Mariana
O regresso a
Braga não significou só o reencontro com o meu piolho mas também o começar a
organizar tudo para nos mudarmos para Lisboa, uma vez que o Ruben tem
indicações para se apresentar no centro de treino do Benfica no final do mês,
ainda que não seja garantido que fique no clube, era nisso que estava a pensar
quando o Ruben interrompeu os meus pensamentos.
- Bom dia amor - beijou-me - Acordaste
pensativa?! - olhei-o
- Ohh... - saí da cama e fui até à casa de banho com a intenção de tomar um duche
rápido mas o Ruben seguiu-me
- O que tens?! Amor não estás novamente a pensar
nos motivos pelos quais ainda não engravidaste, pois não?!
- Não! Estou a pensar que vou ter que regressar a
Lisboa! - atirei de forma ríspida mas sem
intenção.
- Desculpa... - o Ruben baixou o olhar.
- Não tens culpa - suspirei - mas também não consigo ser falsa ao ponto de não demonstrar o meu
receio neste regresso a Lisboa no entanto não vou fugir...
- Mariana aconteça o que acontecer juntos
conseguimos vencer tudo e quanto ao medo que tens - olhei-o - estive
a pensar e... - o Ruben hesitou o que fez olhá-lo novamente - agora que casamos porquê que não adotamos o
Martim - esbugalhei os olhos, não esperava que fosse falar tal coisa - o que foi? - perguntou talvez pela
minha reação - Não é novidade nenhuma
que o menino nos vê aos dois como os seus pais e para mim o menino é meu
filho...
- Não é assim tão simples... Ruben o Martim só
poderia ser adotado se a minha mãe autorizasse...
- Mas ela nunca cuidou dele... sempre foste tu...
- Sim mas isso só foi possível porque reuni as
condições exigidas pela proteção de menores e porque a minha mãe num momento de
lucidez assim o permitiu no entanto se ela mudar de ideias pouco posso fazer e
é por isso que preferi afastar-me de Lisboa, pelo menos afastei-me dela, no
fundo sempre soube que o que ela queria era uma forma de conseguir sustentar o vício...
- Amor... mas agora já não estás sozinha e se for
preciso lutarei até ao fim para que o menino fique connosco.
- Oh mas isso não invalida que tenha medo de o
perder...
Continuamos a
falar sobre o mesmo assunto mas acabei por colocar um fim ao mesmo no momento
que saímos do nosso quarto, fomos os dois acordar o Martim e uns minutos depois
já estávamos a tomar o pequeno-almoço os três juntos.
O dia foi passado
com o Martim, resultado quando finalmente cheguei à cama a sensação que tive é
que um camião tinha passado por cima de mim, não sei como foi possível mas o
puto deu cabo de mim, quem achou piada foi o Ruben que ainda teve o desplante
de gozar comigo.
***
Uma semana
passou, connosco a preparar tudo para regressarmos a Lisboa, o Ruben daqui a
uns dias tem que se apresentar no centro de treinos do Benfica e por isso não
deu para adiar mais o regresso, até porque ainda tenho que ver a questão da
escola do Martim, entre outros assuntos.
O menino reagiu
melhor do que esperava e não levantou qualquer problema no momento que o
informamos que teria que se despedir dos seus amigos de Braga, no entanto
prometemos que sempre que der regressamos cá para ele matar saudades.
Quem também
regressou à capital foi o Nuno e a Patrícia, acompanhados pelo Nuninho e pela
princesa da família, sim a Carolina nasceu quando nós estávamos em lua-de-mel,
é uma menina linda e sossegadinha, ah e é também a minha primeira afilhada, que
o Nuno fez questão que fosse eu a madrinha da menina, o que deixou-me feliz,
afinal tenho o casalinho mais lindo como afilhados.
Ruben
A última semana
foi cansativa mas conseguimos organizar tudo e hoje regressamos a Lisboa, por
enquanto o nosso cantinho será o meu apartamento mas se ficar no Benfica tenho
intenções de mudar, quero que o Martim continue a crescer com espaço para
brincar ao ar livre e nada melhor que uma vivenda, no entanto a Mariana nem
desconfia dos meus planos, uma coisa de casa vez...
- Ruben podemos ir ver o teu sobrinho? - gargalhei ou não fosse já esperar tal pedido.
- Poder até podíamos mas o Rafael foi de férias
com os pais, só regressa daqui a uns dias.
