quinta-feira, 27 de junho de 2013

068 - "...tinha mandado o teu empresário à merda com dois pauzinhos..."

Sei que provavelmente ando a ser chata com a questão dos comentários ou com as perguntas que tenho deixado nos grupos no face mas é importante que comentem, só assim saberei se estão a ler, tenho andado com necessidade de escrever porque a escrita para mim é como terapia, é onde liberto-me e deixo muitas vezes transparecer o meu estado de espírito e animo, onde descarrego as frustrações, ainda assim só voltarei a postar se sentir que valerá a pena, que estão a seguir a história... entendo que muitas de vocês andam em exames mas se puderem perder uns minutos e comentarem o que acabaram de ler, agradecia...
Espero que não levem a mal o desabafo mas julgo que para quem escreve seja compreensível o meu pedido...
Beijinhos :)

***
Ruben
Não foi só a mim que a boca do Luisão despertou curiosidade, afinal o pessoal percebeu que seria para algum de nós e por isso quiseram saber, acabei por denunciar-me ao perguntar como é que ele sabia.
- Ah cê ainda não viu, foi?
- Não vi o quê?!
- A Brenda quando saí de casa tava a comentar que cê foi notícia... – arrepiei-me ao ouvi-lo
Ainda tentei saber o que dizia mas o Luisão não soube esclarecer-me e por isso assim que o treino terminou despachei-me o mais rápido possível para ir ter com a Mariana. Cheguei ao SPA e dei de caras com o meu irmão que vinha a chegar também.
- Olha quem é vivo sempre aparece! – reclamou afinal já não estava com ele há uns dias
- Sabes da Mariana?
- Bom dia! Puto onde está a educação que a mãe te deu...
- Desculpa! – suspirei – mas sabes da Mariana? Preciso falar com ela...
- Há problema?!
- Não sei... – suspirei – o fim de semana em Faro deu que falar – respondi já a entrar no SPA e assim que o fiz vi a Mariana que sorriu-me, aproximando-se de imediato.
- Por aqui?! – sorriu
- Preciso falar contigo...
- Se é por causa da revista já vens tarde! – olhei-a numa tentativa de perceber se estava chateada – Já vi, já li e já tive que ouvir comentários sobre o assunto quando fui ao café!
- O que é que falam? – perguntei afinal ainda não tinha lido nada
- Não viste?
- Não... sei que saiu qualquer coisa porque o Luisão comentou mas não vi nem li nada.
- Resumindo andaste a ser observado durante alguns dias – olhei-a abismado, nunca dei por isso – há fotos tuas com o Martim tanto a sair da instituição, como no dia que foi contigo para o treino e para culminar tem fotos nossas na praia, umas aparecemos só os dois e noutras apareces com o Martim – percebi que a Mariana não gostou do que viu mas antes que lhe perguntasse o conteúdo do texto ela falou – toma... lê! – deu-me a revista e assim que a abrir também o Mauro se aproximou para ler.
Ruben Amorim, jogador do Sport Lisboa e Benfica que após sair do clube por empréstimo de ano e meio encontrou a sua cara-metade, com quem casou em segredo antes de regressar a Lisboa tem preferido a companhia do irmão da sua esposa à dos colegas de equipa, segundo amigos próximos do jogador, este tem vivido em função do menino de oito anos, é frequente ser o Ruben a deixá-lo na instituição onde a sua esposa cresceu e a ir busca-lo nos intervalos dos treinos de pré-época, desta forma passa o seu tempo a cuidar do seu filho, forma carinhosa como o próprio Ruben trata o menino, enquanto a mulher trabalha no SPA da família Amorim.
