Mariana
Depois da mãe do Ruben nos ter apanhado na cozinha corri com ele de lá, afinal tinha consciência que se o meu amor continuasse no mesmo espaço nem hoje nem nos próximos dias haveria jantar. Fiquei sozinha e no fim de colocar o nosso comer no forno decidi regressar para junto dos meus dois amores, mesmo correndo o risco de dar de caras com a Anabela, no entanto não foi isso que me incomodou, foi mesmo ouvir o final da conversa entre o Ruben e o Martim, ouvir o meu irmão mas principalmente o Ruben fez com que percebesse que ando a adiar o inadiável, ainda assim resolvi fingir que não tinha ouvido nada e sentei-me serenamente do lado deles e assim que o fiz o meu irmão saltou imediatamente para o meu colo.
Acordei tarde, afinal hoje estava de folga e quando olhei para o lado
encontrei uma rosa acompanhada por um cartão onde tinha uma simples frase,
ainda assim foi o suficiente para ficar com um sorriso bobo no rosto
“O amor só é lindo quando encontramos alguém que nos transforme no
melhor que podemos ser. Amo-te”

Faz hoje um ano que falaste muita
coisa com sentido mas houve uma frase que nunca esqueci, vê se te recordas
dela, “Que se não tira as suas mãos de cima de mim, vai passar a noite ao
hospital e não será por estar com gripe, veja lá se quer deixar de jogar
futebol” ainda a manténs?? Quem diria que um ano depois iriamos estar a
comemorar o dia em que baixaste a guarda desta forma. Amo-te
No final do almoço ainda fomos passear os dois, aproveitar o
tempo para namorar, regressamos a casa já ao anoitecer e quando pensava que já
não haveria mais surpresas o Ruben surge com uma caixa nas mãos.
- Toma - sorriu - é para usares hoje - olhei-o
desconfiada o que provocou a gargalhada nele - não é nada de mal - beijou-me - é só um miminho para a melhor namorada do mundo.
Depois da mãe do Ruben nos ter apanhado na cozinha corri com ele de lá, afinal tinha consciência que se o meu amor continuasse no mesmo espaço nem hoje nem nos próximos dias haveria jantar. Fiquei sozinha e no fim de colocar o nosso comer no forno decidi regressar para junto dos meus dois amores, mesmo correndo o risco de dar de caras com a Anabela, no entanto não foi isso que me incomodou, foi mesmo ouvir o final da conversa entre o Ruben e o Martim, ouvir o meu irmão mas principalmente o Ruben fez com que percebesse que ando a adiar o inadiável, ainda assim resolvi fingir que não tinha ouvido nada e sentei-me serenamente do lado deles e assim que o fiz o meu irmão saltou imediatamente para o meu colo.
- Mana, eu gosto
muito de ti - sorri ao ouvi-lo.
- A mana também gosta
muito de ti - olhei para o Ruben - não
fiques com ciúmes porque também gosto muito de ti - aproximei-me ainda mais
do meu amor unindo os nossos lábios num beijo “decente” ainda assim carregado
de sentimento - amo-te - sorriu.
Ficamos na brincadeira e só a interrompemos quando foi para
ir jantar, comemos e no final a Anabela ofereceu-se para ir deitar o meu irmão,
não coloquei entrave nenhum até porque o menino gostou da ideia e vimo-los sair
da sala.
- Amor, temos que
falar - o Ruben manifestou-se assim que ficamos a sós e quando já estava a
tentar aninhar-me nos seus braços - não
adianta negares porque percebi que ouviste a conversa que tive com o teu irmão
- suspirei para olhá-lo logo depois.
- Ouvi a parte em que
ele sugeriu que me pedisses um filho, percebi ainda as razões pelas quais anda
tão obcecado com isso e ainda ouvi a parte em que falou que agora que namoro
com alguém que tem dinheiro posso deixar de trabalhar e assim dar-lhe atenção
- o Ruben olhava-me atento - mas o que
retive mesmo dessa conversa foi aquilo que falaste, a forma como lidaste com o
meu irmão e o fizeste entender que estava errado, amor não interessa o que o
Martim falou, interessa sim aquilo que ouvi da tua boca mais uma vez provaste
que também tu estás a crescer junto com o Martim, era impensável há uns meses
atrás teres tido esta conversa com o meu irmão e isso sim deixa-me serena de
que tenho do meu lado alguém capaz de assumir um papel importante na minha vida
e na do meu irmão.