- Ohhh... mas podemos ir ver a avó Bela - sorri ao ouvi-lo
- A avó Bela deve estar a trabalhar mas quando
chegarmos ligo-lhe, pode ser?
- Pode!
O resto da viagem
foi tranquila, até porque o Martim adormeceu e como já chegamos a Lisboa perto
da hora de almoço acabei por passar pelo Spa, uma vez que sabia que a minha mãe
estaria lá.
- Não tens mesmo emenda... fazes as vontades
todas ao Martim!
- Deixa-te de coisas... também quero estar com a
minha mãe e sei bem que uma certa menina também quer - sorriu mas já não respondeu, aproveitei para
acordar o Martim que assim que percebeu onde estávamos depressa saiu do carro.
- Vamos... - o Martim puxou-me pela mão, estava mesmo desejoso de ver a minha
mãe.
- Tem calma! - a Mariana refilou mas o Martim não respondeu, até porque assim que
entramos vimos logo a minha mãe que por se encontrar de costas para a porta foi
surpreendida pelo chamamento do Martim
- Vó Bela! - o menino correu até ela abraçando-a pela cintura
- Avó?! Oh Anabela sinceramente nunca pensei que
fosse deixar que a loucura do seu filho a atingisse... realmente ao que isto
chegou - se respirei fundo quando ouvi a voz da
Soraia, a Mariana só não lhe respondeu “à letra” porque a minha mãe
antecipou-se.
- Soraia ao que chamas de “loucura do meu filho”
eu chamo felicidade plena e verdadeira, sim o Martim chama-me de avó e se
queres saber tenho muito orgulho em o poder chamar de neto, pode não ser sangue
do meu sangue mas isso não diminui em nada o amor que sinto por este menino,
por isso não te admito certos tipos de comentários.
- Realmente... deves estar satisfeita - falou agora para a Mariana - afinal conseguiste não só enfeitiçar o
Ruben mas também o resto da família...
- Enfeitiçar?! Eu?! Engraçado aqui a bruxa não
sou eu... até porque a ser alguma coisa serei a gata borralheira que virou
princesa e salvou o príncipe das garras da aprendiz a bruxa... - tive que controlar-me para não gargalhar
perante a resposta da Mariana - Soraia
vou ser ainda mais direta para o caso de não teres entendido a mensagem...
desiste de tentar destruir algo que é verdadeiro e forte, quanto ao Martim
chamar avó à Anabela, o Ruben de pai, o Mauro de tio, a Madalena de tia, o
Rafael de primo,.., não é assunto que te diga respeito.
- Ui... que a empregada já tem mania que é dona
disto tudo...
- Não tenhas dúvida que parte disto também é da
Mariana - respondi serenamente - afinal é a minha mulher e o que é meu é
dela, no entanto se há algo que a Mariana não tem é mania... Soraia não a
confundas contigo porque são como a noite para o dia... Percebe de uma vez que
amo a Mariana, que é com ela que casei e quem quero para mãe dos meus filhos
biológicos porque pai já sou... sou pai de um menino especial que ensinou-me
muito, que fez-me crescer e que me ama.
Conforme respondi
também a vi a sair, lógico retroquiu que ainda me vou arrepender mas não liguei.
- Mãe quer vir almoçar connosco? - não perdi mais tempo e disse o motivo que nos
levou até ao SPA, a minha mãe aceitou e depressa rumamos ao restaurante, foi
depois de efetuarmos o pedido que a minha mãe começou com as perguntas.
- Conseguiram tratar de tudo? Vieram de vez? - olhei para a Mariana por saber que o regresso
a Lisboa é um assunto delicado no entanto foi o meu amor que respondeu
serenamente.
- Sim... está tudo tratado, agora só regressamos
a Braga para visitar os amiguinhos do Martim - o puto sorriu ao ouvir a irmã.
- Então e vais continuar a ser a ama do Nuninho?
- Onde é que a mãe está a querer chegar com esta
conversa? - perguntei porque não estava a gostar
do rumo da conversa.
- Curiosidade... só isso.
- Sim vou continuar a ser a ama do Nuninho e
também da Carolina mas nestas primeiras semanas vou dedicar-me ao meu irmão,
tenho que tratar da inscrição dele na escola e também quero aproveitar algum
tempo com ele.
A conversa
continuou sempre em torno do nosso regresso e no fim do almoço fomos
surpreendidos pelo pedido do Martim, o puto quis passar a tarde com a minha
mãe, algo que deixamos já que a cota adorou a ideia e assim também nos
libertava algum tempo para orientarmos as cenas em casa.