Mas se dúvidas houvesse sobre a felicidade do casal, estas teriam sido dissipadas no último fim de semana, uma vez que aproveitaram a folga que o plantel do Benfica teve para rumarem até ao Algarve, onde partilharam momentos com amigos e ainda aproveitaram para não só namorarem como brincarem com o menino. É evidente a cumplicidade que o jogador tem com a criança como comprovam as fotografias.
No entanto nem tudo corre bem, segundo o que apuramos, o jogador não está satisfeito com o seu regresso à Luz e só ainda não saiu porque pretende dar estabilidade à sua família, como tal quer ficar em Lisboa e cumprir o contrato até ao fim.
- Juro que não entendo o que esta gente ganha com isto! – a Mariana atirou chateada – ainda por cima insinuam que só não sais do Benfica por nossa causa.
- Mariana... – aproximei-me dela – ambos sabemos que não é verdade e para mim só isso interessa! Além disso esta não fica assim!
- O que vais fazer?
- Tenho de falar com o advogado mas vou processar a revista, não é tanto pelo que escreveram mas sim pelas fotografias, não tinha o direito de usarem fotos nossas muito menos do Martim, é só uma criança e tem de ser protegida! – estava mesmo lixado por terem exposto desta forma o menino, ainda para mais sabendo o risco que corremos de um momento para o outro a mãe dele aparecer.
- Isso não é pior? Vamos dar mais motivos para falarem...
- Se não fizer nada isto nunca mais acaba, além disso nunca permiti que se metessem assim na minha vida!
A Mariana ainda tentou demover-me talvez porque tinha receio que fosse piorar toda a situação mas ainda assim falei com o advogado e avancei com o processo contra a revista.
***
Hoje é o jogo de apresentação e confesso que estou ansioso por voltar a pisar o relvado da luz como jogador do Benfica e não do clube adversário, bem como para saber a reação dos adeptos ao meu regresso. As horas passaram e o momento chegou, quando anunciaram o meu nome houve dois tipos de reações por parte do público, uns aplaudiram e outros assobiaram, no entanto abstrai-me disso principalmente durante o intervalo em fiquei a aquecer.
Estive vários minutos a aquecer e para o fim foi impossível não evitar um pensamento, que mais uma vez iria aquecer para entrar a 5 minutos do fim, mas isso não aconteceu, joguei a 2ª parte praticamente toda, fiz o que me competia o melhor que consegui e no fim regressei ao balneário com a sensação de missão comprida, só queria despachar-me o quanto antes pois sabia que tinha a minha família à espera, algo que não passou despercebido a alguns dos meus colegas que já me conheciam há mais tempo.
- Ué... o que fizeram com cê lá em Braga?! – olhei para o Luisão sem entender – isto de ser o primeiro é novidade!
- Não foi Braga... – o Lima meteu-se na conversa – Ou pelo menos não foi nos meses em que partilhamos o balneário...
- Tão engraçadinhos que eles estão! – ripostei para sair logo depois.
Cheguei à zona onde as nossas famílias e amigos nos esperam mas só encontrei o Martim que assim que me viu veio logo ter comigo.
- Estás sozinho?
- Não... a mana foi à casa de banho.
- Hum... e a minha mãe e o Mauro não vieram?
- Já foram embora.
