sexta-feira, 7 de setembro de 2012

056 - “…fizeste-me escolher entre o conforto e o risco, escolhi o risco sem saber que estava a escolher o conforto…”

Mariana

Depois da mãe do Ruben nos ter apanhado na cozinha corri com ele de lá, afinal tinha consciência que se o meu amor continuasse no mesmo espaço nem hoje nem nos próximos dias haveria jantar. Fiquei sozinha e no fim de colocar o nosso comer no forno decidi regressar para junto dos meus dois amores, mesmo correndo o risco de dar de caras com a Anabela, no entanto não foi isso que me incomodou, foi mesmo ouvir o final da conversa entre o Ruben e o Martim, ouvir o meu irmão mas principalmente o Ruben fez com que percebesse que ando a adiar o inadiável, ainda assim resolvi fingir que não tinha ouvido nada e sentei-me serenamente do lado deles e assim que o fiz o meu irmão saltou imediatamente para o meu colo.

- Mana, eu gosto muito de ti - sorri ao ouvi-lo.
- A mana também gosta muito de ti - olhei para o Ruben - não fiques com ciúmes porque também gosto muito de ti - aproximei-me ainda mais do meu amor unindo os nossos lábios num beijo “decente” ainda assim carregado de sentimento - amo-te - sorriu.
Ficamos na brincadeira e só a interrompemos quando foi para ir jantar, comemos e no final a Anabela ofereceu-se para ir deitar o meu irmão, não coloquei entrave nenhum até porque o menino gostou da ideia e vimo-los sair da sala.
- Amor, temos que falar - o Ruben manifestou-se assim que ficamos a sós e quando já estava a tentar aninhar-me nos seus braços - não adianta negares porque percebi que ouviste a conversa que tive com o teu irmão - suspirei para olhá-lo logo depois.
- Ouvi a parte em que ele sugeriu que me pedisses um filho, percebi ainda as razões pelas quais anda tão obcecado com isso e ainda ouvi a parte em que falou que agora que namoro com alguém que tem dinheiro posso deixar de trabalhar e assim dar-lhe atenção - o Ruben olhava-me atento - mas o que retive mesmo dessa conversa foi aquilo que falaste, a forma como lidaste com o meu irmão e o fizeste entender que estava errado, amor não interessa o que o Martim falou, interessa sim aquilo que ouvi da tua boca mais uma vez provaste que também tu estás a crescer junto com o Martim, era impensável há uns meses atrás teres tido esta conversa com o meu irmão e isso sim deixa-me serena de que tenho do meu lado alguém capaz de assumir um papel importante na minha vida e na do meu irmão.
- Não ficaste magoada com o menino?
- Não, Ruben é só uma criança que faz tudo o que pode para conseguir o que quer, ele quando falou nem sequer pensou no peso das palavras e no quanto podiam magoar-me, é verdade que em frente dele não posso dizer isto mas no fundo compreendo-o tal como o compreendeste ainda assim repreendeste-o, o que fizeste foi de pai nunca te esqueças disso.
- Tentei explicar-lhe o melhor que consegui as nossas razões para adiarmos a vinda do tão esperado e desejado bebé mas não sei se consegui - sorri com o desabafo dele.
- Amor, não te preocupes com isso, por muito bem que possas ter explicado o Martim vai continuar a insistir no assunto simplesmente porque meteu isso na cabeça e não vai descansar até conseguir, sempre foi assim e não vai mudar agora.
- Como é que achas que o menino irá reagir quando engravidares?
- Amor por muito que o Martim queira um irmão, quando perceber que terá que dividir-me com ele não vai achar piada, está habituado a dividir a minha atenção com outras crianças mas só até certo ponto sabe que a partir de determinada hora que me tem só para ele e quando tivermos o nosso primeiro filho isso já não vai ser bem assim, o Martim vai adorar a fase da gravidez mas vai detestar os primeiros meses de vida do bebé, podes mentalizar-te para isso.
