Mariana
O dia hoje correu-me
bem, estava estranhamente bem-humorada, tanto que quando cheguei a casa meti-me
na brincadeira com o Ruben, estávamos numa de namorar quando de um momento para
o outro o meu amor contou-me que o Martim está triste e preocupado com a Kika,
olhei-o de imediato e percebi que o assunto devia ser sério pela forma como o
Ruben olhava-me.
-
Amor… achei estranho o Martim estar tão em baixo por isso liguei ao Paulo e… - o Ruben estava nitidamente a
escolher as palavras – foi diagnosticada
leucemia à Kika – inexplicavelmente senti o meu mundo a desabar, é verdade
que nunca tentei ter qualquer relação de irmã com a pequena mas também não sou
insensível, ninguém merece atravessar o calvário que deve ser a luta contra uma
doença tão grave, muito menos uma criança – e pelo que o Paulo falou a doença foi diagnosticada à uns dias mas
infelizmente os resultados não são nada animadores, o tipo de leucemia é das
mais graves e a menina já iniciou os tratamentos mas não está a reagir bem…
-
Estás a querer dizer que a menina não tem grandes hipóteses de… - calei-me não consegui proferir em
voz alta a ideia de que pode não resistir à doença
-
Pelo que percebi a Kika só terá hipóteses de vencer a doença se encontrar um
dador…
-
Os pais dela não são compatíveis?
-
Não!
O “não” do Ruben
custou-me, não sei porquê mas tudo aquilo estava a mexer demasiado comigo,
tanto que acabei por afastar-me do Ruben, precisei de um tempo para colocar as
ideias em ordem.
***
Depois da revelação da
doença da Kika o resto do serão não foi nada animador, o meu irmão estava
realmente abatido, o menino até foi para a cama mais cedo que o normal e por
iniciativa dele. Acabei por seguir o seu exemplo e fui-me deitar também.
Durante a noite acordei
com um barulhinho de fundo, abri os olhos e confirmei o que os meus
ouvidos estavam a transmitir, tinha o Martim deitado na nossa cama e o Ruben a
tentar acalmá-lo. O meu irmão teve um pesadelo e uns minutos depois percebi que
envolvia o assunto “Kika”. O nosso pequenino acabou
por ficar a dormir na nossa cama e no dia seguinte dei muitos miminhos ao meu
irmão, algo que o Ruben também fez.
Passei a manhã toda a
pensar na Kika, não consegui ficar indiferente e por isso mesmo acabei por
pedir à Patrícia a tarde, uma vez que ela já não iria trabalhar. Como esperava
pude sair mais cedo, fui dar uma volta e acabei num sítio inesperado…
-
Amor?! – o Ruben
admirou-se por ver-me no Seixal
-
Oi – beijei-o
-
Posso saber o motivo de ter o prazer de treinar perante o teu olhar? – acabei por sorrir com o que falou
-
Precisei de apanhar ar e resolvi vir ao treino, afinal é mesmo aberto ao
público!
Ainda troquei mais umas
palavras com o meu amor mas tive que o deixar, o Ruben foi-se equipar enquanto
fui até à bancada, sentei-me num lugar mais afastado da confusão e por lá me
mantive até ao fim do treino.
Estava à espera que o
Ruben se despachasse quando fui abordada por duas raparigas.
-
Desculpa mas és a mulher do Ruben Amorim, certo? – olhei-as de cima a baixo, não as
reconhecia de lado nenhum
-
Não! – olharam-me
nada convencidas – Sou a Marina!
-
Ah… desculpa então… é que tens muitas parecenças com a mulher que foi
fotografada em tempos com o Amorim na praia…
-
Pois… mas sou só a Mariana, uma mulher como outra qualquer! – ripostei não estava para as
aturar, algo que devem ter percebido porque pediram desculpas e quando já se
estavam a afastar o Ruben apareceu.
-
Amor! – a forma
carinhosa como chamou-me fez com que as raparigas se voltassem para trás, o que
lhes permitiram ver o Ruben a unir as nossas boas – vamos?
