.
Os dias têm sido animados tanto que o dia do meu aniversário estava bem próximo, daqui a cinco dias completo 29 invernos. Estava estatelado no sofá a ver o Martim a brincar com os carrinhos quando a Mariana entra e se atira para cima de mim sem se preocupar com o que o irmão pudesse pensar.
- Amor tens a certeza que não queres comemorar o teu aniversário? – voltou a insistir no assunto
- Já te disse que prefiro algo mais familiar, estou sem paciência para grandes festas!
- Cá para mim isso tem outro nome... – olhei-a – estás a ficar velho, isso sim e ainda por cima complexado daí não queres festejar!
- Andas com umas piadas... que vou-te contar!
- Não gosta... não coma! – meteu a língua de fora o que provocou algumas gargalhadas e seguiu-se mais um momento de brincadeira que terminou na hora do Martim ir para a cama.
Fui deitá-lo e quando cheguei ao quarto a Mariana estava a sair da casa de banho extremamente pensativa mas assim que deu pela minha presença agarrou-se ao meu pescoço e exigiu mesmo que lhe desse muito mimo, algo que fiz sem esforço algum e tivemos mais um momento dos nossos.
***
O dia do meu aniversário foi tal como quis, só um jantar em família e por isso a noite foi serena. As semanas continuaram a passar e no dia dos namorados fizemos também um programinha caseiro, a Mariana se há uns dias estava virada para as brincadeiras, agora anda o oposto, tudo lhe irrita e por isso não quis comemorar o dia.
Quem já anda a reclamar é o Martim, que já se virou para a irmã e disse com as letras todas que anda novamente chata e embirrenta, a verdade é que estes últimos oito dias não foram fáceis, mas sinceramente nem sei porquê.
Hoje quem foi buscar o Martim à escola foi a Mariana, o treino foi adiado mesmo para a hora de o ir buscar e quando cheguei a casa encontrei o Martim a brincar na sala com os seus carrinhos mas com uma carinha de preocupado.
- O que se passa?
- A mana tá doente.
- Doente?!
- Acho que sim... eu tava aqui a brincar e depois fui ao quarto para chamar a mana que queria brincar com ela mas ouvi ela a vomitar...
- E não lhe perguntaste se estava melhor?
- Não – falou com as lágrimas nos olhos – eu não consegui tenho medo que a mana teja doente.
- Oh lindo não te preocupes... vou ver como está, já volto.
O que o menino falou deixou-me preocupado, é verdade que a Mariana tem andado estranha mas nunca pensei que estivesse doente, entrei no nosso quarto e encontrei-a a olhar pela janela, chovia torrencialmente e sei que o meu amor adora observar a chuva.
- Oi – abracei-a e a Mariana deixou tombar imediatamente a sua cabeça no meu ombro, aproveitando para dar-me alguns beijinhos no pescoço, estava extremamente calma e isso sossegou-me, ainda assim – está tudo bem?
- Sim... – respondeu-me com um sorriso lindo nos lábios.
- Tens a certeza? – o meu amor voltou-se de frente para mim, colocando os seus braços em volta do meu pescoço, beijando-me serenamente, desliguei por uns minutos mas voltei a tocar no assunto – Amor o Martim acha que estás doente – olhou-me com surpresa – diz que veio até aqui e ouviu-te a vomitar... – a Mariana interrompeu-me.
- E ouviu muito bem... mas tenho que ter uma conversa com aquele menino, anda a ouvir muita coisa ultimamente!
- Mariana... amor o que se passa? Não queres ir ao médico?
- Não é preciso! – a Mariana sorriu timidamente e agarrou nas minhas mãos levando-as à sua barriga, ficando nitidamente à espera de uma reação minha – Sei bem a causa de...
- Estás... – a Mariana não me deixou falar
- Grávida! – atirou sem demora, aquilo que senti foi indiscritível, foi uma sensação única saber que finalmente conseguimos engravidar, foi tão maravilhoso que não reagi de imediato, só o fiz quando o meu amor se afastou, fui atrás de si, até à casa de banho, e pude ver o teste positivo, aí sim acho que caí em mim e os momentos seguintes foram só nossos, nossos e do “inquilino ou inquilina” que a Mariana carrega no ventre, sei que inicialmente a beijei com toda a calma do mundo e que depois ajoelhei-me diante de si e beijei a sua barriga, o meu amor arrepiou-se ao sentir os meus lábios contra a sua pele, estava com um sorriso lindo, o que deixou-me completamente a babar.
Acabamos por regressar ao quarto, onde nos sentamos na cama, com a Mariana no meio das minhas pernas, estava a acariciar a sua barriga que apesar de ainda não se notar sabia que seria uma questão de semanas.
- Porquê que não disseste? – olhou-me
- Ficaste chateado por não ter dito antes?
- Não... mas gostava de ter estado do teu lado quando fizeste o teste...
- Desculpa – a Mariana esmoreceu
- Hey... – fi-la olhar para mim – preferia ter estado do teu lado mas se não quiseste foi por algum motivo e respeito isso!
- Oh... tinha medo que desse negativo – admitiu aquilo que já desconfiava que fosse o motivo
- Foi hoje?
- Que fiz o teste? – não me deixou responder – sim, foi!
- Desde quando é que... – a Mariana sorriu e interrompeu-me
- Ah pois é bebé... afinal consegui trocar-te as voltas e o menino perdeu o rumo...
- Não tenho culpa! Escondeste o calendário onde andavas a apontar os dias...
- Aí é que estás enganado! Não escondi... mandei-o mesmo para o lixo! Aquilo só me enervava – encolheu os ombros – olha fiz o que a médica falou... descontraí e pelos vistos deu resultado – falou ao colocar as suas mãos por cima das minhas que estavam nas sua barriga.
- Mas não respondeste... – olhou-me e depois de beijar-me
- Há uns dias que já desconfiava, afinal nunca o atraso foi tão grande – olhava-a na expetativa de saber mais – digamos que devia ter aparecido há uns 5 ou 6 dias.
- Ah! Agora está explicado as mudanças de humor que tiveste durante a semana! Podias ter partilhado imediatamente comigo
- Já te disse que tive medo, podia ser só mais um atraso...
- Mas não é! – devia estar com um sorriso estupidamente parvo na cara ainda assim não consegui deixar de sorrir – É o nosso Tink Wink – a Mariana gargalhou prazerosamente – que foi?
- Que foi? Tink Wink? Onde foste buscar essa?
- Sei lá... saiu – desmanchamo-nos a rir, parecíamos dois loucos, foi de tal forma que o Martim veio ver o que se passava
- Tão a rir porquê?
Olhei para a Mariana e percebi que não pretendia revelar já ao menino a boa nova e por isso contive-me, demos uma desculpa esfarrapada mas que felizmente o menino acreditou.

