terça-feira, 11 de setembro de 2012

057 - “Vais pedir a Mariana em casamento, é isso?”


Mariana

Acordei sem o Ruben do meu lado, hoje estava de folga e por isso foi o meu amor que levou o Martim à escola. Levantei-me e após estar despachada saí de casa, conduzi até ao hospital afinal tinha uma consulta e que não queria mesmo faltar, quando esta terminou regressei a casa, hoje estava numa de passar o dia deitada e sem fazer nenhum, talvez por sentir todo o meu corpo dormente.
Almocei unicamente uma sopa de espinafres que pedi à Filomena para fazer pois era o que me apetecia e regressei ao quarto, entretive-me a ler um livro que o Ruben me tinha oferecido e nem dei pelas horas passarem, só mesmo quando ouvi a voz do meu irmão é que percebi que já estavam em casa, ainda assim deixei-me ficar na cama.
- Oi amor - beijou-me - a Filomena disse-me que passaste o tempo praticamente todo aqui no quarto - sorri-lhe.
- Amor não se passa nada - beijei-o novamente - estou só com uma crise de preguiça aguda, não queres fazer-me companhia? - aliciei-o levando-o a sorrir.
- Mariana, preciso contar-te uma cena - olhei-o - mas não stresses com o Martim porque o menino já percebeu que agiu mal.
- O que é que ele aprontou?
- Resumindo hoje quando cheguei à escola para o ir buscar o segurança informou-me que a diretora queria falar comigo achei estranho mas fui ver o que se passava, quando lá cheguei encontrei o Martim de trombas e percebi imediatamente que tinha aprontado alguma, foi quando a diretora falou que ele tinha empurrado um tal de Gonçalo em plena sala de aulas mas que se recusava a dizer o motivo, acabei por perguntar ao Martim a razão que o levou a empurrar um colega e o menino disse que não tinha gostado do que ouviu, que o outro tinha sido mau para ele quando falou que não podia fazer a prenda do dia dos pais por não ter pai, o piolho disse que tinha, que sou eu e o outro falou que só digo que gosto dele para o Martim não ficar triste, o menino ficou chateado e empurrou o outro.
- Mas o que lhe deu nunca foi violento - tentou sair da cama - tenho que ir falar com o Martim.
- Espera - olhou-me - amor o menino já compreendeu que errou e está cheio de medo que fiques chateada.
- Acho bem que esteja com medo porque o que fez não se faz.
- Amor, não seja dura com o Martim, até porque já falei com ele e já lhe expliquei que não pode voltar a acontecer.
- E a diretora o que disse?
- Não teve hipótese de dizer grande coisa - olhou-me intrigada.
- Porquê?
- Olha porque assim que fiquei a sós com ela disse-lhe que para a próxima em vez de meter só o nosso de castigo que meta os dois, porque ambos erraram. Acreditas que quando lá cheguei só o Martim é que estava de castigo e que o outro estava a brincar como se nada fosse?
- Amor é normal, foi o Martim que o empurrou.
- Mas foi o outro que disse que o menino não tem pai e ainda teve o descaramento de falar que só digo ao Martim que o amo porque tenho pena dele, se queres mesmo saber no fundo até consigo compreender o Martim, lógico que não pude dizer-lhe isso e tive que o repreender mas não gostei de saber que o meu filho está numa sala de aulas em que a professora não se apercebe do que se passa entre os seus alunos, foi isso que falei com a diretora, que para a próxima em vez de castigar só o nosso que castigue os dois, que ambos erraram.
- Falaste mesmo isso?
- Falei, não estou a pedir para fecharem os olhos ao que o Martim faz mas sim que sejam justos com o miúdo, ele não tem culpa de não conhecer o pai biológico e não precisa que lhe andem constantemente a atirar isso à cara, o Martim não tem um pai biológico mas tem um que o ama como se fosse por isso não tolero que metam o meu de castigo e o outro só porque sempre viveu com o pai passa sem ser castigado.
