Mariana
O Ruben continua armado em púdico e sempre que a Inês está connosco o que de mais parecido com uma carícia que consigo arrancar de dele é um beijo e um abraço, porque mais do que isso só mesmo em sonhos. Juro que não entendo qual é a dele, até porque nunca demonstrou ter problemas destes com o Martim, sim que ainda recordo o tempo em que senão fosse eu a colocar travões do menino não se importava minimamente de fazer sexo na sala quando o puto estava por casa… enfim nunca pensei dizer isso mas aqueles foram belos tempos… porque agora anda escasso… muito escasso mesmo, o que fez com que perdesse a vergonha e a cabeça, resolvi aventurar-me por outros caminhos…
***
Dei o biberão à Inês e depois de a adormecer ao meu colo, para que a pudesse deitar rapidamente, fui mudar de roupa, afinal não a tinha comprado para ficar eternamente na gaveta…
Confesso que assim que olhei ao espelho senti-me a hesitar, por isso mesmo saí da casa de banho antes que o meu lado mais tímido levasse a melhor sob o outro lado… o lado do quase desespero por falta de sexo…
Puxei o lençol e édredon para trás e deitei-me à sua espera… uns minutos depois ouvi os seus passos e quando entrou no quarto vinha a mexer no telemóvel, esperei uns segundos mas como não olhou, chamei-o… o Ruben assim que elevou o olhar e viu a figura em que me encontrava, franziu a testa para depois mirar o meu corpo de alto a baixo, vi o desejo no seu olhar e se duvidas tivesse tinham desaparecido quando se aproximou…
- Espero que não te atrevas nunca mais a usar a nossa filha como desculpa para não satisfazeres as necessidades da mãe dela!
Gargalhou assim que falei, após recuperar o folego, depois de mais uma entrega plena um ao outro
- Fica difícil resistir quando chego ao quarto e vejo o que vi… - beijou-me
- Estás a querer dizer que quando estou no meu estado normal não te desperto o desejo? - questionei ao olhá-lo nos olhos
- Não foi isso que quis dizer… mor desejo-te vestida ou despida, porque amo-te mas confesso que hoje voltaste a surpreender pela ousadia, adoro quando sais da tua zona de conforto, foi isso que quis dizer…
- Sê sincero - continuava a olhá-lo nos olhos - e diz o que se passa contigo - sorriu serenamente e depois de beijar-me
- Sinceramente?
- Sim…
- Mor a verdade é que ainda não me mentalizei que deixei de ter uma Diva na mesa e na cama para passar a ter uma Diva na mesa e uma louca na cama - abrir a boca, tal foi o impacto das palavras que ouvi, o que provocou a gargalhada no Ruben mas não o impediu de continuar - não sou eu que estou diferente, és tu! Mariana, a verdade é que desde que a Inês nasceu andas mais despreocupada, talvez descontraída mas principalmente mais atrevida e isso faz com que queiras outro tipo de mimo…
- Continuas sem dizer o motivo pelo qual te recusas a… - o Ruben interrompeu
- Nunca me recusei! Simplesmente às vezes estou cansado e desde quando é que para ti virou prioridade fazer amor todos os dias?
- Desde que passo o dia todo enfiada em casa! Tenho de quebrar a rotina e o tédio com alguma coisa!
- Ah… e para isso resolveste explorar o teu marido, é?
- Até parece! - gargalhou e só não respondeu porque a Inês choramingou
***
Acordamos com a Inês a rabujar com fome e enquanto fui preparar o seu biberão, o Ruben pegou nela ao colo, por isso quando regressei ao quarto, foi o meu amor que deu o leite à nossa princesa, algo que aproveitei para regressar ao vale dos lençóis. Estava quase a fechar o olho quando
- O que é que estás a fazer? - o meu amor olhou
- Oh mor é só um bocadinho… a Inês está de olho bem aberto, duvido que vá dormir!
- A menina depois habitua-se a estar na nossa cama!