Mariana
Nestes últimos dias senti a falta de algo ainda assim não consegui ter a coragem suficiente para dizer ao Ruben, no fundo tinha medo que fosse simplesmente um atraso mas os dias passaram e já não estava a conseguir controlar a ansiedade por isso mesmo aproveitei o fato do Ruben ter-me ligado para a avisar que não conseguia buscar o Martim para sair um pouco mais cedo da casa do Nuno, passei pela farmácia e comprei o teste.
Fui buscar o meu anjinho à escola e depois de o ajudar a fazer os trabalhos e de lancharmos, consegui finalmente uns minutos de sossego para fazer o teste e assim terminar com as dúvidas. Confesso que hesitei no momento de fazê-lo, hesitei não pelo medo do resultado mas sim porque tive receio que o Ruben ficasse magoado por não ter esperado por ele mas não aguentei e fiz mesmo o teste. Os minutos de espera foram, para mim, horas mas como tudo tem um fim, a minha espera também conheceu o seu, respirei fundo e olhei, ver aquele positivo foi das melhores sensações que alguma vez senti, acho mesmo que só o momento em que peguei pela primeira vez no meu irmão é que se aproximou à felicidade que estava agora a sentir.
Estava no meu mundinho a observar a chuva pela janela quando senti os braços do Ruben em volta da minha cintura, inevitavelmente suspirei, teria dado a novidade imediatamente mas a conversa do Ruben adiou-a por minutos mas o momento em que lhe confirmei a gravidez foi único, o brilho no olhar do Ruben superou tudo, brilho parecido já vi em muitas situações, a última foi no dia do nosso casamento, mas hoje cintilavam ainda mais, o meu amor babou de imediato a minha barriga, beijando-a.
Estava completamente rendida ao que estava a sentir e a responder às perguntas do Ruben quando o ouvi a apelidar o nosso bebé de Tink Wink, foi impossível não gargalhar o que despertou a curiosidade ao meu irmão.
- Tão a rir porquê?
O piolho entrou no quarto e sentou-se ao nosso lado, estava nitidamente à espera de uma resposta que demorou a obter, por momentos tive receio de lhe dar a novidade, ainda é tudo tão recente, algo que o Ruben deve ter percebido porque respondeu que estávamos só a fazer cocegas um ao outro, o Martim engoliu a desculpa esfarrapada do Ruben e deixou-se ficar deitado na nossa cama.
***
Duas semanas passaram e finalmente tivemos a primeira consulta. O Ruben parecia um puto no seu primeiro dia de aulas, de tão ansioso que estava.
- Olha para bem do Tink Wink é bom que te acalmes! – reclamei afinal o Ruben estava sentado ao meu lado mas não parava quieto com a perna, o que estava a irritar-me – Ou ainda nasce com um pai perneta – o Ruben olhou-me – sim que se não paras quieto sou bem capaz de arrancar-te a perna – o meu amor sorriu
- Desculpa, estou nervoso.
- Ainda estou para perceber o motivo... não és tu que vais carregar o Tink Wink durante nove meses e sonhares todos os dias com o rosto dele ou dela.
- Lá porque não o carrego não quer dizer que não sonhe, que não deseje tê-lo nos meus braços, que não esteja ansioso por sentir o primeiro pontapé – o Ruben voltou a colocar a sua mão na minha barriga, a verdade é que arranjei para pai do meu bebé alguém babadíssimo.
Ainda ficamos uns minutos na sala de espera mas assim que fui chamada entrei de imediato, a Dra. Fátima sorriu ao ver-nos.
- Então a que se deve esta visita a dois? – falou depois de a termos cumprimentado
- Ah... – o Ruben sorria feito parvo – estou grávida – falei toda orgulhosa do meu recente estado.
- Isso já tinha percebido... basta olhar-vos mas vamos ao que interessa, como já tenho o vosso histórico – ouvi-la fez-me recordar os meses de espera até engravidar – o que dizes de passares para a outra sala – levantei-me imediatamente, a outra sala é onde se faz as ecografias
O Ruben seguiu-me, bem como a médica, deitei-me na maca e uns segundos depois já estava com os olhos pregados ao monitor, mais concretamente naquela mancha negra. Sentia o meu amor a apertar-me a mão, estava mais ansioso que eu e isso fez-me rir ao olhá-lo por segundos.