Era suposto responder
que sim mas a única coisa que consegui foi gargalhar, o que fez com que ficasse
a olhar para mim, tal como as raparigas que tiveram o desplante de voltar para
trás para lhe pedirem um autógrafo, algo que o Ruben acedeu sem demora.
Enquanto o meu amor assinava a folha do bloco de notas das miúdas, elas
olhavam-me.
-
Não precisam ficar com essas caras
– o Ruben ao ouvir-me, olhou – sim sou
casada com o Ruben mas ser chamada de mulher do Ruben Amorim é abuso, não
preciso de rótulos, tenho nome próprio – esclareci o que levou o Ruben a
sorrir – e muito menos tenho que vos dar
conversa! Aqui quem é a estrela é o Ruben por isso ele que vos ature, só tenho
que respeitar isso mas deixem-me de parte que não tenho paciência nem vocação
para vos bajular, deixo essa parte para vocês que são fãs dos rapazes,
acreditem têm muito mais vocação do que eu!
-
Desculpa – a mais
velha, ou pelo menos tinha ar disso, falou – não era nossa intenção incomodar-te mas como admiramos o trabalho do Ruben
quisemos tirar a dúvida…
-
Que vocês o admirem até entendo
– não sei porquê mas deixei escapar um suspiro o que fez o Ruben rir e elas
olharem-me – e respeito mas vocês têm
que compreender que tenho direito à passar despercebida, lá porque sou a mulher
do Ruben isso não me faz ser famosa, estrela ou lá o que vocês queiram chamar.
Ainda troquei mais
algumas palavras com as miúdas mas acabamos por nos irmos embora, cada um no
seu carro. O Ruben foi direto a casa uma vez que quem foi buscar o menino à escola
fui eu. O Martim estranhou mas ficou todo contente. Estávamos os três a lanchar
quando o meu irmão fez um pedido que deixou-me desconfortável.
-
Mana eu quero ir ver a Kika, deixas?
– o Ruben olhou-me de imediato
-
Martim hospital não é lugar de criança...
-
Mas tu sempre ensinaste que devemos ficar sempre do lado dos nossos amigos e a
Kika é minha amiga e tá doente e eu quero ver ela! – o menino estava determinado a
fazer-me ver que queria mesmo visitar a amiga – eu sei que ela tá muito doente porque eu ouvi a nossa professora a
falar com outra e eu não quero que ela vá para o céu... – falou já com voz
de choro, estagnei completamente ao ouvi-lo.
-
Martim – o Ruben
chamou-o – a Mariana tem razão, hospital
não é lugar de criança mas compreendo que queiras ver a tua amiga – o meu
amor olhou-me – prometo que falo com o
Paulo para saber se podes ir visitá-la.
-
Então liga já!
Não consegui continuar a
assistir à cena que tinha diante de mim e por isso mesmo saí da cozinha, estava
no quarto quando o Ruben entrou.
-
Vou levar o Martim
– olhei-o – mesmo que discordes, vou
levá-lo a ver a Kika, sei que hospital não é lugar de criança mas o menino tem
razão quando diz que devemos apoiar os nossos amigos.
O Ruben quando acabou de
falar ficou a olhar-me, talvez à espera de uma reação minha mas simplesmente
não reagi ou melhor não reagi de imediato e por isso o Ruben saiu do quarto,
ouvi-o a chamar o meu irmão e num ato irrefletido peguei na minha mala e
segui-os.
-
A mana também vem?
– o Ruben que ainda não tinha dado pela minha presença virou-se assim que falei
-
Vou!
Não disse mais nada,
segui o caminho todo calada, estava a preparar-me mentalmente para reencontrar
quem não quero ver mas principalmente para ver a dor e sofrimento no rosto da
pequena Kika, que é só uma criança sem culpa nenhuma.
Ruben
Parece que a Mariana tirou
o dia de hoje para surpreendeu-me, primeiro ao aparecer no treino e depois ao
não impedir que levasse o Martim a ver a Kika, mas o que deixou-me mesmo
surpreso foi a decisão dela em acompanhar-nos ao hospital para ver irmã, afinal
é o que a Kika lhe é. No entanto aquilo estava a custar-lhe mais do que podia
imaginar, o meu amor manteve-se calada o tempo todo e quando estávamos a entrar
no hospital senti-a a vacilar, apertei-lhe a mão e após vê-la a respirar fundo
entramos finalmente. Dirigimo-nos ao piso do quarto da Kika e assim que que
chegamos ao corredor vimos de imediato o Paulo.
