Ruben
Quando a Mariana comunicou
a intenção da Kika, nunca pensei que a miúda fizesse frente ao pai e apesar de
surpreendido fiquei atento, acabando por interferir quando julguei necessário,
ainda assim nem o Paulo nem a Filipa demonstraram vontade de aceitar o namoro
dos miúdos e menos ainda de deixarem a Kika regressar a Lisboa connosco.
- Ruben não insista - confesso que surpreendeu-me a
forma como o Paulo falou comigo - a
Frederica é nossa filha e ficará connosco, aliás nunca deveria ter concordado
com a ideia dela ficar longe de nós - desviei o olhar para a Mariana e
bastou para entender o que ia no seu pensamento, mas se duvidas houvessem
- Faça como quiser mas não o posso
obrigar a nada, no entanto se julga que ficarei de braços cruzados perante a
sua ditadura está muito enganado
- Estás a ameaçar-me?
- Estou a avisá-lo que o melhor é
não desafiar-me porque não desisto dos que amo.
- O que isso quer dizer?
- Que a Kika já não é criança, tem
vontade própria mas principalmente cabeça para pensar, logo se julga que impõe
o seu querer está redondamente enganado e mais ainda se pensa que deixarei a
minha irmã infeliz só porque tem uma mãe que só pensa em si e um pai que
resolveu virar retrógrada quando no passado foi demasiado à frente
- Mariana não te admito!
A
Mariana não respondeu talvez pelo tom de voz do Paulo demasiado ríspido ou só
porque o meu amor tem noção que de nada adiantaria continuar com o bate-boca,
só sei que olhou para o pai e saiu da sala, algo que também fiz mas antes
- Espero que tenha noção do quanto
magoou as suas filhas mas principalmente a Mariana que depois de tudo o que
sofreu por sua culpa durante a infância, a adolescência e já em adulta, o
desculpou mas acima de tudo o perdoou, no mínimo deve ter em consideração o quanto
a Mariana sofreu para o aceitar e perdoar, porque garanto que não foi algo
fácil e você não hesitou em magoá-la novamente só porque deixou a Kika namorar
Não
dei hipótese ao Paulo de se manifestar, uma vez que fui procurar a minha mulher
e ao passar pelo quarto da Kika, vi o Martim e a Mariana, o meu amor tentava
serenar os ânimos e por isso aproximei-me
- O pai não tinha o direito de dizer
aquilo… nunca o desculparei por aquilo que disse,
mana não foi só a mim que magoou e depois nem pense que manda em mim! - a
determinação da Kika fez com que sorrisse ou não fosse por recordar os
primeiros meses após ter conhecido a Mariana
- Apesar do pai ter exagerado tens
de perceber que só o fez porque quer o melhor para ti e está convicto que o
certo é o que pensa, tens de ter calma e fazê-lo entender o teu lado, dá um
desconto porque apesar de ter duas filhas és a primeira que sai do seu ninho
porque comigo o pai não passou por esta fase, Kika tens de perceber que isto
não é só novo para ti, também é para o pai
- Só é novo porque foi covarde e
abandonou a tua mãe!
- Não te admito - a Mariana elevou ligeiramente a
voz, o bastante para a Kika baixar o olhar - que uses o meu passado e os erros do nosso pai a teu belo prazer, o pai
errou e sofri imenso com isso mas ultrapassei, aceitei a minha história de
vida, perdoei o que havia para perdoar e aprendi a amar o homem que no passado
mais detestei, por isso não admito que insultes ou faltes ao respeito ao nosso
pai, menos ainda que tentes usar-me para o atingires
- Vais abandonar-me como ele fez
contigo, é isso?
- Não - a Mariana aproximou-se ainda mais
da irmã - tudo farei para que sejas feliz
e vou até ao fim para defender-te mas tens de compreender que há formas e
formas de o fazer!
- Até parece que no que respeita ao
pai foste sempre tão racional!
- Independentemente disso não podes
usar o que sofri para resolveres os teus problemas, não peço que entendes só
que respeites
- Mas o pai não aceitou o namoro e
nem tentou entender
- Dá-lhe tempo de aceitar a ideia
que a filha casula está a crescer e principalmente não o enfrentes porque isso
só complicará mais, tens de fazê-lo entender o teu lado mas sem o desafiares,
caso contrário não conseguirás nada!
- Até parece que é fácil manter a
calma! - cruzou os
braços, o que fez com que sorríssemos - Vocês
são testemunhas de que tentei fazer tudo corretamente, contei aos pais que
namoro quando podia esconder e nada disto tinha acontecido, mas preferi ser
sincera e agora vê no que deu!