Fui falar a algumas das raparigas e passado pouco tempo já tinha a Mariana comigo, depressa fomos embora até porque ao contrário do que era hábito, pelo menos antes de ter ido para o Braga, os adeptos não pediram para parar, algo que sinceramente não incomodou tanto quanto pudesse imaginar, talvez porque o que mais queria era chegar a casa.
***
Mariana
Desde o nosso regresso a Lisboa que os meus dias não têm sido nada fáceis, em grande parte por culpa minha, uma vez que ando stressada com tudo e mais alguma coisa, já não basta saber que tenho por perto o responsável por ter crescido sem pai, ainda tenho um receio enorme de cruzar-me com a minha mãe e para terminar o fato de ainda não ter engravidado, mas de todas as razões para andar mais em baixo, é mesmo a última que está a mexer mais comigo, tanto que o Ruben tem sofrido com as minhas constantes mudanças de humor mas mesmo assim mantém-se do meu lado, o que por vezes faz-me sentir mal, afinal não lhe ando a dar o devido valor.
Se já há uns dias que penso no assunto, hoje então nem se fala, acordei sozinha mas ao olhar para o meu lado direito, lugar normalmente ocupado pelo Ruben na nossa cama, encontrei um pequeno bilhete escrito pelo meu amor.
Faz hoje precisamente um ano que acordei sem imaginar que o dia se iria tornar especial... amo-te
Ruben
Se num primeiro instante não percebi o que queria com aquilo, depois de reler algumas vezes, fez-se luz na minha cabeça e acabei por rir sozinha, só mesmo aquele doido para se lembrar de algo tão banal...
Ainda fiquei na cama uns minutos mas acabei por levantar-me na esperança de ainda o encontrar em casa, uma vez que hoje há jogo para o campeonato nacional, no entanto o Ruben já tinha saído.
Estava a preparar o pequeno-almoço para depois acordar o meu irmão quando tocaram à campainha, fui ver quem seria e deparei-me com um estafeta, que tinha um ramo lindo para entregar naquela morada.
A vida é feita de momentos, todos eles especiais, no entanto uns mais que outros e o que vivi há um ano será eternamente especial... amo-te
Ruben
Gargalhei sozinha ao constatar que o Ruben é louco, sim porque só um louco é que se daria a tanto trabalho para assinalar o dia de hoje, quando na verdade nem é data nenhuma assim tão importante. Estava a olhar para as flores quando o Martim entra na sala.
- Bom dia – dei-lhe um beijinho
- Porquê que o Ruben deu flores à mana? – sorri com a pergunta do meu pequenino
- E quem disse que foi o Ruben?
- Oh – encolheu os ombros – para tares a olhar com cara de parva para as flores, só pode ser dele – fiquei literalmente especada a olhar para o meu irmão, perante o seu atrevimento em chamar-me de parva – oh mana é verdade tu ficas sempre assim totó quando o Ruben fala “amo-te” ou quando te dá presentes ou ainda quando fica só a olhar para ti... eu sou pequeno mas não sou cego – gargalhei
- É… e além de não seres chego, ainda és muito espertinho, né?
- Oh mana não se diz né! – falou com o nariz empinado o que resultou numa bela gargalhada dada por mim – sabes gosto de ver a mana assim contente.
- É agora dá graxa…
- Não é graxa, é verdade.
Não lhe respondi mas disse-lhe para irmos comer, algo que o menino fez sem contestar e no final decidi dar um passeio com o meu pequenino, foi quando estávamos no parque que vi o Paulo acompanhado pela sua esposa e filha, ainda pensei fingir que não os tinha visto mas para mal dos meus pecados o Martim viu-os e ao reconhecê-los acenou.