- Acreditas mesmo nisso?
- Ruben conheço o meu irmão por isso não duvides que vai ser isso que irá acontecer.
- Acho que podemos prepará-lo para essa nova realidade.
- Por muito que tentarmos prepará-lo vai ser sempre uma novidade mas também não estou muito preocupada com o assunto, quando chegar o momento logo lidamos com a situação.
- Pois, talvez seja melhor não pensarmos muito no assunto até porque para esse dia chegar ainda falta muito - beijou-me.
- Ou então não - falei assim que separamos os nossos lábios - isto não me sai da cabeça de forma alguma - suspirei.
- Amor é impressão minha ou estás a sentir-te pressionada para tomares essa decisão?
- Não é nada disso - aninhei-me ainda mais nos seus braços - mas tenho andado a pensar no assunto e nós podíamos inverter a ordem inicial - hesitei por uns segundos o que foi suficiente para o Ruben fazer-me olhar para ele - tipo podíamos tentar ainda assim de qualquer forma já não tenciono regressar aos estudos para o ano e na verdade se correr tudo bem dá tempo do bebé nascer e ainda consigo ficar os primeiros meses com ele, porque os planos será só entrar na faculdade daqui a mais ou menos dois anos.
- Isso é tudo muito bonito mas vais conseguir deixar o nosso filho entregue a uma ama ou na creche para ires estudar? - baixei o olhar, afinal atingiu-me no meu ponto fraco - Bem me parecia que não conseguias por isso pára com essas ideias de começarmos a tentar - interrompi-o.
- Juro que não entendo, primeiro querias e agora que estou a ponderar engravidar já não queres, é?
- Se queres começar a tentar engravidar lógico que não vou opor-me mas também custa saber que estás novamente a abdicar de um sonho em prol de outro e que a culpa em parte é minha, porque se nunca tivesse tocado no assunto não estarias neste momento a colocar esta hipótese.
- Quando é que entendes que se estou indecisa é porque também quero ser mãe e que no fundo sei que quanto mais adiar pior é.
- Amor, já dei a minha opinião e agora a decisão será tua, só te peço que não a tomes de ânimo leve, pensa no que queres, leva o tempo que precisares porque vou estar aqui à espera de saber o que decidiste e independentemente do que for irei apoiar-te.
- Sabes que não estás a ajudar em nada - olhou-me confuso - isto terá que ser uma decisão dos dois.
- Que queres que te diga? Que quero ser pai, isso já sabes, que por mim seria daqui a nove meses, também já sabes, que não quero ser o responsável por abdicares novamente de um sonho, já o disse, por isso o que queres? Que seja eu a decidir pelos dois? Lamento mas não consigo, talvez esteja mesmo a ser um puto mimado que nunca teve que decidir nada sozinho mas desculpa se neste caso sou incapaz de meter o meu querer à frente do teu - deixou-me sem saber o que dizer e por isso limitamo-nos a ficar no silêncio ainda assim abraçados e a mimarmo-nos mutuamente.
***
Estava quase a adormecer nos braços do Ruben e ainda no sofá quando vimos a Anabela a entrar na sala, trocamos meia dúzia de palavras com ela mas acabamos por ir até ao quarto, onde nos deitamos e adormecemos abraçados.
Acordei tarde, afinal hoje estava de folga e quando olhei para o lado encontrei uma rosa acompanhada por um cartão onde tinha uma simples frase, ainda assim foi o suficiente para ficar com um sorriso bobo no rosto
“O amor só é lindo quando encontramos alguém que nos transforme no melhor que podemos ser. Amo-te”

