terça-feira, 16 de junho de 2015

106 - "Vai mas é mergulhar para ver se arrefeces as ideias e se disfarças o que tens para disfarçar!"

Quinze dias depois 

Ruben 

As férias no Algarve terminaram sem mais dramas, muito graças às hormonas dos dois adolescentes que ao que tudo indica deram descanso… 
Regressamos a Lisboa e a Mariana foi falar com o Jorge, afinal tenho razão quando afirmo que não tirou o curso para ficar a olhar para as paredes e apesar da logística que teremos que fazer, o meu amor comprometeu-se com o Jorge e iniciou funções na Instituição, numa fase inicial em conjunto com o seu amigo e agora colega de profissão para posteriormente assegurar o trabalho sozinha, uma vez que o Jorge é atualmente o diretor da instituição e por isso não se consegue dedicar a tempo inteiro aos miúdos. 
- Como correu? - perguntei assim que se sentou ao seu lado 
- Correu bem… os miúdos já me conhecem e isso facilitou mas ainda tenho muito trabalho pela frente, tenho de ganhar a confiança deles para conseguir que desabafem por iniciativa própria… sei bem o que é quererem-nos obrigar a falar… 
- Não tenho duvidas que conseguirás! Afinal compreendes os miúdos como ninguém… 
- E aqui por casa? 
- A Kika e o Martim foram ao cinema, a Inês está na casa da Lara, a Daniela a dormir e o Gonçalo está com a minha mãe 
- Resumindo despachaste os que dão trabalho e ficaste com a Daniela - gargalhei 
- Os mais velhos saíram por iniciativa própria, a Inês foi convidada pela Lara, quanto ao Gonçalo fomos a casa da minha mãe e como o Rafael estava lá, quis ficar a brincar… 
- E tu não te importaste nadinha… 
- E em vez de estares a resmungar se aproveitássemos que a casa está vazia… 
- Lamento mas se a tua intenção era essa, estás com azar…  
- Não me lixes! - gargalhou 
- Vou vestir o biquíni que quero aproveitar o fim de tarde na piscina! 
- Por mim tudo bem… afinal na piscina também é bom! 
A Mariana gargalhou e levantou-se, fiquei à sua espera na sala, afinal já estava com os calções… o meu amor regressou e fomos até ao jardim, a Mariana cumpriu com o que disse e mergulhou, lógico que a segui e foi já dentro de água que demos inicio à troca de saliva, estava mesmo a apetecer-me amá-la mas assim que levei as mãos à cueca do seu biquíni 
- Mor… é melhor resfriares as ideias 
- A Daniela está a dormir e os outros não estão em casa 
- E desde quando a presença deles é problema? Mor o problema é que não posso - sorriu e depois saiu da piscina, segui-a e deitamo-nos na relva mas numa única toalha, afinal como a Mariana diz, contínuo com a mania de usar uma toalha que mais parece um lençol 
- Vê se recomeças mas é a tomar a pilula para essa porra ser certa! - atirei e a Mariana gargalhou - não tem piada… um gajo assim nunca sabe a quantas anda, já para não falar do resto… 
- O menino já acabou com as reclamações? 
- E adianta reclamar mais? - gargalhou novamente 
- Amanhã já vou à consulta - falou de sorriso no rosto e tranquilamente 
- Acho bem! Sim que ainda não percebi qual foi a tua de não começares a pilula depois da Daniela nascer 
- Tanto quanto sei a decisão foi dos dois! 
- Sim… mas enquanto amamentasses e já o deixaste de fazer! 
- Sabes que assim irritadinho ficas ainda mais irresistível?  
- Não julgues que dás a volta assim! - sorriu de traçada 
- Também não era assim que tencionava dar-te a volta… - a Mariana não esperou que reagisse, simplesmente uni as nossas bocas e fez pressão no meu peito, obrigando-me a deitar, segundos foi o tempo necessário para sentir a sua mão direita a percorrer o meu tronco, não satisfeita introduziu a mão dentro dos meus calções, olhei-a assim que separou as nossas bocas - tens a certeza que queres continuar a conversa… - o tom de voz manhoso denunciava e bem o que lhe ia no pensamento - é que… sei lá… pensei em… 
- Em torturas-me - gargalhou - mas desta tortura eu gosto…  
A Mariana preferiu os gestos às palavras e intensificou o ritmo… afinal sabe perfeitamente levar-me ao desespero… continuamos com a troca de mimos, uns mais inocentes que outros, sem nos importarmos minimamente com o facto de não estarmos no quarto, afinal e apesar de estarmos no jardim privacidade é o que não nos falta… 

