quinta-feira, 16 de julho de 2015

112 - "Podes namorar mas não regressarás a Lisboa e está decidido!"

Ruben

Quando a Mariana comunicou a intenção da Kika, nunca pensei que a miúda fizesse frente ao pai e apesar de surpreendido fiquei atento, acabando por interferir quando julguei necessário, ainda assim nem o Paulo nem a Filipa demonstraram vontade de aceitar o namoro dos miúdos e menos ainda de deixarem a Kika regressar a Lisboa connosco.

- Ruben não insista - confesso que surpreendeu-me a forma como o Paulo falou comigo - a Frederica é nossa filha e ficará connosco, aliás nunca deveria ter concordado com a ideia dela ficar longe de nós - desviei o olhar para a Mariana e bastou para entender o que ia no seu pensamento, mas se duvidas houvessem

- Faça como quiser mas não o posso obrigar a nada, no entanto se julga que ficarei de braços cruzados perante a sua ditadura está muito enganado

- Estás a ameaçar-me?

- Estou a avisá-lo que o melhor é não desafiar-me porque não desisto dos que amo.

- O que isso quer dizer?

- Que a Kika já não é criança, tem vontade própria mas principalmente cabeça para pensar, logo se julga que impõe o seu querer está redondamente enganado e mais ainda se pensa que deixarei a minha irmã infeliz só porque tem uma mãe que só pensa em si e um pai que resolveu virar retrógrada quando no passado foi demasiado à frente

- Mariana não te admito!

A Mariana não respondeu talvez pelo tom de voz do Paulo demasiado ríspido ou só porque o meu amor tem noção que de nada adiantaria continuar com o bate-boca, só sei que olhou para o pai e saiu da sala, algo que também fiz mas antes

- Espero que tenha noção do quanto magoou as suas filhas mas principalmente a Mariana que depois de tudo o que sofreu por sua culpa durante a infância, a adolescência e já em adulta, o desculpou mas acima de tudo o perdoou, no mínimo deve ter em consideração o quanto a Mariana sofreu para o aceitar e perdoar, porque garanto que não foi algo fácil e você não hesitou em magoá-la novamente só porque deixou a Kika namorar

Não dei hipótese ao Paulo de se manifestar, uma vez que fui procurar a minha mulher e ao passar pelo quarto da Kika, vi o Martim e a Mariana, o meu amor tentava serenar os ânimos e por isso aproximei-me

- O pai não tinha o direito de dizer aquilonunca o desculparei por aquilo que disse, mana não foi só a mim que magoou e depois nem pense que manda em mim! - a determinação da Kika fez com que sorrisse ou não fosse por recordar os primeiros meses após ter conhecido a Mariana

- Apesar do pai ter exagerado tens de perceber que só o fez porque quer o melhor para ti e está convicto que o certo é o que pensa, tens de ter calma e fazê-lo entender o teu lado, dá um desconto porque apesar de ter duas filhas és a primeira que sai do seu ninho porque comigo o pai não passou por esta fase, Kika tens de perceber que isto não é só novo para ti, também é para o pai

- Só é novo porque foi covarde e abandonou a tua mãe!

- Não te admito - a Mariana elevou ligeiramente a voz, o bastante para a Kika baixar o olhar - que uses o meu passado e os erros do nosso pai a teu belo prazer, o pai errou e sofri imenso com isso mas ultrapassei, aceitei a minha história de vida, perdoei o que havia para perdoar e aprendi a amar o homem que no passado mais detestei, por isso não admito que insultes ou faltes ao respeito ao nosso pai, menos ainda que tentes usar-me para o atingires

- Vais abandonar-me como ele fez contigo, é isso?

- Não - a Mariana aproximou-se ainda mais da irmã - tudo farei para que sejas feliz e vou até ao fim para defender-te mas tens de compreender que há formas e formas de o fazer!

- Até parece que no que respeita ao pai foste sempre tão racional!

- Independentemente disso não podes usar o que sofri para resolveres os teus problemas, não peço que entendes só que respeites

- Mas o pai não aceitou o namoro e nem tentou entender

- Dá-lhe tempo de aceitar a ideia que a filha casula está a crescer e principalmente não o enfrentes porque isso só complicará mais, tens de fazê-lo entender o teu lado mas sem o desafiares, caso contrário não conseguirás nada!