-
Olá! – o Martim foi
o primeiro a cumprimentar o Paulo e não perdeu tempo – eu quero ver a Kika – o meu empresário sorriu ligeiramente
-
Podes entrar... ela está acordada
– o nosso piolho largou a minha mão e correu até à porta indicada pelo Paulo,
entrando de imediato.
-
Obrigado! – olhamos
os dois para o Paulo – Por terem trazido
o Martim, a Kika tem perguntado pelos amigos mas sabemos que isto não é
realidade para uma criança ver... logo não conseguimos pedir a ninguém que
trouxessem os filhos...
-
Não o fiz por si! –
a Mariana atirou de forma automática – se
concordei foi porque o Martim pediu...
-
Mesmo assim obrigado! É importante para a minha filha estar com os amigos...
A Mariana não respondeu
e instalou-se um silêncio estranho, acabei por quebra-lo ao perguntar mais
detalhes sobre o estado de saúde da pequena, o Paulo foi muito claro quando
afirmou que a única esperança é encontrar um dador rapidamente, olhei para a Mariana
mas não a vi reagir. Estivemos ainda uns minutos a falar mas acabamos por
entrar no quarto da Kika e quando o fizemos arrepiei-me ao ver o cenário que
tinha diante dos meus olhos, o Martim estava deitado na cama da Kika e abraçado
a ela, a Filipa observava à distância e estava já com as lágrimas nos olhos,
percebi o porquê quando ouvi o meu pequenino, que no seu jeito de criança
estava a dar força à Kika.
Deixamo-nos ficar a
observa-los, aqueles dois pequenos seres estavam a dar-nos uma tremenda lição de
vida, por momentos dei comigo a pensar como é possível em meses terem
construído uma amizade tão forte, ainda para mais porque passou completamente
despercebida, o Martim por norma fala dos seus amigos mas nunca percebi que
estava assim tão próximo da Kika.
Os minutos passaram e
nós, os adultos, afastamo-nos ainda assim estávamos atentos aos miúdos e sem
que a Mariana esperasse o Martim chamou-a, olhei para o meu amor a tentar de
alguma forma dar-lhe apoio e força.
-
Diz! – falou já
quando estava junto da cama da Kika
-
Oh mana podes contar uma história à Kika daquelas que contas quando eu tou
doente para ela ficar boa depressa -
a ingenuidade do Martim arrepiou-me mais uma vez, já a Mariana sorriu e
sentou-se mesmo do ouro lado da Kika.
-
Então e que história é que queres que a mana conte? – a atitude da Mariana em nada
surpreendeu-me afinal conheço-a e sei que se derrete toda com as crianças,
ainda mais quando são da família, sorri ao vê-la tão serena rodeada daqueles
dois seres puros e inocentes.
-
Pode ser uma qualquer... eu só quero que a Kika fique boa – a Filipa não aguentou e teve que
sair do quarto, o Paulo ainda tentou sair atrás da esposa mas disse-lhe para
ficar... que iria ver da Filipa, não sei porquê mas naquele momento senti que
era importante que o Paulo ficasse naquele quarto.
Mariana
Durante a viagem de casa
até ao hospital arrependi-me diversas vezes por ter decidido acompanha-los e
quando chegamos à porta do hospital ainda vacilei mas o Ruben não me deu
hipóteses de fugir, acabei por entrar e mais uma vez arrependi-me quando vi o
Paulo, fui até desagradável com ele mas não o consegui evitar, é certo que
senti-me a pior pessoa por estar com aqueles pensamentos mas a verdade é que
por momentos achei que era bem-feita, que ele agora estava a pagar pelo que me
fez.
