Kika
A tentativa do Martim em mandar no que posso ou não vestir irritou-me, tanto que comprei o vestido e quando chegamos a casa vesti-o só numa de provocar, mas o que começou com uma brincadeira, ganhou outros contornos e descambou mesmo… mas adorei ter descarrilhado com o Martim… apesar de nenhum saber bem o que fazer, foi especial e único…
***
A Mariana ligou a avisar que chegaria mais tarde, porque ia jantar com o Ruben, algo que aproveitamos para namorar descansados, encomendamos pizza para o jantar e estatelamo-nos no sofá a ver filmes.
Estávamos tão entretidos que nem demos pelas horas passar, só quando ouvimos o Ruben é que percebemos que já deveríamos estar na cama
- Mas afinal o que se passa aqui?
Assim que o ouvimos, afastei-me de imediato mas não consegui olhá-los
- O Ruben fez uma pergunta! - a minha irmã reforçou
- Isto não é o que parece! - o Martim falou - a Kika ficou com sono e encostou-se a mim…
- Sono? Quem tem sono vai para a cama!
- O pai tem razão… vamos já deitar-nos!
O Martim conforme falou, também se levantou com a intenção de fugir à conversa mas
- Senta-te! - a nossa irmã pediu tranquilamente e ao sentar-se noutro sofá com o Ruben do seu lado - Porquê que vocês não admitem de uma vez que namoram? - a frontalidade da nossa irmã fez com que olhássemos, num primeiro instante, um para o outro e depois para eles, o que nos permitiu ver algo que não esperávamos, tanto o Ruben como a Mariana sorriram para nós - Mesmo sério julgavam que nos conseguiam atirar areia para os olhos?
- Se já sabiam, porquê que nunca disseram?
- Queríamos que fossem vocês a falar! - o Ruben falou também tranquilamente
- Estão chateados connosco? - o Martim perguntou com receio e quem respondeu foi a Mariana
- Não - olhamos - mas têm de prometer que daqui para a frente não haverá mais segredos entre nós, porque não é assim que vivemos, nunca foi esse o exemplo que vos demos, sabem perfeitamente que entre nós não há segredos e que sempre que há algo que interfira diretamente convosco que não decidimos nada sem falar com vocês, por isso é lógico que esperávamos que contassem, no entanto não estamos chateados.
Ganhei coragem e abri a boca pela primeira vez
- Nós tivemos receio que não nos entendessem e também é recente
- Kika, ninguém escolhe por quem se apaixona, simplesmente acontece ou achas que escolhi apaixonar-me pela Mariana quando estava com casamento marcado? Aconteceu porque tinha de acontecer - sorriu - além disso nunca vos proibimos de namorar e desde que se respeitem mutuamente não há motivo para proibições - olhou para a Mariana - mas não digas que é recente, porque pelo menos já dura à dois meses!
- Como sabem? - falamos os dois ao mesmo tempo e tanto o Ruben como a Mariana gargalharam
- Não sabíamos… desconfiávamos e acabaram de confirmar!
- Mas como é que desconfiaram?
- Porque tirando altura em que os ciúmes se manifestaram e por isso andaram tipo cão e gato, sempre se deram bem, no entanto nos últimos dois meses estão ainda mais unidos… relacionamos as coisas e depois sempre que falava com o Martim sobre namoradas, reagia da forma que reagia.
A conversa continuou e após alguns minutos a Mariana pediu-nos moderação nas demonstrações de mimos para que os miúdos não nos apanhem, pelo menos até falar com os meus pais e revelar que namoro com o Martim, algo que ainda não sei como farei sem morrer de vergonha.
Acabamos por prometer ter cuidado e depois saímos
- Até correu bem - olhei para o Martim
- Pois… nós com medo que nos proibissem porque a Mariana é nossa irmã e afinal já sabiam…
Chegamos à porta do meu quarto e despedimo-nos com um beijo rápido, ainda assim fomos apanhados pelo Ruben que apareceu
- Juízo! - falou ao passar por nós
***
Acordei e recordei de imediato a conversa de ontem, em especial a promessa que fiz... prometi não haver mais segredos, no entanto há uma coisa que não revelados...
Saí do quarto e cruzei-me com o Ruben, cumprimentei-o e acompanhei-o até à cozinha, onde já se encontrava a Mariana. Ajudei com o pequeno-almoço e quando já estava pronto, o Martim apareceu, cumprimentou a nossa irmã e o Ruben com um beijinho e quando se aproximou de mim, não consegui evitar e olhei para os adultos, confesso que fiquei surpreendida, afinal não olharam, ainda assim não tive coragem para beijar o Martim nos lábios, preferi o beijo no rosto como sempre fizemos.