- É só um bocadinho… e hoje é dia de natal
Gargalhei com a desculpa que arranjou mas acabei por concordar que a deitasse no meio de nós. Estávamos a babar a nossa pequenina quando o Martim apareceu no quarto
- Bom dia - deu-me um beijinho a mim e outro ao Ruben, algo que o meu amor aproveitou para
- Vá - levantou o lençol e - deita-te lá mas cuidado com a Inês!
- A sorte é que a cama é larga…
- Tás muito resmungona hoje - o Ruben sorriu com o comentário do Martim
Preferi ignorar e os minutos seguintes foram a quatro, com o Martim a brincar com a Inês, estava deliciada a observá-los quando a nossa princesa sorriu para o meu irmão, o que deixou o menino felicíssimo e a mim emocionada
- Obrigado - olhei para o Ruben - Obrigado pelos dois filhos maravilhosos que me deste e por achares que sou merecedor do teu amor
- Eich oh pai tás muito cocozinho
Com o comentário do Martim desmanchei-me a rir, já o Ruben vingou-se com um ataque de cócegas, por isso mesmo tirei a nossa princesa da cama, sim que os dois pilas da família iniciaram uma verdadeira luta de almofadas sem se preocuparem com a mais nova
***
O almoço de natal, este ano foi na casa do Mauro e da Madalena, o que até deu jeito, uma vez que estava mesmo sem paciência para organizar almoços.
Estava a observar o Ruben na brincadeira com o sobrinho e com o Martim, quando me lembrei da Kika, resolvi ligar para falar um pouco e com o avançar da conversa, percebi que estava tristonha, tentei entender o motivo mas não consegui.
Escusado será dizer que fiquei a pensar no assunto e quanto mais pensava, maior a preocupação, tanto que
- Ruben! - chamei-o e por isso aproximou-se - empresta-me o teu telemóvel
O meu amor nem questionou, levou a mão ao bolso e entregou-me o telemóvel. Procurei o número do pai da Kika e coloquei a chamar
Ruben
A pedido do meu piolho, fui brincar com ele e com o Rafael, no entanto o meu sobrinho depressa se enjoou de jogar futebol e por isso o Martim avisou que ia brincar com os carrinhos mais o primo, o que fez com que sorrisse, o meu piolho para não variar demonstrou ter uma maturidade enorme para a sua idade.
Estava a observá-los quando a Mariana se aproximou, pedindo o meu telemóvel, achei estranho mas não questionei, entreguei o telemóvel e pouco tempo depois
- Boa tarde Paulo - olhei de imediato, pois não esperava que fosse ligar ao seu pai
(…)
- Sim… sou eu - não consegui ficar indiferente e por isso mantive-me atento
(…)
- Não sei… diga você se está tudo bem… - olhava-a intrigado - o que se passa com a Kika?
(…)
- Está a mentir! Estive a falar com a minha irmã e percebi que está triste, por isso quero saber o que se passa! O que é que você fez?
(…)
- Não liguei para ouvir as suas lamentações! Aliás dispenso isso e tudo o que vem de si, por isso faça o favor de responder ao que perguntei que não tenho tempo a perder consigo!
(…)
- Se é isso, há solução… o Ruben pode ir busca-la e fica comigo esta noite!
(…)
- Ok… pode ser! Fica então assim combinado!
Conforme falou, desligou o telemóvel e
- Obrigada!
- O que é que a miúda tem?
- Pelo que a Kika disse à mãe, está com saudades nossas, por isso sugeri que a fosses buscar para passar o resto do dia e noite connosco mas o pai dela avisou que não estão em casa mas que passa pelo nosso apartamento para a deixar.
- Agora?
- Daqui a uma hora…
- Ok…
A Mariana afastou-se, percebi que queria espaço mas com o passar dos minutos, acabei por aproximar-me.
- Queres falar? - olhou
- Não há nada para dizer… não é a primeira vez que a Kika fica connosco!
- Pois não… mas desta vez foste tu que falaste para o Paulo - olhou - só não percebi ainda é porquê que não gravas de uma vez o número dele no teu telemóvel
- Não tenho números de pessoas indesejáveis na minha lista!