- Até parece que é fácil manter a calma! - cruzou os braços, o que fez com que sorríssemos - Vocês são testemunhas de que tentei fazer tudo corretamente, contei aos pais que namoro quando podia esconder e nada disto tinha acontecido, mas preferi ser sincera e agora vê no que deu!

Horas mais tarde

Ajudei a Mariana a deitar os mais pequenos e depois fomos até à sala, onde estava o Paulo e a Filipa.

- Podemos falar? - o Paulo olhou para a filha

- Se vens tentar convencer-nos a deixar que a Frederica regresse convosco não adianta!

- Pai não seja intransigente, até porque não tem motivos para isso.

- É assim tão complicado perceberem que não queremos que a nossa filha namore? Ainda é uma criança!

- Então digam o que pretendem fazer para a impedir de namorar? Vão fechá-la em casa a sete chaves?

- Basta que se mantenha longe do teu irmão! - a Mariana gargalhou para depois

- Mas em que mundo é que você vive? Acha mesmo que mantendo a Kika longe do Martim que resolve o seu problema? É que se acha, lamento desiludi-lo mas o que não falta em Londres são adolescentes do sexo masculino que olharam de certeza absoluta para a Kika porque é uma miúda bonita e inteligente, que se gosta de divertir, mas acima de tudo super sociável, acha mesmo que a manterá longe dos rapazes e que a impedirá de namorar? Pai, deixe de ser ridículo e acorde para a vida! A vossa filha está mais do que na idade de namorar e impedir que isso aconteça é o maior erro que podem fazer, porque só a afastará de vocês e aí sim correrá riscos.

O Paulo provavelmente tinha contra-argumentado mas o Martim entrou na sala de mão dada à Kika e

- Porquê que não fala de uma vez o verdadeiro motivo pelo qual quer impedir a Kika de regressar a Lisboa - o Paulo olhou para o Martim - ao contrário do que você acha já temos maturidade suficiente para entender o que se passa e apesar de ter consciência que tenho muito para aprender, já tenho maturidade suficiente para entender que não posso prometer que a Kika não venha a chorar por mim mas garanto que nunca será pelos mesmos motivos que vi durante anos a minha irmã a chorar no silêncio e na escuridão do seu quarto, sou um adolescente mas já fui uma criança que cresceu com a certeza que um homem pode magoar muito mais uma mulher com a sua cobardia e falta de atitude do que com uma sova, você nunca foi fisicamente violento para a Mariana mas feriu-a para todo o sempre - percebi que as palavras do Martim fragilizaram a Mariana quando vi os seus olhos marejados pelas lágrimas e por isso a abracei - podem passar os anos que passar mas as marcas que deixou na minha irmã nunca serão apagadas, porque as marcas de abandono, de rejeição, de falta de amor paterno e materno estão na sua personalidade, na forma como pensa e vive a vida, fazem parte dela e por muito que tente nunca se esquecerá, perdoou mas não esquece e digo isto porque também não esqueço as vezes todas que a vi triste e que jurei um dia vingar-me da pessoa que tanto mal fez, mas a vida é irónica e essa pessoa é só o pai da minha namorada!

- Não te admito… - o Martim não o deixou continuar

- Não admite o quê? Que diga a verdade? Paulo seja homem uma vez na vida e aceite os seus erros, só assim será verdadeiramente feliz! A Mariana já o perdoou e para mim isso basta, mas será que você já se perdoou a si próprio? É que não parece, porque se este assunto já tivesse verdadeiramente resolvido, o presente não seria afetado pelos fantasmas do passado!

Filipa

Ouvir da boca da minha filha que namora quando nem sequer imaginava deixou-me triste, talvez porque percebi o quanto estou a perder... talvez por culpa reagi da forma que reagi e em vez de a apoiar concordei com a decisão do Paulo de não a querer deixar regressar a Lisboa.

Passei o dia todo com a certeza que a melhor decisão era sem dúvida que a nossa filha ficasse connosco mas durante o jantar percebi a sua tristeza e talvez por isso ou pelo que o Martim falou, resolvi interferir quando o Paulo ficou sem resposta perante o que ouviu

- Martim - olhou - é verdade que o passado marcou muito a tua irmã mas não é por esse motivo que… - a Kika interrompeu

- É só o que falta… agora vai defender o pai?