- Bom dia – respondi depois do Paulo e da Filipa cumprimentarem-me
- Mana posso ir brincar com a menina? – foi o Martim que quebrou o gelo que se formou a seguir ao “bom dia!
- Amor a mana está com pressa – tentei esquivar-me
- Mas tu falaste que podia brincar um bocadinho no parque…
- Ok… mas é só um pouco!
Conforme respondi também vi o meu piolho a correr até aos baloiços, fiquei a observá-lo, já que falar não me apetecia e muito menos tinha tema de conversa.
Estava sentada no meu canto a mexer no telemóvel quando ouvi a voz do Paulo.
- E com o Ruben está tudo bem? – olhei-o, não porque queria mas sim por educação
- Sim – fui curta na resposta com a intenção de não prolongar a conversa mas não tive essa sorte
- Já está mais conformado em ter que ficar no Benfica?
- Desculpe a frontalidade mas como empresário dele não seria mais proveitoso se falasse directamente com o Ruben? – a Filipa sorriu.
- É sempre assim tão incisiva?
- Sou!
- Gosto dessa frontalidade – olhei-o com vontade de o mandar passear, acho que só não o fiz porque a sua esposa meteu-se na conversa
- Porque será… nesse aspeto são idênticos – arrepiei-me assim que a ouvi, tanto que o Paulo notou
- Está bem? Com o calor que faz, está toda arrepiada…
- Sim, estou!
- De certeza? Não parece lá com muita boa cara… - voltou a insistir
- Já disse que sim! Será que não percebeu à primeira? Talvez seja mesmo esse o seu problema!
- O que querer dizer com isso?
- Nada! Esqueça!
- Não esqueço nada – olhou-me diretamente nos meus olhos – já não é a primeira vez que sinto que tem algo contra a minha pessoa – respirei profundamente ainda que de forma discreta para que não percebessem – só não percebo o quê, dado que nunca lhe fiz nada de mal! – senti uma revolta tremenda e só não respondi porque felizmente o meu telemóvel tocou, ao ver que era o Ruben um sorriso enorme surgiu no meu rosto, afastei-me de imediato para falar com o meu amor e quando terminei a chamada avisei o Martim que tínhamos de ir embora.
O resto da manhã foi passada na companhia da família do Ruben, a Anabela resolveu que o almoço de sábado seria em família e não tive como recusar, o que acabou por servir para distrair-me e esquecer o encontro com o Paulo.
As horas passaram e o momento de ir até ao estádio ver o jogo do Ruben chegou, mais uma vez o meu amor viu o jogo do banco, aliás desde que a época começou o Ruben só saltou do banco para aquecer, à excepção do dia da apresentação aos sócios que jogou durante a segunda parte. Por isso mesmo já contava que chegasse junto de mim com um humor daqueles impróprios mas isso não aconteceu, o Ruben vinha muito bem-disposto, algo que os colegas perceberam e por isso não perderam tempo em mandar algumas piada.
- Ninguém vos percebe… se estou na minha é porque devia andar por aí a parvar, se estou feliz é porque devia estar sossegado…
- Desculpa lá mas hoje estás demais! – sorri ao ouvir o Nuno – E já agora qual é mesmo o motivo para estares tão bem disposto?
- Olha-me este… não queres mais nada? E depois ficavas a saber tanto quanto nós – quando falou o “nós” o Ruben puxou-me para si, aproveitando para dar-me um beijo nada discreto mas que aproveitei para saciar algumas saudades que já sentia dele.