Dias mais
tarde...
As férias do natal chegaram e fui obrigada a rumar até Londres, os meus pais assim obrigaram, porque apesar de não terem tempo para virem a Lisboa ter comigo, acham que vão ter tempo para conviverem comigo durante duas semanas... mas sei bem o que me espera... e o que me espera é precisamente o oposto, vou passar as próximas duas semanas sozinha, porque é assim que me sinto de cada vez que vou a Londres, os meus pais não conseguem despender do tempo deles para estarem comigo, acham que basta os minutos que passamos junto durante as refeições ou então as horas ao fim-de-semana... sinceramente não os percebo... não sei o motivo pelo qual querem que vá, principalmente porque depois passam o tempo a discutir ou então a ignorarem-se... mas se há algo positivo em ir ter com eles, é o facto de ter cada vez mais a certeza que tudo farei para um dia ser igual à minha irmã, sim que melhor acredito ser impossível, por isso daqui a uns anos quando for mãe tudo farei para ser o mais parecida com a Mariana, ela sim, sabe o que é ser mãe, amiga, ouvinte, conselheira, mulher,…
- Posso?
- Sim...
- Não fiques triste... - interrompi
- Martim como não queres que fique triste? O natal para mim é aquela altura do ano em que faz todo o sentido ter a família comigo e só porque dois adultos querem, não posso passar a consoada e o dia de natal com a minha família, sim porque és tu, o Ruben, a Mariana e os miúdos que são a minha família, não são dois adultos que resolveram rumar até Londres, teoricamente a trabalho, quando na verdade foram porque são egoístas e irresponsáveis...
- Não digas isso! Kika os teus pais adoram-te... - interrompi
- Tens razão! Eles adoram ter uma boneca a quem acham que podem dar ordens mas já não sou criança, sei muito bem o que quero e quero ser feliz, quero viver com quem me dá amor mas principalmente com quem está sempre do meu lado, quer nos momentos bons como nos menos bons ou ainda quando tenho dúvidas, a Mariana e o Ruben são muito mais pais para mim do que aqueles dois que estão em Londres... só vou lá porque não quero irrita-los, passarei duas semanas a ser a boneca de serviço para depois passar o resto do ano a ser eu própria, a ser feliz!
O Martim não insistiu mais, ajudou-me a fechar a mala e depois ficamos pelo meu quarto, a aproveitar as horas que nos restam...
Mariana
Cheguei a casa e fui direta para o quarto, estava a trocar a fralda à Daniela quando ouvi a porta a fechar e mesmo sem olhar sabia quem era...
- Não é justo fazerem isso à miúda!
- Mor... nós tentamos...
- Ruben a minha irmã já não é uma miúda...
- Porquê que te calaste? - aproximou-se assim que deitei a Daniela no seu berço - O que te anda a preocupar verdadeiramente? Não estás só irritada por não nos terem dado ouvidos - suspirei
- Tenho receio que a Kika se revolte... apesar de ser uma adolescente ajuizada tenho receio que isto tudo mexa demasiado com ela, está numa idade complicada e ser obrigada a algo que não quer, ainda por cima para depois estar sozinha numa cidade que detesta...
- O Paulo prometeu que iam tirar férias!
- Ya... se assim fosse vinham a Lisboa!
- Se não acreditas neles porquê que deixaste a Kika ir?
- Porque simplesmente não posso impedir os seus pais de estarem com ela, mas isso não signifique que acho que seja o melhor para a minha irmã, no entanto tenho de respeitar porque apesar de tudo o Paulo e a Filipa não são maus pais, têm só que redefinir prioridades e parece que está complicado de entenderem isso!
Paulo
Sei que nem sempre tenho sido um pai exemplar, por isso quando a Mariana tentou que concordasse em deixar a Kika passar a consoada com eles, porque a minha filha não queria vir para não estar sozinha, prometi tirar férias e foi isso que fiz.
Tenho aproveitado para passar algum tempo com a Kika mas parece que tudo o que faço ou digo a deixa desconfortável, a verdade é que sinto que perdi a cumplicidade que em tempos tivemos, a minha filha agora só fala quando meto conversa, porque caso contrário é capaz de ficar calada que nem munia ou então fechasse no seu quarto... os únicos momentos em que a vejo a sorrir por sua iniciativa é quando fala com a irmã ou com os miúdos ao telemóvel...