Fiquei completamente estarrecida a olhá-lo, pela primeira vez vi o Ruben irritado e logo porque tinham sido injustos com o Martim, confesso que tê-lo diante de mim a defender o meu piolho deu-me uma tranquilidade estranha mas ao mesmo tempo muito boa.
- Obrigada - sentei-me na cama e abracei-o - por nos amares - o Ruben olhou-me - por nos defenderes e por seres o pai que o Martim nunca teve - beijei-o calmamente - mas agora podias ir ali fechar a porta - sorriu - e regressares para aqui - bati com a mão no lado da cama que lhe pertence - que estou carente e a precisar de mimos - o Ruben gargalhou mas fez o que pedi, levantou-se e fechou a porta - amor - olhou-me - roda a chave.
O meu amor gargalhou mas fez o que pedi para no instante seguinte estar já deitado ao meu lado e a encher-me de mimos, lógico que as carícias inocentes depressa passaram a algo provocatório e ainda mais depressa amamo-nos.
Ficamos no quarto durante as duas horas seguintes, aproveitamos que a Filomena estava em casa para termos um tempinho só para nós, namoramos e conversamos sobre tudo e sobre nada. Acabamos por ter que nos vestir e sair do nosso ninho de amor porque o Martim tinha os trabalhos para fazer e a nossa empregada iria sair dentro de minutos.
O Ruben ofereceu-se para ajudar o Martim o que permitiu-me ficar deitada no sofá da sala, hoje estava mesmo molengona. Um tempo depois já tinha os meus dois amores de volta de mim, acabei por puxar o assunto do empurrão e o meu irmão prometeu que não voltaria a fazer algo do género, aliás afirmou mesmo que o pai já tinha falado com ele sobre o assunto, foi impossível não sorrir ao ver aqueles dois cada vez mais unidos.
Jantamos e ainda ficamos os três um bocado a ver televisão mas estava mesmo com vontade de ir-me deitar e assim que informei o Ruben da minha intenção, o meu amor convenceu o Martim a ir dormir, eles foram até ao quarto do piolho enquanto fui até ao meu, deitei-me e fechei os olhos.
Estava naquela fase do “dorme não dorme” quando o Ruben se deitou do meu lado e talvez por julgar que já dormia abraçou-me colocando a sua mão na minha barriga, mas não satisfeito fez algumas carícias com os seus dedos, aquilo levou-me a sorrir denunciando assim que só estava meio adormecida.
- Pensava que já dormias - sussurrou ao meu ouvido.
- Amor - coloquei a minha mão direita por cima da sua que continuava na minha barriga e olhei por cima do ombro de forma a consegui vê-lo uma vez que estávamos ambos deitados de lado mas abraçados - hoje fui a uma consulta - não consegui continuar pois ele sentou-se imediatamente na cama e disparou.
- Eu sabia, está com algum problema e não querias dizer em frente do menino - gargalhei.
- Hey amor tem calma - beijei-o - não estou com problema nenhum, foi só uma consulta de rotina simplesmente comentei contigo por comentar - deitou-se novamente agarrado a mim.
- Assustaste-me com essa conversa - admitiu.
- Tolinho - beijei-o.
- Mas que consulta de rotina foi essa?
- É daquelas que as mulheres devem fazer de vez em quando principalmente quando estão a pensar em engravidar - sorri ao ver o ar aparvalhado dele.
- Amor, tens a certeza que é isso que queres?
- Não - olhou-me confuso - por isso é que vou continuar a tomar a pílula mas ainda assim vou fazer alguns exames e análises que a médica aconselhou - beijou-me - ah e prepara-te porque se decidirmos “engravidar” - gargalhou com o termo que usei - também vais ter que fazer análises.
- Porquê?
- Porque não é só a saúde da mãe que interessa e que tem de ser vigiada, a do pai também deve ser e não te custa muito fazeres uns míseros exames, não é?
- Amor, sou desportista faço exames no inicio de cada época e análises com alguma frequência queres que faça mais o quê?
- Os exames que a médica prescrever e isto é se queres ser pai.
- Tudo bem, decide lá quando é que os tenho de fazer e depois avisa - sorriu - agora anda cá que enquanto não faço os exames posso divertir-me na mesma.