As horas
seguintes foram para meter alguma ordem no meu apartamento, pelo menos
conseguimos arrumar as poucas coisas que trouxemos, dado que o resto chega
amanhã.
- Amor... Mariana... - chamei-a enquanto a procurava pelo apartamento
- o que achas da ideia do Martim ficar
pela casa da minha mãe?
- Porquê? - gargalhei perante a cara que vez
- Oh... já que o puto quis ficar com a avó...
podia ficar a dormir na casa dela e assim tínhamos um tempinho só para nós... - falei ao agarrá-la pela cintura e a beijar o
seu pescoço
- Pára! - afastou-se - hoje não me apetece! - olhei-a - Ruben estou cansada - justificou-se - desculpa...
Não consegui
dizer nada porque a Mariana fechou-se na casa de banho e uns minutos depois
ouvi a água a correr, preferi não insistir e por isso fui tratar de encomendar
o jantar, uma vez que não me apeteceu cozinhar.
Mariana
Sei que não fui
meiga quando o Ruben veio cheio de segunda intenções mas a verdade é que o
cansaço aliado à sensação de que algo de mau está para acontecer não me deixou
aproveitar a ideia do Ruben, pelo menos não toda, porque a parte do menino
ficar na casa da Anabela até agradou, por isso depois do duche liguei à mãe do
Ruben e pedi-lhe que o Martim ficasse lá, algo que agradou tanto a “avó” como o
“neto”.
- Espero que te apeteça... - o Ruben falou assim que entrei na sala e a
apontar para a mesa, onde estava o nosso jantar.
- Sushi?!
- Não queres?
- Quero... só achei piada à escolha... não me
digas que escolheste sushi porque sabes que passei a adorar desde que me
fizeste comer... - o Ruben sorriu
quando mencionei o nosso primeiro jantar, ainda quando éramos só “amigos”
- Sabes que com o humor que estás preferi jogar
pelo seguro...
- Desculpa... não reagi bem mas estou mesmo
cansada.
- Então vamos jantar para depois irmos buscar o
menino
- O Martim fica na casa da tua mãe... mas não
tenhas muitas ideias...
- Tudo bem...
Jantamos e no fim
ficamos pela sala a ver um filme e a namorar mas acabamos por ir dormir.
***
Uma semana passou
e a nossa rotina já estava normalizada, o Martim já estava matriculado na
escola e consegui arrumar tudo o que trouxemos de Braga. O Ruben aproveitou
estes últimos dias antes de regressar ao trabalho para estar com o Martim e
comigo.
Hoje acordei com
o Ruben a despachar-se para sair e por isso levantei-me para lhe fazer
companhia ao pequeno-almoço.
- Nervoso?!
- Não...
- Engana-me que eu gosto... - o Ruben olhou-me
- Não estou nervoso... só ansioso afinal é o
regresso ao Seixal depois de ano e meio de ausência...
- O que tens é cagufa do treinador - brinquei com o Ruben - a sério... amor só tens de fazer o que sabes... jogar e de preferência
calado para não perderes a razão.
- Obrigadinha...
- Sempre às ordens... Amor só tens de saber
esperar pela tua oportunidade, não percebo muito de futebol mas duvido que o
treinador te vá meter já a jogar... vais ter que provar que tens a cabeça a
100% no Benfica para depois teres a tua oportunidade...
- Sim... tens razão!
A conversa
continuou até o Ruben sair, passei a manhã em casa mas de tarde fui passear um
pouco com o meu irmão e quando cheguei a casa já tinha o Ruben à nossa espera.
- Como correu? - o Martim perguntou ao sentar-se no colo do Ruben, o que o fez
sorrir
- Correu bem... - o Ruben lá nos relatou o que foi o dia e no final fomos até à casa
da Anabela, uma vez que fomos convidados a jantar, isto porque a minha sogra
queria saber como tinha sido o regresso do filho ao trabalho.
Quem lá estava,
também, foi o Mauro, a Madalena e o meu afilhado algo que aproveitei para
brincar um pouco com ele depois do jantar, o que fez a Anabela comentar que está
desejosa de ser novamente avó mas o Ruben não lhe deu muita saída e acabou
mesmo por desviar o assunto, talvez por saber que o fato de ainda não ter
engravidado anda a mexer comigo.