- Hey… larga o osso! – ouvi uma voz estranha e por isso olhei, não reconheci a rapariga mas o mesmo já não posso dizer do Ruben
- Princesa – o Ruben falou enquanto se aproximava dela, abraçando-a e dando-lhe dois beijinhos, algo que confesso que não gostei – à quanto tempo…
- É que nem comeces… sim porque se não nos vimos antes a culpa não foi só minha – o Ruben sorriu, aquela cumplicidade toda estava a irritar-me mas pelos vistos irritou ainda mais o Martim
- Pai! – o tom com que o Martim chamou o Ruben não passou despercebido a ninguém.
- Que foi? – o Ruben respondeu-lhe
- Tás a ser mau! Tu tás agarrado a outra e a chamar de princesa e prometeste que não fazias a mana ficar triste – a rapariga sorriu perante a resposta do meu irmão, já o Ruben olhou-me e assim que o fez desviei de imediato o olhar do dele.
- Oh Martim tem lá calma! – o Ruben aproximou-se do meu irmão – a Marisa é só uma grande amiga minha…
- Se fosse só isso eu já conhecia ela – o Ruben sorriu, apesar de estar aborrecida com toda a situação não consegui estar muito tempo sem olhar para ele.
- Só não conheces porque a Marisa não vive em Portugal…
- Não quero saber! Foste mau para a mana e isso já não podes mudar! – o Ruben olhou-o percebi que estava à procura da melhor forma para se desculpar.
- Oh Martim já sou tua fã – a rapariga aproximou-se – olha que não é qualquer pessoa que consegue deixar o Ruben sem palavras… mas assim mesmo é que é… tens de o meter na linha que este é rapaz para de vez em quando precisar levar uns açoites.
- Marisa! – o Ruben falou – pára com as brincadeiras que o Martim não está a achar piada nenhuma – a rapariga olhou para o meu amor – lindo desculpa se fiz alguma coisa que não gostaste mas estava só a falar com uma amiga, a tua mana também tem os amigos dela… - o meu piolho interrompeu-o
- Pois mas tu também não gostas que ela olhe para os outros rapazes que eu sei… eu bem vejo a cara que fazes quando a apanhas a olhar para os outros! – com esta saída do Martim foi impossível o pessoal não gargalhar todo, incluindo eu, acho que só mesmo o Ruben é que não achou piada e antes que a conversa descambasse de vez, aproximei-me do meu amor e pedi ao Martim que parasse, porque não tinha ficado chateada, não menti porque a verdade é que não fiquei mesmo chateada mas sim incomodada perante a situação de ver o Ruben abraçado a alguém que não conhecia mas que pelos vistos é grande amiga dele.
O Ruben aproveitou para apresentar-me à Marisa, troquei meia dúzias de palavras com a rapariga mas acabei mesmo por pedir ao Ruben para nos irmos embora, algo que o meu amor concordou sem barafustar, no entanto “despachou” o meu irmão, sim que o Martim foi “obrigado” a ir com o Mauro, algo que só concordou depois do Ruben lhe segredar qualquer coisa ao ouvido.
- Posso saber o motivo do Martim não vir connosco? – perguntei aborrecida
- Talvez porque temos algo a comemorar… - o Ruben respondeu antes de parar para dar alguns autógrafos.
Senti que estava a ser observada pelas miúdas mas resolvi não dar importância, até porque não estava propriamente nos meus melhores dias. O Ruben lá se despachou e seguimos viagem, no entanto não foi para casa como julgava, o meu amor desviou caminho e fomos jantar os dois.