- Não ficaste magoada
com o menino?
- Não, Ruben é só uma
criança que faz tudo o que pode para conseguir o que quer, ele quando falou nem
sequer pensou no peso das palavras e no quanto podiam magoar-me, é verdade que
em frente dele não posso dizer isto mas no fundo compreendo-o tal como o
compreendeste ainda assim repreendeste-o, o que fizeste foi de pai nunca te
esqueças disso.
- Tentei explicar-lhe
o melhor que consegui as nossas razões para adiarmos a vinda do tão esperado e
desejado bebé mas não sei se consegui - sorri com o desabafo dele.
- Amor, não te
preocupes com isso, por muito bem que possas ter explicado o Martim vai
continuar a insistir no assunto simplesmente porque meteu isso na cabeça e não
vai descansar até conseguir, sempre foi assim e não vai mudar agora.
- Como é que achas
que o menino irá reagir quando engravidares?
- Amor por muito que
o Martim queira um irmão, quando perceber que terá que dividir-me com ele não
vai achar piada, está habituado a dividir a minha atenção com outras crianças
mas só até certo ponto sabe que a partir de determinada hora que me tem só para
ele e quando tivermos o nosso primeiro filho isso já não vai ser bem assim, o
Martim vai adorar a fase da gravidez mas vai detestar os primeiros meses de
vida do bebé, podes mentalizar-te para isso.
- Acreditas mesmo
nisso?
- Ruben conheço o meu
irmão por isso não duvides que vai ser isso que irá acontecer.
- Acho que podemos prepará-lo
para essa nova realidade.
- Por muito que
tentarmos prepará-lo vai ser sempre uma novidade mas também não estou muito
preocupada com o assunto, quando chegar o momento logo lidamos com a situação.
- Pois, talvez seja
melhor não pensarmos muito no assunto até porque para esse dia chegar ainda
falta muito - beijou-me.
- Ou então não -
falei assim que separamos os nossos lábios - isto não me sai da cabeça de forma alguma - suspirei.
- Amor é impressão
minha ou estás a sentir-te pressionada para tomares essa decisão?
- Não é nada disso
- aninhei-me ainda mais nos seus braços - mas
tenho andado a pensar no assunto e nós podíamos inverter a ordem inicial -
hesitei por uns segundos o que foi suficiente para o Ruben fazer-me olhar para
ele - tipo podíamos tentar ainda assim
de qualquer forma já não tenciono regressar aos estudos para o ano e na verdade
se correr tudo bem dá tempo do bebé nascer e ainda consigo ficar os primeiros
meses com ele, porque os planos será só entrar na faculdade daqui a mais ou menos
dois anos.
- Isso é tudo muito
bonito mas vais conseguir deixar o nosso filho entregue a uma ama ou na creche
para ires estudar? - baixei o olhar, afinal atingiu-me no meu ponto fraco -
Bem me parecia que não conseguias por
isso pára com essas ideias de começarmos a tentar - interrompi-o.
- Juro que não
entendo, primeiro querias e agora que estou a ponderar engravidar já não
queres, é?
- Se queres começar a
tentar engravidar lógico que não vou opor-me mas também custa saber que estás
novamente a abdicar de um sonho em prol de outro e que a culpa em parte é
minha, porque se nunca tivesse tocado no assunto não estarias neste momento a
colocar esta hipótese.
- Quando é que
entendes que se estou indecisa é porque também quero ser mãe e que no fundo sei
que quanto mais adiar pior é.
- Amor, já dei a
minha opinião e agora a decisão será tua, só te peço que não a tomes de ânimo
leve, pensa no que queres, leva o tempo que precisares porque vou estar aqui à
espera de saber o que decidiste e independentemente do que for irei apoiar-te.
