Mariana
Custou-me ouvir o Ruben
mas principalmente perceber que afinal não estava a ser tão fácil como deixou
transparecer durante as últimas semanas, ainda assim dei-lhe a minha opinião
sincera e no fim estava mesmo disposta a exterminar as saudades que tenho de
ser dele, no entanto e por culpa minha que não dei a volta à chave quando
fechei a porta fomos interrompidos pelo Martim que por pouco não nos apanhou
numa situação ainda mais complicada de explicar.
Ainda pensei reclamar
com o menino por ter aberto a porta sem pedir mas a rápida “saída” dele, a
juntar ao acanhamento do Ruben em explicar o porquê que os meninos da idade do
Martim não podem fazer o que estávamos a fazer impediu-me de falar o que quer
que fosse, só intervi naquela conversa de homens quando percebi que estava a
descambar a olhos vistos. O Martim preferiu comer um gelado a continuar com o
interrogatório e por isso saímos de casa.
Quem escolheu o destino
foi o Ruben, percebi nitidamente que procurou um local calmo onde não fosse
incomodado, o Martim deliciou-se com o gelado e no fim pediu ao Ruben para ir
com ele até ao parque, acabamos por lhe fazer a vontade e vi o meu amor a
brincar com o meu irmão, pareciam duas crianças autênticas o que deixou-me de
sorriso no rosto.
Estava “perdida” a
observá-los quando lembrei-me que a Anabela queria ver o filho hoje, como tal
peguei no telemóvel e mesmo sem falar com o Ruben liguei para a avisar que se
quisesse fazer o tal jantar que poderia contar connosco.
-
Oh crianças –
chamei-os, o que foi suficiente para virem os dois a correr terem comigo – Ruben estive a falar com a tua mãe e vamos
jantar em casa dela.
-
Preferia jantar só com vocês!
– atirou aborrecido
-
Não tentes passar-me um atestado de burrice! – refilei – Sei
bem o motivo pelo qual não queres ir e aviso já que não vou compactuar.
-
Tudo bem! –
sentou-se ao meu lado uma vez que o Martim já se encontrava novamente no
baloiço.
-
Amor o que precisas é de te distraíres e nada melhor que um jantar em família,
sim que se há coisa que não podes negar é que tens um palhaço na família – gargalhou
-
Presumo que estás a falar do Mauro.
-
Yap!
-
Yap?! Andas a aprender umas palavras novas, é? O Martim que não te oiça – voltou a rir
Não lhe respondi,
preferi beijá-lo, estava a namorar numa boa com ele quando alguém nos
interrompe ao cumprimenta-lo.
-
Por aqui?! –
enquanto o Ruben reagiu e se levantou para cumprimentar o seu empresário, eu
limitei-me a ficar no meu canto.
-
A princesa lá de casa quis vir ao parque – assim que o ouvi desviei o olhar imediatamente para
o meu irmão e encontrei-o a brincar com a miúda, um arrepio percorreu toda a
minha coluna e não sei se o Ruben percebeu ou se foi por coincidência só sei
que o meu amor sentou-se ao meu lado e abraçou-me – Então e como está a correr o regresso ao Benfica? – o Ruben
olhou-me e por fim contou ao seu empresário o que tinha sido as últimas semanas
– Sabes que se quiseres sair podemos
tentar arranjar forma de... – interrompi-o
-
O Ruben não vai a lado nenhum! Vai encarar o problema de frente porque ele não
é como uns que mais parecem ratos que fogem dos problemas e se você não tiver
nada de jeito a dizer que vá passear macacos ao bilhar grande!
Não aguentei ficar
calada e quando percebi já tinha falado mais do que devia, acabei por agarrar
na minha mala e virar costas, informei só o Ruben que iria para casa e que
depois ele que levasse o Martim, estava a precisar ficar sozinha.
Ruben
Fez-me bem desabafar com
a Mariana, foi como se tivesse retirado toneladas de peso de cima dos meus
ombros, de fato a Mariana é o oposto da Soraia, ela apoia-me ao contrário da
minha ex que sempre que estava mal conseguia deixar-me pior ainda com os seus
comentários inapropriados.
Estava numa de
aproveitar que o menino se entreteve sozinho para mimar a irmã, tanto que nem
dei pelo meu empresário se aproximar, só mesmo quando implicou comigo é que
percebi que não estávamos mais sozinhos, a Mariana num primeiro momento não
reagiu o que talvez tenha contribuído para explodir no instante que o
empresário colocou a hipótese de sair do Benfica, a reação dela deixou-me
boquiaberto, ainda mais por ter deixado o Martim comigo.