Ruben
Acordei de sorriso no rosto, afinal faz hoje precisamente um ano que a Mariana cedeu e nos beijamos pela primeira vez, pode parecer estúpido mas para mim será um dia que nunca irei esquecer, talvez por ter esperado meses por esse momento, por isso mesmo decidi demonstrar à Mariana que não me tinha esquecido, comecei por lhe deixar um bilhete e depois tratei da questão das flores antes de chegar ao CFC.
Passei o dia todo desejoso que as horas passassem e quando finalmente a vi, meti o pé na poça quando ao ver a Marisa não resisti em “recebe-la” de forma mais calorosa, se a Mariana não abriu a boca para refilar, já o mesmo não posso dizer do Martim, que fez questão de avisar-me que não gostou do que viu, mas depois de lhe explicar lá se acalmou.
Se o Martim acalmou e até percebeu o motivo pelo qual pedi para ir com o Mauro para casa, o mesmo não posso dizer da Mariana, apesar de não ter admitido que não gostou do que viu também não fez questão de disfarçar, percebi que teria ali uma pedra no sapato que teria que retirar, ainda assim não alterei os planos que tinha feito para a nossa noite e quando saí do estádio não fui direto para casa, levei-a a jantar mas foi o mesmo que não o tivesse feito, afinal a Mariana estava presente só em corpo.
- Desculpa! – acabei por pedir perdão por pensar que estava aborrecida comigo pela situação com a Marisa – provavelmente estás chateada por ter recebido daquela forma a Marisa mas… - a Mariana interrompeu-me
- Conheces-me muito mal se pensas que fiquei assim por causa disso! – atirou aborrecida
- Mau… o que é que se passa? – a Mariana respirou fundo – amor estás a assustar-me
- Se queres mesmo saber, hoje se não fosse o teu telefonema de manhã tinha mandado o teu empresário à merda com dois pauzinhos – gargalhei ao ouvir a expressão que usou mas nem isso fez com que parasse de falar – achas normal aquele filho da outra senhora que não deve ter culpa nenhuma do estupor que pariu tenha perguntado o que tenho contra ele? É que é preciso descaramento!
- Tem calma – coloquei a minha mão por cima da sua
- Calma?! Como queres que tenha calma se quando o vejo só me apetece ir-lhe às trombas – não estava a reconhecer a Mariana ou melhor a forma de falar
- Compreendo que para ti que sabes de tudo não seja fácil mas não te esqueças que o Paulo nem sequer imagina que és a filha dele…
- É que podes parar por aí… antes filha de um camelo do que dele! – acabei por rir novamente, não conhecia ainda esta faceta da Mariana mas confesso que estava a divertir-me, ela chateada ainda consegue ser mais cómica.
Ainda estive uns minutos a ouvir mais umas quantas “pérolas” da Mariana ou não fosse a forma como falava do pai de partir o coco a rir. O meu amor desabafou e no fim senti-a mais leve, parecia que tinha retirado toneladas de cima dos ombros, acho mesmo que estava a precisar de deitar para fora tudo o que falou e assim que o fez voltou a ser a minha Mariana, o que deu para aproveitar o resto da noite. Primeiro num passeio à beira Tejo depois do jantar, seguido de uma noite de muito amor.
Acordei com a Mariana a dar-me beijos nas minhas costas despidas, aquilo estava a saber bem e por isso deixei-me ficar quieto, no entanto o meu amor percebeu que já estava acordado e reclamou por mimos, algo que dei sem qualquer problema, estávamos numa troca de carinhos quando do nada a Mariana desata a rir à gargalhada.
- Posso saber o motivo de tal gargalhada?!
- Oh… lembrei-me do momento em que acordei ontem aqui sozinha nesta cama mas com direito a bilhetinho e depois a um ramo lindo – sorri ao ouvi-la – és mesmo tontinho, não és? – beijou-me.
- Tonto? Nah… diz antes loucamente apaixonado por ti – a Mariana corou o que fez com que gargalhasse.
- Nunca pensei que te recordasses assim tão bem… - interrompi-a
- Mas tinhas dúvidas? Amor nunca vou esquecer o dia em que senti pela primeira vez os teus lábios contra os meus… afinal esperei tanto por esse momento – admiti
- Quando é que percebeste verdadeiramente o que sentias por mim? – sorri com a sua pergunta.
- Sinceramente não consigo responder…
- Porquê?
