terça-feira, 14 de abril de 2015

099 - "Amor...Mariana quero que ponderes, que reflitas e que tomes uma decisão..."

Mariana 

O Ruben continua armado em púdico e sempre que a Inês está connosco o que de mais parecido com uma carícia que consigo arrancar de dele é um beijo e um abraço, porque mais do que isso só mesmo em sonhos. Juro que não entendo qual é a dele, até porque nunca demonstrou ter problemas destes com o Martim, sim que ainda recordo o tempo em que senão fosse eu a colocar travões do menino não se importava minimamente de fazer sexo na sala quando o puto estava por casa… enfim nunca pensei dizer isso mas aqueles foram belos tempos… porque agora anda escasso… muito escasso mesmo, o que fez com que perdesse a vergonha e a cabeça, resolvi aventurar-me por outros caminhos… 

***  

Dei o biberão à Inês e depois de a adormecer ao meu colo, para que a pudesse deitar rapidamente, fui mudar de roupa, afinal não a tinha comprado para ficar eternamente na gaveta… 

Confesso que assim que olhei ao espelho senti-me a hesitar, por isso mesmo saí da casa de banho antes que o meu lado mais tímido levasse a melhor sob o outro lado… o lado do quase desespero por falta de sexo… 

Puxei o lençol e édredon para trás e deitei-me à sua espera… uns minutos depois ouvi os seus passos e quando entrou no quarto vinha a mexer no telemóvel, esperei uns segundos mas como não olhou, chamei-o… o Ruben assim que elevou o olhar e viu a figura em que me encontrava, franziu a testa para depois mirar o meu corpo de alto a baixo, vi o desejo no seu olhar e se duvidas tivesse tinham desaparecido quando se aproximou… 

- Espero que não te atrevas nunca mais a usar a nossa filha como desculpa para não satisfazeres as necessidades da mãe dela! 

Gargalhou assim que falei, após recuperar o folego, depois de mais uma entrega plena um ao outro 

- Fica difícil resistir quando chego ao quarto e vejo o que vi… - beijou-me 

- Estás a querer dizer que quando estou no meu estado normal não te desperto o desejo? - questionei ao olhá-lo nos olhos 

- Não foi isso que quis dizer… mor desejo-te vestida ou despida, porque amo-te mas confesso que hoje voltaste a surpreender pela ousadia, adoro quando sais da tua zona de conforto, foi isso que quis dizer… 

- Sê sincero - continuava a olhá-lo nos olhos - e diz o que se passa contigo - sorriu serenamente e depois de beijar-me 

- Sinceramente? 

- Sim… 

- Mor a verdade é que ainda não me mentalizei que deixei de ter uma Diva na mesa e na cama para passar a ter uma Diva na mesa e uma louca na cama - abrir a boca, tal foi o impacto das palavras que ouvi, o que provocou a gargalhada no Ruben mas não o impediu de continuar - não sou eu que estou diferente, és tu! Mariana, a verdade é que desde que a Inês nasceu andas mais despreocupada, talvez descontraída mas principalmente mais atrevida e isso faz com que queiras outro tipo de mimo… 

- Continuas sem dizer o motivo pelo qual te recusas a… - o Ruben interrompeu 

- Nunca me recusei! Simplesmente às vezes estou cansado e desde quando é que para ti virou prioridade fazer amor todos os dias? 

- Desde que passo o dia todo enfiada em casa! Tenho de quebrar a rotina e o tédio com alguma coisa! 

- Ah… e para isso resolveste explorar o teu marido, é? 

- Até parece! - gargalhou e só não respondeu porque a Inês choramingou 

*** 

Acordamos com a Inês a rabujar com fome e enquanto fui preparar o seu biberão, o Ruben pegou nela ao colo, por isso quando regressei ao quarto, foi o meu amor que deu o leite à nossa princesa, algo que aproveitei para regressar ao vale dos lençóis. Estava quase a fechar o olho quando  

- O que é que estás a fazer? - o meu amor olhou 

- Oh mor é só um bocadinho… a Inês está de olho bem aberto, duvido que vá dormir! 

- A menina depois habitua-se a estar na nossa cama! 