***
Acabei por conversar com a Filipa e concordamos em convidar a Mariana, o Ruben e os miúdos para virem a Londres passar o Natal connosco, pelo menos no que toca à felicidade da Kika ainda estamos de acordo. Falei com a minha filha que depois de conversar com o marido, aceitou o convite, o que deixou a Kika radiante e nos dias seguintes o tema predominante nas nossas conversas foi a vinda deles...
- Pai vamos!
- Ainda temos tempo
- Mas podemos esperar no aeroporto! Não quero deixá-los à nossa espera!
- Ok... vamos lá!
A Kika sorriu e sem que esperasse abraçou-me, aproveitando para dar-me um beijinho, o que tem sido muito raro, pelo menos por iniciativa própria...
Chegamos ao aeroporto e tal como previ, tivemos que esperar, percebi que a Kika estava mesmo impaciente e por isso dei-lhe espaço... mas assim que os viu, correu para os braços da Mariana, que a recebeu de sorriso no rosto, algo que me emocionou, afinal depois de tudo o que fiz... as minhas duas filhas construíram uma relação fantástica
- Tinha tantas saudades vossas!!! - ouvi assim que cheguei junto deles e quando já tinha a Inês e o Gonçalo de volta de mim, dediquei uns minutos aos mais pequenos e depois cumprimentei o Ruben e a Mariana, para de seguida reparar em algo que não gostei... a Kika estava abraçada ao Martim e a proximidade deles incomodou-me, ainda assim disfarcei e cumprimentei o miúdo
Seguimos para casa e depois de os instalar nos
respetivos quartos, fomos dar um pequeno passeio, isto a pedido da Kika.
Horas depois...
Conversava com o Ruben, uma vez que a Mariana foi deitar a Daniela, quando o Gonçalo entrou a chorar porque a Inês bateu nele, lógico que a miúda veio atrás para se defender, o que originou alguma confusão, que só terminou quando o meu genro meteu ordem, basicamente meteu os dois de castigo
- Não sei como conseguem… - olhou – uma bebé, duas crianças e um adolescente não deve ser fácil – sorriu – e ainda receberam a Kika da forma que receberam
- Isto não é sempre assim… tem dias - sorriu - quanto à Kika não nos dá trabalho e depois os filhos são o melhor que há numa relação
- Mas sobra pouco tempo para estares com a Mariana, ainda mais agora que trabalhas e estudas
- Não é fácil mas também nunca foi… e com força de vontade e muito amor tudo se consegue
- É incrível como os anos passam e vocês estão cada vez mais unidos…
O Ruben não respondeu, porque a Mariana apareceu na sala e roubou a sua atenção. Fiquei unicamente a observá-los e confesso que senti uma pontinha de inveja, os anos passam e estão cada vez mais unidos, já comigo e com a Filipa acontece o inverso…
Mariana
Estava no quarto a cuidar da Daniela quando vi a Kika e o Martim entrarem, sorri ao vê-los de mãos dadas, o que os deixou envergonhados e talvez por isso afastaram-se, para no instante seguinte partilharem a intensão deles em revelar o namoro, tal como tinha solicitado quando os apanhamos a dormir abraçados no sofá.
Assim que a Daniela adormeceu, fui para a sala enquanto os dois apaixonados foram para o quarto da Kika. Não resisti e sentei-me ao colo do Ruben, pedinchando por mimos, algo que deu sem esforço e foi por entre mimos que o avisei dos planos dos miúdos
- E quando vai ser isso?
- Não marcaram dia e hora - sorriu
- Só espero que aceitem…
- Achas que devia dar uma palavrinha ao meu pai?
- Sinceramente acho que é melhor… mor o Paulo é pai… e a Kika a menina dele… - gargalhei
- Lá estás tu… vocês homens são cá uma coisa…
- Não é novidade nenhuma que o assunto faz-me confusão! E acredito que ao Paulo também fará, principalmente porque a Kika vive connosco!
Ainda falamos durante alguns minutos e quando finalmente decidi, a minha irmã entrou acompanhada pelo Martim e pela Filipa, olhou-nos e
- Pai e mãe tenho uma coisa para vos contar - desviei o olhar para o Ruben
- Levamos muito tempo a decidir… - sussurrou-me ao ouvido - só espero que não dê confusão… - não respondi, até porque
- O que é que se passa? - o nossos pai perguntou perante a hesitação da Kika
- Eu não sei bem como falar isto - tanto eu como o Ruben sorrimos
- Kika estás a assustar-nos - a Filipa manifestou-se - diz de uma vez o que se passa
- Ok… - a minha irmã olhou-me por uns segundos e depois - o que vos quero contar é que namoro com o Martim - atirou de uma só vez e a reação do meu pai não tardou
- Tu o quê?
