Boa noite!!
Aqui têm o capítulo, tentei fazer o melhor que sei e espero que vos agrade.
Antes de lerem queria deixar-vos um pedido, se puderem comentem para saber o que estão a achar da história, sejam sinceras e se houver alguma coisa que não vos agrada digam porque só assim é que conseguirei melhorar ou pelo menos tentar fazê-lo...
É importante ter o vosso feedback porque para além de servir como incentivo é também uma forma de ficar a saber que continuam a acompanhar a história, caso contrário a fic acabará dentro de alguns capítulo, darei um fim mas este será antecipado.
Obrigada e desculpem o desabafo...
Mariana
Os dias passaram e hoje já
tinha finalmente o Ruben em casa, quem acordou animadíssimo foi o Martim que
despertou-me ao pular em cima da minha cama.
- E se tivesses quieto era muito melhor! – reclamei por ter sido
acordada daquela forma.
- Oh mana é hoje que o Ruben chega, né?
- Sim.
- A que horas?
- De tarde.
- E nós podemos ir buscar o Ruben?
- Martim... – ainda pensei em recusar mas ao olhá-lo desisti da ideia
afinal estava com aquela carinha de quem quer muito e verdade seja dita também
quero estar com o Ruben o quanto antes – pode
ser.
- Fixe! Tenho tantas saudades dele – sorri ao ouvi-lo – mas mana agora quero comer!
- Tudo bem, vamos lá.
Levantei-me e fui fazer-lhe o
pequeno-almoço.
- A mana não come?
- Não tenho fome – não era verdade afinal não quis comer por ter
acordado enjoada mas não quis alarmar o meu irmão – ficas a comer que a mana vai vestir-se, pode ser?
- Sim mas mana depois quero ir passear, pode ser?
- Pode, pode... o menino anda a ficar muito mal habituado, agora só
quer passeio, é? – fiz-lhe algumas cócegas o que o levou a rir
- Oh mana isto de ter a mana só para mim é muito fixe – foi
impossível não sorrir perante a carinha de felicidade do meu irmão.
- É... sabes muito!
O menino já não respondeu
limitou-se a sorrir até porque saí da cozinha, fui até ao quarto vestir-me e no
fim chamei-o ao dele para também o Martim se vestir.
- Mana, podemos ir ter com a mãe do Ruben? – perguntou assim que
terminou de se vestir.
- Podemos passar pelo SPA mas se a Anabela estiver muito ocupada não
podemos ficar lá.
- Na boa! – olhei-o
- Onde é que aprendeste isso?
- O quê?
- “Na boa” – repeti a expressão que usou.
- Com o Mauro – respondeu calmamente.
- Pois esse também só te ensina o que não deve! – resmunguei entre
dentes, detesto que o meu irmão use certo dito de expressões e por isso
expliquei-lhe que devia evitar dizer “na boa”, algo que tenho a plena
consciência que não ligou nenhuma.
Saímos de casa com o destino
traçado e assim que estacionei o carro no parque do SPA, o meu irmão saiu
imediatamente do carro, no entanto esperou por mim e entramos juntos.
- Bom dia – cumprimentei a rececionista – a Anabela está?
- Sim – respondeu depois de também ter dado os bons dias para pegar
de seguida no telefone e anunciar desta forma a nossa chegada – a D. Anabela pediu que fossem ter à sua
sala – deu-me as indicações e segui-as com o meu irmão até chegar à porta,
bati e assim que tivemos permissão entramos, cumprimentamos a Anabela e ficamos
um pouco à conversa que acabou por ser interrompida pelo Mauro que ao tomar
conhecimento da nossa presença nos veio falar lógico que o Martim acabou por
sair com ele.
- Mariana – olhei novamente para a Anabela – sei que já fiz esta pergunta mas agora que estamos a sós – estava
expetante para saber o que viria dali – estás
bem? Desculpa insistir mas pareces-me distante.
- Sim, estou bem!
- Já tiveste dias mais animada! – suspirei perante a determinação
da Anabela ao afirmar algo que não era de todo mentira.
- Se quer mesmo saber estou farta – olhou-me – farta de estar em casa sem fazer nenhum, esta vida não é para mim –
bufei levando-a a rir.
- Mas não tens ido à instituição? Já para não falar que tens feito
voluntariado na Fundação Benfica.