*** 

Por nós continuaríamos a namorar mas a Daniela acordou, o meu amor foi ver da nossa filha, enquanto fiquei à sua espera, estava deitado e de olhos fechados quando 
- Para a próxima - assim que ouvi o Martim, abri os olhos - avisa que queres comer a minha irmã que não regressamos sem vos avisar! 
- Martim que linguagem é essa? 
- Só estou a ser tão porco como vocês - olhava-o estarrecido - não têm um quarto?  
- Senta-te! - pedi, algo que o Martim acedeu - O que é que viram? - fui direto, o que surpreendeu o Martim porque 
- Dispenso falar do que vi! Por acaso vim sozinho ao jardim mas se a Kika viesse comigo? 
- Se viesse contigo via o mesmo que viste! Desculpa - olhou - tens razão devíamos ter tido mais cuidado mas pensamos que não regressassem tão rapidamente, além disso não fizemos nada de mal… 
- Pois tá claro que não… a minha irmã só te bateu uma - a minha reação ao ouvi-lo, foi simplesmente a gargalhada - ainda achas piada? 
- Até tem… é que ainda não percebi se estás incomodado porque nos apanhaste ou se estás só ressabiado porque a Kika podia ver, ela é mesmo importante para ti… 
- Pai!!! Sinceramente a Kika é como uma irmã para mim nem sei porquê que estás a insinuar estas coisas 
- Insinuar? Mas não insinuei nada… questionei só o motivo do teu ressabiamento! Mas se quiseres falar do que supostamente insinuei, só estou de ouvidos! 
- Vai mas é mergulhar para ver se arrefeces as ideias e se disfarças o que tens para disfarçar! - atirou ao se levantar, desapareceu sem dar hipótese de contra-argumentar  
Como a Mariana tardava em regressar, fui procurá-la, entrei na sala e encontrei a Kika a ver televisão 
- Sabes da Mariana? 
- Acho que está no quarto com a Daniela 
Agradeci e saí da sala, entrei no nosso quarto e fechei a porta, o que fez a Mariana olhar e antes que falasse 
- O teu irmão apanhou-nos 
- Apanhou-nos?! Como assim? 
- Regressaram mais cedo e o Martim foi ao jardim…  
- E como sabes? 
- Porque confrontou-me… está todo lixado porque não tivemos cuidado e podia ser a Kika a ver - a Mariana gargalhou, o que por um lado surpreendeu-me, afinal esperava ouvi-la a barafustar 
- O meu irmão se não tivesse nascido tinha de ser inventado…  
- Porquê que falas isso? 
- Oh mor… porque pelo que falaste o que o incomodou foi o facto de a Kika poder ver… não foi nos ter apanhado… de qualquer forma espero que tenhas falado com ele! 
- Tentei… mas o Martim fugiu - sorriu 
- Não dês importância…  
- Como não queres que dê…  
- Ruben não fiz nada de mal… esquece! 

Mariana 

Assim que o Ruben avisou que o Martim nos apanhou, a primeira coisa que me ocorreu foi procurar um buraco para esconder-me mas no segundo seguinte passou e acabei por gargalhar só de imaginar a cara do Ruben ao ser confrontado pelo meu irmão. 
A meu pedido, o Ruben esqueceu o assunto e acabou por ir buscar a Inês e o Gonçalo, uma vez que a Daniela acordou rabugenta. 
Estava na sala com a nossa pequenina quando o meu irmão apareceu, ainda pensei tocar no assunto mas não o fiz. 
O Ruben regressou com os piolhos e foi com o Gonçalo para o banho, o nosso filho vinha todo sujo de terra, afinal quando está com o primo na casa da avó é uma festa… enfim a Anabela deixa-os fazerem tudo… 