- Sabes que não estás
a ajudar em nada - olhou-me confuso - isto
terá que ser uma decisão dos dois.
- Que queres que te
diga? Que quero ser pai, isso já sabes, que por mim seria daqui a nove meses,
também já sabes, que não quero ser o responsável por abdicares novamente de um
sonho, já o disse, por isso o que queres? Que seja eu a decidir pelos dois?
Lamento mas não consigo, talvez esteja mesmo a ser um puto mimado que nunca
teve que decidir nada sozinho mas desculpa se neste caso sou incapaz de meter o
meu querer à frente do teu - deixou-me sem saber o que dizer e por isso
limitamo-nos a ficar no silêncio ainda assim abraçados e a mimarmo-nos
mutuamente.
***
Estava quase a adormecer nos braços do Ruben e ainda no sofá
quando vimos a Anabela a entrar na sala, trocamos meia dúzia de palavras com
ela mas acabamos por ir até ao quarto, onde nos deitamos e adormecemos
abraçados.
“O amor só é lindo quando encontramos alguém que nos transforme no
melhor que podemos ser. Amo-te”
Fiquei alguns minutos na cama e cheirar a rosa e a pensar em
como a minha vida mudou tanto num ano mas acabei por levantar-me, estava com
fome e com a certeza que o dia ainda mal tinha começado, algo dentro de mim
avisava-me que o Ruben não iria deixar o dia de hoje passar em vão por todos os
significados e mais alguns que tem para nós.
Tomei um duche rápido e escolhi uma roupa confortável,
afinal iria ficar por casa. Saí do quarto e fui direta à cozinha, estava
entretida a comer quando vi a Anabela a entrar.
- Bom dia -
cumprimentou-me.
- Olá - retribuí
- é mesmo consigo que preciso falar
- olhou-me - é você que se vai desbocar
e dizer quais os planos do seu filho - gargalhou.
- Lamento mas por mim
não vais saber nada, o Ruben andou a preparar este dia ao mais ínfimo detalhe
por isso não vou ser eu que irei estraga-lo.
- Anabela fica um
segredo só nosso - sorriu.
- Esquece, terás
mesmo que esperar.
- Que remédio -
bufei levando-a a sorrir novamente.
Acabei de comer e decidi ir dar uma volta, precisava ocupar
a cabeça para não pensar muito na decisão que terei de tomar brevemente e por
isso fui caminhar um pouco. Quando regressei a casa tinha em cima da mesa de
apoio da sala um pequeno envelope, não foi preciso perguntar para quem seria
afinal sabia que aquilo tinha dedo do Ruben, peguei nele e abri-o, encontrei uma
foto nossa, sorri ao recordar o dia em que foi tirada, foi num dia que o Martim
resolveu armar-se em fotógrafo e foi ter connosco ao quarto, quando ainda
morava na casa do Nuno, nesse dia o menino pediu-nos para dar um beijo e fazer
um coração com as mãos, fizemos-lhe a vontade e o Martim registou o momento, na
foto estava inscrita uma pequena frase que fez com que gargalhasse ao lê-la.

Estava feita tonta a olhar para a foto quando vi o Ruben a
entrar na sala, o sorriso dele deixou-me a levitar completamente.
- Por momentos pensei
que me tivesses abandonado em pleno dia dos namorados - falou já sentado do
meu lado - posso saber onde a menina
foi?
- Tens mesmo a
certeza que queres falar - beijei-o - é
que tenho outras ideias para ocupar o tempo - sussurrei-lhe ao ouvido.
- E posso saber que
ideias são essas?
- Podes, podes mas é
levantar o rabo do sofá e vires comigo até ao quarto - gargalhou.
- Amor, estamos
sozinhos - beijou-me - despachei a
minha mãe e ainda a incumbi da tarefa de ir buscar o Martim à escola e de o
levar a passear - sorriu - temos a
casa só para nós.