Fiquei alguns minutos na cama e cheirar a rosa e a pensar em como a minha vida mudou tanto num ano mas acabei por levantar-me, estava com fome e com a certeza que o dia ainda mal tinha começado, algo dentro de mim avisava-me que o Ruben não iria deixar o dia de hoje passar em vão por todos os significados e mais alguns que tem para nós.
Tomei um duche rápido e escolhi uma roupa confortável, afinal iria ficar por casa. Saí do quarto e fui direta à cozinha, estava entretida a comer quando vi a Anabela a entrar.
- Bom dia - cumprimentou-me.
- Olá - retribuí - é mesmo consigo que preciso falar - olhou-me - é você que se vai desbocar e dizer quais os planos do seu filho - gargalhou.
- Lamento mas por mim não vais saber nada, o Ruben andou a preparar este dia ao mais ínfimo detalhe por isso não vou ser eu que irei estraga-lo.
- Anabela fica um segredo só nosso - sorriu.
- Esquece, terás mesmo que esperar.
- Que remédio - bufei levando-a a sorrir novamente.
Acabei de comer e decidi ir dar uma volta, precisava ocupar a cabeça para não pensar muito na decisão que terei de tomar brevemente e por isso fui caminhar um pouco. Quando regressei a casa tinha em cima da mesa de apoio da sala um pequeno envelope, não foi preciso perguntar para quem seria afinal sabia que aquilo tinha dedo do Ruben, peguei nele e abri-o, encontrei uma foto nossa, sorri ao recordar o dia em que foi tirada, foi num dia que o Martim resolveu armar-se em fotógrafo e foi ter connosco ao quarto, quando ainda morava na casa do Nuno, nesse dia o menino pediu-nos para dar um beijo e fazer um coração com as mãos, fizemos-lhe a vontade e o Martim registou o momento, na foto estava inscrita uma pequena frase que fez com que gargalhasse ao lê-la.
Faz hoje um ano que falaste muita coisa com sentido mas houve uma frase que nunca esqueci, vê se te recordas dela, “Que se não tira as suas mãos de cima de mim, vai passar a noite ao hospital e não será por estar com gripe, veja lá se quer deixar de jogar futebol” ainda a manténs?? Quem diria que um ano depois iriamos estar a comemorar o dia em que baixaste a guarda desta forma. Amo-te
Estava feita tonta a olhar para a foto quando vi o Ruben a entrar na sala, o sorriso dele deixou-me a levitar completamente.
- Por momentos pensei que me tivesses abandonado em pleno dia dos namorados - falou já sentado do meu lado - posso saber onde a menina foi?
- Tens mesmo a certeza que queres falar - beijei-o - é que tenho outras ideias para ocupar o tempo - sussurrei-lhe ao ouvido.
- E posso saber que ideias são essas?
- Podes, podes mas é levantar o rabo do sofá e vires comigo até ao quarto - gargalhou.
- Amor, estamos sozinhos - beijou-me - despachei a minha mãe e ainda a incumbi da tarefa de ir buscar o Martim à escola e de o levar a passear - sorriu - temos a casa só para nós.
Ainda o Ruben não tinha acabado de falar já tinha saltado para o colo dele, queria ser dele o quanto antes e foi isso mesmo que lhe dei a entender, acabamos por nos amar ali mesmo no sofá da sala, sem pressas nem urgências, eramos só nós os dois e o sentimento que nos une. Repetimos a entrega algumas vezes mas acabamos por ir até ao jacuzzi onde voltamos a ser um do outro.
- Ruben - abriu os olhos - ao longo dos anos aprendi que a maturidade vem aos poucos, que a família é tudo, que amigos sinceros são poucos, que melhores dias virão, que na vida nem tudo vale a pena mas só contigo é que aprendi que o amor chega na hora exata mas principalmente que a minha felicidade depende das escolhas que faço, fizeste-me escolher entre o conforto e o risco, escolhi o risco sem saber que estava a escolher o conforto, se amar é um risco, ser amada é o maior conforto que posso ter - sorriu - amo-te e só sei que a minha vida sem ti não faz mais sentido, obrigada por tudo o que já me proporcionaste e por aquilo que ainda vais dar.
- Não tens que agradecer nada até porque amar é uma aprendizagem continua mas acima de tudo a dois, neste ano que passou ensinaste-me muito, fizeste-me crescer enquanto homem, deste-me uma família para a qual regressar depois de um dia de trabalho ou de um dia menos conseguido, provaste em cada gesto e palavra que o amor puro existe, aquele em que só um simples beijo é suficiente para demonstrar o sentimento que nos une e isso é muito mais do que alguma vez tive.
- Isto só foi possível porque compreendeste-me desde o início e respeitaste-me sempre, nunca forçaste nada, esperaste sempre que chegasse o momento ou que me sentisse preparada para avançarmos - beijou-me.
- Mariana, só podia esperar que estivesses preparada para avançar e se queres mesmo saber o ter consciência que fui o teu primeiro só faz com que procure o que de melhor possa existir dentro de mim, afinal de uma forma ou de outra, foi a mim que escolheste e a quem te entregaste, digas o que disseres nunca irás fazer com que esqueça esse momento, por muito que lhe queiras retirar a importância que teve e tem nunca irás conseguir, mesmo sem quereres é uma prova do teu amor por mim, afinal foi a mim que te entregaste verdadeiramente.