***

Os dias passaram, no fim-de-semana o SCBraga jogou fora e por isso vi a partida em casa com o meu irmão sempre atento à televisão enquanto eu entretive-me a terminar de ler o livro que andava a ler.
Deitei o meu irmão, ainda o Ruben não tinha chegado o que dificultou a tarefa porque o piolho meteu na cabeça que tinha de ficar acordado para reconfortar o pai pela derrota, mas acabou por ser vencido pelo cansaço e assim que adormeceu fui até à sala, queria esperar o meu amor e uma hora depois ouvi a porta a abrir.
- Oi amor - beijei-o - queres comer alguma coisa?
- Não, quero ir dormir - nem deu-me tempo para dizer nada e foi direto ao quarto, acabei por ir até à cozinha e preparar-lhe algo leve para comer, muito provavelmente depois do jogo ainda não tinha colocado nada naquele estomago.
- Tens aqui um sumo e uma sandes - olhou-me quando estava a vestir o pijama.
- És teimosa - olhei-o - falei que não queria comer mesmo assim trouxeste comida.
- Fiz o que a minha coincidência mandou se não quiseres comer não comas, tu é que sabes - ripostei ao passar por ele, fui à casa de banho fazer a minha higiene antes de deitar-me e quando regressei o Ruben agarrou-me pela cintura antes que conseguisse chegar à cama.
- Desculpa, estou irritado e descontei em ti - os seus olhos demonstravam o quanto arrependido estava.
- Preferia que não o tivesses feito mas também não vou ficar aborrecida contigo por uma coisa insignificante.
- Insignificante? Ter perdido um jogo é algo insignificante? Mariana, sabes que perder pontos numa altura destas é como uma sentença para não sermos campeões - o Ruben olhava-me como que a desafiar-me.
- O insignificante foi para a tua atitude ao chegares não foi pelo resultado do jogo, mas se não consegues compreender isso larga-me que quero dormir, aliás nem devia ter ficado acordada à tua espera porque já percebi que foi perca de tempo.
- Não percebes mesmo o quanto o futebol é importante para mim, pois não?
- O que não entendo é o porquê que o futebol sendo a tua profissão é mais importante que a minha que é só ser empregada de alguém.
- Não falei isso.
- Pois não mas naqueles dias que chego a casa e falo que estou cansada ou aborrecida porque algo não correu como esperava simplesmente ignoras e continuas a fazer o que bem te apetece mas hoje porque as coisas não te correram como querias descontas em cima de mim quando fiz o esforço de esperar por ti, porque feita parva pensei que precisasses de falar, de uma palavra amiga ou mesmo simplesmente alguém que te fizesse alguma coisa para comer - o Ruben estava com o olhar baixo - não deixa de ser engraçado ser obrigada a compreender o que sentes quando algo corre mal quando tu nem um esforço fazes para entender o meu lado.
- Desculpa, estou irritado e falei sem pensar.
- Ruben, nunca te esqueças que se falas sem pensar há sempre alguém que ouve o inesperado.
- Vais ficar chateada? - perguntou assim que se deitou ao meu lado.
- Não mas tenho sono e quero dormir.
- Amor - chegou-se para o meu canto - não mereço nem um beijo - os seus dedos desviaram o meu cabelo que cobria a cara - desculpa - olhei por cima do ombro e não resisti acabei por virar-me para o seu lado e unir os nossos lábios, a intenção era ser algo rápido, quase só um encosto mas o Ruben não permitiu isso ao prolongar o beijo, tendo as nossas línguas se encontrado - amo-te - voltou a unir os nossos lábios e após uma troca de mimos inocentes acabamos por adormecer.
Acordei cheia de energia mas fiquei na cama, uma vez que aos domingos não trabalho, estava a observar o Ruben enquanto dormia quando o meu amor se mexeu abrindo os olhos, sorriu para no instante seguinte puxar-me para si, beijinho aqui beijinho ali e já estávamos a entrar por um caminho perigoso quando o Martim bateu na porta, ainda tentamos ignorar mas o menino insistiu e ouvi o Ruben a dar permissão para que entrasse.
- Bom dia - saltou para cima da cama ou melhor para cima do Ruben e deu-lhe alguns beijinhos - eu ontem quis esperar por ti mas a mana não deixou - o Ruben sorriu.
- A mana tinha razão e o melhor foi mesmo não teres esperado - olhou-me - ontem vinha mal-humorado mas já passou.
- Isso quer dizer que hoje podemos ir passear?
- Queres? - o Ruben perguntou-me.
- Por mim ficava por casa durante a manhã e de tarde íamos ao cinema, o que acham?
Eles concordaram e depois de uns minutos de brincadeira acabamos por nos levantar e ir comer. A manhã foi passada a três e depois do almoço fomos então até ao cinema.
- Amor - o Ruben olhou-me - já que aqui estamos podíamos aproveitar para ver o berço - sussurrei-lhe ao ouvido uma vez que estávamos a meio do filme mas foi o suficiente para o meu amor mandar um salto na cadeira.
- Berço?
- Shiu fala baixo que ninguém precisa de ouvir.
- Amor mas para quê que queres um berço - o Ruben alternava o olhar entre o meu e a minha barriga, acabei por sorrir ao lembrar-me que ainda não lhe tinha contado.
- Ups esqueci-me de te dizer mas ontem liguei à Madalena para saber novidades do nosso afilhado e fiquei a saber que a Madalena está de férias esta semana então modo que a convenci a falar com o Mauro para virem passar uns dias connosco, eles aceitaram mas para isso convém termos um berço para o Rafael dormir.