- É só um bocadinho… e hoje é dia de natal  

Gargalhei com a desculpa que arranjou mas acabei por concordar que a deitasse no meio de nós. Estávamos a babar a nossa pequenina quando o Martim apareceu no quarto 

- Bom dia - deu-me um beijinho a mim e outro ao Ruben, algo que o meu amor aproveitou para 

- Vá - levantou o lençol e - deita-te lá mas cuidado com a Inês! 

- A sorte é que a cama é larga… 

- Tás muito resmungona hoje - o Ruben sorriu com o comentário do Martim 

Preferi ignorar e os minutos seguintes foram a quatro, com o Martim a brincar com a Inês, estava deliciada a observá-los quando a nossa princesa sorriu para o meu irmão, o que deixou o menino felicíssimo e a mim emocionada 

- Obrigado - olhei para o Ruben - Obrigado pelos dois filhos maravilhosos que me deste e por achares que sou merecedor do teu amor 

Eich oh pai tás muito cocozinho  

Com o comentário do Martim desmanchei-me a rir, já o Ruben vingou-se com um ataque de cócegas, por isso mesmo tirei a nossa princesa da cama, sim que os dois pilas da família iniciaram uma verdadeira luta de almofadas sem se preocuparem com a mais nova 

***  

O almoço de natal, este ano foi na casa do Mauro e da Madalena, o que até deu jeito, uma vez que estava mesmo sem paciência para organizar almoços. 

Estava a observar o Ruben na brincadeira com o sobrinho e com o Martim, quando me lembrei da Kika, resolvi ligar para falar um pouco e com o avançar da conversa, percebi que estava tristonha, tentei entender o motivo mas não consegui. 

Escusado será dizer que fiquei a pensar no assunto e quanto mais pensava, maior a preocupação, tanto que 

- Ruben! - chamei-o e por isso aproximou-se - empresta-me o teu telemóvel 

O meu amor nem questionou, levou a mão ao bolso e entregou-me o telemóvel. Procurei o número do pai da Kika e coloquei a chamar 

Ruben 

A pedido do meu piolho, fui brincar com ele e com o Rafael, no entanto o meu sobrinho depressa se enjoou de jogar futebol e por isso o Martim avisou que ia brincar com os carrinhos mais o primo, o que fez com que sorrisse, o meu piolho para não variar demonstrou ter uma maturidade enorme para a sua idade. 

Estava a observá-los quando a Mariana se aproximou, pedindo o meu telemóvel, achei estranho mas não questionei, entreguei o telemóvel e pouco tempo depois 

- Boa tarde Paulo - olhei de imediato, pois não esperava que fosse ligar ao seu pai 
(…) 
- Sim… sou eu - não consegui ficar indiferente e por isso mantive-me atento 
(…) 
- Não sei… diga você se está tudo bem… - olhava-a intrigado - o que se passa com a Kika? 
(…) 
- Está a mentir! Estive a falar com a minha irmã e percebi que está triste, por isso quero saber o que se passa! O que é que você fez? 
(…) 
- Não liguei para ouvir as suas lamentações! Aliás dispenso isso e tudo o que vem de si, por isso faça o favor de responder ao que perguntei que não tenho tempo a perder consigo! 
(…) 
- Se é isso, há solução… o Ruben pode ir busca-la e fica comigo esta noite! 
(…) 
- Ok… pode ser! Fica então assim combinado! 

Conforme falou, desligou o telemóvel e 

- Obrigada! 

- O que é que a miúda tem? 

- Pelo que a Kika disse à mãe, está com saudades nossas, por isso sugeri que a fosses buscar para passar o resto do dia e noite connosco mas o pai dela avisou que não estão em casa mas que passa pelo nosso apartamento para a deixar. 

- Agora? 

- Daqui a uma hora… 

- Ok… 

A Mariana afastou-se, percebi que queria espaço mas com o passar dos minutos, acabei por aproximar-me. 

- Queres falar? - olhou 

- Não há nada para dizer… não é a primeira vez que a Kika fica connosco! 

- Pois não… mas desta vez foste tu que falaste para o Paulo - olhou - só não percebi ainda é porquê que não gravas de uma vez o número dele no teu telemóvel 

- Não tenho números de pessoas indesejáveis na minha lista! 