- Gosto muito de fazer voluntariado mas não é o voluntariado que paga
as contas – ripostei, ultimamente tenho andado assim com umas mudanças de
humor estranhas – desculpe, você não tem
culpa – assumi imediatamente a minha indelicadeza – mas preciso de algo que me ocupe o dia e que quando chegar ao fim do
mês veja o retorno do meu trabalho.
- Mariana compreendo que sintas falta de trabalhar mas agora que
casaste com o Ruben... – interrompi imediatamente afinal não estava a
gostar do rumo da conversa
- Pode parar por aí! Não vou viver às custas do seu filho, é que não me
falta mais nada, não sou invalida! – a Anabela começou a rir
- Longe de mim insinuar que pudesses viver às custas do meu filho –
sorriu – Mariana não era isso que ia
dizer – olhei-a nada convicta – se
não me tivesses interrompido o que terias ouvido é que agora que casaste com o
Ruben e que estás numa de teres férias prolongadas, pelo menos durante a
licença de maternidade da Patrícia, lembrei-me que pudesses ajudar-nos aqui no
SPA, lógico que serás remunerada e que tenho de falar com os meus filhos mas
duvido muito que eles não aceitem – sorriu.
- Anabela agradeço a oferta mas sabe bem que sou inútil aqui... a menos
que queira perder clientes!
- Ou ganhar! – olhei-a sem entender – a Sofia por vezes vê-se aflita com as crianças quando vêm com as mães
e se nós tivéssemos alguém com experiência em lidar com miúdos ajudava,
principalmente agora na época das férias escolares, Mariana não será um emprego
mas sim uma ocupação remunerada durante os meses de Verão, até porque a
Patrícia não ficará de licença eternamente e precisará de ti brevemente.
- Hum... se é assim aceito – falei já mais animada – mas veja com os seus filhos se não haverá
problema.
- Achas Mariana? – sorriu
- Anabela não quero tratamento especial porque sou casada com o Ruben.
- Tens razão, és minha nora tal como a Madalena o é mas nunca lhe
concedi privilégios por isso. Lógico que terei que informar o Mauro porque
sinceramente o Ruben pouco é achado no meio da gestão do SPA – sorriu – mas podes ficar descansada que terás
trabalho.
A conversa continuou em volta
do mesmo assunto, acordamos que começaria dentro de dois dias e o valor que
receberia, não era tanto quanto o que recebo como ama mas dá para equilibrar as
contas, que neste momento é o que pretendo. Estava com a Anabela quando a
Madalena apareceu com o menino, lógico que os minutos seguintes foram para
deliciar-me com o meu afilhado, não ligando muito para o que elas falavam.
- Oh Mariana – olhei para a Madalena – quando é que tens um só teu? – sorriu.
- Não sei! – atirei de forma a terminar com o assunto mas não o
consegui.
- Mas não queres? É que pelo Ruben já estavas grávida de certeza.
- Isto já são horas de almoçar – falei ao olhar para o relógio.
- Não desvies o assunto... – suspirei perante a insistência da
Madalena.
- Não estou a desviar assunto nenhum simplesmente prefiro não falar.
- Mariana – olhei para a Anabela – vocês já andam a tentar e ainda não conseguiram, é isso não é? –
não respondi mas também não foi preciso – Oh
rapariga descontrai que se ainda não aconteceu é porque não calhou – sorriu
talvez numa tentativa de passar-me alguma força – além do mais só se casaram há um mês e uns dias.
- A Anabela tem razão... olha também não engravidei logo.
- Mas nós já andamos a tentar há uns meses – falei, afinal estava
mesmo a precisar de desabafar sem ser com o Ruben e no fundo sei que posso
confiar nas duas – aliás mesmo antes de
nos casarmos...
- Descontrai que logo engravidas, até porque quanto mais ansiosa estiveres
pior é.
- Sim mas o Ruben quer tanto ser pai...
- Então e tu? – olhei para a Anabela – Também queres ser mãe ou estás só a fazer a vontade ao meu filho, ao
teu irmão e no fundo a todos nós? Mariana sinceramente não te vejo muito
animada com a ideia.
- Quero ser mãe e se não me vê animada é porque ao longo dos anos
habituei-me que a vida não é como nós queremos, o querer ser mãe não é sinónimo
que possa o ser...