- Ah - sorri perante o ah dele - quando é que eles chegam?
- Amanhã à noite.
- Hum, ok.
Continuamos a ver o filme e quando acabou o Martim quis ir lanchar, comemos e no fim fomos então comprar o berço para o nosso afilhado.
- Mana o que é que tamos aqui a fazer? - o Ruben sorriu ao ouvi-lo.
- Temos que comprar um berço.
- Um quê?
- Uma caminha destas - o Ruben apontou para um berço.
- Porquê?
- Porque o Rafael vem passar uns dias connosco e precisa de cama.
- Fixe - sorrimos perante o entusiasmo.
- Amor - abraçou-me - o que achas daquele - apontou.
- És louco.
- Não gostas?
- Amor, nós vamos comprar um berço para ser usado durante uns dias de vez em quando, certo?
- Sim mas - interrompi-o.
- Mas nada - dei-lhe um leve beijo - amor, vamos comprar um daqueles portáteis - olhou-me como se tivesse a dizer algum disparate - Ruben, existe uns berços que próprios para se levar por exemplo em viagens, porque são muito práticos e é um desses que quero comprar assim eles até o podem levar e têm sempre um berço à mão de semear.
- Isso existe mesmo? - gargalhei perante o ar desconfiado dele.
- Sim, existe - beijei-o - anda que mostro.
Puxei-o pela mão e fomos até à zona dos berços, olhei em volta e encontrei o que queria, estava a ver as características quando uma das funcionárias da loja se aproximou.
- Boa tarde em que posso ajudar? - a miúda, sim que era mais miúda que mulher olhou o Ruben de alto a baixo.
- Boa tarde, nós ainda estamos só a ver - respondi por uma questão de educação.
- Desculpe se me permite o conselho aqueles berços são melhores que este, dão um maior conforto ao bebé - olhei-a com uma vontade de rir afinal não passava de uma miúda a falar do que não sabe.
- Agradeço a opinião mas quero mesmo um berço portátil - o Ruben olhava em volta, estava completamente perdido no meio de tanta coisa de bebé.
- Mas sendo um berço para primeiro filho aqueles são melhores, têm uma duração maior.
- Não ando há procura de um berço que sirva para criar os meus filhos todos, ando sim de um portátil que possa levar numa viagem e que monte e desmonte com facilidade - o Ruben olhou-me.
- Amor - abraçou-me - por mim podia ser aquele - olhei e sorri - o que foi?
- Nada mas achei piada à coincidência da cor - sorriu ou não fosse vermelho e preto - no entanto estou mais inclinada para este daqui, dá maior conforto ao bebé e à Madalena.
- Oh mas aquele é mais giro - sorri.
- Pois mas este é melhor.
- Desculpe estar a interromper - olhei novamente para a funcionária - nós temos este em tons de vermelho se agradar mais ao pai da criança - olhei de imediato para o Ruben.
- Amor, achas que o pai da criança vai gostar mais em tons de vermelho? - o tom da minha voz era de gozo algo que o Ruben percebeu.
- Sim e a mãe também - sorriu.
- Então está escolhido, vai este modelo mas em tons de vermelho.
- Amor é impressão minha ou não foste com a cara da rapariga? Ela até pareceu competente e interessada em ajudar.
- Lá interessada estava mas não era em ajudar de certeza - olhou-me - Ruben, ela tirou-te as medidas todas e mais algumas - gargalhou - não sei onde está a piada.
- Amor, andas a ficar muito ciumenta - virou-me para ele e beijou-me.
- Quem ama sente ciúmes - sorriu.
- Confesso que ficas ainda mais linda com ciúmes.
- Vai gozar com outra - virei-lhe as costas com a intenção de ir pagar o berço mas fui impedida pelo Martim.
- Mana, podemos levar? - ele vinha com um peluche na mão - é para dar ao Rafael.
- Pode ser - sorriu.
- Amor - rodeou-me novamente a cintura com os seus braços - vamos só levar o berço?
- Sim, porquê?
- O Rafael não vai precisar de mais nada? - sorri com a pergunta dele.
- Amor o berço é a única coisa que ele precisa e que o teu irmão não vai trazer, o resto são fraldas e roupa.
- Tens a certeza?
- Tenho e nem penses que vais remodelar mais um quarto só porque o teu sobrinho vem passar uns dias connosco, até porque o menino deve ficar no quarto com os pais.
- Mas podíamos preparar melhor a vinda do Rafael a Braga, afinal é a primeira vez que cá vem - olhei-o.
- Amor, deixa-te de ideias, quando tivermos o nosso pensamos no assunto até lá deixa estar os quartos como estão.
- Ok - deu-me um beijo na bochecha - vou pagar então - não questionei e deixei-o ir, fiquei com o Martim a ver roupa para bebés.
- Mana - olhei-o - quando é que podemos começar a comprar roupa para o teu bebé?
- Martim já falamos sobre isso.
- Mas eu quero.
- O que é que queres? - o Ruben apareceu atrás de nós.
- Um mano - olhei para o meu amor.
- Lindo, nós já falamos sobre isso, tens que esperar mas prometo que nós vamos dar-te o mano.
- Dás mesmo?
- Dou - sorriu-me - nós já andamos a pensar nisso e quando chegar o momento certo nós damos-te o mano, agora vamos embora.
- Tá bem.
O Ruben lá conseguiu convencer o Martim a esquecer temporariamente o assunto e regressamos a casa, o Ruben quis montar o berço e como já previa que seria uma cena imperdível acompanhei-o, lógico que dei algumas gargalhadas mas após umas tentativas o berço ficou montado à espera do Rafael.