- Filha não estou a defender o pai, só quero que percebam que não estávamos a contar que namorasses ainda mais com o Martim, foi um choque tanto para mim como para o teu pai, em minutos percebemos o quanto andamos a perder da tua vida e depois ainda és muito nova, Kika nós só não queremos que sofras, é só isso

- O irónico é que são vocês é que me fazem sofrer não é o Martim e muito menos um hipotético desgosto de amor, porque namorados veem e vão, mas os pais são para a vida e vocês ultimamente só sabem desiludir-me mais e mais

- Desculpa filha… - baixei o olhar

- Não quero um pedido de desculpas, não preciso disso para nada! O que quero é ver os meus pais felizes mesmo que isso implique que se divorciem! Vocês já não se amam e estão a destruir aos poucos tudo o que construíram juntos mas a mim não vão destruir porque já saltei fora!

- Nós só estamos a atravessar uma fase menos boa… - o Paulo manifestou-se mas mais uma vez a nossa filha interrompeu para dar a sua sentença

- Que seja… desisto! Vocês é que sabem o que é melhor para os dois mas não têm moral nenhuma para criticar-me por lutar pela minha felicidade, por isso quer queiram quer não queiram namoro com o Martim!

- Podes namorar mas não regressarás a Lisboa e está decidido!

O Paulo foi demasiado autoritário mas a Frederica não se ficou e

- Que seja feita a sua vontade - atirou com as lágrimas a caírem - mas fique a saber que nunca o perdoarei e não pense que ganha alguma coisa ao afastar-me do Martim, o nosso namoro até pode não aguentar a distância mas já valeu a pena porque o que você quer impedir já aconteceu, o Martim já me fez mulher - a fúria com que falou deixou transparecer o sentimento de desprezo - mas pode respirar de alivio porque tive a sorte de ter do meu lado um pai e uma mãe que realmente se preocupam comigo, porque é isso que a Mariana e o Ruben são para mim e para o Martim, não são pais de sangue mas são de coração, são pais que se preocupam verdadeiramente e que só querem a felicidade dos filhos, foram eles que se sentaram connosco e que nos esclareceram as dúvidas, nos alertaram para as consequências do sexo, mas principalmente que estão sempre disponíveis para nos ouvirem, que muitas vezes ficam sem tempo um para o outro, que nos educam a amar e respeitar o próximo, de quem sinto um orgulho enorme por serem as pessoas que são ao contrário de vocês que só sabem desiludir-me!

Mariana

O nosso pai manteve-se irredutível mas acabou por ouvir o que não esperava, tanto que nem ele nem a Filipa conseguiram reagir quando a filha verbalizou que para ela somos os seus verdadeiros pais, era nisso que pensava quando

- Será verdade? - olhei para o Ruben

- Não é novidade que o Martim nos vê aos dois como pai e mãe - sorriu

- Não é disso que falo… é do resto… a Kika admitiu que já se envolveram!

- Não sei se não foi só para provocar mas de qualquer forma não me parece que tenham dado importância a isso depois de ouvirem a filha a renega-los como pais

- Também se meteram a jeito - olhei-o - mor é verdade, a Kika está numa idade complicada, longe dos pais e quando os tem por perto fazem o que fazem

- Independentemente disso a Kika abusou!

- O que interessa agora é resolver esta confusão toda

- Pois…

***

Não consegui dormir nada e por isso assim que o dia clareou saí da cama. Estava na sala quando o Ruben apareceu

- Adiantou alguma coisa teres passado a noite acordada? - olhei-o

- O que queres… não consigo ficar indiferente ao que se passou

- E arranjaste alguma solução milagrosa?

- Não… mas para começar temos de falar com os putos e esclarecer tudo!

- Concordo mas agora anda cá - puxou-me para o seu colo - mor esquece por um bocado o assunto - olhei-o e acabei a rir, afinal aquele olhar conheço bem

- Deixa de ser depravado que estás na casa do meu pai!

- Então e depois… sou casado contigo e temos três filhos lindos por isso duvido que o teu paizinho pense que ainda és virgem e imaculada - gozou

- És tão parvo!

- Mas não deixa de ter a sua piada - olhei-o - foi aqui este parvo que escolheste - deitou-me a língua de fora que nem puto

- E escolhi muito bem! - sorriu - amo-te

O Ruben simplesmente uniu as nossas bocas, o que deu inicio a mais uma troca de carinho, que só abrandou com a entrada da  Kika e do Martim

- Como é que vocês estão?

- Triste e desiludida com o pai e com a minha mãe!