- Estás muito negativa – a Madalena sentou-se do meu lado e
abraçou-me – e quanto mais estiveres
assim pior, não és a primeira nem serás a última mulher a não conseguir
engravidar nos meses imediatamente a seguir ao momento que o casal decide
engravidar, mas se estás assim com tanto receio que o problema seja teu marca
uma consulta.
- Já o fiz, aliás antes de ter deixado a pilula tive uma consulta e fiz
exames.
- Então descontrai, aproveita mas é os treinos e logo logo andarás por
aí a exibir a barriga e a contribuíres para o aumento da baba do meu cunhado
– sorriu.
- Oh não é fácil todos os meses perceber que ainda não chegou a nossa
vez.
- O que o meu filho diz sobre o assunto?
- Oh... o mesmo que vocês, que estou a fazer um drama sem necessidade,
que mais mês menos mês consigo engravidar.
- Relaxa e aproveita mas é o teu homem, diverte-te com ele e
principalmente não o faças com o objetivo de conceber um filho, fá-lo pelo
prazer que o resto vem por acréscimo...
- Madalena é mais fácil falar do que fazer mas vocês têm razão, tenho
mesmo que deixar de pensar nisto.
- É esse o espírito e agora o que dizem de almoçarmos todos?
A ideia da Madalena agradou-nos
e por isso fomos procurar o Martim e o Mauro. Durante o almoço foi impossível
não rir com as palhaçadas do Mauro que serviram para desanuviar um pouco a
cabeça.
No fim despedimo-nos deles e
rumamos para o estádio da Luz, afinal o Ruben estava quase a chegar.
- Mana ainda demora muito? – sorri perante a impaciência do Martim
- Amor devem estar quase a chegar – assim que lhe respondi, vimos
finalmente o autocarro a aproximar-se, o Martim saiu imediatamente do carro – Esperas aqui!
- Oh mana! – reclamou
- Mana nada! Não sei se o Ruben pode vir ter connosco imediatamente por
isso tem calma ou vamos embora!
- Tudo bem – falou nada satisfeito.
Assim que o autocarro
estacionou e as portas se abriram os olhos do Martim fixaram-se nelas, era
nítido o quanto queria ver o Ruben a sair mas teve que esperar algum tempo,
afinal o meu amor foi dos últimos a sair mas assim que o fez sorriu-nos o que
foi suficiente para o Martim não me obedecer e correr até ele.
Ruben
Fiz a viagem toda de regresso a
Lisboa com um só pensamento, o de abraçar o Martim e a Mariana, algo que
percebi ser possível antes do que imaginava, afinal estavam os dois à minha espera
no estádio. Assim que saí do autocarro e sorri ao ver o Martim impaciente, o
menino correu imediatamente para mim, de sorriso no rosto e braços abertos.
- Pai! – os seus bracinhos rodearam a minha cintura – Tava a ver que nunca mais chegavas –
reclamou o que levou-me a mim e aos meus colegas que estavam próximos a rir.
- Sim... sim... até aposto que nem sentiste a minha falta – meti-me
com o menino – vais dizer que não
gostaste de ter a mana só para ti.
- Gostei mas ela anda chata – tive que controlar-me para não rir – tens que dar muitos beijinhos a ela para
ver se fica mais contente – fez queixinhas o que levou novamente os meus
colegas a rirem – e depois tenho
saudades de brincar contigo, do meu beijinho de boas noites, de adormecer a
ouvir-te a contares histórias, de seres tu a acordar-me... – o Martim teria
continuado mas resolvi começar a “matar” algumas das saudades do meu piolho e
depois de o encher de beijinhos ainda lhe fiz algumas cócegas, até porque se
não colocasse fim a todas as razões do miúdo acho que as lágrimas apareciam, a
verdade é que as simples palavras do Martim tocaram-me imenso, mais uma vez
tive plena noção do quanto o menino ama-me.
- Realmente não sei qual dos dois é mais criança! – ouvi a voz da
Mariana a reclamar atrás de nós o que fez com que parasse com as cócegas e
olhasse finalmente para o meu amor.
- Boa tarde para ti também -
reduzi por completo a pouca distância que nos separava e agarrei-a pela
cintura, puxando-a ligeiramente contra o meu corpo para no instante seguinte
beijá-la, beijo carregado de saudade e amor, não me importei por estar diante
dos meus colegas, se eles não tiveram quem os fosse buscar a culpa não era
minha e por isso mesmo aproveitei ao máximo para também eu começar a matar as
saudades que tenho da minha refilona preferida e única – estás bem? – perguntei assim que separamos os lábios e como
resposta tive o mais belo sorriso e um abraço apertado, acompanhado por um
suspiro.