Ainda o Ruben não tinha acabado de falar já tinha saltado
para o colo dele, queria ser dele o quanto antes e foi isso mesmo que lhe dei a
entender, acabamos por nos amar ali mesmo no sofá da sala, sem pressas nem
urgências, eramos só nós os dois e o sentimento que nos une. Repetimos a
entrega algumas vezes mas acabamos por ir até ao jacuzzi onde voltamos a ser um
do outro.
- Ruben - abriu
os olhos - ao longo dos anos aprendi que
a maturidade vem aos poucos, que a família é tudo, que amigos sinceros são
poucos, que melhores dias virão, que na vida nem tudo vale a pena mas só
contigo é que aprendi que o amor chega na hora exata mas principalmente que a
minha felicidade depende das escolhas que faço, fizeste-me escolher entre o
conforto e o risco, escolhi o risco sem saber que estava a escolher o conforto,
se amar é um risco, ser amada é o maior conforto que posso ter - sorriu - amo-te e só sei que a minha vida sem ti não
faz mais sentido, obrigada por tudo o que já me proporcionaste e por aquilo que
ainda vais dar.
- Não tens que
agradecer nada até porque amar é uma aprendizagem continua mas acima de tudo a
dois, neste ano que passou ensinaste-me muito, fizeste-me crescer enquanto
homem, deste-me uma família para a qual regressar depois de um dia de trabalho
ou de um dia menos conseguido, provaste em cada gesto e palavra que o amor puro
existe, aquele em que só um simples beijo é suficiente para demonstrar o
sentimento que nos une e isso é muito mais do que alguma vez tive.
- Isto só foi
possível porque compreendeste-me desde o início e respeitaste-me sempre, nunca
forçaste nada, esperaste sempre que chegasse o momento ou que me sentisse
preparada para avançarmos - beijou-me.
- Mariana, só podia
esperar que estivesses preparada para avançar e se queres mesmo saber o ter
consciência que fui o teu primeiro só faz com que procure o que de melhor possa
existir dentro de mim, afinal de uma forma ou de outra, foi a mim que
escolheste e a quem te entregaste, digas o que disseres nunca irás fazer com
que esqueça esse momento, por muito que lhe queiras retirar a importância que teve
e tem nunca irás conseguir, mesmo sem quereres é uma prova do teu amor por mim,
afinal foi a mim que te entregaste verdadeiramente.
- Ruben, teres a
noção que és o único homem com quem já tive relações muda alguma coisa? - a
minha pergunta apanhou-o desprevenido, percebi isso pela falta de reação.
- Não te amo mais por
isso mas não posso negar que é diferente, saber que foi comigo que tiveste a
tua primeira experiência torna tudo mais especial, único, talvez por ter a
consciência que em algum momento viste algo em mim que não conseguiste descobri
em mais ninguém.
- Não leves a mal a
pergunta mas a verdade é que desconfiaste que nunca tinha estado com rapaz
nenhum muito antes de sonhar que hoje poderia estar contigo - calou-me com
um beijo.
- Amor, não foi por
ter quase a certeza que ainda eras virgem que fez com que te amasse mais ou que
me aproximasse de ti, conquistaste-me pela maneira simples como amas aqueles
que realmente são importantes para ti e não por ter a hipótese de ser o teu
primeiro.
- Como é que sabias
que era isso que ia perguntar? - sorriu.
- Talvez porque te
conheço e já sei que volta e meia ficas insegura apesar de não teres motivos
nenhuns para isso.
Não respondi, limitei-me a abraça-lo novamente e a deixar a
minha cabeça no seu peito, ainda ficamos dentro do jacuzzi durante mais alguns
minutos mas acabamos por sair.
- Amor - olhei-o
quando já estava a escolher a roupa para vestir - o que achas de irmos almoçar a um lado qualquer?
- Por mim tanto faz.
- Então vamos.
Fiz-lhe a vontade e saímos para almoçar, comemos numa
constante troca de carícias e nem o facto de termos meio restaurante a
olhar-nos foi impedimento para o mimar, afinal se há pessoa que merece é ele
por tudo o que já o obriguei a passar.