- Mariana! Oh mor, não digas isso!  

- Vais defendê-lo agora? 

- Não… mas também não gosto de te ouvir falar assim… 

- Também não gosto de muita coisa mas tenho de comer! 

- Modera la o tom de voz que não tenho de levar com a tua má disposição! 

- Então não defendas quem não merece! 

- Não o estou a defender mas caramba o Paulo pai da Kika, é o mesmo Paulo que é teu pai e avô da Inês, por conseguinte meu sogro - olhou com vontade de mandar-me dar uma volta mas não liguei e por isso continuei - amor não fiques chateada comigo mas tenho cada vez mais dificuldade em ficar calado perante o que vejo, Mariana o teu pai errou no passado mas talvez tenha sido esse erro que o tornou num homem e pai melhor, pelo menos do que conheço dele, não parece que seja um pai negligente para com a Kika e nem adianta barafustares porque sei que tens a mesma opinião, apesar de não o reconheceres, porque senão tivesses já tinhas colocado as garras de fora para defenderes a Kika, porque é isso que fazes sempre pelos que amas e não há duvida que amas a Kika… - interrompeu 

- Onde queres chegar com esta conversa? 

- Amor… - hesitei com receio que interpretasse mal o meu pedido mas acabei por falar Mariana quero que ponderes, que reflitas e que tomes uma decisão - olhava-me atenta - mor já todos erramos, uns mais que outros e com isto não estou a relativizar o erro do Paulo, estou sim a pedir que reavalies tudo, Mariana o teu passado tem uma carga emotiva e de dor enorme, só tu sabes o quanto sofreste e sofres por causa do abandono de que foste vitima mas será que não está na altura de fazeres um corte entre o passado e o presente? Não estou a pedir para esqueceres porque isso é impossível, estou a pedir que tentes aceitar que há o antes e o depois, mor não faz sentido continuares a carregar essa mágoa dentro de ti, esse ódio disfarçado de raiva e de desilusão… - voltou a interromper 

- Falas do que não sabes! 

- Aí é que te enganas! Falo do que sei sim senhora! Mariana, qual é o sentido de continuares a odiar o Paulo por um erro que cometeu no passado, quando no presente reconheces que é bom pai, que para a Kika é o pai que nunca foi para ti. 

- Não consigo esquecer… - interrompi 

- Não consegues esquecer ou não queres esquecer? - olhou mas não respondeu É que há uma grande diferença entre o não conseguir e o não querer! Mas nem é disso que falo, Mariana a questão que se impõe é se queres ou não aceitar o teu passado tal como é! Amor, foste rejeitada, abandonada e mal tratada mas isso é passado e enquanto não aceitares nunca serás feliz, vais continuar a magoar-te gratuitamente sem necessidade, porque é isso que fazes sempre que tens de falar ou olhar para o Paulo só porque te preocupas e amas a Kika, não será muito melhor se aceitares de uma vez a realidade? Há o antes e o depois… aceita o antes e dá uma oportunidade ao Paulo mas acima de tudo a ti e quem sabe se aos pouquinhos esse sentimento negativo não desaparecerá, Mariana não estou a dizer que o aceitarás como pai, mas pelo menos não ficas nessa pilha de nervos sempre que falas e te cruzas com ele, se estou a pedir que repenses é para o teu bem, percebes? 

A mariana não respondeu mas também não se afastou, muito pelo contrário, procurou o conforto do meu abraço. Respeitei o seu silêncio e não insisti, até porque não é um assunto fácil e muito menos uma decisão que tomará de animo leve, mas pelo menos sei que consegui deixá-la a pensar no assunto, o que já é bom… 

Ainda ficamos mais alguns minutos mas acabei por chamar o Martim, enquanto a Mariana foi buscar a nossa filha. 

Seguimos para casa e assim que chegamos, a Mariana pediu que fosse preparar o biberão para dar à Inês, algo que fiz e depois entreguei à Mariana, que deu á nossa princesa, no entanto no final pediu que lhe pegasse. 