- Espero que não te tenhas importado por estarmos aqui... – sorri,
só mesmo ela para pensar tal coisa – mas
o Martim insistiu e pronto também não quis esperar mais – gargalhei ao
ouvi-la a admitir tal coisa, o que fez os meus colegas olharem e sorrirem, o
que deixou a Mariana ligeiramente envergonhada mas não quis saber e voltei a
beijá-la.
- Adorei que estivessem aqui! – voltei a beijá-la – Mas agora deixa-me só ir buscar a mala que
quero chegar a casa o quanto antes!
A Mariana sorriu e avisou que
esperava no carro, já o Martim acompanhou-me.
- Ruben – olhei-o e bastou isso para perceber que viria disparate a
caminho – porquê que só jogaste no
último jogo? – engoli em seco mas ainda assim respondi serenamente.
- Foi opção do treinador – o menino olhou-me, percebi que a
resposta não lhe agradou e antes que falasse alguma coisa resolvi esclarecê-lo –
Martim tal como tu tens que obedecer à
mana e a mim, também tenho que respeitar as decisões do treinador e se ele
achou que não deveria jogar deve ter os seus motivos.
- Mas a mana só me mete de castigo quando me porto mal – os meus
colegas que também estavam a retirar as suas malas do autocarro sorriram
perante a perspicácia do miúdo – tu
portaste-te mal?
- Não.
- Oh então não percebo o que viemos fazer para Lisboa, em Braga eu já
tinha os meus amigos e lá tu jogavas – falou de braços cruzados, pela
primeira vez percebi que talvez a nossa vinda para Lisboa não tenha sido aceite
tão bem como julgávamos pelo Martim.
- Amor – agachei-me diante dele – nunca te escondi que sou jogador do Benfica e que estava em Braga só
por empréstimo...
- Eu sei mas lá tu jogavas e andava contente – arrepiei-me ao
ouvi-lo – ou achas que eu não percebi já
que tás triste, todos os dias que falava contigo pelo computador vi que tavas
triste, só nunca disse nada para não te deixar ainda mais triste – engoli
uma por uma as palavras do Martim e quando estava a digeri-las senti alguém a
colocar a mão no meu ombro, olhei e vi que era o Rui – porquê que não podemos regressar para Braga? – fez beicinho.
- Martim não posso, já te expliquei que tenho contrato de trabalho com
o Benfica...
- Mas eles não te querem aqui! E eu não gosto do treinador, ele é um
parvo que não te deixa jogar – não consegui repreendê-lo porque o Martim
assim que falou começou a correr em direção ao carro, suspirei e quando
voltei-me para pegar na minha mala encontrei o mister, olhamos um para o outro
mas não falamos nada, agarrei na mala e fui para o carro.
Mariana
Ver a receção que o Martim teve
assim que chegou junto do Ruben só fez com que apressasse o passo para ir de
encontro a eles, também tive direito a miminhos mas fui mais “adulta” que o meu
piolho e assim que o Ruben avisou que iria buscar a mala ao autocarro resolvi
afastar-me, no entanto o menino foi com ele e uns minutos depois percebi que a
conversa que estavam a ter não deve ter corrido bem porque o meu irmão veio a
correr até ao carro, ainda tentei saber o motivo mas o Martim fechou-se em
copas, acabei por não insistir, até porque o Ruben contaria assim que tivesse
oportunidade.
- Amor a tua mãe disse para irmos jantar à casa dela – informei-o
quando já estávamos a caminho do seu apartamento.
- Eish não me apetece nada!
- Ruben! A tua mãe tem saudades tuas.
- Também tenho saudades delas mas as que tenho vossas são muito
superiores – falou enquanto a sua mão “passeava” pela minha perna.
- Ruben Filipe – olhei-o pelo canto do olho e vi-o a trincar o
lábio – amor também tenho saudades mas
não nos custa fazermos a vontade à tua mãe.
- Custa sim! Estou cansado e o jantar pode ficar para amanhã, até
porque – o Ruben hesitou o que fez com que desviasse por segundos o olhar
da estrada – temos um problema para
resolver – sussurrou-me ao ouvido.