Horas mais tarde
Ajudei
a Mariana a deitar os mais pequenos e depois fomos até à sala, onde estava o
Paulo e a Filipa.
- Podemos falar? - o Paulo olhou para a filha
- Se vens tentar convencer-nos a
deixar que a Frederica regresse convosco não adianta!
- Pai não seja intransigente, até
porque não tem motivos para isso.
- É assim tão complicado perceberem
que não queremos que a nossa filha namore? Ainda é uma criança!
- Então digam o que pretendem fazer
para a impedir de namorar? Vão fechá-la em casa a sete chaves?
- Basta que se mantenha longe do teu
irmão! - a Mariana
gargalhou para depois
- Mas em que mundo é que você vive?
Acha mesmo que mantendo a Kika longe do Martim que resolve o seu problema? É
que se acha, lamento desiludi-lo mas o que não falta em Londres são
adolescentes do sexo masculino que olharam de certeza absoluta para a Kika
porque é uma miúda bonita e inteligente, que se gosta de divertir, mas acima de
tudo super sociável, acha mesmo que a manterá longe dos rapazes e que a
impedirá de namorar? Pai, deixe de ser ridículo e acorde para a vida! A vossa
filha está mais do que na idade de namorar e impedir que isso aconteça é o
maior erro que podem fazer, porque só a afastará de vocês e aí sim correrá
riscos.
O
Paulo provavelmente tinha contra-argumentado mas o Martim entrou na sala de mão
dada à Kika e
- Porquê que não fala de uma vez o
verdadeiro motivo pelo qual quer impedir a Kika de regressar a Lisboa - o Paulo olhou para o Martim - ao contrário do que você acha já temos
maturidade suficiente para entender o que se passa e apesar de ter consciência que
tenho muito para aprender, já tenho maturidade suficiente para entender que não
posso prometer que a Kika não venha a chorar por mim mas garanto que nunca será
pelos mesmos motivos que vi durante anos a minha irmã a chorar no silêncio e na
escuridão do seu quarto, sou um adolescente mas já fui uma criança que cresceu
com a certeza que um homem pode magoar muito mais uma mulher com a sua cobardia
e falta de atitude do que com uma sova, você nunca foi fisicamente violento
para a Mariana mas feriu-a para todo o sempre - percebi que as palavras do
Martim fragilizaram a Mariana quando vi os seus olhos marejados pelas lágrimas
e por isso a abracei - podem passar os
anos que passar mas as marcas que deixou na minha irmã nunca serão apagadas,
porque as marcas de abandono, de rejeição, de falta de amor paterno e materno
estão na sua personalidade, na forma como pensa e vive a vida, fazem parte dela
e por muito que tente nunca se esquecerá, perdoou mas não esquece e digo isto
porque também não esqueço as vezes todas que a vi triste e que jurei um dia
vingar-me da pessoa que tanto mal fez, mas a vida é irónica e essa pessoa é só
o pai da minha namorada!
- Não te admito… - o Martim não o deixou continuar
- Não admite o quê? Que diga a
verdade? Paulo seja homem uma vez na vida e aceite os seus erros, só assim será
verdadeiramente feliz! A Mariana já o perdoou e para mim isso basta, mas será
que você já se perdoou a si próprio? É que não parece, porque se este assunto
já tivesse verdadeiramente resolvido, o presente não seria afetado pelos
fantasmas do passado!
Filipa
Ouvir
da boca da minha filha que namora quando nem sequer imaginava deixou-me triste,
talvez porque percebi o quanto estou a perder... talvez por culpa reagi da
forma que reagi e em vez de a apoiar concordei com a decisão do Paulo de não a
querer deixar regressar a Lisboa.
Passei
o dia todo com a certeza que a melhor decisão era sem dúvida que a nossa filha
ficasse connosco mas durante o jantar percebi a sua tristeza e talvez por isso
ou pelo que o Martim falou, resolvi interferir quando o Paulo ficou sem
resposta perante o que ouviu
- Martim - olhou - é verdade que o passado marcou muito a tua irmã mas não é por esse
motivo que… - a Kika interrompeu
- É só o que falta… agora vai
defender o pai?