- Tens de ter paciência - interrompeu

- Mana achas mesmo que vão mudar de opinião? Não quiseram ouvir o que tenho para dizer, pior borrifaram-se para os meus sentimentos, sei que ainda sou muito nova mas isso não é sinónimo de não saber o que sinto e que quero para mim, é assim tão difícil entenderem que quero ser feliz, que gosto do Martim, que prefiro viver em Lisboa porque é lá que tenho os meus amigos, que estudo, que treino e jogo vólei, mas principalmente que vos tenho a vocês, caramba se querem fazer parte da minha vida que se mudem para Lisboa, porque aqui só os terei a eles, em Lisboa tenho a minha vida e não abdicarei dela de animo leve, podem obrigar-me a viver com eles mas nem pensem que aceitarei essa ordem sem lutar, porque é um direito que tenho!

- Lutar sim, desafiar os teus pais não! Kika se queres convencê-los tens de os respeitar

- Seria muito mais fácil se respeitassem também a minha opinião! - atirou determinada, o que provocou o sorriso no Ruben, que recriminei com o olhar, tanto que

- Desculpa lá se acho piada - olhei-o - oh mor estás a tentar convencer a Kika de algo que sabes perfeitamente que é impossível, vocês são iguaizinhas no que respeita à teimosia mas principalmente na determinação, sabem o que querem e não desistem! A Kika só está a lutar pela felicidade dela, tal como lutaste!

- Pois mas nunca desautorizei os meus pais!

- Preferia mil vezes que os tivesses desautorizado, porque garanto que teria sido muito mais fácil fazer-te verdadeiramente feliz! Preferia ter que enfrentar os teus pais do que lutar contra algo que durante muito tempo foi superior ao nosso amor! O Martim pelo menos sabe o que tem pela frente, tem dois pais que só querem proteger a filha, não tem a pessoa de quem gosta a evitá-lo, a escorraça-lo da sua vida sem uma única explicação, a magoá-lo com a indiferença, a confundi-lo constantemente porque tão depressa demonstrava preocupação como logo depois o agredia porque ele a abraçava ou lhe dava um beijinho no rosto - baixei o olhar mas o Ruben levou a mão ao meu rosto, obrigando-me a encara-lo - amor não adianta tentar convencer a Kika ou o Martim a abdicar do que sentem, isso só os fará sofrer, aqui quem tem de aceitar a realidade é o Paulo e a Filipa, ninguém garante que seja um amor para a vida, até porque são muito novos mas neste momento gostam mesmo um do outro, levou algum tempo até admitirem um ao outro e por isso atravessaram aquele período em que andavam constantemente a discutir mas agora estão empenhados no namoro mas principalmente a fazerem o outro feliz, por isso não seremos nós a impedi-los de viverem este amor ou paixão, é lógico que não será sempre só sorrisos e “gosto muito de ti” também haverá os momentos em que vão discutir mas esses fazem parte de uma relação e a nós cabe-nos unicamente ficar atentos mas mais que isso é interferir na vida deles, algo que recuso-me a fazer, têm de aprender por eles a construírem uma relação, isto para serem felizes e falo por experiencia própria, Mariana se hoje sou feliz, foi porque aprendi contigo a construir uma relação, tive outras pessoas na minha vida, outras paixões, mas só contigo construí um amor para a vida, uma relação sólida, sincera, capaz de resistir aos desaguisados da vida a dois, se hoje sei o que é amar e ser amado, devo-o a ti

- Mas nós tínhamos 28 anos, eles só têm 16

- Queres mesmo falar da idade? - sorriu de traçado mas não satisfeito - É que tinhas 28 mas experiência de 16!

- Não resmungues de barriga cheia que isso é feio! - voltou a sorrir - Além disso sempre ouvi que o que interessa não é como começa mas sim como acaba... - gargalhou - e por falar em começar - desviei o olhar para os mais novos - não têm nada para contar?

- Não sei do que falas! - a Kika não perdeu tempo em responder

- Ai não sabes? Então esclareço, falo da parte em que falaste que o Martim já te fez mulher e que o pai ignorou porque foi completamente cilindrado com o que falaste de seguida!