- Confirma-se, estás grávida de cerca de 7 semanas... estão a ver esta pequena mancha – a Fátima apontou para o monitor – é o vosso... – interrompi
- O nosso Tink Wink – gargalhei perante a cara que a médica fez
- Vou ter que levar com a piadinha o resto da gravidez, né?! – o Ruben reclamou
- Hum... hum... – estava feliz e por isso fiz uma careta a gozar ainda mais com o meu amor
- Já vi que o bebé já foi batizado... – a Fátima interrompeu-nos o que fez com que olhasse - Tink Wink é muito bom... já ouvi de tudo mas este supera – sorriu-nos
Os minutos seguintes foram para conversar um pouco com a Fátima, afinal estamos a iniciar uma nova fase das nossas vidas e um desafio maravilhoso mas ainda assim inquietante, é uma vida que cresce dentro de mim e nos próximos meses serei a única responsável em cuidar o melhor que conseguir dela, por isso ouvi atentamente todas as informações que me foram dadas.
- Amor... – o Ruben que vinha literalmente agarrado a mim assim que saímos as portas do hospital começou logo com os seus planos – agora que já temos a certeza que está tudo bem com o nosso bebé, já podemos dizer ao Martim – falou animado
- Oh... por mim esperávamos...
- Porquê? O menino quer tanto receber essa novidade – não resisti e ao olhar para a sua cara de bebé pedinchão estive quase a ceder mas não o fiz
- Prefiro esperar mais umas semanas...
- Tens medo que aconteça alguma coisa?
- Não é bem medo mas a verdade é que ainda está tudo tão no início e depois quero aproveitar para viver esta fase a dois – trinquei o lábio, o Ruben olhava-me completamente babado – e se contamos ao menino passa a ser a três com a agravante que terás um rival com quem passarás a dividir a minha barriga – o Ruben gargalhou – sim ou achas que o Martim vai deixar assim barato? O menino tal como o pai dele – referia-me ao Ruben o que fez o meu amor ficar ainda mais emocionado, afinal são raras as vezes que admito que também para mim o Ruben é o pai do meu pequenino – vai querer mimar o Tink Wink...
- É... colocando as cenas nesse ponto... é mesmo melhor o Martim ficar na ignorância durante mais umas semanas – já estávamos no carro e por isso o Ruben voltou a beijar a minha barriga – que quero a mãe do meu Tink Wink só para mim – sorri e uni os nossos lábios.
***
Quando se está feliz não se dá mesmo pelos dias passarem, é a essa conclusão que cheguei, afinal já estamos a meados de Março e nem percebi bem como.
Desde que tivemos a confirmação que estou grávida não houve dia nenhum que o Ruben não tenha babado a minha barriga várias vezes ao dia, principalmente de manhã e à noite, pois faz questão de dar um beijinho de bom dia e de boa noite ao nosso Tink Wink, sim o nome veio para ficar, até porque acho fofinho.
Hoje acordei mais uma vez com o Ruben a fazer festinhas na minha barriga, foi impossível não sorrir, o meu amor estava tão concentrado que não percebeu que já tinha despertado e talvez por isso estava a falar para o Tink Wink.
- Oh meu feijãozinho – tive que controlar-me para não rir – sei que ainda não ouves nada do que estou para aqui a falar mas faz hoje um ano que o dia 19 de março ganhou novo significado para mim, hoje comemora-se o dia do pai e só percebi o verdadeiro significado quando o teu mano-tio – a forma como se referiu ao Martim enterneceu-me – começou a fazer parte da minha vida, percebi o que é ser pai, se há um ano o dia foi especial, hoje ainda será mais, porque vos tenho aos dois... – não aguentei e tive de gargalhar – ah a menina já acordou?
- Pois... fica impossível dormir contigo a babares a minha barriga e a falar para a mesma que nem um maluquinho – meti-me com ele e como resposta tive um beijo de tirar o folego, aquilo fez-me desejar por mais e se não fosse o Martim ter interrompido tínhamos-mos amado.
O dia começou em modo lamechas e até ridículo, será que vai continuar?