No final do almoço ainda fomos passear os dois, aproveitar o
tempo para namorar, regressamos a casa já ao anoitecer e quando pensava que já
não haveria mais surpresas o Ruben surge com uma caixa nas mãos.
- Exagerado -
sorriu.
O Ruben não respondeu mas ficou à espera que abrisse o
presente e assim que o fiz fiquei a olhar para o vestido, era simples mas a
“minha cara”.
- Obrigada amor -
beijei-o - assim estragas-me com mimos
- sorriu.
- E ainda não viste
nada - beijou-me - anda -
puxou-me pela mão - vamos mudar de roupa
para irmos jantar.
- Presumo que queres
que use o vestido - falei quando entramos no quarto.
- Sim - sorri e
fiz-lhe a vontade, troquei de roupa mas usei o seu presente.
Estava na casa de banho a dar os últimos retoques na imagem
quando o Ruben decidiu invadir o espaço e raptar-me, ou não fosse ter-me quase
arrastado até ao carro, abriu a porta para que entrasse e só quando o fiz é que
deu a volta sentando-se no lugar do condutor.
Não foi preciso muito para perceber para onde ele nos
levaria, conhecia aquele caminho como a palma da minha mão ou não fosse ser um
dos meus lugares preferidos e onde já passamos tantos momentos, mas ao
contrário do que esperava desta vez o Ruben conseguiu mostrar-me algo que ainda
não conhecia.
- Onde é que estamos?
- sorriu.
- Num dos quatro
hotéis existentes em redor dos jardins do Bom Jesus - olhei-o admirada
afinal desconhecia a existência dos mesmos - espero que gostes porque vai ser aqui que iremos passar as próximas
horas - sorriu com aquele ar de sacana que só ele sabe fazer.
- Com próximas horas
deves querer dizer até às dez, sim porque temos uma criança à nossa espera em casa
- piquei-o.
- Temos, temos mas é
uma criança entregue à avó que foi para isso que a minha mãe veio passar uns
dias connosco - gargalhei ao ouvi-lo - achas
mesmo que irias passar o teu primeiro dia dos namorados sem o comemorares com
tudo a que tens direito? - beijou-me - Agora
vamos que temos de jantar - saiu do carro e no instante seguinte já estava
a abrir-me a porta que nem um cavalheiro andante.
Percebi que tinha tudo pensado até ao mais ínfimo detalhe ou
não fosse ter retirado uma pequena mala da bagageira do carro, entramos no
hotel e depois do check-in fomos encaminhados até ao nosso quarto, onde já nos
esperava o nosso jantar, olhei em volta e mais não podia pedir, estava
simplesmente fantástico, o quarto estava decorado de forma a não nos ser possível
esquecer o significado do dia, jantamos em clima de total romance, onde o Ruben
brindou-me com toda a espécie de mimo que pudesse imaginar.
O resto da noite escusado será dizer que serviu para tudo
menos para descansarmos, consegui sair do hotel com aquela sensação de ter
passado um camião por cima mas ainda assim com a certeza de querer repetir
muitas mais vezes uma noite como a que me proporcionou.
Ruben
O dia ontem foi especial, ter conseguido proporcionar um dia
diferente à Mariana deixou-me ainda mais feliz, aproveitamos para namorar e
termos uns momentos a dois que é algo raro, afinal o Martim está sempre
presente.
Despertei com o meu amor a dar-me pequenos beijos pelo
rosto, aquilo foi suficiente para elevarmos a outro patamar a troca de mimos e
voltamos a amarmo-nos, só depois é que resolvemos ir para o duche e uns bons
minutos depois conseguimos finalmente sair do quarto, comemos e só depois
regressamos a casa.
Entramos e encontramos um silêncio que só existe quando o
menino não está por perto, não nos foi difícil adivinhar que já deveria ter
saído para a escola, acabamos por ficar pela sala mas quando chegou o momento
de sair para o treino, a Mariana também seguiu para a casa do Nuno, afinal
tinha o Nuninho à sua espera.
***
- Bom dia - assim
que entrei no balneário cumprimentei os meus colegas de forma animada o que foi
motivo suficiente para o Nuno implicar.