Cinco semanas depois 

O trabalho na Instituição está a correr bem, os miúdos estão gradualmente a aceitar a minha presença como psicóloga, o que facilita a vida ao Jorge, que assim pode concentrar-se nas suas novas funções de Diretor. 
Mas se por um lado a minha vida profissional está a estabilizar, a pessoal continua num reboliço, afinal o meu amor não consegue dar mais o mesmo apoio, o Ruben regressou aos estudos, muito por culpa minha que o incentivei a tirar a licenciatura em Administração e Gestão Desportiva. 
Quem tem sido de grande ajuda são os mais velhos, tanto a Kika como o Martim, têm sido fantásticos e muitos dias são os dois que ajudam a Inês nos trabalhos do colégio e que entretêm o Gonçalo quando chega do infantário. 
Já a Daniela quem a vai buscar à creche é a Anabela, a minha sogra sempre foi o nosso grande apoio. 
Estava a terminar o jantar quando o Ruben apareceu 
- Oi amor - beijou-me - o dia correu bem? 
- Sim… e o teu? 
- Também… - sorriu o que fez com que sorrisse também, é incrível mas o seu sorriso continua a deixar-me nas nuvens tal como no primeiro dia que o vi 
- A Daniela? 
- Está no quarto, adormeceu no carro e como não acordou, fui deitá-la - falou já agarrado à minha cintura e com os seus lábios no meu pescoço 
- Amor estou a terminar o jantar! 
- Hum… hum… - continuou a provocar e assim que meti o jantar no forno, rodei o corpo, levando os braços até ao seu pescoço e unindo as nossas bocas, estávamos a trocar mimos quando - o que achas da ideia de deixarmos os miúdos com a minha mãe e passarmos um fim de semana só os dois? - sorri 
- Estás com falta de mimos, é? 
- Não… estou só farto de ser constantemente interrompido! Os nossos filhos têm cá um sentido de oportunidade que vai lá vai, cá para mim organizam-se de forma a um estar sempre de alerta - gargalhei perante o disparate 
- És tão tonto - beijei-o - mas concordo com a ideia do fim de semana mas agora só depois da festa de aniversário da Inês! 
- Que é já no próximo fim de semana, por isso podemos agendar para o outro 
- Temos de falar com a tua mãe mas se der, alinho! 
Continuamos a conversar e a namorar mas ao fim de uns minutos 
- Mamã - olhei para o Ruben assim que a Inês chamou e inevitavelmente gargalhei, afinal voltamos a ser interrompidos - porquê que a mamã riu? 
- Por nada de especial - aproveitei que se aproximou para dar um beijinho - queres alguma coisa? 
- Sim… - olhou para o pai e depois para mim - posso convidar mais um menino para a minha festa? 
- Mas a mãe convidou os teus amigos todos. 
- Sim mas não convidaste o Pedro 
- E quem é o Pedro? - o meu amor perguntou e a nossa filha respondeu… 
- O meu namorado 
- O teu quê? - não o devia ter feito mas foi impossível conter a gargalhada perante a reação demasiada espontânea do Ruben 
- Namorado! - falou com uma naturalidade tremenda, o que fez com que tivesse que controlar a gargalhada, já o meu amor respirou e 
- E desde quando é que namoras?  
- Desde hoje - respondeu como se nada fosse e continuou - foi no intervalo, o Pedro chegou ao pé de mim e perguntou se quero namorar com ele e eu disse que sim 
Olhei para o Ruben e por o conhecer tão bem, bastou para perceber que ou colocava alguma água na fervura ou a conversa descambava 
- Inês - olhou - conta lá à mãe mais sobre o Pedro e o vosso namoro 
- Mamã ele é da outra turma mas tem ginástica e natação com eu, é meu amigo  
- Lá está é teu amigo e não namorado! - o Ruben meteu-se e ouviu o que não esperava 
- É namorado sim! Ele pediu e eu aceitei! - falou determinada - E o pai não manda em mim por isso eu é que sei! 
- Inês modera o tom de voz que não te admito faltas de respeito - o meu amor falou mais sério e por isso a nossa filha acalmou, ainda assim 
- Papá - abraçou-se à cintura do Ruben, o que fez com que sorrisse, a minha filha sabe tão bem dar a volta ao pai dela - não fiques triste com eu mas o papá não manda no meu coração - tão pequenina e com tanta lábia e se ao início a vontade de rir era só minha, assim que a Inês falou em coração o meu amor teve de se controlar para manter o ar sério - e ele diz que posso ser namorada do Pedro porque ele é meu amigo e eu gosto de brincar com ele e eu quero convidar ele para a minha festa e assim o pai fica a conhecer ele 