E o Martim quando ficará a saber que o “mano” já vem a caminho?

7 comentários:

  1. Oh... Tink Wink!! Há tanto tempo que esperava este momento! Que lindo!
    Lamechas, mas é tãooo giro...
    Quero saber como é que o Martim vai reagir à notícia.
    Próximo!
    Beijinhos

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  2. Onde é que tá o resto???
    Adorei tudo. Quero mais!!!

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  3. Oh adorei *-* são tão queridooos finalmente a Mariana conseguiu engravidar! E são uns pais tão babados, sim são os dois :)
    Amei este capitulo espero pelo próximo rápido :)

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  4. Adorei o capitulo, tá super fofinho.
    Tink Wink? Mas que raio de nome que o Ruru havia de arranjar para a criança, só desta cabecinha é que podia sair um nome destes.
    Acho bem que o Ruben aproveite e desfrute da barriga da Mariana, porque quando o Martim souber não vai ter grandes hipóteses, aquela barriguinha vai mesmo ser disputada pelos dois. E estou curiosa com a reacção do puto quando souber a novidade.
    Adorei tudinho, mas quero o próximo, porque tenho o pressentimento que algo vai acontecer.
    Continua

    Beijocas

    Fernanda

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  5. Ai, esperei tanto por esse capítulo... tanto. Eles já mereciam essa notícia maravilhosa, e o apelido que o Ruben achou para o bebê foi cômico, mesmo assim amei, muito fofinho Tink Wink *-*
    Quero muito poder ver a reação do Martim quando souber que vem um ''mano'' ou ''mana'' por ai, e espero que o dia termine bem.
    Beijinhos :*
    Gabi

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  6. Olá :D

    Finalmente consegui atualizar-me!!! E tenho a dizer que amei todos estes capítulos que postas-te recentemente! :D
    Ainda bem que a Mariana é compatível com a Kika e que possa salvar a irmã, ainda mais sabendo que ela é filha daquele homem nojento que abandonou-a. Ai, finalmente ela conseguiu engravidar. Ainda bem! O Ruben é que ficou tótó como diria o Martim xD

    Tenho a certeza que o Martim irá adorar saber da existência de um novo mano/a. Espero que a Mariana leve uma gravidez calminha e que não stress muito ou ainda dá uma coisinha ao Ruben.

    Quero rápido o próximo, sff!

    Beijinhos
    Beatriz

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  7. Fantástico...

    Quero mais... Tou super curiosa para ver o próximo...

    Continua...

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