- Mariana! Oh mor, não digas isso!
- Vais defendê-lo agora?
- Não… mas também não gosto de te ouvir falar assim…
- Também não gosto de muita coisa mas tenho de comer!
- Modera la o tom de voz que não tenho de levar com a tua má disposição!
- Então não defendas quem não merece!
- Não o estou a defender mas caramba o Paulo pai da Kika, é o mesmo Paulo que é teu pai e avô da Inês, por conseguinte meu sogro - olhou com vontade de mandar-me dar uma volta mas não liguei e por isso continuei - amor não fiques chateada comigo mas tenho cada vez mais dificuldade em ficar calado perante o que vejo, Mariana o teu pai errou no passado mas talvez tenha sido esse erro que o tornou num homem e pai melhor, pelo menos do que conheço dele, não parece que seja um pai negligente para com a Kika e nem adianta barafustares porque sei que tens a mesma opinião, apesar de não o reconheceres, porque senão tivesses já tinhas colocado as garras de fora para defenderes a Kika, porque é isso que fazes sempre pelos que amas e não há duvida que amas a Kika… - interrompeu
- Onde queres chegar com esta conversa?
- Amor… - hesitei com receio que interpretasse mal o meu pedido mas acabei por falar - Mariana quero que ponderes, que reflitas e que tomes uma decisão - olhava-me atenta - mor já todos erramos, uns mais que outros e com isto não estou a relativizar o erro do Paulo, estou sim a pedir que reavalies tudo, Mariana o teu passado tem uma carga emotiva e de dor enorme, só tu sabes o quanto sofreste e sofres por causa do abandono de que foste vitima mas será que não está na altura de fazeres um corte entre o passado e o presente? Não estou a pedir para esqueceres porque isso é impossível, estou a pedir que tentes aceitar que há o antes e o depois, mor não faz sentido continuares a carregar essa mágoa dentro de ti, esse ódio disfarçado de raiva e de desilusão… - voltou a interromper
- Falas do que não sabes!
- Aí é que te enganas! Falo do que sei sim senhora! Mariana, qual é o sentido de continuares a odiar o Paulo por um erro que cometeu no passado, quando no presente reconheces que é bom pai, que para a Kika é o pai que nunca foi para ti.
- Não consigo esquecer… - interrompi
- Não consegues esquecer ou não queres esquecer? - olhou mas não respondeu - É que há uma grande diferença entre o não conseguir e o não querer! Mas nem é disso que falo, Mariana a questão que se impõe é se queres ou não aceitar o teu passado tal como é! Amor, foste rejeitada, abandonada e mal tratada mas isso é passado e enquanto não aceitares nunca serás feliz, vais continuar a magoar-te gratuitamente sem necessidade, porque é isso que fazes sempre que tens de falar ou olhar para o Paulo só porque te preocupas e amas a Kika, não será muito melhor se aceitares de uma vez a realidade? Há o antes e o depois… aceita o antes e dá uma oportunidade ao Paulo mas acima de tudo a ti e quem sabe se aos pouquinhos esse sentimento negativo não desaparecerá, Mariana não estou a dizer que o aceitarás como pai, mas pelo menos não ficas nessa pilha de nervos sempre que falas e te cruzas com ele, se estou a pedir que repenses é para o teu bem, percebes?
A mariana não respondeu mas também não se afastou, muito pelo contrário, procurou o conforto do meu abraço. Respeitei o seu silêncio e não insisti, até porque não é um assunto fácil e muito menos uma decisão que tomará de animo leve, mas pelo menos sei que consegui deixá-la a pensar no assunto, o que já é bom…
Ainda ficamos mais alguns minutos mas acabei por chamar o Martim, enquanto a Mariana foi buscar a nossa filha.
Seguimos para casa e assim que chegamos, a Mariana pediu que fosse preparar o biberão para dar à Inês, algo que fiz e depois entreguei à Mariana, que deu á nossa princesa, no entanto no final pediu que lhe pegasse.