-
Ruben o que foi isto?
– olhei-o
-
Ah... pois... esqueça.
-
Mas reage sempre assim? Só faltou bater-me!
-
A Mariana reagiu assim porque...
– não queria mentir mas dizer a verdade também estava fora de questão – tudo isto anda a afetá-la – encolhi os
ombros.
-
Ruben não tenho nada com o assunto mas no passado também tiveste alguém que não
te apoiava e deu no que deu.
-
Pode parar por aí! A Mariana não é a Soraia e por não ser é que reagiu assim,
hoje quando cheguei contei-lhe a verdade e como esperava tive o apoio total da
sua parte.
-
Não foi isso que vi aqui mas já és crescido para fazeres as tuas próprias escolhas!
-
Mas afinal o que quer? A sério já tenho problemas que chegue não preciso que
venha opinar sobre algo que não lhe diz respeito.
-
Tudo bem mas já sabes se precisares de alguma coisa...
-
Sim, sei que posso contar consigo mas agora tenho de ir.
Despedi-me do meu
empresário e depois de chamar o Martim pela terceira vez, o menino lá veio.
-
Ruben agora que tava a brincar com a menina é que vamos embora! – falou de braços cruzados e
visivelmente chateado.
-
Brincas mais noutro dia, agora vamos a casa buscar a tua irmã que temos jantar
na casa da minha mãe.
-
O Mauro também vai?
– sorri por saber o motivo da pergunta.
-
Sim vai! E o meu sobrinho também.
-
Fixe!
***
O jantar foi animado e
serviu para desanuviar, quem também aproveitou foi o Martim que fartou-se de
brincar com o Mauro, o puto mor desafiou o pequeno para um jogo de futebol o
que nos proporcionou algumas gargalhadas e momentos de sossego para
conversarmos.
Apesar de saber que
tanto a Madalena como a minha mãe iriam perceber se contasse o que tem sido as
últimas semanas preferi não o fazer, falamos de tudo e mais um pouco mas sem
tocar no assunto “proibido”.
A noite foi agradável e
no fim regressamos ao meu apartamento sem o Martim, o menino acabou por
adormecer na casa da minha mãe e nós não tivemos coragem para o acordar.
-
Pois... vocês tão com tanta peninha do Martim porque vos dá jeito – o Mauro atirou a rir.
-
Não falei o contrário!
– a Mariana respondeu automaticamente levando a Madalena e a minha mãe a rir – Vais dizer que nunca deixaste o menino com
a tua mãe para fazeres o mesmo – desta quem riu fui eu ao ver a cara do meu
irmão – mas se estás assim tão
preocupado que a tua mãe fique como o Martim podes sempre levá-lo contigo.
O Mauro já não respondeu
mas quando estava a despedir-me dele mandou a piada ao perguntar se tinha
tomado os suplementos porque a Mariana estava com o power todo, não liguei e
por isso pudemos finalmente seguir para o apartamento.
Os momentos seguintes
foram para matarmos finalmente as saudades um do outro, para no fim
adormecermos serenamente.
***
As semanas passaram e
com o passar dos dias conseguimos encontrar o nosso novo ritmo, a Mariana
aceitou a proposta da minha mãe em trabalhar no SPA como um género de babysitter
às crianças que vão com as mães e o Martim nos dias que não ia com ela ficava
na instituição, onde a irmã cresceu, durante o tempo que estava no treino,
porque assim que terminava ia busca-lo, umas vezes acabava por ficar por lá a
brincar tanto com o Martim como com as crianças da instituição, outras vezes
íamos um pouco à praia ou então ocupávamos o tempo com outras atividades, o
certo é que os dias passaram e nós andávamos os três muito mais calmos, a
Mariana porque finalmente estava a ganhar o dinheiro dela e a fazer algo que
gosta, o Martim porque está felicíssimo por ter tempo para estar com ele e no
que toca a mim finalmente estou a conseguir integrar-me no grupo, agora já não
estou constantemente com a postura que estou ali para treinar e por vezes já
consigo divertir-me enquanto trabalho.
O dia hoje começou de
forma diferente ou não fosse ter encontrado o Martim deitado na cama assim que
abri os olhos, foi impossível não sorrir pois o menino estava a olhar-me muito
atentamente.