- Namoro com o Martim…
- Só pode ser uma brincadeira! Frederica não tens idade para namorar muito menos com o Martim!
Se o tom autoritário do nosso pai irritou-me, à Kika teve o efeito de desafio, tanto que
- O pai nem pense que vai impedir-me de namorar - teria respondido mas a Filipa antecipou-se e
- Frederica não admito que fales assim! Somos teus pais por isso tens de nos respeitar!
- Pais? Acha mesmo? Quem tenho mais parecido com um pai e mãe, são o Ruben e a Mariana - senti o Ruben a apertar-me a - são eles que se preocupam comigo, que dão amor, com quem tenho aprendido muito, especialmente a amar o próximo, a ouvir, a respeitar a opinião do outro, já consigo e com o pai pouco tenho aprendido, a mãe meteu a carreira em primeiro lugar, não se preocupou comigo e o pai acabou por fazer o mesmo, vocês preferem fingir que está tudo bem, que é perfeitamente normal estarem em Londres e eu em Lisboa, nunca se importaram com o facto de não sentir-me bem aqui, já para não falar que nos últimos oito dias o que vi não foi um casal que se ama, o que vi foi dois adultos que coabitam na mesma casa, o pai acha que sou parva e que não percebi que o vosso casamento já deu o que tinha para dar?
- Vai imediatamente para o teu quarto!
- Pai!
- Mariana não te metas! Sim que pela vossa reação ou fata dela, deu para entender que já sabiam deste disparate e já que não fizeram nada para impedir agradeço que não te metas no assunto, isto é entre mim e a minha filha! - as últimas palavras do meu pai magoaram-me, mas não tive hipótese de responder porque a Kika interferiu
- Não falas assim com a mana porque nem ela nem o Ruben têm culpa, gosto do Martim e namoro com ele, quer os pais queiram quer não queiram, porque vocês não mandam nos meus sentimentos!
- Filha tem calma - a Filipa tentou serenar os ânimos - não adianta nada enfrentares o pai, até porque a razão está do nosso lado, não tens idade para namorar e muito menos com o irmão da tua irmã!
- Mãe, não tenho nenhum grau de parentesco com o Martim!
- Mas vivem debaixo do mesmo teto é como se fossem irmãos! - o nosso pai falou mas também ouviu o que não esperava
- E porquê que vivo com o Martim? Porque para vocês é muito mais fácil empurrarem-me para cima da Mariana e do Ruben do que se sacrificarem pela vossa filha, vocês não se importam com o que quero, com o que sinto! E quando a si - falava agora a olhar o nosso pai nos olhos - não precisa fingir que o que o incomoda é o Martim ser irmão da Mariana, porque o que o deixa desconfortável é perceber que acordei para a vida, que comecei a namorar, mas acima de tudo é porque sabe o que fez no passado e tem medo que o Martim faça o mesmo mas pode ficar descansado, porque tenho muito mais juízo que aquela que você engravidou e depois abandonou… somos ambos adolescentes e gostamos muito um do outro, mas isso não nos deixa irresponsáveis, sabemos bem o que fazemos, como fazemos e sabem porquê? - não deu tempo para que respondessem - Porque ao contrário de si e da mãe, a Mariana e o Ruben sentaram-se connosco e conversaram, alertaram-nos para as consequências dos nossos atos, foi à minha irmã que revelei o nome do rapaz a quem dei o primeiro beijo, ou quem foi a minha primeira paixão, ou ainda o primeiro namorado, mas principalmente foi com a Mariana que tirei as dúvidas referentes à primeira vez e foi ela que acompanhou-me na primeira consulta de genecologia. Por isso podem ficar tranquilos que nós - agarrou na mão do Martim - sabemos muito bem o que queremos e o que queremos não é mais que viver a nossa adolescência, namorar, conviver com os nossos amigos mas principalmente queremos ser felizes e para isso não precisamos de saltar etapas da nossa vida!
A Kika assim que acabou de falar, levantou-se e
- Senta-te que a conversa ainda não acabou!
- Acabou sim! E acabou porque já falei tudo o que tinha para falar, não há nada que o pai ou a mãe possam dizer ou fazer que vá impedir-me de namorar com o Martim, foram vocês que escolheram o caminho mais fácil e saíram da minha vida!