- Filha não estou a defender o pai,
só quero que percebam que não estávamos a contar que namorasses ainda mais com
o Martim, foi um choque tanto para mim como para o teu pai, em minutos
percebemos o quanto andamos a perder da tua vida e depois ainda és muito nova,
Kika nós só não queremos que sofras, é só isso
- O irónico é que são vocês é que me
fazem sofrer não é o Martim e muito menos um hipotético desgosto de amor,
porque namorados veem e vão, mas os pais são para a vida e vocês ultimamente só
sabem desiludir-me mais e mais
- Desculpa filha… - baixei o olhar
- Não quero um pedido de desculpas,
não preciso disso para nada! O que quero é ver os meus pais felizes mesmo que
isso implique que se divorciem! Vocês já não se amam e estão a destruir aos
poucos tudo o que construíram juntos mas a mim não vão destruir porque já saltei
fora!
- Nós só estamos a atravessar uma
fase menos boa… - o
Paulo manifestou-se mas mais uma vez a nossa filha interrompeu para dar a sua
sentença
- Que seja… desisto! Vocês é que sabem
o que é melhor para os dois mas não têm moral nenhuma para criticar-me por
lutar pela minha felicidade, por isso quer queiram quer não queiram namoro com
o Martim!
- Podes namorar mas não regressarás a
Lisboa e está decidido!
O
Paulo foi demasiado autoritário mas a Frederica não se ficou e
- Que seja feita a sua vontade - atirou com as lágrimas a caírem - mas fique a saber que nunca o perdoarei e
não pense que ganha alguma coisa ao afastar-me do Martim, o nosso namoro até
pode não aguentar a distância mas já valeu a pena porque o que você quer
impedir já aconteceu, o Martim já me fez mulher - a fúria com que falou
deixou transparecer o sentimento de desprezo - mas pode respirar de alivio porque tive a sorte de ter do meu lado um
pai e uma mãe que realmente se preocupam comigo, porque é isso que a Mariana e
o Ruben são para mim e para o Martim, não são pais de sangue mas são de
coração, são pais que se preocupam verdadeiramente e que só querem a felicidade
dos filhos, foram eles que se sentaram connosco e que nos esclareceram as
dúvidas, nos alertaram para as consequências do sexo, mas principalmente que
estão sempre disponíveis para nos ouvirem, que muitas vezes ficam sem tempo um
para o outro, que nos educam a amar e respeitar o próximo, de quem sinto um
orgulho enorme por serem as pessoas que são ao contrário de vocês que só sabem
desiludir-me!
Mariana
O
nosso pai manteve-se irredutível mas acabou por ouvir o que não esperava, tanto
que nem ele nem a Filipa conseguiram reagir quando a filha verbalizou que para
ela somos os seus verdadeiros pais, era nisso que pensava quando
- Será verdade? - olhei para o Ruben
- Não é novidade que o Martim nos vê
aos dois como pai e mãe -
sorriu
- Não é disso que falo… é do resto… a
Kika admitiu que já se envolveram!
- Não sei se não foi só para provocar
mas de qualquer forma não me parece que tenham dado importância a isso depois
de ouvirem a filha a renega-los como pais
- Também se meteram a jeito - olhei-o - mor é verdade, a Kika está numa idade complicada, longe dos pais e
quando os tem por perto fazem o que fazem
- Independentemente disso a Kika
abusou!
- O que interessa agora é resolver
esta confusão toda
- Pois…
***
Não
consegui dormir nada e por isso assim que o dia clareou saí da cama. Estava na
sala quando o Ruben apareceu
- Adiantou alguma coisa teres passado
a noite acordada? -
olhei-o
- O que queres… não consigo ficar
indiferente ao que se passou
- E arranjaste alguma solução
milagrosa?
- Não… mas para começar temos de
falar com os putos e esclarecer tudo!
- Concordo mas agora anda cá - puxou-me para o seu colo - mor esquece por um bocado o assunto -
olhei-o e acabei a rir, afinal aquele olhar conheço bem
- Deixa de ser depravado que estás na
casa do meu pai!
- Então e depois… sou casado contigo
e temos três filhos lindos por isso duvido que o teu paizinho pense que ainda
és virgem e imaculada -
gozou
- És tão parvo!
- Mas não deixa de ter a sua piada - olhei-o - foi aqui este parvo que escolheste - deitou-me a língua de fora que
nem puto
- E escolhi muito bem! - sorriu - amo-te
O
Ruben simplesmente uniu as nossas bocas, o que deu inicio a mais uma troca de
carinho, que só abrandou com a entrada da
Kika e do Martim
- Como é que vocês estão?
- Triste e desiludida com o pai e com
a minha mãe!