-
Bom dia pai – o
Martim abraçou-me e encheu-me de beijinhos.
-
Ena isso é que é boa disposição logo ao acordar – fiz-lhe algumas cócegas – posso saber o motivo?
-
Ohh – encolheu os
ombros – quis dar miminhos a ti como tu
dás a mim – voltei a sorrir perante a espontaneidade com que o Martim falou
e teria respondido se a Mariana não tivesse entrado no quarto e se atirado
literalmente para cima de mim deixando o irmão a olhar-nos.
-
Olha outra... –
olhou-me – amor também acordaste com
vontade de dar-me miminhos.
-
É... – sorriu-me – amor já que este fim-de-semana estás de
folga pensei que pudéssemos fazer qualquer coisa diferente... – a Mariana
estava animada, confesso que já não a via assim há uns dias, ultimamente tem
andado com as “luas” e nem sempre com disposição para fazermos programas
diferentes.
-
E o que é que a menina tem em mente?!
-
Hum... podíamos ir até ao Algarve
– sorriu – a Letícia está lá com o Rui e
convidou-nos para passarmos o fim-de-semana com eles.
-
Ok. Vamos ainda hoje?
-
Se der... vou trabalhar mas em principio dá para irmos depois, tipo também é só
colocar umas roupas numa mala.
-
Ok, vou ter treino de manhã e de tarde mas quando chegar começo a orientar as
cenas para seguirmos viagem assim que chegares.
-
Fixe! – o Martim
abraçou-nos aos dois – Vou ver a madrinha!
– sorrimos perante a alegria do nosso pequenino.
A Mariana ainda ficou
uns minutos connosco mas acabou por sair, hoje quem ia levar o Martim à
instituição era eu mas acabou por não acontecer, afinal o menino pediu para ir
comigo ao treino e após insistir lá lhe fiz a vontade mas com a condição de se
portar bem, isso incluía não abrir a boca para tecer certos tipos de
comentários sobre o treinador.
Chegamos ao CFC e assim
que saí do carro encontrei de imediato o treinador que tinha acabado de chegar,
aproximei-me e perguntei se haveria problema do Martim assistir ao treino, como
esperava tive a devida autorização e assim levei-o comigo até ao balneário. O
menino conteve-se e ficou sentado à espera que vestisse o equipamento para
depois sair de mão dada comigo até ao relvado.
-
Ruben – olhei-o – ainda falta muito para começar? – os
meus colegas que por ali já circulavam sorriram.
-
Um bocadinho! Se quiseres vai-te sentar ali – apontei para os bancos
-
Oh... eu queria era jogar contigo...
– sorri para depois ir buscar uma das bolas e começar aos toques com o Martim,
depressa os meus colegas alinharam e rapidamente o que seria algo sério como um
treino de uma equipa profissional de futebol virou recreio de uma escola
primária para não dizer jardim escola. Estávamos tão entretidos que só demos
pela presença da equipa técnica quando nos chamaram, a brincadeira acabou e o
treino iniciou, primeiro com o aquecimento e depois com todos os exercícios
propostos pelo mister.
O Martim tal como
prometeu estava a portar-se lindamente, só se aproximava quando fazíamos pausas
e só depois de lhe dar a devida permissão para regressar imediatamente ao banco
assim que recomeçávamos os exercícios. Foi quando já estávamos na parte da dita
peladinha que ao olhar para o banco não o encontrei, procurei-o com o olhar e
fui dar com o menino entretido a dar toques numa bola, mas nem foi isso que
chamou a minha atenção, foi mesmo ter percebido que o Martim já tinha
despertado a curiosidade de terceiros, nomeadamente do nosso mister que o
olhava atento e tecia alguns comentários com outro individuo que não reconheci,
acabei por concentrar-me novamente no jogo. O treino chegou ao fim e já no
momento que fazia os alongamentos o Luisão comentou comigo que o Martim tinha
dado nas vistas, olhei-o surpreendido afinal houve mais pessoal a ver o mesmo
que vi.
-
Parece que sim...
-
Cê vai dizer que nunca tinha percebido?
-
Percebido o quê? Que o puto até se safa bem? – sorri – Sim,
já! Aliás o Martim jogava pela equipa do Braga...
-
E cê não o vai colocar no Benfica?
-
O Martim se quiser pede...
-
Até parece que não ia gostar de ver...