- Ena que ontem deve
ter corrido mesmo bem - olhei-o - para
vires tão animado.
- Não deves estar à
espera que dê detalhes, não é?
- Por acaso até estou
- gargalhou - a sério puto nunca te
tinha visto assim tão feliz.
- Talvez porque nunca
o tive - suspirei.
- Estás mesmo
apanhadinho - sorriu - se me
tivessem dito há um ano que hoje estaria aqui a presenciar esta felicidade toda
não teria acreditado.
- Nem eu -
gargalhamos os dois.
- Oh mas confessa lá
que a Mariana mexeu contigo desde o primeiro segundo que a viste - sorri.
- O facto de
evitar-me ao máximo deixou-me curioso mas nos primeiros meses nunca me passou
pela cabeça que um ano depois podíamos estar a namorar mas principalmente a
viver juntos.
- Vieste para Braga à
procura de um pouco de paz e encontraste alguém que provocou uma revolução
completa na tua vida.
- Ainda bem que vim e
que encontrei a Mariana, caso contrário a esta hora estava casado e infeliz ou
então divorciado - olhou-me surpreendido pelo meu desabafo - o que tinha com a Soraia não era e nem
nunca foi amor.
Continuamos a conversa mas agora durante o aquecimento, o
treino correu bem e no fim fui até casa, tinha que ir levar a minha mãe à
estação dos comboios uma vez que regressava hoje. Quando cheguei encontrei a
Mariana em casa com o Nuninho, tinha vindo despedir-se da minha mãe e acabou
por acompanhar-me até à estação e depois seguimos para a casa do Nuno, onde passamos
as horas seguintes na conversa com o nosso amigo. De tarde tivemos treino mas
antes fui buscar o Martim à escola e assim que o menino me viu correu para os
meus braços.
- Como correu? A mana
gostou?- sorri perante a preocupação e curiosidade do menino.
- Correu tudo bem e a
Mariana gostou muito.
- Fixe - sorri.
- Vá agora temos que
ir que tenho treino daqui pouco.
- Posso ir contigo?
- Hoje não vai dar
mas prometo que para a semana levo-te a ver o treino, pode ser?
- Porquê que não
posso ir?
- Amor, nós hoje
vamos preparar o jogo deste fim-de-semana por isso não dá mesmo, entendes?
- Sim.
Deixei o menino na casa do Nuno com a Mariana e segui para o
treino, quando regressei a casa encontrei o meu amor a ajudar o Martim nos
trabalhos da escola, não os incomodei e fui até à sala ver um pouco de
televisão. Os minutos passaram e o Martim veio ter comigo para irmos brincar,
fiz-lhe a vontade até sermos chamados para jantar, no final ajudei a Mariana a
arrumar a cozinha e depois partilhamos o serão com o menino, quando chegou o
momento dele ir para a cama, foi a irmã que o foi adormecer, afinal era quem o
menino queria com ele. Acabei por ir até ao quarto e foi deitado que esperei a
Mariana, ainda falamos durante alguns minutos mas fomos vencidos pelo sono e adormecemos.
***
As semanas passaram sem que desse conta disso e o dia do pai
aproximava-se, talvez por isso hoje quando fui buscar o Martim à escola fui
surpreendido com o pedido por parte do segurança para ir falar com a diretora
da escola, achei estranho ainda assim dirigi-me para a sala que indicaram e
assim que entrei encontrei o Martim sentado e de trombas.
- Ruben - o
menino correu para os meus braços.
- Boa tarde -
cumprimentei a diretora da escola - qual
é o motivo do Martim estar aqui consigo? - fui direto ao assunto.
- É o responsável
pelo Martim?
- Sim - olhou-me
desconfiada talvez porque nos papéis era só o nome da Mariana que aparecia - o
Martim vive comigo por isso agradeço que diga o que se passou.
- O Martim hoje
empurrou um colega de turma - olhei para o menino que baixou a cara - em plena sala de aulas mas recusasse a
dizer o motivo que o levou a ter tal atitude.
- Martim -
olhou-me - o que é que se passou?