- O que se passou?
O Ruben olhou-me mas não se
alongou no assunto, percebi que preferia falar em casa e talvez a sós, por isso
não insisti e acabei mesmo por ouvi-lo a falar com a mãe ao telemóvel e a
desmarcar o jantar com a desculpa que estava cansado.
Chegamos ao apartamento e ao
contrário do que esperava o meu irmão foi-se enviar no quarto, não questionei
até porque o Ruben foi colocar a sua mala no nosso quarto. Esperei uns minutos
mas como o meu amor ainda não tinha regressado à sala fui procura-lo e
encontrei-o sentado na cama com os cotovelos apoiados nas penas e as mãos a
encobrirem o rosto, sentei-me do seu lado e assim que o abracei, o Ruben deixou
cair a máscara do “está tudo bem”, até porque de nada adiantava continuar a
usá-la quando os seus olhos vermelhos o denunciava.
O meu amor nada disse,
limitou-se a deitar a sua cabeça no meu colo, esta reação dele aliada à do do
meu irmão deixou-me verdadeiramente preocupada, ainda assim respeitei o tempo
do Ruben e não o bombardeei com perguntas, dei-lhe simplesmente mimos e esperei
que fosse ele a iniciar o diálogo.
Ruben
Ouvir o Martim fez-me perceber
que de todas as decisões erradas que poderia tomar, a de regressar a Lisboa foi
a pior de todas, é verdade que toda esta situação não estava a agradar mas
também tinha coincidência que andava a colher o que semeei, no entanto perceber
que por minha culpa o Martim está insatisfeito deixou-me literalmente na fossa,
o menino não tem que apanhar por tabela.
Estava a pensar no que foi os
meus últimos dias, principalmente os que estive em estágio quando a Mariana
entra no quarto e se senta do meu lado, não consegui disfarçar mais o meu estado
de espírito e chorei que nem puto no seu colo, o meu amor não disse, limitou-se
a reconfortar-me da melhor forma que conseguiu, ficamos uns minutos remetidos
ao silêncio mas acabei por ganhar coragem e falar.
- Mariana preciso que sejas sincera – olhei-a – estás feliz?
- Estou! – respondeu-me de imediato – Mas afinal o que se passa?
- O que se passa? – levantei-me e comecei a andar de um lado para o
outro no quarto que nem barata tonta – o
que se passa é que estou farto – ela olhava-me – farto desta merda de vida, farto de levantar-me todos os dias para
treinar, dar ao litro como os meus colegas, para depois ficar sentado no banco
a ver o jogo – suspirei – sei que
errei mas será que não paguei já pelos erros? Só quero uma oportunidade de
continuar com o meu trabalho e parece que estão a cortar-me as pernas, juro que
tentei, ao longo destas últimas semanas engoli muito sapo mas cheguei ao
limite, ainda para mais o menino está revoltado com toda a situação, ele já
percebeu que dificilmente terei lugar na equipa e hoje disse-me que não entende
porquê que tivemos que sair de Braga se aqui eu não jogo e o treinador não
gosta de mim, o menino está triste porque teve de deixar os amigos dele em vão,
ele é criança mas não é parvo, já percebeu que tudo isto é em vão! Já para não
falar de ti, do esforço que estás a fazer para viveres em Lisboa, Mariana
apesar de não falares sei que vives apavorada com receio que o nosso caminho se
cruze com o da tua mãe e sinceramente não quero viver assim... – teria
continuado a falar mas a Mariana interrompeu-me.
- E queres viver como? Vais voltar a forçar um empréstimo para fugires
novamente da realidade? – olhei-a – Sei
que já fiz o mesmo e também sei que se tiver hipótese volto a sair de Lisboa
mas desculpa que te diga isto assim mas a minha razão tem um nome e chama-se
Martim e a tua? A tua é simplesmente por conforto, Ruben erraste no passado e
estás ainda a pagar por isso, provavelmente este ano será um inferno mas será um
inferno para os três, não estás sozinho, caramba não consigo mentir-te e dizer
que estou a adorar estar em Lisboa mas se tens contrato com o Benfica não temos
outro remédio do que aguentar, compreendo que para ti deva estar mesmo a ser
difícil mas neste momento a única coisa que podes fazer é manter a calma –
a Mariana aproximou-se – amor não percas
a razão, posso não perceber nada do assunto mas para mim o treinador está a
testar-te, só tens que ter a maturidade que não tiveste no passado, Ruben não
sei como eras antes de te conhecer mas sei como és no presente, sei a força que
tens, por isso agarra-te a isso para continuares o teu caminho.