-
É indiferente –
olhou-me como se tivesse falado algum disparate – Luisão primeiro o Martim não é benfiquista, segundo não vou impingir ao
miúdo a ideia de jogar pelo Benfica e terceiro se continuar a praticar futebol
será na equipa que escolher seja ela o Benfica, o Sporting, o Belenense ou
outra qualquer.
-
Cê fala isso da boca p’ra fora... tá aí todo orgulhoso que bem sei!
-
Sim tenho imenso orgulho no puto mas como falei o Martim é livre para escolher!
Já agora sabes quem é aquele que continua a falar com o mister e que teve
atento ao Martim? –
o Luisão sorriu
-
É um dos treinadores das escolinhas...
-
Ah!
Os alongamentos
terminaram e a conversa foi pelo mesmo caminho, até porque o Luisão seguiu para
o balneário enquanto fui ter com o meu pequeno que continuava aos toques na
bola, lógico que assim que notou a minha presença pediu que jogasse com ele,
algo que foi impossível negar e os momentos seguintes foram de pura diversão.
-
Ruben só mais um bocadinho!
– o Martim pedinchou quando percebeu que iria arrumar a bola
-
Amor temos de ir almoçar...
-
Ohh – falou
desiludido – não tenho fome! –
gargalhei
-
Sim... pois... quando apanhares o prato à frente só paras quando não tiver nada – abracei-o – que bem te conheço!
O menino acabou por rir
e depois fomos finalmente até ao balneário, despachei-me o mais rápido possível
para irmos embora.
***
O almoço não foi mais
que um momento de “pai e filho” onde brincadeiras e conversa jogada fora não
faltou. Como ainda tinha algum tempo livre antes de regressar ao CFC para o
treino da tarde, resolvemos que a sobremesa seria um gelado mas numa esplanada
à beira-mar, onde continuamos a partilhar um momento só nosso.
As horas passaram e
regressamos ao CFC, o Martim ao contrário do que aconteceu de manhã resolveu
começar numa de falar com alguns dos meus colegas enquanto nos equipávamos,
confesso que a cada minuto que passava só pensava que o momento dele falar
algum disparate estava para chegar ou não fosse conhecê-lo, mas isso não
aconteceu e seguimos para o campo, onde novamente o Martim se entreteve num
primeiro instante a observar o treino e para o fim a brincar com a bola.
Confesso que foi
impossível não sentir orgulho no puto, é verdade que não é sangue do meu sangue
mas amo-o como um pai deve amar um filho e vê-lo a despertar a atenção de
pessoas que estão mais do que habituadas a detetarem possíveis craques da bola
deixou-me com o ego em cima.
Estava a beber água e
“perdido” a observá-lo quando inesperadamente o mister apareceu atrás de mim.
-
Ruben! – olhei
imediatamente
-
Desculpe! Estava distraído
– admiti além de ser verdade não iria dar-lhe o gostinho de repreender-me,
apesar de ter razão para o fazer.
-
Não precisas pedir desculpas
– olhei-o surpreendido – o teu cunhado
– se já estava surpreendido ainda fiquei mais, afinal não mantinha relação
nenhuma com o mister para além da estritamente profissional e por isso
admirei-me pela forma como falou do Martim – também já conseguiu distrair-me enquanto devia estar atento ao vosso
treino – devia estar com cara de parvo a olhá-lo porque – não faças essa cara porque não estou a
dar-te novidade nenhuma... ou vais dizer que ainda não tinhas percebido o que
tens em casa?
-
Desculpe a frontalidade mas o Martim não é um objeto para estar a falar dele
dessa forma – o
mister sorriu o que deixou-me ainda mais surpreso – e segundo tenho a plena consciência que o menino tem habilidade e que
se tiver gosto e vontade pode ir longe mas é só uma criança por isso quero é
que viva a infância de forma descansada.
-
Nunca o pensaste inscrever numa escolinha?
-
O Martim jogou pelo Braga
– confesso que deu-me um certo gostinho em afirmá-lo.
-
Então e não pensas inscrevê-lo no Benfica?
-
O Martim jogava no Braga porque pediu e não por vontade minha...
-
Ruben se hoje estás aqui é porque no passado alguém apostou em ti – tive vontade de lhe responder que
não tinha sido uma dessas pessoas mas não o fiz – não te esqueças disso... o miúdo tem talento!
