Ruben
Quando se está bem e feliz, parece que os dias passam a correr, é esta a sensação que tenho, afinal daqui a duas semanas faz oito meses em que fomos abençoados com o nascimento da Inês, a nossa filha completa dez meses no dia que a Mariana festejará o trigésimo aniversário e nós o terceiro aniversário de casamento, mas vamos por partes, antes ainda tenho algumas coisas a partilhar convosco, como por exemplo
Acordei com o Martim a chamar-me e assim que abri os olhos sorri, afinal tinha a Inês deitada na cama ao meu lado com um papel em cima em que tinha escrito “Parabéns Papá, eu ainda não sei falar mas contei ao mano que queria dar os parabéns e o mano fez isto…” lógico que gargalhei, só mesmo o meu piolho para se lembrar de algo assim
(…)
Dia 14 de Fevereiro… dia dos namorados mas este ano, como tínhamos a Inês adoentada, não organizei nada de especial, já o mesmo não posso falar da Mariana… a razão do meu viver esmerou-se e mesmo com a nossa pequenina doente deixou-a entregue à avó juntamente com o Martim, que vim a saber mais tarde que prometeu cuidar da mana para que pudéssemos festejar o dia dos namorados. O certo é que tivemos a noite por nossa conta e desenganem-se se pensam que foi em casa… a Mariana preparou tudo ao detalhe… a noite iniciou com um jantar romântico, num dos melhores restaurantes de Lisboa e terminou no Hotel… acho que não precisam que vos dê detalhes… ainda assim só vos digo… foi a melhor noite que tivemos até hoje…
(…)
Há ainda o dia do pai, que este ano teve ainda mais sentido, se é que isso seja possível, mas a verdade é que me sinto cada vez mais realizado no papel de pai e sim desejo aumentar ainda mais a família.
O Martim voltou a festejar o dia com uma alegria tremenda e encheu-me de mimos, como o próprio disse, deu mimos por ele e pela Inês que ainda não tem a verdadeira noção do que é festejar o dia do pai
(…)
Outro episódio caricato mas que recordarei para sempre foi quando tive de dar pela primeira vez a papa à Inês, confesso que correu muito melhor do que esperava, o mesmo não posso dizer de quando dei a sopa… a pivete acho que a sopa ficava muito melhor no babete do que na boca, o que proporcionou alguns momentos de gozo, sim a Mariana aproveitou esse episódio para brincar comigo até dizer basta.
(…)
Mas o dia que mais marcou nestes últimos meses, foi mesmo o décimo aniversário do Martim, este ano organizamos uma festa com todos os miúdos da Instituição e com os amigos do colégio, foi juntar duas realidades completamente distintas, mas que foi sem duvida mais uma grande lição de vida, os miúdos “ricos” não se isolaram na sua “bolha” e “misturaram-se” com os meninos “podres”.
Mas o momento cómico desse dia, foi quando o Martim resolveu admitir os seus sentimentos à Kika, a menina respondeu com um redondo não à pergunta “queres ser minha namorada”, mas foi ainda mais longe ao afirmar que os rapazes são todos uns chatos e que está bem é sozinha, lógico que gargalhei e por isso o meu filho ficou chateadíssimo comigo, mas passou quando expliquei o motivo da gargalhada, afinal a Kika é tão mas tão parecida com a Mariana…
(…)
Pelo meio ainda houve a mudança de casa, finalmente encontramos uma que agradou à Mariana, sim que se quando foi em Braga levou-me quase ao desespero, agora que literalmente escolheu uma casa para a nossa família, nem vos digo nem vos conto… basicamente conseguiu encontrar defeito em tudo, até mesmo no que não tinha, foi ao ponto de sugerir construir a nossa própria casa de raiz, ideia que agradou mas que não chegou a ser concretizada porque encontramos a casa perfeita…
Mas nem tudo foi bom… a Maria resolveu não facilitar em nada a adoção do Martim e por isso seguimos pela via que não queríamos, mas que foi necessária para lutarmos pelo nosso Martim, o processo está a decorrer e apesar do menino ter uma maturidade enorme, sabemos que isto está a afetá-lo imenso, tanto que o Martim anda muito mais frágil e desconcentrado na escola.