A Mariana acabou por sair da sala e assim que a piolha arrotou
- Pai posso pegar na mana? - olhei para o Martim
- Podes… senta-se direito!
O menino fez o que pedi e depois coloquei a menina no seu colo, lógico que fiquei por perto e a segurá-la, afinal o Martim é só uma criança.
Estava tão atento que não dei pelo regresso da Mariana, só mesmo quando vi o Martim a sorrir é que olhei e a vi, o meu amor estava a tirar uma foto com o telemóvel, momento que foi interrompido pelo som da campainha e por saber quem seria
- Vou lá…
- Deixa… vou lá - olhei surpreendido mas não relutei
- Pai a Kika vai dormir onde? - sorri ao ouvi-lo mas não cheguei a responder, porque a miúda entrou
- Olá Ruben - deu-me um beijinho e outro na Inês, o que fez com que
- Já não gostas de mim? - o Martim perguntou o que confesso fez com que risse, ainda que disfarçadamente, o meu piolho ciumento é cómico
- Não digas disparates! - a rapidez com que a Kika respondeu fez com que lembrasse os primeiros meses em que conheci a Mariana
- É verdade! Tu agora só queres saber da Inês até já dás primeiro o beijinho a ela - peguei na Inês e afastei-me ligeiramente, afinal se continuasse a ouvir a conversa acabaria a gargalhar, perante o ataque de ciúmes do Martim.
Estava junto da janela com a Inês no colo quando ouvi algo que fez com que olhasse para trás…
Mariana
Não sei se é o espírito natalício ou se estou mais sensível ou ainda se foram as palavras do Ruben, só sei que quando abri a porta e vi a Kika acompanhada pela mãe, perguntei de imediato pelo Paulo, algo que surpreendeu a Filipa, posso não a conhecer muito bem mas a forma como olhou e os segundos que levou a reagir, chegaram para perceber isso.
- Está no carro…
- Pode chamá-lo? - olhou surpresa
- Posso mas…
- Não faça perguntas…
A Filipa simplesmente agarrou no telemóvel e ligou ao marido, não sei o que disse porque afastei-me e só quando desligou é que voltei a aproximar-me mas fui incapaz de dizer uma palavra que fosse, no entanto assim que vi a porta do elevador a abrir e o vi a aproximar, respirei profundamente e
- Entrem… - pedi ao dar passagem aos dois
- Mas…
Não sei o que iria dizer, porque
- Se quer conhecer a minha filha entre antes que me arrependa
A Filipa agarrou na mão do marido e entraram. Fechei a porta e segui na frente. Assim que entramos na sala e que a Kika nos viu
- Papá… mamã… - falou de sorriso no rosto e correu para mim - obrigada mana por deixares o meu papá conhecer a Inês - falou agarrada à minha cintura
Fui incapaz de dizer o que quer que fosse, simplesmente olhei para o Ruben, que estava tal como os restantes, surpreso... mas no olhar dele vi algo mais… vi preocupação mas também uma pontinha de orgulho, preocupação porque sabe o quanto me custa estar perto do Paulo e orgulho porque num fundo tomei a decisão correta.
Ruben
Assim que ouvi a Kika, olhei de imediato e confesso que nos primeiros segundos pensei que fosse delírio, mas não… é realidade.
Escusado será dizer que ignorei a presença das visitas e concentrei-me na Mariana, numa tentativa de perceber o impacto da sua decisão.
Acabei por desviar o meu olhar do seu quando
- Pai anda ver mais perto a Inês
A Kika agarrou na sua mão e puxou-o, o Paulo ainda mostrou alguma hesitação mas acabou por se aproximar de mim, uma vez que tinha a Inês ao meu colo
- Ela é tao bonita - sorri ao ouvir a Kika
- Pois é… - o Paulo concordou depois de uns segundos a olhar para a minha princesa
- Pai pega nela!!!! - a miúda falou uns minutos depois e assim que ouvi, olhei novamente para a Mariana, que não teve qualquer reação, já o Paulo
- É melhor não - a Kika olhou - a Inês está sossegadinha ao colo do Ruben
- Mas a Inês nunca chora ela gosta muito de colinho e o Ruben deixa pegares nela, não deixas? - perguntou-me mas não respondi porque
- Oh filha o pai pega noutro dia… agora a Inês está quase a adormecer
- Não faz mal porque depois a mana sabe como adormecer a Inês e eu quero que pegues
Perante a insistência da Kika
- Posso pegar?