- Ruben, teres a noção que és o único homem com quem já tive relações muda alguma coisa? - a minha pergunta apanhou-o desprevenido, percebi isso pela falta de reação.
- Não te amo mais por isso mas não posso negar que é diferente, saber que foi comigo que tiveste a tua primeira experiência torna tudo mais especial, único, talvez por ter a consciência que em algum momento viste algo em mim que não conseguiste descobri em mais ninguém.
- Não leves a mal a pergunta mas a verdade é que desconfiaste que nunca tinha estado com rapaz nenhum muito antes de sonhar que hoje poderia estar contigo - calou-me com um beijo.
- Amor, não foi por ter quase a certeza que ainda eras virgem que fez com que te amasse mais ou que me aproximasse de ti, conquistaste-me pela maneira simples como amas aqueles que realmente são importantes para ti e não por ter a hipótese de ser o teu primeiro.
- Como é que sabias que era isso que ia perguntar? - sorriu.
- Talvez porque te conheço e já sei que volta e meia ficas insegura apesar de não teres motivos nenhuns para isso.
Não respondi, limitei-me a abraça-lo novamente e a deixar a minha cabeça no seu peito, ainda ficamos dentro do jacuzzi durante mais alguns minutos mas acabamos por sair.
- Amor - olhei-o quando já estava a escolher a roupa para vestir - o que achas de irmos almoçar a um lado qualquer?
- Por mim tanto faz.
- Então vamos.
Fiz-lhe a vontade e saímos para almoçar, comemos numa constante troca de carícias e nem o facto de termos meio restaurante a olhar-nos foi impedimento para o mimar, afinal se há pessoa que merece é ele por tudo o que já o obriguei a passar.
No final do almoço ainda fomos passear os dois, aproveitar o tempo para namorar, regressamos a casa já ao anoitecer e quando pensava que já não haveria mais surpresas o Ruben surge com uma caixa nas mãos.
- Toma - sorriu - é para usares hoje - olhei-o desconfiada o que provocou a gargalhada nele - não é nada de mal - beijou-me - é só um miminho para a melhor namorada do mundo.
- Exagerado - sorriu.
O Ruben não respondeu mas ficou à espera que abrisse o presente e assim que o fiz fiquei a olhar para o vestido, era simples mas a “minha cara”.
- Obrigada amor - beijei-o - assim estragas-me com mimos - sorriu.
- E ainda não viste nada - beijou-me - anda - puxou-me pela mão - vamos mudar de roupa para irmos jantar.
- Presumo que queres que use o vestido - falei quando entramos no quarto.
- Sim - sorri e fiz-lhe a vontade, troquei de roupa mas usei o seu presente.
Estava na casa de banho a dar os últimos retoques na imagem quando o Ruben decidiu invadir o espaço e raptar-me, ou não fosse ter-me quase arrastado até ao carro, abriu a porta para que entrasse e só quando o fiz é que deu a volta sentando-se no lugar do condutor.
Não foi preciso muito para perceber para onde ele nos levaria, conhecia aquele caminho como a palma da minha mão ou não fosse ser um dos meus lugares preferidos e onde já passamos tantos momentos, mas ao contrário do que esperava desta vez o Ruben conseguiu mostrar-me algo que ainda não conhecia.
- Onde é que estamos? - sorriu.
- Num dos quatro hotéis existentes em redor dos jardins do Bom Jesus - olhei-o admirada afinal desconhecia a existência dos mesmos - espero que gostes porque vai ser aqui que iremos passar as próximas horas - sorriu com aquele ar de sacana que só ele sabe fazer.
- Com próximas horas deves querer dizer até às dez, sim porque temos uma criança à nossa espera em casa - piquei-o.
- Temos, temos mas é uma criança entregue à avó que foi para isso que a minha mãe veio passar uns dias connosco - gargalhei ao ouvi-lo - achas mesmo que irias passar o teu primeiro dia dos namorados sem o comemorares com tudo a que tens direito? - beijou-me - Agora vamos que temos de jantar - saiu do carro e no instante seguinte já estava a abrir-me a porta que nem um cavalheiro andante.
Percebi que tinha tudo pensado até ao mais ínfimo detalhe ou não fosse ter retirado uma pequena mala da bagageira do carro, entramos no hotel e depois do check-in fomos encaminhados até ao nosso quarto, onde já nos esperava o nosso jantar, olhei em volta e mais não podia pedir, estava simplesmente fantástico, o quarto estava decorado de forma a não nos ser possível esquecer o significado do dia, jantamos em clima de total romance, onde o Ruben brindou-me com toda a espécie de mimo que pudesse imaginar.
O resto da noite escusado será dizer que serviu para tudo menos para descansarmos, consegui sair do hotel com aquela sensação de ter passado um camião por cima mas ainda assim com a certeza de querer repetir muitas mais vezes uma noite como a que me proporcionou.