- Tás chateado
comigo? - perguntou de rajada.
- Primeiro quero
saber o motivo pelo qual empurraste o menino.
- Ele disse uma coisa
que não gostei - foi notório o esforço que o Martim fazia para não chorar -
ele disse que eu não podia fazer a
prenda para o dia do pai porque não tenho pai e eu falei que tu és como um pai
para mim e ele disse que só falas que gostas de mim para eu não chorar e eu não
gostei de ouvir isso.
- Martim mas isso não
te dá o direito de empurrares os teus colegas.
- Pois mas ele já
pode gozar comigo porque não conheço o meu pai, eu não tenho culpa e eu só
quero ser igual aos outros meninos, porquê que eles podem fazer a prenda e eu
não? - desviei o olhar para a diretora.
- Amor -
sentei-me com ele no meu colo - ninguém
te disse que não podias fazer a prenda, pois não?
- Ele disse.
- Tudo bem ele falou
isso mas em vez de o empurrares devias ter falado com a tua professora, além
disso o que é que te pedi para fazeres sempre que algum menino te chateasse?
- Disseste para eu
falar contigo ou com a mana - baixou o olhar - e para nunca bater nem aleijar os outros meninos, para fingir que não
tinha ouvido mas eu não consegui e agora tás chateado comigo.
- Martim não estou
chateado contigo quanto muito estou aborrecido porque o que fizeste não se faz,
por muito que os meninos possam dizer algo que não gostes não podes bater nem
empurrar ninguém, pensaste que o teu colega podia ter-se aleijado?
- Não.
- Mas é bom que te
recordes disso e quando um colega começar a dizer que não tens pai lembra-te
que é com a tua professora que tens de falar, ela resolve o problema, entendes?
- Sim mas tás
chateado comigo?
- Não - o menino
sorriu - mas não gostei de ficar a saber
do que fizeste - voltou a perder o sorriso.
- Desculpa.
- Acho bem que peças
desculpas e já agora pediste ao teu colega também?
- Não nem vou pedir.
- Aí é que estás
enganado, vocês erraram os dois por isso vais pedir desculpas a ele.
- Tá bem.
- Agora espera por
mim lá fora - pedi-lhe depois do menino abraçar-me - que já vou ter contigo - o piolho saiu e assim que fechou a porta
levantei-me e dirigi-me à diretora - o
Martim errou ao empurrar o colega mas espero sinceramente que situações destas
não se venham a repetir, sei que por vezes as crianças são más umas para as
outras mas o Martim não tem culpa de não conhecer o pai biológico.
- Entenda que não
podemos controlar o que as crianças dizem e se o Martim não fala connosco não
temos como adivinhar o que se passa.
- No mínimo deveriam
ter-se preocupado em saber o que levou-o a ter tal atitude, porque violento é
algo que o Martim nunca foi, ele é uma criança afável por isso deveriam ter
desconfiado que talvez tivesse sido o outro menino a provoca-lo.
- Está a insinuar que
só o Martim ficou de castigo?
- Não, estou a dizer
que só ao responsável pelo Martim é que chamaram a atenção, caso contrário já
saberia o motivo que originou o conflito entre os miúdos ou então teria
encontrado aqui o colega do Martim.
- Foi o Martim é que
empurrou o Gonçalo.
- Ah e porque foi o
Martim que empurrou, só o Martim é que deve ser castigado? Agradeço que para a
próxima averigue primeiro a situação e depois castigue os dois, não estou a
pedir para ser condescendente com o Martim mas sim que seja justa.
Ainda troquei mais algumas palavras com a diretora mas
acabei por sair e encontrar o Martim sentado numa cadeira à minha espera. Assim
que ouviu a porta a abrir veio imediatamente ter comigo.
- Quero ir embora
daqui.
- Vamos -
sorri-lhe numa tentativa de o animar um pouco.
O menino deu-me a mão e caminhamos para o exterior das
instalações, foi quando estávamos a chegar ao carro que o Martim puxou-me o
braço fazendo com que olhasse para ele.
- Foi aquele -
apontou para o colega - que disse que
não tenho pai.