- Ah isso… - baixou o olhar - Estão chateados connosco? - perguntou com receio, olhei para o Ruben e sorrimos ou não fosse estarem os dois de olhar baixo mas de mãos dadas

- Chateados não mas ofendidos sim - tentei parecer séria mas confesso que vontade para rir não faltava, ainda mais quando

- Desculpa mana… nós não contamos porque não sabíamos como fazer…

- Ai não sabiam como fazer… oh mor queres ver que desaprenderam a falar e não demos por isso… - o Ruben resolveu brincar com a situação e acabei a rir com o que falou para depois

- Não estamos chateados muito menos ofendidos, até porque muito sinceramente não esperávamos que nos contassem de imediato - olharam-nos e por isso sorrimos ternamente - só queremos que sejam responsáveis, é só isso que vos exigimos, quer dizer isso e terem cuidado para não serem apanhados em momentos mais íntimos pela Inês ou pelo Gonçalo.

- Nós temos cuidado… - falaram ao mesmo tempo, o que mais uma vez fez com que sorríssemos, para depois o Ruben falar

- Nós confiamos em vocês, por isso é que vos apoiamos e faremos de tudo para que a Kika regresse connosco, a única coisa que vos pedimos em troca é moderação, respeito e acima de tudo responsabilidade, para não nos desiludirmos convosco!

- Pai, nós sabemos que ainda não percebemos muito do assunto e que ainda é tudo novidade mas somos responsáveis.

- É isso que esperamos, pelo menos educamos-vos para o serem! E agora queres falar ou estás completamente resolvido no que respeita à primeira vez?

- Estou… - voltei a sorrir ou não fossem estarem os dois de tal forma envergonhados que foi impossível encararem-nos, ainda assim

- Mana - olhou por segundos - se quiseres falar já sabes  

- Não é preciso… mana foi estranho mas não o suficiente para não querer repetir - admitiu completamente envergonhada e talvez por isso ou só mesmo para gozar comigo, o Ruben resolveu falar e

- Deixa lá… quando foi com a tua irmã só não fugiu porque não deixei – reagi de imediato e dei um ligeiro beliscão, para depois

- Não quis fugir! - sorriu

- Tens razão… só tinhas receio que não tivesse gostado…

- É normal… sabias perfeitamente o que fazias ao contrário de mim!

- Pois mas foi vossa excelência que provocou - atirou no gozo

- Se não o tivesse feito acho que ainda hoje estaria à espera! - provoquei

- Se tivesse forçado tinhas saltado fora! Além disso não andava propriamente desesperado!

Não respondi porque não tive hipótese, uma vez que o Martim resolveu intrometer-se na conversa e acabei a gargalhar quando ouvi

- Só chamaste Mariana à Soraia!

- E estares caladinho, não? - o Ruben virou-se para o Martim e a partir daquele instante foi impossível não rir ainda mais…

Paulo

Acordei tal como adormeci, angustiado, afinal tenho as minhas duas filhas magoadas comigo.

Acabei por sair do quarto com a intensão de perceber se a Mariana já estava acordada, afinal se quero resolver esta situação, tenho de convencer a minha filha mais velha de que o melhor para a irmã é ficar connosco. Foi com essa intenção que a fui procurar mas antes de entrar na sala percebi que o Ruben e a Mariana estavam à conversa com o Martim e com a Kika, o que fez com que ficasse a ouvir, sem que não é algo que se faça mas não resisti.

Estava atento ao desenrolar da conversa quando senti uma mão no meu ombro direito, olhei e vi a Filipa, que sorriu e ficou do meu lado…

Ouvi atentamente tudo o que falaram, principalmente o desabafo do Ruben quando admitiu que o início do namoro deles não foi nada fácil e muito por culpa da minha atitude, confesso que doeu ouvir, algo que a Filipa percebeu porque senti o seu apoio…

A conversa continuou e foi demasiado reveladora… reveladora até demais, afinal percebi que estou obcecado com a ideia de evitar que a Kika se deixe levar na conversa do Martim, quando na realidade isso não só já aconteceu, como foi a Mariana e o Ruben que mais uma vez estiveram do lado da Kika, que desempenharam o papel de pai e mãe, função que é minha e da Filipa mas que por causa do nosso egoísmo deixou de ser… Percebi ainda que não sei ser pai… que tenho muito a aprender com a minha filha mais velha, ser pai é proteger os filhos, saber ouvir e aconselhar, mas principalmente apoiar e estar presente para o que precisarem…

Mudará o Paulo de opinião? Será desta que a paz reinará?

1 comentário:

  1. Olá!!
    Adorei!
    Se bem que pensei que seria desta que o Paulo mudava de opinião,mas tá dificil!loool
    Espero para ver se é já no proximo!
    Beijinhos! :D

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