Foi com este pensamento
que entrei no quarto mas assim que vi o meu tesouro deitado e abraçado à Kika
foi como se o meu mundo desabasse, como é possível uma criança nos ensinar
tanto, o meu irmão deu-me naquele instante uma lição de vida, ele estava a
fazer algo que até ao momento não fui capaz de fazer, dar apoio a quem precisa,
fiquei a observa-los remetida ao silêncio, até que fui acordada para a
realidade pelo meu piolho, o menino na sua inocência pediu-me para contar uma história
à Kika para que ficasse boa, não consegui recusar e quando dei por mim estava
sentada ao lado da menina. Contei-lhe a história, escolhi uma que fosse alegre,
para que a pequena se pudesse divertir um pouco, o que resultou em ligeiras
gargalhadas.
Depois da história, veio
outras, o certo é que não consegui deixar de fazer a vontade aos dois, que
sempre que acabava pediam outra. Houve algo naquele menina que me prendeu,
nunca tinha perdido mais do que uns minutos a olhar para ela, nunca quis saber se
estava bem, quando nasceu, o que gostava, basicamente dei comigo a pensar que
não conhecia a minha irmã e que poderia estar a ter a única oportunidade para o
fazer, talvez por isso não consegui afastar-me daquele pequeno ser, fiquei
horas sentada naquela cama a falar com a pequenina, muitas vezes só ouvia
mesmo, a Kika apesar de estar doente tinha um sorriso lindo e uma força para
vencer enorme, aquilo tocou-me bem fundo, tanto que quando a Kika adormeceu,
vencida pelo cansaço de uma tarde de algumas brincadeiras e de muitas
gargalhadas, saí do quarto sem dizer nada, limitei-me a trocar olhares
cúmplices que o Ruben.
Procurei por alguém que
me pudesse ajudar, havia uma hipótese de puder salvar a minha irmã e por isso
pedi para fazer os exames, expliquei ao médico que me atendeu o grau de
parentesco mas pedi-lhe segredo, algo que está obrigado pela profissão, só o
fiz para que percebesse a urgência em saber o resultado.
Paulo
A pior notícia que um
pai pode receber é a que a filha está a morrer e que não pode fazer nada para
evitar, a não ser esperar que um dador apareça. Ver a Kika deitada na cama do
IPO não é fácil mas sempre que olho para o seu sorriso consigo encontrar forças
para continuar a acreditar que a minha princesa, o meu tesouro vai conseguir
vencer a doença. A minha filha tem perguntado pelos amigos, sei que lhe fazia
bem vê-los mas é uma realidade demasiado forte para meninos e meninas de oito
anos presenciarem por isso não consegui sequer pedir a nenhum pai que levasse
lá o seu filho, no entanto, o telefonema do Ruben chegou na altura certa,
disse-lhe o estado em que a Kika se encontrava e deixei nas mãos do Ruben e da
Mariana a decisão de trazer ou não o menino.
Confesso que estava a
torcer para que decidissem trazê-lo, afinal a minha filha queria ver os amigos
e sei que ela adora o Martim, aliás a Kika quando fala dos amigos o nome do
irmão da Mariana surge sempre.
Estava no quarto com a
Filipa e a Kika quando precisei de sair um pouco, foi quando o fiz que
encontrei o Martim que assim que me viu perguntou logo se podia ver a minha
filha, disse-lhe qual era o quarto e quando o menino nos deixou agradeci-lhes o
terem trazido o Martim mas mais uma vez a Mariana foi extremamente fria comigo,
juro que não percebo o porquê mas claramente tem algo contra a minha pessoa, no
entanto estou sem forças para tentar perceber o motivo.
Acabei por entrar no
quarto com eles e deparei-me com o Martim a dar mimo à minha pequenina, aquilo
tocou-me, mas se já estava sensibilizado com o gesto do Martim ainda fiquei mais
ao observar a Mariana, a forma como estava a cuidar da Kika, percebi que o
Martim tem uma sorte enorme por ter uma irmã assim, a cumplicidade que criou
com a minha pequenina e a forma tão genuína como lhe arrancou sorrisos atrás de
sorrisos marcou-me, inexplicavelmente criaram as duas uma ligação tão forte que
foi visível à Filipa assim que regressou ao quarto depois de também ter saído
por momentos para respirar fundo e ganhar novamente forças para continuar a
lutar pela Kika.