***
Com o último jogo da época, chegou o inicio das férias, o que é excelente, pelo menos assim tenho mais tempo para estar com o Martim.
Estava na sala a brincar com a Inês quando a Mariana entrou
- Oi amores! - beijou-me e depois pegou na Inês que reclamou - Tenho uma filha muito independente - sorri ao ouvir e ao vê-la a colocar novamente a menina no seu tapete de brincar
- É que não tem mesmo a quem sair nem nada… - meti-me com o meu amor que não perdeu a oportunidade para
- Lógico que tem! Sai à mãe dela porque se saísse ao pai a esta hora estava debaixo da minha saia… oh menininho da mamã - gozou
- Estás muito bem-disposta!
- Pois estou - sorriu e sentou-se do meu lado - tenho a família perfeita - voltei a sorrir - além disso estás finalmente de férias… - abraçou-me
- Por falar em férias - olhou - agora que estou com mais tempo livre, temos que procurar uma creche para a Inês… - respirou profundamente e
- Sei que é uma decisão que deveria ser tomada pelos dois mas aviso já que não mudarei de opinião, Ruben não há necessidade de procurarmos já uma creche para a Inês porque não tenciono regressar ao trabalho, a Patrícia está satisfeita com a Rute, além disso quero aproveitar ao máximo a oportunidade que tenho para ficar em casa a cuidar de vocês, entendes?
- Oh mor - puxei-a ainda mais para mim - se é isso que queres por mim está perfeito, até porque o Martim está mesmo a precisar de nós a tempo inteiro…
- Sim… mas não é só pelo Martim! A verdade é que sinto-me realizada a cuidar da nossa família, além disso estou a fazer o mesmo que sempre fiz, a cuidar de um bebé e da casa, só muda o facto de não ser remunerada por isso mas se formos a ver não recebo mas também não temos despesa com a creche e com empregadas…
- Podes parar por aí! Mor se concordei contigo foi porque só quero o melhor para ti, não foi pelos euros que podemos poupar!
- Hum… mas estás ciente que se poupas nos euros, gastarás paciência e energia… paciência porque haverá dias em que estarei ressabiada por estar em casa e energia porque… - a Mariana sorria de traçada e só não clarificou a sua ideia porque a nossa filha pediu atenção, ainda assim entendi bem o que quis dizer ou não fosse o meu amor ter colocado a mão em sítio estratégico…
Meses depois…
Mariana
O tempo não passa… o tempo voa… chego a essa conclusão sempre que tenho uns minutos de descanso, afinal hoje a nossa Inês completa dois aninhos de vida, dois anos de muitas birras, de muitos mimos, de vitórias mas também de alguns dissabores, como a primeira queda, o primeiro dói-dói como o mano Martim diz, sim mano porque durante estes dois anos muita coisa mudou e uma delas foi a decisão favorável do juiz, que permitiu ao Ruben adotar o Martim, esse dia foi sem sombras de dúvidas um dos mais felizes, ver a alegria mas acima de tudo o orgulho do meu irmão em ter como apelido Amorim foi algo único, não tenho palavras para descrever.