A Kika não deu hipótese aos pais para se
manifestarem, puxou o meu irmão pela mão e saiu da sala.
- Estás satisfeita - a Filipa virou-se para mim e antes que continuasse com os disparates
- Pode parar por aí! Estou na vossa casa e a Kika é vossa filha mas não admito que venha agora culpar-me pela vossa ausência da vida da minha irmã! A Kika é que tem razão, fizeram a vossa escolha, por isso agora vivam com isso!
- Ainda estamos bem a tempo de rever a escolha que fizemos - olhei para o meu pai - a Frederica não regressa mais a Lisboa!
- Deixem de ser irresponsáveis! - confesso que fiquei surpreendida pela intervenção do Ruben, ainda mais quando - A Kika regressa connosco para Lisboa porque este ano já teve demasiadas mudanças, a miúda precisa de estabilidade! Vocês são pais e não queremos ocupar esse lugar mas não podemos permitir que destabilizem ainda mais a minha cunhada só porque descobriram que namora.
- Ruben não te metas porque ainda sou o pai dela… - o meu amor interrompeu
- Então reaja como um... sente-se com a Kika, fale com calma, oiça o que tem para dizer, aconselhe, apoie, indique o que é certo do que é errado, mas principalmente perceba que a Kika deixou de ser criança e não vai ser a contrariar ou a obrigá-la a ficar em Londres que impedirá que namore, até pode afastá-los mas só magoará a Kika e o Martim, não os faça pagar por um erro que não é deles - o meu amor hesitou por uns segundos mas continuou - você errou mas não significa que o Martim ou outro qualquer faça o mesmo, não pode julgar os outros pelos seus próprios erros, porque é isso que está em causa, você só fez este escândalo todo porque é pai e só quer o melhor para a sua filha mas principalmente quer protegê-la de algo que o atormenta desde o momento que tomou consciência e percebeu o mal que fez à Mariana
- Não mistures os assuntos! Não quero que a Frederica namore porque ainda é muito nova, não tem idade para namorar!
A conversa já estava a enjoar e por isso interferi com a intenção de colocar um ponto final
- O que não tem é idade para viver enclausurada! Deixe a miúda viver... a Kika tem mais é que namorar, aproveitar tudo o que de bom e mau possa haver no namoro, isso fará com que cresça, que se torne mulher
- Tem muito tempo para isso!
- Não, não tem! E acredite que sei bem do que falo! Deixei de viver a minha adolescência por decisão minha e não me arrependo de ter escolhido o bem do Martim em prol de umas maluqueiras próprias da idade mas isso não signifique que seja o mais correto, porque a verdade é que deixei de viver certas e determinadas coisas que hoje em dia sinto falta!
- Independentemente disso sou o pai dela e não quero namoros! E como já percebi que apoias esta maluquice a Frederica ficará em Londres que é o lugar dela!
- O lugar da Kika é onde se sente bem! Por isso regressa connosco e você deixe de ser retrógrada!
- Não te admito...
- E acha que me importo com o que admite ou deixa de admitir? Primeiro está a minha irmã e o que é melhor para ela, não vou deixar que fique cá só porque a miúda namora com o meu irmão, além disso a Kika já viveu aqui e não se habituou, quer uma filha feliz e a viver a sua adolescência ou uma filha deprimida porque se sente sozinha numa cidade que não gosta?
- Não gosta mas passará a gostar!
- Deixe de ser teimoso! - olhou desagradado mas - Pai, peço-lhe pela Kika mas também por si e pela Filipa, reconsidere… não adianta impor a sua vontade porque só afastará ainda mais a Kika de vocês, a minha irmã já não é uma miúda a quem dá ordens
- Não entendes que estou preocupado…
- Mais um motivo para deixar a Kika comigo
- A viver com o namorado?
- Não exagere! - o Ruben voltou a intrometer-se - Paulo, podem viver na mesma casa mas não fazem vida de casados! Além disso, pelo que percebi você e a Filipa não estão a atravessar uma fase boa, resolvam a vossa vida e depois voltamos a conversar sobre a Kika, mas por enquanto deixe-a ficar connosco, pelo menos nós temos pulso firme nela e andamos atentos.
O que decidirá o Paulo? E como será a consoada
desta família?
Adorei!!
ResponderEliminarBem agora que os miudos já assumiram o namoro não é altura para problemas!loool
Posta o próximo rapido que quero saber o que vai decidir o Paulo!
Beijinhos!!
Adoreii *_*
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