A verdade é que passamos
horas a testemunhar um momento único, desde que a Kika ficou internada nunca
mais a vi tão feliz e isso aqueceu-me o coração, a Mariana entregou-se
simplesmente à minha pequena, esteve horas na conversa e na brincadeira, por
momentos dei comigo a pensar em algo mas acabei por afastar esses pensamentos,
seria cruel demais se fosse verdade...
A Kika adormeceu e assim
que fechou os olhos a Mariana saiu do quarto sem dizer uma única palavras,
trocou simplesmente olhares com o Ruben e saiu, isto depois de olhar-me por
breves segundos.
-
Pai – o Martim
chamou o Ruben
-
Diz.
-
Onde foi a mana com tanta pressa?
-
Deve ter ido à casa de banho
–a resposta do Ruben foi espontânea mas não verdadeira, o Ruben estava
estranho, conheço-o e sei que ficou preocupado quando a Mariana abandonou o
quarto, ainda assim disfarçou.
Estivemos vários minutos
sem vermos a Mariana e quando regressou ao quarto pediu ao Ruben para irem
embora, despediu-se da Kika com um beijinho dado na sua testa e saiu sem dizer
mais nada... com aquela atitude voltei a pensar no que já tinha passado pelo
meu pensamento mas voltei a afastar essa ideia, não podia ser...
Ruben
-
Amor – chamei-a
quando já estávamos deitados – quando é
que sabes se és compatível? – perguntei
-
Sou assim tão transparente?
-
Não… és simplesmente a pessoa mais humana que conheço…
-
Também vais fazer o teste?
– perguntou de imediato levando-me a sorrir
-
Não… já estou inscrito como dador.
Percebi que a Mariana
não queria prolongar muito o assunto e por isso resolvi mimá-la.
***
Dois dias passaram e a
Mariana recebeu um telefonema a avisar que o resultado do teste de
compatibilidade já tinha chegado.
-
Ruben vens comigo?
-
Nem precisavas ter pedido! Como queres fazer com o menino? – perguntei uma vez que estava
quase na hora de o ir buscar à escola.
-
Será que a tua mãe o pode ir buscar?
-
Acho que sim...
Liguei para a minha mãe
e como esperava disse imediatamente que o iria buscar, agradeci e desliguei, a
Mariana já estava à minha espera, seguimos de imediato para o IPO. Assim que
estacionei, o meu amor saiu de imediato do carro no entanto ficou imóvel a
olhar não sei bem para onde.
-
Mariana… amor –
coloquei o meu braço por cima dos seus ombros o que a fez despertar – vamos?!
-
E se for compatível?
– olhei-a
-
Terás que tomar uma decisão…
- olhou-me
-
Não sei se serei capaz de ir até ao fim se o resultado por positivo – admitiu com as lagrimas já a
molharem os seus olhos.
-
Pensas nisso depois… primeiro temos que saber o resultado!
A Mariana já não
respondeu, limitou-se a começar a andar. Uns minutos bastaram para sermos
informados que o Dr. Filipe já vinha ter connosco ao seu gabinete, senti a
Mariana a tremer.
-
Tem calma –
apertei-lhe a mão, já que as tínhamos entrelaçadas.
-
Ruben… porquê que temos que esperar pelo médico, será isso sinal que…
-
Mariana não te vou mentir… quando fiz o exame também foi porque tinha alguém
próximo de mim que precisava de um transplante e lembro-me que enviaram-me o
resultado para casa, infelizmente deu negativo…
Os minutos que esperamos
pareceram horas, estava já a stressar com a espera quando ouvi a porta a abrir,
olhei e vi o médico, que nos cumprimentou para se sentar logo depois.
O momento da revelação
chegou finalmente e como desconfiava o resultado deu positivo, a Mariana levou
algum tempo a reagir e só quando lhe toquei no braço é que despertou, ouvimos o
que o médico tinha a dizer-nos e quando chegou o momento da Mariana decidir
doar ou não a medula, o meu amor foi peremptória na resposta.