- Porque o amor não é como tocar no interruptor para acender a luz, o amor é o sentimento mais belo que pode existir e que se vai construindo – a Mariana olhava-me atenta – como tal todos os dias te amo mais um pouco, por muitos anos que viva do teu lado sei que todos os dias haverá algo novo que descobrirei em ti e que fará amar-te sempre mais um pouco – vi uma lágrima teimosa a molhar-lhe o rosto – mas se queres saber quando é que seu deu o clique e percebi que te queria só para mim – sorri ao ver que também sorria – esse aconteceu no dia que supostamente deveria comparecer na festa de final de ano do Martim, ver-te a falar com o Miguel mexeu comigo mais do que seria suposto, logo eu que nunca fui ciumento e sempre condenei as cenas que a Soraia fazia – suspirei – hoje sei porquê que nunca a percebi, afinal nunca a amei, porque quem ama terá sempre ciúmes.
- Só percebeste que o que sentias por mim não era só amizade nesse dia?
- Não... nesse dia percebi que só seria feliz se tivesse do teu lado, que te queria e quero só para mim, mas respondendo ao que pretendes saber – sorri ao adivinhar qual seria a reação da Mariana depois de ouvir o que tinha para lhe dizer – comecei a desejar-te como mulher muito antes, inicialmente de forma inconsciente, só assim consigo explicar o porquê que sempre senti uma necessidade louca de quebrar as barreiras que impuseste desde o início, desde o dia que cheguei a casa do Nuno e que olhei para ti que tudo mudou, é verdade que nesse momento não percebi o que se estava a passar, o porquê de ficar incomodado porque não me deixavas aproximar, o porquê que fazias questão de tratar-me umas vezes como se fosse um puto e outras um velho a quem sentias obrigação de respeitar. Mas felizmente consegui ultrapassar o muro que fizeste questão de construir entre nós, naquele dia em que me viste a sofrer pela Soraia e que me deste o teu apoio de forma gratuita, também me deste algo mais..., despertaste em mim sensações e emoções que nunca tinha sentido, depois desse dia outros se seguiram, sentia-me inexplicavelmente bem quando estava perto de ti, a realidade à minha volta parecia que mudava de cor, passava de preto e branco para cores quentes – a Mariana sorria envergonhada – quando me abraçavas ou davas os teus beijinhos de bom dia ou de boa noite, sentia-me simplesmente feliz... as semanas foram passando e fui-percebendo que a nossa amizade não era como a que tenho, por exemplo com a Marisa, que é minha confidente há anos, a nossa amizade fazia-me sentir o estomago embrulhado, pensei tanta vez que aquela cena de se sentir borboletas na barriga e que sempre pensei ser piroso afinal era verdade, ainda assim não quis aceitar que estava a amar-te porque tinha medo de te perder, o receio que tive que te afastasses de mim foi tão grande que andei meses a tentar negar, para mim mesmo, o óbvio, foi até ao dia em que o meu subconsciente traiu-me e acabei por dizer o teu nome em vez de Soraia, nesse dia percebi que não adiantava continuar a negar, que tinha que lutar numa primeira fase contra o medo que sentia em perder a tua amizade e depois lutar para te conquistar, durante as semanas seguintes fartei-me de dar-te sinais do que sentia por ti mas parecia que não entendias e quando te vi aos sorrisinhos e a falar tão bem com o Miguel passei-me, nem te passa pela cabeça a vontade que tive de lhe ir às trombas, por momentos deixei de me reconhecer e por isso é que fugi daquela forma, precisei de uns dias para tomar a decisão final, decidi lutar afinal não teria mesmo nada a perder, foi quando percebi que talvez sentisses o mesmo que eu, mas com uns meses de atraso – sorri ao vê-la surpresa com o que falava – amor usaste a desculpa do Martim estar chateado comigo para fugires, para te refugiares no teu mundo e não digas o contrário porque te conheço e sei que é verdade, tentaste negar para ti mesma o que se estava a passar mas aconteceu-te o mesmo que me aconteceu a mim, deixaste de ter forças para negares o que o teu coração falava, na nossa viagem a Paris – suspirei – quando foste até ao meu quarto e que falamos sem rodeios percebi que teria que ser paciente que o que mais precisavas era de tempo para assimilares tudo o que se estava a passar connosco, tentei respeitar ao máximo mas não sou de ferro e quando voltaste a procurar-me em Lisboa não resisti e talvez tenha mesmo forçado um pouco mas se não o tivesse feito provavelmente hoje não estaríamos aqui, ainda andávamos a tentar arranjar outros nomes para dar ao que sentíamos um pelo outro, Mariana fez ontem um ano que percebi que o que sempre fez com que lutasse por ti é o que chamamos de amor, quando nos beijamos senti algo que simplesmente não consigo explicar por palavras, ter-te nos meus braços, ver-te a confiar em mim sabendo o teu passado deu-me a certeza que o que nos unia, une e unirá sempre é amor, resumindo amo-te desde o primeiro dia que te vi mas só o percebi meses mais tarde...