***
Os dias seguintes
foram mais do mesmo, com o Ruben a sair para os treinos e comigo a aproveitar
os dias para ir à praia com o meu irmão, bem como com os meninos da instituição
onde cresci, ultimamente os meus dias têm sido ocupados também com aqueles que
de uma certa forma fazem também parte da minha família.
- Oi amor - beijei o Ruben depois de sentar-me ao seu lado - como correu o treino?
- Bem...
- Então porquê que tenho a impressão que esse
“bem” foi um bocado forçado?!
- Ohh estou só cansado - sorriu - é
normal que agora no início puxem mais por nós para recuperarmos o quanto antes
a forma física, daí ser mais cansativo - esclareceu
- Hum... ok - voltei a beijá-lo.
- O Martim? - sorri com a pergunta.
- Ficou na instituição, está a decorrer umas
atividades para os miúdos e o meu irmão quis ficar lá... por isso temos a noite
toda por nossa conta - falei animada,
estava mesmo a apetecer fazer algo diferente.
- Ui... o que tens em mente?
- Pensei que podíamos ir ao cinema e jantar fora,
isto se ainda te restar energias...
- Sim... podemos ir - sorriu-me.
- Então vou tomar um duche rápido para retirar a
areia - sorri de forma traçada - sim que há quem esteja de férias -
deitei-lhe a língua de fora que nem autêntica criança e como resposta tive um
“ataque” de cócegas que só terminou connosco no chão, isto depois de ter caído
do sofá a tentar fugir dele, o certo é que serviu para rirmos que nem dois
maluquinhos.
O Ruben acabou
mesmo por se juntar a mim e o que supostamente seria um duche rápido tornou-se
em algo demorado, foi de tal ordem que o cinema houve mas foi em casa, isto
porque depois do duche demorado não resistimos e acabamos na cama a amar-nos.
Já não saímos de
casa mas aproveitamos a noite de outra forma, namoramos bastante e por fim
adormecemos serenos.
***
O mês de Julho chegou
e com ele veio as semanas em que o Benfica teve fora de Portugal em estágio,
falei com o Ruben todos os dias mas para o fim as saudades já eram mais que
muitas, a verdade é que já não estou habituada a partilhar o meu dia-a-dia só
com o meu piolho, no entanto tentei sempre disfarçar para que o Ruben não se
sentisse mal com isso.
Mas estas semanas
não serviram só para sentir a falta do Ruben, serviu também para pensar e
orientar a minha vida, não quero continuar a fazer a vida que levo, que
basicamente tem sido a aproveitar os dias para estar na praia ou então na
instituição. Falei com a Patrícia e como a licença de maternidade dela ainda
vai durar mais uns meses neste momento os meus serviços de ama são
dispensáveis, por isso decidi inscrever-me como voluntária na Fundação Benfica,
fiquei a conhecer o projeto por mero acaso mas gostei e por isso decidi dar um
pouco de mim a quem precisa.
Quem adorou foi o
Martim que aproveitou para fazer novos amigos, isto porque em dias de
atividades levei sempre o meu irmão comigo.
***
Ruben
O
regresso ao Benfica não foi tão pacífico quanto deixei transparecer para a
Mariana, a verdade é que deixei de conseguir sentir-me “em casa”, talvez porque
e apesar de não querer tinha bem presente o que foram os meus últimos meses no
clube antes de rumar a Braga, é verdade que fui muito feliz no Benfica mas é
igualmente verdade que passei tempos complicados, primeiro com a lesão e depois
com tudo o que se passou, já para não falar que a relação com o treinador é a
mínima e indispensável, resumindo ele manda eu faço, sem abrir a boca para
dizer um ai que seja muito menos para ter as típicas brincadeiras com os meus
colegas, afinal estou no clube para trabalhar. Quem já por diversas vezes
questionou a minha atitude foi o Rui que continua sempre que pode a assistir
aos treinos mas nunca dei muita conversa.
Se
nas primeiras semanas já estava complicado, com o início do estágio piorou,
afinal senti falta do meu piolho, o Martim no seu jeito de criança conseguia
sempre animar-me quando chegava a casa e por muito que falasse com ele todas as
noites pelo Skype não era a mesma coisa.
Tenho
consciência que a cada dia que passa torna-se mais complicado esconder a
realidade da Mariana, já por diversas vezes questionou se estou bem mas tento
desviar sempre o assunto, o que até agora tenho conseguido.