- Inês, o pai não se importa que convides o teu amigo - interrompeu 
 - É meu namorado pai!  
- Sim… filha… o Pedro é teu amigo 
- Mau eu já disse que é namorado 
Quando mais ouvia mais vontade tinha para rir, mas como já os conheço 
- Não vão ficar o resto da noite nisto, pois não? - olharam - Inês, podes convidar o Pedro para a tua festa, porque é teu amigo e namorado - a piolha sorriu, já o Ruben olhou-me com desagrado - mas agora conta lá à mãe como é namorar? 
- O que a mãe quer saber? 
- Então se gostas? - o Ruben continuava abismado a olhar para nós 
- É fixe porque como sou namorada dele a gente brinca sempre um com o outro 
- E brincam ao quê? 
- De muitas coisas mas o que a gente brinca mais é a jogar futebol porque ele não é como os outros meninos que dizem que não posso jogar porque sou menina, o Pedro já disse aos outros meninos que eu sei jogar porque aprendi com uma grande jogador que é o pai - desviei o olhar para o Ruben e encontrei-o a sorrir - mas também brincamos à apanhada e com os jogos que temos na escola 
- E o que fazem mais? 
- Quando não tamos a brincar tamos nas aulas - falou como se tivesse feito a pergunta mais estúpida à face da terra 
- E beijinhos já deram? 
- Já! - desviei o olhar para o Ruben e antes que lhe desse um colapso cardíaco  
- E como são esses beijinhos? 
- Na cara que isto de dar beijinhos na boca é só para os adultos, né mamã? - como continuava a olhar para o Ruben, vi o alívio que sentiu 
- É… filha… os beijinhos na boca só podes dar quando fores mais crescida 
- Assim como o mano e a Kika, né? 
- Sim… 
A conversa continuou com o meu amor já bem mais aliviado e assim que a pequena saiu 
- A determinado momento julguei que te fosse dar um colapso cardíaco! 
- Não me gozes! Para o que um gajo está reservado… - gargalhei 
- Isso nem parece teu - olhou - afinal quando foi com o Martim reagiste de outra forma! 
- Mariana, o Martim é rapaz! Além disso é a minha filha não a filha de outro qualquer! - gargalhei prazerosamente e depois 
- Deixa de ser ciumento! A filha é tua mas está a crescer… mor vai-te mentalizando porque daqui para a frente será sempre a piorar ou já te esqueceste de como foi com o Martim? 
- Mas com o Martim foi e é diferente! - voltei a rir 
- A educação é a mesma, as dúvidas e receios também, a fase da descoberta é igualmente complexa, por isso não vejo onde está a diferença! Ruben, ser rapaz não dá mais ou menos liberdade, muito menos é motivo para enclausurar a Inês em casa ou para a controlares a miúda de forma exagerada, a nossa filha tem de crescer e passar pelo mesmo que o Martim passou, por isso vai-te mentalizando e vê se para a próxima és para a Inês o que sempre foste para o Martim, um amigo que sabe ouvir e dar conselhos mas nunca esquecendo que és pai! 
- Mas tens concordar comigo que é estranho… amor é a nossa menina! 
- O Martim e o Gonçalo também são os nossos meninos! 
- Percebeste o que quis dizer! 
- Ruben, a Inês ainda está muito longe da puberdade e ainda mais de poder aparecer grávida em casa, já o Martim está em boa idade para que tenhas uma conversa séria com o miúdo, antes que apareça a dizer que serás avô - olhou-me escandalizado - porque as raparigas não engravidam sozinhas, logo como pai tens a responsabilidade de falar com o teu filho e o alertares para isso! 
- Daqui a nada estás a dizer para oferecer uma caixa de preservativos ao puto! 
- Uma caixa não digo mas entregares um não vejo mal nenhum!  
- Isso é o mesmo que incentiva-lo a ter sexo! 
- Achas mesmo que o Martim precisa desse tipo de incentivo? Quando tiver que acontecer, acontecerá, não está nas nossas mãos controlar isso 
- O puto ainda nem barba tem! Não precisa de preservativos a encher-lhe a carteira! 
- Se preferes ignorar o obvio é lá contigo mas se não falas tu, falo eu! 
O Ruben olhou-me mas não respondeu, não insisti porque conheço-o e sei que acabará por falar com o Martim, só precisa de se mentalizar 