Teria respondido mas o
Martim aproximou-se a correr e depois de colocar os seus bracinhos em volta da
minha cintura falou algo que fez o mister rir
- Pai quem é aquele senhor que está ali a olhar para mim... – o
menino estava com algum receio talvez intimidado seja o termo mais correto – não tou a gostar!
-
Martim – o menino
olhou-o – aquele senhor é meu colega.
-
Ah então também teu treinador?
– o Martim perguntou-me
-
Não! – respondi
-
Então já não percebo nada
– gargalhei ao ver o seu ar de confuso mas quem o esclareceu foi o mister
-
É treinado mas não é do Ruben... é de meninos da tua idade!
-
Ah... tá bem –
falou como quem não está a dar importância nenhuma
-
Ouvi dizer que jogavas no Braga
– o mister continuou a tentar meter conversa.
-
Sim era fixe!
-
Então e agora já não achas fixe jogar futebol? – percebi qual era o rumo da
conversa mas antes que conseguisse terminar com ela o Martim respondeu e
despertando a curiosidade dos que nos rodeavam.
-
Era... jogava no mesmo clube do meu pai e lá gostavam dele!
-
Martim! –
repreendi-o com o olhar assim que os nossos olhos se cruzaram
-
Oh pai eu sei que não gostas e não posso falar estas coisas mas eu não gosto do
Benfica nem deste senhor
– apontou para o mister, deixando-me numa situação ingrata – ele até pode ser bom naquilo que faz mas
não gosta de ti logo eu também não gosto dele.
-
Já te expliquei...
– o Martim não me deixou continuar a falar
-
Tu já falaste que a culpa é tua mas eu quando me chateio com os meus amigos
eles também têm culpa não só eu e a mana quando eu me porto mal mete-me de
castigo e o mesmo aconteceu contigo, tiveste o teu castigo e ele – apontou para o mister - teve algum castigo porque eu ouvi uma
conversa tua e da mana por isso sei que também se portou mal contigo – o
menino cruzou os braços à espera de uma respostas minha que simplesmente não
cheguei a dar dado que o mister nos surpreendeu a todos, sim todos que
entretanto os meus colegas ao perceberem o que se passava aproximaram-se.
-
Martim – o
treinador baixou-se para ficar à altura do menino – tens razão, a culpa não foi só do Ruben – olhei-o estupefato – também tive a minha cota parte de culpa e
sim talvez tenha sido só o Ruben o castigado, se perguntares se foi injusto,
talvez tenha sido mas sabes que na vida não aprendemos só nos momentos bons,
também nos maus acabamos por retirar algo de bom, acredito que o Ruben tenha
ganho mais do que perdeu, pelo menos aos meus olhos ganhou e muito, não estou a
falar de ti e da tua irmã, estou a falar em termos profissionais e até
pessoais, o teu pai como lhe chamas, cresceu com tudo o que viveu e hoje em
cada treino vejo-o nitidamente, o Ruben está mais ponderado, leva ainda mais a
sério o seu trabalho, está mais disposto a ouvir o que os colegas mas
principalmente o que o seu treinador diz, hoje sei que ele entende que nem
sempre temos tudo o que queremos, que temos de lutar para conseguir mas acima
de tudo que temos de saber ouvir um não ou até uma critica.
Não
tenho nada contra o teu pai e se no passado falei ou fiz algo que o Ruben não
entendeu nunca foi com a intenção de o prejudicar mas sim de o fazer crescer.
-
E já pediu desculpas?
– o Martim refilou mal teve a sua oportunidade.
-
Ao Ruben?
-
Sim a quem mais devia ser...
-
Martim não é uma questão de pedir desculpas até porque não considero que tenha
errado. A questão que deve ser colocada é se o Ruben está disposto a continuar
sob a minha orientação
– o mister olhou-me – para um jogador
ter um bom desempenho precisa confiar nos seus colegas mas principalmente na
equipa técnica que o orienta e sinceramente não sinto que confias – o
mister falava agora diretamente comigo – não
te esqueças que vi-te crescer, sei que provavelmente desiludi-te quando não
apostei imediatamente em ti após a tua recuperação mas nunca coloquei em causa
a importância que tinhas no plantel e que podes agora recuperar mas para isso
precisas de querer, porque o mais importante já fazes, que é o saber ouvir,
entender e respeitar o que um treinador diz.
Em cada palavra que o
mister dizia sentia mais a expetativa dos meus colegas e do Martim a crescer,
percebi o quanto curiosos estavam em saber a minha resposta e por isso não
demorei a responder.