-
Se posso salvar a vida a uma criança não vou negar-lhe isso mas não quero que a
família em momento algum tenha conhecimento de quem foi o dador!
-
Fique descansada que esses dados são confidenciais.
A conversa continuou
durante mais um bocado e quando já íamos a sair encontramos o Paulo, estava
abatido.
-
Por aqui? – o Paulo
ficou surpreso por nos ver
-
Sim… Então e como está a Kika?
-
Hoje está ainda mais abatida… dói tanto vê-la a passar por isto – o Paulo emocionou-se, olhei para
a Mariana que simplesmente não reagiu – a
incerteza de encontrarmos ou não um dador está a ser demasiado dura…
-
Tem que pensar positivo…
- tentei transmitir alguma força mas sem ser muito óbvio – irá aparecer!
-
Quero acreditar que sim mas a cada dia que passa o estado da Kika agrava, é o
meu anjinho, a minha única filha, não a posso perder!
A Mariana assim que o
ouviu avisou que esperava-me no carro e desapareceu sem dar-me tempo de dizer o
que quer que fosse.
-
E não vai perder! Acredite!
-
Gostava de ter essa certeza toda…
O Paulo estava mesmo em
baixo, o que é normal dada a situação, ainda fiquei a ouvi-lo durante algum
tempo, tempo suficiente para testemunhar o momento em que a sua esposa chegou
junto dele e lhe deu a novidade que tinham encontrado um dador, o alívio e esperança
tomou conta do rosto daqueles pais que depressa foram ter com a sua filha.
Cheguei ao carro e dei
com a Mariana a chorar, não foi preciso ter falado para saber o porquê, afinal
ouvir da boca do próprio pai que só tem uma filha, apesar da Mariana saber que
foi rejeitada mesmo antes de nascer, não deve ser fácil.
Mariana
Ouvir aquele animal a
dizer que só tem uma filha foi demasiado para mim, ainda assim não fez com que
desistisse de salvar a vida da Kika, afinal a menina não tem culpa nenhuma do
canalha que temos como pai.
O resto da tarde foi
estranha, o Ruben esteve sempre do meu lado mas pouco ou nada falamos, até
porque quando cheguei a casa fui deitar-me na cama, mantive sempre os olhos
fechados mas sabia que o tinha do meu lado.
As horas passaram e
fomos buscar o meu irmão a casa da Anabela, a mãe do Ruben percebeu que alguma
coisa se passava, ainda assim não insistiu quando o filho a informou que não
queríamos falar sobre o assunto.
***
Hoje acordei com o meu
irmão a chamar por mim e ainda não tinha aberto bem os olhos já o tinha sentado
em cima das minhas pernas, reclamei porque aleijou-me e de imediato o menino
pediu desculpas para depois ouvi-lo a pedir para ir comigo para a casa do Nuno,
que queria brincar com o Nuninho, no entanto tive que lhe negar tal pedido.
-
Porquê?
-
A mana hoje não vai trabalhar de manhã…
-
Então?
-
Tenho uns assuntos a tratar com o Ruben.
-
Posso ir também?
-
Não…
O Martim não gostou mas
o Ruben conseguiu dar-lhe a volta, a verdade é que vamos finalmente saber os
que os exames que fizemos nos têm para nos revelar, já os temos em nosso poder
há uns dias mas só consegui a consulta para hoje.
Saímos de casa com
destino à casa do Mauro, onde deixamos o meu irmão e seguimos para o hospital,
esperamos pela nossa vez e assim que chegou o momento, não perdi tempo e entrei
de imediato no gabinete da Dra. Fátima.
-
Bom dia –
cumprimentou-nos
-
Espero bem que seja mesmo um bom dia!
– respondi
-
Já percebi que estás ansiosa… por isso vamos lá terminar com a vossa espera – a Dra. Fátima pegou nos exames e
os minutos que esteve a olhar para eles só serviram para tanto eu como o Ruben
ficarmos com os nervos à flor da pele – bem
tenho a dizer-vos que os exames...
Qual
será o resultado dos exames deles?
Irá
o Paulo alguma vez descobrir que a pessoa que pode salvar a sua Kika é a
filha que rejeitou antes de nascer?