- Amor, não ligues ao
que o Gonçalo possa dizer.
- Mas eu não gosto e
fico triste.
- Ó piolho não falas
que sou o teu pai?
- Sim.
- Então tens pai e
não interessa se sou ou não pai biológico, amor fixa o que te vou dizer -
olhou-me atento - pai é quem cria e dá
amor - sorriu - posso só te ter
conhecido há um ano mas amo-te como um pai ama um filho, vives comigo e com a
Mariana para todos os efeitos somos nós os teus pais e o resto não interessa.
O Martim não respondeu, simplesmente entrou dentro do carro,
não insisti e fomos o caminho todo em silêncio, mas assim que chegamos a casa
retomei o assunto.
- Martim -
olhou-me - tens que contar à mana o que
se passou.
- Não quero -
baixou o olhar - ela depois fica zangada
comigo.
- Amor tens de contar
até porque a Mariana vai acabar por saber e vai ser pior se souber pela tua
professora, não é?
- Mas ela vai ralhar
comigo e tu já falaste com a diretora e ficou tudo bem.
- Mesmo assim a
Mariana tem que saber.
- Podes contar tu?
- Martim é melhor
seres tu.
- Mas tu explicas
melhor que eu - os olhinhos dele imploravam para que cedesse e a verdade é
que não consegui mesmo resistir.
- Ok, desta vez falo
com a Mariana mas é só desta - interrompeu-me.
- Também já não vai
haver mais eu já percebi que não posso fazer aquilo - com esta o menino
desarmou-me por completo, entramos de mãos dadas em casa, notei que o Martim
estava mesmo com receio da reação da Mariana e por isso aproveitei que a
Filomena se ofereceu para lhe dar o lanche para ir até ao quarto ter com o meu
amor que segundo a nossa empregada passou o dia quase todo no quarto.
Como irá reagir a Mariana à novidade sobre o irmão?
Olá :)
ResponderEliminarBem isto é que foi um capitulo todo romantico :P
Adorei os "pequenos" presentes *.* tão fofinhos mesmo!
Fico à espera do próximo!
Beijinhos
Rita
E pronto ADOREI já sabes que sim...
ResponderEliminarAgora venha o próximo
Bjokinhas
Mariaa
Awn que lindo. Esses dois me deixando ainda mais encantada a cada dia que passa. Perfeito! *-*
ResponderEliminarQuero, muito, mais.
GabiiS.
O Ruben e o Martim são um amor *.* E aqela directora, grr!
ResponderEliminarE será qe a Mariana está bem e tou para ver como vai reagir!
Quero o próximo! Beijinhoos
Olá!
ResponderEliminarMais uma vez o Ruben a surpreender como pai!
Eu acho que ele ja estava preparado para outro baby...
Espero o proximo!
Beijo
Ana
O Ruben tá sempre a surpreender, o homem é um romantico, preparou tudo ao pormenor para comemorar o dia dos namorados, escusado será dizer que adorei.
ResponderEliminarJá para não dizer que o homem é um pai a 100%, gostei da conversa dele com a directora, quer dizer erraram os dois e só porque o Martim é que empurrou o outro, ele é que ficou de castigo e o outro nada, tá mal,ou ficavam os dois ou não ficava nenhum.
Que mais posso dizer, adorei este mega capitulo, tá espectacular, mas isso já não é novidade.
Fico à espera do próximo.
Beijocas
Fernanda
Adorei!
ResponderEliminarContinua!
Gosto muito desta fic.
Beijinhos
olá!
ResponderEliminarTenho no meu blog um Liebster Blog Award para responderes :D
http://romanceinesperado.blogspot.pt/2012/09/liebster-blog-award.html
Beijinhos
Ritááá xD
magnifico...
ResponderEliminarquero mais... tou super curiosa para ver o proximo...
continua...
Como gosto do Ruru todo romantico :D :D :D
ResponderEliminarGosto muito!!!
Bem a o Martim??!!! Acho que a Mariana não vai gostar muito...
Vou continuar a leitura ;)
Beijinhos