-
Tenho que admitir... você tem razão em muita coisa que disse, principalmente na
parte que falou que cresci com tudo o que aconteceu, é verdade também o sinto
mas se amadureci não se deve ao seu trabalho e da sua equipa técnica, deve-se
em parte aos excelentes profissionais que encontrei no clube que recebeu-me
quando por aqui comecei a ser uma pedra no sapato de alguns, no entanto tenho
plena consciência que o meu contrato de trabalho é com o Benfica e irei
cumpri-lo com a mesma vontade, disponibilidade e querer vencer que sempre tive,
agora não queiram que apague da memória tudo o que vivi, é impossível mas
também é esse passado que faz com que queira entrar em campo e defender até ao
último segundo os interesses do clube, como profissional que sou quero sempre
vencer e não se preocupem que não serei mais o foco de destabilização, neste
momento só quero trabalhar em paz e sossego, aqui ou noutro clube qualquer.
Para
terminar e responder de uma vez à sua questão ninguém é insubstituível, muito
menos um jogador em determinado plantel, somos humanos e como tal não temos
sempre a mesma forma física por isso não venha com moralismos para cima de mim
no que toca a recuperar a importância que tive no plantel, nenhum de nós é mais
ou menos importante, treinamos e jogamos sempre com o objetivo de sermos
melhores porque está na natureza do ser humano e não porque nos apetece ver
reconhecido o nosso lugar em determinado sítio. Quanto a ter algum problema em
estar sob as suas ordens, pois tenho a dizer que não lhe dou essa importância
toda, é só mais um treinador que tive no passado e voltei a ter no presente,
como tal é alguém a quem devo respeito e será isso que terá da minha parte,
você e restante equipa técnica.
Ninguém
contra-argumentou o que falei, aliás regressamos de imediato ao treino que foi
interrompido quando não deveria ter sido. O ambiente ficou estranho,
sinceramente não sei se os meus colegas gostaram do que ouviram mas só falei a
verdade.
Mariana
Hoje despertei com
vontade de fazer algo diferente e por isso desafiei o Ruben a aceitar o convite
feito pela Letícia e irmos passar o fim-de-semana ao Algarve, como ainda tinha
que trabalhar antes quem ficou de levar o Martim à instituição foi o Ruben,
algo que pensei que tivesse feito mas quando entrei em casa depois do trabalho
percebi pela conversa que mantinham que o menino foi com o Ruben para o treino.
-
Não sei qual dos dois é mais criança!
– reclamei o que fez olharem-me com aquela carinha que tinham sido apanhados a
fazer algo que não deviam.
-
Oh mana não ralhes com o Ruben porque fui eu que pedi...
-
É... e o Ruben só tinha que não deixar! – atirei ao sair da sala.
-
Amor... – o Ruben
veio imediatamente atrás de mim – Mariana...
vais ficar chateada? Se levei o menino foi porque quis e porque achava que se ia
portar bem!
-
Não estou chateada –
sorri ao vê-lo mais aliviado – só acho
que não lhe deves fazer as vontades todas!
-
Não são todas... mas deixando o assunto de lado, já fiz as nossas malas por
isso quando quiseres ir...
-
Vou só tomar um duche rápido e seguimos, jantamos pelo caminho, o que dizes?
-
Ya, pode ser!
O Ruben concordou comigo
e por isso despachei-me o mais rápido que consegui e seguimos finalmente de
viagem. O Martim estava animado porque ia estar com a madrinha e por isso
passou a viagem toda acordado a falar connosco, o que serviu para perceber
que a ida ao treino do Ruben tinha dado barraca, ainda repreendi o meu amor com
o olhar mas o Ruben além de não ligar nenhuma à primeira oportunidade, ou seja
quando paramos para jantar e que o Martim se entreteve a comer, afirmou mesmo
que foi bom o puto ir com ele, dado que pela primeira vez falou abertamente
tanto com o treinador como com os colegas sobre tudo o que se passou, percebi
que ainda assim o Ruben não está completamente certo que o melhor seja ficar na
Luz.
Chegamos a Faro e fomos
recebidos efusivamente pela Letícia, sim a louca da minha amiga já estava animada
e não era só por nos ver, dado que tinha a casa “cheia” de pessoal que
reconheci como sendo alguns com quem passei a adolescência.