A Mariana acabou por sair da sala e assim que a piolha arrotou 

- Pai posso pegar na mana? - olhei para o Martim 

- Podes… senta-se direito! 

O menino fez o que pedi e depois coloquei a menina no seu colo, lógico que fiquei por perto e a segurá-la, afinal o Martim é só uma criança. 

Estava tão atento que não dei pelo regresso da Mariana, só mesmo quando vi o Martim a sorrir é que olhei e a vi, o meu amor estava a tirar uma foto com o telemóvel, momento que foi interrompido pelo som da campainha e por saber quem seria 

- Vou lá… 

- Deixa… vou lá - olhei surpreendido mas não relutei 

- Pai a Kika vai dormir onde? - sorri ao ouvi-lo mas não cheguei a responder, porque a miúda entrou 

- Olá Ruben - deu-me um beijinho e outro na Inês, o que fez com que 

- Já não gostas de mim? - o Martim perguntou o que confesso fez com que risse, ainda que disfarçadamente, o meu piolho ciumento é cómico 

- Não digas disparates! - a rapidez com que a Kika respondeu fez com que lembrasse os primeiros meses em que conheci a Mariana 

- É verdade! Tu agora só queres saber da Inês até já dás primeiro o beijinho a ela - peguei na Inês e afastei-me ligeiramente, afinal se continuasse a ouvir a conversa acabaria a gargalhar, perante o ataque de ciúmes do Martim. 

Estava junto da janela com a Inês no colo quando ouvi algo que fez com que olhasse para trás… 

Mariana 

Não sei se é o espírito natalício ou se estou mais sensível ou ainda se foram as palavras do Ruben, só sei que quando abri a porta e vi a Kika acompanhada pela mãe, perguntei de imediato pelo Paulo, algo que surpreendeu a Filipa, posso não a conhecer muito bem mas a forma como olhou e os segundos que levou a reagir, chegaram para perceber isso. 

- Está no carro…  

- Pode chamá-lo? - olhou surpresa 

- Posso mas… 

Não faça perguntas… 

A Filipa simplesmente agarrou no telemóvel e ligou ao marido, não sei o que disse porque afastei-me e só quando desligou é que voltei a aproximar-me mas fui incapaz de dizer uma palavra que fosse, no entanto assim que vi a porta do elevador a abrir e o vi a aproximar, respirei profundamente e 

Entrem… - pedi ao dar passagem aos dois 

- Mas… 

Não sei o que iria dizer, porque 

- Se quer conhecer a minha filha entre antes que me arrependa 

A Filipa agarrou na mão do marido e entraram. Fechei a porta e segui na frente. Assim que entramos na sala e que a Kika nos viu 

- Papá… mamã… - falou de sorriso no rosto e correu para mim - obrigada mana por deixares o meu papá conhecer a Inês - falou agarrada à minha cintura 

Fui incapaz de dizer o que quer que fosse, simplesmente olhei para o Ruben, que estava tal como os restantes, surpreso... mas no olhar dele vi algo mais… vi preocupação mas também uma pontinha de orgulho, preocupação porque sabe o quanto me custa estar perto do Paulo e orgulho porque num fundo tomei a decisão correta. 

Ruben  

Assim que ouvi a Kika, olhei de imediato e confesso que nos primeiros segundos pensei que fosse delírio, mas não… é realidade. 

Escusado será dizer que ignorei a presença das visitas e concentrei-me na Mariana, numa tentativa de perceber o impacto da sua decisão. 

Acabei por desviar o meu olhar do seu quando 

- Pai anda ver mais perto a Inês  

A Kika agarrou na sua mão e puxou-o, o Paulo ainda mostrou alguma hesitação mas acabou por se aproximar de mim, uma vez que tinha a Inês ao meu colo 

- Ela é tao bonita - sorri ao ouvir a Kika 

- Pois é… - o Paulo concordou depois de uns segundos a olhar para a minha princesa 

- Pai pega nela!!!! - a miúda falou uns minutos depois e assim que ouvi, olhei novamente para a Mariana, que não teve qualquer reação, já o Paulo  

- É melhor não - a Kika olhou - Inês está sossegadinha ao colo do Ruben  

- Mas a Inês nunca chora ela gosta muito de colinho e o Ruben deixa pegares nela, não deixas? - perguntou-me mas não respondi porque 

- Oh filha o pai pega noutro dia… agora a Inês está quase a adormecer  

Não faz mal porque depois a mana sabe como adormecer a Inês e eu quero que pegues 

Perante a insistência da Kika 

- Posso pegar?  