Mas regressando ao tema, dois anos únicos e vividos de forma esplêndida, algo que posso agradecer ao Ruben, pois sem ele nada disto seria possível, tenho imensa sorte em ser amada por ele, se hoje sou feliz, se sei o que é ser mãe passando por todas as fases, se sei o que é brigar por coisas estúpidas, como ter o seu casaco no sofá da sala em vez de no armário, e logo a seguir fazer as pazes porque oiço um “amo-te loucamente” ou “mesmo rezingona és perfeita” ou ainda “fica com os pedais que fico com a bicicleta e quando te passar a telha avisa”… enfim coisas tão banais mas que me fazem tão feliz mas acima de tudo obrigam-me a crescer sempre mais um pouco, algo que aprendi com o Ruben foi sem dúvida encarar a vida com um sorriso e dar valor unicamente ao que realmente importa… talvez por isso e ao fim de muitas noites mal dormidas, de muitos dias angustiada, consegui aceitar o passado e viver o presente…
Presente, bem diferente do que alguma vez imaginei ser possível, hoje tenho irmãos, marido, filha, sogra, cunhados, sobrinhos, afilhados, amigos, conhecidos e pai… sim PAI… com a convivência aprendi a aceitar a presença do Paulo e com o tempo aprendi a amá-lo mesmo com todos os seus defeitos e são muitos mas também quem não os tem… eu própria tenho um enorme defeito e hoje sei a quem o fui buscar… afinal foi a genética que o meu pai me deu como herança, como o Ruben diz, “quem sai aos seus não degenera” mas para ser sincera, o que fez mesmo com que desse uma oportunidade a mim mesma de saber o que é ter pai, foi o apoio que o Paulo deu quando mais precisei, aquele por quem cheguei a ter um ódio de morte, foi depois do Ruben, quem mais apoio me deu durante a guerra que declarei àquela que me trouxe ao mundo, os meses em que lutamos em tribunal pelo Martim foram desgastantes e obrigaram-me a coisas que não queria, como recordar episódios que me marcaram e que nunca tinha partilhado, enfim tudo para conseguir provar que o Martim entregue à Maria seria o mesmo que assinar a sua sentença de morte…
No entanto há mais… com a decisão de não regressar ao tralhado e que o Ruben apoiou, veio outra, a de lutar por um sonho antigo, mais uma vez senti o apoio de todos os que gostam de mim, o que ajudou na decisão de regressar aos estudos, fiz as provas de acesso à faculdade e concluí o primeiro ano com mérito, já só falta quatro anos, ou então não, para terminar o Mestrado Integrado em Psicologia…
Mas falando de assuntos sérios, a organização da festa de aniversário da Inês deu muito trabalho, afinal todos quiseram opinar e os piores foram mesmo o Martim e a Kika, ela queria uma festa cheia de princesas e príncipes… ele algo mais dinâmico e com palhaços, só sei que gargalhadas não faltaram durante os preparativos…
Acordei de sorriso no rosto, ainda mais quando abri os olhos e vi a nossa princesa ao colo do Pai
- Bom dia amor - aproveitei que se aproximou para colocar a Inês na cama e puxei-o, beijando-o mas
- Mamã…
Assim que ouvimos a nossa pequenina, afastamo-nos ligeiramente e ao olharmos vimo-la a rir
- Anda cá princesa da mamã e do papá - estiquei os braços, o que foi suficiente para a pequenina se vir sentar entre as minhas pernas toda contente - quem faz anos hoje quem é - falava para a Inês, mas a minha filha estava mais interdita a brincar com os dedos da mão do Ruben, algo que sempre adorou fazer desde cedo, aliás passa horas se for preciso ao colo do pai a brincar com as suas mãos, nunca percebemos o porquê, só sei que adora fazê-lo
***
As horas passaram e os convidados começaram a chegar, em menos de uma hora tinha o jardim repleto de crianças e de adultos, mantive-me sempre atenta à Inês que andou de colo em colo ou então pelo chão, afinal outra das coisas que adora é estar livre que nem passarinho, adora quando a deixamos correr e rebolar na relva.
- Filha - olhei para trás e sorri
- Pai - abracei-o - pensava que não vinha…
- Achas mesmo que faltava ao aniversário da minha neta - sorriu
- Você é que falou que não tinha conseguido voo para hoje
- Nunca pensei que acreditasses!
- Você merecia apanhar mas hoje não consegue irritar-me! - gargalhou mas não respondeu porque a Kika ao vê-lo veio ter connosco
***
A tarde revelou-se cansativa, afinal tive de dar atenção a miúdos e a graúdos, por isso acabei por pedir à Filipa e à Anabela que olhassem pela Inês e fui até ao meu quarto com o objetivo de descansar uns minutos, afinal tenho a sorte de recarregar baterias em minutos, basta que esteja simplesmente sozinha e de olhos fechados, algo que fiz e quando os voltei a abrir
- Já aí estás à muito tempo? - sorriu
- Não… - sentou-se na beira da cama - vim chamar-te para cantarmos os parabéns à nossa princesa
- Hum… ainda é cedo… - falei ao espreguiçar-me e como resposta tive uma tremenda gargalhada - que foi?
- Mor… foi que os teus quinze minutos de sesta, na realidade foram quase duas horas…
- Quê? - voltou a rir - E porquê que não me acordaste?