Confesso que fiquei sem saber o que responder e por isso desviei por segundos o olhar para a Mariana
- Se quer pegar na minha filha vá lavar as mãos
A Mariana falou e assim que o fez, a Kika puxou o pai pela mão e saíram da sala, algo que aproveitei para aproximar-me do meu amor
- Estás bem?
Perguntei baixinho e depois de lhe dar um beijo mas como resposta tive unicamente um encolher de ombros, para no instante seguinte deixar o Paulo pegar na Inês, lógico que o fiz a olhar para a Mariana e por isso percebi o quanto estava a custar-lhe, mas não fui o único, porque o Martim levantou-se do sofá e foi abraçar a irmã, o que a fez sorrir ligeiramente, gesto que repeti assim que foi possível, no entanto nem um minuto estive abraçado ao meu amor, isto porque e ao contrário do que é hábito, a nossa filha começou a chorar, mas um choro forte, sei que é só um bebé mas chorava como percebesse que estar naquele colo estava a magoar a mãe, até porque assim que a Mariana pegou nela, a Inês calou-se quase de imediato...
A Mariana acalmou a nossa filha e assim que a princesa adormeceu, foi deitá-la no seu berço
- Ruben - olhei para o Paulo - o que fez a Mariana mudar de opinião?
- Não sei… - preferi não alongar a conversa até porque
- Vês pai eu disse que a mana ia deixar tu conheceres a Inês
A Kika estava mesmo contente e aproveitei que o Paulo e a Filipa estavam entretidos com a filha para sair de fininho
Entrei no nosso quarto e vi a Mariana debruçada no berço da nossa filha
- Mor - olhou - queres falar?
- Abraça-me…
Pediu com os olhos rasos de água
- Oh mor… - acolhi-a nos meus braços
- Não digas nada… basta que estejas aqui…
Fiz o que pediu, limitei-me a mima-la e uns minutos depois limpou as lágrimas e foi à casa de banho lavar a cara
- Vamos que temos visitas na sala!
Falou determinada, demos as mãos e regressamos à sala, para encontrar a Kika ao colo do Paulo e de sorriso no rosto.
- A mana ficou a dormir? - o Martim perguntou assim que nos sentamos lado a lado
- Sim…
- Fixe!!! - olhamos sem entender, afinal passa a vida a reclamar que a Inês só dorme - assim posso ter o colinho da mana só para mim
Conforme falou também se sentou, o que fez com que sorríssemos.
- Oh piolho mas vais ter de esperar
- Porquê?
- Porque vou buscar a prenda da Kika que ainda não a demos
- Ah isso… o pai vai lá buscar que ainda não fez nada hoje - a Mariana gargalhou
- Agora que falas nisso… - olhou-me - realmente o teu pai anda modo que preguiçoso… - percebi nitidamente o segundo sentido daquelas palavras por isso
- Ou então é a mãe que está uma desavergonhada e insaciável… - sussurrei ao seu ouvido e como resposta tive uma tremenda gargalhada
- O que o pai disse? – perguntou de imediato mas a Mariana não respondeu e para isso
- Amor vai buscar a prenda da Kika por favor
- Mas eu quero saber o que o pai falou!
- Oh meu piratinha nunca ouviste dizer que entre marido e mulher não me mete a colher?
- Pai ouvir eu oiço mas não sei o que quer dizer!
- Ou não te convém… - a Mariana respondeu - mas para não nos acusares de não explicarmos, o que o Ruben quis dizer é que é assunto nosso, é isso que a expressão quer dizer
- Se é assunto vosso não tinham nada que vir para aqui falar dele aos segredinhos
Gargalhamos os dois, mas desta vez acompanhados pelo Paulo e pela Filipa, o que fez com que a Mariana descesse novamente à realidade e por isso perdeu o sorriso, ainda assim continuou na brincadeira com o irmão
- Tenho um pirata muito engraçado!