- Não é fácil... – suspirei – Mariana
não é isto que quero, o pessoal já percebeu que não ando satisfeito, aliás já
tive uma conversa com o Rui sobre este assunto e o treinador parece que faz de
propósito para enervar-me, ainda ontem depois do jogo perguntou-me como é que
estava a sentir-me depois de jogar 90 minutos, foi de um cinismo.
- Ai foi? Então tivesses respondido da mesma forma – olhei-a
admirado – Ruben caramba já não és um
puto a quem conseguem meter medo, só tens de ter a cabeça no lugar e a
capacidade de engolir alguns sapos, sei bem o que custa fingir que está tudo
bem quando por dentro estamos a fervilhar, sei o que é pisarem em cima de mim e
mesmo assim ter que sorrir porque tenho muito mais a perder se responder –
a Mariana puxou-me novamente até à cama onde nos sentamos lado a lado – Ruben vou estar sempre do teu lado a
apoiar-te e se achares que não aguentas a pressão prefiro que tentes o
empréstimo ou mesmo a venda do que ver-te outra vez em baixo porque perdeste a
razão, quanto ao Martim e à forma como está a reagir a tudo isto vamos ter que
ter a calma necessária para lidarmos com ele, é natural que o meu irmão tenha
momentos em que se revolte, é só uma criança que no espaço de dois anos viu a
sua vida a mudar drasticamente, ele tal como eu precisa de tempo para se
habituar, também não está a ser fácil para mim e nunca te escondi isso no
entanto quando aceitei viver contigo fiz uma escolha, escolhi ficar do teu lado
nos bons e nos maus momentos, não vou virar-te as costas e muito menos dizer ou
fazer algo que inflame mais a tua revolta, podes contar comigo para te apoiar
mas não procures em mim o que tiveste com a Soraia, não sou isqueiro para atear
fogo, mais depressa de dou duas belinhas do que direi algo para te deixar ainda
mais instável.
Não lhe respondi, voltei
simplesmente a deitar a minha cabeça nas suas pernas e a receber alguns mimos
da Mariana, no fundo sei que tem razão, se não estou bem devo procurar a melhor
solução, ainda falta umas semanas para o fecho do mercado de transferências e
se o melhor for sair do Benfica assim o seja. Era nisso que estava a pensar
quando a Mariana resolveu reclamar por mimos, mimos esses que lhe dei sem
qualquer problema.
Se ao início era mimos sem
malicia nenhuma a partir do momento que a Mariana levou as mãos à minha t-shirt
e a retirou as carícias aumentaram e a “malandrice” que imponhamos em cada
beijo deixava transparecer nitidamente a vontade que tínhamos de ser um do
outro, naquele momento não quis saber de problemas. Estava deitado e com a
Mariana sentada nas minhas pernas a desapertar-me os botões das minhas calças
quando e sem esperarmos a porta do quarto abre, o meu amor saiu imediatamente
de cima de mim mas o Martim já nos tinha apanhado e apesar da tenra idade
percebeu perfeitamente o que estávamos prestes a fazer porque riu e ainda teve
o descaramento de perguntar se íamos fazer o mano para ele, respondi que
estávamos só a namorar mas arrependi-me no instante seguinte quando o ouvi.
- Então quer dizer que quando eu tiver uma namorada também tenho que
tirar a roupa e ela se sentar nas minhas pernas? – o ar de confuso do
menino deu-me vontade de rir mas lógico que tive que controlar-me, já a Mariana
estava capaz de apertar-me algo e não era de todo o pescoço, talvez por isso
sentei-me na cama e chamei-o, sentando-o no meio das minhas pernas.
- Martim o que estava a fazer com a Mariana realmente é namorar mas só
os adultos é que podem namorar assim, os meninos da tua idade não namoram.
- Porquê? – a irmã sorriu ligeiramente, deve ter achado piada ao
fato de não saber como iria descalçar a bota.
- Então... – hesitei por não saber o que dizer
- Tou à espera! – o Martim reclamou
- Martim ainda és muito novo para teres namoradas, os meninos da tua
idade têm amigas.