- Oh mor… vim cá chamar-te mas estavas a dormir tão serenamente que não tive coragem…
- É o aniversário da nossa filha!
- Sim… por isso mesmo! Mor, a Inês está rodeada de pessoas, nem sequer deu pela nossa falta e depois tens de descansar que estes dias foram cansativos
- Ya… mas o que é que as pessoas vão pensar - sorriu
- Quero lá saber… oh mor o que interessa é o que nós sabemos… - sorri ao ouvi-lo - e agora anda, vamos cantar os parabéns para depois ver se a Inês adormece que na tarda começa com a birra do sono
Passei pela casa de banho para lavar a cara e pentear-me, saindo depois com o Ruben.
- Ena… isso é que foi uma sesta!!!
- Cala-te Letícia! - resmunguei
- Ui… que o Rubinho não soube despertar a donzela e agora ficou má humorada
- Ahahah que piada oh Nuno! - o Ruben ripostou
- Olha lá tenho de concordar com o Nuno! Maninho… maninho… quando elas acordam assim é porque…
- Mas vocês importam-se de se calar! - falei, afinal já tínhamos o Martim e a Kika connosco
- Oh mana eu já percebi o que o tio Mauro e o Nuno tão a dizer - olhamos para o Martim
- Vamos cantar os parabéns à Inês - o Ruben falou mas
- Pai não precisas de disfarçar o que eles tão a dizer é que não acordaste a mana com miminhos mas eu sei que acordaste porque acordas sempre a mana com muitos beijinhos
Acabamos todos a rir e depois fui preparar tudo para cantarmos os parabéns, já o Ruben foi buscar a nossa princesa que se encontrava ao colo da avó Filipa, sim a Filipa autonomeou-se de avó e nem eu nem o Ruben nos importamos, afinal se o Paulo é avô e se a Filipa é sua mulher não deixa de ser avó…
***
Já só estava connosco a família e amigos chegados quando o Ruben foi deitar a nossa pequenina, porque o João Pestana atacou forte e feio.
- Está mesmo cheia de sono - olhei para a Patrícia e sorri
- Sim… também não dormiu nada a tarde toda
- Ao contrário da mãe dela…
- Porra Letícia, já todos sabem que fui dormir não precisas de continuar a atirar-me isso à cara!
- Shiii oh cunhada menos violência - olhei para o Mauro
- Violência é daqui a nada o comando da televisão voar até à tua cabeça se continuas a opinar sobre o que não te diz respeito!
- Já não está cá quem falou!
O Mauro calou-se, mas o mesmo não posso dizer da Patrícia
- Amiga… - olhei - andas estranha ultimamente - revirei os olhos e antes que continuasse, afastei-me dela e aproximei-me do Ruben que tinha acabado de regressar
- Já adormeceu?
- Sim… vesti o pijama, deitei-a na cama e adormeceu - sorriu
- Hum… ok…
O meu amor sentou-se no sofá e aproveitei para ocupar o meu lugar ao seu colo, onde fiquei à conversa e até decidir ir cozinhar sozinha, sim sozinha apesar das raparigas se terem oferecido para ajudar, recusei por saber que aproveitariam para chatear-me a cabeça…
Estava entretida a preparar o nosso jantar quando o Ruben abraçou-me
- Não queres ajuda? - olhei
- Não… é só colocar no forno, afinal preparei tudo com antecedência - sorriu
- Achas que desconfiam? - olhei-o novamente
- Sinceramente acho que até hoje não desconfiavam mas depois da sesta prolongada que fiz e das respostas mais ríspidas que dei - sorriu - mor elas não são parvas mas não sei…
- Não queres aproveitar que estão cá todos…
- Estás desertinho para anunciar a novidade!
- Oh é normal… é uma coisa boa - sorri ao sentir a sua mão na minha barriga
- E algo que aconteceu sem planearmos!
- Oh… assim só teve ainda mais piada!
- É… uma piada louca - sorri ao vê-lo a sorrir - daqui a seis meses quando voltarmos a ter sinfonia durante a noite sempre quero ver se continuas com a mesma opinião
- Isso só significa que tenho de aproveitar muito bem os seis meses que nos restam…
- Parou! - afastei-o - Mor temos a sala cheia!