- Mas afinal o que é que vos deu para chamarem-me de pirata? - demonstrou o seu desagrado
- Nada… meu piratinha
- Pai já chega! E agora vai fazer o que a mana mandou!
- Pronto… desculpe sim - voltei a rir - e já vou buscar a prenda da Kika!
Regressei à sala com o embrulho que entreguei à Kika, lógico que não perdeu tempo a rasgar o papel e por isso
- Filha o que é que se diz? - a Filipa chamou à atenção, tanto que
- Obrigada - agradeceu e depois rasgou o resto do papel - Fixe era mesmo isso que eu queria - falou animadíssima quando viu a caixa de maquilhagem própria para a sua idade - como é que sabias que eu queria isto?
- Isso agora… - a Mariana sorriu
- Eu não disse a ninguém que queria isto, como é que soubeste?
- Sabendo… - o meu amor estava numa de brincar com a irmã
- Assim não tem piada!
A Mariana provavelmente responderia mas
- Esquece Kika… a Mariana sabe sempre aquilo que eu quero mas também nunca diz como - encolheu os ombros - acho que é uma coisa de mana mais velha - conforme ouvimos o que falou, também sorrimos, só mesmo o Martim para se lembrar de algo assim
- Tá bem… - a Kika conformou-se mas não deixou de nos surpreender logo de seguida quando - mas mana sabes eu queria muito isto e tou muito contente porque descobriste que era o que queria mas tou ainda mais contente com outra coisa - a miúda largou a caixa de maquilhagem na mesa de centro da sala e aproximou-se da Mariana, sentando-se ao seu lado e abraçando-a - a melhor prenda que deste foi deixar o papá ver a Inês e pegar nela ao colo eu sei que te custou muito e também sei que ainda não esqueceste o que o papá te fez mas mesmo assim tás a deixar ele ficar perto da gente porque sabes que é uma coisa que eu também quero muito - a Mariana não aguentou e deixou cair as lágrimas, que foram prontamente limpas pelos dedos do Martim que continuava ao seu colo - eu tenho muita sorte de ter-te como mana porque agora sei que nunca vou ficar sozinha porque tu fazes sempre tudo para veres eu bem como fazes com o Martim…
A Mariana cedeu e deixou o Paulo se aproximar mas, a longo prazo, aguentará as consequências de tal decisão???
Olá
ResponderEliminarAdoreiiiiiiiiiiii *_* e finalmente a Mariana cedeu ...
Beijinhos
Catarina
fantastico...
ResponderEliminarQuero mais... Teus super curiosa para ver o próximo...
Continua...
Olá!
ResponderEliminarBem, por momentos vi nesta Mariana uma outra Mariana que conhecemos tão bem. Se o problema do Ruben é a presença da filha o atrapalhar nos momentos mais íntimos, o problema dela é que anda carente (a todos os níveis), só não esperava este atrevimento da parte dela. A maternidade fez-lhe bem, espero que continue a surpreender o Ruben, só não sei se ele terá "coração" para tanta emoção, assim tão de repente.
O Martim como sempre, é aquela caixinha de surpresas, agora tem ciúmes da Kika, só porque ela primeiro vai dar um beijinho à Inês, ele tá a sair melhor do que a encomenda.
Finalmente a Mariana cedeu ao pedido da irmã e deixou o Paulo conhecer a filha, mas primeiro ouviu umas verdades da boca do Ruben, verdades que ela tão bem conhece, só teima em aceitar, como o Ruben diz ela vive presa ao passado, e enquanto não deixar o passado lá atrás ela não vai conseguir ser feliz.
Espero que esta aproximação do Paulo não venha trazer problemas, tá mais do que na hora da Mariana ter finalmente a tal conversa com ele, aquela que ela anda a adiar há tanto tempo.
Adorei, e quero mais.
Beijocas
Fernanda