- Tens de ter paciência - interrompeu
- Mana achas mesmo que vão mudar de
opinião? Não quiseram ouvir o que tenho para dizer, pior borrifaram-se para os
meus sentimentos, sei que ainda sou muito nova mas isso não é sinónimo de não
saber o que sinto e que quero para mim, é assim tão difícil entenderem que
quero ser feliz, que gosto do Martim, que prefiro viver em Lisboa porque é lá
que tenho os meus amigos, que estudo, que treino e jogo vólei, mas
principalmente que vos tenho a vocês, caramba se querem fazer parte da minha
vida que se mudem para Lisboa, porque aqui só os terei a eles, em Lisboa tenho
a minha vida e não abdicarei dela de animo leve, podem obrigar-me a viver com
eles mas nem pensem que aceitarei essa ordem sem lutar, porque é um direito que
tenho!
- Lutar sim, desafiar os teus pais
não! Kika se queres convencê-los tens de os respeitar
- Seria muito mais fácil se
respeitassem também a minha opinião! -
atirou determinada, o que provocou o sorriso no Ruben, que recriminei com o
olhar, tanto que
- Desculpa lá se acho piada - olhei-o - oh mor estás a tentar convencer a Kika de algo que sabes perfeitamente que
é impossível, vocês são iguaizinhas no que respeita à teimosia mas
principalmente na determinação, sabem o que querem e não desistem! A Kika só
está a lutar pela felicidade dela, tal como lutaste!
- Pois mas nunca desautorizei os meus
pais!
- Preferia mil vezes que os tivesses desautorizado,
porque garanto que teria sido muito mais fácil fazer-te verdadeiramente feliz! Preferia
ter que enfrentar os teus pais do que lutar contra algo que durante muito tempo
foi superior ao nosso amor! O Martim pelo menos sabe o que tem pela frente, tem
dois pais que só querem proteger a filha, não tem a pessoa de quem gosta a
evitá-lo, a escorraça-lo da sua vida sem uma única explicação, a magoá-lo com a
indiferença, a confundi-lo constantemente porque tão depressa demonstrava
preocupação como logo depois o agredia porque ele a abraçava ou lhe dava um
beijinho no rosto -
baixei o olhar mas o Ruben levou a mão ao meu rosto, obrigando-me a encara-lo -
amor não adianta tentar convencer a Kika
ou o Martim a abdicar do que sentem, isso só os fará sofrer, aqui quem tem de
aceitar a realidade é o Paulo e a Filipa, ninguém garante que seja um amor para
a vida, até porque são muito novos mas neste momento gostam mesmo um do outro,
levou algum tempo até admitirem um ao outro e por isso atravessaram aquele
período em que andavam constantemente a discutir mas agora estão empenhados no
namoro mas principalmente a fazerem o outro feliz, por isso não seremos nós a
impedi-los de viverem este amor ou paixão, é lógico que não será sempre só
sorrisos e “gosto muito de ti” também haverá os momentos em que vão discutir
mas esses fazem parte de uma relação e a nós cabe-nos unicamente ficar atentos
mas mais que isso é interferir na vida deles, algo que recuso-me a fazer, têm
de aprender por eles a construírem uma relação, isto para serem felizes e falo
por experiencia própria, Mariana se hoje sou feliz, foi porque aprendi contigo
a construir uma relação, tive outras pessoas na minha vida, outras paixões, mas
só contigo construí um amor para a vida, uma relação sólida, sincera, capaz de
resistir aos desaguisados da vida a dois, se hoje sei o que é amar e ser amado,
devo-o a ti
- Mas nós tínhamos 28 anos, eles só
têm 16
- Queres mesmo falar da idade? - sorriu de traçado mas não
satisfeito - É que tinhas 28 mas
experiência de 16!
- Não resmungues de barriga cheia que
isso é feio! -
voltou a sorrir - Além disso sempre ouvi
que o que interessa não é como começa mas sim como acaba... - gargalhou - e por falar em começar - desviei o
olhar para os mais novos - não têm nada
para contar?
- Não sei do que falas! - a Kika não perdeu tempo em
responder
- Ai não sabes? Então esclareço, falo
da parte em que falaste que o Martim já te fez mulher e que o pai ignorou porque
foi completamente cilindrado com o que falaste de seguida!