E depois deste desabafo sentido do Ruben o que dirá a Mariana?
Terá o Ruben razão quando diz que será eterno, o amor deles?

12 comentários:

  1. Opah!! Está lindo!!
    Adorei o capitulo o Ruben é um querido *-* adorei a cena do bilhete e das flores foi muito fofo e o que ele disse agora no final tambem foi lindo!
    Será que as mudanças de humor da Mariana são para desconfiar??
    Adorei o capitulo e quero mais muito em breve :)

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  2. Esta fantastico.
    Adorei adorei adorei.
    Quero o proximo rapido.bjs

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  3. ELES FAZEM SEM DUVIDA UM PAR PERFEITO!!
    desculpa não ter comentado os últimos capítulos, mas andei um pouco afastada e não consegui ler até agora (:
    Falando deste capitulo.... Espero que a Mariana diga uma coisa bonitinha no mínimo, porque o Ruben foi um fofo! E espero que o Ruben tenha razão, o amor deles é gigante, por isso não duvido que seja eterno...
    Gostava era que a Mariana disse-se ao empresário que era sua filha, sem duvida que vai ser um momento marcante !!
    quero o próximo rapidamente, porque já estou ansiosa *-*

    besos, Débora *

    ps: espero bem que continues a achar que vale a pena publicares, porque eu quero mesmo muito o próximo (:

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  4. Bem o que o Rubem disse no final foi lindo, ele é mesmo querido :)
    Adorei o capitulo e estou ansiosa pelo próximo *-*

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  5. Adorei o capitulo, espero que o amor seja eterno.
    O Rubem esta cada vez mais romântico....
    Continua a escrever, gosto de ler a tua fic.

    Beijos
    ML

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  6. A Marisa pode ser a fã número 2 do Martim que a n°1 sou EU!
    Adorei o cap todinho e comemorar o primeiro beijo é lindoooooo!
    Mas confesso que estou mesmo mortinha é por ler o que por ai vem. Ai estou... Estou!!
    Por isso por favor pública o próximo rapidinho!!!!
    Bjokinhas
    Mariaa

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    1. LOL Prima tu só estás assim tão curiosa porque sabes o que virá por aí... mas olha que tenho a dizer que já escrevi essa parte e não ficou nada de extraordinário... até porque pelo meio dei outro abanão na vida da Mariana que não é brincadeira nenhuma :P

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  7. Este Rúben realmente é um romântico, é um exemplo para muitos, comemorar o primeiro beijo e da maneira que foi, com um bilhete ao acordar e um ramo de flores, adoro este Rúben e adorei este capitulo.
    O Martim é demais, o que eu ri quando li a parte em que ele repreendeu a irmã quando ela disse "né", o miúdo tem razão, isso lá é português que se apresente?
    Se para estravazares as tuas emoções (para o bem ou para o mal) precisas de escrever, oh! mulher continua, por favor, porque este final foi arrebatador, tavas mesmo inspirada, adorei.
    Não é preciso dizer que quero muito ler o próximo pois não, mas para o caso de haver dúvidas, quero o próximo, por favor.
    Beijocas

    Fernanda

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  8. Oláaaaa :)
    Confesso que esse capítulo foi um dos que mais mexeu com os meus sentimentos. Começou tudo bem... mas foi só aquela Marisa aparecer sei lá de onde, não sei porquê, para ficar revoltada. Princesa?? Passei-me!! Ainda bem que o Martim ''me representou'' muito bem... depois veio a continuação desse dia especial e... me derreti por completo. O Ruben faz lá as suas besteiras mas é maravilhoso. Lembrar do primeiro beijo? Está difícil isso hoje lool Essa declaração no final então, foi mesmo linda, linda, linda, linda ♥_♥
    Quero muito o próximo, por favor :*

    Gabi

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  9. Bem tenho andado desactualizada mas hoje deu para meter a leitura em dia!!
    Eles fazem um par tão fofo ADORO!! E espero que continuem assim muito fofos juntos :)
    Bem estou ansiosa pelo próximo capitulo :)
    Por favor sê rápida :)

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  10. Olá.
    Desculpa não ter comentado mais cedo mas estou a tentar cortar horas no computador (este vicio é lixado)
    Mas o mais importante: o capítulo está divinal.
    Com aquelas discussões Mariana-Paulo pergunto-me quando é que ele vai descobrir que é pai dela.
    E o Martim? Directo como sempre.
    O Ruben (mais uma vez) foi um amor. E este discurso final foi lindo.

    Beijinhos
    Daniela

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  11. Bem, que discurso sentido! Mas sentido mesmo!
    Até me assustei quando le aquela do "larga o osso". A Marisa parece ser uma boa rapariga.
    Besos

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