Ruben

O dia ontem foi especial, ter conseguido proporcionar um dia diferente à Mariana deixou-me ainda mais feliz, aproveitamos para namorar e termos uns momentos a dois que é algo raro, afinal o Martim está sempre presente.
Despertei com o meu amor a dar-me pequenos beijos pelo rosto, aquilo foi suficiente para elevarmos a outro patamar a troca de mimos e voltamos a amarmo-nos, só depois é que resolvemos ir para o duche e uns bons minutos depois conseguimos finalmente sair do quarto, comemos e só depois regressamos a casa.
Entramos e encontramos um silêncio que só existe quando o menino não está por perto, não nos foi difícil adivinhar que já deveria ter saído para a escola, acabamos por ficar pela sala mas quando chegou o momento de sair para o treino, a Mariana também seguiu para a casa do Nuno, afinal tinha o Nuninho à sua espera.

***

- Bom dia - assim que entrei no balneário cumprimentei os meus colegas de forma animada o que foi motivo suficiente para o Nuno implicar.
- Ena que ontem deve ter corrido mesmo bem - olhei-o - para vires tão animado.
- Não deves estar à espera que dê detalhes, não é?
- Por acaso até estou - gargalhou - a sério puto nunca te tinha visto assim tão feliz.
- Talvez porque nunca o tive - suspirei.
- Estás mesmo apanhadinho - sorriu - se me tivessem dito há um ano que hoje estaria aqui a presenciar esta felicidade toda não teria acreditado.
- Nem eu - gargalhamos os dois.
- Oh mas confessa lá que a Mariana mexeu contigo desde o primeiro segundo que a viste - sorri.
- O facto de evitar-me ao máximo deixou-me curioso mas nos primeiros meses nunca me passou pela cabeça que um ano depois podíamos estar a namorar mas principalmente a viver juntos.
- Vieste para Braga à procura de um pouco de paz e encontraste alguém que provocou uma revolução completa na tua vida.
- Ainda bem que vim e que encontrei a Mariana, caso contrário a esta hora estava casado e infeliz ou então divorciado - olhou-me surpreendido pelo meu desabafo - o que tinha com a Soraia não era e nem nunca foi amor.
Continuamos a conversa mas agora durante o aquecimento, o treino correu bem e no fim fui até casa, tinha que ir levar a minha mãe à estação dos comboios uma vez que regressava hoje. Quando cheguei encontrei a Mariana em casa com o Nuninho, tinha vindo despedir-se da minha mãe e acabou por acompanhar-me até à estação e depois seguimos para a casa do Nuno, onde passamos as horas seguintes na conversa com o nosso amigo. De tarde tivemos treino mas antes fui buscar o Martim à escola e assim que o menino me viu correu para os meus braços.
- Como correu? A mana gostou?- sorri perante a preocupação e curiosidade do menino.
- Correu tudo bem e a Mariana gostou muito.
- Fixe - sorri.
- Vá agora temos que ir que tenho treino daqui pouco.
- Posso ir contigo?
- Hoje não vai dar mas prometo que para a semana levo-te a ver o treino, pode ser?
- Porquê que não posso ir?
- Amor, nós hoje vamos preparar o jogo deste fim-de-semana por isso não dá mesmo, entendes?
- Sim.
Deixei o menino na casa do Nuno com a Mariana e segui para o treino, quando regressei a casa encontrei o meu amor a ajudar o Martim nos trabalhos da escola, não os incomodei e fui até à sala ver um pouco de televisão. Os minutos passaram e o Martim veio ter comigo para irmos brincar, fiz-lhe a vontade até sermos chamados para jantar, no final ajudei a Mariana a arrumar a cozinha e depois partilhamos o serão com o menino, quando chegou o momento dele ir para a cama, foi a irmã que o foi adormecer, afinal era quem o menino queria com ele. Acabei por ir até ao quarto e foi deitado que esperei a Mariana, ainda falamos durante alguns minutos mas fomos vencidos pelo sono e adormecemos.