Os momentos que se
seguiram foram de apresentações, dado que o Ruben não os conhecia, e de alguma
conversa, conversa típica de amigos que já não se vêm à imenso tempo mas que
ainda assim não perdem a afinidade que os uniu em tempos. O Ruben tentou
manter-se sempre atento às conversas mesmo sem participar delas uma vez que não
tinha nada a partilhar com pessoal que não conhecia de lado nenhum.
-
Então a menina casa e não diz nada a ninguém?! Ainda por cima com o jeitoso do
Amorim!! – olhei para
a Diana que se ria à descarada na minha cara
-
Já devias saber que sou discreta!
– ripostei mas sempre a rir
-
Pois... mas desde que foste para Braga que além de discreta passaste a
desaparecida! –
desta foi a Patrícia – e agora
reapareces casada e bem casada que pelo que vemos – desviei o olhar para o
Ruben que entretanto se tinha afastado porque o Martim o chamou, estavam os
dois na brincadeira, com o meu irmão sentado no seu colo – até um pai para o teu irmão arranjaste! – suspirei o que fez elas
sorrirem – Sim que a Letícia já nos
contou assim por alto tudo o que ali o jeitoso fez e faz pelo puto.
-
É... não tenho razão nenhuma de queixa
– sorri ao vê-los cúmplices
A conversa continuou
durante umas horas mas agora já com o pessoal todo a conviver uns com os outros
e assim que se foram embora caí redonda no sofá, concretamente ao colo do
Ruben, estava estafada do dia de trabalho e da viagem, algo que o meu amor deve
ter percebido porque começou numa de dar-me mimo, foi de tal forma que adormeci
ao seu colo.
Ruben
Desde que chegamos a
Faro que as horas foram partilhadas com algumas pessoas que não conhecia mas
que fizeram parte da vida da Mariana, gostei de os conhecer mas foi impossível
não ficar incomodado com o fato da Mariana não ter convidado ninguém dessa
altura para o nosso casamento, afinal eram os amigos da sua adolescência, era
nisso que estava a pensar quando a Mariana acordou.
-
Bom dia amor! –
beijei-a, algo que aproveitou para procurar algo mais, estávamos simplesmente
quando a Letícia entra sem bater.
-
Mas isto é assim?! –
a Mariana reclamou imediatamente – não te
ensinaram a bater antes de entrar?
-
Desculpe sim! Mas estão na casa do meu namorado... – a Letícia estava numa de brincar
mas a Mariana levou demasiado a sério e sem que a amiga esperasse saiu do
quarto mas antes ainda falou que não se tinha de preocupar que ainda hoje saíamos
de lá – O que foi isto?! –
perguntou-me
-
Não ligues... –
respirei profundamente.
-
Está tudo bem? É que ela não é de reagir assim?
-
Oh... a Mariana anda assim com umas mudanças de humor estranhas e recentemente
fomos... – comecei a
rir ao recordar o dia que o Martim nos apanhou
-
Ui... não digas mais nada! O Martim já vos apanhou...
-
Quase! Não viu nada de especial mas foi o suficiente para perguntar se também
podia fazer com as amigas deles
– a Letícia gargalhou
-
O meu afilhado anda com umas saídas... mas pior que o puto é a irmã – olhei-a admirado – sim que desencaminhaste a Mariana
completamente – gargalhou – se
falassem há dois anos atrás que isto iria acontecer diria que seria impossível...
-
Oh... tipo lógico que temos cuidado mas...
-
Não deve ser fácil para ti...
-
Como assim?
-
Oh... se não houvesse Martim tinhas outro tipo de “liberdade” se é que me
entendes...
-
O Martim faz parte da minha vida, nunca coloquei esse “se” que falas porque
para mim só faz sentido ter o menino comigo, já conheci a Mariana com o Martim,
aprendi a amá-los aos dois e hoje sinceramente não me vejo sem o meu pequenino
por muito que às vezes seja mais difícil gerirmos o nosso tempo, mas isso
acontece com qualquer casal que tenha filhos.
-
Oh mas vais dizer que nunca pensaste que se não houvesse Martim que a vossa
vida podia ser diferente?
-
Diferente como?
-
Oh... teriam outra liberdade, podiam aproveitar de outra forma os momentos a
dois...
-
Letícia acredites ou não nunca pensei dessa forma, aliás sabes bem a lua-de-mel
de sonho que a Mariana nos preparou, por isso sabes que teria todos os motivos
para aproveitar ao máximo e desligar-me da realidade de ter um filho mas não
consegui... podes não acreditar mas não houve dia nenhum que não pensasse no menino
mais que uma vez, o Martim faz parte de mim.