Ruben

Depois de ter perdido o jogo acabei por descontar na Mariana mas o meu amor teve a calma e discernimento suficiente para dar-me um desconto e talvez por isso mesmo não terminou em discussão.
O dia de domingo foi passado em família e com muita brincadeira à mistura, isto porque o Martim depois de regressarmos do cinema resolveu que queria brincar com os dois, fizemos a vontade ao menino e passamos o resto da tarde a jogar diversos jogos.

***

Acordei para despachar-me uma vez que tinha treino e quando fui ao quarto do Martim para o despertar encontrei-o já vestido.
- Bom dia pai - sorri perante o cumprimento do Martim.
- Caíste da cama, foi? - dei-lhe um beijinho - Nem precisaste de ajuda para vestires a roupa.
- Não tenho sono - falou todo animado.
- Posso saber o motivo dessa alegria toda?
- Logo chega o Rafael - sorri.
- Realmente como é que não me lembrei disso - sorriu - mas agora vamos comer que vou deixar-te na escola antes de ir para o treino.
- Fixe.
Saímos do quarto e quando chegamos à cozinha já a Filomena tinha o pequeno-almoço pronto, comemos e depois fui deixar o Martim na escola uma vez que a Mariana hoje teve que sair mais cedo para ficar com o Nuninho.
O caminho até à escola foi animado e quando lá chegamos estacionei o carro para acompanhar o Martim até ao portão, quando estávamos próximos reparei que vinha também a chegar o Gonçalo que ao ver-me com o Martim olhou-nos.
- Pai - olhei para o meu piolho e sorri - és tu que vens buscar-me?
- Ainda não sei a que horas é o treino mas se conseguir venho buscar-te - dei-lhe um beijinho - agora entra.
- Tá bem - sorriu - gosto muito de ti - colocou os seus braços em volta da minha cintura.
- Ó piolho também sabes que gosto muito mas mesmo muito de ti - baixei-me para ficar à sua altura - juízo - o Martim desviou o olhar para o colega que continuava atento - não quero ouvir mais queixas tuas, amor eles podem falar o que quiserem tu é que não podes reagir daquela forma, entendes?
- Sim - deu-me um abraço.
- Então agora que já entendeste entra porque tenho mesmo de ir para o treino - dei-lhe mais um beijinho e finalmente o Martim entrou.
Segui para o treino onde encontrei os meus colegas já equipados, despachei-me e segui com eles até ao campo, o treino correu bem e no final decidi ir almoçar com o Nuno.
- Conta novidades? - olhei-o.
- Não tenho nada de especial para contar.
- Oh deixa-te de cenas porque pelo que ouvi hoje de manhã entre a Patrícia e a Mariana tens qualquer coisa para partilhar.
- Estás a falar do quê?
- Não te faças de desentendido.
- Não estou, simplesmente não sei do que falas.
- Vais dizer que a Mariana está a pensar aumentar a família sem saberes, é?
- Ah isso - olhou-me.
- Ah isso - imitou-me - até parece que não é algo que queres e muito.
- Quero mas ainda não passa de uma hipótese que a cada dia está mais perto de se tornar realidade mas que por enquanto não passa de conversas entre mim e a Mariana.
- Já é um avanço - sorri ao ouvi-lo - quando a Mariana há uns meses nem pensava nisso.
- Sim, mesmo assim não a quero pressionar, está nas mãos da Mariana querer ou não engravidar.
- Olha e casamento nunca pensaste nisso?
- Já mas porquê que perguntas?
- Oh porque já estão a falar em filhos quando ainda não casaram e tanto quanto sei querias casar primeiro e filhos depois, posso saber o motivo de teres invertido esses planos desde que estás com a Mariana?
- Quem te disse a ti que os inverti?
- Como assim?
- É só uma ideia em que ando a pensar.
- Não queres ser mais explícito?