***

As semanas passaram sem que desse conta disso e o dia do pai aproximava-se, talvez por isso hoje quando fui buscar o Martim à escola fui surpreendido com o pedido por parte do segurança para ir falar com a diretora da escola, achei estranho ainda assim dirigi-me para a sala que indicaram e assim que entrei encontrei o Martim sentado e de trombas.
- Ruben - o menino correu para os meus braços.
- Boa tarde - cumprimentei a diretora da escola - qual é o motivo do Martim estar aqui consigo? - fui direto ao assunto.
- É o responsável pelo Martim?
- Sim - olhou-me desconfiada talvez porque nos papéis era só o nome da Mariana que aparecia - o Martim vive comigo por isso agradeço que diga o que se passou.
- O Martim hoje empurrou um colega de turma - olhei para o menino que baixou a cara - em plena sala de aulas mas recusasse a dizer o motivo que o levou a ter tal atitude.
- Martim - olhou-me - o que é que se passou?
- Tás chateado comigo? - perguntou de rajada.
- Primeiro quero saber o motivo pelo qual empurraste o menino.
- Ele disse uma coisa que não gostei - foi notório o esforço que o Martim fazia para não chorar - ele disse que eu não podia fazer a prenda para o dia do pai porque não tenho pai e eu falei que tu és como um pai para mim e ele disse que só falas que gostas de mim para eu não chorar e eu não gostei de ouvir isso.
- Martim mas isso não te dá o direito de empurrares os teus colegas.
- Pois mas ele já pode gozar comigo porque não conheço o meu pai, eu não tenho culpa e eu só quero ser igual aos outros meninos, porquê que eles podem fazer a prenda e eu não? - desviei o olhar para a diretora.
- Amor - sentei-me com ele no meu colo - ninguém te disse que não podias fazer a prenda, pois não?
- Ele disse.
- Tudo bem ele falou isso mas em vez de o empurrares devias ter falado com a tua professora, além disso o que é que te pedi para fazeres sempre que algum menino te chateasse?
- Disseste para eu falar contigo ou com a mana - baixou o olhar - e para nunca bater nem aleijar os outros meninos, para fingir que não tinha ouvido mas eu não consegui e agora tás chateado comigo.
- Martim não estou chateado contigo quanto muito estou aborrecido porque o que fizeste não se faz, por muito que os meninos possam dizer algo que não gostes não podes bater nem empurrar ninguém, pensaste que o teu colega podia ter-se aleijado?
- Não.
- Mas é bom que te recordes disso e quando um colega começar a dizer que não tens pai lembra-te que é com a tua professora que tens de falar, ela resolve o problema, entendes?
- Sim mas tás chateado comigo?
- Não - o menino sorriu - mas não gostei de ficar a saber do que fizeste - voltou a perder o sorriso.
- Desculpa.
- Acho bem que peças desculpas e já agora pediste ao teu colega também?
- Não nem vou pedir.
- Aí é que estás enganado, vocês erraram os dois por isso vais pedir desculpas a ele.
- Tá bem.
- Agora espera por mim lá fora - pedi-lhe depois do menino abraçar-me - que já vou ter contigo - o piolho saiu e assim que fechou a porta levantei-me e dirigi-me à diretora - o Martim errou ao empurrar o colega mas espero sinceramente que situações destas não se venham a repetir, sei que por vezes as crianças são más umas para as outras mas o Martim não tem culpa de não conhecer o pai biológico.
- Entenda que não podemos controlar o que as crianças dizem e se o Martim não fala connosco não temos como adivinhar o que se passa.
- No mínimo deveriam ter-se preocupado em saber o que levou-o a ter tal atitude, porque violento é algo que o Martim nunca foi, ele é uma criança afável por isso deveriam ter desconfiado que talvez tivesse sido o outro menino a provoca-lo.
- Está a insinuar que só o Martim ficou de castigo?
- Não, estou a dizer que só ao responsável pelo Martim é que chamaram a atenção, caso contrário já saberia o motivo que originou o conflito entre os miúdos ou então teria encontrado aqui o colega do Martim.
- Foi o Martim é que empurrou o Gonçalo.
- Ah e porque foi o Martim que empurrou, só o Martim é que deve ser castigado? Agradeço que para a próxima averigue primeiro a situação e depois castigue os dois, não estou a pedir para ser condescendente com o Martim mas sim que seja justa.
Ainda troquei mais algumas palavras com a diretora mas acabei por sair e encontrar o Martim sentado numa cadeira à minha espera. Assim que ouviu a porta a abrir veio imediatamente ter comigo.
- Quero ir embora daqui.
- Vamos - sorri-lhe numa tentativa de o animar um pouco.
O menino deu-me a mão e caminhamos para o exterior das instalações, foi quando estávamos a chegar ao carro que o Martim puxou-me o braço fazendo com que olhasse para ele.
- Foi aquele - apontou para o colega - que disse que não tenho pai.
- Amor, não ligues ao que o Gonçalo possa dizer.
- Mas eu não gosto e fico triste.
- Ó piolho não falas que sou o teu pai?
- Sim.
- Então tens pai e não interessa se sou ou não pai biológico, amor fixa o que te vou dizer - olhou-me atento - pai é quem cria e dá amor - sorriu - posso só te ter conhecido há um ano mas amo-te como um pai ama um filho, vives comigo e com a Mariana para todos os efeitos somos nós os teus pais e o resto não interessa.
O Martim não respondeu, simplesmente entrou dentro do carro, não insisti e fomos o caminho todo em silêncio, mas assim que chegamos a casa retomei o assunto.
- Martim - olhou-me - tens que contar à mana o que se passou.
- Não quero - baixou o olhar - ela depois fica zangada comigo.
- Amor tens de contar até porque a Mariana vai acabar por saber e vai ser pior se souber pela tua professora, não é?
- Mas ela vai ralhar comigo e tu já falaste com a diretora e ficou tudo bem.
- Mesmo assim a Mariana tem que saber.
- Podes contar tu?
- Martim é melhor seres tu.
- Mas tu explicas melhor que eu - os olhinhos dele imploravam para que cedesse e a verdade é que não consegui mesmo resistir.
- Ok, desta vez falo com a Mariana mas é só desta - interrompeu-me.
- Também já não vai haver mais eu já percebi que não posso fazer aquilo - com esta o menino desarmou-me por completo, entramos de mãos dadas em casa, notei que o Martim estava mesmo com receio da reação da Mariana e por isso aproveitei que a Filomena se ofereceu para lhe dar o lanche para ir até ao quarto ter com o meu amor que segundo a nossa empregada passou o dia quase todo no quarto.