Como
será os próximos tempos?
Eu disse que ia chorar se a doença da Kika fosse aquela que eu suspeitava que era... E chorei!! Oh meu Deus!
ResponderEliminarEspero que a Kika fique boa, mesmo depois do transplante. Pelo menos que corra tudo bem nas histórias...
Quero o próximo!
Beijinhos
Não vai ser novidade nenhuma para ti saberes que adorei e que preciso saber com ultra-urgência às respostas às perguntas que deixas e mais algumas que tenho na cabeça!
ResponderEliminarPor isso neeeext rápido!!!!
Bjokinhas
Espero que a Kika fica boa depressa, mas o Paulo bem que merece sofrer pelo que fez....
ResponderEliminarEstou curiosa para saber os resultados dos teste...
Posta rápido.
Beijos
ML
Olá!!!:D
ResponderEliminarBem este capitulo foi cá uma montanha russa de emoções xD
Primeiro aquela noticia de que a Kika está doente,o que me deixou mesmo triste sendo a doença que é,depois tenho de confessar que dei umas gargalhadas com as respostas que a Mariana deu aquelas raparigas por ser "a mulher do Rúben Amorim".:P
E mesmo com algumas tentativas de encontrar um dador que infelizmente não deram positivo,eu só espero que ele seja encontrado!
Agora tenho uma coisinha que não consigo deixar passar,achei muito fofinho o Martim pedir à mana para contar uma história à Kika!*.*
Quero mais!!!!!
Beijinhos
Rita
Uau! Espero que a Kika fique bem com a ajuda da sua mana ;D Ainda bem que a Mariana é compatível!!
ResponderEliminarEstou muito curiosa para saber o resultado dos exames espero que esteja tudo bem.
Estou ansiosa pelo próximo :) Continua!
Olá.
ResponderEliminarAinda bem que a Mariana é compatível.
Será que o Paulo começa a desconfiar que é pai da Mariana?
Como é óbvio quero saber o resultado dos exames.
Beijinhos
Mas que maneira é esta de se terminar um capitulo? Achas bem terminares assim depois de um capitulo destes, com índices de emotividade altíssimos e ainda deixas estas duas perguntas no ar? Tu queres é acabar comigo, só pode.
ResponderEliminarConseguiste levar-me ás lágrimas, fogo a miúda tinha logo que ter leucemia? é muito mau, mas a Mariana mostrou que apesar de todo o rancor que tem pelo pai, ela tem um coração do tamanho do mundo, e não conseguiu ficar indiferente ao sofrimento da irmã, porque no fundo é isso que elas são, irmãs.
Era tão bom que na vida real todos aqueles que precisam, encontrassem assim um dador compatível com esta rapidez, mas infelizmente as coisas não são assim.
Por muito mal que o Paulo tenho feito, esta não era a maneira de ser castigado, não à custa de uma inocente, e também não conhecemos as verdadeiras razões do passado da Mariana, só conhecemos a versão que a Mariana conhece, mas precisamos de conhecer a versão do Paulo. Gostei da parte em que nos deste a visão do Paulo, e algo no relacionamento da Kika com a Mariana lhe chamou à atenção, parece que ele desconfia de algo, preciso mesmo do próximo capitulo para saber o desenrolar deste mistério que é a vida da Mariana.
O Martim, palavras para quê? é uma criança que na sua ingenuidade só quer o melhor para a sua amiguinha e que fique curada.
Adorei, mas quero muito saber a resposta às perguntas que deixaste, mas para isso tens que dar corda aos dedinhos, por isso bandeia-te.
Continua
Beijocas
Fernanda
Quantas emoções hahaha. Adoro sempre que essas fãs resolvem ir falar com a Mariana, fico sempre à espera das suas respostas rápidas e cômicas, adoro mesmo. E que linda a relação que o Martim já construiu com a Kika, mais linda ainda a atitude da Mariana.
ResponderEliminarGostei de ver a versão do Paulo no meio disso tudo. Perfeito, lógico, quero mais! :*
Gabi
ADORO !
ResponderEliminarquero mais :)
http://aminhahistoria30.blogspot.pt/ é novo, vão ver :)