A Letícia sorriu e só
quando olhei para a porta é que percebi o porquê, o Martim estava a ouvir e ao
perceber o que tinha dito ficou radiante, o menino acabou mesmo se deitar na
cama comigo e uns segundos bastaram para ser brindado com diversos miminhos
dados pelo meu pequenino, mimos esses que passaram a ser a três desde o momento
que a Mariana entrou no quarto e se atirou literalmente para o meio de nós.
Quando reparamos já estávamos só os três, ainda ficamos naquilo durante uns
minutos mas terminamos por sair do quarto e encontrar a Letícia e o Rui à nossa
espera na sala.
Fomos tomar o
pequeno-almoço a uma esplanada à beira-mar e depois passamos a manhã na praia,
as horas foram dedicadas principalmente ao meu pequenino que queria
brincadeira, tanto fora como dentro de água. Houve momentos em que a Mariana
também alinhou e por isso deu para aproveitar para namorar.
Senti pela primeira vez,
desde que estamos juntos, a Mariana verdadeiramente liberta da ideia de que nos
pudessem ver e fazerem disso capa de revista, talvez por isso tenha relaxado um
pouco mais e permitido a mim mesmo reclamar por mimos menos inocentes, estes
aconteceram quando ficamos só os dois no mar.
***
O que é bom acaba
depressa e por isso o momento de regressarmos a Lisboa chegou, despedimo-nos
dos nossos amigos e rumamos até à capital.
Acordei com a Mariana a
despachar-se para sair e por isso acabei por levantar-me e fazer-lhe companhia
ao pequeno-almoço. Quando saiu fui acordar o Martim e depois de deixá-lo na
instituição segui para o treino, estava a vestir o equipamento de treino quando
o Luisão ao entrar no balneário fez um comentário que me deixou a olhar, afinal
mencionou que há quem tenha boa vida ao fim-de-semana e que vá até Faro.
Como será que o Luisão descobriu?
E os próximos tempos serão assim sossegados?
Acho que o fim de semana deles já saiu nas revistas!! Ups xD
ResponderEliminarEspero que os próximos tempos sejam bons e com surpresas ^-^
Gostei muito do capitulo, continua :)
Olá.
ResponderEliminarComo será que descobriu? R-E-V-I-S-T-A-S
E aquele treino? Nem consigo encontrar palavras para descrever o que aconteceu.
É que tal como o Ruben ficou sem ter a certeza de nada, também eu fiquei xD
Se os próximos tempos vão ser sossegados? Acho que vai depender muito de como o 'mister' vai reagir ao que o Ruben disse.
Beijinhos
Daniela
O Martim continua com a resposta na ponta da língua, o JJ armado em cão com pulgas ouviu das boas do puto, adorei a parte em depois da justificação do JJ o puto lhe perguntou se ele já tinha pedido desculpas ao Rúben, foi demais. O Rúben finalmente lá disse tudo o que tinha atravessado na garganta, agora vamos ver o resultado que esta conversa vai dar.
ResponderEliminarTá-se mesmo a ver que foram apanhados pelos paparazzi, e o que a Mariana temia aconteceu, aparecer nas revistas, é a única explicação que encontro para o Luisão saber que tiveram em Faro.
Adorei, agora é que eu acho mesmo que os próximos tempos vão ser agitados.
Vou aguardar ansiosamente pelo próximo, continua.
Beijocas
Fernanda
Ola
ResponderEliminarGostei do capitulo e espero que continues a escrever.
Beijo
ML
Oláaaa!
ResponderEliminarSobre o Martim eu já nem sei o que falar, porque é uma fofura extrema, uma espontaneidade, uma naturalidade ao falar - e quando fala deixa até o Jorge Jesus em situações um tanto quanto constrangedoras - Amei quando ele lhe perguntou se já tinha pedido desculpas quando admitiu que também errou. O Martim não deixa mesmo passar nada. lol
Mas cá pra mim, o Ruben e a Mariana vão ter uma surpresa nada agradável agora :c
Espero pelo próximo, beijinhos :*
Gabi :)
Ai ai ai...
ResponderEliminarQueres ver que a imprensa decidiu virar-se para o Amorim?
Estou curiosa para ler o próximo.
Bjs