- Ah isso… - baixou o olhar - Estão chateados connosco? - perguntou
com receio, olhei para o Ruben e sorrimos ou não fosse estarem os dois de olhar
baixo mas de mãos dadas
- Chateados não mas ofendidos sim - tentei parecer séria mas confesso
que vontade para rir não faltava, ainda mais quando
- Desculpa mana… nós não contamos
porque não sabíamos como fazer…
- Ai não sabiam como fazer… oh mor queres
ver que desaprenderam a falar e não demos por isso… - o Ruben resolveu brincar com a
situação e acabei a rir com o que falou para depois
- Não estamos chateados muito menos
ofendidos, até porque muito sinceramente não esperávamos que nos contassem de
imediato - olharam-nos e por isso
sorrimos ternamente - só queremos que
sejam responsáveis, é só isso que vos exigimos, quer dizer isso e terem cuidado
para não serem apanhados em momentos mais íntimos pela Inês ou pelo Gonçalo.
- Nós temos cuidado… - falaram ao mesmo tempo, o que mais
uma vez fez com que sorríssemos, para depois o Ruben falar
- Nós confiamos em vocês, por isso é
que vos apoiamos e faremos de tudo para que a Kika regresse connosco, a única
coisa que vos pedimos em troca é moderação, respeito e acima de tudo
responsabilidade, para não nos desiludirmos convosco!
- Pai, nós sabemos que ainda não
percebemos muito do assunto e que ainda é tudo novidade mas somos responsáveis.
- É isso que esperamos, pelo menos
educamos-vos para o serem! E agora queres falar ou estás completamente
resolvido no que respeita à primeira vez?
- Estou… - voltei a sorrir ou não fossem
estarem os dois de tal forma envergonhados que foi impossível encararem-nos,
ainda assim
- Mana - olhou por segundos - se quiseres falar já sabes
- Não é preciso… mana foi
estranho mas não o suficiente para não querer repetir - admitiu
completamente envergonhada e talvez por isso ou só mesmo para gozar comigo, o
Ruben resolveu falar e
- Deixa lá… quando foi com a tua irmã
só não fugiu porque não deixei – reagi
de imediato e dei um ligeiro beliscão, para depois
- Não quis fugir! - sorriu
- Tens razão… só tinhas receio que
não tivesse gostado…
- É normal… sabias perfeitamente o que
fazias ao contrário de mim!
- Pois mas foi vossa excelência que
provocou - atirou no gozo
- Se não o tivesse feito acho que
ainda hoje estaria à espera! - provoquei
- Se tivesse forçado tinhas saltado
fora! Além disso não andava propriamente desesperado!
Não
respondi porque não tive hipótese, uma vez que o Martim resolveu intrometer-se
na conversa e acabei a gargalhar quando ouvi
- Só chamaste Mariana à Soraia!
- E estares caladinho, não? - o Ruben virou-se para o Martim e a
partir daquele instante foi impossível não rir ainda mais…
Paulo
Acordei
tal como adormeci, angustiado, afinal tenho as minhas duas filhas magoadas
comigo.
Acabei
por sair do quarto com a intensão de perceber se a Mariana já estava acordada,
afinal se quero resolver esta situação, tenho de convencer a minha filha mais
velha de que o melhor para a irmã é ficar connosco. Foi com essa intenção que a
fui procurar mas antes de entrar na sala percebi que o Ruben e a Mariana
estavam à conversa com o Martim e com a Kika, o que fez com que ficasse a
ouvir, sem que não é algo que se faça mas não resisti.
Estava
atento ao desenrolar da conversa quando senti uma mão no meu ombro direito,
olhei e vi a Filipa, que sorriu e ficou do meu lado…
Ouvi
atentamente tudo o que falaram, principalmente o desabafo do Ruben quando
admitiu que o início do namoro deles não foi nada fácil e muito por culpa da
minha atitude, confesso que doeu ouvir, algo que a Filipa percebeu porque senti
o seu apoio…
A
conversa continuou e foi demasiado reveladora… reveladora até demais, afinal
percebi que estou obcecado com a ideia de evitar que a Kika se deixe levar na
conversa do Martim, quando na realidade isso não só já aconteceu, como foi a
Mariana e o Ruben que mais uma vez estiveram do lado da Kika, que desempenharam
o papel de pai e mãe, função que é minha e da Filipa mas que por causa do nosso
egoísmo deixou de ser… Percebi ainda que não sei ser pai… que tenho muito a
aprender com a minha filha mais velha, ser pai é proteger os filhos, saber
ouvir e aconselhar, mas principalmente apoiar e estar presente para o que
precisarem…
Mudará
o Paulo de opinião? Será desta que a paz reinará?
Olá!!
ResponderEliminarAdorei!
Se bem que pensei que seria desta que o Paulo mudava de opinião,mas tá dificil!loool
Espero para ver se é já no proximo!
Beijinhos! :D