- Hum… Hum… até parece que isso é problema - gargalhou - o tempo em que isso aconteceu já lá vai…
- És tão parvo! - gargalhou
- Sou parvo mas sou um parvo realizado e feliz!
- Deixa-te de lamechices!
- Gostas pouco…
- Convencido!
- Culpa tua…
Meses mais tarde…
Este ano ao contrário dos anteriores, o aniversário do Martim não será festejado em casa, isto porque estou no final do tempo de gravidez e como tal tenho de evitar esforços, já bem basta as aulas que confesso está cada vez mais complicado assistir…
Acordei de sorriso no rosto, primeiro a minha peste maior completa treze anos, está a ficar um homenzinho e depois porque senti o Gonçalo a mexer-se, algo que o Ruben percebeu e por isso também levou a sua mão à minha barriga.
Estava a receber os seus mimos quando a Inês entrou no quarto a esfregar os olhos com as suas mãozinhas, o que nos fez sorrir ainda mais. O meu amor pegou nela e sentou-a na nossa cama
- Bebé? - sorri ao ouvi-la
- Sim… o bebé está a mexer-se - agarrei na sua mão e coloquei na minha barriga, a nossa piolha sorriu, o que nos deixou ainda mais radiantes
- Filha quem é que faz anos hoje? - o Ruben falou
- O mano - respondeu de imediato
- Então vamos acordá-lo e dar os parabéns?
- Xim… papens… bolo… - gargalhamos
- Realmente a comer não podias ser mais parecida com o teu pai!
- Piada!
Não respondi ao Ruben, até porque o meu amor já estava com a nossa filha ao colo e pronto para sair do quarto, levantei-me quase a rebolar, sim que apesar de estar com 38 semanas e enorme que nem baleia, desta vez e se nada complicar saberei o que são as dores de parto, por isso o Gonçalo nascerá quando quiser.
Foi quando estava a entrar no quarto do Martim que senti algo estranho, mas não dei importância e por isso aproximei-me da cama do meu piolho.
Acordamo-lo com muitos beijinhos e felicitamo-lo, estávamos na conversa quando voltei a sentir uma dor e por isso
- Martim fica com a Inês que nós já regressamos - o Ruben olhou de imediato e sem entender o motivo pelo qual falei
- Vão buscar o meu presente?
- É… quem sabe! - respondi e depois - Mor vem comigo
Saímos do quarto e assim que nos afastamos o suficiente para que o Martim não percebesse
- Não estou a sentir-me bem…
- Então?
- Acho melhor ir ao hospital… estou com dores
- Vai nascer? - a expressão facial do Ruben fez com que risse, afinal foi um misto de alegria e de medo
- Não sei… nunca tive dores de parto! Mas liga à tua mãe, ela que venha ter com os miúdos
***
Horas depois…
Correu tudo bem e o Gonçalo nasceu cheio de saúde mas se soubesse o que sei agora, tinha optado pela cesariana, afinal quando foi da Inês fui tudo tão mais rápido e fácil…
Estava no quarto com o Ruben quando o Martim entrou com a Inês pela mão, a nossa filha quis ver o mano mas não ligou muito, viu e depois quis foi mimo, deitou-se na cama ao meu lado e passou os minutos seguintes a dar-me festinhas. Já o Martim delirou com o mano, afinal além de rapaz ainda nasceu no seu dia de anos…
Três anos mais tarde…
Ruben
Sempre ouvi falar da crise dos sete anos mas a verdade é que não passa de um mito, pelo menos para nós, afinal a nossa relação nunca foi tão boa como agora, talvez porque crescemos um com o outro ao longo destes maravilhosos sete anos de vida em comum, isto se contarmos só o tempo desde que nos casamos, porque a bom rigor já vamos com oito e a caminhar para o nono, enfim não passa de números quando comparado a tudo o que realmente importa, ao amor que nos une aos dois e aos nossos filhos.
Por falar em filhos… o Martim atravessa a fase do armário e desde que fez quinze ainda está pior, no entanto continua um amor de miúdo, meigo para nós e super protetor com os manos, só está assim um bocadinho ressabiado porque não entendemos o seu verdadeiro drama, cuja origem é um amor não correspondido, o que já valeu muita gargalhada, pelo menos a mim e à Mariana.