Estava
na sala de convívio a falar pelo Skype com o Martim enquanto os meus colegas
jogavam PES quando o Rui se aproximou, passou por mim e sorriu ao perceber com
quem estava a falar, não liguei nenhuma e continuei o que estava a fazer, que
ainda durou uns bons minutos mas assim que terminei ouvi-o.
- Pelo menos ainda há alguém que te
mete a sorrir –
olhei-o – sim que durante o dia parece
que estás no enterro de alguém!
- Rui não comeces!
- Sinceramente não pareces muito
satisfeito por fazeres parte deste grupo – suspirei.
- Não é uma questão de estar ou não
satisfeito e muito menos estamos no local indicado para falar do que quer que
seja.
- Não seja por isso – levantou-se – acompanha-me – acabei por segui-lo,
afinal conheço-o e sei que não desistiria facilmente – agora que estamos só os dois, diz lá o que se passa.
- Rui, são coisas minhas...
- Até podem ser coisas tuas mas está
a interferir no nosso dia-a-dia
– olhei-o incrédulo – e não faças essa
cara que sabes bem que tenho razão, onde anda aquele rapaz bem-disposto que a
maioria conhece? Onde está o Ruben que sempre que tinha uma bola nos pés mais
parecia um puto?
- Esse puto cresceu... sabes que nós
humanos, felizmente, temos a capacidade de evoluir e de aprender com os erros,
como tal aprendi com tudo o que passei, hoje quando entro nos portões do CFC,
no estádio da Luz ou em qualquer outro local ligado com a minha atividade
profissional, sou isso mesmo um profissional que se apresenta para cumprir com
as suas obrigações enquanto empregado, tanto quanto sei não me pagam para andar
a rir ou para dizer uns quantos disparates, pagam-me para treinar e dar o
máximo para que no final de cada jogo tenhamos o resultados que todos
procuramos, é isso que faço e espero que respeitem esta minha nova forma de
encarrar o trabalho.
- Sinceramente queres estar aqui? – olhei-o
- Quero estar onde possa exercer a
minha profissão, por isso tanto estou no Sport Lisboa e Benfica como estou no
Sporting Clube de Braga ou noutro clube qualquer, será assim tão difícil
entenderes que só quero trabalhar em paz e sossego? Estou aqui para ouvir e
aceitar as ordens de quem nos comanda e garanto que será a única coisa que farei.
- Mas se estás contrariado... – não o deixei concluir o
raciocínio.
- Não estou contrariado! Rui não sou
obrigado a andar a rir o tempo todo, caramba será que é assim tão complicado
entenderes que o Ruben que saiu há ano e meio do Benfica não é mais o que tens
à tua frente? Simplesmente cresci com tudo o que aconteceu, com a lesão, com
toda a situação que me levou para o Braga mas principalmente amadureci,
tornei-me mais responsável e se queres saber ao longo deste ano e meio aprendi
a ver a vida de uma outra forma, até digo mais quando paro e faço um balanço do
que foi os últimos meses, agradeço ter sido, talvez, irresponsável ou imaturo,
chama-lhe o que quiseres, mas a verdade é que se não tivesse rumado a Braga
hoje continuava o mesmo miúdo mimado armado em gente crescida que achava que a
vida era para ser vivida como se o mundo acabasse no dia seguinte, hoje dou
valor a pequenas coisas como chegar a casa e ser recebido de braços abertos
pelo meu piolho ou ter alguém do meu lado a apoiar-me, hoje tenho algo pelo
qual lutar e que fez com que tenha aprendido a ser mais responsável.
- Se surgisse uma oportunidade para
saíres do Benfica aceitavas?
- Depende... se fosse uma
oportunidade melhor e se a minha família concordasse não teria qualquer
problema em sair do Benfica, aliás nem pensaria duas vezes, até porque não
consigo ser hipócrita ao ponto de dizer que ficaria quando hoje em dia vejo o
Benfica só como o clube com quem tenho contrato profissional, isto de ser o
clube do coração é muito bonito mas não é isso que paga as contas, serei sempre
Benfiquista mas acima de tudo sou pai de família e antes do benfiquismo vem sem
dúvida nenhuma o Martim e a Mariana, são eles que me dão força para continuar e
por eles farei qualquer coisa.
- Não estás mesmo satisfeito, pois
não?