Como irá reagir a Mariana à novidade sobre o irmão?


10 comentários:

  1. Olá :)
    Bem isto é que foi um capitulo todo romantico :P
    Adorei os "pequenos" presentes *.* tão fofinhos mesmo!
    Fico à espera do próximo!
    Beijinhos
    Rita

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  2. E pronto ADOREI já sabes que sim...
    Agora venha o próximo
    Bjokinhas
    Mariaa

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  3. Awn que lindo. Esses dois me deixando ainda mais encantada a cada dia que passa. Perfeito! *-*
    Quero, muito, mais.

    GabiiS.

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  4. O Ruben e o Martim são um amor *.* E aqela directora, grr!
    E será qe a Mariana está bem e tou para ver como vai reagir!
    Quero o próximo! Beijinhoos

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  5. Olá!
    Mais uma vez o Ruben a surpreender como pai!
    Eu acho que ele ja estava preparado para outro baby...
    Espero o proximo!

    Beijo
    Ana

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  6. O Ruben tá sempre a surpreender, o homem é um romantico, preparou tudo ao pormenor para comemorar o dia dos namorados, escusado será dizer que adorei.
    Já para não dizer que o homem é um pai a 100%, gostei da conversa dele com a directora, quer dizer erraram os dois e só porque o Martim é que empurrou o outro, ele é que ficou de castigo e o outro nada, tá mal,ou ficavam os dois ou não ficava nenhum.
    Que mais posso dizer, adorei este mega capitulo, tá espectacular, mas isso já não é novidade.
    Fico à espera do próximo.

    Beijocas

    Fernanda

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  7. Adorei!
    Continua!
    Gosto muito desta fic.
    Beijinhos

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  8. olá!
    Tenho no meu blog um Liebster Blog Award para responderes :D
    http://romanceinesperado.blogspot.pt/2012/09/liebster-blog-award.html
    Beijinhos
    Ritááá xD

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  9. magnifico...

    quero mais... tou super curiosa para ver o proximo...

    continua...

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  10. Como gosto do Ruru todo romantico :D :D :D
    Gosto muito!!!
    Bem a o Martim??!!! Acho que a Mariana não vai gostar muito...
    Vou continuar a leitura ;)
    Beijinhos

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