Quanto à Inês, entra este ano para a primária, um novo desafio para a nossa filha mas que será encarado com serenidade que lhe é característica, a nossa princesa é toda mãe, quer fisicamente, quer a nível de personalidade, sabe perfeitamente o que quer e nem adianta tentar contrariá-la, porque só perdemos o nosso tempo. Quem se passa às vezes, perante a sua teimosia, é mesmo a Mariana, o que não deixa de ter a sua piada, principalmente quando estão as duas a ateimar, primeiro que uma dê o braço a torcer é um caso dos trabalhos mas depois acaba sempre com a nossa pequenina ao colo da mãe e a enchê-la de beijinhos. Até à data, sempre conseguimos que a Inês aceite as nossas decisões sem grandes dramas, só assim de vez em quando uns castigos próprios da idade. Mas se a teimosia dela nunca se revelou um problema, muito se deve à Mariana, afinal apesar de por vezes “bater de frente” com a Inês, sempre soube dar a volta à nossa filha, aliás como sempre fez com qualquer um dos três…
Sim que o Gonçalo, apesar dos seus três anos, não é pera doce, é raro o dia que não o vá buscar ao colégio e que não oiça queixas dele, afinal não sai nada ao Martim e muito menos à Inês, é extremamente independente e quando diz não é não, logo não é difícil de adivinhar que no colégio quando o chateiam não vai de modos e puxa a mão atrás… terrível… mas sempre o foi desde bebé, o Gonçalo sempre nos deu péssimas noites, para comer era um sacrifício e só melhorou quando começou a comer pela sua mão, mas mesmo assim ainda hoje nos temos de chatear com ele… mas sem dúvidas que se não fosse a Mariana seria bem pior, o meu amor é a única que consegue domar o nosso pequenino, quando diz não é não e o pivete nem respinga, o mesmo já não posso falar a meu respeito, mandá-lo para a cama é o mesmo que mandá-lo dar pulos em cima do sofá, faz tudo ao contrário do que digo, irra…
Agora que já falei do bem mais precioso que tenho na vida, os meus filhos, tenho que expressar o orgulho imenso que tenho na Mariana, que mesmo com a gravidez não planeada do Gonçalo e dos terríveis dois primeiros anos de vida dele, conseguiu concluir o mestrado com mérito e sem perder ano nenhum, aliás hoje foi o seu último dia como aluna, a Mariana foi discutir a sua tese e por isso motivo para festejarmos com a nossa família e amigos
- Oh senhora doutora - a Mariana olhou de lado para a Letícia - que foi? Agora já é oficial - a nossa amiga sorriu
- Continuo a ser a mesma Mariana! - sorri ao ouvi-la a resmungar
- Sim… mas não deixas de ser doutora… agora já és uma pessoa importante!
A Letícia continuou a gozar e como resposta teve uma almofada atirada à sua cara, algo que a Mariana se arrependeu de imediato, isto porque o piolho elétrico da família achou um piadão e não perdeu tempo em começar a atirar almofadas aos avós
- Gonçalo - olhou para a mãe
- A mãe fez!
- Primeiro não me falas assim, sou tua mãe - baixou o olhar - segundo o que fiz não se faz
- É giro - a forma como falou mas principalmente a cara que fez, obrigou-me a sair da sala, para não rir, algo que a Letícia também fez
- O Gonçalo é tramado…
- Fogo… não digas nada! Que feitiozinho! O pior é que não sei a quem saiu…
- Amigo há quem diga que os mais novos são sempre os piores…
- Isso não se aplica, sempre fui sossegado!
- Ei calma… o que quis dizer é que o Gonçalo tem quem puxe por ele, a Inês também é fresca, simplesmente é assim toda amorosa e fofinha por isso disfarça bem… agora a peste do Gonçalo é rapaz… logo não tem o requinte que a Inês tem em disfarçar
- Pois… vocês são umas falsas
- A tua mulher que não te oiça…
Gargalhamos os dois e voltamos à sala
- O Gonçalo?
- Foi para o quarto!
- Meteste-o de castigo?