- Se perguntares se estou satisfeito
por no final do mês continuar a receber o meu vencimento, sim estou, agora se
perguntares se estou satisfeito com o fato de treinar como os meus colegas e
ainda não ter jogado um único minuto num jogo de preparação, não estou mas
ainda assim o Benfica continua a pagar-me por isso não posso reclamar, como
falei estou cá para cumprir as ordens da equipa técnica e será isso que farei,
até porque garanto-te que se a ideia é levarem-me novamente ao limite, garanto
que não vão conseguir, hoje tenho algo porque lutar e que faz valer todo o
esforço de como se diz “comer e calar”, tenho mais um ano de contrato e irei
cumprir com todos os meus deveres mas daqui a uns meses estarei livre para
decidir a minha vida, até posso ir para pior mas o meu profissionalismo nunca
mais será colocado em causa.
Com
a minha resposta o Rui deixou de insistir no assunto talvez por não esperar ouvir
tal coisa mas simplesmente falei o que sinto.
Os
dias seguintes foi mais do mesmo, treinar e ficar no banco a ver os outros
jogar, o que me salva do tédio em que tenho andado é os momentos em que posso
“isolar-me” no meu mundo e falar com a minha família e amigos próximos.
Hoje
temos o último jogo antes de regressarmos a Portugal, acordei tal como em todos
os outros dias, convicto que não jogaria mas o mister surpreendeu-nos a todos
ao colocar-me no onze inicial, ao contrário dos meus colegas joguei os 90
minutos e no final quando já estava no balneário o treinador perguntou-me algo
que deixou-me a olhá-lo.
- Como te sentes? Afinal jogaste 90
minutos... – por
momentos pensei que estivesse a gozar comigo mas resolvi não dar importância.
- Sinto-me bem – respondi calmamente – até porque não é a primeira vez que jogo 90
minutos!
O
mister não disse mais nada, simplesmente virou costas e seguiu caminho, os meus
colegas que estavam mais próximos ficaram a olhar que tal como eu também não
perceberam a atitude do treinador mas ignoramos todos esse fato até porque o
que mais queríamos era regressar a Lisboa.
Será que o Ruben
conseguirá manter esta postura?
E o que encontrará ele
no regresso a Lisboa?
Fantástico...
ResponderEliminarQuero mais... Tou super curiosa para ver o próximo...
Continua...
ai que saudades que tinha de ler esta fic!!!! entao as maravilhosas tipicas respostas da Mariana, nem se fala!! muitooooo booooom!!!! este capitulo está optimo só me soube foi a pouco porque eu queria ler mais! agora....eu estou a achar estranho esta atitude do ruben perante o Benfica, hum...parece-me que tem coisa aí, e isto nao vai acabar assim, parece-me!! mas claro para tirar as duvidas querooo o proximo, sim porque vou ficar à espera sim??
ResponderEliminaraguardo noticias tuas, muito ansiosa!! :)
beijinhos!
Tal como te prometi ontem, já li o capitulo e cá está o meu comentário.
ResponderEliminarEsta Soraia é mesmo intragável, mas adorei a resposta da Mariana, como sempre foi curta e grossa, mas mesmo assim ainda lhe explicou melhor para o caso da outra não ter percebido.
A Mariana anda novamente com os pressentimentos dela, será em relação ao Martim ou ao Rúben? Sim, porque o Rúben faz-se de valente mas ainda não contou à Mariana como lhe andam a correr os treinos. Realmente é o trabalho dele, mas no trabalho também podemos mostrar boa disposição, isso não é crime nenhum, e o Rui topou isso, o Ruben foi muito formal na resposta que lhe deu, se calhar até formal demais, porque a conversa de "é a minha profissão, estou aqui para trabalhar, não tenho que andar a rir", só mostra que ele anda contrariado, o que é mau, e agora esta pergunta do JJ? Cá pra mim o facto dele ter jogado tem dedinho do Rui.
Adorei, como sempre, e quero o próximo, por isso bandeia-te.
Beijocas
Fernanda
Já tinha saudade de um capitulo, esta fantastico, continua...
ResponderEliminarFico a espera do proximo e espero que seja breve.
Beijos
ML
Que saudades destes dois!!!
ResponderEliminarQuero maaaaaiiiiiis!!! ;)
Olá.
ResponderEliminarJá tinha curiosidade para saber o seguimento desta fic.
Este Martim e esta Mariana são sem dúvida únicos.
E concordo com um dos comentários acima, esta atitude do Ruben é estranha.
Mas também não percebi a atitude do treinador.
Beijinhos
Daniela^^
Opá este Jesus é mesmo... estranho?? Parvo?
ResponderEliminarVamos ao próximo! :P
Beijinhos