Confesso que fiquei sem saber o que responder e por isso desviei por segundos o olhar para a Mariana 

- Se quer pegar na minha filha vá lavar as mãos 

A Mariana falou e assim que o fez, a Kika puxou o pai pela mão e saíram da sala, algo que aproveitei para aproximar-me do meu amor 

- Estás bem?  

Perguntei baixinho e depois de lhe dar um beijo mas como resposta tive unicamente um encolher de ombros, para no instante seguinte deixar o Paulo pegar na Inês, lógico que o fiz a olhar para a Mariana e por isso percebi o quanto estava a custar-lhe, mas não fui o único, porque o Martim levantou-se do sofá e foi abraçar a irmã, o que a fez sorrir ligeiramente, gesto que repeti assim que foi possível, no entanto nem um minuto estive abraçado ao meu amor, isto porque e ao contrário do que é hábito, a nossa filha começou a chorar, mas um choro forte, sei que é só um bebé mas chorava como percebesse que estar naquele colo estava a magoar a mãe, até porque assim que a Mariana pegou nela, a Inês calou-se quase de imediato... 

A Mariana acalmou a nossa filha e assim que a princesa adormeceu, foi deitá-la no seu berço 

- Ruben - olhei para o Paulo o que fez a Mariana mudar de opinião? 

Não sei… - preferi não alongar a conversa até porque  

- Vês pai eu disse que a mana ia deixar tu conheceres a Inês  

A Kika estava mesmo contente e aproveitei que o Paulo e a Filipa estavam entretidos com a filha para sair de fininho 

Entrei no nosso quarto e vi a Mariana debruçada no berço da nossa filha 

- Mor - olhou - queres falar? 

Abraça-me… 

Pediu com os olhos rasos de água 

- Oh mor… - acolhi-a nos meus braços  

- Não digas nada… basta que estejas aqui… 

Fiz o que pediu, limitei-me a mima-la e uns minutos depois limpou as lágrimas e foi à casa de banho lavar a cara 

- Vamos que temos visitas na sala! 

Falou determinada, demos as mãos e regressamos à sala, para encontrar a Kika ao colo do Paulo e de sorriso no rosto. 

- A mana ficou a dormir? - o Martim perguntou assim que nos sentamos lado a lado  

- Sim… 

- Fixe!!! - olhamos sem entender, afinal passa a vida a reclamar que a Inês só dorme - assim posso ter o colinho da mana só para mim 

Conforme falou também se sentou, o que fez com que sorríssemos. 

- Oh piolho mas vais ter de esperar 

- Porquê? 

- Porque vou buscar a prenda da Kika que ainda não a demos 

- Ah isso… o pai vai lá buscar que ainda não fez nada hoje - a Mariana gargalhou  

- Agora que falas nisso… olhou-me - realmente o teu pai anda modo que preguiçoso… - percebi nitidamente o segundo sentido daquelas palavras por isso 
Ou então é a mãe que está uma desavergonhada e insaciável… - sussurrei ao seu ouvido e como resposta tive uma tremenda gargalhada 

- O que o pai disse? – perguntou de imediato mas a Mariana não respondeu e para isso 

Amor vai buscar a prenda da Kika por favor 

- Mas eu quero saber o que o pai falou! 

- Oh meu piratinha nunca ouviste dizer que entre marido e mulher não me mete a colher? 

- Pai ouvir eu oiço mas não sei o que quer dizer! 

- Ou não te convém… - a Mariana respondeu - mas para não nos acusares de não explicarmos, o que o Ruben quis dizer é que é assunto nosso, é isso que a expressão quer dizer 

- Se é assunto vosso não tinham nada que vir para aqui falar dele aos segredinhos 

Gargalhamos os dois, mas desta vez acompanhados pelo Paulo e pela Filipa, o que fez com que a Mariana descesse novamente à realidade e por isso perdeu o sorriso, ainda assim continuou na brincadeira com o irmão 

- Tenho um pirata muito engraçado! 