- Népia por enquanto é só uma ideia mas quem sabe não vira realidade brevemente.
- Ruben Amorim o que é que andas a tramar?
- Nada de mal.
- Vais pedir a Mariana em casamento, é isso?
- Vês como chegaste lá.
- Quando?
- Isso não interessa quando a pedir acredita que vais ficar a saber até lá fica nos segredos dos Deuses.
- Mas estás a preparar alguma coisa em especial?
- Se com especial queres dizer diferente, sim estou a pensar nisso.
- Puto, a Mariana sabe dessa tua ideia?
- Não, até porque se soubesse perdia o encanto da coisa.
- Ruben sabes que a Mariana detesta ser apanhada de surpresa não achas melhor comentares essa tua ideia com ela?
- Não te preocupes que a Mariana aceita o pedido sem pensar duas vezes.
- Já falaram sobre casamento?
- Já e depois o casarmos vai ser só para oficializar a união diante dos amigos e família.
A conversa continuou mas o assunto casamento só foi abordado durante os minutos seguintes. A tarde passou entre o ginásio e o treino, por isso quem foi buscar o Martim foi a Mariana. Quando cheguei a casa o piolho já estava a fazer os trabalhos da escola, acabei por corrigir o que já tinha feito e ajudá-lo no que não estava a entender.
- Amor - entrei no quarto e dei de caras com a Mariana só em lingeri o que fez com que suspirasse levando-a a gargalhar - não se janta hoje?
- O teu irmão deve estar a chegar - beijou-me.
- Hum ok - sentei-me na cama a observar a indecisão dela quanto à roupa a escolher - posso saber o motivo da indecisão? - olhou-me.
- Nem eu sei - gargalhei - olho para a roupa e não me apetece vestir nada disto.
- Amor - caminhei até ela - por mim não vestias nada disso aliás despias era o resto que te falta - olhou-me danada - mas é melhor escolheres qualquer coisa e bem rápido ou não respondo por mim - beijei-a.
Ficamos a namorar um pouco mas tive que deixá-la no quarto quando ouvi a campainha.
- Pai - olhei para trás e vi o Martim a correr - é o Rafael?
- Deve ser, queres vir ver?
- Sim.
Fui com o Martim até à porta e assim que a abri o menino correu até ao carro do Mauro para ver o Rafael.
- Bem aquilo é que é pressa - sorri ao ouvir o meu irmão para depois cumprimenta-lo e ajudá-lo a retirar as malas do carro.
Entramos em casa sempre com o Martim de volta da Madalena que trazia o Rafael ao colo, fui com o Mauro até ao quarto para deixarmos as malas e quando vínhamos a regressar à sala vi a Mariana, abrandei o passo e assim que chegou junto de nós cumprimentou o Mauro e abraçou-se a mim.
Entramos na sala e a Mariana foi cumprimentar a Madalena e “roubou-lhe” logo o menino dos braços, fiquei a observá-la e um sorriso parvo apareceu no meu rosto o que não passou despercebido ao Mauro.
- Não consegues mesmo evitar, pois não?
- Estás a falar do quê?
- Vais negar que sempre que vês a Mariana com o Rafael não pensas no vosso?
- Penso e se queres saber está cada vez mais perto do meu desejo se tornar realidade - olhou-me surpreendido - a Mariana anda a pensar muito seriamente em engravidar.
- A sério?
- Ya, mas não comentes com ninguém pelo menos até tomarmos uma decisão definitiva.
- Na boa mas vê se tratas disso rápido que quero ser tio.
Continuamos a falar mas agora na mesa, jantamos todos juntos e no final os homens foram corridos da cozinha porque as mulheres assim o quiseram.
- Puto - olhei para o meu irmão - e casamento?
- Pois - sorri - isso irá acontecer no devido tempo.
- Não queres ser mais explícito?
- Mano, estou a preparar o pedido de casamento mas não adianta pedires detalhes que não os vais ter.
- Mas é coisa para breve?