- Não… amuou sozinho e saiu de rabo no ar
- Estamos feitos…
Mariana
Finalmente conclui mais uma etapa, um sonho tornado realidade, consegui com muito esforço e dedicação, mas principalmente com o apoio e compreensão do Ruben e da restante família terminar o mestrado.
Confesso que é um alívio e por diversos momentos pensei desistir, principalmente nas fases mais rebeldes do Gonçalo, a verdade é que sinto que o nosso piolho elétrico é assim porque não consegui ser uma mãe presente, mas por outro lado há a Inês que é um amor de miúda ou o Martim que continua super ternurento e compreensivo, enfim… provavelmente o Gonçalo é assim, só e somente por ser a sua personalidade.
De qualquer forma a decisão está tomada e agora que concluí os estudos, dedicar-me-ei à família, porque sem eles nada disto seria possível. A verdade é que recusei o convite que o Jorge fez e não assumirei funções na Instituição, expliquei os meus motivos que foram aceites e compreendidos, esta foi a última época do Ruben como profissional de futebol e agora só queremos aproveitar os próximos meses em família, sim que o meu amor já tem planos e parado é coisa que não ficará muito tempo, logo há que aproveitar. Além disso, há outro motivo que pesou na decisão, quero voltar a ser mãe, apesar do trabalho que os três dão, queremos o quarto, temos condições económicas que o permitem mas acima de tudo a estabilidade emocional necessária, já para não falar que o Ruben delirou quando abordei o assunto.
- Mana podemos falar? - a Kika aproveitou que vim à cozinha beber água para abordar-me
- Sim… diz!
- Eu… mana eu…
- Sim… Kika, tu o quê?
- Eu…
- Oh rapariga fala antes que me dê o fanico!
- Eu tou com um problema… - baixou o olhar o que me assustou, confesso que passou-me tudo pela cabeça e nada foi bom
O que se passará com a Kika?
Oii acompanho esse fic a muito tempo, para falar a verdade desde que começou, hoje quando começei a ler o capítulo, só pensava que era o último, e mil pensamentos rodeavão minha cabeça, não pode acabar agora, não estou preparada para o fim, mas ao longo do capítulo vi que só era um novo rumo que a história tomava, e fico muito feliz que não seja o fim, pois ainda não estou preparada para o fim, mas com isso percebi que não dei o devido valor a tudo o que essa história me proporcionou, emoções, ansiedade, alegrias, saudade( em todos os meses em que você esteve longe), hoje vim aqui para agradecer por esse Fic fantástico, parabenizar por todos os 100 capítulos 🎉🎉🎉
ResponderEliminarE sobre esse em especial que me surpreendeu e me emocionou já estou ansiosa para saber desse problema da Kika até a próxima beijinhos!!!
fantastico...
ResponderEliminarQuero mais... Teus super curiosa para ver o próximo...
Continua...
Olá
ResponderEliminarAdorei *_* O Gonçalo é um pestinha hehe
Beijinhos
Catarina
Olá!!!
ResponderEliminarLogo quando comecei a a ler pensei que era o último capítulo, mas sabendo que tu não ias acabar assim do nada, mas sei lá, com o decorrer descobrir que apenas era a transição para uma nova fase na fic, agora estou mais tranquila! ;)
Gostei muito desse capítulo, conseguistes contar bem o que aconteceu nesses últimos anos que passaram, todas as novidades, nunca imaginei que a Mari fosse ficar grávida de novo, mas desconfiei durante a festa, e me pergunto a quem o Gonçalo puxou? Também gostei que a Mari voltou a falar com o pai, no começo eu não gostava muito dele mas com o desenrolar se mostrou uma pessoa bem diferente do que achava... Mari doutora? Nunca imaginava! E o Martim e a Kika adolescentes, vão dar muitas dores de cabeça e esse problema da Kika tenho certeza que tem um rapaz no meio... Espero ansiosamente o próximo!
Beijinhos!
Lari Lima
Olá!
ResponderEliminarEu gostei imenso deste capitulo!
Mesmo com o tempo voando adoro podermos acompanhar a familia Amorim a crescer x)
Mas não devias terminar desta forma,fico demasiado curiosa quanto ao que a Kika tem para contar!!
Preciso de ler isto rapido sfff!