- Mas afinal o que é que vos deu para chamarem-me de pirata? - demonstrou o seu desagrado 

- Nada… meu piratinha 

- Pai já chega! E agora vai fazer o que a mana mandou! 

- Pronto… desculpe sim - voltei a rir - e já vou buscar a prenda da Kika! 

Regressei à sala com o embrulho que entreguei à Kika, lógico que não perdeu tempo a rasgar o papel e por isso 

- Filha o que é que se diz? - a Filipa chamou à atenção, tanto que 

- Obrigada - agradeceu e depois rasgou o resto do papel - Fixe era mesmo isso que eu queria - falou animadíssima quando viu a caixa de maquilhagem própria para a sua idade - como é que sabias que eu queria isto? 

- Isso agora… - a Mariana sorriu 

- Eu não disse a ninguém que queria isto, como é que soubeste? 

- Sabendo… - o meu amor estava numa de brincar com a irmã 

- Assim não tem piada! 

A Mariana provavelmente responderia mas 

- Esquece Kika… a Mariana sabe sempre aquilo que eu quero mas também nunca diz como - encolheu os ombros - acho que é uma coisa de mana mais velha - conforme ouvimos o que falou, também sorrimos, só mesmo o Martim para se lembrar de algo assim 

- Tá bem… - a Kika conformou-se mas não deixou de nos surpreender logo de seguida quando - mas mana sabes eu queria muito isto e tou muito contente porque descobriste que era o que queria mas tou ainda mais contente com outra coisa - a miúda largou a caixa de maquilhagem na mesa de centro da sala e aproximou-se da Mariana, sentando-se ao seu lado e abraçando-a - a melhor prenda que deste foi deixar o papá ver a Inês e pegar nela ao colo eu sei que te custou muito e também sei que ainda não esqueceste o que o papá te fez mas mesmo assim tás a deixar ele ficar perto da gente porque sabes que é uma coisa que eu também quero muito - a Mariana não aguentou e deixou cair as lágrimas, que foram prontamente limpas pelos dedos do Martim que continuava ao seu colo - eu tenho muita sorte de ter-te como mana porque agora sei que nunca vou ficar sozinha porque tu fazes sempre tudo para veres eu bem como fazes com o Martim 

A Mariana cedeu e deixou o Paulo se aproximar mas, a longo prazo, aguentará as consequências de tal decisão??? 

3 comentários:

  1. Olá

    Adoreiiiiiiiiiiii *_* e finalmente a Mariana cedeu ...


    Beijinhos


    Catarina

    ResponderEliminar
  2. fantastico...

    Quero mais... Teus super curiosa para ver o próximo...

    Continua...

    ResponderEliminar
  3. Olá!

    Bem, por momentos vi nesta Mariana uma outra Mariana que conhecemos tão bem. Se o problema do Ruben é a presença da filha o atrapalhar nos momentos mais íntimos, o problema dela é que anda carente (a todos os níveis), só não esperava este atrevimento da parte dela. A maternidade fez-lhe bem, espero que continue a surpreender o Ruben, só não sei se ele terá "coração" para tanta emoção, assim tão de repente.
    O Martim como sempre, é aquela caixinha de surpresas, agora tem ciúmes da Kika, só porque ela primeiro vai dar um beijinho à Inês, ele tá a sair melhor do que a encomenda.
    Finalmente a Mariana cedeu ao pedido da irmã e deixou o Paulo conhecer a filha, mas primeiro ouviu umas verdades da boca do Ruben, verdades que ela tão bem conhece, só teima em aceitar, como o Ruben diz ela vive presa ao passado, e enquanto não deixar o passado lá atrás ela não vai conseguir ser feliz.
    Espero que esta aproximação do Paulo não venha trazer problemas, tá mais do que na hora da Mariana ter finalmente a tal conversa com ele, aquela que ela anda a adiar há tanto tempo.
    Adorei, e quero mais.
    Beijocas

    Fernanda

    ResponderEliminar