- Tás a dizer que se eu quiser ter uma namorada não deixas? – a
Mariana sorriu
- Martim se com namorada estás a querer dizer que tens uma amiga de
quem gostas mais tudo bem mas tens de perceber que não podes andar aos
beijinhos na boca ou a fazer com a menina o que acabaste de ver, isto só os
adultos é que fazem, as crianças quanto muito andam de mãos dadas e dão
beijinhos na cara, de resto só quando fores maior.
- Oh mas isso assim não tem piada.
- Pois mas é assim que tem que ser, até porque as meninas não gostam
quando os meninos tentam dar-lhes beijinhos na boca.
- Tu tentaste? – se a Mariana até aqui só sorriu com esta pergunta
gargalhou, ela estava a “gozar o prato” com a nossa conversa.
- Não.
- Então como é que sabes que elas não gostam?
Fiquei sem resposta e talvez
por isso a Mariana resolveu desafiar o irmão a irmos comer um gelado, algo que
agradou ao puto e finalmente pude respirar de alívio.
Como
será os próximos tempos?!
Oh pá! Martim ao poder!!! Sou mesmo fã do puto!
ResponderEliminarQuero é ver como vai correr a carreira do Ruben que não me parece muito promissora :/
Bjokinhas
Olá.
ResponderEliminarAmo mesmo esta relação do Martim com o Ruben, é simplesmente linda.
Aquela recepção ao estádio, o que o Martim disse, o que a Mariana disse...Pronto, simplesmente gostei de tudo xb
Continuo curiosa é para saber a razão destas atitudes do treinador, mas espero que o Ruben se comece a sentir melhor seja no Benfica seja numa equipa indiana qualquer.
Beijinhos
Daniela
Fantastico quero o proximo.bjs
ResponderEliminarAdorei e quero muito o próximo :)
ResponderEliminareste puto realmente, sai-se com cada uma! ahahaha, olha se ele ainda se tenta a afzer com outras miudas o que viu o ruben a fazer com a irma! ai que ia ser de rir! :P
ResponderEliminare cá para mim esta situaçao do ruben ainda vai dar que falar e como ele diz: está a semear o que plantou! agora...que se amanhe! lool
ADOREIII, como sempre!! querooo mais e fico à espera!
ah, e nem penses em terminar esta fic mais cedo, sim porque agora que ela vai ficar gravida (sim que essas mudanças de humor e enjoos tem um nome! xD) eu quero acompanhar tudo, tudo!
quero o proximo!!
beijinhos! :)
Como eu já te tinha dito, concordo com tudo o que a Mariana disse ao Rúben, eu não diria melhor, se ele voltar costas então só mostra que não aprendeu nada e que continua o mesmo puto mimado que era antes de conhecer a Mariana. E pode crer que tá mesmo a colher o que semeou, e palpita-me que a colheita vai só no início.
ResponderEliminarO Martim saiu melhor do que a encomenda, coitado do puto agora nem pode dizer "na boa", a Mariana também anda muito "fina", mas a melhor foi mesmo a frase que dá titulo ao capitulo, ai Ruru não tranques a porta do quarto não, e depois queixa-te que tens plateia a assistir ao espetáculo.
Gosto da Mariana independente, que quer ganhar o seu dinheiro, não quer viver à custa do marido, assim é que é, não quer ser uma madame, concordo com ela.
Adorei, mas acho que os próximos tempos não vão ser fáceis para o casalinho, a Mariana anda estranha, e o Ruben quero ver como é que ele se safa no Benfica, ainda pensei que o Martim ia perguntar ao JJ o porquê do Rúben não jogar, isso é que tinha sido de valor, mas oportunidades não lhe vão faltar.
Continua
Beijocas
Fernanda
OMG, adoro o Martim, tipo, muito hahahaha é incrível como ele já percebe tudo à sua volta com a pouca idade que tem, e a relação dele com o Ruben então... é linda demais. Espero que os próximos tempos corram bem, apesar de estar ''pressentindo'' exatamente o contrário :c Mas enfim, está maravilhoso. Aguardo o próximooooo. Beijinhos.
ResponderEliminarGabi :*
Ahahahah! Este Martim... Adoro-o. Gostei do desabafo do Rúben. Foi sentido!
ResponderEliminarPróximo!
Besos