Uma semana depois… 

O tão esperado dia chegou, a nossa Inês completa oito anos e por isso acordou elétrica, passou a manhã toda a olhar para o relógio, o que nos fez rir muito. 
Desta vez e ao contrário das anteriores contratamos uma empresa que organiza festa de aniversários para crianças, uma vez que o tempo é pouco. 
A Inês delirou quando viu a sala pronta para receber os amigos, o tema da festa foi como é óbvio as Princesas e os Princeses e quando os amiguinhos começaram a chegar, o sossego terminou… 
Recebi os seus amiguinhos e encaminhei-os até à amiga que brincava alegremente, por isso quando abri a porta e vi um rapazito que não conhecia, rapidamente o identifiquei como sendo o Pedro, veio acompanhado pela sua mãe, como nunca a tinha visto, apresentei-me e trocamos algumas palavras, pareceu-me simpática e atinada! 
Levei o miúdo pela mão até à sala e assim que a Inês o viu, veio a correr e toda contente apresentou-me o fedelho como sendo o seu namorado, o que fez com que sorrisse, a minha filha agarrou o namorado pela mão e foi direitinha ao pai, não sei o que falou mas também não foi preciso, a cara do Ruben foi suficiente para que gargalhasse 
- A rir sozinha? - olhei para o Mauro 
- A tua sobrinha acabou de apresentar o namorado ao pai 
- Ui… isso é muito forte! 
- Pelo menos o Ruben já estava avisado… - sorri ao vê-lo a aproximar-se 

***  

As horas seguintes foram cansativas, porque aguentar 20 miúdos dentro de uma casa não é tarefa fácil, afinal a Inês nasceu em Outubro e este ano o Inverno chegou cedo… 
O momento de cantar os parabéns foi mais um teste à capacidade de encaixe do Ruben, isto porque a Inês já percebeu que o assunto de ter namorado incomoda o pai e por isso faz de prepósito para o provocar, a piolha só deixou que cantássemos os parabéns quando o Pedro veio para o seu lado e foi de mãos dadas que assoprou as velas.  
Lógico que sobrou para mim, o Ruben na primeira oportunidade que teve resmungou mas entrou por um lado e saiu por outro. 

Ruben 

Sei que são só crianças e que não têm maldade mas confesso que me faz alguma confusão ouvir a Inês a falar que namora, mexe-me com os nervos de uma forma que não consigo controlar… Já a Mariana acha tudo muito divertido e ainda se ri às minhas custas. 
Estava entretido a brincar com os rapazes quando reparei na ausência do Martim e da Kika, ainda assim não dei grande relevância, afinal são adolescentes e uma festa de princesas e príncipes não é de todo algo que os cative. Só os voltei a ver quando foi para cantar os parabéns mas logo depois desapareceram. 
Os amiguinhos da Inês foram saindo e para o fim restou só a família. Estava com a Mariana ao meu colo e a falar com o meu irmão quando 
- Papá - olhei para a Inês - gostaste do meu namorado? 
Conforme a nossa filha perguntou, também olhei para a mãe dela, a Mariana controlou a vontade de rir, já a restante família não teve qualquer problema em gargalhar, ignorei e 
- Oh filha as meninas da tua idade ainda não tem namorados 
- Porquê? 
- Porque na vossa idade só têm amigos 
- Mas o Pedro é mais que meu amigo porque ele brinca comigo a tudo 
- Então mas isso só faz dele um amigo especial - olhou-me pensativa 
- Mas eu já ouvi a mamã dizer que não és só o marido dela também és um amigo muito especial, por isso o Pedro é meu namorado porque é meu amigo especial 
- Desisto… - murmurei e a Mariana sorriu, já a nossa filha 
- Porquê que o papá não gosta do meu namorado? Ele portou-se mal? 
- Oh filha o problema do teu pai é outro - olhei para a Mariana 
- Qual? 
- Está com uma crise de ciúmes porque a princesa dele está a crescer - a nossa filha riu para depois deixar-me emocionado quando 
- Papá mas eu vou gostar sempre muito mais de ti do que do Pedro porque tu és meu papá e o meu herói - a nossa filha abraçou-me e - o papá não fica triste tá bem? 
- Está bem… - assim que falei a nossa filha sorriu e foi brincar com o irmão 
- Tão pequenina e já com a escola toda… - olhamos para a Madalena 
- Pior que isso é a facilidade que tem em dar a volta ao pai dela - a Mariana manifestou-se  
- Lá estás tu! 
- É mentira, queres ver? Ainda que não faças as vontades todas, acabas sempre por ceder em qualquer coisinha! O Martim é que tem razão quando diz que só teve essa sorte enquanto não aprendeste a dizer que não, porque depois quando falavas não era não! Admite que a Inês é a menina do papá em tudo! 
- Por falar em Martim onde é que anda? 
- Agora desconversa! 

***  

A nossa família acabou por sair e a Mariana foi adormecer a Daniela, aproveitei para ir deitar o Gonçalo e a Inês. 

Não basta o Martim na idade critica, agora têm a Inês a namorar… como será os próximos tempos… 

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