Será que o Ruben responde? Será mesmo para breve? Irá a Mariana aceitar? E que ideia será esta que o Ruben tem para o pedido?

11 comentários:

  1. Olá :)
    É claro que vai pedir e claro que a Mariana tem de aceitar!!!!
    Fico à espera de mais!
    Beijinhos
    Rita

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  2. Ai, ai!
    Precisava mesmo disto!
    Adorei!
    Espero bem que este pedido seja para breve, até porque estou super curiosa para saber o que o Rúben vai aprontar.
    Continua!
    Beijinhos

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  3. Adorei esta fantastico.bjs

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  4. Ai, perfeição!!!!!!
    Tu me encanta com esse jeitinho de escrever, awn *-* Quero mais, rapidex, pode ser? haha :P
    Beijinhoss! :*

    GabiiS.

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  5. Olá Caty :D
    Desculpa ontem não consegui comentar.
    Adorei o capítulo claro! O Ruben e o Martim estão cada vez mais unidos :)
    Espero que a Mariana goste da surpresa que o o Ruben anda a imaginar e que aceite o pedido de casamento.
    Beijinhos
    Ritááá xD

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  6. fabuloso...

    quero mais... tou super curiosa para ver o proximo...

    continua... cada vez ta melhor...

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  7. A Mariana anda mesmo carente, só quer miminhos.
    Quem diz que as mulheres são umas coscuvilheiras é porque nunca ouviu uma conversa entre homens, prova disso é a conversa do Ruben com o Nuno, bem o menino Nuno saiu-me cá um cusco, mais logo quer saber mais do que o Ruben. Ele quer saber se a Mariana vai engravidar, se casam ou não, se é antes ou depois de terem um filho, se já fez o pedido, e para ajudar à festa só faltava mesmo o Mauro. Coitado do Ruben, vai ser bem espremido, vamos ver se ele se descai com alguma coisa.
    Agora só para que saibas, eu também fiquei um bocadinho curiosa com estas perguntinhas do final, o que será que o Ruben anda a preparar? E fico-me por aqui, senão ainda dizes que já aprendi com o Mauro e com o Nuno.
    Adorei, tá muito bom, como sempre.

    Beijocas

    Fernanda

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  8. Ui ui casório... vamos lá ver se a Mariana tá nessa :p e ai o mau perder do menino Ruben...
    Gostei muitoo! :D
    Agora vamos lá ver que mais novidades vêm aí!
    Beijinhoo

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  9. Amei *.*
    Estou ansiosa pelo proximo xD

    Beijinhos

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  10. Ai so agora consegui ler e bem, adorei, amei, gostei... Todos estes verbos ja nao sao novidade. Mas agora casamento, isso já e!!!
    Ui eu gostei desta ideia e fiquei cuirosa!
    Quero o proximo!

    Beijo
    Ana

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  11. Gosto e muito!!!
    Viciante como sempre!!!
    Adoro!
    Beijinhos

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